Raquete de alumínio ou grafite: Qual a melhor para começar?

E aí, campeão. Pega uma água, senta aí no banco que precisamos ter aquela conversa séria. Você chegou hoje na aula com os olhos brilhando, pronto para comprar sua primeira raquete. Daí você entra na loja, ou pior, abre um site, e dá de cara com o primeiro grande “match” da sua vida de tenista: alumínio de um lado, grafite do outro. E agora? Qual delas vai te ajudar a acertar o forehand e qual vai te fazer parecer que está batendo na bola com uma tábua?

Essa é, sem dúvida, a pergunta que eu mais ouço dos meus alunos iniciantes. Você quer uma resposta direta, um “compre essa”, mas no tênis, as coisas raramente são um ace limpo. A escolha do seu primeiro equipamento é crucial. Ela pode definir a rapidez com que você evolui, o prazer que você sente em quadra e, o mais importante, se o seu cotovelo vai doer amanhã.

Vamos quebrar esse jogo. Como seu professor, eu não vou só te dizer “grafite é melhor” ou “alumínio é mais barato”. Nós vamos analisar o jogo de cada uma. Vamos entender o que cada material faz com a bola, com seu braço e com seu bolso. Prepare-se, porque depois desta conversa, você vai saber exatamente qual raquete escolher para começar a sua jornada. ‘Bora lá.

O “Saque” Inicial: Por que o Material da sua Primeira Raquete é um Jogo Mental

Antes de falarmos de tecnologia, peso ou preço, precisamos alinhar sua expectativa. A escolha da primeira raquete é um jogo muito mais mental do que físico. Você está começando, seus movimentos ainda não estão “no trilho”. Você vai raspar a raquete no chão, vai bater na bola com o aro, e vai, inevitavelmente, culpar a raquete por aquela bola que foi parar na quadra ao lado. Isso é normal. O tênis é um esporte de repetição, e sua primeira raquete é a ferramenta que precisa te dar confiança para repetir o movimento.

O material define o “feedback” que você recebe da bola. Imagine tentar aprender a dirigir um carro onde o volante vibra tanto que você não sente se o pneu está no asfalto ou na grama. É isso que uma raquete de alumínio pode fazer. Por outro lado, uma raquete de grafite muito avançada pode ser tão sensível que pune cada erro seu, fazendo você achar que nunca vai aprender. O material certo para você é aquele que te perdoa o suficiente para você querer voltar amanhã, mas que te dá informação suficiente para o seu cérebro começar a mapear o “ponto doce” (o sweet spot).

Muitos alunos ficam paralisados pelo medo de “gastar errado”. Eles pensam: “E se eu comprar a de grafite e desistir em dois meses?”. Ou: “E se eu comprar a de alumínio e me machucar?”. Essa ansiedade é sua primeira adversária. A verdade é que não existe uma única resposta certa. Existe a resposta certa para o seu nível de comprometimento, seu orçamento e, principalmente, sua sensibilidade física. O objetivo hoje é encontrar a ferramenta que te mantenha apaixonado pelo esporte, e não a que o Djokovic usa.


A Ficha Técnica do Alumínio: O “Paredão” da Escola Antiga

O alumínio é o veterano das quadras. É o material que muitos de nós, professores mais velhos, usamos quando demos nossas primeiras raquetadas. Você olha para ela e vê uma raquete simples, geralmente com uma pintura brilhante e um design que parece ter parado nos anos 90. Elas são a porta de entrada mais comum para o tênis, e ainda têm seu lugar no jogo, mas você precisa entender exatamente o que está levando para casa. O alumínio é um metal, e ele se comporta como tal: é rígido, é pesado (ou tenta ser leve de um jeito estranho) e transfere energia de forma bruta.

Essas raquetes são geralmente feitas em duas peças: o aro e o cabo são moldados separadamente e depois unidos (você consegue ver a junção em “T” perto do cabo). Isso já mostra que a integridade estrutural dela é diferente. Ela não foi desenhada para performance de alto nível, foi desenhada para ser barata de produzir e difícil de quebrar. Ela é o “paredão” da escola antiga: aguenta tudo, mas não te devolve muita coisa com refinamento. Você bate e a bola vai, mas você não sabe como foi.

Pense no alumínio como um carro popular básico, sem direção hidráulica ou ar-condicionado. Ele te leva do ponto A ao ponto B? Sim. Você vai se divertir no processo? Talvez. Você vai sentir cada buraco na estrada? Com certeza. Essa é a essla do alumínio. Ele é funcional, mas zero confortável. E no tênis, conforto não é luxo, é prevenção de lesão.

O Preço: O “Break Point” a favor do seu bolso

Vamos ser diretos: a maior vantagem da raquete de alumínio é o preço. Ela é imbatível nesse quesito. Você consegue encontrar raquetes de alumínio de marcas conhecidas por um valor que, muitas vezes, é um quarto do preço de uma raquete de grafite de entrada. Para o aluno que está completamente inseguro se vai gostar do esporte, ou para os pais que estão comprando uma raquete para uma criança que talvez a abandone pelo futebol em três semanas, o alumínio parece a escolha lógica. Ele diminui a barreira financeira para entrar no esporte, e isso é positivo.

Esse baixo custo permite que você “teste as águas”. Eu tenho alunos que compram uma raquete de alumínio só para fazer a primeira aula experimental. Eles querem sentir o peso, a movimentação, antes de se comprometerem com um equipamento mais sério. Se você está nesse barco, se sua frequência de jogo será de uma vez por mês “só para brincar”, o investimento baixo se justifica. É um break point a favor do seu bolso.

No entanto, esse barato pode sair caro, e rápido. O problema do preço baixo é que ele mascara os custos futuros. Se você decidir levar o tênis a sério, essa raquete de alumínio se tornará obsoleta em menos de seis meses. Ela vai te forçar a comprar outra. Pior: se ela te causar uma dor no braço, o custo do fisioterapeuta vai ser muito maior do que a economia que você fez na loja. O preço é um game ganho, mas não define o set.

Durabilidade vs. Performance: A troca que você faz

Aqui está um mito que precisamos quebrar. As pessoas dizem: “Alumínio é ótimo porque é durável”. Sim, é durável no sentido de que não quebra facilmente. Você pode bater a raquete no chão (o que eu espero que você não faça), raspar na grade, e ela vai amassar, vai entortar, mas raramente vai rachar como o grafite. Ela aguenta abuso. Para crianças ou para o uso em escolas e projetos sociais, onde o equipamento passa de mão em mão, essa durabilidade é uma bênção.

Mas o que você ganha em resistência ao impacto, você perde em integridade de jogo. O alumínio é um metal que “cansa”. Com o tempo e os impactos repetidos da bola, ele começa a perder sua rigidez original, ele “amolece”. A raquete começa a parecer “morta”, sem potência. Além disso, se você der uma pancada forte e ela entortar o aro, acabou. Você não consegue “desentortar” uma raquete de alumínio de volta à sua forma perfeita. O equilíbrio dela se foi para sempre.

O grafite, por outro lado, tem uma durabilidade de performance muito maior. Ele mantém suas propriedades por anos. Ele só tem um problema: se bater forte o suficiente no lugar errado, ele trinca. É uma falha catastrófica, mas até esse dia chegar, ele te entrega 100% do que prometeu. O alumínio te entrega 60% e vai morrendo aos poucos. A troca é clara: o alumínio dura mais se você o maltratar, mas o grafite joga melhor por muito mais tempo se você cuidar dele.

O Pesadelo da Vibração: O que não te contam sobre o alumínio

Agora, o ponto mais importante desta conversa. Se você não lembrar de mais nada, lembre disto: o alumínio vibra. E ele vibra muito. Quando você acerta a bola, especialmente fora do centro (o que você, como iniciante, fará 90% do tempo), a raquete de alumínio age como um diapasão. Ela pega essa energia do impacto e a transfere direto para a sua mão, seu pulso, seu cotovelo e seu ombro. É um choque seco, desagradável.

Essa vibração constante é o caminho mais rápido para desenvolver o famoso “Tennis Elbow” (epicondilite lateral). Seu braço não foi feito para absorver esse tipo de impacto repetitivo. Seus músculos e tendões ficam inflamados tentando proteger a articulação desse choque. Eu vejo alunos com duas ou três aulas de alumínio já reclamando de “dorzinha” no antebraço. Isso não é fraqueza, é física pura. O material não está dissipando a energia.

Uma raquete de grafite é desenhada para absorver e dissipar essa vibração. A trama do carbono (grafite) amortece o impacto, dando uma sensação “macia” e “limpa”. O alumínio faz o oposto. Ele amplifica o erro. Você sente cada batida errada como um pequeno castigo elétrico no seu braço. Isso não só é perigoso, como também é ruim para o aprendizado. Você começa a ter medo de bater forte na bola, seu movimento encurta, você fica “com o braço curto” para evitar a dor. É um ciclo vicioso.


A Era do Grafite: A Tecnologia Trabalhando o seu Braço

Vamos agora para o outro lado da quadra: o grafite. Quando falamos de grafite, estamos na verdade falando de “compósitos de fibra de carbono”. É o mesmo material leve e super-resistente usado em carros de Fórmula 1 e na indústria aeroespacial. No tênis, ele revolucionou o jogo. Quase todas as raquetes que você vê os profissionais usando são 100% grafite, ou misturadas com outras tecnologias como Kevlar, Basalto ou Titânio para ajustar o feel. O grafite permitiu que as raquetes ficassem mais leves e, ao mesmo tempo, mais rígidas em pontos estratégicos.

Diferente do alumínio, as raquetes de grafite são quase sempre “monobloco”. Elas são moldadas em uma peça única, do cabo à cabeça. Isso dá a elas uma integridade estrutural muito superior. A energia flui pela raquete de forma coesa. Quando você segura uma raquete de grafite, mesmo uma de iniciante, você sente que ela é uma “ferramenta”. Ela tem um propósito. Ela foi desenhada para performance.

O grafite permite aos engenheiros controlar exatamente como a raquete se comporta. Eles podem adicionar rigidez no aro para mais potência, e flexibilidade perto do cabo para mais controle e conforto. É um material sintonizável. O alumínio é bruto; o grafite é refinado. Ele é o seu parceiro de dupla que cobre o meio da quadra, te dando segurança e te ajudando a jogar melhor.

O Fator Conforto: Entendendo a Absorção de Impacto

Este é o game, set, match do grafite. O conforto. Como eu mencionei antes, o grafite é um material fantástico para absorver vibrações indesejadas. Ele age como um filtro. O impacto da bola gera uma onda de choque. O grafite permite que as boas vibrações (o “feedback” de um golpe limpo) passem para a sua mão, mas filtra as vibrações ruins de alta frequência (o “choque” de uma bola fora do centro) antes que elas cheguem ao seu cotovelo. Isso é o que chamamos de “amortecimento”.

Para você, iniciante, isso significa três coisas. Primeiro, menos dor. Você pode jogar por duas horas e sair da quadra sentindo apenas o cansaço muscular do exercício, e não uma dor aguda no tendão. Segundo, mais confiança. Como você não tem medo da dor do impacto, você se solta mais. Você tenta completar o movimento do forehand, você acelera o braço no saque. Você aprende a técnica correta mais rápido porque não está se protegendo instintivamente.

Terceiro, você aprende o feel certo. O tênis é um jogo de sensações. Você precisa aprender a diferenciar um golpe “chapado” de um golpe com topspin. Com o alumínio, tudo parece igual: uma pancada seca. Com o grafite, você começa a sentir a bola “agarrando” as cordas, você sente a diferença de um slice que “flutua” e um topspin que “mergulha”. O grafite é o início do seu vocabulário sensorial no tênis.

O “Feel” do Jogo: Por que o grafite te ensina a “sentir” a bola

Vamos aprofundar esse conceito de “feel” (sensação). O “feel” é a informação tátil que você recebe da raquete no momento do impacto. É como o seu cérebro entende o que aconteceu com a bola. Uma boa raquete de grafite te dá um feedback limpo, preciso. Você sabe imediatamente se acertou no sweet spot ou na borda. Você sente a solidez do golpe. Essa informação é vital para o seu desenvolvimento. É como o seu cérebro “salva” o movimento correto.

O alumínio, por vibrar tanto, mascara essa informação. É como tentar ouvir música clássica no meio de uma obra. O ruído (vibração) é tão alto que você não consegue distinguir as notas (o feel). Você acerta uma bola linda no centro e uma bola horrível no aro, e a sensação no braço é similarmente desagradável. Como você pode corrigir seu próximo golpe se você não entendeu o que errou no anterior? O grafite te dá essa clareza.

Eu sempre digo aos meus alunos: o grafite te ensina a “escutar” a bola. Você começa a desenvolver uma relação com o equipamento. Você aprende a confiar que, se você fizer o movimento certo, a raquete vai responder. Ela se torna uma extensão do seu braço, e não um objeto estranho que você está balançando. Esse é o “clique” que todo tenista procura, e o grafite te ajuda a chegar lá muito, muito mais rápido., ao escolher uma boa raquete de tênis para iniciantes

O Investimento Inicial: É um “Ace” ou uma “Dupla Falta”?

Aqui é onde o aluno geralmente trava. “Professor, mas a de grafite custa o dobro!”. Sim, custa. O investimento inicial é maior, não há como negar. Você está pagando pela pesquisa, pelo material de fibra de carbono, pela construção monobloco. É um equipamento tecnologicamente superior, e isso tem um preço. A questão não é se ela é mais cara, mas se esse investimento vale a pena para você.

Eu vejo esse investimento como um ace. Você está investindo na sua saúde (prevenção de lesões) e na sua evolução. Uma boa raquete de grafite para iniciantes (e existem muitas, leves, com cabeça grande) não vai ser trocada em seis meses. Ela vai te acompanhar pelo seu primeiro ano, talvez seus primeiros dois anos de jogo. Você vai evoluir com ela. Ela não será um limitador. Quando você somar o custo, diluído por dois anos de jogo e dezenas de aulas, a diferença de preço se torna pequena.

A “dupla falta” é comprar o alumínio, jogar por três meses, começar a sentir dor, perceber que seus golpes não evoluem, e ter que voltar à loja para comprar a raquete de grafite que você deveria ter comprado em primeiro lugar. Você gastou duas vezes. Você perdeu tempo de quadra. Você se frustrou. Se você tem 90% de certeza de que vai dar uma chance real ao tênis (fazer aulas, jogar uma vez por semana), pular o alumínio e ir direto para uma boa raquete de grafite de iniciante é a decisão financeira mais inteligente a longo prazo.


Comparativo dos Materiais: Alumínio vs. Grafite vs. Híbrida

Para você visualizar melhor, vamos colocar as três principais categorias lado a lado. Quando eu digo “Híbrida” (ou “Fusion”), estou falando daquelas raquetes que misturam os materiais. Elas geralmente têm o aro de alumínio e o “coração” (a garganta, perto do cabo) de grafite. Elas tentam ser o melhor dos dois mundos: mais baratas que o grafite puro, e com mais conforto que o alumínio puro.

Na minha opinião de professor, as raquetes híbridas são uma armadilha. Elas ainda vibram muito (pois o aro é de alumínio) e não têm a integridade estrutural do grafite puro. Elas são um produto de marketing. Ou você aceita a limitação total do alumínio pelo preço baixo, ou você investe no conforto total do grafite. Ficar no meio-termo aqui raramente funciona bem.

Mas, para fins de comparação, veja como elas se saem no “head-to-head”:

CaracterísticaRaquete de AlumínioRaquete Híbrida (Fusion)Raquete de Grafite (Iniciante)
Conforto (Absorção)Muito Baixo (Vibra muito)Baixo a MédioAlto (Protege o braço)
PreçoBaixoMédio-BaixoMédio-Alto
Performance (Feel)Muito Baixo (Sensação “morta”)BaixoAlto (Feedback claro)
Potencial de EvoluçãoMuito Baixo (Limita a técnica)BaixoAlto (Acompanha o aluno)
DurabilidadeAlta (Amassa, mas não quebra)MédiaAlta (Quebra se houver impacto forte)
Perfil do JogadorCrianças, uso casual extremoIndeciso (Não recomendado)Iniciante comprometido

Além do Material: Os Três Pilares da Raquete de Iniciante

Entendido o material, você precisa saber que a raquete não é só isso. O alumínio ou o grafite são a “alma”, mas o “corpo” é definido por três outros fatores. Muitas vezes, um aluno compra uma raquete de grafite, mas escolhe o modelo errado, e a experiência fica ruim. Você precisa acertar o material (grafite) e a especificação (iniciante). Vamos ver os três pilares que você deve procurar na etiqueta da sua raquete de grafite.

Não adianta nada você comprar uma raquete 100% grafite se ela for a réplica exata da que o Nadal usa. Aquela raquete é pesada, tem a cabeça pequena e um equilíbrio específico para gerar o spin dele. Na sua mão, ela parecerá uma marreta e seus golpes não passarão da rede. A indústria felizmente cria raquetes de grafite específicas para quem está começando. Elas são desenhadas para facilitar o jogo, perdoar erros e gerar potência fácil.

O erro que eu mais vejo é o aluno iniciante comprar raquete de “performance” achando que a raquete vai fazer o milagre. Não vai. A raquete de performance exige que você gere a potência e o controle. A raquete de iniciante te potência e controle enquanto você aprende a fazer o movimento. É uma diferença fundamental. Foque nestes três pontos: peso, tamanho da cabeça e equilíbrio.

O Peso: O “Boleio” leve ou o “Smash” pesado?

Para um iniciante, o peso é fundamental. A regra é simples: comece leve. Uma raquete muito pesada vai cansar seu braço antes de você aprender o movimento. Você vai atrasar a batida, perder o timing e sobrecarregar o ombro. Você precisa de uma raquete que te permita manusear com facilidade, especialmente na rede (nos voleios) e na preparação do golpe.

Procure por raquetes (já encordoadas) que pesem entre 260 e 285 gramas. Essa é a faixa ideal para adultos iniciantes. Elas são leves o suficiente para você acelerar o braço sem esforço excessivo, mas têm “massa” suficiente para dar alguma estabilidade à bola. Raquetes de alumínio, ironicamente, costumam ser pesadas ou ter um peso mal distribuído, parecendo mais pesadas do que realmente são.

Evite raquetes abaixo de 250g (muito leves, vibram mais) ou acima de 290g (muito pesadas para aprender). A raquete leve te ajuda a focar na técnica do movimento, em vez de focar na força para balançar a raquete. Quando seu movimento estiver longo, fluido e automático, aí sim você pode pensar em adicionar peso para gerar mais potência.

O Tamanho da Cabeça: A margem de erro (Sweet Spot)

O segundo pilar é o tamanho da “cara” da raquete, a área das cordas. Isso é medido em polegadas quadradas (sq in). Para quem está começando, a lógica é clara: quanto maior a cabeça, melhor. Uma cabeça maior oferece uma área de contato útil maior. Isso é o que chamamos de sweet spot (ponto doce) generoso.

Você vai errar a bola. Você vai bater perto do aro. Uma raquete com cabeça “Oversize” (acima de 102 polegadas quadradas, indo até 115) perdoa esses erros. Mesmo que você bata um pouco fora do centro, a raquete ainda vai devolver a bola com alguma dignidade e potência. Isso torna o jogo mais divertido. Você troca mais bolas, você fica menos frustrado.

Raquetes de performance (para jogadores avançados) têm cabeças menores (95-100 sq in) porque esses jogadores buscam controle e já acertam o sweet spot consistentemente. Você não está nesse ponto. Você precisa de potência fácil e perdão. Procure raquetes com cabeças entre 102 e 108 polegadas quadradas. É a margem de erro que você precisa para se manter no ponto.

O Equilíbrio (Balanço): Onde está o “peso” do golpe?

O último pilar é o equilíbrio, ou “balanço”. É o ponto de equilíbrio da raquete. Ela pode ser “Head Heavy” (peso na cabeça), “Head Light” (peso no cabo) ou “Even” (equilibrada). Você pode testar isso equilibrando a raquete no seu dedo indicador. As raquetes de iniciante (leves e com cabeça grande) são quase sempre “Head Heavy” (peso na cabeça).

Isso parece contra-intuitivo, mas faz sentido. Como a raquete é leve no geral (para ser fácil de manusear), os engenheiros colocam um pouco mais de massa na cabeça. Isso ajuda a dar estabilidade na hora do impacto (a raquete “torce” menos na sua mão) e ajuda a gerar potência. O peso na cabeça faz o trabalho de “empurrar” a bola para você.

Uma raquete com peso no cabo (“Head Light”) é típica de jogadores avançados. Ela é mais manobrável, mas exige que o jogador tenha um swing muito rápido e completo para gerar potência. Para você, uma raquete leve (270g) com equilíbrio levemente voltado para a cabeça (Head Heavy) é a fórmula perfeita. Ela te dará potência e estabilidade sem cansar seu braço.


O Segundo Set da sua Evolução: O Risco de Começar Errado

Eu preciso ser muito honesto com você aqui. A escolha do alumínio não é apenas uma escolha “pior”. Ela pode ser uma escolha ativamente prejudicial para o seu jogo a longo prazo. O tênis é um esporte de “memória muscular”. Você está ensinando seu corpo a fazer movimentos complexos e repetitivos. Se você ensinar errado, ou com a ferramenta errada, você cria vícios. E desaprender um vício é dez vezes mais difícil do que aprender certo da primeira vez.

Quando você joga com uma raquete de alumínio, seu corpo aprende a lidar com ela. Você aprende a encurtar o braço para evitar a vibração. Você aprende a bater com mais força bruta, porque a raquete não te dá potência fácil (só potência “trambolho”). Você não aprende a usar o spin, porque o feel é inexistente. Você está, essencialmente, aprendendo um “esporte diferente”.

O dia que você trocar para o grafite, você terá que reaprender tudo. O timing é diferente, o peso é diferente, a velocidade da bola é diferente. É um passo para trás na sua evolução. Você está jogando o segundo set da sua carreira tenística com uma desvantagem que você mesmo criou lá no primeiro game.

O “Teto” do Alumínio: O limite técnico que ela impõe

Toda raquete tem um “teto”. Um ponto onde o equipamento não consegue mais acompanhar a evolução do jogador. O problema da raquete de alumínio é que esse teto é extremamente baixo. Você vai atingir o limite do alumínio em poucas semanas ou meses de aula. Você vai querer sacar mais forte, mas a raquete vai vibrar. Você vai tentar um slice, mas a bola não vai “pegar” o efeito. Você vai tentar um topspin, mas a raquete não vai te dar a aceleração necessária.

A raquete de alumínio te coloca numa caixa. Ela só serve para uma coisa: bater na bola de forma básica, de frente, no meio da quadra. Qualquer tentativa de adicionar refinamento, efeito, potência controlada ou variação tática é punida pelo equipamento. Ela não foi feita para isso.

Esse teto técnico é frustrante. Você vai me ver ensinando um golpe novo, você vai tentar executar, e a ferramenta não vai responder. Você vai achar que o problema é você, que você “não leva jeito para o tênis”. Muitas vezes, o problema é que você está tentando correr uma maratona de chinelo. A raquete de alumínio é o chinelo. Ela vai te impedir de descobrir seu potencial real no esporte.

O “Tennis Elbow”: O inimigo silencioso do iniciante

Eu preciso bater nessa tecla mais uma vez. O “Tennis Elbow”. A epicondilite lateral. Esse é o risco real, físico, de começar com alumínio. Não é uma possibilidade remota, é uma probabilidade alta se você decidir jogar com frequência (mais de uma vez por semana). A inflamação do tendão do cotovelo é dolorosa, chata de tratar e pode te afastar das quadras por meses. É a lesão mais comum no tênis amador.

O alumínio contribui para isso de duas formas. Primeiro, pela vibração direta, como já falamos. O choque constante inflama a área. Segundo, de forma indireta. Como a raquete é “morta” e não gera potência, o que o iniciante faz? Ele tenta compensar na força. Ele “aperta” o cabo com toda a força no momento do impacto. Ele usa o pulso de forma errada para tentar “dar um tapa” na bola. Esse excesso de tensão muscular, combinado com a vibração, é a receita perfeita para a lesão.

Uma raquete de grafite moderna, leve e com cabeça grande, faz o oposto. Ela gera potência fácil. Você não precisa “bater”; você aprende a “empurrar” e “acelerar”. Você aprende a relaxar o braço, que é o segredo para um golpe fluido e potente. Começar com grafite é começar com uma técnica de prevenção de lesões embutida no equipamento.

A Transição: O custo de trocar de raquete (e de técnica)

Vamos imaginar que você me ignorou. Comprou a de alumínio, jogou por seis meses. Você se apaixonou pelo tênis (apesar da raquete) e agora quer evoluir. Você compra sua primeira raquete de grafite. Você entra em quadra e… tudo dá errado. A bola que você batia com força agora voa para fora da quadra. O grafite é muito mais potente. Seu timing está todo errado. Você tenta o seu golpe antigo, mas a raquete nova é mais leve e chega antes da bola.

Esse período de transição é doloroso. Você vai passar por umas duas ou três semanas de “reaprendizado”. Você vai ter que confiar em mim e “desaprender” os vícios que o alumínio te deu. É um custo de tempo e de frustração. Muitos alunos desanimam nessa fase. Eles sentem que pioraram, quando na verdade estão apenas se ajustando à ferramenta correta.

Evite esse custo. Comece certo. O caminho do aprendizado do tênis já é difícil o suficiente. Ele tem altos e baixos. Não coloque um obstáculo técnico e físico desnecessário no seu próprio caminho. O pequeno valor que você economiza no começo é pago com juros em frustração técnica e risco físico mais tarde.


O Veredito do Professor: A Raquete que Eu Coloco na sua Mão Hoje

Ok, sentou aí, me ouviu por quase uma hora. Você foi um bom aluno. Você entendeu a física, a economia e a medicina por trás dessa decisão. Agora você quer a resposta final. Professor, qual raquete eu compro? Se você fosse meu aluno e estivesse começando as aulas comigo amanhã, comprometido a jogar pelo menos uma vez por semana, a minha recomendação é clara.

Esqueça o alumínio. Ele não é para você. O alumínio é para o resort, para a quadra do prédio onde as pessoas jogam uma vez por ano, ou para crianças bem pequenas que vão bater a raquete no chão. Você é um adulto querendo aprender um esporte novo e fantástico. Você precisa da ferramenta certa. Você vai comprar uma raquete 100% grafite. Não é “fusion”, não é “alumínio-titânio”. É 100% grafite.

Dentro das opções de grafite, você vai procurar a “prateleira de iniciante”. Você vai ignorar as raquetes pretas e pesadas que os profissionais usam. Você vai procurar uma raquete leve (entre 260g e 285g), com cabeça grande (Oversize, acima de 102 sq in) e com o peso levemente na cabeça. Quase toda grande marca (Wilson, Babolat, Head, Yonex) tem uma linha específica assim. Elas são mais baratas que as de performance, mas têm toda a tecnologia de conforto que você precisa. Esse é o seu equipamento. É com ele que você vai aprender seu primeiro topspin. É com ele que você vai acertar seu primeiro ace.

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