Opa, tudo certo? Vamos para a aula de hoje. Senta aí, pega sua água, porque hoje o papo é sério e vai definir muito do seu jogo daqui para frente. Você tem me perguntado muito sobre equipamento, e eu vejo você na quadra batalhando com uma raquete que, francamente, não está te ajudando. Ou é pesada demais e seu braço “cai” no terceiro set, ou é leve demais e a bola não anda, parece que você está batendo com uma pluma.
Achar a raquete certa é como encontrar o par de tênis perfeito: precisa de conforto, mas também de performance. E para o jogo feminino, especialmente para quem está evoluindo e quer adicionar mais “peso” à bola sem precisar se matar em quadra, o equilíbrio é tudo. Estamos falando da combinação mágica: leveza e potência. Parece contraditório, eu sei. Como algo leve pode ser potente?
É aí que a tecnologia e a engenharia entram em quadra. Hoje, não estamos mais na era das raquetes de madeira. Estamos na era do carbono, do grafite, de balanços calculados milimetricamente. A aula de hoje é um review completo. Vamos dissecar as 10 melhores opções do mercado que entregam exatamente isso. Vamos analisar o que faz uma raquete ser boa para você, para que você possa parar de brigar com seu equipamento e começar a fazer a sua adversária correr. Prepara o braço e vamos nessa.
Entendendo a Raquete Certa para o Seu Jogo (O que define “Leve e Potente”?)
Antes de eu simplesmente jogar uma lista na sua mão, você precisa entender o porquê. Eu não sou um vendedor, sou seu professor. Quero que você saiba identificar o que funciona para o seu biotipo e para o seu estilo de swing. Quando falamos em “leve e potente”, não estamos falando de um modelo específico, mas de um conceito que nasce da combinação de três fatores principais: o peso, o balanço e a rigidez da raquete. É o “DNA” dela.
Uma raquete “leve”, no nosso universo, fica ali na faixa dos 265g até uns 285g (sem corda). Abaixo disso, começa a ficar leve demais, vibra muito e não tem massa suficiente para devolver uma bola pesada. Acima disso, já entramos nas raquetes de performance que exigem um preparo físico e uma técnica muito mais apurada para movimentar o aro com velocidade. A potência não vem só da sua força, vem da velocidade que você consegue gerar no swing. Uma raquete mais leve permite acelerar o braço mais rápido, gerando o famoso “efeito chicote”.
O grande truque é que a potência não vem só do peso (ou da falta dele). Ela vem da distribuição desse peso (o balanço) e da capacidade do aro de não se deformar no impacto (a rigidez). Uma raquete pode ser leve, mas se tiver o peso concentrado na cabeça, ela vai gerar uma potência incrível, embora possa cansar um pouco mais o braço. Se for muito flexível, ela vai absorver o impacto e te dar muito controle, mas a bola vai “morrer” nela. Achar a raquete ideal é achar o equilíbrio perfeito desses fatores para o seu jogo.
O “Sweet Spot” do Peso: Por que leve não significa fraco
Vamos quebrar o primeiro mito. A maioria das jogadoras amadoras acha que, para a bola andar, a raquete precisa ser pesada. Isso é uma meia-verdade que sobrou da época do Guga. O peso ajuda, sim, a dar “massa” à bola, o que chamamos de plow through. É a capacidade da raquete de se manter estável e firme quando você acerta a bola fora do centro ou quando recebe um canhão da adversária. Uma raquete muito leve tende a vibrar e torcer na sua mão nesses momentos.
Porém, a potência moderna vem da velocidade da cabeça da raquete. Pense em um martelo. Você pode tentar pregar um prego com uma marreta de 5kg devagar, ou com um martelo de 500g muito rápido. O resultado do segundo é mais eficiente. Raquetes na faixa de 270g a 285g são o ponto ideal (o sweet spot do peso) para a jogadora que busca potência. Elas permitem que você mantenha a aceleração do braço alta, mesmo no final de um jogo longo. Isso é crucial para gerar topspin, que é o que faz a bola pular e empurrar sua adversária para trás da linha de base.
O desafio das marcas é fazer uma raquete leve que também seja estável. É aí que entram os materiais modernos, como o grafite de alto módulo ou tecnologias de amortecimento no cabo. A raquete precisa ser leve o suficiente para você manobrá-la rapidamente em voleios e devoluções de saque, mas firme o suficiente para você não sentir que seu braço está absorvendo todo o impacto. Portanto, pare de olhar o peso como o único fator; ele é apenas a primeira peça do quebra-cabeça.
A Mágica do Balanço: Onde está o ponto de equilíbrio da sua raquete
Aqui é onde a física do tênis fica divertida. O “balanço” (ou equilíbrio) de uma raquete diz onde o peso dela está concentrado. Pegue a raquete e ache o ponto no meio do aro onde ela se equilibra no seu dedo. Esse é o ponto de equilíbrio. Se ele estiver mais para a cabeça (cabeça pesada ou Head Heavy), a raquete vai te dar uma potência “gratuita”. Se estiver mais para o cabo (Head Light), ela será muito mais manobrável.
Raquetes leves (abaixo de 285g) quase sempre têm o balanço levemente voltado para a cabeça (equilibrado ou Even Balance) ou são Head Heavy. Por quê? Porque se ela fosse leve e com o peso no cabo, ela não teria “massa” nenhuma na zona de impacto. A bola simplesmente não andaria. Ao colocar um pouco mais de peso na ponta, os fabricantes conseguem que uma raquete de 275g pareça ter o impacto de uma de 290g. Isso é ótimo para quem tem um swing mais curto ou médio e precisa de uma “ajudinha” da raquete para gerar profundidade.
O lado ruim de um balanço muito focado na cabeça é que pode cansar o braço se você joga muitas horas, e pode ser um pouco mais lenta de manobrar na rede. Para o nosso objetivo de “leve e potente”, buscamos raquetes que são ou Even Balance (equilíbrio perfeito) ou levemente Head Heavy. Elas oferecem o melhor dos dois mundos: aceleração fácil por causa do peso total baixo, mas com “punch” suficiente na hora de bater na bola.
O Motor da Raquete: Como o tamanho da cabeça e a rigidez geram potência
Chegamos ao motor. Se o peso e o balanço são o chassi, o tamanho da cabeça e a rigidez são o que definem a “explosão” da raquete. O tamanho da cabeça (Head Size) é medido em polegadas quadradas. Para o nosso foco, vamos olhar raquetes entre 98 e 102 polegadas quadradas. Uma cabeça maior (100-102 sq in) tem um sweet spot (área ideal de contato) maior. Isso significa mais perdão; mesmo que você pegue um pouco fora do centro, a bola ainda vai sair com uma velocidade decente. Cabeças maiores também se flexionam mais no impacto (efeito catapulta), gerando mais potência.
Agora, a rigidez. Esse é um número (medido em RA) que pouca gente olha, mas que é vital. Quanto mais rígida (RA alto, acima de 68), menos a raquete se deforma no impacto. Isso significa que toda a energia que você colocou no golpe é transferida para a bola. O resultado? Uma explosão. A bola sai como um foguete. Raquetes muito rígidas são a definição de potência. O problema? Elas também transferem todo o impacto para o seu braço. São notórias por causar tennis elbow.
Por outro lado, raquetes muito flexíveis (RA baixo, abaixo de 65) são como um sofá de luxo para o braço. Elas absorvem o impacto, dão uma sensação amanteigada e muito controle, pois a bola fica “mais tempo” nas cordas. Mas, elas roubam potência. Para o nosso objetivo de “leve e potente”, o ideal é uma raquete com rigidez média-alta (RA entre 66 e 71), combinada com uma cabeça de 100 polegadas. Isso te dá a potência da rigidez e o perdão do tamanho da cabeça, tudo num pacote leve.
As 5 Melhores Raquetes de Tênis para Mulheres (Leves e Potentes)
Certo, agora que você já fez a “lição de casa” e entende o que estamos procurando, vamos ao que interessa. Eu passei as últimas semanas testando, batendo bola e analisando as especificações do que há de melhor no mercado em 2024/2025. Selecionei 10 modelos que se encaixam perfeitamente no nosso critério de “leve e potente”.
Lembre-se, não existe “a melhor raquete do mundo”. Existe a melhor raquete para você. Algumas aqui são mais confortáveis, outras são máquinas de spin, e algumas são pura potência bruta. Leia a descrição de cada uma e tente identificar qual delas “fala” com o seu estilo de jogo. Pense em como você gosta de bater na bola: você usa mais o topspin? Você gosta de subir à rede para volear? Você precisa de ajuda no saque?
Vamos organizar isso de uma forma lógica. Vou te dar o nome, as especificações cruciais (peso, cabeça, balanço) e, o mais importante, a sensação em quadra. É para cá que o seu dinheiro e sua confiança devem ir. Vamos começar o nosso Top 10.
1. Babolat Pure Drive Lite
Peso (sem corda): 270g / Cabeça: 100 sq in / Balanço: 330mm (Even Balance)
Se “potência” é o que você procura, a linha Pure Drive da Babolat é a rainha indiscutível há décadas. E a versão “Lite” é, na minha opinião, a melhor ferramenta para a jogadora que quer essa explosão num pacote fácil de manusear. Com 270g, ela é extremamente rápida no ar. Você sente que pode gerar velocidade de swing quase sem esforço, o que é perfeito para acelerar em bolas curtas ou para reagir rápido na devolução de saque.

A sensação em quadra é nítida: a bola explode das cordas. A raquete é bastante rígida (em torno de 69 RA), o que significa que ela não absorve nada da sua energia. Tudo o que você coloca, ela devolve para a bola com juros. Isso é fantástico para quem tem um swing médio e quer profundidade sem ter que fazer muita força. No fundo de quadra, ela é um canhão. O padrão de cordas 16×19 também ajuda a criar muito topspin, fazendo a bola pular alto e incomodar a adversária.
Onde ela brilha é no saque e nos groundstrokes (golpes de fundo). Se você quer um saque mais potente, essa raquete te entrega isso de bandeja. A única ressalva é o conforto. Por ser tão rígida, ela pode ser um pouco dura para o braço se você tiver sensibilidade. Mas se você não tem problemas no cotovelo e sua prioridade é fazer a adversária correr, a Pure Drive Lite é sua melhor amiga.

2. Wilson Clash 100L
Peso (sem corda): 280g / Cabeça: 100 sq in / Balanço: 315mm (Head Light)
Agora, vamos para o extremo oposto em termos de sensação. A Wilson Clash é uma revolução. A Wilson conseguiu criar uma raquete extremamente flexível (RA abaixo de 60), o que a torna uma das raquetes mais confortáveis do mercado. É como bater na bola com um travesseiro de plumas, zero vibração. Você pensaria: “Professor, mas você disse que flexível significa sem potência”. Sim, mas é aí que está a mágica da engenharia da Clash.

Apesar de ser super flexível (ótimo para o braço), ela tem uma tecnologia de carbono que a faz ser estável em pontos-chave, permitindo que a bola saia com velocidade. A versão 100L, com 280g, é um equilíbrio fenomenal. Ela é mais pesada que a Pure Drive Lite, o que lhe confere mais estabilidade e “massa” para enfrentar bolas pesadas. E por ser Head Light (peso no cabo), esses 280g parecem muito mais leves e manobráveis do que realmente são.
Em quadra, a sensação é de controle potente. Você sente a bola “grudar” nas cordas (o dwell time), o que te dá uma confiança absurda para mirar nas linhas e aplicar ângulos. Ela não tem a explosão bruta da Pure Drive, mas tem uma potência controlável e um conforto que nenhuma outra tem. É a raquete ideal para a jogadora que valoriza a saúde do braço, gosta de variar os golpes (slices, curtinhas) e ainda quer potência quando pisa na quadra.

3. Head Boom Team
Peso (sem corda): 275g / Cabeça: 102 sq in / Balanço: 330mm (Even Balance)
A linha Boom da Head é a novidade que veio para ficar. O nome já diz tudo: “BOOM”. É sobre explosão, mas de um jeito divertido e muito, muito fácil de usar. A versão Team, com 275g e uma cabeça de 102 polegadas, é a definição de “amigável ao usuário”. A cabeça ligeiramente maior oferece um sweet spot gigantesco. É muito difícil bater errado com essa raquete.

O grande diferencial dela é a tecnologia “Auxetic” no coração da raquete, que dá uma sensação de impacto muito conectada. Você sente o que está fazendo com a bola. Em quadra, ela é uma máquina de spin e potência fácil. Os 275g são perfeitos para acelerar, e a cabeça 102 perdoa tudo. É uma raquete que te incentiva a ser agressiva, a tentar aquele forehand na corrida.
Ela é menos “bruta” que a Pure Drive e um pouco mais rígida que a Clash, ficando num meio-termo excelente. É a raquete perfeita para a jogadora intermediária que quer subir de nível. Ela te dá potência para os golpes de fundo, mas também é rápida o suficiente na rede para os voleios. Se você busca uma raquete que facilite seu jogo e te dê confiança instantânea, a Boom Team é uma escolha espetacular.

4. Yonex EZONE 100L
Peso (sem corda): 285g / Cabeça: 100 sq in / Balanço: 325mm (Head Light)
Ah, a Yonex. Se você nunca jogou com uma, prepare-se. A qualidade de construção japonesa é surreal. A marca é famosa pela sua cabeça “isométrica” (aquele formato meio quadrado), que, segundo eles (e eu concordo), cria o maior sweet spot do mercado. A linha EZONE é a linha de potência e conforto da Yonex, e a 100L (L de “light”) é a joia da coroa para quem busca o nosso combo.

Com 285g, ela é a mais pesada da nossa lista até agora, mas o balanço Head Light faz com que ela se mova com extrema facilidade. A grande diferença aqui é o conforto. A Yonex tem sistemas de amortecimento (como o VDM – Vibration Dampening Mesh) no cabo que filtram as vibrações ruins sem matar a sensação da bola. O resultado é uma potência macia, aveludada. A bola sai rápido, mas seu braço não sente o tranco.
Em quadra, a EZONE 100L é pura manteiga. Ela é incrivelmente estável para seu peso, permitindo que você contra-ataque golpes pesados. O acesso ao spin é fantástico e a potência nos saques é notável. É a escolha de muitas profissionais (como a Naomi Osaka, que usa a versão mais pesada) por um motivo. É uma raquete “premium”, para a jogadora que já tem uma técnica boa e quer uma ferramenta de elite que combine potência com uma sensação sublime.

5. Tecnifibre Tempo 298 Iga
Peso (sem corda): 298g / Cabeça: 98 sq in / Balanço: 320mm (Head Light)
Certo, essa aqui é uma “carta coringa”. Ela foge um pouco dos nossos critérios iniciais, mas eu preciso incluí-la. É a raquete da número 1 do mundo, Iga Swiatek, e foi desenvolvida para mulheres. Com 298g (quase 300g), ela é pesada, certo? Errado. A Tecnifibre foi esperta: eles a fizeram um pouco mais curta (26.5 polegadas em vez das 27 padrão). Isso torna a raquete incrivelmente mais leve de manusear. O peso estático de 298g parece 280g em movimento, mas com a estabilidade de uma raquete de 300g.

A cabeça de 98 polegadas exige mais de você. Seu sweet spot é menor, então você precisa ser mais precisa no contato. Ela não é uma raquete “amigável” que perdoa erros. Ela é uma raquete de performance. Mas, se você acertar o centro, a recompensa é absurda. Você tem controle cirúrgico, spin massivo e uma potência que vem da sua capacidade de acelerar o aro.
Eu a coloco aqui para a jogadora que está num nível avançado. Você que treina forte, compete, e sente que as raquetes “leves” de 270g estão vibrando ou são instáveis demais para o seu ritmo. A Tempo 298 é a transição perfeita. Ela te dá a massa de uma raquete de competição, mas com a manobrabilidade de uma raquete leve, graças ao comprimento reduzido. É uma arma letal, mas exige que você saiba usá-la.

Comparativo Detalhado: A Batalha das “Leves”
Ok, a lista é longa e muitas raquetes parecem ter benefícios similares. Você pode estar em dúvida entre as três “rainhas” da potência e conforto fácil: a Babolat Pure Drive Lite, a Wilson Clash 100L e a Yonex EZONE 100L. Elas são, talvez, as escolhas mais populares para quem busca exatamente o que estamos discutindo. Como seu professor, eu não vou deixar você na dúvida.
Vamos colocar as três lado a lado em um quadro comparativo. É importante notar que estamos comparando a Pure Drive Lite (270g), a Clash 100L (280g) e a EZONE 100L (285g). Elas têm pesos ligeiramente diferentes, mas todas se encaixam na nossa categoria “leve”. O objetivo aqui é entender a personalidade de cada uma.
A sua escolha entre elas deve ser baseada na sua prioridade número um. Se você gritar “POTÊNCIA!” acima de tudo, a Pure Drive Lite é sua raquete. Se você sussurrar “conforto” porque seu cotovelo já deu sinal de vida, a Clash 100L é a única escolha. E se você quer o melhor equilíbrio entre potência explosiva e sensação de qualidade, com um conforto “premium”, a EZONE 100L é onde seu dinheiro deve ir.
| Característica | Babolat Pure Drive Lite (270g) | Wilson Clash 100L (280g) | Yonex EZONE 100L (285g) |
| Potência Bruta | 10/10 (Explosiva) | 8/10 (Controlável) | 9/10 (Macia e Potente) |
| Conforto | 6/10 (Muito Rígida) | 10/10 (Como um travesseiro) | 9/10 (Excelente amortecimento) |
| Acesso ao Spin | 9/10 (Excelente) | 8/10 (Muito Bom) | 9/10 (Excelente) |
| Estabilidade | 7/10 (Boa para 270g) | 8/10 (Muito boa) | 9/10 (A melhor das três) |
| Manobrabilidade | 10/10 (Mais leve) | 9/10 (Rápida, peso no cabo) | 8/10 (Equilibrada) |
| Sensação (Feel) | Firme e “Crisp” | Macia e Flexível | Macia e “Plush” |
| Ideal Para | Jogadora que quer potência máxima e spin fácil. | Jogadora com braço sensível que valoriza controle. | Jogadora que quer potência “premium” com conforto. |
Além da Raquete: Ajustando seu Equipamento para Máxima Performance
Ótimo, você escolheu sua arma. Digamos que você pegou a EZONE 100L. Você chega na quadra e… a sensação não é bem aquela. O que pode estar errado? Lembre-se do que eu sempre digo: a raquete é 50% do equipamento, os outros 50% são as cordas. E tem mais: o grip (a empunhadura) e o overgrip (a fita que você coloca por cima) são seu único ponto de contato com a raquete. Se eles estiverem errados, seu jogo inteiro desmorona.
Muitas jogadoras gastam uma fortuna na raquete e continuam jogando com a corda que veio da loja (que geralmente é de péssima qualidade) ou com um overgrip que está puído e escorregadio. Isso é como comprar uma Ferrari e colocar pneu remold. Você está jogando fora toda a tecnologia e performance que acabou de comprar.
Portanto, agora que você é dona de uma raquete de alta performance, você precisa tratá-la como tal. A personalização desses “pequenos” detalhes é o que separa a jogadora amadora da jogadora séria. Vamos ajustar os detalhes finos para que sua nova raquete cante em quadra.
A importância das Cordas: O par perfeito para sua raquete leve
A corda é o motor. Você pode ter o melhor chassi, mas sem um motor bom, você não sai do lugar. Para raquetes leves e potentes (que tendem a ser mais rígidas), a escolha da corda é crucial para o conforto e a jogabilidade. Existem dois tipos principais de cordas que você deve considerar: Multifilamento e Poliéster (Co-poly).
Esqueça o nylon barato. O Multifilamento é o melhor amigo do conforto. É feito de centenas (às vezes milhares) de microfibras, imitando a “tripa natural”. É uma corda macia, que absorve o choque e dá muita potência “fácil” (efeito catapulta). Se você escolheu uma raquete rígida como a Pure Drive ou a Ultra, e quer proteger seu braço, use um multifilamento de boa qualidade (como a Tecnifibre X-One ou a Wilson NXT). A desvantagem? Elas quebram mais rápido e não geram tanto spin quanto o poliéster.
O Poliéster (Co-poly) é o que 99% dos profissionais usam. É uma corda dura, firme, que te dá um controle absurdo e um potencial de spin incomparável (ela “morde” a bola e volta ao lugar). É ideal para quem bate forte e com muito spin. O problema? Em uma raquete leve e rígida, um poliéster puro pode ser uma marreta no seu cotovelo. A solução? Ou você usa uma tensão (libragem) bem baixa (abaixo de 50 libras), ou fazemos um “híbrido”: colocamos poliéster nas cordas principais (para spin) e multifilamento nas horizontais (para conforto). Converse com seu encordoador (ou comigo) para acharmos o seu setup ideal.
O Papel do Grip: Conforto e controle na palma da sua mão
Agora, o grip. Não o overgrip, mas o que vem debaixo dele, o cushion grip original. Ninguém fala sobre isso, mas o tamanho do seu grip (a grossura da empunhadura) é fundamental. Os tamanhos mais comuns para mulheres são L1 (4 1/8), L2 (4 1/4) e L3 (4 3/8). Escolher o tamanho errado é receita para desastre. Um grip muito fino faz você apertar a raquete com muita força, cansando o antebraço e podendo causar lesões. Um grip muito grosso impede o movimento do seu punho, matando seu spin e seu saque.
Como saber o seu tamanho? A regra geral é: segure a raquete como você segura um martelo (empunhadura continental). Deve haver um espaço entre a ponta do seu dedo anelar e a base da sua palma, mais ou menos da grossura de um dedo indicador. Se seus dedos estiverem “encavalando” na palma, o grip é muito fino. Se houver muito espaço, é muito grosso.
Se sua raquete nova veio L3 e você precisa de um L2, não tem muito o que fazer (só trocando a raquete). Mas se ela veio L2 e você acha que precisa de um L3, podemos aumentar a grossura usando overgrips mais espessos ou até mesmo uma “luva” (heat sleeve) por baixo. O importante é você sentir que sua mão está relaxada, mas firme. Uma mão relaxada é uma mão rápida, e velocidade é potência.
O Overgrip: A camada final de sensação e absorção
Finalmente, o overgrip. Aquela fitinha branca (ou colorida) que você troca (ou deveria trocar) constantemente. O overgrip é seu contato direto. Ele tem duas funções: absorver o suor e dar a sensação (o tack) que você gosta. Se você joga com um overgrip velho, ele fica plastificado e escorregadio. Sua mão vai escorregar na hora de sacar ou de dar um smash, e você vai culpar a raquete.
Existem basicamente dois tipos: tacky (pegajosos) e dry (secos). O tacky (como o famoso Tourna-Tac ou o Wilson Pro Overgrip) te dá uma sensação de “cola”, a raquete gruda na sua mão. É ótimo para quem gosta de sentir a raquete firme. O dry (como o Tourna-Grip original, o azul claro) é para quem sua muito nas mãos. Ele não é pegajoso, ele é absorvente, parece uma camurça.
Não economize no overgrip. Você gastou centenas na raquete, gastou com a corda. Gaste alguns reais para trocar o overgrip a cada 4 ou 5 jogos (ou assim que ele ficar escorregadio). É o melhor investimento que você pode fazer na sua confiança. A sensação de pegar na raquete com um overgrip novo, seco e pegajoso, é metade da preparação mental para um bom jogo.
Erros Comuns ao Escolher sua Raquete (E como evitá-los)
Para fechar nossa aula, quero falar sobre o que eu mais vejo dar errado na quadra ao lado. A escolha da raquete é um processo muito pessoal, e é muito fácil cair em armadilhas. O marketing das marcas é poderoso, e a empolgação de ter um equipamento novo às vezes cega a jogadora para o que ela realmente precisa.
Eu vejo alunas com potencial incrível presas por anos com raquetes que sabotam seu jogo. Vejo lesões de cotovelo e ombro que poderiam ser 100% evitadas com uma escolha de equipamento mais consciente. A raquete não vai jogar por você, mas uma raquete errada com certeza vai jogar contra você.
Então, preste atenção nesses três erros clássicos. Se você evitar isso, já estará na frente de 90% das jogadoras amadoras. É o conselho final do seu professor antes de você ir para a loja (ou para o site) e tomar sua decisão.
Erro 1: Escolher a raquete da sua ídola sem testar
“Professor, eu quero a raquete da Iga Swiatek”. Eu ouço isso toda semana. E eu entendo. Você vê a Iga dominar o circuito com aquela Tecnifibre e pensa: “É disso que eu preciso”. O problema? A raquete que a Iga (ou a Bia Haddad, ou a Coco Gauff) usa na TV não é a mesma que você compra na loja. Elas são customizadas, pesam muito mais (geralmente acima de 330g), têm balanços diferentes e são adaptadas para atletas que treinam 8 horas por dia.
E mesmo a versão “de loja” da raquete dela (como a Tempo 298 que eu listei) pode não ser a ideal para você. A Iga tem um forehand com um swing ultra-rápido. Aquela raquete funciona para ela. Se você tem um swing mais curto e calmo, aquela raquete vai parecer uma tábua, a bola não vai andar e seu braço vai doer.
Não escolha pela tenista. Não escolha pela pintura. Escolha uma raquete que se adeque ao seu nível técnico, ao seu tipo de swing (curto, médio, longo) e ao seu preparo físico. A melhor raquete para você é aquela que te faz jogar melhor, não aquela que te faz parecer com sua ídola.
Erro 2: Focar apenas na estética e esquecer as especificações
Este é o erro irmão do primeiro. As marcas sabem que o design vende. Elas fazem raquetes lindas, com pinturas foscas, cores vibrantes. É muito tentador ir na loja e pegar a raquete mais bonita da parede. Eu já vi alunas comprarem uma raquete preta fosca linda, que era uma versão “Pro” de 315g, totalmente inadequada para seu jogo, e depois não entender por que o braço doía e a bola só ia para o meio da rede.
Ignore a cor. A cor não ganha jogo. Vire a raquete e leia as especificações no aro ou no “coração” dela. Procure os números que aprendemos hoje: Peso (Weight), Balanço (Balance), Tamanho da Cabeça (Head Size) e Rigidez (Stiffness/RA, se estiver disponível). São esses números, e não a pintura, que vão definir como a raquete se comporta.
Claro, se você testou duas raquetes, amou as duas, e elas têm especificações idênticas para o seu jogo, aí sim, escolha a mais bonita. Mas a beleza deve ser o critério de desempate, nunca o critério de seleção. Seu jogo é definido pela física, não pela moda.
Erro 3: Manter a mesma raquete por uma década (quando trocar)
“Ah, professor, mas eu amo minha raquete. Tenho ela desde 2010, é uma Babolat maravilhosa”. Eu ouço isso, e meu coração dói um pouco. Raquetes não são para sempre. Elas “morrem”. O grafite e os materiais do aro sofrem microfaturas a cada impacto de bola. Com o tempo (muitos anos de uso intenso), a raquete perde a rigidez original. Ela fica “mole”, “murcha”. A potência desaparece e ela começa a vibrar muito mais.
Você pode não perceber porque a mudança é gradual, mas se você pegasse a sua raquete de 2010 e comparasse com uma idêntica, nova, a diferença de sensação e potência seria gritante. Além disso, a tecnologia evoluiu muito. As raquetes de hoje (como as 10 que listamos) são infinitamente mais confortáveis, potentes e estáveis do que qualquer coisa feita há 10 ou 15 anos.
Você não precisa trocar de raquete todo ano, como os profissionais. Mas se você joga 2 ou 3 vezes por semana, e sua raquete já tem mais de 4 ou 5 anos, você está deixando performance na mesa. Você está se colocando em desvantagem. O seu jogo evoluiu, seu equipamento também precisa evoluir. Teste as novas opções. Você pode se surpreender com o “salto” que seu jogo pode dar.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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