Os 10 termos de ténis que todo o iniciante precisa de saber.

E aí, tudo certo? Pega a garrafa de água, senta aí no banco um minuto. Vamos conversar. Você está começando agora, pegando o jeito da raquete, sentindo a bola. Isso é ótimo. Mas tem uma coisa que vejo muito aluno novo tropeçar antes mesmo de aprender a correr: o idioma. O tênis tem uma linguagem própria. É quase um dialeto.

Se você não entender o que significa “Deuce”, “Break Point” ou “Slice”, você vai estar jogando no escuro. Você pode ter o melhor forehand do mundo, mas se não entender a situação do jogo, você vai perder pontos cruciais por pura falta de estratégia. Entender esses termos não é só para parecer profissional; é para saber o peso de cada ponto.

Eu quero que você não apenas jogue tênis, mas que você entenda o jogo. Que você assista a uma partida na TV e saiba exatamente o que o comentarista quer dizer com “um erro não forçado caro”. Que você esteja no 6-6 do set e saiba o que esperar. Esta aula de hoje é sobre isso. É o seu dicionário de sobrevivência na quadra. Vamos decifrar esse código.

A ‘Linguagem Secreta’ da Quadra: Por que Falar ‘Tenês’?

Muitos alunos chegam para mim focados 100% na mecânica. “Professor, meu forehand não anda”, “Professor, meu saque não entra”. Isso é fundamental, claro. Mas o tênis é um jogo de xadrez físico. Você não pode jogar xadrez se não souber o nome das peças ou como elas se movem. No tênis, os termos são o nome das jogadas e das situações. Saber o que é um “Break Point” muda completamente a forma como você joga aquele ponto. Você vai arriscar mais? Vai ser mais conservador?

Eu lembro de um aluno, anos atrás, muito talentoso fisicamente. Tinha uma direita que era um canhão. Estávamos jogando um set e o placar estava 5-4 para mim, 30-40 no saque dele. Era um set point, um “break point”. Eu devolvi uma bola alta e lenta, no meio da quadra. Em qualquer outro ponto, ele teria soltado o braço. Mas ele sabia o que estava em jogo. Ele congelou. Ficou com tanto medo de errar que acabou batendo uma bola curta e fraca. Eu ataquei e ganhei o set. Ele tinha o golpe, mas o termo (“Break Point”) pesou na cabeça dele.

Entender a linguagem acelera seu aprendizado de forma absurda. Quando eu, do lado de fora da quadra, gritar: “Boa! Usa o slice para quebrar o ritmo dele!”, você não pode parar e pensar “O que é slice?”. Você tem que executar. Quando você ouve “Vantagem sua”, seu corpo tem que sentir a agressividade necessária para fechar o game. Falar ‘tenês’ é conectar sua mente ao seu corpo na velocidade que o jogo exige. É transformar estratégia abstrata em ação imediata.

Os 10 Termos Essenciais (A Sua Nova ‘Cola’ para o Jogo)

Ok, vamos ao que interessa. Pega o caderno mental. Se você está começando, esqueça os termos super complexos. Você precisa da base, do alicerce. Eu separei os 10 termos que são a sua “cola”. Se você souber estes dez, você consegue entender 90% de qualquer partida, seja jogando ou assistindo. Vamos dissecar cada um deles.

Termo 1: Forehand (A sua ‘Direita’)

Este é o seu pão com manteiga. O “Forehand” é o golpe que você dá do seu lado dominante. Se você é destro, é a sua “direita”. Se é canhoto, é a sua “esquerda”. É o golpe executado com a palma da mão virada para a frente, na direção da bola. Pense no Rafael Nadal ou no Guga Kuerten. É o golpe que, na maioria dos jogadores, é a principal arma para atacar e definir pontos. É onde você vai buscar potência.

Tecnicamente, o forehand é um movimento de rotação. Você prepara o golpe levando a raquete para trás, gira o quadril e o tronco, e “explode” em direção à bola, sempre batendo nela na sua frente. O maior erro do iniciante é bater na bola “atrasado”, quando ela já passou da linha do corpo. Você precisa “ir ao encontro” da bola. É um golpe fluido, que começa nos pés e termina na ponta dos dedos.

Meu conselho para você é: não tenha medo de errar. No começo, você vai isolar a bola, mandar por cima do alambrado. É normal. Foque em completar o movimento. Faça o swing completo, terminando com a raquete “abraçando” seu corpo ou por cima do ombro. Pense em “atravessar” a bola, e não apenas “empurrá-la”. A potência virá da aceleração da raquete, não da sua força bruta.

Termo 2: Backhand (O ‘Revés’)

Este é o “outro lado”. O “Backhand” (ou “revés”, em bom português) é o golpe que você executa no seu lado não-dominante. Para o destro, é o golpe de esquerda. Aqui, o jogo se divide em dois estilos principais: o backhand de duas mãos e o de uma mão. A grande maioria dos jogadores hoje, como Novak Djokovic ou Serena Williams, usa as duas mãos. Isso dá mais estabilidade, mais firmeza e facilita a devolução de saques potentes.

O backhand de uma mão, como o do Roger Federer ou do Stan Wawrinka, é considerado por muitos o golpe mais bonito do tênis. É pura elegância e fluidez. No entanto, ele exige muito mais do seu pulso, do seu ombro e, principalmente, do seu timing. Você precisa de uma preparação perfeita e de um trabalho de pernas impecável para bater na bola no ponto certo. Para quem está começando, geralmente é um caminho mais difícil.

Este golpe costuma ser o ponto fraco dos iniciantes. É um movimento menos natural; você está, de certa forma, de costas para onde quer bater. A chave aqui é a preparação antecipada. Assim que você identificar que a bola vem no seu backhand, gire os ombros e leve a raquete para trás imediatamente. Se a bola chegar “em cima” de você, você não terá espaço para bater. Meu conselho: escolha um estilo (uma ou duas mãos) e foque nele. Para 90% dos meus alunos, eu recomendo começar com as duas mãos pela segurança que oferece.

Termo 3: Saque (O Começo de Tudo)

Anote aí: o saque (ou “serviço”) é o golpe mais importante do jogo. Sem discussão. Por quê? Porque é o único golpe que depende 100% de você. O adversário não influencia em nada. É você, a bola e a raquete. É o golpe que inicia absolutamente todos os pontos. Você tem duas chances (primeiro e segundo serviço) para acertar a bola dentro da área de saque diagonalmente oposta, o famoso “quadrado de saque”.

Este também é, de longe, o golpe mais complexo de aprender. É uma cadeia de movimentos que precisa estar perfeitamente sincronizada. Você tem o toss (o lançamento da bola), a flexão dos joelhos, a rotação do quadril e do tronco, e o movimento de “arremesso” da raquete para cima e para frente. Se uma única peça dessa engrenagem falhar (especialmente o toss), o saque todo desmorona.

Para você que está começando, esqueça a força. Seu objetivo não é dar um “ace” (já vamos falar dele). Seu objetivo é consistência. Eu quero que você acerte 7 de 10 primeiros saques dentro da quadra, mesmo que fraco. Foque em lançar a bola (o toss) sempre no mesmo lugar, ligeiramente à frente do corpo e um pouco para a direita (se for destro). Encontre um ritmo confortável. O saque é ritmo, não força bruta.

Termo 4: Ace (O Saque Perfeito)

O “Ace” é o ponto de exclamação do saque. É um saque legal (cai dentro da área correta) que o adversário sequer toca com a raquete. É um ponto direto, limpo, incontestável. É a demonstração máxima de domínio do sacador. Quando você ouve aquele “boom” e a bola passa zunindo sem que o outro possa reagir, isso é um Ace. É o saque perfeito.

Não há sensação melhor no tênis do que acertar um Ace. É um ponto “de graça”. Você nem suou. É uma injeção de confiança imediata e um balde de água fria no seu adversário. Jogadores muito altos, como John Isner ou Ivo Karlovic, fizeram carreira baseados nesse golpe, usando a altura para criar ângulos que são simplesmente indefensáveis.

Mas, como seu professor, eu preciso ser chato: não tente dar um Ace. Pelo menos não agora. O Ace é uma consequência de um saque tecnicamente perfeito, bem colocado e potente. Se você, como iniciante, entrar na quadra “tentando o Ace”, você vai forçar o movimento, desequilibrar seu corpo e errar 99% das vezes. O resultado disso? Você vai acabar cometendo o próximo termo da nossa lista…

Termo 5: Dupla Falta (O Pesadelo do Sacador)

A “Dupla Falta” (ou Double Fault) é o oposto exato do Ace. É o presente de grego que você dá ao seu adversário. Lembre-se, você tem duas chances de sacar. Você erra o primeiro saque (bate na rede ou manda para fora). Ok, sem pânico, você tem o segundo. Aí você vai para o segundo saque… e erra de novo. Isso é uma dupla falta. O que acontece? Você perde o ponto. Automaticamente.

Este é, talvez, o erro mais frustrante do tênis. Você não deu ao adversário nem a chance de errar. Você entregou o ponto de bandeja. A pressão do segundo serviço é real. Você vê jogadores profissionais, no topo do mundo, cometerem duplas faltas em momentos cruciais. O braço “pesa”, a mente trava. O medo de cometer a dupla falta faz você sacar fraco, “só para passar”, e aí o adversário ataca.

O segredo para evitar a dupla falta é ter um segundo saque. Ele não pode ser igual ao primeiro. O primeiro saque é força e colocação (o “chapado” ou “slice”). O segundo saque é segurança e efeito. É aqui que você aprende o kick (um saque com muito topspin, que pula alto) ou um slice mais lento, mas bem angulado. Você precisa de um saque que você acerte 9 de 10 vezes sob pressão. É melhor um segundo saque lento dentro do que um rápido na rede.

Termo 6: Voleio (Jogar sem Deixar Cair)

O “Voleio” (Volley) é qualquer golpe que você executa antes que a bola quique no seu lado da quadra. Geralmente, você faz isso quando está perto da rede. É um golpe de definição, de surpresa. Não é um swing completo como o forehand ou o backhand. Pense nele como um “bloqueio” ou um “soco” curto e firme. O objetivo é pegar a bola cedo e direcioná-la para um espaço vazio.

A técnica do voleio é totalmente diferente dos golpes de fundo. O movimento é curtíssimo. A imagem que eu sempre dou aos meus alunos é: “segure uma bandeja de garçom”. A cabeça da raquete fica alta, o pulso firme. Você usa mais os joelhos (para descer até a bola) do que o braço. Você “encontra” a bola na sua frente e usa a força do golpe do adversário. É um toque, não uma pancada.

O maior erro do iniciante no voleio é tentar “bater” na bola. Balançar a raquete. Se você fizer isso, a bola vai para fora. O voleio é sobre timing, reflexo e mãos firmes. A primeira coisa a treinar é o split step (aquele saltinho que você dá quando o adversário vai bater) para estar pronto para reagir. É um golpe que intimida o adversário e encurta os pontos.

Termo 7: Deuce (Iguais)

Agora vamos entrar na parte que confunde todo mundo: a pontuação. Esqueça 1, 2, 3. No tênis, os pontos dentro de um “game” são contados assim: “Zero”, “15” (primeiro ponto ganho), “30” (segundo ponto), “40” (terceiro ponto) e, o quarto ponto, ganha o “Game”. Mas… e se ambos os jogadores chegam a 40? O placar fica 40-40. Isso é o “Deuce”, que significa “Iguais”.

A partir do Deuce, a regra muda. Ninguém ganha o game com apenas mais um ponto. Para ganhar o game a partir do 40-40, você precisa ganhar dois pontos seguidos. É como se fosse uma “morte súbita” que precisa de confirmação. É uma mini-batalha que começa dentro do game.

O Deuce é um teste mental. Você pode ter tido três chances de ganhar o game (no 40-0) e o adversário te buscar até o Deuce. É frustrante. Ou você pode ter salvado três chances dele. O 40-40 é o “reset”. O placar volta ao zero-zero mental. Quem ganhar o próximo ponto terá a…

Termo 8: Vantagem (Advantage)

A “Vantagem” (Advantage) é o nome dado ao ponto ganho imediatamente após o Deuce. Se o placar está Deuce (40-40), e você (sacador) ganha o ponto, o placar agora é “Vantagem Minha” ou “Ad-In” (Advantage In). Se o recebedor ganha o ponto, o placar é “Vantagem Sua” ou “Ad-Out” (Advantage Out).

Pense na Vantagem como um “Game Point” temporário. Se você tem a Vantagem (seja sacando ou recebendo) e ganha o ponto seguinte, você venceu o Game. Acabou. Mas, se você tem a Vantagem e perde o ponto seguinte, o que acontece? A Vantagem desaparece e o placar volta para “Deuce”. E o ciclo recomeça até que alguém consiga ganhar o ponto da Vantagem e o ponto seguinte.

Este é o momento de ser “sólido como uma rocha”. Se você está sacando com Vantagem, não invente moda. Coloque o primeiro saque em quadra. Faça o básico. Force o adversário a te vencer. Se você está recebendo com Vantagem (o que é um “Break Point”, como veremos), é a hora de ser mais agressivo, de colocar pressão total no sacador.

Termo 9: Break Point (A Oportunidade de Ouro)

Este é, talvez, o termo estratégico mais importante da lista. Um “Break Point” (ou “Ponto de Quebra”) é qualquer ponto em que o recebedor (quem está devolvendo o saque) tem a chance de ganhar o game. O tênis é um jogo baseado em “confirmar o serviço”. A “quebra de saque” (o break) é quando você “rouba” o game de saque do seu adversário.

Um Break Point pode acontecer em vários placares. Se está 15-40, o recebedor tem dois break points. Se está 30-40, é um break point. Se o placar foi ao Deuce e o recebedor ganhou a Vantagem (o “Ad-Out”), isso é também um break point. Ganhar sets de tênis se resume a conseguir mais breaks do que o seu adversário.

Para o sacador, este é o ponto de maior pressão no game. Você não pode errar. O primeiro saque tem que entrar. Para o recebedor, é a luz verde. É a hora de soltar o braço, de ser agressivo, de fazer o sacador sentir que você está ali, pronto para atacar. É o “ponto do dinheiro”, onde os sets são decididos.

Termo 10: Tiebreak (O Jogo de Desempate)

Finalmente, o que acontece se o set, que é uma corrida até 6 games, empata em 6-6? Em vez de o jogo continuar indefinidamente até alguém abrir dois games (como 8-6 ou 10-8, o que acontecia antigamente), nós jogamos o “Tiebreak”. É um game especial, com regras diferentes, para decidir o vencedor do set (que terminará 7-6).

A pontuação do Tiebreak é simples: 1, 2, 3, 4… O primeiro jogador a atingir 7 pontos ganha, desde que tenha uma vantagem de dois pontos (por exemplo, 7-5, ou 8-6, ou 12-10). Se empatar em 6-6 dentro do tiebreak, o jogo continua até essa vantagem de dois pontos ser alcançada. A ordem do saque também muda: o primeiro jogador saca uma vez (do lado do Deuce), depois o adversário saca duas, depois você saca duas, e assim por diante.

O Tiebreak é pura tensão. Cada ponto tem um peso enorme. Não há margem para erros bobos. É um teste de nervos. Você tem que jogar sólido, focar em cada bola e, acima de tudo, não dar pontos de graça com duplas faltas ou erros fáceis. É o clímax do set condensado em poucos minutos.

O ABC dos Golpes: Entendendo os Efeitos e Intenções

Ótimo. Você sobreviveu à pontuação e aos golpes básicos. Agora vamos refinar o seu jogo. Tênis não é só acertar a bola dentro. É o que você faz com a bola. O “como” você bate. Os efeitos são o ‘tempero’ do jogo. Eles são o que separam um batedor de bola de um jogador de tênis. Vamos focar nos três efeitos principais que você precisa entender.

Topspin: O ‘Pulo’ da Bola Moderna

O “Topspin” é, sem dúvida, o efeito mais importante do tênis moderno. É o que permite que jogadores como Nadal ou Alcaraz batam com tanta força e a bola, magicamente, caia dentro da quadra. O topspin é um efeito onde você “penteia” ou “escova” a bola de baixo para cima no momento do impacto. Isso faz com que a bola gire loucamente para a frente enquanto voa, ao escolher uma boa raquete de tênis para iniciantes

Esse giro para a frente cria uma zona de alta pressão de ar em cima da bola e baixa pressão embaixo (o Efeito Magnus, para os nerds). O que isso faz na prática? Duas coisas incríveis. Primeiro, a bola é “sugada” para baixo. Você pode bater com força e altura sobre a rede, e o efeito faz a bola cair dentro da quadra. Segundo, quando essa bola quica, ela não vai para a frente; ela “explode” para cima e para a frente, “pulando” na direção do peito do adversário.

Aprender o topspin é uma virada de chave. O segredo está na terminação do seu golpe. Você não termina o forehand na linha do ombro; você termina “por cima do ombro”, como se fosse coçar as costas com a raquete. É um movimento vertical, um “limpador de para-brisa”. No começo, suas bolas vão subir muito, mas confie no processo. É o que vai te dar segurança para soltar o braço.

Slice: A ‘Fatiada’ que Quebra o Ritmo

O “Slice” (ou “fatiada”) é o oposto direto do topspin. Se no topspin você bate de baixo para cima, no slice você bate de cima para baixo. Pense em “cortar” a bola, como se estivesse fatiando um pão. A raquete entra quase que por trás e por baixo da bola, fazendo ela girar para trás (backspin).

O que o backspin faz? Ele faz a bola “flutuar” no ar. Ela viaja mais devagar, mas mantém uma trajetória reta. E o mais importante: quando ela quica, ela morre. Ela não pula. Ela desliza, fica baixa, quase raspando o chão. Isso é um veneno para o adversário, especialmente se ele gosta de bolas altas (com topspin) na altura da cintura. Ele é forçado a se abaixar, a “cavar” a bola.

O slice é uma arma tática fenomenal. É perfeito para se defender, para ganhar tempo quando você está fora de posição. É excelente para quebrar o ritmo de um batedor. É o golpe padrão no backhand de uma mão (como o de Federer) e é a base de todos os voleios e drop shots. Dominar o slice é como adicionar uma “marcha lenta” super controlada ao seu jogo.

Drop Shot (Deixadinha): A Surpresa na Rede

O “Drop Shot”, ou a famosa “deixadinha” (ou “amorti”), é o golpe de pura malandragem. É a arte da surpresa. É quando você está no fundo da quadra e finge que vai soltar o braço (com topspin ou slice), mas no último milissegundo, você “tira a mão”. Você relaxa o pulso e apenas “toca” na bola com suavidade, geralmente usando o efeito slice.

O objetivo? Fazer a bola cair o mais curto possível, logo depois da rede. A intenção é pegar o seu adversário totalmente desprevenido, plantado lá atrás na linha de base. Se ele está muito longe, ou se você o fez correr muito de um lado para o outro, a deixadinha é fatal. Ele simplesmente não chega a tempo.

Mas cuidado: o drop shot é um golpe de alto risco. É uma questão de “mão”, de sensibilidade. Se você bater com um pingo de força a mais, a bola flutua e cai no meio da “terra de ninguém”, e o seu adversário chega nela com tempo de sobra para te destruir. Se bater fraco demais, ela morre na sua própria rede. Use com moderação, como um tempero especial, não como o prato principal.

Navegando o Jogo: Termos de Situação e Erros Comuns

Estamos quase lá. Você já sabe os golpes, os efeitos e a pontuação. Para fechar, vamos falar sobre como os pontos terminam. No tênis, um ponto só pode acabar de duas formas: ou alguém acerta um golpe vencedor, ou alguém comete um erro. Entender a diferença entre os tipos de erros e acertos é o que define um analista de tênis.

Erro Não Forçado (Unforced Error)

Este é o termo que você mais vai ouvir em uma transmissão de TV. O “Erro Não Forçado” (Unforced Error) é o erro “bobo”. É o presente que você dá. É quando você erra um golpe que não apresentava grande dificuldade. O adversário te mandou uma bola lenta, no meio da quadra, na altura da cintura… e você, sozinho, joga na rede. Ou para fora.

Isso não foi mérito do adversário; foi demérito seu. No tênis amador, eu diria que uns 80% dos pontos terminam em erros não forçados. O jogo não é decidido por quem acerta os golpes mais bonitos; é decidido por quem erra menos. Manter a bola em jogo é a regra de ouro.

O seu primeiro objetivo como iniciante é diminuir drasticamente seu número de erros não forçados. Isso significa jogar com mais margem. Mire mais alto sobre a rede (não tente “queimar” a fita). Mire mais para o centro da quadra (não tente “achar” as linhas). Jogue com paciência. Deixe o seu adversário ser o herói e tentar o golpe impossível. Na maioria das vezes, ele vai errar.

Winner: A Bola ‘Matadora’

O “Winner” é o oposto. É a “bola matadora”. É o ponto que você conquista. É um golpe tão bom, seja pela velocidade, pela colocação ou pelo ângulo, que o seu adversário não consegue alcançar, mesmo dando o máximo de si. Ele pode até se esticar e tocar na bola, mas não consegue devolvê-la para a quadra.

Qual a diferença entre um “Ace” e um “Winner”? Um Ace é um winner que acontece especificamente no saque. Um Winner pode acontecer a qualquer momento durante a troca de bolas: um forehand fulminante na paralela, um backhand cruzado que abre um ângulo impossível, um voleio perfeito que morre no canto.

Essa é a sensação que todos buscamos. É o ponto que você ganha por mérito próprio. Mas aqui está o paradoxo do tênis: quanto mais você tenta dar winners, maior a sua chance de cometer erros não forçados. O segredo é o equilíbrio. Você constrói o ponto com paciência (evitando erros) até que a bola certa apareça. A bola curta, a bola alta. E sim, você ataca buscando o winner.

Passing Shot (Passada)

A “Passing Shot”, ou “passada”, é um tipo específico de winner. É um golpe de contra-ataque que acontece em uma situação muito clara: o seu adversário subiu para a rede (para tentar um voleio) e você está no fundo da quadra. O seu adversário está “fechando” a quadra, diminuindo seus espaços.

Seu objetivo é “passar” a bola por ele. Você tem duas opções principais: ou bater a bola com força e precisão pelo lado dele (na paralela ou na cruzada), onde ele não tem alcance para volear; ou jogar um “lob” (um balão) por cima da cabeça dele, fazendo a bola pingar no fundo da quadra. Ambos são considerados “passadas”.

A chave da passada na lateral é bater baixo. Você quer que a bola passe rente à rede. Se você bater alto, o voleador só precisa esticar a raquete e bloquear. Você quer forçá-lo a volear “para cima”, o que é muito difícil. É um duelo de xadrez: o voleador tenta adivinhar para onde você vai, e você tenta enganá-lo. É um dos momentos mais eletrizantes do jogo.


Pronto. Agora você fala ‘tenês’. Você saiu do ‘zero’ e já entende a arquitetura do jogo. Você sabe a diferença entre um Ace e um Winner. Você sabe o que seu coração deve sentir quando o árbitro diz “Deuce”. Você sabe a diferença entre atacar com topspin e se defender com slice.

O próximo passo não é decorar mais termos. O próximo passo é ir para a quadra e viver isso. É sentir o peso no braço quando você tem um segundo serviço no 30-40. É sentir a alegria de acertar sua primeira passada. O tênis é um jogo que se aprende com os pés, com o braço, mas, acima de tudo, com a cabeça. Bem-vindo ao jogo.

Agora, que tal marcarmos uma aula prática para você começar a sentir o slice no seu backhand?

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