Fala, campeão! Que bom ter você aqui para essa conversa técnica. Hoje vamos deixar a raquete um pouco de lado e olhar para baixo, direto para os seus pés. Sabe aquela bola que você jura que não chegou por um milésimo de segundo? Ou aquele escorregão que te tirou a confiança no meio do terceiro set? Pois é, muitas vezes o problema não está no seu preparo físico ou na sua técnica de forehand, mas sim no que você está calçando. O saibro é um organismo vivo, uma superfície que respira e muda conforme o jogo avança, e tentar domá-lo com o equipamento errado é como tentar jogar tênis com uma raquete de pingue-pongue, ao escolher sapatos masculinos para jogar tenis
Você já deve ter percebido que a movimentação na terra batida é uma dança completamente diferente do piso duro. Na quadra rápida, você para e bate. No saibro, você desliza, bate e recupera. Essa nuance muda tudo. Se você entra em quadra com um tênis de corrida ou até mesmo um calçado para quadra rápida, você está basicamente entrando em uma pista de patinação sem patins. Você perde tração na arrancada e, pior ainda, não tem freio na chegada. Vamos mergulhar fundo nesse universo vermelho e entender, de uma vez por todas, por que o calçado específico não é luxo, é ferramenta de trabalho.
Quero que você saia daqui hoje entendendo a mecânica do seu movimento. Não quero apenas que você compre um tênis novo, quero que você entenda como ele interage com o chão. Quando você compreende a física por trás do deslizamento, sua confiança aumenta. E no tênis, meu amigo, confiança é 90% do jogo. Então, ajeite a postura, respire fundo e vamos desvendar os mistérios do “pó de tijolo” e como transformar esse terreno instável no seu maior aliado.
O Terreno Vermelho e Suas Armadilhas
A natureza física do pó de tijolo
Você precisa visualizar o saibro não como um chão sólido, mas como camadas de sedimentos. A base é dura, geralmente feita de calcário ou cimento, mas o topo é onde a mágica e o caos acontecem. Aquela camada fina de telha triturada, o famoso pó de tijolo, funciona como milhares de microesferas soltas. Quando você pisa, o chão não devolve a energia imediatamente como o asfalto; ele se move. Essa camada superior é solta, granulada e extremamente móvel. É essa característica que permite o deslizamento, mas é ela também que tira o chão dos seus pés se não houver a fricção correta.
A profundidade dessa camada varia de quadra para quadra e até durante a partida. No começo do jogo, com a quadra recém-varrida e regada, o piso está mais compacto e oferece mais firmeza. Conforme as horas passam e o sol seca a superfície, aquele pó se solta, criando “ilhas” de areia acumulada onde é muito fácil perder a aderência. Um tênis comum, com sola plana ou desenhada para asfalto, flutua sobre esses grãos soltos. Ele não consegue penetrar a camada móvel para encontrar a base firme lá embaixo. O resultado é aquela sensação de estar correndo em falso, gastando o dobro de energia para se mover a metade da distância.
Além da granulação, temos o fator umidade, que muda a física do atrito drasticamente. Uma quadra de saibro bem cuidada retém água, o que cria uma lama microscópica que pode agir como cola ou como sabão, dependendo da pressão exercida. Seu calçado precisa lidar com essa dualidade. Ele tem que agarrar quando você explode para uma bola curta e soltar quando você precisa deslizar para defender um contra-ataque. O tênis errado ignora essa complexidade, tratando o saibro como se fosse cimento, e é aí que você vê jogadores amadores “patinando” sem sair do lugar ou travando o pé perigosamente quando deveriam deslizar.
Como o saibro afeta a movimentação
A movimentação no saibro exige uma técnica de “slide” que não é natural para quem cresceu no piso duro. Você não para bruscamente; você dissipa a energia da corrida através de um deslizamento controlado. Imagine um carro de rali fazendo uma curva na terra versus um carro de Fórmula 1 no asfalto. O tenista de saibro precisa entrar na bola deslizando, bater enquanto ainda está em movimento relativo e usar o atrito final para frear e mudar de direção. Esse movimento exige que a sola do tênis atue como um sistema de freios ABS, permitindo o deslize sem travar a roda, mas garantindo que você pare quando necessário.
Se você usa um tênis de quadra rápida, que tem muita borracha em contato com o solo para gerar atrito máximo, o deslizamento se torna perigoso. O tênis pode travar de repente no meio do slide, o que joga todo o seu peso para a frente, podendo causar torções graves no tornozelo ou joelho. Por outro lado, se o tênis for muito liso (como um tênis de corrida gasto), você desliza sem controle, passando do ponto de contato da bola e ficando fora de posição para o próximo golpe. O calçado específico para saibro modula essa interação, permitindo que você inicie o slide com confiança, sabendo que vai conseguir parar dois metros depois.
Essa movimentação afeta também o seu tempo de reação e a preparação do golpe. No saibro, você geralmente tem uma fração de segundo a mais porque a bola quica mais lenta e alta, mas você gasta esse tempo se posicionando. Se o seu pé escorrega na hora do “split step” (aquele pulinho de preparação), você perde o timing da bola. O tênis correto ancora você no chão nesse momento crítico. A estabilidade que o calçado específico oferece permite que você transfira a força das pernas para o tronco e para a raquete, mesmo em uma superfície instável. Sem essa âncora, seu golpe perde potência porque metade da sua força é desperdiçada tentando apenas se manter em pé.
O perigo de usar o tênis errado
Muitos alunos chegam para a aula com tênis de corrida e eu preciso ser chato: isso é perigoso. O tênis de running é feito para movimento linear, para ir para frente. Ele tem um calcanhar alto e macio, e laterais de malha fina. No tênis, 70% dos movimentos são laterais. Quando você tenta frear bruscamente no saibro com um tênis de corrida, a sola alta atua como uma alavanca, facilitando a virada do pé. Além disso, a sola do tênis de corrida costuma ter “gomos” ou desenhos largos que acumulam o saibro instantaneamente. Em cinco minutos, seu tênis vira uma sapatilha lisa de barro, sem tração nenhuma.
O risco de lesão aumenta exponencialmente com o equipamento errado. Não estamos falando apenas de torções agudas, mas de desgaste crônico. Se você joga tenso, com medo de escorregar, você sobrecarrega os adutores e a lombar. Você compensa a falta de aderência tensionando músculos que deveriam estar relaxados para a execução do golpe. Vejo muitos jogadores com dores na virilha depois de jogos no saibro, e muitas vezes a culpa é do tênis que não oferecia a tração necessária, obrigando o atleta a fazer uma força absurda na parte interna da coxa para se manter estável.
Outro ponto crucial é a durabilidade do próprio calçado. O saibro é, essencialmente, pedra moída. É um material abrasivo. Tênis de corrida ou de passeio não têm reforços nas áreas de atrito do tênis, como a biqueira e a parte interna do pé. Um tenista que desliza arrasta o “peito” do pé no chão. Se o material ali for tecido simples, ele rasga em duas ou três partidas. O tênis de saibro possui “armaduras” de borracha ou poliuretano nesses pontos críticos, protegendo seu pé e garantindo que o investimento no calçado dure a temporada inteira, não apenas um mês.
A Sola Espinha de Peixe: Seu Melhor Amigo
O desenho em zigue-zague explicado
Se você virar a sola de um tênis específico para saibro, vai ver um padrão hipnótico: linhas em zigue-zague que vão de ponta a ponta. Chamamos isso de “Espinha de Peixe” ou “Herringbone”. Não é um design estético; é pura engenharia. Esse desenho é o único capaz de lidar com a granulação do saibro de forma eficiente. As linhas agudas cavam a superfície solta, penetrando na camada de pó até encontrar uma base mais firme para gerar tração. Pense nelas como garras que se fixam no chão quando você precisa arrancar.
A geometria desse zigue-zague é calculada para oferecer resistência multidirecional. Não importa se você está correndo para frente, para o lado ou na diagonal, sempre haverá uma aresta da sola posicionada contra o movimento, gerando o atrito necessário. Tênis de quadra rápida ou “All Court” muitas vezes têm círculos ou padrões mistos na sola. No saibro, esses padrões mistos são ineficientes porque não oferecem essa mordida consistente em todas as direções. O padrão espinha de peixe integral garante que, não importa o ângulo do seu pé, você tem aderência.
A profundidade desses sulcos também é maior nos tênis de saibro (Clay). Eles precisam ser profundos para abrigar o pó que se desloca. Se os sulcos forem rasos, eles enchem de terra na primeira pisada e o tênis fica liso. A profundidade extra permite que o tênis continue funcionando mesmo quando a quadra está muito seca e com muita areia solta por cima. É a diferença entre usar um pneu careca e um pneu de trator na lama. Você precisa desses sulcos profundos para navegar no terreno irregular.
Evacuação do saibro durante a pisada
Aqui está a genialidade da sola espinha de peixe que pouca gente percebe: ela é autolimpante. Quando você pisa e flexiona o pé, o padrão em zigue-zague se abre levemente. Quando você levanta o pé, ele se fecha e expulsa a terra que ficou presa nos sulcos. Isso é fundamental. Se a terra ficasse compactada ali dentro, como acontece em tênis com solas de buracos redondos ou quadrados, você perderia a tração em questão de minutos. O tênis de saibro se “reseta” a cada passo, garantindo que você tenha uma sola limpa e pronta para agarrar o chão novamente.
Imagine que você está em um rali longo, correndo de um lado para o outro. A cada passo, seus tênis estão pegando quilos de terra. Se essa terra não sair, você começa a carregar peso extra e perde a aderência. O design aberto nas laterais da sola espinha de peixe permite que o pó escape pelos lados durante a flexão do passo. É um sistema de drenagem de sólidos. Tênis de outras categorias tendem a reter esse material, criando uma crosta lisa na sola que é a receita perfeita para um tombo feio quando você tenta mudar de direção.
Você pode testar isso na prática. Pegue um tênis de corrida e pise no saibro úmido. Olhe a sola: vai estar entupida de barro. Agora faça o mesmo com um tênis Clay específico. Bata o pé no chão. Você vai ver os pedaços de terra voando e a sola ficando limpa novamente. Essa capacidade de evacuação é o que permite que tenistas profissionais joguem 5 sets em Roland Garros mantendo a mesma precisão de movimentação do primeiro ao último ponto. Sem essa tecnologia, o jogo de alto nível no saibro seria impossível.
Aderência versus deslizamento
O grande paradoxo do saibro é que você precisa de aderência, mas também precisa deslizar. Parece contraditório, certo? Mas a sola espinha de peixe resolve isso. O padrão permite o deslizamento controlado. Quando você entra na bola e coloca o pé num ângulo mais plano, o zigue-zague desliza sobre o pó de tijolo como esquis na neve. Mas, assim que você coloca pressão na borda interna do pé (o movimento de “edging” ou cravar a borda), as arestas do zigue-zague mordem o chão e freiam o movimento.
Essa dualidade dá ao jogador o controle total. Você decide quando quer deslizar e quando quer parar, apenas mudando a angulação e a pressão do pé. Com um tênis de quadra dura, a borracha é muito aderente; ela tende a travar imediatamente, impedindo o slide, ou soltar de vez. O tênis de saibro oferece um “meio-termo” progressivo. Você sente o chão passando sob seus pés, o que te dá feedback sensorial para saber exatamente onde seu corpo está no espaço e quanto tempo falta para você parar completamente.
Dominar essa relação entre aderência e deslizamento é o que separa os bons jogadores dos ótimos saibristas. Você aprende a confiar no equipamento. Você sabe que pode correr a toda velocidade para uma bola curta, entrar no slide e que o tênis vai segurar você antes de colidir com a rede. Essa confiança permite que você jogue de forma mais agressiva, cobrindo mais quadra. O calçado vira uma extensão do seu corpo, não um obstáculo que você precisa gerenciar.
Biomecânica do Deslize Controlado
O momento exato de entrar no slide
Muitos alunos tentam deslizar depois de bater na bola, ou deslizam quando já estão parados, o que não faz sentido nenhum. O slide eficiente começa na fase final da corrida de aproximação. Você está correndo para a bola e, cerca de dois ou três metros antes do impacto, você inicia o deslizamento. Isso permite que você bata na bola com uma base mais estável, pois você não está mais dando passadas violentas e balançando a cabeça; você está planando suavemente em direção ao ponto de contato. O tênis de saibro facilita essa transição da corrida para o planeio sem solavancos.
Você precisa entender que o slide é um freio, não um meio de transporte. Você corre para gerar velocidade e desliza para dissipá-la enquanto executa o golpe. Se você tentar deslizar sem velocidade, vai ficar preso no chão. O tênis específico ajuda aqui porque ele não oferece resistência excessiva no início do slide. Você planta o pé da frente, transfere o peso e deixa a física agir. O erro comum é ter medo e tentar travar o pé; o tênis de saibro é feito para “ir”. Deixe ele ir.
O timing é tudo. Se você deslizar muito cedo, para antes de chegar na bola. Se deslizar muito tarde, passa da bola. O calçado correto te dá a margem de erro necessária. Como a tração é previsível (graças àquela sola espinha de peixe que falamos), seu cérebro consegue calcular: “se eu começar a frear aqui, vou parar exatamente ali na linha”. Com um tênis imprevisível, seu cérebro entra em pânico e te faz dar passinhos curtos para ajustar, matando a fluidez do seu jogo e te deixando atrasado.
A distribuição de peso nos pés
Para deslizar bem com seu tênis de saibro, o segredo está no centro de gravidade. Você não pode deslizar com o corpo ereto. Você precisa estar baixo, com os joelhos flexionados. O peso deve estar predominantemente no pé que está deslizando (o pé da frente ou o pé de fora, dependendo se é um slide aberto ou fechado), mas distribuído de forma que você não afunde o calcanhar no chão. Se você cravar o calcanhar, o slide para e você pode cair para trás. O tênis de saibro geralmente tem um calcanhar levemente chanfrado ou arredondado para facilitar essa entrada suave no solo.
A borda interna do pé é a sua ferramenta de controle. Durante o slide, você mantém a sola plana em contato com o solo para viajar, e quando quer parar, você pressiona a parte interna do pé (o dedão e o arco) contra o saibro. O tênis de saibro possui reforços laterais na estrutura do cabedal exatamente para suportar essa pressão. Se você fizer isso com um tênis de malha simples, seu pé vai “vazar” para fora da sola. O calçado específico segura seu pé em cima da plataforma, permitindo que você use o peso do corpo para modular a frenagem.
Lembre-se também do pé de trás. Ele serve como leme e equilíbrio. Muitas vezes, a ponta do tênis de trás arrasta no saibro para ajudar no controle. É por isso que bons tênis de saibro têm proteção extra na biqueira e na parte superior dos dedos. Sem essa proteção, você furaria seus tênis em um mês de treino intenso arrastando o pé de trás no “drag” característico do saibrista. É uma coreografia complexa onde cada parte do calçado tem uma função biomecânica específica.
A recuperação para o próximo golpe
O slide não termina quando você bate na bola; ele termina quando você está pronto para a próxima. A beleza do tênis de saibro é como ele ajuda na recuperação. Ao final do deslizamento, você precisa “explodir” de volta para o centro da quadra. Aqui, a sola espinha de peixe brilha novamente. No momento em que você para, você crava a borda interna do tênis no chão. As ranhuras mordem a terra compactada e te dão uma base sólida para empurrar o chão e voltar. Chamamos isso de “push-off”.
Se o tênis fosse liso demais, você patinaria na hora de voltar (“correr em falso”). Se fosse aderente demais, ficaria preso. O equilíbrio do calçado Clay permite que você use a energia elástica acumulada na frenagem para se impulsionar na direção oposta. É como uma mola. Você comprime no slide e expande na recuperação. Tenistas como Nadal e Djokovic são mestres nisso; eles parecem deslizar e voltar num movimento único e contínuo. O tênis é o ponto de contato que torna essa transferência de energia possível.
Treinar essa recuperação é vital. Você bate, freia e, usando a aderência do dedão e da parte interna da sola, empurra o chão para longe. Sinta o tênis morder o saibro. Se você não sentir essa mordida, ou seu tênis está gasto, ou você não está transferindo peso suficiente. O equipamento certo te dá o feedback tátil: você sente a terra cedendo e depois travando. Use essa informação para se mover mais rápido e com menos esforço do que seu oponente que está lutando contra o próprio calçado.
Estabilidade Lateral e Proteção
O suporte no tornozelo
Tênis é um esporte de movimentos laterais agressivos. No saibro, a instabilidade do piso adiciona um fator de risco. Quando você pisa numa “ilha” de areia solta, seu pé pode girar. Um bom tênis de saibro tem uma construção de chassi focada em estabilidade lateral (anti-torção). Isso geralmente é feito com placas de plástico rígido no meio da sola (shank) e um contraforte firme no calcanhar. Isso impede que o tênis torça como um pano de chão quando você muda de direção bruscamente.
O colarinho do tênis (onde entra o pé) também costuma ser mais estruturado, com espumas de memória que travam o calcanhar no lugar. Não queremos que seu pé fique sambando dentro do tênis enquanto você desliza. O ajuste tem que ser de “luva”. Se houver espaço sobrando, em um slide forte, seu pé continua indo enquanto o tênis para, o que causa bolhas horríveis e unhas pretas. O tênis de saibro “abraça” o mediopé para garantir que pé e calçado se movam como uma unidade só.
Não confunda cano alto com proteção de tornozelo. No tênis, usamos cano baixo ou médio para ter mobilidade. A proteção vem da rigidez da sola e da estrutura do calcanhar que impede a inversão excessiva do pé. Um tênis mole e confortável demais pode ser uma delícia para caminhar no shopping, mas é uma armadilha na quadra de saibro. Você precisa de rigidez estrutural para suportar as forças G que você gera num slide defensivo.
Reforços na biqueira e laterais
Olhe para os tênis de um profissional depois de um jogo no saibro. Eles estão vermelhos, claro, mas note onde estão os arranhões. A parte interna do pé e a biqueira sofrem muito abuso. No saibro, é comum arrastar o pé para chegar numa bola curta ou durante o saque. Se o cabedal (a parte de cima do tênis) for todo de tecido mesh aberto para ventilação, o saibro vai agir como uma lixa e rasgar esse tecido rapidamente. Além disso, o pó fino entra pela malha e se mistura com o suor, criando uma pasta abrasiva dentro do tênis que destrói suas meias e lixa a pele dos seus pés.
Por isso, tênis de saibro de alta performance têm o que chamamos de “trama fechada” ou sobreposições de borracha/TPU nas áreas de desgaste. Muitos modelos têm a língua costurada nas laterais (construção tipo meia ou “bootie”) para impedir que pedrinhas de saibro entrem no calçado. Não há nada mais irritante e desconcentrante do que ter uma pedrinha de tijolo embaixo do calcanhar no meio de um tie-break.
Esses reforços também ajudam na estabilidade lateral. Quando você freia um slide, o pé empurra a parede lateral do tênis. Se essa parede for só pano, ela cede e você perde estabilidade. Se ela tiver reforços de polímero, ela segura o pé na plataforma da sola. É um cinto de segurança para os seus pés. Você pode não perceber visualmente, mas essa tecnologia está lá salvando seus ligamentos a cada ponto disputado.
A entressola e o amortecimento no saibro
Existe um mito de que, porque o saibro é “fofo”, você não precisa de amortecimento. Errado. Embora o impacto inicial seja menor do que no cimento, as partidas no saibro são mais longas. Os ralis duram mais. Você corre mais quilômetros numa partida de saibro do que na grama. O cansaço acumulado nas articulações é real. A entressola do tênis de saibro precisa oferecer um amortecimento reativo: ele deve absorver o choque, mas não pode ser “chiclete” demais, senão você perde a sensibilidade do chão necessária para o slide.
O amortecimento no saibro costuma ser mais baixo (perfil baixo) do que em tênis de corrida. Queremos estar perto do chão. Quanto mais alto você está (sola grossa), maior o risco de virar o pé numa irregularidade da quadra. O perfil baixo melhora a propriocepção – sua capacidade de sentir o terreno. Você precisa sentir se está pisando no duro ou no fofo para ajustar sua força.
Geralmente usamos tecnologias de espuma densa ou gel encapsulado que protegem o calcanhar nas aterrissagens de smash e saques, mas mantêm a frente do pé firme para a arrancada. É um equilíbrio fino. Se for duro demais, cansa os joelhos; se for macio demais, perde estabilidade. O tênis específico acerta esse ponto ideal para a superfície irregular, garantindo conforto para 3 horas de batalha sem sacrificar a performance.
Manutenção e Longevidade do Equipamento
Limpeza pós-jogo: O ritual sagrado
Terminou o jogo? Não jogue o tênis direto na bolsa. O saibro úmido seca e vira uma crosta dura que resseca a borracha e o couro sintético. O ritual do tenista começa na saída da quadra: bata uma sola contra a outra (ou use a raquete, mas com cuidado!) para soltar o excesso de terra dos sulcos. Isso é crucial. Se o barro secar lá dentro dos zigue-zagues, ele expande e pode deformar a borracha, além de tirar a tração para o próximo jogo.
Chegando em casa, não coloque na máquina de lavar. A imersão total e a agitação da máquina destroem as colas e as estruturas de estabilidade do tênis. Use uma escova de cerdas duras e secas para tirar o pó. Se estiver muito sujo, pano úmido. O saibro mancha, aceite isso. Seu tênis nunca mais será branco imaculado, e isso é uma medalha de honra do saibrista. Mas a funcionalidade deve ser preservada.
Tire as palmilhas para arejar. O saibro retém umidade, e o suor dos seus pés cria um ambiente perfeito para bactérias. Um tênis seco dura muito mais. Se você joga todo dia, considere ter dois pares para alternar, permitindo que o EVA da entressola se recupere e descompresse totalmente entre os usos.
Sinais de desgaste na sola
Você precisa saber a hora de aposentar seu companheiro de batalha. No saibro, o desgaste é diferente do cimento. No cimento, a sola fica lisa. No saibro, as arestas do zigue-zague ficam arredondadas. Quando as pontas do “espinha de peixe” perdem o canto vivo e ficam redondas, você perdeu 30% da tração. Você vai começar a escorregar mais do que o desejado.
Outro sinal é a entressola “rachaada” ou comprimida demais. Se você vê rugas profundas na espuma lateral, o amortecimento já morreu. Mesmo que a sola ainda tenha desenho, o tênis não está mais protegendo suas articulações. No saibro, como deslizamos muito, verifique também a parte interna do cabedal. Se houver furos no tecido onde o pé dobra, a estrutura de estabilidade está comprometida.
Não economize aqui. Jogar com tênis gasto no saibro é pedir para estirar a virilha. O custo de uma fisioterapia é muito maior do que o de um par de tênis novo. Monitore suas solas mensalmente. Se você joga 3 vezes por semana, um bom par deve durar de 6 a 8 meses com performance aceitável.
Alternância de pares para maior durabilidade
Como professor, sempre recomendo aos meus alunos que competem: tenham um par de treino e um par de jogo, ou dois pares em rotação. O saibro é abrasivo e entra em tudo. Ter um par “descansando” permite que os materiais voltem à forma original. Além disso, se você jogar em quadra rápida ocasionalmente, nunca use seu tênis de saibro. O cimento vai “comer” o padrão espinha de peixe macio em duas horas. Tênis de saibro é só para saibro.
Use seu tênis velho para treinos físicos ou bate-bola leve, e guarde o tênis com tração nova para os sets e jogos valendo pontos. Isso garante que, na hora que você precisar daquele slide limite para salvar um break-point, o equipamento vai responder. É gestão de material, algo que todo tenista sério aprende cedo.
Cuide das suas ferramentas e elas cuidarão de você. O tênis é o único ponto de contato entre você e o planeta Terra durante o jogo. Trate-o com respeito.
Comparativo de Modelos de Elite
Para te ajudar a visualizar o que o mercado oferece, selecionei três titãs das quadras de saibro. Cada um tem uma “personalidade” diferente. Veja qual se encaixa no seu estilo de jogo:
| Característica | Asics Gel-Resolution 9 Clay | Adidas Barricade Clay | Nike Zoom Vapor Cage 4 Rafa |
| Foco Principal | Estabilidade Absoluta e Travamento | Durabilidade e Suporte Lateral | Proteção Extrema e Slide Agressivo |
| Tipo de Jogador | Fundo de quadra que precisa de segurança | Jogador que exige robustez e “tanque de guerra” | Jogador físico que desliza muito (Estilo Nadal) |
| Ponto Forte | Tecnologia Dynawall (impede o pé de virar) | Reforços de ADITUFF (biqueira indestrutível) | Sola envolve a lateral para slides extremos |
| Sensação | Firme, travado no pé, próximo ao chão | Rígido no início (precisa amaciar), muito estável | “Meia” interna, ajuste justo, muito amortecimento |
| Peso | Médio/Alto (Foco em estabilidade) | Alto (Foco em durabilidade) | Médio/Alto (Foco em proteção) |
Escolher entre eles é questão de gosto pessoal e formato do pé. O Asics costuma ser mais democrático no fit. O Adidas é mais estreito e rígido. O Nike tem um design único, feito para quem realmente destrói o tênis deslizando. Experimente, sinta o aperto no calcanhar e lembre-se: no saibro, a firmeza é sua amiga.
Espero que essa aula teórica tenha mudado sua visão sobre o que você calça. O saibro é um piso maravilhoso, tático e físico, mas ele não perdoa falta de preparo ou equipamento inadequado. Invista na sua base, aprenda a deslizar com a técnica correta e veja seu tênis subir de nível. Nos vemos na quadra, campeão!
Para complementar seu estudo sobre como o solado afeta diretamente sua estabilidade e a diferença visual entre eles, separei este material:
O TÊNIS IDEAL para cada tipo de quadra de tênis
Escolhi este vídeo porque ele mostra visualmente as ranhuras da sola (o padrão espinha de peixe que discutimos) e explica de forma muito prática a diferença de tração, reforçando o conceito de que usar o tênis errado pode fazer você “patinar” ou travar perigosamente.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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