O legado da Wilson Pro Staff (A raquete de Sampras e Federer)

E aí, futuro campeão. Pega sua garrafa d’água, senta aí no banco um minuto que hoje a aula não é sobre o seu backhand, que, aliás, precisa melhorar. Hoje a aula é sobre história. Vamos falar sobre a arma, a ferramenta que definiu não só um, mas dois dos maiores mestros que já pisaram numa quadra. Estamos falando da Wilson Pro Staff.

Quando você pega numa raquete, você não está segurando só grafite e corda. Você está segurando uma ideia. E a ideia da Pro Staff é simples: controle absoluto. É uma raquete que não joga para você. Ela exige que você jogue com ela. Ela não te dá potência de graça. Ela te dá uma resposta honesta. Se você acertar o sweet spot, a bola vai exatamente onde você pensou, com um peso que o seu adversArio vai sentir no pulso. Se você errar… bom, ela vai te avisar na hora, com uma vibração seca.

Essa é a raquete de Sampras. Essa é a raquete de Federer. Dois estilos diferentes, duas eras diferentes, mas a mesma alma. A Pro Staff é o smoking preto do tênis. Clássica, atemporal e mortal nas mãos certas. E hoje, você vai entender o porquê. Vamos destrinchar o legado dessa peça de museu que ainda vence Grand Slams. Presta atenção.

O Nascimento de um Ícone: A Pro Staff 6.0 Original

Toda lenda tem um começo. O começo da Pro Staff foi em 1984, com a 6.0 85. Você ouviu direito: 85 polegadas quadradas. Hoje você joga com 97, 100, talvez 105 se estiver começando. 85 polegadas é o tamanho de uma frigideira pequena. O sweet spot (o ponto doce, onde a bola sai limpa) era minúsculo. Essa raquete não foi feita para amadores. Ela foi feita para cirurgiões.

A construção dela é o que a define. A Wilson usou uma trança de grafite e Kevlar. O grafite dava a rigidez, a estabilidade. O Kevlar, aquele material de colete à prova de balas, dava o “feel”. É isso que chamamos de “braided graphite”. Essa combinação dava à raquete um feeling amanteigado, macio, mas incrivelmente sólido. Quando você acertava em cheio, parecia que a bola ficava na raquete uma fração de segundo a mais. Você sentia que podia colocar a bola na cabeça de um alfinete.

Era uma raquete pesada. Muito pesada para os padrões de hoje. Estamos falando de mais de 350 gramas encordoada. Esse peso todo, combinado com o balanço voltado para o cabo (Head Light), a tornava uma arma de precisão. Ela não vibrava. Ela cortava o ar como uma faca e, no impacto, ela vencia a bola. A bola não mexia a raquete; a raquete mexia a bola. Isso dava um controle absurdo.

A Mística da Ilha de St. Vincent

Aqui a história fica boa. As primeiras Pro Staffs eram feitas em Chicago. Mas logo a Wilson moveu a produção para uma pequena ilha no Caribe: St. Vincent. E, cara, as raquetes de St. Vincent viraram lenda. Pete Sampras, o cara mais metódico do circuito, só jogava com as Pro Staffs fabricadas lá. Ele comprou o estoque todo da fábrica quando soube que ela ia fechar. Ele jogou a carreira inteira com o mesmo modelo, pintado para parecer com os novos.

O que tinha de tão especial? O controle de qualidade. Dizem que os moldes lá eram ligeiramente diferentes. Que o grafite curava de um jeito único por causa do clima. A verdade é que elas eram mais consistentes. Sampras usava duas raquetes idênticas, uma para o primeiro set, outra para o segundo. Elas tinham que ser exatamente iguais. O equilíbrio, o peso, tudo. As de St. Vincent entregavam isso.

Hoje, uma Pro Staff 85 original de St. Vincent, em bom estado, vale uma fortuna. É item de colecionador. É o “Santo Graal” das raquetes. Não é uma raquete para você bater uma bola na parede. É uma raquete para você entender de onde Federer, Edberg, Courier e, claro, Sampras, tiraram tanta mágica. É a origem de tudo.

Por que a 85 era tão Exigente

Vamos ser diretos: você provavelmente não conseguiria jogar um set inteiro com uma Pro Staff 85 hoje. E não é culpa sua. O jogo mudou. Mas a raquete em si é uma professora muito dura. A cabeça de 85 polegadas exige que você olhe a bola como um falcão. Não existe “quase acertei”. Ou você acerta o sweet spot, ou a bola morre na rede ou voa para a arquibancada.

O peso dela é outro fator. Para gerar velocidade na cabeça da raquete (o famoso swing) com mais de 350 gramas, você precisa ter uma técnica impecável. Você precisa preparar o golpe cedo. Você não consegue dar aquela “chicotada” de forehand de última hora, como você faz com a sua raquete leve de hoje. O peso é seu amigo no saque e no voleio, onde a raquete faz o trabalho de bloquear a bola, mas é um desafio nos ralis do fundo de quadra.

E finalmente, o padrão de cordas 16×18 (ou 16×19, dependendo do ano) naquela cabeça pequena não foi feito para topspin. Ela foi feita para bater chapado (flat) ou com slice. Ela foi feita para um jogo de ataque, de saque-e-voleio. Ela exige que você jogue para frente. Ela te força a ser agressivo. Ela é uma raquete que não aceita covardia.

Pete Sampras: A Era do Pistoleiro

Se a Pro Staff 85 era uma espada, Pete Sampras era o seu samurai. Não dá para falar de um sem falar do outro. A carreira inteira de Sampras, seus 14 Grand Slams, foram todos conquistados com a mesma arma: a St. Vincent Pro Staff 85. Ele era a definição do jogador de saque-e-voleio, e aquela raquete era a ferramenta perfeita para o seu jogo.

O saque de Sampras era uma bomba. E a Pro Staff 85 era a plataforma de lançamento. O peso da raquete permitia que ele gerasse uma quantidade absurda de massa por trás da bola. A raquete não torcia no impacto. O resultado era um saque chapado, pesado, que atravessava a quadra. E o segundo saque dele? Um dos melhores da história, com um kick que jogava o adversário para fora da quadra. A precisão da 85 permitia que ele acertasse as linhas consistentemente.

Nos voleios, a Pro Staff era mágica. O peso e o balanço no cabo a tornavam estável. Sampras podia bloquear os passings mais potentes sem esforço. O feeling amanteigado do grafite/Kevlar dava a ele um toque absurdo. Ele conseguia dar voleios curtos, angulados, drop-volleys… A raquete era uma extensão da mão dele na rede. Ela era a parceira perfeita para o jogo mais agressivo da história.

A Lenda da Customização de Sampras

Sampras era obsessivo com seu equipamento. Ele não trocava de raquete. Ele usava os mesmos modelos de St. Vincent durante mais de uma década. A Wilson pintava as raquetes novas que lançava com a pintura da Pro Staff 85 para ele usar? Não. Ele usava as 85 originais e a Wilson as pintava para parecer com os modelos novos que ela queria vender. Ele era o oposto do Federer nesse sentido.

Ele também customizava muito. Ele usava fita de chumbo. Muito chumbo. As raquetes dele chegavam a pesar quase 400 gramas. Isso é mais pesado que duas raquetes de iniciante juntas. Ele colocava o chumbo em locais específicos no aro para conseguir o balanço e a estabilidade que ele queria. Ele não queria sentir nenhuma vibração. Ele queria solidez absoluta.

E as cordas. Sampras era famoso por usar tripa natural, a Babolat VS, e com uma tensão altíssima. Estamos falando de mais de 70 libras. Hoje, os profissionais jogam com 50, 55 libras. Uma tensão tão alta, combinada com a tripa natural, dava a ele um controle cirúrgico. A bola saía da raquete como um tiro de rifle. Não tinha spin. Era velocidade e precisão. Um estilo de jogo que morreu, em grande parte, porque o equipamento que o permitia também desapareceu.

O Legado de Sampras e o Molde 85

Sampras definiu uma era. E todos queriam ser Sampras. Por isso, a Pro Staff 85 vendeu milhões. Todo garoto que queria sacar e volear comprava uma Pro Staff. Ela se tornou sinônimo de tênis “sério”. Era a raquete do jogador clássico, do jogador que tinha técnica. Não era uma raquete “fácil”. Era uma raquete de recompensa.

O impacto dela foi tão grande que, mesmo quando o jogo começou a mudar para o topspin e o fundo de quadra no final dos anos 90, a Pro Staff 85 ainda era a referência. Outros grandes jogadores a usaram, como Stefan Edberg (outro mestre do saque-e-voleio) e Jim Courier (que, ironicamente, era um jogador de fundo de quadra que batia chapado).

A Pro Staff 85 se tornou a régua pela qual todas as raquetes de “jogador” (player’s frames) seriam medidas. Ela estabeleceu o padrão de feeling, estabilidade e controle. Mesmo hoje, quando falamos em “sensação Pro Staff”, estamos nos referindo àquela solidez amanteigada que a 85 original introduziu no mundo. Ela é a “mãe” de todas as raquetes de controle modernas.

Roger Federer: A Evolução do Maestro

E então, o jogo mudou. O saque-e-voleio de Sampras deu lugar ao jogo de fundo de quadra. O topspin se tornou a arma principal, graças a caras como Guga Kuerten e, depois, Rafael Nadal. E um jovem suíço apareceu, um jovem que cresceu idolatrando Sampras. O nome dele era Roger Federer. E, claro, ele começou jogando com o quê? A Pro Staff 85.

Federer usou a 85 no início de sua carreira júnior e nos primeiros anos de profissional. Ela combinava com seu jogo clássico. Mas Federer não era Sampras. Ele tinha um slice lindo, voleios perfeitos, mas seu jogo era mais variado. Ele precisava de algo que o ajudasse mais no fundo de quadra. A cabeça 85 era pequena demais para a defesa e para gerar o topspin necessário contra os novos jogadores.

Foi aí que a Wilson e Federer começaram a evoluir. Federer não ficou preso ao passado como Sampras. Ele estava disposto a mudar, a adaptar sua arma para continuar vencendo. E essa adaptação começou com uma pequena mudança, que se tornaria uma das raquetes mais amadas pelos “club players”: a Pro Staff Tour 90.

A Transição: Do 85 ao Pro Staff Tour 90

A mudança para a Pro Staff Tour 90 não foi drástica, mas foi crucial. Aumentar a cabeça de 85 para 90 polegadas quadradas deu a Federer uma margem de erro um pouco maior. O sweet spot era mais generoso. Isso o ajudou imensamente na devolução de saque e nas trocas de bola do fundo de quadra, especialmente no backhand.

Mas não se engane. A Tour 90 ainda era uma Pro Staff raiz. Ela mantinha a trança de grafite e Kevlar. Ela mantinha o peso (ainda acima de 340g) e o balanço no cabo. Ela ainda era uma raquete de controle absoluto, exigente, feita para quem tem técnica. Foi com a Pro Staff Tour 90 (e suas várias pinturas, como a nCode 6.1) que Federer dominou o mundo. Foi com ela que ele ganhou a maioria dos seus Grand Slams.

Essa raquete era perfeita para o jogo de Federer naquela época. Ela era sólida nos voleios, precisa no saque e dava a ele um feeling incomparável para seus drop shots e slices. O peso da raquete permitia que ele redirecionasse a potência dos adversários com facilidade. Foi a arma de um artista no auge de sua criatividade e domínio.

A Reinvenção em 2014: A Pro Staff RF97 Autograph

Tudo que é bom dura, mas o tênis não para. Em 2013, Federer teve um ano difícil. Ele estava sofrendo com lesões e perdendo para jogadores que ele costumava vencer. Seus adversários, como Nadal e Djokovic, estavam usando raquetes com cabeças maiores (98, 100 polegadas) que geravam muito mais topspin e potência. O backhand de Federer, com a cabeça 90, estava sofrendo, especialmente contra o topspin alto de Nadal.

Muitos acharam que era o fim. Mas Federer fez o impensável. Aos 32 anos, ele decidiu mudar de raquete. E ele não fez uma mudança pequena. Ele colaborou com a Wilson para criar algo novo, algo que mantivesse a alma da Pro Staff, mas que o trouxesse para o jogo moderno. O resultado foi a Pro Staff RF97 Autograph. A mudança foi de 90 para 97 polegadas quadradas. Um salto gigantesco.

A RF97 foi uma revolução. Ela ainda tinha o grafite trançado e o Kevlar. Ela ainda era pesada (340g sem corda). Mas a cabeça maior e um aro ligeiramente mais espesso deram a ele duas coisas que ele precisava: potência e um sweet spot muito maior. De repente, seu backhand ficou mais fácil. Ele conseguia bater o topspin de backhand com mais confiança. Ele tinha mais potência “grátis” no saque.

Essa mudança foi fundamental para a segunda metade da carreira dele. Foi com a RF97 que ele venceu o Australian Open em 2017 e 2018, e Wimbledon em 2017. Ele provou que um maestro pode trocar de instrumento e continuar tocando em nível de gênio. A RF97 é o testamento da inteligência e da adaptabilidade de Federer.

A “Sensação Pro Staff”: O que é o Grafite Trançado?

Você me ouve falar em “feeling”, “sensação”, “grafite trançado” e “Kevlar”. Mas o que é isso na prática? Por que um jogador fica tão leal a esse “feeling” a ponto de Sampras comprar o estoque de uma fábrica e Federer exigir que essa tecnologia fosse mantida na sua nova raquete de 97 polegadas?

O “Pro Staff Feel” é uma combinação de três coisas: solidez, conforto e conexão. A maioria das raquetes modernas é feita de grafite, mas de forma “oca” ou com diferentes camadas de materiais para ficarem mais rígidas e potentes. Elas são ótimas para gerar velocidade, mas podem parecer “vazias” ou vibrar muito. A Pro Staff não. A trança de grafite e Kevlar (que a Wilson agora chama de “Braided 45”) cria uma estrutura densa.

Quando a bola bate na Pro Staff, a raquete não vibra. Ela absorve o impacto de uma forma única. A sensação é “macia” (plush), mas não “mole”. É sólida. Você sente a bola entrando nas cordas. Isso é o que chamamos de “conexão”. Você sabe exatamente o que a bola está fazendo. Isso te dá confiança para mirar nas linhas, para tentar aquele slice curto, porque a raquete está te dando um feedback perfeito.

O Papel do Kevlar na Solidez

O Kevlar é o ingrediente secreto. O Kevlar é um material extremamente forte e que absorve vibração muito bem. Quando trançado com o grafite, ele age como um amortecedor, mas sem tirar a sensibilidade. Em raquetes muito rígidas (stiff), a bola bate e sai rápido, e a vibração vai direto para o seu braço. Na Pro Staff, o Kevlar “segura” a bola por uma fração de milésimo de segundo a mais.

Isso é o que os jogadores chamam de “dwell time” (tempo de permanência). Esse tempo extra na corda é o que permite o controle. Você sente que está “carregando” a bola e depois a soltando. Para jogadores como Sampras e Federer, que vivem de precisão, essa sensação é tudo. Eles precisam confiar 100% que a raquete vai fazer o que eles mandarem.

O resultado é uma raquete que é confortável para o braço, mesmo sendo pesada e estável. Você pode bater forte o dia todo e não vai sentir aquele “choque” no cotovelo. É por isso que, mesmo depois de 40 anos, a Wilson continua usando o grafite trançado como o coração da linha Pro Staff. Não se mexe em time que está ganhando.

O Balanço (Equilíbrio) “Head Light”

O outro pilar da Pro Staff é o balanço. Quase todas as Pro Staffs são “Head Light” (HL), ou seja, o peso está mais concentrado no cabo do que na cabeça. Isso é fundamental. Uma raquete pesada com balanço na cabeça (Head Heavy) é impossível de manobrar. Você sentiria o braço cair depois de três games.

O balanço HL torna a Pro Staff, apesar do seu peso total elevado, manobrável. Ela é rápida na rede. Você consegue ajustar os voleios rapidamente. No saque, o peso está “atrás” da sua mão, permitindo que você acelere o braço e deixe o peso da raquete fazer o trabalho no impacto (como um martelo). No fundo de quadra, o balanço HL ajuda a preparar o golpe mais rápido.

Essa combinação de peso total alto (para estabilidade e potência) com balanço no cabo (para manobrabilidade) é a fórmula mágica das raquetes de “jogador”. A Pro Staff não inventou isso, mas ela aperfeiçoou a fórmula. Ela exige que você gere a velocidade do swing, e em troca, ela te dá estabilidade e controle absolutos quando você encontra a bola.

A Pro Staff Contra o Jogo Moderno

Como falamos, o jogo mudou. O tênis de Sampras, de saques chapados e voleios, deu lugar ao tênis de Nadal, de topspins absurdos e ralis longos do fundo de quadra. As quadras ficaram mais lentas. As bolas ficaram mais pesadas. E o equipamento teve que se adaptar.

A Pro Staff 85 simplesmente não funciona nesse jogo. A cabeça pequena não perdoa. O peso exige uma preparação que você não tem tempo para fazer contra um cara que está te empurrando para trás com bolas altas e pesadas. Tentar gerar topspin com uma 85 é como tentar cavar um buraco com uma colher. Você precisa de algo que “morda” a bola.

Foi por isso que Federer teve que mudar. A 90 ainda funcionava para ele porque ele é o Federer. Mas para nós, meros mortais, e até para ele no final, a 90 ainda era um desafio. O jogo moderno é sobre spin. E raquetes de spin tendem a ser mais leves, com cabeças maiores (100 polegadas) e padrões de corda mais abertos (como 16×19) para permitir que as cordas se mexam e “agarrem” a bola.

O Desafio do Topspin

A Pro Staff clássica, com seu aro fino (box beam) e padrão de cordas denso, foi feita para controle direcional (bater reto). Para gerar topspin, você precisa que as cordas “pulem” de volta no lugar (o efeito snapback). Raquetes modernas são desenhadas para maximizar isso. A Pro Staff foi desenhada para minimizar qualquer movimento. Ela foi feita para ser uma parede sólida.

Isso significa que, para gerar spin com uma Pro Staff, você tem que fazer todo o trabalho. Você precisa de uma velocidade de braço altíssima. Você precisa “escovar” a bola de baixo para cima com uma violência que a 85 ou a 90 não facilitam. O peso da raquete, que é seu amigo no saque, vira seu inimigo aqui.

É por isso que a mudança para a RF97 foi tão genial. A cabeça 97 e o aro um pouco mais espesso deram à Pro Staff uma plataforma mais amigável ao spin. Ela ainda não é uma “máquina de spin” como uma Babolat Pure Aero (a raquete do Nadal), mas ela permite que você jogue o jogo moderno sem sacrificar 100% daquele feeling clássico.

A RF97: A Ponte entre Eras

A Wilson Pro Staff RF97 Autograph é a raquete que salvou a linha Pro Staff da extinção. Se ela tivesse ficado parada no tempo, hoje ela seria apenas uma peça de museu, usada por alguns puristas teimosos. A RF97 provou que é possível ter o melhor dos dois mundos.

Ela mantém o DNA. Ela é pesada, é estável, tem o grafite trançado e o balanço no cabo. Quando você pega a RF97, você sabe que é uma Pro Staff. O feeling no impacto é inconfundível. Ela ainda te recompensa pela boa técnica e te pune pela preguiça. Ela ainda é uma raquete de precisão.

Mas a cabeça 97 lhe dá uma sobrevida. Ela lhe dá o sweet spot maior. Ela lhe dá a potência extra para competir com as raquetes modernas. Ela permite que você jogue um backhand de topspin sem ter que ser o Roger Federer. Ela é a ponte perfeita. Ela pega o legado de controle cirúrgico de Sampras e o atualiza para o jogo de potência e spin de Federer.

Encontrando Sua Pro Staff: Uma Perspectiva de Treinador

Agora você deve estar pensando: “Professor, essa raquete é para mim?”. E a minha resposta é: depende. A Pro Staff não é uma raquete de iniciante. Se você está começando agora, pegue uma raquete leve, cabeça 100 ou maior, e aprenda a acertar a bola. Mas se você já joga, se você tem uma técnica sólida e está procurando levar seu jogo para o próximo nível… talvez.

Você precisa ser honesto sobre o seu jogo. Você não compra uma Ferrari para andar na cidade no trânsito. Você não compra uma Pro Staff se você tem um swing curto e lento e gosta de ficar só “passando a bola”. Essa raquete exige compromisso. Ela exige que você ataque a bola. Ela exige que você jogue tênis de verdade.

Ela vai expor suas fraquezas. Se você não se movimenta bem, se você bate atrasado, a Pro Staff vai te punir. Mas se você está disposto a trabalhar, se você quer uma raquete que te recompense por fazer a coisa certa, que te dê um controle que você nunca imaginou ser possível… então, bem-vindo ao clube.

Você é um “Sampras”? (Tipo 85/90)

Hoje em dia, a Wilson ainda faz versões da Pro Staff 90 (ou parecidas) e até relançamentos da 85. Quem deve usar isso? Quase ninguém. Estou sendo sério. Você precisa ser um jogador muito, mas muito avançado. Você precisa ter uma técnica clássica, bater a bola majoritariamente chapada (flat) e ter o saque-e-voleio como sua principal arma.

Se você baseia seu jogo em topspin do fundo de quadra, esqueça a 85/90. Você vai sofrer. Seu braço vai cansar e seus adversários vão amar, porque suas bolas não terão peso. Mas, se você é um “dinossauro” como eu, que ama a sensação de um slice de backhand rasante e um voleio perfeito… bom, não há nada igual.

Usar uma Pro Staff 90 hoje é uma declaração. É dizer que você valoriza o feeling e a precisão acima da potência fácil. É uma ferramenta para um artista. Se você se vê assim e tem o braço para aguentar, pode ser uma experiência incrível. Mas esteja avisado: é um caminho difícil.

Você é um “Federer”? (Tipo 97)

Aqui é onde a maioria dos jogadores avançados se encontra. A linha Pro Staff 97 (que inclui a RF97 Autograph, que é bem pesada, e as versões mais leves, como a Pro Staff 97L ou a 97) é o “ponto certo” moderno. Ela é a escolha para o jogador all-court agressivo.

Se você tem um swing completo, gosta de variar o jogo com slice e topspin, sobe à rede e tem um bom saque, a Pro Staff 97 é sua raquete. Ela tem a estabilidade da linha clássica, mas com o perdão e a potência da cabeça maior. Ela ainda exige que você jogue, ela não vai fazer o trabalho por você, mas ela é uma parceira muito mais amigável que suas irmãs mais velhas.

A versão RF97 Autograph é a mais próxima da arma de Federer. Ela é pesada (340g). Ela é para jogadores que estão em boa forma física e têm técnica para manuseá-la. As versões mais leves (como a 97 de 315g) são fantásticas para jogadores de clube avançados que querem o feeling Pro Staff sem o peso extremo.

Quadro Comparativo: A Pro Staff no Mercado

A Pro Staff não está sozinha no mundo das raquetes de “controle”. Outras marcas têm suas próprias lendas. Vamos comparar a Pro Staff 97 com suas duas maiores rivais: a Head Prestige e a Yonex VCORE Pro (que agora pode ser chamada de Percept).

CaracterísticaWilson Pro Staff 97 (v14)Head Prestige (Auxetic)Yonex Percept 97
Sensação (Feeling)Macia e sólida. Conectada. O clássico “Braided Graphite”.Muito macia, “amanteigada”. Famosa pelo “feeling” único.Mais nítida e flexível. Feedback excelente. Famosa pelo “isométrico”.
PotênciaBaixa a Média. Você gera sua própria potência.Baixa. Talvez a mais baixa das três. Controle puro.Baixa. Focada em controle e “pocketing” (segurar a bola).
ControleAbsoluto. Cirúrgico.Absoluto. Famosa por acertar “a moeda”.Absoluto. O formato isométrico ajuda na consistência.
ManobrabilidadeBoa (para o peso). O balanço HL ajuda muito.Desafiadora. Geralmente tem swingweight alto.Excelente. Geralmente a mais rápida das três no ar.
Ideal ParaO jogador all-court agressivo. (O estilo Federer)O purista do controle, jogador de slice e batidas chapadas.O jogador de rally que busca controle e feeling moderno.

Como você pode ver, todas são raquetes de controle. A Pro Staff se destaca pela sua solidez e estabilidade no impacto. A Prestige é talvez ainda mais focada em controle puro, com menos potência. A Yonex (Percept/VCORE Pro) oferece um feeling um pouco mais moderno e flexível, com um sweet spot muito generoso graças ao formato isométrico.

Escolher entre elas é uma questão de gosto pessoal. Mas o legado da Pro Staff é inegável. Ela definiu o que uma raquete de controle deveria ser, e continua sendo a régua pela qual todas as outras são medidas. Ela é a escolha dos mestros, a arma dos cirurgiões da quadra.

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