Treino de força para tenistas: Foco em potência e prevenção de lesões

Fala, tenista! Que bom ver você por aqui querendo elevar o nível do seu jogo. Se você acha que tênis é só chegar na quadra e bater na bolinha amarela, é melhor puxar uma cadeira e pegar sua garrafinha de água, porque temos muito o que conversar. O jogo mudou. As raquetes estão mais rápidas, as quadras exigem mais do físico e, se o seu corpo não estiver blindado, a lesão é apenas uma questão de “quando”, e não de “se”.

Vou te passar o mapa da mina para você bater mais forte na bola, chegar inteiro naquela deixadinha curta e, o mais importante, jogar sem dor amanhã de manhã.

Treino de força para tenistas: Foco em potência e prevenção de lesões

1. A Nova Realidade Física do Tênis Moderno

O conceito da Cadeia Cinética

Você já reparou como o Federer ou o Djokovic parecem fazer força nenhuma e a bola sai um canhão? Isso não é mágica, é física pura aplicada ao corpo humano. Chamamos isso de Cadeia Cinética. A energia começa lá no dedão do pé, sobe pelas panturrilhas, coxas, passa pelo quadril, atravessa o tronco e só então chega ao ombro e braço. Se você tentar gerar força só com o braço, vai acabar com uma epicondilite ou um ombro estourado em pouco tempo. O braço é apenas o chicote; o corpo é quem gera o estalo.

Quando falamos de treino de força para tenistas, o objetivo principal é otimizar essa transferência de energia. Se o seu core (abdômen e lombar) for fraco, a energia que você gerou nas pernas “vaza” antes de chegar na raquete. É como ter um motor de Ferrari em um chassi de Fusca; a potência está lá, mas a estrutura não aguenta e não transmite. Por isso, seu treino na academia não pode ser igual ao de um fisiculturista que isola os músculos. Você precisa treinar movimentos integrados.

Imagine o saque. Ele é o exemplo perfeito dessa cadeia. Você dobra os joelhos (acumula energia elástica), explode para cima (libera energia), gira o tronco e lança o braço. Se houver um elo fraco nessa corrente — digamos, falta de mobilidade no quadril ou fraqueza no ombro — o corpo vai compensar sobrecarregando outra área. É aí que o treino de força inteligente entra: ele garante que cada elo da corrente faça o seu trabalho perfeitamente.

Potência vs. Força Bruta

Muitos alunos me perguntam: “Professor, se eu ficar muito forte, não vou ficar lento e travado na quadra?”. A resposta é: depende de como você treina. Existe uma diferença gigante entre força bruta e potência. A força bruta é a capacidade de mover uma carga pesada, não importa quanto tempo leve (como um levantador de peso básico). Já a potência é força aplicada com velocidade. No tênis, você tem frações de segundo para reagir e explodir em direção à bola.

O treino focado em hipertrofia excessiva (ficar grandão) pode, sim, te deixar lento se não for acompanhado de trabalho de mobilidade e velocidade. Músculos muito volumosos exigem muito oxigênio e podem limitar sua amplitude de movimento. O que buscamos é a “potência funcional”. Queremos que você seja capaz de recrutar suas fibras musculares rapidamente para dar aquele arranque explosivo na devolução de saque ou para acelerar a cabeça da raquete no forehand.

Portanto, na academia, não vamos apenas empurrar ferro devagar. Vamos trabalhar com intenção de velocidade. Em certas fases do treino, vamos usar cargas mais baixas, mas mover o peso o mais rápido possível. Isso ensina o seu sistema nervoso a disparar o comando “contraia agora!” de forma imediata. É essa explosão que faz a diferença entre chegar atrasado na bola e chegar a tempo de preparar o golpe com qualidade.

A Arte da Desaceleração

Todo mundo quer correr rápido e bater forte, mas poucos lembram que o tênis é um esporte de “frear”. Pense comigo: você corre em velocidade máxima para alcançar uma bola no canto da quadra. Para bater com equilíbrio, você precisa frear bruscamente, transferir o peso e girar. Essa capacidade de desacelerar é, na verdade, mais lesiva e exige mais força do que a própria aceleração. A maioria das torções de tornozelo e joelho acontece nessa fase de frenagem.

O treino de força excêntrica (quando o músculo se alonga sob tensão) é vital aqui. Se seus músculos não tiverem força para absorver o impacto de uma parada brusca, essa carga vai direto para as articulações e ligamentos. Um tenista que sabe desacelerar bem consegue se recuperar mais rápido para o próximo ponto. É o famoso “split step” e a recuperação para o centro da quadra.

Fortalecer a musculatura para suportar essas cargas excêntricas é o melhor seguro-saúde que você pode fazer. Exercícios que simulam a aterrissagem de saltos ou o movimento de “segurar” a descida de um peso são fundamentais. Isso blinda seus joelhos contra o impacto repetitivo das quadras duras e garante que você possa jogar três sets intensos sem sentir que suas articulações estão esfarelando.


2. Membros Inferiores: O Motor dos Seus Golpes

A importância da Força Unilateral

O tênis é um esporte jogado, na maior parte do tempo, apoiado em uma perna só. Quando você bate um forehand open stance, todo o peso está na perna externa. Quando você saca e aterra, cai em uma perna só. Por isso, fazer apenas agachamento tradicional com as duas pernas no chão é bom, mas não é suficiente. Você precisa ser forte e estável em cada perna individualmente para corrigir desequilíbrios.

Exercícios como o agachamento búlgaro ou o afundo (lunge) são obrigatórios na rotina do tenista. Eles não apenas fortalecem o quadríceps e glúteos, mas também exigem muito equilíbrio e estabilidade do quadril. Se o seu quadril “dança” quando você está em uma perna só, você perde precisão no golpe. A base sólida permite que o tronco gire livremente.

Além disso, a força unilateral ajuda a prevenir lesões comuns, como a síndrome da banda iliotibial ou dores no joelho. Muitas vezes, temos uma perna dominante que faz todo o trabalho pesado, enquanto a outra fica “preguiçosa”. O treino unilateral expõe e corrige essa diferença, garantindo que você tenha a mesma potência de arranque tanto indo para a direita quanto para a esquerda.

Pliometria para Explosão

Você quer ter aquele primeiro passo rápido que deixa o adversário sem reação? A resposta está na pliometria. São exercícios de saltos que treinam o “efeito mola” dos seus tendões e músculos. No tênis, isso é crucial para o saque e para as mudanças de direção. O corpo aprende a absorver energia ao tocar no chão e devolvê-la imediatamente, como uma bola de borracha quicando.

Começamos com saltos simples, como pular corda, e evoluímos para saltos na caixa (box jumps) ou saltos laterais (skaters). O “skater jump”, onde você salta de um lado para o outro imitando um patinador, é um dos melhores movimentos para tenistas, pois replica exatamente a movimentação lateral da linha de base. A ideia não é cansar, é fazer cada salto com máxima qualidade e explosão.

Lembre-se que a pliometria é taxativa para o sistema nervoso e articulações. Não é algo para se fazer todo dia. Duas vezes por semana, com baixo volume e muito foco na técnica de aterrissagem, é o ideal. Uma aterrissagem silenciosa e suave é sinal de que seus músculos estão absorvendo o impacto corretamente, protegendo sua coluna e joelhos.

Estabilidade de Tornozelo e Prevenção de Entorses

Quem joga tênis sabe que o pesadelo de qualquer jogador é virar o pé. As mudanças de direção são agressivas e o piso, muitas vezes, trava o tênis. Ter tornozelos fortes e móveis não é luxo, é necessidade básica. O treino de força precisa incluir trabalho de propriocepção — a capacidade do seu corpo saber onde está no espaço.

Isso pode ser feito com exercícios simples, como ficar em um pé só em cima de uma superfície instável (como um bosu ou até um travesseiro dobrado em casa) enquanto rebate uma bola medicinal. Isso obriga os pequenos músculos ao redor do tornozelo a trabalharem freneticamente para manter a estabilidade. Fortalecer a panturrilha e o tibial anterior (o músculo da frente da canela) também é crucial para criar essa “bota muscular” de proteção.

Um tornozelo rígido ou fraco afeta toda a cadeia acima dele. Se o tornozelo não dobra direito, o joelho tem que compensar, e aí começam as dores patelares. Manter essa articulação forte e flexível garante que você possa deslizar no saibro ou frear na quadra dura com confiança total, sem aquele medo de “o pé virar” a cada passada mais larga.


3. Core e Rotação: O Segredo da Aceleração

Além do Abdominal Tradicional: Anti-rotação

Esqueça os abdominais “crunch” de deitar no chão e puxar o pescoço. No tênis, o core tem duas funções principais: gerar rotação (para bater na bola) e impedir a rotação indesejada (para manter o equilíbrio). O conceito de “anti-rotação” é fundamental. Quando você estica o braço para volear uma bola forte, seu tronco precisa resistir à força da bola para não girar para trás. Isso é estabilidade.

Um dos meus exercícios favoritos para isso é o “Pallof Press”. Você segura um elástico ou cabo na lateral do corpo e empurra para frente, lutando para não deixar o elástico girar seu tronco. Parece simples, mas queima o abdômen profundo de um jeito que nenhum abdominal tradicional consegue. Isso cria uma “cinta” de força ao redor da sua coluna.

Essa estabilidade é o que permite que você bata na bola fora de equilíbrio e ainda assim consiga direcioná-la. Quando vemos o Nadal bater aquela bola quase da arquibancada e fazer um winner, é a força de anti-rotação e estabilidade do core que permite que ele controle o movimento do tronco mesmo em condições extremas.

A Conexão Cruzada: Ombro e Quadril Oposto

Nosso corpo funciona em “X”. O ombro direito trabalha em sintonia com o quadril esquerdo e vice-versa. Pense no movimento de saque: quando o braço direito sobe, a perna esquerda está servindo de âncora ou impulso. O treino de core para tenistas deve enfatizar essa conexão diagonal, que chamamos de cadeias cruzadas anteriores e posteriores.

Exercícios como o “Woodchopper” (lenhador) no cabo, onde você puxa o peso de cima para baixo em diagonal, simulando um movimento de forehand ou smash, são excelentes. Eles integram o quadril, o tronco e os ombros em um movimento fluido. Isso ensina o cérebro a recrutar os músculos na sequência correta, aumentando a potência do golpe sem você ter que fazer mais força com o braço.

Se essa conexão for fraca, você perde o “timing” da bola. Sabe aqueles dias em que parece que você está fazendo muita força, mas a bola não anda? Geralmente é porque o quadril girou primeiro e o ombro demorou, ou o contrário. Fortalecer essa cadeia cruzada sincroniza seus movimentos, tornando seu jogo mais eficiente e elegante.

Protegendo a Lombar no Saque

O saque é o movimento mais complexo e violento do tênis. Ele envolve hiperextensão da coluna (arquear as costas para trás), rotação e flexão lateral, tudo ao mesmo tempo e com explosão. Não é à toa que a dor lombar é a queixa número um entre tenistas amadores e profissionais. Se você não tiver um core blindado, suas vértebras lombares vão pagar o preço desse movimento repetitivo.

O fortalecimento deve focar não só no abdômen (frente), mas muito nos paravertebrais e glúteos (trás). O glúteo é o melhor amigo da sua lombar. Se o glúteo for forte, ele absorve a carga da aterrissagem e a força da extensão. Se o glúteo for “amnésico” (não ativa direito), a lombar faz todo o trabalho sujo.

Incorporar exercícios como a “ponte” (elevação pélvica) e extensões de coluna controladas ajuda a criar essa proteção. E lembre-se: no saque, a força para arquear deve vir da mobilidade torácica (meio das costas) e da força das pernas, não de “esmagar” a lombar. Treinar mobilidade torácica é, indiretamente, um treino de força para proteger sua lombar, pois permite que os músculos certos trabalhem.


4. Blindando o Ombro e o Cotovelo

Manguito Rotador: Os Freios do Ombro

O ombro é a articulação mais móvel do corpo, e no tênis, ele é castigado. O papel do manguito rotador (aquele grupo de pequenos músculos internos do ombro) é frequentemente mal compreendido. As pessoas acham que ele serve para gerar força, mas a função principal dele no tênis é desacelerar o braço após o saque ou o smash.

Imagine que seu braço é um carro a 200km/h. O peitoral e o grande dorsal são o acelerador. O manguito rotador é o freio. Se você tem um motor de Fórmula 1 mas freios de bicicleta, o acidente é certo. A maioria das lesões de ombro acontece porque os músculos grandes são muito fortes e os pequenos estabilizadores não conseguem segurar a cabeça do úmero no lugar durante a desaceleração violenta do saque.

Exercícios com elásticos (rotação externa e interna) são chatos, eu sei, mas são obrigatórios. Eles não servem para ficar inchado, servem para manter seu ombro no lugar. Fazer “Y”, “T” e “W” com pesos leves ou TRX também ajuda a fortalecer a parte posterior do ombro, equilibrando a articulação e prevenindo a famosa síndrome do impacto.

Prevenção de Epicondilite (Tennis Elbow)

O medo de todo tenista: aquela dorzinha chata na parte externa do cotovelo que vira uma dor insuportável até para segurar uma xícara de café. O “Tennis Elbow” geralmente ocorre por uma sobrecarga nos extensores do punho, muitas vezes causada por técnica inadequada (atrasar o ponto de contato no backhand) ou equipamento errado, mas também por fraqueza no antebraço e ombro.

Se o ombro não faz o trabalho dele de estabilizar, o cotovelo e o punho sofrem excessivamente para controlar a raquete. O fortalecimento deve ser global, mas exercícios específicos de extensão e flexão de punho, além de pronação e supinação (girar a palma da mão para cima e para baixo com resistência), são essenciais. O famoso “martelo” na musculação também ajuda.

Outro ponto chave é a força de preensão (grip). Ter uma pegada firme, mas relaxada, exige antebraços fortes. Se você tem que apertar a raquete com força excessiva para ela não girar na sua mão, você está cansando os músculos do antebraço prematuramente. Treinar a força da mão (apertar bolinhas, usar hand grips) ajuda a tirar a tensão do cotovelo.

Equilíbrio Muscular: Peito vs. Costas

Tenistas tendem a ter o peitoral muito encurtado e forte, e as costas (romboides, trapézio inferior) fracas e alongadas. Isso acontece porque passamos o jogo todo batendo a bola na frente do corpo. Essa postura “enrolada” para frente fecha o espaço no ombro e convida a lesão a entrar. Você precisa remar contra a maré — literalmente.

Para cada exercício de empurrar (como flexão de braço ou supino) que você fizer na academia, faça dois de puxar (remadas, puxadas altas, face pulls). O objetivo é “abrir” o peito e fortalecer as costas para puxar os ombros para o lugar certo. Uma boa postura escapular é a base para um saque saudável e potente.

As escápulas são a base de lançamento do braço. Se elas estiverem instáveis, o braço perde potência e precisão. Exercícios de retração escapular ajudam a manter essa base sólida, permitindo que o ombro gire livremente sem “trilhar” ou pinçar tendões, garantindo longevidade no esporte.


5. A Mente e o Sistema Nervoso na Força

Velocidade de Reação Neuromuscular

Força física sem velocidade de reação no tênis é inútil. O tempo entre o seu oponente bater na bola e ela chegar em você pode ser menos de um segundo. O treino de força neural foca em diminuir o tempo entre o olho ver a bola e o músculo contrair. Isso não é “reflexo”, é treino do sistema nervoso central.

Podemos treinar isso combinando estímulos visuais com explosão muscular. Por exemplo: você está em posição de espera e seu treinador joga uma bola de cor diferente. Se for vermelha, você explode para a direita; se for azul, para a esquerda. Isso obriga o cérebro a processar e o corpo a responder com força máxima instantaneamente.

Isso melhora o recrutamento das unidades motoras. Seu corpo aprende a “acordar” os músculos mais rápido. No jogo, isso se traduz naquela devolução de saque instintiva onde você mal pensa, mas o corpo reage perfeitamente, firme e forte, bloqueando uma bola a 200km/h.

Tensão sob Pressão: O Relaxamento Ativo

Um dos maiores paradoxos do tênis é que para bater forte, você precisa estar relaxado. Músculo tenso é músculo lento. A força deve ser aplicada apenas no momento do impacto. Se você tensionar o braço desde o início do movimento, perde velocidade de cabeça de raquete. O treino de força deve ensinar o “relaxamento ativo”, ao escolher uma raquete para mulheres

Na academia, pratique a respiração. expire forte no momento do esforço (o impacto/levantamento) e relaxe na volta. Isso simula o “grunhido” ou a expiração forte que fazemos na quadra ao bater na bola. Essa coordenação entre respiração e força ajuda a gerenciar a tensão.

Aprender a ativar o core ao máximo enquanto mantém os ombros e o pescoço relaxados é uma habilidade que se treina. Muitos amadores travam o pescoço quando fazem força, o que atrapalha o olhar e a fluidez. Treine separar a tensão necessária (core/pernas) da tensão desnecessária (ombros/rosto).

Intenção Neural e Foco no Movimento

Quando você está levantando um peso, onde está sua cabeça? Pensando nas contas a pagar ou no músculo que está trabalhando? Estudos mostram que o foco interno (pensar no músculo contraindo) ou foco externo (pensar em mover o peso com velocidade) muda o resultado do treino. Para potência no tênis, o foco na intenção de mover rápido é crucial.

Mesmo que o peso seja pesado e se mova devagar, sua intenção deve ser movê-lo o mais rápido possível. Isso envia um sinal elétrico forte do cérebro para o músculo. É esse sinal de “alta voltagem” que queremos cultivar para os momentos decisivos do jogo, como um smash ou um winner de direita.

Trate cada repetição na academia como um match point. Qualidade total, foco total. Não faça 10 repetições de qualquer jeito. Faça 5 repetições perfeitas, com a mesma intensidade mental que você usaria para fechar um set no tie-break.


6. Longevidade e Recuperação Ativa

O Mito do Alongamento Estático Pré-Jogo

Vamos quebrar um mito antigo aqui: chegar na quadra frio e ficar tentando tocar a ponta dos pés por 30 segundos não previne lesão e pode até diminuir sua potência. O alongamento estático “adormece” o músculo e diminui a capacidade elástica temporariamente. Antes do jogo, você precisa de aquecimento dinâmico.

Movimentos que imitam o jogo, rotações de tronco, agachamentos com peso do corpo, polichinelos, elásticos para o ombro. Você quer aumentar a temperatura do corpo e lubrificar as articulações. Guarde o alongamento estático para depois do jogo ou para sessões específicas de flexibilidade em dias separados.

O aquecimento dinâmico prepara o sistema nervoso e os músculos para a ação explosiva. Entrar em quadra “morno” é pedir para distender um músculo no primeiro pique. Seu ritual pré-jogo deve fazer você suar levemente antes mesmo da primeira bola ser batida.

O Papel do Sono e Nutrição na Força

Você não fica forte na academia; você fica forte enquanto dorme. O treino é o estímulo (que na verdade destrói microfibras musculares), e o sono é quando o corpo conserta tudo e constrói fibras mais fortes. Se você treina pesado mas dorme 5 horas por noite, está jogando seu esforço fora e aumentando o risco de lesão.

Para o tenista, que gasta muita energia em partidas longas, a nutrição para força envolve proteína suficiente para reparo muscular e carboidratos para repor o glicogênio. Não tenha medo de carboidratos; eles são o combustível de alta octanagem para explosões repetidas. Sem combustível, o corpo começa a “comer” o próprio músculo para gerar energia.

A hidratação também é força. Um músculo desidratado perde elasticidade e força contrátil, ficando muito mais propenso a câimbras e estiramentos. Beba água antes de sentir sede. Se sentiu sede na quadra, já é tarde demais, sua performance física já caiu uns 10%.

Periodização para o Tenista Amador

Eu sei, você não vive disso, tem trabalho, família e boletos. Mas tentar manter o mesmo treino pesado o ano todo é erro. Você precisa ciclar. Se tem um torneio importante chegando, diminua o volume na academia (menos séries) e mantenha a intensidade (carga), focando em velocidade e potência. Na pré-temporada (férias ou meses sem torneios), aí sim, aumente o volume para construir base muscular.

Na semana do campeonato, o treino de força deve ser de manutenção e ativação, nada que te deixe dolorido. O objetivo é chegar no sábado de manhã sentindo-se leve e potente, não travado e pesado.

Escute seu corpo. Se teve um jogo de 3 horas no domingo, segunda-feira não é dia de treino pesado de perna. É dia de mobilidade, core ou descanso. A longevidade no tênis vem de saber quando acelerar e quando tirar o pé. O objetivo é jogar tênis até os 80 anos, não ser o campeão do levantamento de peso do hospital.


Quadro Comparativo: Abordagens de Treino

Para você visualizar melhor onde o nosso foco se encaixa, preparei este comparativo entre o treino específico para tênis e outras modalidades comuns.

CaracterísticaTreino Específico para TenistasBodybuilding (Musculação Tradicional)CrossFit Genérico
Foco PrincipalPotência, transferência de energia e prevenção de lesões.Estética, volume muscular e simetria visual.Condicionamento metabólico extremo e variedade constante.
Tipo de MovimentoMultiplanar (rotação, lateralidade), unilaterais e explosivos.Isolado (foca em um músculo por vez), linear e controlado.Funcional, mas muitas vezes com alto volume e fadiga extrema.
VelocidadeVariável: foco em aceleração e desaceleração rápida.Lenta e controlada (tempo sob tensão para hipertrofia).Alta velocidade, mas frequentemente sob fadiga técnica.
Prevenção de LesõesPrioridade #1 (ombro, core, joelho, tornozelo).Secundária (foca mais na falha muscular).Risco moderado/alto devido à complexidade sob cansaço.
Resultado na QuadraGolpes mais fortes, chegada rápida, resistência sem dor.Pode gerar rigidez e lentidão se excessivo.Bom cardio, mas pode sobrecarregar ombros e joelhos.

Deixe um comentário