Chega mais, senta aí. Vamos bater um papo sério sobre seu equipamento. Você decidiu entrar na quadra, começou a sentir o prazer de acertar aquela direita cruzada e agora veio a pergunta que vale o jogo: “Professor, quanto eu coloco de dinheiro na minha primeira raquete?”
Essa é, talvez, a decisão mais crítica que você vai tomar nos seus primeiros seis meses de tênis. Não é sobre gastar muito; é sobre gastar certo. O que vamos discutir aqui não é um review de um modelo específico, mas um review da decisão de investimento. Você está prestes a definir se seu jogo vai começar com um ace ou com uma dupla falta.
Vamos analisar o mercado, entender a diferença entre uma ferramenta de R$ 200 e uma de R$ 800, e descobrir qual delas vai realmente ajudar você a evoluir seu swing e, o mais importante, evitar que você visite um fisioterapeuta antes de completar seu primeiro mês de aula. Pegue sua água, porque a aula sobre investimento vai começar.
O “Break Point” do Investimento: Por que a primeira escolha importa
Aqui é onde o jogo vira. Muita gente acha que a primeira raquete é um “quebra-galho”, algo temporário. Mas pense nela como o alicerce da sua casa. Se você construir seu forehand em cima de uma base ruim, você vai desenvolver vícios técnicos e, pior, pode machucar seu braço. A primeira raquete define como seu corpo aprende a absorver o impacto.
Ela é sua parceira de dança. Se você pega uma parceira que vibra demais, que é dura ou pesada demais para seu ritmo, você vai pisar no pé dela, vai ficar desajeitado e não vai querer voltar para a aula. A escolha certa, no entanto, te dá confiança. Ela torna o aprendizado mais fácil, faz o sweet spot parecer maior e protege seu cotovelo e punho.
É um break point financeiro e técnico. Se você economiza agora, você quase certamente vai gastar o dobro depois, seja comprando uma segunda raquete em três meses ou pagando por sessões de tratamento. O investimento inicial não é um custo; é uma matrícula na sua evolução correta dentro do esporte.
O erro de “economizar” (A síndrome do alumínio)
O maior erro que eu vejo na quadra 1 é o aluno que chega feliz da vida com uma raquete de alumínio que custou R$ 180 numa loja de departamento. O alumínio é um material barato e ótimo para fazer bicicletas, mas péssimo para absorver o impacto da bolinha. O que acontece quando você bate? A vibração inteira sobe pelo seu cabo, passa pelo seu punho e explode no seu cotovelo. Você está, literalmente, pagando para se machucar.
Essa “economia” é uma ilusão. A raquete de alumínio é dura, pesada (ou leve demais de um jeito ruim, sem massa para estabilizar o golpe) e tem um sweet spot minúsculo. Você vai acertar a bola e sentir aquele “choque” desagradável. Seu cérebro, instintivamente, vai começar a encurtar o movimento para evitar a dor, e aí você começa a bater só com o braço, travando o ombro. Você está aprendendo a jogar tênis de forma errada por causa do equipamento.
Pior: em dois ou três meses, se você levar as aulas a sério, você vai sentir que não evolui. A bola não anda, o controle é zero e seu braço dói. Você vai me perguntar o que está errado, eu vou pegar sua raquete, olhar para ela e dizer: “O problema está aqui”. Aí você vai ter que comprar outra. O barato saiu caro, e você perdeu três meses desenvolvendo uma técnica defensiva e com vícios.
O que você “compra” com uma raquete melhor (Grafite vs. Fusão)
Quando você sobe um degrau no preço, você sai do alumínio e entra no mundo da “fusão” (alumínio com grafite) ou, idealmente, do grafite 100%. O que você está comprando não é a marca; você está comprando tecnologia de absorção de impacto e estabilidade. O grafite é um material muito mais sofisticado. Ele é leve, mas ao mesmo tempo firme, e consegue dissipar a vibração do impacto antes que ela chegue na sua mão.
Uma raquete de grafite (ou uma boa composição de grafite) oferece uma área de sweet spot muito mais generosa. Isso significa que, mesmo que você não pegue a bola perfeitamente no centro das cordas (o que é normalíssimo para um iniciante), a raquete não vai torcer na sua mão. Ela “perdoa” mais seus erros. Isso se traduz em mais confiança, mais bolas na quadra e menos frustração.
Além da absorção e do sweet spot, o grafite permite que os engenheiros “brinquem” com o equilíbrio da raquete. Eles conseguem colocar peso no cabo para dar mais controle, ou na cabeça para dar mais potência, sem fazer a raquete parecer um martelo. Você compra conforto, estabilidade, potência controlada e, acima de tudo, saúde para o seu braço.
Definindo seu “Game Plan”: Você vai jogar casualmente ou treinar?
Essa é a pergunta fundamental antes de definir o valor. Você precisa ser honesto com seu plano de jogo. Você é o jogador “social”? Aquele que vai bater uma bola com os amigos no fim de semana, uma vez a cada quinze dias, sem compromisso com aula, só pela diversão? Se for esse o caso, talvez uma raquete de fusão (alumínio e grafite), na faixa dos R$ 300 a R$ 400, seja suficiente. Ela é melhor que o alumínio puro e não exige um investimento alto para um uso tão esporádico.
Agora, você se matriculou nas aulas. Você planeja vir uma ou duas vezes por semana. Você quer aprender o slice, calibrar o topspin, sacar melhor. Você está comprometido com a evolução. Se esse é você, seu investimento precisa ser outro. Você precisa de uma ferramenta que acompanhe seu aprendizado. Você precisa de uma raquete 100% grafite, que vai te proteger e te dar o feedback correto do golpe.
O jogador que treina vai bater milhares de bolas a mais que o jogador casual. Cada uma dessas batidas gera impacto. Se você vai treinar sério, seu braço precisa de proteção séria. O investimento aqui muda de patamar, porque a exigência do seu corpo muda de patamar. Não adianta querer correr uma maratona com um tênis de passeio; você não vai terminar a prova.
Faixas de Preço: Separando o “Saque” da “Devolução”
O mercado de raquetes é dividido em categorias bem claras. Entender essas faixas de preço é como entender quando sacar firme no meio e quando buscar um kick aberto. Cada faixa tem um objetivo claro e um público-alvo. Se você errar a faixa, você vai jogar o game errado.
Vamos quebrar o que você realmente leva para casa em cada nível de investimento. É crucial que você veja isso não como “barato” ou “caro”, mas como “adequado” ou “inadequado” para o seu momento atual. Uma raquete de R$ 2.000 é tão ruim para um iniciante quanto uma de R$ 200 é para um profissional.
O equilíbrio é a chave. Você precisa de uma raquete que não seja nem tão básica que te limite, nem tão avançada que te atrapalhe. O preço é um indicador forte de onde a raquete se encaixa nesse espectro. Vamos decifrar esses números.
A Faixa “Recreativa” (Abaixo de R$ 400)
Aqui é o território do alumínio e das raquetes de “fusão” (também chamadas de composite). São aquelas raquetes que você encontra em grandes lojas de esporte, geralmente já com corda e capa. Marcas famosas como Wilson, Head e Babolat têm modelos nessa faixa (como a Wilson Fusion XL ou a Babolat Eagle). Elas são feitas para o jogador casual, aquele que vai ao clube no domingo bater uma bola sem compromisso.
O material principal aqui é o alumínio. Ele é barato de produzir, mas vibra muito. O impacto da bola é transferido quase integralmente para o seu braço. Para quem joga uma vez por mês, o risco é baixo. Mas se você decidir fazer aulas com uma raquete dessas, a chance de desenvolver tennis elbow (a famosa dor no cotovelo) é altíssima. Elas são geralmente muito leves ou têm o peso todo concentrado na cabeça, o que força seu punho.
Minha recomendação sobre essa faixa? Se você está apenas testando o esporte e não sabe se vai ficar nele mais de um mês, pode ser um ponto de partida. Mas esteja ciente: se você gostar e decidir treinar, essa raquete se tornará obsoleta e perigosa em menos de 60 dias. É um investimento com prazo de validade curtíssimo.
A Faixa “Iniciante Sério” (R$ 500 – R$ 900)
Este é o sweet spot do investimento para quem vai começar a treinar. É aqui que o jogo muda. Nessa faixa de preço, você deixa o alumínio para trás e entra no território do grafite 100%. Modelos como a Babolat Evoke, a Wilson Clash 100L (em promoção) ou linhas de entrada da Yonex (como a VCore Ace) moram aqui. Elas são projetadas especificamente para quem está aprendendo.
O que você ganha? Primeiro, conforto. O grafite absorve a vibração. Seu braço agradece. Segundo, estabilidade. Mesmo sendo leves (geralmente entre 260g e 285g), elas não torcem na mão quando você bate fora do centro. Terceiro, potência fácil. Elas têm a cabeça maior (acima de 100 polegadas quadradas) e um equilíbrio que ajuda a bola a andar sem que você precise fazer uma força descomunal.
Este é o investimento que eu chamo de “pagar uma vez só”. Você compra uma raquete dessa faixa e ela vai te acompanhar tranquilamente pelos seus primeiros dois, talvez três anos de evolução. Você vai aprender o forehand, o backhand e o saque nela. Ela só vai pedir troca quando seu jogo já estiver sólido e você precisar de uma raquete de performance.
A Faixa “Exagerada” (Acima de R$ 1.000)
Aqui moram as raquetes de performance. São as armas que você vê os profissionais usando (ou versões muito parecidas). São raquetes 100% grafite de alta tecnologia, pesadas (acima de 300g), com a cabeça menor (abaixo de 100 sq in) e equilíbrio voltado para o cabo (para dar mais controle). Elas são feitas para jogadores que já têm o swing completo, rápido e que geram a própria potência.
Por que é um exagero para um iniciante? Porque essa raquete não te ajuda em nada. Ela exige muito de você. Se você não tem um swing longo e rápido, a bola simplesmente não anda. Por ter a cabeça menor, ela “perdoa” menos os erros. Por ser mais pesada, ela vai cansar seu braço rapidamente e pode até te machucar se sua musculatura ainda não estiver preparada. Você vai sentir que está jogando com uma tábua.
Não caia na tentação de comprar a raquete do Nadal ou do Federer para começar. Elas são ferramentas de precisão para quem já sabe o que está fazendo. Pegar uma raquete dessas agora é como um aluno de autoescola tentar dirigir um carro de Fórmula 1. Você não vai conseguir sair do lugar e provavelmente vai bater no muro.
As Especificações que Mudam o Jogo (Não é só preço)
Dinheiro é importante, mas o que realmente define sua primeira raquete são as especificações técnicas. Você precisa aprender a ler uma raquete. O preço é, na maioria das vezes, um reflexo direto desses três pilares: material (que já discutimos), peso e equilíbrio, e o tamanho da cabeça. Não adianta gastar R$ 800 em uma raquete de grafite se ela tiver as especificações erradas para você.
Vamos entrar na “mecânica” da raquete. É como ajustar o banco e os retrovisores do carro antes de dirigir. Se você pegar uma raquete com o peso errado, seu jogo vai ficar lento. Se o equilíbrio estiver no lugar errado, você vai perder controle. E se a cabeça for pequena demais, você não vai acertar nada.
Ignorar esses três pontos é o caminho mais rápido para a frustração. Você vai culpar seu swing, sua velocidade, seu professor. Mas, na verdade, você pode estar apenas lutando contra o seu próprio equipamento. Vamos ajustar isso agora.
Peso e Equilíbrio (Onde está o “Sweet Spot” do iniciante?)
Para um iniciante, o peso ideal (sem corda) fica entre 260 e 290 gramas. Abaixo disso, a raquete fica instável demais e vibra muito. Acima disso, fica pesada para aprender o movimento correto do swing e pode fadigar seu ombro. A maioria das raquetes de “iniciante sério” (grafite) mora nessa faixa de 270g, 275g, 280g. É o ideal para ter estabilidade sem exigir um esforço físico que você ainda não tem.
O equilíbrio é onde esse peso está distribuído. Ele pode ser “Peso na Cabeça” (Head Heavy – HH), “Equilibrada” (Even Balance – EB) ou “Peso no Cabo” (Head Light – HL). Raquetes de alumínio baratas costumam ser HH, o que parece dar potência, mas força demais o punho. Raquetes de performance (para avançados) são HL, para dar mais controle e velocidade de manuseio.
Para você, iniciante, o ideal é uma raquete levemente “Peso na Cabeça” (HH) ou “Equilibrada” (EB). Uma raquete de 275g com equilíbrio voltado para a cabeça (algo como 330mm ou 335mm de ponto de equilíbrio) vai te dar potência fácil. A própria raquete faz o trabalho de “empurrar” a bola, e você pode focar em aprender a técnica correta do movimento, sem precisar “bater” com toda a força.
Tamanho da Cabeça (Por que maior é melhor no começo)
O tamanho da cabeça é medido em polegadas quadradas (sq in) ou centímetros quadrados (cm²). Para quem está começando, a regra é clara: cabeça grande. Estamos falando de raquetes entre 100 e 105 polegadas quadradas. Algumas raquetes de alumínio chegam a 112 ou 115, o que é um exagero e perde todo o controle, mas a faixa de 100 a 105 é perfeita.
Por que maior? Simplesmente porque aumenta a área do sweet spot. Você tem uma margem de erro maior. No início, sua coordenação olho-mão ainda está em desenvolvimento. Você vai errar o centro da raquete muitas vezes. Uma cabeça maior “perdoa” essas batidas ruins, a bola ainda vai passar pela rede e a raquete não vai vibrar tanto. Isso gera confiança.
Raquetes de performance, usadas por profissionais, têm cabeças menores (95, 97, 98 sq in). Elas oferecem um controle cirúrgico, mas exigem que o jogador acerte o sweet spot em quase todos os golpes. Se você pegar uma raquete dessas, vai sentir que está jogando com uma colher de chá. Fique na faixa das 100 a 105 polegadas.
Grip (A empunhadura que evita lesões)
Este é o item mais negligenciado e, talvez, o mais perigoso. O grip é a grossura do cabo. No Brasil, os tamanhos mais comuns são L2 (4 1/4), L3 (4 3/8) e L4 (4 1/2). Pegar um grip errado é receita para desastre. Se o grip for muito pequeno para sua mão, você terá que apertar o cabo com muita força para a raquete não girar. Isso gera uma tensão absurda no seu antebraço e é a causa número um de tennis elbow.
Se o grip for muito grande, você perde a mobilidade do punho. Fica difícil fazer os ajustes finos para um slice ou um volley, e seu antebraço também cansa tentando “fechar” a mão em algo grande demais. A regra geral é: segure a raquete com sua empunhadura de forehand. Deve sobrar um espaço entre a ponta dos seus dedos (anelar e médio) e a base da sua palma, mais ou menos da grossura de um dedo indicador.
Na dúvida, erre para o menor. É muito fácil engrossar um grip L2 para L3 usando um overgrip (aquela fita que colocamos por cima do grip original). Mas é impossível ou muito difícil diminuir um L3 para L2. A maioria dos homens adultos fica entre L3 e L4, e a maioria das mulheres entre L2 e L3. Peça ajuda ao seu professor ou em uma loja especializada para medir sua mão.
Comparativo de Jogo: Onde seu dinheiro realmente atua
Vamos colocar na quadra. Como essas diferentes faixas de preço se comportam na prática? A diferença não é sutil. É a diferença entre sentir a bola “estourar” nas cordas ou sentir um “choque” no cotovelo. É a diferença entre uma bola que voa com topspin e cai dentro, e uma bola que vai direto no fundo da tela.
O investimento se traduz em sensações. E no tênis, sensações são tudo. Você precisa de feedback. A raquete precisa “conversar” com você, dizendo se você bateu certo ou errado. Raquetes de alumínio só “gritam” (vibram). Raquetes de grafite “conversam”., ao escolher uma boa raquete de tênis para iniciantes
Vamos analisar três perfis de raquete e o que elas entregam no rally.
Tabela Comparativa (3 modelos: Alumínio, Grafite de Entrada, Grafite Performance)
Para ilustrar, vamos comparar três tipos de raquete que representam as faixas de investimento.
| Característica | Faixa 1: Recreativa (Alumínio) | Faixa 2: Iniciante Sério (Grafite) | Faixa 3: Performance (Grafite Avançado) |
| Exemplo de Modelo | Wilson Fusion XL | Babolat Evoke 102 | Head Radical MP |
| Material Principal | Alumínio | Grafite | Grafite de alta densidade |
| Faixa de Preço Média | R$ 200 – R$ 400 | R$ 500 – R$ 900 | R$ 1.300 – R$ 2.000 |
| Peso Médio (sem corda) | 270g – 295g (variável) | 265g – 285g | 300g – 320g |
| Tamanho da Cabeça | 105 – 115 sq in (Grande) | 100 – 105 sq in (Ideal) | 95 – 98 sq in (Pequena) |
| Sensação no Golpe | Dura, alta vibração, “choque” | Macia, confortável, estável | Sólida, precisa, exigente |
| Potência | Baixa (exige força bruta) | Alta (potência fácil) | Baixa (jogador gera a potência) |
| Controle | Muito baixo | Bom | Cirúrgico |
| Risco de Lesão | Alto (vibração excessiva) | Baixo (ótima absorção) | Médio (exige físico preparado) |
| Ideal para… | Jogador casual (1x por mês) | Aluno iniciante/intermediário | Jogador avançado/competitivo |
A sensação no braço: O “Tennis Elbow” mora no alumínio
Vamos ser diretos. O tennis elbow (epicondilite lateral) é o seu maior inimigo como iniciante. É uma inflamação nos tendões do cotovelo causada por impacto repetitivo e vibração. Uma raquete de alumínio é uma fábrica de vibração. Cada golpe que você dá, especialmente os mal centrados, envia um shockwave direto para esses tendões, que ainda não estão acostumados com o esforço.
Quando você investe numa raquete de grafite (Faixa 2), você está comprando saúde. As fibras de grafite são projetadas para dissipar essa energia. A sensação é de um golpe “macio”, “limpo”. Você pode jogar por uma hora e meia e sentir apenas o cansaço muscular normal do exercício, e não aquela dor aguda e pontual no cotovelo ou no punho. Parece um detalhe, mas é o que vai te manter na quadra semana após semana.
A raquete de performance (Faixa 3), embora seja de grafite, apresenta outro risco. Por ser pesada e rígida, se sua técnica não estiver polida, você vai tentar “atrasar” o golpe ou usar força excessiva do punho para compensar, o que também pode levar à lesão. Por isso, a Faixa 2 é a zona de segurança: leve o suficiente para não cansar, tecnológica o suficiente para proteger.
A evolução do seu “Swing”: Como a raquete limita ou libera seu golpe
Uma raquete de alumínio barata vai te ensinar a bater “curto” e “travado”. Como ela vibra, seu instinto será não completar o movimento de swing (a aceleração e terminação do golpe) para evitar o desconforto. Você vai desenvolver o famoso “golpe de lenhador”, curto e duro. Isso é um vício técnico terrível, difícil de corrigir depois. A raquete está te limitando.
Quando você pega uma raquete de grafite da Faixa 2, ela te convida a fazer o swing completo. Como ela é confortável e gera potência fácil, você aprende a relaxar o braço e usar o movimento do corpo. Você aprende o topspin (o efeito para a bola cair dentro) de forma natural, pois a raquete te dá a estabilidade para “raspar” a bola. Ela libera seu potencial de aprendizado.
A raquete de performance (Faixa 3) te limita de outra forma: ela exige um swing que você ainda não tem. Você vai tentar bater forte, mas a bola não vai andar, porque falta peso e aceleração da sua parte. Você só vai conseguir usar 30% do potencial dessa raquete, e os outros 70% vão trabalhar contra você.
O “Segundo Saque”: Quando trocar a primeira raquete?
Você comprou a raquete certa, da Faixa 2. Você treinou por um ano, dois anos. Seu jogo evoluiu. Você já não é mais um iniciante. Você agora tem golpes sólidos, saca com consistência e começa a arriscar subidas à rede. Naturalmente, você vai sentir que a raquete que te trouxe até aqui talvez esteja começando a te segurar.
A troca da primeira raquete é um marco importante. É o seu “segundo saque” no investimento em equipamento. É quando você sai da fase de “aprender” e entra na fase de “competir” ou “performar”, mesmo que seja só contra seus amigos do clube.
Reconhecer esse momento é fundamental. Não é preciso ter pressa, mas também não se deve demorar demais. Uma raquete de iniciante pode te segurar se você já estiver pronto para mais controle e mais peso.
O “match” acabou para ela: Sinais de que você evoluiu
Como saber que a raquete ficou “pequena” para o seu jogo? O primeiro sinal é a potência excessiva. Aquela raquete de cabeça 102 sq in e equilíbrio na cabeça, que te dava potência fácil, agora faz suas bolas voarem. Você tenta bater mais forte e a bola sai no fundo. Você sente que precisa de mais controle, de uma raquete que te permita bater com tudo e ainda assim colocar a bola dentro.
O segundo sinal é a estabilidade. Você começa a jogar com pessoas que batem mais pesado. Quando você vai bloquear o saque ou devolver uma bola forte, você sente a raquete “torcer” ou vibrar na sua mão. Ela parece “leve” demais para o nível de pancada que você está enfrentando. Você precisa de mais massa (peso) para ter estabilidade na devolução.
O terceiro sinal é técnico. Você já domina o topspin, mas quer mais. Você quer uma raquete mais “rápida” pelo ar (com peso no cabo) para gerar ainda mais rotação na bola. Você sente que a raquete de iniciante é “lenta” para os ajustes finos do seu jogo. Quando esses três sinais aparecem, é hora de olhar para a Faixa 3.
O investimento na transição (Da raquete “leve” para a “performance”)
A transição da raquete de iniciante (Faixa 2) para a de performance (Faixa 3) é delicada. Aqui, o investimento vai pular para a casa dos R$ 1.000 a R$ 2.000. O erro comum é dar um salto muito grande. Sair de uma raquete de 270g para uma de 315g de uma vez é um choque para o braço. A transição ideal é gradual.
Procure raquetes na faixa das 290g a 300g. Elas são a ponte perfeita. Elas já oferecem o controle e a estabilidade de uma raquete de performance (cabeça 100 ou 98 sq in, equilíbrio mais voltado para o cabo), mas sem o peso excessivo das raquetes dos profissionais. Muitas linhas famosas (como a Pure Drive, a Clash, a Speed) têm versões de 300g que são as raquetes mais vendidas do mundo.
Esse é um investimento que vai durar muitos anos. Uma raquete de performance de boa qualidade, se bem cuidada, te acompanha por 5, 10 anos. Você só vai trocá-la por tecnologia nova ou se seu jogo mudar drasticamente de novo. Aqui, você não está mais comprando “conforto”, mas sim “precisão”.
Cordas e Customização: O upgrade antes do upgrade
Antes de gastar R$ 1.500 em uma raquete nova, às vezes o “upgrade” que você precisa está nas cordas. A corda é 50% da sua raquete. Muitas vezes, a raquete de iniciante (Faixa 2) vem com uma corda de nylon básica, que perde a tensão rápido e não oferece muito efeito. Você pode estar sentindo que a bola está “voando” não por causa da raquete, mas porque a corda está “morta”.
Experimente trocar o encordoamento. Peça ao seu professor ou a um especialista (o stringer) para colocar uma corda diferente. Talvez um multifilamento mais macio para conforto, ou um monofilamento (poliéster) mais firme para te dar mais controle e spin. Colocar uma tensão um pouco mais alta também pode segurar a bola.
Esse é um “upgrade” que custa entre R$ 50 e R$ 120, e pode dar uma sobrevida de mais seis meses à sua raquete atual. Você pode descobrir que, com a corda certa, sua raquete de iniciante ainda tem muito jogo para dar. Nunca subestime o poder de um bom encordoamento.
O Veredito do Professor: O investimento “sem dupla falta”
Estamos no tie-break da nossa conversa. Você entendeu as faixas de preço, os materiais, as especificações e o caminho da evolução. Agora, você quer a resposta direta. “Professor, o que eu faço? Me dá o valor.” O tênis não é uma ciência exata, mas minha experiência me dá algumas certezas.
A sua primeira compra deve ser um ato de inteligência, não de impulso. Não compre pelo tenista que patrocina, nem pela cor. Compre pela sua saúde e pelo seu aprendizado. A raquete certa vai acelerar sua evolução. A errada vai te fazer parar de jogar.
O investimento correto é aquele que te mantém na quadra, feliz e sem dor.
A recomendação “Padrão Ouro” para o aluno dedicado
Se você está se matriculando nas aulas e tem o compromisso de treinar pelo menos uma vez por semana, fuja da Faixa 1 (alumínio). Não gaste R$ 300. Você vai jogar esse dinheiro fora. Junte um pouco mais. O investimento “Padrão Ouro”, que não tem erro, está na Faixa 2.
Planeje gastar entre R$ 500 e R$ 900. Dentro dessa faixa, você vai comprar uma raquete 100% grafite, com peso entre 270g e 285g, cabeça entre 100 e 105 sq in, e equilíbrio que te ajude na potência. Qualquer marca de renome (Wilson, Babolat, Head, Yonex, Prince) terá excelentes opções nessa categoria.
Esse é o investimento “sem dupla falta”. Você gasta uma vez e resolve seu problema de equipamento por, no mínimo, dois anos. Você vai proteger seu braço, sua técnica vai evoluir corretamente e você vai se divertir muito mais, porque a raquete vai trabalhar para você, e não contra você.
Testando antes de comprar: O “Test Drive”
Você não compra um carro sem fazer um test drive, certo? Com raquetes de performance (Faixa 3), isso é regra. Mas mesmo na Faixa 2, se você tiver a oportunidade, teste. Muitas lojas especializadas em tênis (não as de departamento) oferecem raquetes-teste. Você paga um pequeno valor, leva para a aula e sente a raquete na prática.
Leve duas ou três opções para a aula. Bata um forehand, um backhand, saque. Sinta qual delas parece uma extensão do seu braço. Às vezes, uma raquete que é perfeita no papel não “casa” com o seu feeling. O feedback que você sente na mão é o juiz final.
Se você não puder testar, peça para segurar a raquete de colegas de aula que tenham modelos dessa faixa. Sinta o peso, o equilíbrio. Pergunte ao seu professor. Ele já viu centenas de alunos passarem por isso e sabe quais modelos funcionam melhor para quem está começando.
Onde comprar: Loja física especializada vs. Internet
A internet quase sempre terá o preço melhor. Você pode achar aquela raquete de R$ 900 por R$ 750 em uma promoção online. É tentador. Contudo, especialmente na primeira compra, a loja física especializada tem um valor que a internet não tem: o especialista.
Ir a uma loja que só vende artigos de tênis significa conversar com alguém que entende de grip, tensão de corda e equilíbrio. Ele vai medir sua mão. Ele vai te fazer as perguntas certas (“Quantas vezes por semana você joga? Qual seu objetivo?”). Ele pode te impedir de comprar a raquete errada. O pequeno ágio que você paga na loja física é pelo serviço de consultoria, que é vital na primeira compra.
Uma boa estratégia é: vá à loja física, experimente os modelos, descubra seu tamanho de grip (L2, L3?), sinta o peso. Depois, você pode usar essa informação para procurar o melhor preço online. Mas nunca compre sua primeira raquete “às cegas” na internet só porque ela estava barata. É o caminho mais fácil para errar o approach.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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