Os 5 golpes essenciais que todo o jogador de ténis de praia deve dominar

Fala, meu atleta! Que bom te ver por aqui. Se você chegou até este texto, é porque já percebeu que o Beach Tennis é muito mais do que apenas passar a bolinha para o outro lado em um fim de semana ensolarado. Você foi picado pelo “bichinho do Play” e agora quer evoluir de verdade. Eu vejo isso na quadra todos os dias. O aluno começa brincando e, de repente, quer entender por que a bola dele sai tanto ou por que ele cansa tão rápido.

Hoje eu vou tirar meu boné de treinador, sentar aqui do seu lado e te passar o mapa da mina. Vamos falar de técnica pura, mas daquele jeito que a gente conversa no intervalo entre um set e outro. O segredo do Beach Tennis não é a força bruta. Se fosse assim, halterofilista seria campeão mundial. O segredo está na fluidez, na leitura da bola e, claro, na execução limpa dos movimentos.

Nós vamos mergulhar nos cinco golpes que constroem a base de qualquer jogador, do amador que joga a Categoria C até o profissional que disputa ITF. Prepare sua raquete, ajuste o grip e preste muita atenção. O que vou te ensinar aqui vai mudar a forma como você enxerga a quadra. Vamos nessa?

1. O Saque: Onde Tudo Começa

Muitos alunos chegam na aula querendo apenas “smashear”, mas esquecem que o ponto começa no saque. No Beach Tennis, ao contrário do Tênis de campo, você tem apenas um serviço. Não existe segundo saque. Isso muda tudo. A pressão é maior e a margem de erro é zero. Se você errar, é ponto de graça para o adversário. Por isso, dominar o saque é uma questão de sobrevivência e inteligência tática.

A importância do “Toss” (Lançamento)

Você pode ter a melhor mecânica de braço do mundo, mas se o seu lançamento da bola, o famoso “toss”, for ruim, seu saque será ruim. O toss é a alma do serviço. O erro mais comum que vejo é o jogador lançar a bola muito baixa ou muito para trás da cabeça. Isso te obriga a encolher o braço ou arquear as costas de forma perigosa, o que além de gerar um saque fraco, pode te levar direto para a fisioterapia com uma lesão lombar.

O lançamento ideal deve ser controlado e consistente. Imagine que você está colocando a bola em uma prateleira alta, um pouco à frente do seu corpo e alinhada com o ombro do braço que segura a raquete. Se estiver ventando, o que é muito comum na praia, você precisa ajustar a altura. Lançamentos muito altos em dias de ventania viram um pesadelo, pois a bola oscila e você perde o tempo da batida. Mantenha o toss controlado e seu índice de acerto vai subir drasticamente.

Treine o toss sem bater na bola. Parece chato, eu sei, mas é fundamental. Fique em casa, lance a bola para o alto e deixe ela cair. Ela precisa cair exatamente onde seu pé esquerdo (se você for destro) estaria se desse um passo à frente. Se a bola cair na sua cabeça ou muito longe, ajuste. A regularidade do seu lançamento é o que vai te dar confiança nos momentos de tensão do jogo, como num 40 iguais.

Saque por baixo vs. Saque por cima

Existe um mito de que sacar por baixo é “feio” ou coisa de iniciante. Esqueça isso agora mesmo. O saque por baixo é uma ferramenta tática poderosa, especialmente se você conseguir colocar efeito na bola. Um saque por baixo bem executado, que passa rente à rede e cai “morto” na areia, pode ser muito mais difícil de devolver do que uma pancada reta no meio da quadra. Use-o para variar o jogo e tirar o ritmo dos adversários que gostam de bolas rápidas.

Já o saque por cima exige uma coordenação motora mais fina. A mecânica se assemelha à do Tênis, mas sem a fase de “laçada” tão ampla atrás das costas, pois o tempo é curto. O objetivo aqui é buscar potência e angulação. Você quer forçar o adversário a devolver uma bola alta para que seu parceiro possa matar o ponto na rede. A chave é a extensão total do braço e a batida no ponto mais alto possível.

A decisão entre sacar por baixo ou por cima deve ser baseada na sua consistência e na leitura do adversário. Se você percebe que o rival tem dificuldade com bolas altas no backhand, o saque por cima é a pedida. Se ele é um jogador agressivo que gosta de bloquear, um saque por baixo curto pode anular a agressividade dele. Seja um camaleão. Não tenha vergonha de sacar por baixo se isso for te garantir o ponto ou dificultar a vida do oponente.

A tática do saque no Beach Tennis

Sacar não é apenas colocar a bola em jogo; é a primeira jogada de ataque. Você precisa sacar com intenção. Nunca saque no “meio por meio” sem pensar. Antes de golpear, olhe para a quadra adversária. Onde estão os buracos? Quem é o elo mais fraco da dupla rival? Quem está devolvendo mal hoje? O saque deve ser direcionado para explorar essas fraquezas.

Uma tática muito usada é sacar no corpo do adversário. Como a raquete de Beach Tennis é mais próxima da mão e o tempo de reação é curto, bolas no corpo são dificílimas de defender. O adversário precisa se desvencilhar da bola para abrir espaço, e muitas vezes acaba devolvendo uma bola “frouxa” no meio da quadra. Mire no quadril ou no peito do oponente e veja o desespero dele para tentar sair da frente.

Outra estratégia vital é a comunicação com seu parceiro antes do saque. Avise onde você vai sacar. Diga “vou sacar aberto na direita” ou “vou sacar fechado no meio”. Isso permite que seu parceiro na rede se antecipe. Se você saca aberto, a tendência é a devolução vir na paralela ou no meio, e seu parceiro já pode dar um passo para fechar esse ângulo. Saque é trabalho em equipe, nunca esqueça disso.

2. O Voleio de Controle (Forehand e Backhand)

O Beach Tennis é, essencialmente, um jogo de voleios. A bola não quica. Portanto, se você não souber volear, você não joga. Mas aqui está a pegadinha: não é aquele voleio clássico do tênis onde você avança e “corta” a bola com um movimento longo. Na areia, o movimento é curto, compacto e rápido. É quase como um soco seco ou um bloqueio de parede.

A posição de “mãos altas” e o bloqueio

Vou te falar uma frase que você vai ouvir até sonhar: “Raquete na cara!”. A posição de expectativa é o segredo do bom voleador. Mantenha a raquete alta, na altura do rosto, cotovelos à frente do corpo, mas relaxados. Se você baixar a raquete, você perde frações de segundo preciosas para levantá-la quando a bola vier. E nesse esporte, fração de segundo é a diferença entre um winner e uma bola na rede.

O movimento do voleio de forehand (direita para destros) deve ser como um “high five” ou um cumprimento. Você apresenta a face da raquete para a bola e empurra para frente. Não leve a raquete lá atrás para pegar impulso. Se fizer isso, vai atrasar o golpe. O backhand (esquerda) segue a mesma lógica: como se estivesse dando uma cotovelada para trás e bloqueando a frente com as costas da mão. O movimento parte do ombro e do core, não apenas do braço isolado.

O bloqueio é a sua armadura. Quando o adversário solta uma pancada em você, não tente bater mais forte. Apenas firme o punho e use a velocidade da bola dele contra ele mesmo. Posicione a raquete e deixe a bola bater. A física faz o resto. Mãos firmes no impacto, mas braços relaxados na espera. Essa dualidade é o que separa os iniciantes dos avançados.

O trabalho de pés para o voleio

Você pode ter as mãos mais rápidas do oeste, mas se seus pés estiverem chumbados na areia, você vai perder. O voleio exige ajuste constante. Pequenos passos, o tempo todo. Você nunca deve esperar a bola chegar até você; você vai ao encontro dela. Isso é o que chamamos de “atacar a bola”. Mesmo em uma bola defensiva, tente dar um passo à frente ou ajustar o corpo para não ser pego desequilibrado.

O erro clássico é volear com os pés paralelos e estáticos. Isso tira seu alcance lateral e sua potência. Tente sempre que possível trabalhar com as pernas ativas, mantendo o centro de gravidade baixo. Joelhos flexionados são seus amortecedores. Se a bola vier baixa, você agacha com as pernas, não dobra as costas. Dobrar as costas tira sua estabilidade e sua visão de jogo.

Além disso, a movimentação lateral é crucial para cobrir o meio da quadra. Se a bola vem entre você e seu parceiro, quem tiver a direita (forehand) no meio geralmente assume. Essa movimentação precisa ser coordenada. Pés ágeis permitem que você fuja de bolas no corpo e consiga esticar o braço para buscar aquela bola angulada que parecia perdida.

Aceleração vs. Toque

Nem todo voleio precisa ser um tijolo. A inteligência do jogador de Beach Tennis está em saber quando acelerar e quando apenas tocar a bola. Acelerar o tempo todo é cansativo e aumenta o erro. Se a bola vem alta e confortável, aí sim, transfira o peso do corpo para frente e acelere, buscando o fundo da quadra ou os pés do adversário.

Mas se a bola vem difícil, baixa ou muito rápida, o “toque” é a melhor opção. O objetivo passa a ser colocar a bola em um local chato para o adversário, tirando a agressividade dele. Um voleio curto, logo depois da rede (a famosa “pingada”), pode quebrar totalmente o ritmo de quem está no fundo da quadra esperando uma bola rápida.

Aprenda a variar. Mostre para o adversário que você vai bater forte e, no último segundo, apenas encoste na bola direcionando-a para o espaço vazio. Essa variação de ritmo enlouquece o outro lado. O voleio de controle serve para construir o ponto, preparar o terreno. O voleio de aceleração serve para definir ou pressionar. Saber alternar entre os dois é o que te torna um jogador perigoso.

3. O Smash e o Gancho: A Potência e o Recurso

Aqui é onde o jogo fica bonito. O Smash e o Gancho são os golpes que todo mundo quer fazer para sair na foto, mas exigem técnica apurada. Eles são seus finalizadores, as armas de destruição em massa do Beach Tennis. Mas cuidado: são também os golpes onde mais se erra por excesso de vontade e falta de posicionamento.

A mecânica do Smash clássico

O Smash é aquele golpe vertical, forte, similar ao saque, usado quando a bola sobra alta na sua frente. A primeira regra do Smash é: aponte para a bola com a mão livre (a esquerda, para destros). Isso não é estilo, é mira e equilíbrio. Apontar a bola ajuda a ajustar a distância e obriga seu corpo a ficar de lado, que é a posição correta para gerar potência.

O contato com a bola deve ser feito no ponto mais alto possível e ligeiramente à frente da cabeça. Se você deixar a bola passar da linha da cabeça, vai isolar para fora. O movimento termina com a raquete cruzando o corpo, terminando do lado oposto do quadril. É uma descarga de energia cinética que começa nos pés, passa pelo quadril, tronco e explode na raquete.

Não tente smashear com força máxima o tempo todo. Um smash com 70% de força, mas bem colocado (numa diagonal curta ou nos pés do adversário), é muito mais efetivo do que um 100% de força que bate na tela do fundo. Lembre-se: a quadra tem 16 metros, não é um campo de futebol. Controle a profundidade usando a “quebra de munheca” (snap) no final do movimento.

O Gancho: O golpe assinatura do Beach Tennis

Se o Smash é o pai, o Gancho é o filho rebelde e talentoso. O Gancho é um golpe peculiar do Beach Tennis, usado quando a bola vem alta, mas deslocada para o seu lado esquerdo (se você for destro) ou atrás de você, onde você não consegue se posicionar para um smash clássico. Você contorce o corpo e bate na bola com o braço esticado lateralmente, fazendo um movimento de arco sobre a cabeça.

A empunhadura do gancho é a Continental (como se estivesse segurando um martelo). O segredo é a rotação do ombro e o uso intenso do punho para fazer a bola girar. O Gancho gera muito efeito (spin), fazendo a bola cair rapidamente na quadra adversária e quicar de forma imprevisível. É um golpe defensivo que vira ofensivo num piscar de olhos.

Para treinar o gancho, foque na flexibilidade do ombro e na leitura da trajetória da bola. Você precisa deixar a bola passar um pouco mais do que no smash. É um recurso fantástico para quando você é encoberto por um lob e precisa recuperar a ofensiva sem dar as costas para a quadra. Domine o gancho e você terá cobertura aérea total na quadra.

O erro fatal de recuar demais

O maior pecado no Beach Tennis é recuar desnecessariamente. Vejo alunos correndo para trás assim que veem uma bola alta, tentando fazer o smash do fundo da quadra. Não faça isso. Quanto mais você recua, maior a distância que a bola tem que percorrer e mais tempo o adversário tem para se defender. Além disso, você abre um buraco enorme na frente para uma bola curta.

Se a bola for muito funda, é melhor deixar ela passar e defender depois do que tentar um smash desequilibrado andando para trás. Só recue se for absolutamente necessário para fazer um gancho ou smash de segurança. A “zona da morte” é aquele meio do caminho onde você não está nem na rede e nem no fundo. Evite ficar ali.

Mantenha a posição ofensiva o máximo que puder. Se tiver que recuar para o smash, bata e volte imediatamente para a posição de base. O Beach Tennis é um jogo de território. Quem domina a rede, domina o ponto. Não entregue território de graça recuando em bolas que você poderia pegar saltando.

4. A Defesa Estratégica: O Lob

Ninguém gosta de defender, mas um bom lob ganha campeonatos. O lob é aquela bola alta e funda que encobre os adversários e cai lá na linha de fundo. É a ferramenta perfeita para resetar o ponto quando você está sob pressão ou para cansar os rivais, fazendo-os correr para trás na areia fofa.

Usando o vento a seu favor

O vento é o “terceiro jogador” na quadra de areia. Você precisa ser amigo dele. Se o vento está contra você, seu lob precisa ser mais forte e mais baixo para furar a barreira de ar. Se o vento está a favor, cuidado! Um toque a mais e a bola vai para a rua. Você precisa apenas “pentear” a bola para cima e deixar o vento levá-la para o fundo.

Analise o vento antes de começar o jogo. Olhe as bandeiras, as árvores. Durante o ponto, use essa informação. Um lob alto com vento lateral pode tirar a bola completamente do alcance do smash do adversário. É física pura aplicada ao esporte.

A empunhadura correta para defender

Para defender bem e soltar um lob preciso, você não pode estar com a mão rígida. A empunhadura deve ser firme, mas o pulso precisa ter mobilidade. Geralmente usamos a empunhadura Continental, que permite abrir a face da raquete. Se você fechar a cara da raquete, a bola vai para a rede ou sai reta e fácil para o adversário matar.

Você precisa entrar embaixo da bola. Flexione os joelhos, coloque a raquete sob a bola e faça um movimento de alavanca para cima. Não é um golpe de força, é um golpe de toque e sensibilidade. Pense que você está desenhando um arco-íris sobre a cabeça dos adversários.

O Lob ofensivo vs. Lob defensivo

Existe o lob para se salvar e o lob para atacar. O lob defensivo é bem alto, te dando tempo para respirar e voltar para a posição. O lob ofensivo é mais rápido, mais baixo (o suficiente para passar da raquete esticada do rival) e com top spin (giro para frente). O lob ofensivo cai rápido no fundo da quadra, pegando os adversários de surpresa.

Use o lob ofensivo quando perceber que os oponentes estão “grudados” na rede, muito agressivos. Jogue a bola nas costas deles. Isso quebra a confiança da dupla adversária e os força a jogar mais recuados, abrindo espaço para suas bolas curtas. É um jogo de xadrez.

5. O Drop-shot (A Curta): O Elemento Surpresa

A “curtinha” é a cereja do bolo. É aquele golpe sutil que mal passa da rede e morre na areia, enquanto o adversário assiste de longe ou corre desesperado para não chegar. É humilhante para quem toma e glorioso para quem faz. Mas exige “mão” e coragem.

O disfarce do movimento (Deception)

O segredo da curta não é a execução em si, mas o disfarce. Se você prepara o golpe mostrando para todo mundo que vai dar uma curta, o adversário corre antes. Você precisa armar o golpe como se fosse dar uma pancada de forehand. Arme o braço, faça a cara de quem vai destruir a bola e, no último milissegundo, freie o movimento e apenas toque na bola.

Isso se chama “deception”. Você vende uma imagem e entrega outra. O adversário trava as pernas esperando a pancada e, quando percebe a curta, já é tarde demais. Treine essa armação. O corpo diz “força”, a mão diz “carinho”.

“Mãos de fada”: Absorvendo a Força

Para a bola morrer perto da rede, você precisa absorver o impacto. Se você bater na bola, ela vai quicar e subir, facilitando a defesa. A técnica é relaxar o grip no momento do contato e fazer um leve movimento para trás ou para baixo com a raquete, “amortecendo” a vinda da bola.

É como matar uma bola no peito no futebol. Você não vai de encontro, você retrai levemente. Requer muita sensibilidade. Pratique no paredão ou com um parceiro jogando bolas fáceis. Tente fazer a bola não fazer barulho ao tocar na raquete. Quanto mais silencioso o toque, melhor a curta.

O momento tático para encurtar

Não tente dar curtas de bolas que vêm muito rápidas ou muito altas no fundo da quadra; a chance de erro é enorme. O momento ideal é quando você recebe uma bola média, você está bem posicionado dentro da quadra e percebe que os adversários estão recuados, esperando o smash.

Observe a posição deles. Estão perto da linha de fundo? Curta neles. Estão correndo para trás para defender um lob? Curta neles. A curta é uma punição para o mau posicionamento do adversário. Use com moderação para não perder o elemento surpresa. Se fizer toda hora, eles vão começar a antecipar e você vai tomar um contra-ataque na boca do estômago., ao escolher sua raquete de beach tenis

O Jogo Mental: A Cabeça de Campeão

Você pode ter todos os golpes acima perfeitos, mas se a cabeça falhar, o braço trava. O Beach Tennis é um esporte de erros. Quem erra menos, ganha. E lidar com o erro é puramente mental.

Comunicação e sintonia com a dupla

Você nunca joga sozinho. Seu parceiro é seu escudo e sua espada. A comunicação deve ser constante e positiva. Não critique seu parceiro no erro; isso só gera tensão. Bata na mão, diga “vamos para a próxima”. A energia da dupla ganha jogo. Se a sintonia cai, o jogo cai. Conversem sobre tática entre os pontos: “Eles estão devolvendo mal na esquerda”, “vamos fechar o meio”. Uma dupla silenciosa é uma dupla perdedora.

Gerenciando o erro não forçado

O erro não forçado é aquele que você erra sozinho, sem mérito do adversário. Uma bola na rede num saque fácil, um smash para fora. Isso corrói a confiança. A regra de ouro é: depois de um erro grosseiro, jogue simples. O próximo ponto não é hora de tentar uma jogada de efeito. Coloque a bola na quadra, no meio, com segurança. Recupere a confiança aos poucos. Não tente compensar um erro com um acerto heroico.

Leitura de jogo e antecipação

O jogador inteligente não corre, ele chega antes. Isso é leitura de jogo. Observe a raquete do adversário. Se ele preparou a raquete muito aberta, vem lob ou bola alta. Se ele fechou a cara da raquete, vem bola rápida para baixo. Aprenda a ler os sinais corporais. Antecipar a jogada te dá segundos de vantagem, permitindo que você chegue na bola equilibrado para executar seus golpes com perfeição.

Preparação Física Específica: Dançando na Areia

A areia é ingrata. Ela te puxa para baixo, suga sua energia. Jogar Beach Tennis exige uma preparação física diferente da academia convencional. Não adianta ser forte e travado. Você precisa ser ágil e resistente.

A importância do Split Step na areia

O Split Step é aquele pequeno saltito que você dá no momento em que o adversário encosta na bola. Esse saltito te tira da inércia e prepara seus músculos para reagir a qualquer direção. Na areia, ele é vital. Sem o split step, você está sempre um passo atrasado. Crie o hábito: adversário vai bater -> saltito. Isso deixa você leve sobre a areia, pronto para explodir em direção à bola.

Fortalecimento de Core e Ombros

A força do golpe não vem do braço, vem do tronco (core). A rotação do corpo é o que gera potência. Fortaleça seu abdômen e lombar. Além disso, os ombros sofrem muito com os smashes e saques repetitivos. Exercícios de fortalecimento de manguito rotador com elásticos são obrigatórios para quem quer jogar a longo prazo sem dor. Cuide do seu ombro como se fosse seu maior patrimônio.

Mobilidade de quadril para defesa

Na defesa, muitas vezes você precisa agachar muito, quase sentar na areia. Se seu quadril for travado, você vai dobrar a coluna e perder o equilíbrio. Trabalhe a mobilidade de quadril e tornozelo. Ser capaz de ficar em uma base baixa e larga te dá estabilidade para defender as “bombas” e devolver com qualidade.


Qual Equipamento Escolher?

Para executar esses golpes, a ferramenta importa. Vou deixar aqui um quadro comparativo para você entender qual “arma” escolher dependendo do seu momento. Estamos comparando a raquete de Carbono 3K (o “produto” ideal para intermediários/avançados) com outras opções.

CaracterísticaRaquete Fibra de Vidro (Iniciante)Raquete Carbono 3K (O Ideal)Raquete Carbono 12K / Kevlar (Profissional)
ControleAlto (A bola “gruda” mais)Equilibrado (Excelente mix)Médio (A bola sai muito rápido)
PotênciaBaixa (Exige mais força do braço)Média/Alta (Ajuda na aceleração)Explosiva (Mínimo toque, máximo tiro)
Toque (Sensibilidade)Baixo (Macia demais, menos feedback)Médio (Sente bem a batida)Alto (Rígida, sente tudo)
DificuldadeFácil (Perdoa erros fora do centro)Média (Sweet spot bom)Difícil (Não perdoa batida descentralizada)
RecomendaçãoPrimeiros 3 meses de aulaDo nível Intermediário ao AvançadoApenas para quem já tem técnica apurada

Próximo passo para sua evolução

Agora que você tem a teoria e o mapa dos golpes, a bola está (literalmente) no seu campo. Não tente aplicar tudo de uma vez no próximo jogo. Escolha um desses golpes para focar nesta semana. Talvez o “toss” do saque ou o “split step”.

Gostaria que eu preparasse uma rotina de treinos de 20 minutos focada apenas na melhoria do seu Voleio e Reflexo para você fazer antes dos jogos? É só falar!

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