E aí, campeão! Pega a garrafa de água, senta aqui no banco um minuto. Vamos bater um papo sério, mas descontraído, sobre uma coisa que 90% dos jogadores amadores ignora e que pode estar travando a evolução do seu jogo: o tamanho do grip. O “cabo” da raquete. Parece besteira, detalhe pequeno, mas eu vejo todo dia aqui na quadra: jogador com um “toco” de raquete na mão que não serve para ele, ou tentando segurar um cabo grosso demais para a mão dele.
O resultado? É um desastre silencioso. Você perde potência, seu spin não entra, a raquete gira na sua mão na hora do voleio… e o pior, você começa a sentir aquela dorzinha chata no pulso ou no cotovelo. Você acha que é a tensão da corda, acha que é a raquete, mas muitas vezes, o culpado é esse cara aqui, o grip. Acertar o tamanho do cabo não é “perfumaria” de profissional; é fundamento.
Pense no grip como o pneu do seu carro de corrida. Você pode ter o motor mais potente do mundo (seu braço, seu swing), mas se os pneus não derem a aderência correta no asfalto (a raquete na sua mão), você vai derrapar, perder controle e nunca vai conseguir usar toda a potência que tem. Escolher o grip correto é o primeiro passo para ter confiança no seu equipamento, para que a raquete seja uma extensão do seu braço, e não um objeto estranho que você está lutando para controlar. Vamos resolver isso hoje.
Ei, aluno! Por que o tamanho do “cabo” é o fundamento do seu jogo?
Vamos direto ao ponto: o grip é a única parte da raquete que você realmente toca durante o jogo todo. É a sua conexão. Se essa conexão for ruim, todo o resto do seu jogo sofre. Não adianta ter a raquete mais cara, a corda mais tecnológica, se a sua mão não “vestir” o cabo corretamente. É como tentar correr uma maratona com um sapato dois números maior. Você até corre, mas vai se machucar e seu desempenho será péssimo.
Aqui na quadra, eu vejo muito aluno focado em “bater mais forte” ou “colocar mais topspin“. Mas como você vai acelerar a cabeça da raquete (que é o segredo do spin e da potência) se o seu antebraço está tenso, apertando o cabo com toda a força porque ele é fino demais e você tem medo que ele escape? Ou como você vai ter sensibilidade no slice ou no drop shot se o cabo é tão grosso que você não consegue fazer os micro-ajustes de pulso?
O tamanho correto do grip permite que sua mão fique relaxada, mas firme. Esse relaxamento é o que permite a transferência de energia, o famoso “efeito chicote” que você vê os profissionais fazendo. Se a mão está tensa, o braço todo endurece. Braço duro não acelera. Braço duro gera vibração direto para o seu cotovelo. Entende agora por que isso é tão básico quanto aprender o forehand?
O elo perdido: A conexão direta entre o grip e seu braço
Pense na corrente cinética. A energia do seu golpe começa no chão, sobe pelas suas pernas, gira seu tronco, explode no ombro, desce pelo braço e… morre na sua mão se o grip estiver errado. O grip é o “elo perdido”, o ponto final de transferência de energia para a raquete. Se sua mão não está posicionada corretamente, esse elo se quebra.
Um grip de tamanho ideal permite que seus dedos e a palma da sua mão trabalhem juntos. Você consegue segurar a raquete com firmeza (especialmente na base do dedo indicador e na almofada da palma) sem precisar “esmagar” o cabo. Isso libera seu pulso para trabalhar da maneira correta, especialmente no saque e nos golpes acima da cabeça, onde a pronação é fundamental.
Quando o grip se encaixa perfeitamente, você sente a raquete como parte de você. Você sabe instintivamente onde a cabeça da raquete está. Você não “pensa” em segurar a raquete; você simplesmente segura. Essa confiança permite que você se concentre no que realmente importa: a bola, o adversário e a sua tática.
O vilão silencioso: Como um grip errado “come” sua técnica
Um grip errado é um sabotador. Ele trabalha contra você em silêncio, golpe após golpe. Se o grip é muito pequeno, sua tendência natural é apertar com muita força para compensar a falta de volume. Esse aperto excessivo tensiona todos os músculos do seu antebraço. Músculos tensos são músculos lentos e fracos. Sua aceleração de swing diminui. Pior: essa tensão crônica é o caminho mais curto para o tennis elbow (epicondilite lateral). Você começa a sentir dor na parte externa do cotovelo, e a culpa, muitas vezes, é desse cabinho fino.
Agora, se o grip é muito grande, o problema muda, mas continua existindo. Você não consegue fechar a mão corretamente. Você perde a firmeza. A raquete vai girar na sua mão em golpes descentralizados, especialmente nos voleios e na devolução de saques potentes. Você perde controle direcional. Além disso, um grip grosso dificulta a troca rápida de empunhaduras. Sair de um forehand para um slice de backhand fica lento e desajeitado, porque sua mão não “gira” fluidamente no cabo.
Em ambos os casos, seu cérebro tenta compensar. Você começa a mudar seu swing inconscientemente para evitar a dor ou a instabilidade. Você encurta o movimento, usa mais o ombro e menos o pulso, bate mais “chapado” porque não consegue gerar spin. Você não está jogando tênis; está lutando contra o seu equipamento.
A física do golpe: Potência, controle e o papel do grip
Vamos falar de física de boteco, ou melhor, física de quadra. Potência no tênis moderno vem de aceleração, especificamente da velocidade da cabeça da raquete na hora do impacto. Para conseguir essa aceleração, seu braço precisa estar relaxado e “solto” até momentos antes de encontrar a bola. Um grip do tamanho certo permite esse relaxamento.
Imagine tentar martelar um prego segurando o martelo pela ponta do cabo, bem fininho. Você teria que apertar com muita força, seu braço ficaria duro e a martelada seria fraca. É o que acontece com um grip fino demais. Agora, imagine tentar martelar segurando um cabo de vassoura. Você mal conseguiria segurar, o martelo giraria na sua mão. É o grip grosso demais. O tamanho certo do cabo do martelo permite que você o segure com o mínimo de esforço e o máximo de velocidade.
No tênis, o controle vem da estabilidade. Um grip correto oferece uma plataforma estável. Sua mão “trava” no cabo no momento do impacto, impedindo que a face da raquete se mova. Isso é crucial para a direção da bola. O spin (seja topspin ou slice) depende de um ângulo de ataque preciso e de uma aceleração rápida do pulso. Um grip muito grande impede essa ação do pulso; um grip muito pequeno cria tensão que também a impede. O tamanho certo é o ponto de equilíbrio que libera seu braço para fazer o que você treinou.
Decifrando os códigos: O que significam os números (L0, L1, L2…)?
Beleza, você já entendeu que o tamanho importa. Agora você olha para o “bumbum” da raquete (o butt cap) e vê um monte de números e códigos. L2, L3, 4 1/4, 4 3/8… Parece confuso, mas é bem mais simples do que parece. Isso é só um jeito universal de medir a circunferência do cabo.
Pense nisso como o tamanho do seu sapato. Você não compra um sapato “pequeno” ou “grande”; você compra o número 40, ou 9 nos EUA. O grip é igual. Esses números são a sua referência para garantir que qualquer raquete que você pegar tenha a mesma “pegada” que você gosta. É o padrão da indústria.
O mais importante é saber que existem duas escalas principais que significam exatamente a mesma coisa. Uma é a europeia, que usa a letra “L” (de “Level”, talvez? Ninguém sabe ao certo, mas funciona). A outra é a americana, que usa polegadas. Elas são intercambiáveis, e é fundamental você saber qual é a sua nas duas medidas.
O “mapa” europeu (L0 a L5) vs. A medida americana (polegadas)
Quando você for comprar uma raquete, vai ver uma dessas duas coisas. A escala europeia é a mais simples de visualizar: vai de L0 (o menor grip, geralmente para crianças que estão saindo do júnior) até o L5 (um grip enorme, que era mais comum na época das raquetes de madeira). A grande maioria dos adultos, homens e mulheres, vai cair entre o L1 e o L4.
A escala americana é mais técnica, pois mede a circunferência em polegadas. Começa em 4 polegadas (L0) e sobe em incrementos de 1/8 de polegada. Então, 4 1/8 (L1), 4 1/4 (L2), 4 3/8 (L3), 4 1/2 (L4) e 4 5/8 (L5). Você vai ver que L2 e L3 (ou 4 1/4 e 4 3/8) são os tamanhos mais comuns vendidos nas lojas.
Aqui está a cola para você nunca mais esquecer. É uma tradução direta:
- L0 = 4 polegadas
- L1 = 4 1/8 polegadas
- L2 = 4 1/4 polegadas
- L3 = 4 3/8 polegadas
- L4 = 4 1/2 polegadas
- L5 = 4 5/8 polegadas
Quem usa o quê? Um perfil de jogador para cada tamanho
Isso não é uma regra de pedra, mas ajuda a ter um norte. O tamanho da sua mão é o que manda, não sua altura ou força. Eu já vi cara de 2 metros de altura jogando com L2 e mulheres de 1,60m jogando com L3. Mas, em geral, a distribuição que vejo aqui na academia é mais ou menos esta.
O L1 (4 1/8) é frequentemente usado por mulheres com mãos menores ou adolescentes em transição para raquetes de adulto. O L2 (4 1/4) é, talvez, o tamanho mais comum para a maioria das mulheres e para homens com mãos menores. É um ótimo ponto de partida se você está na dúvida.
O L3 (4 3/8) é o mais vendido para homens adultos. É o “padrão” masculino. O L4 (4 1/2) já é para homens com mãos visivelmente grandes (o famoso “pata de urso”). O L5 (4 5/8) é muito raro hoje em dia. Você tem que ter uma mão realmente gigante para precisar de um L5. A maioria dos profissionais, aliás, joga com grips menores do que se imagina (L2 e L3 são muito comuns), e eles ajustam o tamanho com overgrips e customização.
O mito do “tamanho único”: Por que o grip padrão da loja raramente é o ideal
Aqui está um segredo que as lojas de esporte não te contam: a maioria das raquetes na prateleira vem com o “grip padrão”, que é quase sempre L3 (para homens) ou L2 (para mulheres). A loja compra o que vende mais fácil. O problema é que “padrão” não significa “correto para você”. É uma média. E você pode não estar na média.
Você entra na loja, gosta do design da raquete, o vendedor diz que é a raquete do momento, você bate umas bolinhas no ar e leva para casa. Você nunca parou para checar se aquele L3 era o ideal. Você simplesmente se acostuma com o que tem. Mas “se acostumar” não é o mesmo que “ter o ideal”.
É por isso que é crucial você medir sua mão antes de comprar uma raquete nova. Não vá pelo que seu amigo usa. Não vá pelo que o profissional usa. E, principalmente, não vá pelo que está disponível na prateleira da loja. O grip é uma escolha pessoal e técnica. É como a palmilha de um tênis: precisa encaixar no seu pé, ou melhor, na sua mão.
Mãos à obra: O método infalível da régua (O “Tira-Teima”)
Vamos parar de “achar” e vamos “medir”. Existe um método clássico, simples e muito eficaz para descobrir o seu tamanho de grip inicial. Você só vai precisar de uma régua ou uma fita métrica. Esse é o método que eu ensino para todos os meus alunos aqui antes de eles saírem comprando raquete. É o nosso “tira-teima”.
Esse método mede a distância exata na sua mão que precisa ser preenchida pelo cabo da raquete. Ele é baseado na anatomia da pegada. Não leva nem 30 segundos e te dá um ponto de partida muito preciso. É a forma mais objetiva de começar a busca pelo seu grip ideal, antes mesmo de você pegar em uma raquete.
Pegue uma régua agora. Não continue lendo sem fazer isso. Vamos lá, estou esperando. Pegou? Ótimo. Agora vamos posicionar sua mão e descobrir esse número mágico.
Preparando a medição: O que você precisa e como posicionar a mão
Você vai usar a sua mão dominante, obviamente. A mão que segura a raquete. Abra a palma da sua mão e mantenha os dedos esticados, mas juntos, como se fosse dar um “toke” (parar) para alguém. Relaxe a mão, não precisa tensionar.
Agora, olhe para a sua palma. Você vai ver várias linhas. Nós estamos interessados em duas delas. A primeira é aquela linha horizontal principal que fica mais embaixo na sua palma, quase na base. Em muitas pessoas, ela começa perto do dedão e atravessa a palma. Nós vamos focar no meio da sua palma.
O segundo ponto de referência é o seu dedo anelar (o vizinho do dedo mindinho). Nós vamos medir a distância daquela linha da palma até a ponta do seu dedo anelar. Esses dois pontos definem o “comprimento de pegada” que precisamos.
Lendo a “fita métrica”: A linha da palma e o dedo anelar
Vamos lá. Posicione a ponta da régua (o ponto “zero”) bem no meio daquela linha horizontal inferior da sua palma. A régua deve subir reta, paralela ao seu dedo anelar.
Agora, estique a régua até a ponta do seu dedo anelar. A medida que der ali, essa é a sua medida de grip. É simples assim. A distância entre a linha da base da palma e a ponta do dedo anelar.
Para a maioria dos adultos, esse número vai cair entre 10 e 12 centímetros. Anote esse número. Se você estiver usando uma régua em polegadas (o que é ainda mais fácil, pois já te dá a medida americana), o número provavelmente ficará entre 4 e 4 polegadas e meia.
Traduzindo a medida: Convertendo seus centímetros para o tamanho L
Agora que você tem sua medida, vamos traduzir isso para a linguagem das raquetes. Os fabricantes usam as polegadas americanas como base, então é mais fácil se você já mediu em polegadas. Se sua medida deu 4 3/8 polegadas, por exemplo, seu tamanho é L3. Se deu 4 1/4, seu tamanho é L2.
Se você mediu em centímetros, a conversão é um pouco mais chata, mas funciona. A referência que usamos é a seguinte (lembrando que 1 polegada = 2,54 cm, mas as medidas da raquete são do perímetro, então a medição da mão é uma correspondência, não uma conversão direta):
- 10,5 cm (ou 4 1/8 pol): Tamanho L1
- 10,8 cm (ou 4 1/4 pol): Tamanho L2
- 11,1 cm (ou 4 3/8 pol): Tamanho L3
- 11,4 cm (ou 4 1/2 pol): Tamanho L4
Essas medidas são pontos de partida. Se você mediu 11,0 cm, por exemplo, você está exatamente entre o L2 e o L3. E agora? Calma, vamos falar sobre isso. Mas primeiro, vamos confirmar essa medida com outro teste.
O teste de quadra: Usando o “feeling” e o dedo indicador
O método da régua é ótimo. É científico. Mas tênis não é só ciência, é feeling. É sensação. A régua te diz o que a teoria manda, mas o seu conforto na quadra é o que decide o jogo. Por isso, depois de medir, o próximo passo é pegar as raquetes e fazer o teste mais famoso do mundo do tênis: o teste do dedo indicador.
Esse teste é o “check-up” rápido. Você já tem um tamanho em mente (o L3 que a régua indicou, por exemplo). Você vai pegar uma raquete desse tamanho na loja, ou a do seu amigo aqui na quadra. Você vai segurá-la como se fosse dar um forehand (a empunhadura semi-western ou eastern é a melhor para isso).
O que você vai fazer é simplesmente checar o espaço que sobra entre os seus dedos (que dão a volta no cabo) e a “almofada” da sua palma, ali na base do dedão. Esse pequeno espaço é o segredo de tudo.
O teste do “gap”: O espaço ideal entre a palma e os dedos
Segure a raquete com sua empunhadura normal de forehand. Agora, pegue o dedo indicador da sua outra mão (a mão que não está segurando a raquete) e tente encaixá-lo nesse espaço entre a ponta dos seus dedos (especialmente o dedo médio e anelar) e a sua palma.
O cenário ideal é este: o seu dedo indicador deve caber ali, justinho. Ele não deve ficar sobrando espaço (folgado) e nem deve ficar apertado, sem conseguir entrar. Se o seu dedo indicador couber perfeitamente nesse vão, bingo. Esse é o seu tamanho de grip.
Se o seu dedo indicador não couber (ou seja, seus dedos estão tocando a palma da mão), o grip é pequeno demais para você. Se o seu dedo indicador couber e ainda sobrar muito espaço, o grip é grande demais. É um teste visual, tátil, e funciona muito bem.
Sensações de um grip muito pequeno (O “aperto da morte”)
Vamos detalhar o que você sente se o grip for muito pequeno, mesmo que o teste do dedo pareça “ok”. Seus dedos vão dar a volta no cabo e sobrepor demais a palma. Você vai sentir que, para ter firmeza, precisa apertar o cabo com muita força. É o que eu chamo de “aperto da morte”.
Depois de bater 15 minutos, você vai sentir seu antebraço “queimando”. Isso é fadiga muscular por excesso de tensão. Em golpes defensivos ou em voleios, onde você é pego de surpresa, a raquete vai parecer instável, porque sua mão não tem “massa” suficiente para segurar.
Outro sinal claro é na hora do saque. Você vai ter dificuldade em relaxar o pulso e fazer o movimento de “estalo” (pronação). Sua mão fica tão focada em “segurar” o cabo fino que ela trava o movimento natural do braço. Se você sente isso, e seus dedos tocam a palma, seu grip é pequeno.
Sensações de um grip muito grande (A “raquete solta”)
O oposto também é ruim. Se o grip é muito grande, você vai sentir que não está “encaixando” a mão. Você segura a raquete, mas parece que está segurando um tijolo, um bloco. Você não tem sensibilidade. Seus dedos não fecham confortavelmente.
Na quadra, o primeiro sinal é a perda de controle. A raquete vai girar na sua mão em qualquer golpe que você não pegar exatamente no sweet spot. Você vai tentar um slice e a raquete vai “abrir” na sua mão, e a bola vai flutuar. Você vai tentar um voleio e o impacto vai torcer o cabo.
Outro problema grave é a dificuldade em trocar de empunhadura. Mudar rapidamente de um continental (para o saque ou voleio) para um semi-western (para o forehand) se torna um processo lento e desajeitado. Sua mão não tem agilidade para girar em um cabo tão grosso. Se você sente que está “lutando” para segurar a raquete, ela provavelmente é grande demais.
O “Quase Lá”: Estou entre dois tamanhos. E agora, professor?
Esse é o cenário mais comum do mundo. Você fez o teste da régua e deu 11,0 cm. Você fez o teste do dedo e o L2 pareceu pequeno, mas o L3 pareceu um pouco grande. Parabéns, você é como a maioria de nós. Você está “entre tamanhos”. E agora, o que fazer? Comprar o L2 ou o L3?
Aqui entra uma das regras mais importantes da customização de raquetes. É uma regra que vai te economizar muito dinheiro e dor de cabeça no futuro. É uma decisão crucial, mas a resposta é, na verdade, muito simples.
Quando você está na dúvida entre dois tamanhos, a escolha certa vai te dar flexibilidade para o futuro. A escolha errada vai te prender a um problema que é muito mais difícil de corrigir.
A regra de ouro: Na dúvida, escolha o menor
Sempre, sempre, sempre escolha o tamanho menor. Se você está em dúvida entre o L2 e o L3, compre o L2. Se está entre o L3 e o L4, compre o L3. O motivo é puramente prático: é muito fácil e barato aumentar o tamanho de um grip, mas é extremamente difícil, caro e, às vezes, impossível diminuir o tamanho de um grip.
Para diminuir um grip L3 para L2, um profissional (um stringer ou customizer) teria que lixar o pallet (o molde de poliuretano ou grafite do cabo), o que pode comprometer a estrutura da raquete. É um trabalho de especialista e nem sempre fica bom.
Mas para aumentar um L2 para ficar do tamanho de um L3? Ah, isso é fácil. Isso é o que fazemos o tempo todo. E é aí que entra o nosso melhor amigo.
O papel do “overgrip”: O seu melhor amigo para ajustes finos
O overgrip é aquela fitinha fina e colorida que os jogadores trocam o tempo todo. Ele não é o grip principal da raquete. O grip principal é o cushion, aquele que vem de fábrica, mais grosso e colado no cabo. O overgrip é feito para ser colocado sobre o cushion (ou sobre o couro, se for o caso).
A função principal do overgrip é dar absorção de suor e “tato” (o tacky ou dry). Mas ele tem uma função secundária vital: ele aumenta o tamanho do grip. Um overgrip padrão (como um Wilson Pro Overgrip) aumenta o tamanho do seu grip em exatamente meio tamanho. Um L2 com um overgrip fica, na prática, com o tamanho de um L2,5.
Se você comprou o L2 (porque estava na dúvida com o L3), você coloca um overgrip e ele fica perfeito, L2,5. Se ainda achar pequeno, você pode colocar dois overgrips (não é o ideal, pois arredonda as bordas do cabo, mas funciona) e ele vai ficar próximo de um L3. Você tem opções. Se você tivesse comprado o L3, ele com um overgrip ficaria L3,5. Grande demais. Você estaria preso.
Quando o overgrip não basta: Alternativas (heat sleeves e customização)
Digamos que você comprou o L2, mas você realmente queria o L3. Um overgrip só, te levou para L2,5. Não foi o suficiente. Você não quer usar dois overgrips porque perde a sensação dos chanfros (as 8 faces do cabo). O que fazer?
Existem soluções profissionais. A mais comum é o heat sleeve (uma “manga” termo-retrátil). Seu encordoador de confiança pode remover o cushion grip original, aplicar esse sleeve de plástico fino sobre o cabo, aquecê-lo (ele encolhe e se molda ao cabo), e então recolocar o cushion grip (ou um novo) e o seu overgrip.
Esse heat sleeve aumenta o cabo em exatamente um tamanho (um L2 vira L3) sem arredondar as bordas. A raquete fica perfeita. É uma customização limpa e profissional. De novo, isso só é possível porque você comprou o grip menor. Você teve a opção de aumentar.
Sinais de alerta: Seu corpo está gritando que o grip está errado
Àsdezes, você nem sabe que seu grip está errado. Você joga há anos com a mesma raquete L3 e acha que está tudo bem. Mas o seu corpo sabe. O seu corpo dá sinais. E o primeiro sinal, quase sempre, é dor. O tênis é um esporte de impacto e repetição. Se o seu equipamento não está 100% alinhado com sua biomecânica, a conta chega.
Essas dores não são “normais” do esporte. Não é aquela dor muscular gostosa de quem treinou pesado. É uma dor chata, pontual, que aparece no meio do jogo e piora depois. É uma dor que começa no antebraço, no pulso ou no cotovelo.
Se você está sentindo alguma dessas coisas, antes de gastar uma fortuna com fisioterapia ou trocar de raquete, cheque o seu grip. Pegue o seu dedo indicador e faça o teste do “gap” na sua raquete agora. Você pode se surpreender ao descobrir que seus dedos estão tocando a palma da mão, e você está jogando com um grip pequeno há anos.
Dor no cotovelo (Tennis Elbow): O grip pequeno como culpado
Essa é a clássica. Tennis Elbow (epicondilite lateral) é uma inflamação dos tendões na parte externa do cotovelo. De onde ela vem? De uma tensão excessiva e repetitiva nos músculos extensores do antebraço. E adivinha o que causa essa tensão? O “aperto da morte” de um grip muito pequeno.
Quando o grip é fino demais, você compensa apertando o cabo com mais força do que o necessário para estabilizar a raquete no impacto. Cada forehand, cada backhand, cada voleio… você está “esmagando” o cabo. Esse esforço extra, multiplicado por centenas de golpes, sobrecarrega os tendões que se inserem ali no cotovelo.
A vibração do impacto, que deveria ser absorvida pela sua mão e braço relaxados, é transmitida diretamente para esse tendão já inflamado. Se você sofre de tennis elbow, a primeira coisa que eu mandaria você fazer (além de ver um médico) é testar um grip meio tamanho maior. Muitas vezes, só aumentar o grip (com um overgrip extra, por exemplo) já alivia a tensão e permite que a área descanse.
Fadiga no antebraço e pulso: O excesso de tensão
Esse é o sinal de alerta antes do tennis elbow. Você está no meio do segundo set e seu antebraço parece que vai explodir. Você perde a força na mão. Você vai sacar e sente o pulso fraco. Isso não é falta de preparo físico; é fadiga muscular localizada por excesso de tensão.
Um grip de tamanho errado (seja muito grande ou muito pequeno) força grupos musculares que não deveriam estar trabalhando tão duro. Um grip grande te força a usar os músculos da “pinça” (dedão e indicador) para tentar controlar a direção, cansando o pulso. Um grip pequeno te força a usar os músculos flexores dos dedos (que fecham a mão), cansando a parte interna do antebraço.
O grip correto distribui o esforço por toda a mão e permite que o antebraço fique relaxado na maior parte do swing. Se você termina o jogo com o antebraço “travado”, mas o resto do corpo está bem, desconfie do seu cabo.
Calos estranhos e bolhas: Onde sua mão está sofrendo
Sua mão conta uma história. Um jogador de tênis vai ter calos, é normal. Mas onde esses calos estão diz muito sobre sua pegada. Calos normais aparecem na base dos dedos e na parte mais “gordinha” da palma, onde o cabo se apoia.
Agora, se você está com bolhas ou calos em lugares estranhos – como no meio dos dedos, ou na ponta dos dedos, ou no meio da palma (onde não deveria ter atrito) – é um sinal de que sua mão está deslizando. A raquete está “dançando” na sua mão durante o swing ou no impacto.
Isso acontece muito com grips grandes demais: a mão não fecha, o cabo fica solto, e a pele esfrega no overgrip a cada golpe, criando atrito e bolhas. Também pode acontecer com grips pequenos se o overgrip estiver gasto e escorregadio. É a sua pele te dizendo que a conexão não está estável.
O material do grip influencia na pegada? (Couro vs. Sintético)
Absolutamente. Agora que você já sabe o tamanho do seu cabo, precisamos falar sobre a superfície dele. Não o overgrip que você troca toda semana, mas o que vem debaixo dele. O grip de fábrica, o replacement grip. Basicamente, você tem duas famílias: os sintéticos (de poliuretano, ou PU) e o couro natural.
A escolha entre eles muda drasticamente a sensação da raquete. O material sintético é o padrão hoje em dia. É macio, absorve bem a vibração e oferece conforto. O couro é da “velha guarda”. É mais fino, mais duro e mais pesado.
Por que alguém escolheria couro, então? Porque ele oferece uma coisa que o sintético não consegue: feedback. Com o couro, você sente mais a bola. Você sente perfeitamente os 8 chanfros (bordas) do cabo, o que te dá uma referência tátil muito melhor para trocas de empunhadura. Muitos profissionais (como o Federer) usam grip de couro por baixo do overgrip por causa dessa sensação “seca” e conectada.
A “pegada seca”: A tradição e o feedback do couro (Leather Grips)
O grip de couro não foi feito para ser confortável. Ele foi feito para ser funcional. Ele é mais fino que um grip sintético padrão. Isso significa que, se você trocar o seu cushion sintético por um de couro, o tamanho total do seu grip vai diminuir ligeiramente (talvez 1/4 de tamanho). Isso é ótimo se você comprou uma raquete e a achou um pouquinho grande.
A principal vantagem do couro é a definição dos chanfros. Como ele é mais firme e menos “fofo”, as 8 bordas do cabo ficam muito evidentes na sua mão. Para jogadores que trocam muito de empunhadura (do forehand para o slice, do slice para o voleio), essa definição tátil é ouro. Você sabe exatamente onde sua mão está no cabo só pelo tato.
A desvantagem? Conforto. Ele não absorve quase nada da vibração do impacto. Se você tem problemas no cotovelo, talvez o couro não seja a melhor ideia. Ele também é mais pesado, o que altera o equilíbrio da raquete (deixando-a mais “cabo leve”), o que pode ser bom ou ruim, dependendo do seu gosto.
Conforto e absorção: A era moderna dos grips sintéticos (PU)
Quase todas as raquetes que você compra hoje vêm com um grip sintético de fábrica, geralmente feito de poliuretano (PU) com alguma camada de espuma por baixo. Eles são excelentes em uma coisa: conforto. Eles são macios e absorvem uma boa parte da vibração que vem do aro da raquete.
Para a maioria dos jogadores amadores, um bom grip sintético é a escolha ideal. Ele protege o braço e oferece uma pegada agradável. Existem centenas de variações: alguns são mais “pegajosos” (tacky), outros têm perfurações para absorver suor, outros têm sulcos para melhor tração.
O “problema” do sintético é que ele arredonda um pouco as bordas do cabo. Por ser mais “fofo” que o couro, a definição dos chanfros fica menos nítida. Para alguns jogadores, isso não faz a menor diferença. Para outros, que dependem muito do feeling dos chanfros, isso é um problema. É uma troca: você ganha conforto, mas perde um pouco de feedback.
Overgrip ou Cushion? Entendendo as camadas do seu cabo
Aqui tem uma confusão que eu preciso resolver de uma vez por todas. O Cushion Grip (ou Replacement Grip, seja ele sintético ou de couro) é a base. É o grip que vem colado no cabo da raquete. Ele tem uma fita adesiva na parte de trás e é feito para durar meses ou anos. Você só o troca quando ele está se desfazendo.
O Overgrip é uma fita fina, sem cola (só uma pontinha adesiva para começar), que você enrola por cima do Cushion Grip. O overgrip é um item de desgaste. Ele é feito para absorver suor e ser trocado a cada 5, 10, 20 horas de jogo (ou quando perder a aderência). Você nunca joga só com o Cushion Grip (ele se destrói com o suor) e você nunca tira o Cushion para jogar só com o Overgrip (o cabo ficaria muito fino e duro).
A sua “pegada” final é a soma das duas camadas: o Cushion (que dá o volume principal e a absorção de impacto) mais o Overgrip (que dá o tato e a absorção de suor). O tamanho L3 que falamos é medido com o Cushion Grip original de fábrica, antes de colocar o overgrip. Lembre-se: o overgrip sempre adicionará meio tamanho.
Comparativo de Batalha: Overgrips Populares para seu ajuste fino
Agora que seu cabo (cushion) está do tamanho certo, a última peça do quebra-cabeça é o overgrip. É ele que vai ditar a sensação final da sua pegada. E aqui, o mundo se divide em dois: os overgrips “tacky” (pegajosos) e os “dry” (secos).
Os tacky são os mais populares. Eles têm uma superfície ligeiramente grudenta, que faz a raquete “colar” na sua mão. São ótimos para quem joga em clima ameno ou não transpira muito. O Wilson Pro Overgrip é o rei dessa categoria.
Os dry são o oposto. Eles parecem um tecido, quase uma camurça. Eles não são pegajosos; eles funcionam absorvendo o suor. Para quem mora em lugar quente e úmido, ou para quem “lava” o cabo de tanto suar, os grips dry são a salvação. O Tourna Grip (aquele azul claro) é o clássico absoluto.
Tabela Comparativa: Wilson Pro vs. Tourna Grip vs. Head Prestige Pro
Vamos colocar os três titãs lado a lado. O Wilson Pro (Tacky), o Tourna Grip (Dry) e o Head Prestige Pro (um Tacky de alta performance).
| Característica | Wilson Pro Overgrip | Tourna Grip (Original) | Head Prestige Pro |
| Tipo de Tato | Tacky (Pegajoso) | Dry (Seco) | Tacky (Muito Pegajoso) |
| Absorção (Suor) | Média | Excelente | Média-Baixa |
| Durabilidade | Média | Baixa (desgasta rápido) | Alta |
| Conforto/Maciez | Alto | Baixo (muito fino) | Médio (firme) |
| Ideal para… | Jogadores em geral, clima ameno, quem gosta de “grude”. | Jogadores que suam muito, clima quente e úmido. | Jogadores que querem o máximo de “grude” e durabilidade. |
O “Pegajoso” (Tacky): Para quem busca a raquete “grudada” na mão
O overgrip tacky é a escolha da maioria. A sensação de segurança que ele dá é fantástica. Quando você pega a raquete, você sente que ela não vai escapar por nada. O Wilson Pro Overgrip branco é o mais famoso nas mãos dos profissionais, e por um bom motivo. Ele tem um equilíbrio perfeito entre “grude” e conforto.
O lado negativo dos grips tacky é que eles perdem a aderência quando ficam muito molhados de suor. Em vez de grudar, eles começam a ficar escorregadios. Além disso, eles sujam fácil (especialmente os brancos) e, quando a “cola” acaba, eles ficam lisos e inúteis.
Se você não transpira muito, ou se joga mais à noite ou em dias frios, um grip tacky como o Wilson Pro ou o Head Prestige Pro (que é ainda mais grudento) vai te dar uma confiança incrível. Você sente que pode acelerar o swing sem medo da raquete voar longe.
O “Seco” (Dry): A escolha dos “sweaters” (quem transpira muito)
Agora, se você é como eu e, depois de 30 minutos de jogo, o seu overgrip parece que saiu de uma piscina, o tacky não vai funcionar. Você precisa de um grip dry. O Tourna Grip é o pai de todos eles. Ele não tem “grude” nenhum. Quando você o coloca, ele parece estranho, quase escorregadio.
A mágica acontece quando ele molha. Quanto mais você sua, melhor ele fica. Ele age como uma toalha, absorvendo a umidade e mantendo a sua mão seca e firme. Ele não gruda; ele dá tração, como um pneu de chuva.
A desvantagem do Tourna é a durabilidade. Ela é péssima. Ele começa a se desfazer e soltar fiapos muito rápido, às vezes em um único jogo. Mas para quem tem problemas sérios com suor, é um preço pequeno a pagar pela segurança de não ter a raquete escorregando na mão no meio de um tie-break. Se você sua muito, esqueça os tacky e abrace o grip dry.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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