Raquetes “Tweeners”: O que são e por que são as mais populares entre amadores?

E aí, campeão! Chega mais. Senta aí no banco, pega uma água. Hoje vamos falar de equipamento. Você já reparou como quase todo mundo na academia, do cara que joga o torneio de fim de semana até o aluno que acabou de sair do iniciante, parece usar o mesmo tipo de raquete? Pois é. Elas são as “Tweeners”. E o nosso bate-papo de hoje é para desmontar esse equipamento. Vamos entender o que raios é uma “Tweener” e por que ela dominou as quadras amadoras como um forehand agressivo.

Você está naquele ponto do jogo em que sua técnica está melhorando. Você já sabe o básico, já consegue trocar bola, já acertou um ou dois winners que fizeram você se sentir o próprio Alcaraz. Mas você sente que sua raquete de iniciante, aquela bem leve, não está mais “entregando” o que você precisa. Ela vibra muito quando a bola vem pesada e falta “peso” no seu golpe. Ao mesmo tempo, você pega a raquete do professor (a minha, por exemplo), uma “marreta” de controle, e sente que não consegue fazer a bola andar. Parece que você está batendo com uma tábua.

É exatamente nesse vale que a Tweener vive. Ela não é nem uma coisa nem outra. Ela é o meio-termo perfeito. Ela é a raquete de transição que, honestamente, muitos jogadores nunca abandonam. E não há vergonha nenhuma nisso. Muitos profissionais, inclusive, usam raquetes com especificações de Tweener, apenas com muito chumbo para customização. Então, se prepare, porque vamos fazer uma análise funda dessa ferramenta que pode ser a resposta para o seu próximo nível de jogo.

Desvendando a “Tweener”: O que exatamente é essa raquete?

Para entender a Tweener, você precisa entender que raquetes de tênis são um jogo de equilíbrio. Não existe “a melhor raquete do mundo”; existe a melhor raquete para o seu jogo. E tudo se resume a três coisas: peso, equilíbrio e tamanho da cabeça. A Tweener, como o nome sugere, fica “no meio” (in-between) das duas categorias principais: as raquetes de “Potência” (leves, cabeça grande) e as de “Controle” (pesadas, cabeça pequena).

Ela é a raquete que tenta fazer tudo bem. Ela não vai te dar o controle absoluto de uma Pro Staff do Federer, nem a potência absurda de uma “Game Improvement” de 115 polegadas quadradas. Ela vai te dar um pouco de tudo. E para o jogador amador, que ainda está descobrindo seu estilo, que às vezes precisa de ajuda para gerar potência e às vezes precisa de ajuda para botar a bola dentro, esse “pouco de tudo” é, na verdade, tudo o que ele precisa.

É a raquete mais democrática da quadra. Ela permite que você jogue do fundo da quadra trocando bolas com spin, mas também te dá estabilidade suficiente para tentar uma subida à rede. Ela não vai fazer o trabalho sujo por você, mas vai ser a melhor parceira que você pode ter enquanto aprende a fazer. Pense nela como um carro esportivo com câmbio automático: é divertido, é rápido, mas ainda é acessível e perdoa seus erros.

A definição clássica: O peso e o equilíbrio no ponto certo

Vamos falar de números, que é onde a gente separa os equipamentos. O peso de uma Tweener geralmente fica na casa dos 285 a 300 gramas (sem corda). Isso é o ponto ideal. Por quê? Porque com menos de 280g, a raquete fica muito leve, vibra demais com golpes fortes e não tem “massa” para gerar potência. Você teria que usar 100% do seu braço para fazer a bola andar. Acima de 310g, ela começa a ficar pesada para o jogador amador, cansando o braço e atrasando o swing (o movimento do golpe). Esses 295g ou 300g são mágicos.

O segundo ponto é o equilíbrio. Raquetes podem ter o peso na cabeça (Head Heavy), no cabo (Head Light) ou ser equilibradas (Even Balance). As Tweeners costumam ser levemente “Head Light” (peso no cabo) ou equilibradas. Um equilíbrio neutro ou levemente no cabo torna a raquete muito manuseável. Você sente que consegue “mexer” a cabeça da raquete rápido. Isso é vital para quê? Para o spin. A velocidade da cabeça da raquete no momento do impacto é o que gera o topspin moderno.

Esse conjunto (peso médio + equilíbrio neutro/levemente no cabo) é o que define a sensação de uma Tweener. Ela parece sólida na sua mão, mas não parece um trambolho. Ela te dá estabilidade para bloquear um saque forte no returno, mas te dá velocidade para “chicotear” o braço naquele forehand de corrida. É o melhor dos dois mundos para quem ainda não tem a técnica e o físico de um profissional de elite.

O tamanho da cabeça: O “sweet spot” generoso

Agora, o sweet spot. Você já ouviu esse termo. É o “ponto doce” da raquete, a área central das cordas onde o golpe sai limpo, potente e sem vibração. Se você pegar as raquetes de controle dos profissionais mais clássicos, eles usam cabeças de 95, 97 ou 98 polegadas quadradas. É uma área pequena. Você precisa ser muito preciso para acertar a bola ali o tempo todo. Se você pega um golpe fora do centro, a bola “morre” e a raquete vibra.

As Tweeners resolveram isso. O padrão de ouro para elas é a cabeça de 100 polegadas quadradas. Às vezes 102, às vezes 98, mas 100 é o número clássico. Essas polegadas a mais, comparadas a uma raquete de controle, fazem uma diferença brutal. O sweet spot é muito mais generoso. Você não precisa acertar exatamente no meio toda vez para o golpe sair bom. Elas perdoam os erros de tempo de bola, o que é comum em jogos amadores.

Esse perdão é, talvez, o fator psicológico mais importante. Quando você sabe que sua raquete “ajuda”, você joga mais solto. Você tenta aquele backhand na paralela com mais confiança. Você não fica com medo da bola “pegar na área” (na borda da raquete). Essa cabeça de 100 polegadas, combinada com o peso ideal, dá ao amador a confiança necessária para tentar golpes mais agressivos e evoluir seu jogo, em vez de ficar só “passando bola” para o outro lado.

Por que o nome “Tweener”? O meio-termo perfeito

O nome “Tweener”, como eu disse, vem do inglês “between”, que significa “entre”. Ela está literalmente entre as duas categorias tradicionais de raquetes. Antigamente, ou você tinha as raquetes de “Controle” (chamadas de Players Racquets), que eram pesadas, finas, flexíveis e com cabeça pequena, feitas para jogadores avançados que geravam a própria potência. Ou você tinha as raquetes de “Potência” (Game Improvement), que eram super leves, com cabeça enorme (105 a 115 polegadas) e muito rígidas, feitas para iniciantes ou jogadores com swing muito curto.

Faltava algo no meio. Faltava a raquete para o jogador que já não era iniciante, mas ainda não era um profissional. O jogador que queria potência, mas também queria spin e controle. A Tweener nasceu para preencher essa lacuna. Ela pegou um pouco da potência das raquetes grandes e um pouco do controle das raquetes pesadas, e misturou tudo num pacote de 300g e 100 polegadas.

Essa categoria não só se tornou popular; ela engoliu o mercado. Hoje, a maioria esmagadora das raquetes vendidas no mundo são Tweeners. Elas se tornaram o padrão. Isso aconteceu porque o jogo de tênis mudou. O tênis moderno, baseado em topspin pesado e potência do fundo da quadra (o estilo que o Nadal popularizou), é perfeitamente servido por esse tipo de raquete. Elas são as ferramentas ideais para o jogo que a maioria de nós tenta jogar.

A popularidade em quadra: Por que todo amador quer uma?

Caminhe pelas quadras do clube em um sábado de manhã. Preste atenção no equipamento. Você vai ver um mar de Babolats Pure Drive, Pure Aero, Head Speeds, Yonex VCOREs. Todas são Tweeners clássicas. Por que essa dominação? Não é só marketing, embora isso ajude. É porque elas entregam, de forma consistente, o que o jogador amador mais precisa: resultados imediatos.

O jogador amador, como você, tem um tempo limitado para treinar. Você joga duas, talvez três vezes por semana. Você não tem oito horas por dia para aperfeiçoar seu swing e construir força física como um profissional. Você quer que o tempo em quadra seja divertido. Você quer sentir que está jogando bem. A Tweener te dá essa sensação. Ela é “plug and play”. Você pega e, instantaneamente, sente que sua bola está andando mais e com mais efeito.

Essa satisfação imediata é viciante. Ela faz você querer jogar mais. E quanto mais você joga, melhor você fica. A raquete se torna uma facilitadora da sua evolução. Ela não é uma barreira (como uma raquete de controle pesada seria) nem uma “muleta” que mascara seus defeitos (como uma raquete de potência muito grande). Ela é uma parceira de treino que te recompensa pelos seus acertos e perdoa seus erros.

A combinação matadora: Potência fácil e controle acessível

A expressão que define a Tweener é “potência controlável”. Ou, como eu gosto de dizer, “potência fácil”. O que é potência fácil? É a capacidade da raquete de gerar velocidade na bola sem que você precise fazer um esforço sobre-humano. As Tweeners são, geralmente, mais rígidas (elas dobram menos no impacto) e têm um perfil (a espessura do aro) mais largo. Essa construção funciona como uma mola: ela “cospe” a bola com mais velocidade.

Para o amador que tem um swing médio, nem tão longo nem tão curto, isso é perfeito. Você não precisa “se matar” no golpe para fazer a bola ir funda. A raquete faz parte desse trabalho. Isso te permite relaxar o braço, o que, ironicamente, aumenta ainda mais a velocidade do seu swing. Você entra num ciclo virtuoso: a raquete te dá potência, você relaxa, seu swing fica mais rápido, o que gera mais spin e controle.

E o controle? Ah, aqui está o pulo do gato. A potência da Tweener não é “cega”. Como ela tem 100 polegadas de cabeça (e não 110), e como ela tem um padrão de cordas aberto (como 16×19), ela “agarra” a bola. Essa combinação de potência e grip (a capacidade de gerar efeito) é o que permite o controle. O controle no tênis moderno não é só colocar a bola na área de saque; é colocar a bola funda e com muito topspin, fazendo ela “cair” dentro da quadra no último segundo.

A máquina de spin: Como as Tweeners ajudam seu topspin

Se o tênis moderno tem um nome, ele é topspin. E as Tweeners são as ferramentas definitivas para isso. Quase todos os modelos dessa categoria são projetados com uma coisa em mente: fazer a bola girar. Como elas fazem isso? Primeiro, pelo padrão de cordas. A maioria usa um padrão 16×19 (16 cordas na vertical, 19 na horizontal). Isso é considerado um padrão “aberto”. Há mais espaço entre as cordas.

Quando a bola bate nessas cordas, elas se mexem mais e “mordem” a bola com mais eficiência. Elas agarram a cobertura de feltro da bolinha e a fazem girar para frente. O segundo fator é a manuseabilidade que falamos antes. Como a raquete é equilibrada, você consegue acelerar a cabeça da raquete muito rápido, num movimento de “limpador de para-brisa”. É esse movimento rápido, de baixo para cima, que coloca o spin. Uma raquete pesada demais não permitiria essa aceleração.

O resultado é um forehand que “pula” alto depois de quicar. Isso é uma arma tática imensa no jogo amador. Você joga uma bola com spin no backhand de uma mão do seu oponente, e ele vai sofrer para devolver na altura do ombro. O spin te dá margem de segurança. Você pode bater a bola mais alta por cima da rede, e o efeito vai trazê-la para dentro da quadra. Para o amador, spin é sinônimo de consistência. E consistência ganha jogos.

Versatilidade: A raquete que serve para (quase) todo estilo de jogo

A Tweener é a raquete “camaleão”. Ela se adapta. Você é um jogador de fundo de quadra, um baseliner que gosta de trocar bolas com spin? Perfeito. A combinação de 100 polegadas e 16×19 é ideal para você. Você gosta de ser agressivo, bater flat (plano) e definir os pontos rápido? O peso de 300g e a rigidez da raquete vão te dar a potência e a estabilidade que você precisa.

Você quer começar a subir mais à rede e praticar seus voleios? O peso médio dela te dá firmeza suficiente para bloquear os golpes do oponente, e a manuseabilidade te ajuda a reagir rápido nos voleios reflexos. Ela não é a melhor raquete de voleio (raquetes mais pesadas e com peso no cabo são melhores nisso), mas ela faz o trabalho de forma competente. Ela não te deixa na mão em nenhuma área da quadra.

Essa versatilidade é o que a torna a escolha ideal para o jogador em desenvolvimento. Talvez você ainda nem saiba qual é o seu estilo de jogo. Você está descobrindo. A Tweener te permite experimentar. Você pode passar um set inteiro jogando no fundo da quadra e, no set seguinte, tentar sacar e volear, e a raquete vai performar bem nas duas situações. Ela não te prende a um único estilo de jogo; ela te dá liberdade para explorar.

Comparando Equipamentos: A Tweener contra as “Players Racquets” e as “Game Improvement”

Para você entender de vez onde a Tweener se encaixa, vamos colocá-la lado a lado com as outras duas famílias de raquetes. Pense nisso como escolher um carro. Você pode ter um carro de corrida (Player Racquet), um SUV grande e confortável (Game Improvement) ou um esportivo compacto e ágil (Tweener). Cada um tem uma proposta.

As raquetes de “Controle”, ou Players Racquets, são as ferramentas dos cirurgiões. Elas são pesadas (310g para cima), com cabeça pequena (90 a 98 polegadas) e perfil fino. Elas são flexíveis, o que significa que elas “seguram” a bola nas cordas por mais tempo, dando ao jogador uma sensação de conexão e controle absolutos. O problema? Elas não geram nada de potência sozinhas. A potência tem que vir 100% do seu braço e da sua técnica. Se você não tem um swing longo, rápido e perfeito, a bola não passa da rede.

Do outro lado, temos as “Game Improvement”. Elas são o oposto. Elas são leves (250g a 280g), com cabeças enormes (105 a 115 polegadas) e muito rígidas. Elas são feitas para gerar potência máxima com o mínimo de esforço. São ótimas para iniciantes que estão aprendendo o movimento ou para jogadores sênior que já não têm a mesma mobilidade e força. O problema? Elas oferecem quase zero controle. A bola “explode” sem direção, e a falta de peso as torna muito instáveis contra golpes fortes.

A “Player Racquet” (Controle): Quando o braço manda mais que a raquete

Vamos aprofundar na Player Racquet. Quando eu pego uma raquete dessas, como uma Wilson Pro Staff 97, eu sinto o peso dela imediatamente. Ela é “Head Light”, o peso está todo no cabo. Isso a torna surpreendentemente rápida de manusear no ar, apesar do peso total. O aro fino e flexível parece “cortar” o ar. Quando eu acerto o sweet spot (que é minúsculo), a sensação é… pura. Não há vibração. Eu sinto exatamente para onde a bola foi.

Essa é uma raquete que recompensa a técnica perfeita. Jogadores avançados, que treinam há anos, adoram isso. Eles criam a própria potência. O que eles querem da raquete é precisão. Eles querem saber que, se eles mirarem 10cm dentro da linha, a bola vai exatamente lá. Ela é uma ferramenta de precisão, não de força bruta. Para um amador, usar uma raquete dessas é, na maioria das vezes, frustrante.

O peso dela também é uma vantagem defensiva… se você aguentar. Uma raquete de 315g não torce na sua mão. Você pode bloquear um saque de 200 km/h e a raquete absorve o impacto. Mas tente jogar um match de 3 horas com uma raquete dessas sem o preparo físico adequado. Seu braço vai “cair”. É um equipamento que exige muito do tenista.

A “Game Improvement” (Potência): Quando você precisa de uma ajuda extra

Agora, o oposto completo. A Game Improvement (Melhora de Jogo) é projetada para uma pessoa: o iniciante. Pense na sua tia que decidiu começar a jogar tênis. Ela tem um swing curto, quase um “empurrão” na bola. Se ela usar a minha raquete, a bola mal chega na rede. Ela precisa de uma raquete que seja um “trampolim”. É isso que a Game Improvement é.

Com uma cabeça de 110 polegadas, a área de acerto é gigantesca. É quase impossível “furar” a bola. O peso é muito baixo, então ela não cansa o braço. E o equilíbrio é todo na cabeça (Head Heavy). Isso cria um efeito de “marreta”: mesmo com um swing curto, o peso na ponta da raquete empurra a bola para frente. Elas são extremamente rígidas, maximizando a repulsão da bola.

O problema surge assim que o jogador começa a melhorar. Quando você começa a desenvolver um swing mais longo e rápido, essa raquete se torna incontrolável. A potência é tanta que a bola voa para o alambrado. Você tenta bater com spin e a raquete, por ser tão leve, não te dá firmeza. Ela é uma ótima ferramenta para começar, mas você “supera” ela muito rápido. A Tweener é o próximo passo lógico.

Tabela Comparativa: A Tweener no “Rally” das Especificações

Nada como uma tabela para deixar tudo claro. Vamos colocar as três categorias lado a lado. Olhe para os números e veja como a Tweener se posiciona exatamente no meio-termo em todas as especificações.

CaracterísticaGame Improvement (Potência)Tweener (Equilíbrio)Player Racquet (Controle)
Peso (sem corda)250g – 280g (Leve)285g – 300g (Médio)310g – 340g+ (Pesado)
Tamanho da Cabeça105 – 115 sq in (Grande)98 – 102 sq in (Média)90 – 98 sq in (Pequena)
EquilíbrioHead Heavy (Peso na Cabeça)Neutro ou Levemente HLHead Light (Peso no Cabo)
Perfil (Espessura)Largo (25mm+)Médio (22mm – 25mm)Fino (19mm – 22mm)
RigidezAlta (Muito Rígida)Média-Alta (Rígida)Baixa (Flexível)
Estilo de SwingCurto e LentoMédio e RápidoLongo e Rápido
Foco PrincipalPotênciaPotência + SpinControle + Sensação
Nível do JogadorInicianteIntermediário / AmadorAvançado / Competitivo

As Lendas do Circuito Tweener: Modelos Icônicos que Definiram a Categoria

A categoria Tweener não é só um conceito, ela é definida por raquetes que se tornaram lendas. Existem modelos que estão há décadas no mercado, sendo atualizados ano após ano, simplesmente porque a fórmula funciona. Quando você pensa em Tweener, alguns nomes vêm à mente imediatamente.

Essas raquetes são as “garotas-propaganda” da categoria. Elas são usadas por profissionais de topo, o que ajuda muito no marketing, mas a verdade é que as versões que você compra na loja são perfeitas para o jogador amador. Elas carregam a reputação de gerar potência e spin, e elas entregam exatamente isso.

Conhecer esses modelos ajuda você a entender as pequenas variações dentro do universo Tweener. Algumas são um pouco mais voltadas para o spin, outras um pouco mais para a potência “pura”. Mas todas elas compartilham o mesmo DNA: 300g, 100 polegadas, e uma vontade imensa de fazer a bola andar.

A Babolat Pure Drive: A raquete que mudou o jogo

Se existe uma “mãe” de todas as Tweeners, é esta. A Babolat Pure Drive, a famosa raquete azul, foi lançada em 1994 e mudou o tênis. Ela foi uma das primeiras a popularizar a construção de 100 polegadas e 300 gramas com um perfil mais largo e rígido. O Andy Roddick, com seus saques absurdos, tornou essa raquete um ícone.

A Pure Drive é a definição de “potência fácil”. Ela é uma “bazuca”. A bola simplesmente explode nas cordas. Ela é muito rígida, o que significa que ela não absorve o impacto; ela o devolve para a bola. Para o jogador amador que sente que falta “peso” no golpe, pegar uma Pure Drive pela primeira vez é uma revelação. De repente, seu forehand está passando fundo e seu saque parece mais rápido.

O lado B dessa rigidez é o conforto. Ela pode ser dura para o braço, especialmente se encordoada com cordas de poliéster muito tensas. Mas seu impacto é inegável. Ela provou que você não precisava de uma raquete pesada para jogar um tênis agressivo. Ela democratizou a potência e se tornou o benchmark pelo qual todas as outras Tweeners são comparadas.

A Babolat Pure Aero: A escolha do “Rei do Saibro”

Se a Pure Drive é a rainha da potência, a Pure Aero é a rainha do spin. Você conhece essa raquete. É a raquete amarela do Rafael Nadal. (Embora a que ele usa seja uma versão antiga pintada, o conceito é o mesmo). A Babolat pegou o conceito da Pure Drive e o otimizou para uma coisa: topspin.

Como ela faz isso? O aro dela é “aerodinâmico”. O formato do frame é projetado para cortar o ar com o mínimo de resistência. Isso permite que você acelere a cabeça da raquete ainda mais rápido. Combine isso com um padrão de cordas 16×19 bem aberto (chamado FSI Spin), e você tem uma máquina de fazer a bola girar. A Pure Aero quer que você bata de baixo para cima.

Ela ainda é uma Tweener clássica: 300g, 100 polegadas, rígida. Mas a sensação dela é diferente da Pure Drive. Ela parece um pouco mais “controlável” porque o spin massivo que ela gera ajuda a bola a cair dentro da quadra. É a raquete perfeita para o jogador de fundo de quadra moderno, que baseia seu jogo em topspin pesado para empurrar o oponente para trás.

Outras competidoras de peso: Head Speed, Yonex VCORE e mais

O mercado não é feito só de Babolat. As outras grandes marcas têm suas próprias Tweeners lendárias. A linha Head Speed, usada pelo Novak Djokovic (de novo, uma versão customizada), é uma Tweener fantástica. Ela é conhecida por ser um pouco mais flexível e confortável que as Babolats. Ela oferece uma sensação mais “clássica”, com um ótimo equilíbrio entre potência e controle, sem ser tão explosiva.

A Yonex tem a linha VCORE. A VCORE 100 é a concorrente direta da Pure Aero. Ela também é uma máquina de spin, mas com a assinatura da Yonex: a cabeça isométrica (um formato meio “quadrado”). Essa cabeça aumenta o sweet spot, tornando-a ainda mais permissiva. A sensação das Yonex é única, muitos jogadores que provam não largam mais.

E temos também a Wilson, com a Clash 100 e a Ultra 100. A Clash é famosa por ser extremamente flexível e confortável, quase uma anti-Tweener, mas com peso e cabeça de Tweener. A Ultra é a resposta da Wilson à Pure Drive, uma raquete focada em potência pura. O ponto é: todas as marcas têm sua versão da fórmula 300g/100in.

A “Tweener” é a raquete certa para você?

Depois de tudo isso, vem a pergunta de um milhão de reais: você deve comprar uma Tweener? Como seu professor, eu diria que as chances são altíssimas de que a resposta seja “sim”. Se você não é um iniciante completo (que ainda precisa de uma Game Improvement) e nem um jogador competitivo de alto nível com 15 anos de tênis nas costas (que talvez prefira uma Player Racquet), você está no “território Tweener”.

Essa categoria é tão ampla que é quase impossível não encontrar um modelo que se encaixe no seu jogo. Você quer mais spin? Vá de Pure Aero ou VCORE. Você quer mais potência bruta? Pure Drive ou Ultra. Você quer algo mais equilibrado e confortável? Head Speed ou uma Wilson Blade 100. O leque de opções é enorme.

O importante é ser honesto sobre seu nível de jogo. Muitos amadores cometem o erro de comprar a raquete do profissional favorito (como a Pro Staff do Federer) e acabam se frustrando. Eles tentam jogar com uma ferramenta que exige uma habilidade que eles ainda não têm. A Tweener é a escolha inteligente. É a escolha de quem quer evoluir e se divertir ao mesmo tempo.

O perfil do jogador intermediário: Seus golpes estão evoluindo

O que define o “jogador intermediário”? É o jogador que já tem consistência. Você consegue trocar 10, 15 bolas do fundo da quadra. Seus saques já entram com regularidade. Você já desenvolveu seus golpes básicos, seu forehand e backhand. Agora, você está buscando o “algo a mais”. Você quer adicionar potência, colocar mais efeito, ser mais agressivo.

É nesse ponto que sua raquete de iniciante começa a te limitar. Você bate um forehand com tudo o que tem, e a raquete leve vibra, e a bola “flutua” para fora. Você tenta bloquear um saque forte, e a raquete “torce” na sua mão. Esses são os sinais. Você precisa de mais massa, mais estabilidade. Você precisa de uma Tweener.

A Tweener vai te dar a plataforma sólida que você precisa para dar o próximo passo. Ela vai te dar estabilidade para aguentar a pancadaria e potência para começar a ditar os pontos. Ela é a raquete da evolução. Ela vai acompanhar você por toda a sua jornada de jogador intermediário até o nível avançado.

Quando a “Tweener” não é a melhor escolha

Como eu disse, não existe raquete perfeita para todos. Existem casos em que a Tweener não é a melhor pedida. O primeiro caso é óbvio: o iniciante absoluto. Se você está na sua primeira aula, aprendendo a segurar a raquete, uma Tweener de 300g pode ser pesada e rígida demais. Você precisa de uma raquete de “Game Improvement” leve e com cabeça grande para facilitar o contato com a bola.

O segundo caso é o jogador avançado com estilo clássico. Pense naquele jogador mais velho, que joga “reto” (flat), sobe muito à rede, tem voleios impecáveis e um backhand de uma mão fatiado (slice). Esse jogador não precisa do spin e da potência explosiva de uma Tweener. Ele se beneficia mais de uma Player Racquet pesada, flexível e com peso no cabo (Head Light), que oferece sensação e controle máximos para seus voleios e slices.

O terceiro caso é o jogador com histórico de lesão, como o tennis elbow (epicondilite lateral). Embora existam Tweeners confortáveis (como a Wilson Clash), a maioria delas é rígida. A combinação de rigidez com cordas de poliéster pode ser uma bomba-relógio para um braço sensível. Nesses casos, uma raquete mais flexível (mesmo que seja uma Player Racquet) pode ser uma escolha mais saudável.

Testando a raquete: O “test drive” antes da compra

E aqui vai o conselho mais importante que eu posso te dar: NUNCA compre uma raquete sem testar. Você não compraria um carro sem fazer um test drive, certo? A raquete é a mesma coisa. As especificações no papel (peso, equilíbrio, rigidez) contam parte da história, mas a “sensação” é pessoal.

Quase toda loja especializada em tênis oferece raquetes de teste. Pegue três ou quatro modelos de Tweener (uma Pure Aero, uma Speed, uma VCORE, por exemplo) e leve para a quadra. Jogue com elas. Jogue de verdade. Saque. Bata forehand. Voleie. Sinta qual delas parece uma “extensão do seu braço”.

Você pode se surpreender. Talvez a raquete que o Nadal usa pareça horrível na sua mão, e a que o Djokovic usa pareça perfeita. Ou vice-versa. A “sensação” é uma combinação de como o peso está distribuído, como o grip se encaixa na sua mão e até mesmo o som que ela faz ao bater na bola. Teste antes de investir. Uma raquete é um investimento caro, e escolher a parceira certa é o primeiro passo para ganhar o próximo match point.

Ajustando sua Tweener: O próximo nível da personalização

Achou que tinha acabado? Achou que era só escolher a Tweener e ir para a quadra? Calma, campeão. A raquete é só metade da história. Uma Tweener é uma plataforma fantástica, mas ela pode ser (e deve ser) ajustada para o seu jogo. Pense nela como um carro que saiu da fábrica. Ele é ótimo, mas você pode trocar os pneus, ajustar a suspensão e mudar o motor.

A personalização é o que separa os jogadores que usam equipamento dos jogadores que entendem seu equipamento. E as duas formas mais fáceis e impactantes de customizar sua Tweener são através das cordas e do peso. Você pode pegar uma Tweener padrão e deixá-la mais confortável, com mais spin ou com mais potência, apenas mexendo nesses fatores.

Não se assuste com os termos. É mais simples do que parece. Você não precisa virar um “louco” do equipamento, mas saber o básico sobre cordas e peso vai te dar uma vantagem enorme. Vai permitir que você ajuste sua raquete à medida que seu jogo evolui, em vez de ter que trocar de raquete a cada seis meses.

A importância das cordas: O motor da sua raquete

Eu sempre digo aos meus alunos: a raquete é o chassi do carro, mas as cordas são o motor. Você pode ter a melhor raquete do mundo, mas se ela estiver com uma corda ruim, velha, ou na tensão errada, ela vai jogar mal. A corda é a única parte da raquete que toca a bola. Ela é responsável por 80% da sensação, do spin e da potência do seu golpe.

Existem dois tipos principais de cordas: multifilamento (ou tripa sintética) e poliéster (ou “co-poly”). O multifilamento é macio, confortável e potente. Ele funciona como uma mola, dando muita potência “grátis”. É ótimo para quem quer conforto e ajuda para a bola andar. O poliéster é o oposto: é rígido, focado em controle e, principalmente, em spin. Ele “morde” a bola como nenhuma outra corda. Quase todos os profissionais usam poliéster.

Para uma Tweener, a escolha é crucial. Se você colocar um poliéster em uma Pure Drive (que já é rígida), você terá uma arma de spin e controle, mas ela pode ser muito dura para o braço. Se você colocar um multifilamento, ela ficará extremamente potente e confortável. Muitos amadores usam um “híbrido”: poliéster nas cordas principais (para spin) e multifilamento nas cruzadas (para conforto). Converse com seu encordoador, ele é seu melhor amigo.

Customização: O uso de chumbo (lead tape) para mudar o equilíbrio

Agora vamos para a customização nível “avançado”, mas que é muito fácil de fazer. Sabe a fita de chumbo (lead tape)? É literalmente uma fita adesiva com peso. Os profissionais usam isso o tempo todo para ajustar suas raquetes ao miligrama. Você pode usar também. Uma Tweener de 300g é uma base perfeita para isso.

Você sente que sua Tweener está boa, mas falta um pouco de estabilidade nos voleios? Coloque um pouco de lead tape às 3h e 9h (nas laterais da cabeça). Isso vai aumentar a estabilidade torsional (a raquete vai torcer menos) e aumentar o sweet spot. Você quer mais potência e “peso” no saque? Coloque um pouco de fita às 12h (no topo da cabeça). Isso vai deixar a raquete mais “Head Heavy” e dar mais “patada” na bola.

Você sente que a raquete está muito “cabeçuda” e quer mais manuseabilidade? Adicione peso no cabo, embaixo do cushion grip. Isso vai trazer o equilíbrio para mais perto da sua mão (mais “Head Light”). Com alguns gramas de fita, você pode transformar uma Tweener padrão em uma raquete perfeitamente calibrada para o seu braço e seu estilo de jogo. É o “molho secreto” dos jogadores avançados.

O overgrip e o cushion grip: A “pegada” final do seu jogo

Por último, e de forma alguma menos importante, é a sua “pegada”. A conexão direta entre sua mão e a raquete. Isso é definido por duas coisas: o cushion grip (o grip que vem de fábrica) e o overgrip (a fita fina que colocamos por cima). A maioria dos jogadores ignora isso, mas faz uma diferença absurda na sensação de controle.

O cushion grip define a espessura base do cabo. Se você tem mãos grandes e usa um cabo fino, você vai apertar a raquete com muita força, gerando tensão no antebraço. Se sua mão é pequena e o cabo é grosso, você perde sensibilidade e manuseabilidade. Escolher o tamanho do cabo certo (L2, L3, L4…) é o primeiro passo. Você pode aumentar a espessura trocando o cushion grip por um mais grosso.

O overgrip é a sua interface de jogo. Ele que absorve seu suor e te dá a “pega”. Existem overgrips mais “pegajosos” (tacky), que grudam na mão, ótimos para quem gosta de firmeza. E existem os mais “secos” (dry), que funcionam como uma toalha, ótimos para quem sua muito. Trocar o overgrip regularmente (a cada 4-6 horas de jogo) é a manutenção mais barata e eficaz que você pode fazer. Jogar com um overgrip velho e liso é pedir para a raquete voar da sua mão em um saque. Cuide da sua pegada.

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