E aí, tudo certo na quadra? Aqui é seu professor, pronto para desvendar um dos maiores mistérios do nosso esporte. Se você já se pegou olhando para sua raquete, sem a menor ideia de quantas libras pedir ao encordoador, você não está sozinho. A tensão das cordas é, talvez, o ajuste mais pessoal e impactante que você pode fazer no seu equipamento. É o motor da sua raquete. Acertar na tensão pode transformar um golpe mediano em uma arma; errar, pode transformar uma raquete de mil reais em um pedaço de pau inútil ou, pior, em uma passagem direta para a fisioterapia.
Vamos direto ao ponto, sem enrolação. O tênis é um jogo de física aplicada, e a tensão das cordas é o seu principal botão de ajuste. A maioria dos jogadores, especialmente os iniciantes, foca demais na raquete e esquece das cordas. Mas pense assim: a raquete é o chassi do carro, mas as cordas e a tensão são o motor e os pneus. É ali que a mágica acontece. É ali que você define se seu jogo terá mais controle ou mais potência.
Neste guia, vamos “dissecar a bola”. Não vou apenas dizer “use 50 libras”. Eu vou te ensinar a pensar como um profissional na hora de escolher sua tensão. Vamos passar do básico, o “arroz com feijão” do iniciante, até os ajustes finos que os jogadores avançados usam para ganhar aquela vantagem mínima. Pegue sua raquete, preste atenção, porque a aula vai começar.
O Conceito Central: O Efeito Trampolim vs. O Eito “Tábua”
Para entender a tensão, você precisa entender o que acontece no milissegundo em que a bola acerta suas cordas. Esse é o “momento da verdade”. A tensão que você escolhe dita exatamente como essa interação ocorre. Basicamente, você está escolhendo entre duas filosofias opostas: a filosofia do “trampolim” (tensões baixas) ou a filosofia da “tábua” (tensões altas).
Uma tensão mais baixa permite que as cordas se estiquem mais no impacto. Elas afundam e, como um elástico esticado, disparam a bola de volta com mais velocidade. Isso é o efeito trampolim. Por outro lado, uma tensão muito alta faz com que as cordas fiquem rígidas, quase como uma parede ou uma tábua. Elas não se movem muito. A bola bate e volta, mas a energia que a faz voltar vem quase inteiramente do seu braço, não das cordas.
Não existe certo ou errado aqui, existe o que é certo para o seu jogo. Se você é um jogador que tem um swing curto ou não tem tanta força física, talvez o trampolim seja seu melhor amigo. Se você é um jogador que bate forte, com um swing longo e agressivo, e suas bolas estão constantemente saindo no fundo da quadra, talvez você precise de menos trampolim e mais “tábua” para manter a bola dentro das linhas.
Tensão Baixa: A Busca pela Potência e Conforto
Vamos falar sobre o lado “macio” da força: as tensões baixas. Quando você pede ao seu encordoador para colocar menos libras na sua raquete (digamos, algo abaixo de 50 libras, ou até na casa dos 40-45 libras para cordas de poliéster), você está comprando potência e conforto. É física pura. Com menos tensão, as cordas formam uma “cama” mais funda quando a bola bate. Elas absorvem a energia do impacto, seguram a bola por uma fração de segundo a mais e a catapultam de volta. O resultado é velocidade de bola “grátis”, sem que você precise fazer tanta força.
O segundo grande benefício é o conforto. Uma tensão baixa funciona como um amortecedor. O impacto inicial, aquela vibração que sobe pelo seu braço, é dissipado pela flexibilidade das cordas. Para jogadores que sentem dores no cotovelo (o famoso tennis elbow) ou no ombro, diminuir a tensão pode ser um santo remédio. A raquete fica mais “amigável”, mais suave no braço, e o ponto doce (a área ideal de batida no centro da raquete) parece aumentar de tamanho. A bola anda mesmo quando você não pega perfeitamente no centro.
Mas, como tudo no tênis, não existe almoço grátis. A potência extra vem com um custo: o controle. Quando a bola é catapultada com tanta velocidade, fica mais difícil direcioná-la com precisão. Você pode sentir que a bola está “voando” demais, que você mira na linha de fundo e a bola vai parar na tela. O feel, a sensação de onde a bola vai, pode ficar um pouco vago, como se você estivesse usando uma luva de boxe para pegar uma moeda.
Tensão Alta: A Exigência por Controle e Precisão
Agora vamos para o outro extremo da quadra: as tensões altas. Quando você coloca mais libras (geralmente acima de 55-57 libras), você está dizendo à sua raquete: “Eu cuido da potência, você cuida do controle”. As cordas ficam rígidas, firmes. O efeito trampolim é drasticamente reduzido. Quando a bola bate, as cordas não cedem muito. A bola sai da raquete exatamente com a força e a direção que o seu braço aplicou. É uma sensação muito direta, conectada. Você sente que pode “colocar” a bola em qualquer lugar da quadra.
Esse é o território dos jogadores avançados e profissionais com swings muito rápidos e completos. Eles já geram tanta velocidade de braço que não precisam de ajuda da raquete. Pelo contrário, eles precisam “frear” a bola para que ela caia dentro da quadra. A tensão alta dá a eles a confiança de acelerar o braço ao máximo em um forehand, sabendo que a bola não vai voar para fora. A precisão é cirúrgica.
O lado negativo é óbvio. Primeiro, o conforto vai embora. A raquete fica “dura”. Cada batida fora do centro é sentida diretamente no braço. A vibração é muito maior, e o risco de lesões aumenta se sua técnica não for impecável. Segundo, o ponto doce diminui. Você precisa ser muito preciso para acertar a bola no lugar certo. Se você estiver em um dia ruim, ou cansado, a bola simplesmente não vai andar. Você terá que fazer muito mais esforço físico para passar a bola da rede.
Encontrando o “Sweet Spot” (Ponto Doce)
Então, qual é o segredo? O segredo não é ir para os extremos. O segredo é encontrar o seu ponto doce de tensão, o equilíbrio perfeito que complementa o seu jogo. Você não precisa escolher entre ser um canhão descontrolado ou um paredão sem potência. A maioria dos jogadores vive feliz no meio-termo, na faixa entre 50 e 55 libras, e faz pequenos ajustes a partir daí. O “sweet spot” da tensão é onde você sente que tem potência suficiente, mas o controle ainda está nas suas mãos.
Pense na tensão como o volume de um rádio. Você não ouve no volume 1 nem no 100. Você procura aquele ponto onde a música está clara e agradável. No tênis, esse ponto é onde a raquete parece uma extensão do seu braço. Você sente a bola nas cordas, mas não sente a dor no cotovelo. Você consegue acelerar o golpe, mas a bola ainda cai dentro da quadra com aquele top spin pesado.
A jornada para encontrar essa tensão ideal é pessoal e envolve experimentação. Não tenha medo de testar. Se você sempre usou 55 libras, tente encordoar com 52 da próxima vez. Veja o que acontece. A bola voou demais? Suba para 53. Sentiu que faltou potência? Desça para 50. Anote suas impressões. O tênis é um jogo de ajustes constantes, e a tensão é o seu ajuste mais importante.
O Ponto de Partida: Como Definir sua Primeira Tensão (O Guia para Iniciantes)
Se você está começando a jogar ou se nunca prestou atenção nisso, a quantidade de informação pode parecer assustadora. “Professor, eu só quero bater na bola, por onde eu começo?”. Calma, vamos simplificar. Para quem está começando, o objetivo número um é ter conforto e facilidade para jogar. Precisamos de ajuda da raquete, e não o contrário.
O tenista iniciante geralmente tem um swing mais curto, ainda em desenvolvimento, e não gera tanta potência própria. Além disso, a coordenação motora fina para acertar o ponto doce toda vez ainda não está lá. Portanto, usar uma tensão alta é um tiro no pé. Seria como tentar dirigir um carro de Fórmula 1 na sua primeira aula de direção. Você precisa de uma configuração que perdoe seus erros e te ajude a manter a bola em jogo.
A regra para o iniciante é clara: priorize o conforto e a potência. Isso significa começar com tensões mais baixas. Uma raquete “dura” e de alta tensão vai vibrar muito, vai cansar seu braço e pode até te machucar, criando o temido tennis elbow antes mesmo de você aprender a sacar direito. Vamos facilitar as coisas e tornar a experiência divertida.
A Regra de Ouro: O Ponto Médio da Raquete
Se você olhar com atenção na lateral da sua raquete (geralmente na parte interna do “coração” ou do aro), o fabricante quase sempre imprime uma faixa de tensão recomendada. Você verá algo como “50-60 lbs” ou “22-26 kg”. Essa é a sua “cola” oficial. O fabricante testou aquela raquete extensivamente e sabe em qual faixa ela funciona melhor. Eles estão te dando o caminho das pedras.
Para o jogador iniciante ou intermediário que não tem ideia do que pedir, a regra de ouro é simples: comece exatamente no meio dessa faixa. Se a raquete recomenda 50-60 libras, peça ao seu encordoador para colocar 55 libras. Isso é o seu “Ponto Zero”. É a configuração mais equilibrada que o fabricante projetou. Você não terá potência extrema, nem controle extremo. Você terá um pouco dos dois.
Começar pelo meio é a estratégia mais segura e inteligente. Você estabelece uma base de comparação. A partir daí, você joga algumas semanas com essa tensão. Só depois de ter uma sensação clara de como a raquete está se comportando é que você pode começar a pensar em ajustes finos. Mas, para a maioria dos jogadores recreativos, o ponto médio é um ótimo lugar para se viver.
Ajuste Fino: Quando Subir e Quando Descer as Libras
Ok, você jogou com 55 libras por um mês. E agora? Agora você começa a “ouvir” o que a sua raquete e o seu braço estão dizendo. O ajuste fino é um diálogo com seu equipamento. Você precisa prestar atenção aos sinais. As suas bolas estão caindo consistentemente antes da linha de saque, mesmo quando você sente que bateu bem? Isso é um sinal de falta de potência. Nesse caso, no próximo encordoamento, peça para baixar 2 ou 3 libras. Tente 52 libras e veja como se sente.
Por outro lado, você está acertando o forehand da sua vida, mas a bola está indo parar na cerca do fundo, meio metro além da linha de base? Você sente que não tem controle sobre a profundidade da bola? Isso é um sinal clássico de excesso de potência (ou falta de controle). É hora de subir a tensão. Peça para colocar 57 ou 58 libras. Você vai sentir a raquete ficar mais “firme” e a bola vai obedecer mais ao seu comando.
O mesmo vale para o conforto. Se depois de uma hora de jogo seu cotovelo está “cantando”, é um sinal de alerta. Pode ser a corda, mas pode ser a tensão. Baixar 2 ou 3 libras pode aumentar o conforto drasticamente e te manter longe de lesões. A regra é: faça mudanças pequenas. Mudar de 55 para 45 libras de uma vez é um choque. Mude 2 ou 3 libras de cada vez e sinta a diferença.
O Erro Clássico do Iniciante (e como evitá-lo)
O erro mais comum que vejo nos clubes é o iniciante querer copiar o equipamento do profissional. Ele vê que o Rafael Nadal usa uma tensão X (geralmente alta) e acha que, se usar a mesma tensão, vai jogar como ele. Isso é um desastre. O jogador profissional treina 8 horas por dia desde os 5 anos de idade, tem uma preparação física de atleta olímpico e uma técnica que gera uma velocidade de braço absurda. A tensão alta para ele funciona para controlar a sua força sobre-humana.
Para o iniciante, usar uma tensão de profissional é como tentar levantar 200kg no supino no primeiro dia de academia. Você não vai conseguir, e o risco de se machucar é enorme. O resultado de uma tensão muito alta para um braço não treinado é tennis elbow e frustração. A bola não anda, a raquete parece uma pedra e o jogo fica chato.
Esqueça o que os profissionais usam. Foque no que você precisa. O seu objetivo como iniciante é manter a bola em jogo, desenvolver seus golpes e, acima de tudo, se divertir e não se machucar. Isso quase sempre significa usar uma corda mais macia (como um multifilamento) e uma tensão média para baixa. Deixe a “tábua” para quando você estiver jogando o circuito.
O Nível Avançado: Ajustando a Tensão para Performance
Quando você já passou da fase de “apenas manter a bola em jogo” e começa a competir, a tensão das cordas deixa de ser sobre conforto e passa a ser sobre performance. Aqui, cada libra conta. O jogador avançado tem um swing estabelecido (o “golpe armado”) e sabe exatamente o que quer da bola: mais spin no segundo saque, mais profundidade no backhand, mais controle no slice.
Nesse nível, a tensão é uma ferramenta de ajuste tático. Você pode mudar a tensão dependendo do adversário, da velocidade da quadra ou até mesmo do clima. O jogador avançado não vê mais a tensão como “alta” ou “baixa”, mas como um espectro de sensações. Ele procura o feel perfeito, aquela sensação de conexão total com a bola.
Aqui, não estamos mais falando apenas da faixa média da raquete. Estamos falando de explorar os limites dessa faixa, e às vezes até ultrapassá-los, para obter uma vantagem competitiva. É um jogo de detalhes, onde meio metro de profundidade a mais ou a menos pode decidir o ponto, o set e a partida.
O Estilo de Jogo Manda (Baseliners vs. Saque e Voleio)
O seu estilo de jogo é o fator mais importante para definir a tensão em nível avançado. Você é um baseliner, um jogador de fundo de quadra que vive de trocas longas e top spin? Se sim, você provavelmente vai se beneficiar de tensões um pouco mais baixas. Uma tensão menor permite que as cordas “agarrem” a bola por mais tempo (o chamado dwell time) e se movam mais, gerando mais rotação (spin). A bola sobe mais alto, passa com mais margem da rede e “cai” dentro da quadra. É a receita do top spin moderno.
Agora, você é um jogador agressivo, de saque e voleio, ou que gosta de bater reto (flat) na bola e definir o ponto rápido? Para você, o controle é rei. Você precisa que a bola vá exatamente para onde você está mirando, seja no approach na paralela ou no voleio curto. Tensões mais altas te darão essa precisão cirúrgica. A bola sai mais rápida da raquete, com menos “trampolim”, dando ao adversário menos tempo de reação e a você mais confiança para mirar nas linhas.
O jogador all-court, que mistura os dois estilos, terá o maior desafio: encontrar o equilíbrio. Ele pode optar por uma tensão média que lhe permita trocar bolas do fundo com spin, mas que ainda ofereça firmeza suficiente para quando ele decidir subir à rede. É um ajuste fino constante.
A Influência do Padrão de Cordas (16×19 vs. 18×20)
Você não pode falar de tensão sem falar sobre o padrão de cordas da sua raquete. Olhe para a “cama” de cordas. Ela é mais aberta (menos cordas, como 16×19) ou mais fechada (mais cordas, como 18×20)? Isso muda tudo. Um padrão de cordas aberto (16×19) tem mais espaço entre as cordas. Isso por si só já cria mais potencial de spin (as cordas se movem mais) e mais potência (o efeito trampolim é maior).
Se você usa uma raquete 16×19 e coloca uma tensão muito baixa, o resultado pode ser um “estilingue” descontrolado. Por isso, em padrões abertos, os jogadores geralmente precisam usar tensões um pouco mais altas para compensar e recuperar o controle. A mesma tensão (ex: 52 libras) parecerá muito mais macia e potente em uma raquete 18×20 do que em uma 16×19.
Já o padrão fechado (18×20) é o oposto. As cordas são mais juntas, criando uma sensação naturalmente mais firme e controlada. O potencial de spin e potência é menor. Para “soltar” uma raquete 18×20 e ganhar um pouco mais de potência e spin, os jogadores frequentemente usam tensões mais baixas. Colocar 58 libras em uma raquete 18×20 pode deixá-la parecendo uma tábua de madeira, sem sensação nenhuma.
A Variação de Tensão (Diferença entre Verticais e Horizontais)
Aqui entramos no nível “Jedi” do encordoamento. Muitos jogadores avançados e todos os profissionais não usam a mesma tensão nas cordas verticais (mains) e nas horizontais (crosses). Por quê? Porque elas têm trabalhos diferentes. As cordas verticais são as principais responsáveis pelo spin. Elas se movem para frente e para trás para “arranhar” a bola. As cordas horizontais são as que seguram as verticais no lugar e definem a firmeza da cama de cordas.
Uma prática muito comum é encordoar as cordas horizontais (crosses) com 2 a 4 libras a menos do que as verticais (mains). Por exemplo, 55 libras nas verticais e 52 nas horizontais. Isso é feito por algumas razões. Primeiro, ajuda a aumentar o movimento das cordas verticais, gerando ainda mais spin (o chamado snapback). Segundo, ajuda a aumentar o tamanho do ponto doce e o conforto geral da raquete, já que a cama de cordas fica, em média, um pouco mais macia.
Testar essa variação é algo para quem já tem seu jogo bem definido. Comece com uma diferença pequena (2 libras) e veja se você gosta da sensação. Alguns jogadores preferem a sensação sólida de ter a mesma tensão em ambas, enquanto outros (especialmente os que usam encordoamentos híbridos) dependem dessa variação para otimizar a performance do seu equipamento.
A Relação Oculta: Tensão, Tipo de Corda e Durabilidade (NOVO H2)
Não dá para ter uma conversa séria sobre tensão sem colocar o tipo de corda na mesa. A tensão não existe no vácuo. 50 libras em uma corda de poliéster é um mundo completamente diferente de 50 libras em uma corda de tripa natural. O material da corda dita como a tensão se comporta, quanto tempo ela dura e qual será a sensação no seu braço.
Pense na tensão como a “quantidade” e no material da corda como a “qualidade” da sua cama de cordas. Um poliéster é rígido por natureza. Um multifilamento é macio. Um é focado em controle e spin (poly), o outro em conforto e potência (multi). Aplicar a mesma tensão nos dois vai gerar resultados drasticamente diferentes.
Muitos jogadores cometem o erro de trocar o tipo de corda (por exemplo, sair de um multifilamento para um poliéster) e manter a mesma tensão. Isso é um erro grave. Quando você muda o material da corda, você precisa reavaliar a tensão. Caso contrário, você pode estar jogando com uma configuração totalmente inadequada, prejudicando seu jogo e arriscando seu cotovelo.
Cordas de Poliéster (Co-poly): A Revolução das Baixas Tensões
O poliéster (ou “co-poly”) mudou o jogo de tênis. Se você assiste tênis profissional hoje, você está vendo um jogo dominado pelo poliéster. Essas cordas são rígidas, duráveis e têm baixa potência. A sua maior virtude é permitir que os jogadores batam na bola com força máxima, gerando uma quantidade absurda de top spin, sem que a bola saia voando. Elas oferecem controle e spin acima de tudo.
Por serem tão rígidas, as cordas de poliéster são péssimas com tensões altas (a menos que você seja um profissional de ponta). Colocar 60 libras em um poliéster é uma receita para lesão. A raquete vira uma pedra. A revolução que o poliéster trouxe foi, paradoxalmente, a revolução das baixas tensões. Os jogadores descobriram que, ao encordoar o poliéster com 50, 48, 45 ou até menos de 40 libras, eles conseguiam o melhor dos dois mundos: o controle de spin do material, combinado com a potência e o conforto da tensão baixa.
Se você decidir migrar para uma corda de poliéster, a regra geral é: comece com pelo menos 10% a menos de tensão do que você usava em um multifilamento ou tripa sintética. Se você usava 55 libras, tente o poliéster com 50 ou 48 libras no máximo. O poliéster foi feito para ser usado em tensões mais baixas pela vasta maioria dos jogadores.
Multifilamentos e Tripa Natural: Conforto Exige Tensão?
Do outro lado do espectro, temos as cordas macias: multifilamentos e a lendária tripa natural. Esses materiais são feitos para gerar potência e conforto. Eles são muito mais elásticos que o poliéster. Um multifilamento é composto por centenas (às vezes milhares) de pequenas fibras, imitando a estrutura da tripa natural. Elas são excelentes em absorver o choque e retornar energia para a bola.
Como essas cordas já são naturalmente potentes, os jogadores geralmente as utilizam com tensões médias para altas. Se você usar um multifilamento com 45 libras, a bola pode voar de forma incontrolável. Para “domar” a potência dessas cordas e adicionar controle, é comum vê-las encordoadas com 55, 58 ou até mais de 60 libras. A tripa natural, por exemplo, segura a tensão incrivelmente bem, então os jogadores podem usar tensões altas sem que a corda perca suas propriedades rapidamente.
Se você sofre com dores no braço, um multifilamento é seu melhor amigo. Mas esteja preparado para encordoar com uma tensão um pouco mais alta do que faria com um poliéster, para garantir que você tenha o equilíbrio certo entre conforto, potência e controle. A desvantagem? Elas quebram mais rápido e se movimentam mais na raquete.
O Dilema da Perda de Tensão: Quando Reencordoar
Aqui está um segredo sujo que poucos contam: suas cordas começam a perder tensão no segundo em que saem da máquina de encordoar. E elas perdem tensão rápido. Isso é especialmente verdadeiro para cordas de poliéster. Aquelas 50 libras que você pediu podem virar 45 libras depois de duas ou três partidas. A corda “morre”. Ela perde a elasticidade, a capacidade de gerar spin e a sensação.
O maior erro do jogador amador é esperar a corda quebrar para reencordoar. Um poliéster, em particular, raramente quebra para um jogador amador. Ele “morre” muito antes. Você pode estar jogando há seis meses com a mesma corda, que agora está com 30 libras de tensão, parecendo uma rede de pesca, e seu cotovelo está gritando por socorro. A corda morta é dura, sem vida e perigosa.
A regra profissional é reencordoar com a mesma frequência em horas que você joga por semana. Joga 3 vezes por semana? Você deveria reencordoar a cada 3 meses. Mas para cordas de poliéster, o prazo é ainda menor. Se você joga sério, um poliéster não dura mais do que 20 horas de jogo. A perda de tensão é o fator principal. Não espere quebrar. Troque quando a sensação mudar, quando o spin diminuir ou quando seu braço começar a doer.
Mitos e Verdades: O Que os Profissionais Fazem e o Amador Copia (Errado) (NOVO H2)
O circuito profissional é uma vitrine fantástica, mas também é uma fonte perigosa de desinformação para o jogador amador. O que funciona para um atleta de elite, com um corpo preparado e uma equipe de apoio, quase nunca se aplica ao jogador de fim de semana. Achar que o equipamento é um atalho para o bom tênis é o primeiro passo para a frustração.
Vemos jogadores no clube tentando copiar o saque do Alcaraz, o backhand do Djokovic e o equipamento do Nadal. A cópia do equipamento é a mais fácil de fazer, mas também a mais inútil. A tensão das cordas é o exemplo perfeito disso. O que um profissional busca na sua tensão é radicalmente diferente do que um amador precisa.
Vamos quebrar alguns mitos. O tênis profissional de hoje é jogado com uma física que não existia há 20 anos. A velocidade da bola, o spin gerado… tudo está no limite. O equipamento deles é ajustado para sobreviver e prosperar nesse ambiente extremo. O seu ambiente é outro.
“Meu Ídolo Usa 60 Libras, Eu Também Deveria?”
Não, não e não. Esse é o mito número um. “Pete Sampras usava 70 libras! Federer usa 59!”. Primeiro, muitos desses números são específicos para um tipo de corda (como a tripa natural de Sampras) que se comporta de maneira diferente. Segundo, e mais importante, esses jogadores têm uma velocidade de swing que nós, mortais, só podemos sonhar. Eles precisam de tensões altíssimas para controlar a bola. A tensão alta funciona como um freio para eles.
Se um jogador amador, que tem um swing médio e ainda está desenvolvendo a técnica, colocar 60 libras em uma raquete moderna de poliéster, ele está pedindo para se machucar. A raquete ficará sem potência alguma, o ponto doce será minúsculo e a vibração no braço será insuportável. Você terá que fazer uma força descomunal para passar a bola da rede, usando os músculos errados, e o tennis elbow será uma questão de tempo.
Deixe as tensões dos profissionais para os profissionais. A sua tensão ideal provavelmente estará, pelo menos, 10 a 15 libras abaixo da deles. Foque em encontrar uma tensão que te dê potência controlável e conforto, não uma que imite seu ídolo.
O Encamento Híbrido: A Solução de Nível ATP/WTA
Você já deve ter ouvido falar do “híbrido”. Isso é o que a maioria esmagadora dos profissionais usa. Eles não usam uma corda só. Eles usam uma combinação de duas cordas diferentes, uma nas verticais (mains) e outra nas horizontais (crosses). A configuração mais famosa hoje é usar um poliéster (para controle e spin) nas verticais e uma tripa natural ou multifilamento (para conforto e potência) nas horizontais.
Essa é a solução “sem concessões”. Você pega o melhor de cada mundo. O poliéster nas verticais morde a bola e gera o spin, enquanto a tripa natural nas horizontais amortece o impacto, adiciona potência e mantém a tensão por mais tempo. É um setup caro, mas que oferece uma sensação que muitos jogadores descrevem como perfeita.
O amador pode copiar isso? Sim, e aqui a cópia pode ser benéfica. Se você gosta da ideia do poliéster, mas acha ele muito duro para o seu braço, um híbrido é uma excelente opção. Você pode ter o spin do poliéster com o conforto do multifilamento. É uma ótima transição para quem quer mais performance sem sacrificar o braço. E você pode ajustar as tensões separadamente (ex: poly a 50 lbs, multi a 53 lbs) para otimizar ainda mais a sensação.
A Influência do Clima e da Altitude (O Jogo em São Paulo vs. Nível do Mar)
Isso é algo que os profissionais levam ao extremo, mas que o amador também sente. As cordas e a bola são sensíveis ao ambiente. Você já reparou que em um dia quente e úmido, a bola parece “voar” mais? O ar é menos denso, e a bola viaja mais rápido. Em dias frios e pesados, a bola parece “morta” e não anda nada.
Profissionais ajustam a tensão para isso. Em um dia quente (bola rápida), eles podem subir a tensão em 1 ou 2 libras para recuperar o controle. Em um dia frio (bola lenta), eles podem baixar a tensão para ganhar um pouco mais de potência “grátis”. O mesmo vale para a altitude. Jogar em São Paulo ou em Madrid (cidades altas) faz a bola voar absurdamente. O ar é rarefeito. Todos os jogadores aumentam a tensão nessas condições para conseguir manter a bola dentro da quadra.
O que você, jogador amador, pode tirar disso? Se você mora em um lugar muito quente e joga durante o dia, e sente que suas bolas estão voando, considere aumentar sua tensão em 1 ou 2 libras. Se você joga à noite no frio e sente que está fazendo uma força enorme, baixar 1 libra pode ajudar. É um ajuste fino, mas mostra como a tensão está conectada a absolutamente tudo no jogo.
Comparando as Abordagens: O Triângulo da Tensão
Para organizar as ideias, é útil pensar nas suas escolhas como um triângulo. Você não está escolhendo um “produto”, mas uma “filosofia” de encordoamento. As três principais abordagens que um jogador moderno pode adotar são: focar em tensão baixa (para potência/conforto), focar em tensão alta (para controle), ou usar um setup híbrido (o melhor dos dois mundos).
Cada uma dessas abordagens tem prós e contras muito claros. Não existe uma “melhor” que a outra; existe a melhor para você, seu braço e seu estilo de jogo. Um iniciante com dor no braço deve ficar o mais longe possível da Tensão Alta. Um competidor agressivo que quebra cordas de multifilamento toda semana provavelmente se beneficiará de um Híbrido ou de um Poliéster em Tensão Baixa.
Entender onde você se encaixa nesse espectro é o passo final para dominar seu equipamento. Você precisa ser honesto sobre seu nível, suas capacidades físicas e o que você realmente precisa para ganhar o próximo ponto. A tabela abaixo resume o que está em jogo.
Comparativo: Tensão Baixa vs. Tensão Alta vs. Híbrido
| Característica | Tensão Baixa (ex: Poly 45 lbs) | Tensão Alta (ex: Multi 58 lbs) | Setup Híbrido (ex: Poly/Multi) |
| Potência | Alta (Efeito Trampolim) | Baixa (Exige força do jogador) | Média/Alta (Depende dos materiais) |
| Controle | Baixo/Médio (Bola pode “voar”) | Alto (Sensação direta, previsível) | Alto (Controle do Poly) |
| Conforto | Alto (Absorve bem o impacto) | Baixo (Rígido, alta vibração) | Alto (Conforto da corda macia) |
| Potencial de Spin | Muito Alto (Com Poly, cordas se movem) | Médio/Baixo (Corda mais “presa”) | Muito Alto (Melhor snapback) |
| Durabilidade (Tensão) | Baixa (Perde tensão rápido) | Alta (Multifilamento segura bem) | Média (O Poly perde, o Multi segura) |
| Ideal Para | Jogadores de spin, quem busca potência, jogadores com Poly | Jogadores flat, quem busca precisão máxima, quem usa Multi/Tripa | Jogadores que querem spin e controle sem sacrificar o conforto |
| Risco (Se usado errado) | Perda total de controle | Lesão no braço (Tennis Elbow) | Custo mais elevado |
Essa jornada pela tensão das cordas é o que separa um jogador que apenas bate na bola de um tenista que entende seu equipamento. A raquete é sua ferramenta, mas a tensão é a sua calibração. Ela define como sua ferramenta vai responder ao seu comando. Não tenha medo de experimentar. Anote o que você sente. Baixe dois quilos, suba um. Teste um híbrido.
O seu jogo ideal está escondido nessa combinação perfeita de raquete, corda e tensão. O encordoador é seu mecânico, mas você é o piloto. Você precisa dizer a ele o que está sentindo. “Estou sem controle”, “preciso de mais conforto”, “a bola não está andando”. Um bom encordoador vai traduzir seus sentimentos em libras. Vá para a quadra, ouça seu braço, ouça a bola e comece a fazer seus ajustes. O jogo muda quando você encontra o seu ponto doce.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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