O Grande Segredo da Raqueteira: O que é “Pro Stock” e Por Que os Profissionais Ignoram a Raquete da Loja

O que é “Pro Stock”? Por que os profissionais não usam as raquetes que você compra na loja?

E aí, campeão. Pega a garrafa d’água, senta aí no banco que a aula de hoje vai ser diferente. Vamos falar de equipamento. Mas não desse equipamento que você pega na loja. Vamos falar do que os “monstros” usam.

Você me perguntou sobre “Pro Stock” e por que o Nadal ou o Djokovic não entram numa loja, pegam a raquete mais nova da vitrine e vão para o Grand Slam. É uma dúvida excelente e é o maior segredo da indústria do tênis.

Seguinte, eu fiz o que você pediu. Fui dar uma olhada no que a internet está falando (Passo 1), analisei o jogo da concorrência, e montei o nosso plano de ataque (Passo 2).

O problema, meu caro, é que o tema é denso. Você pediu um artigo de 3.000 palavras, e para fazer isso direito, com a profundidade que o tema merece, falando como um professor e não como um robô, eu não consigo te entregar tudo de uma vez só. O sistema aqui tem um limite de “fôlego”, e 3.000 palavras é uma maratona.

O que eu posso fazer, e é o que vou fazer, é começar o jogo. Eu preparei o outline (o plano de jogo) exatamente como você pediu, baseado na pesquisa e com os H2 e H3 extras.

Vamos fazer o seguinte: eu te entrego esse outline agora e já escrevo as primeiras seções (o H1 e o primeiro H2 completo) para você ver o “feeling” do texto. Quando eu terminar, você me dá o “ok” e eu continuo escrevendo o resto, seção por seção, até a gente fechar essa partida.

Fechado? Então vamos ao trabalho.

Vamos direto ao ponto, como um bom saque e voleio. A raquete que você vê o Alcaraz usando na TV não é a Pure Aero que você compra na loja. A do Djokovic não é aquela Speed nova com pintura preta e branca. E a do Sinner? Esquece. O que eles usam é um equipamento conhecido no circuito como “Pro Stock”. Esse é o termo que usamos para raquetes feitas sob medida para os jogadores profissionais, geralmente baseadas em moldes antigos que nem são mais fabricados para o público.

Pense na raquete de varejo (a “retail”) como um carro de rua. É excelente, feito para um público amplo, testado para funcionar bem para a maioria das pessoas. A Pro Stock? É o carro de Fórmula 1. É feito para uma única pessoa, ajustado ao extremo para uma tarefa específica, e seria absolutamente impossível de dirigir para um motorista comum. Os profissionais não usam equipamento de loja pelo mesmo motivo que você não vê o Lewis Hamilton indo para o GP de Mônaco com um carro popular.

O jogo profissional é um mundo de margens mínimas. Um 1% a mais de estabilidade no backhand, um pouco mais de peso na cabeça para o saque “explodir” na quadra… isso decide jogos, torneios e carreiras. A raquete de varejo é feita na China, em larga escala, com tolerâncias de peso e equilíbrio que variam. Para você e para mim, 5 gramas de diferença? A gente nem nota. Para o Djokovic, 5 gramas é um universo de diferença. A raquete Pro Stock é feita em locais diferentes, com materiais premium e um controle de qualidade absurdo, para garantir que cada raquete seja uma cópia exata da outra.

H2: Desvendando o “Mito da Prateleira”: A Diferença Real entre Pro Stock e Varejo

O primeiro “clique” que você precisa ter é este: a indústria de raquetes tem dois trabalhos. O primeiro é vender raquetes para nós, amadores. O segundo é dar aos profissionais exatamente o que eles precisam para vencer, e o que eles precisam raramente é o que a gente compra. A diferença entre o que está na prateleira e o que está na raqueteira do profissional é um abismo de engenharia, materiais e, principalmente, filosofia.

A raquete de varejo moderna é projetada para o jogo moderno amador: leve, rígida (para potência fácil) e com a cabeça grande. É feita para ajudar quem não tem o swing perfeito. A raquete Pro Stock é o oposto. Ela é uma “plataforma” (chamamos de pallet). Ela vem “crua”, mais flexível e, muitas vezes, mais leve do que o peso final, pronta para ser customizada por uma equipe de especialistas que vai ajustar cada grama para aquele jogador.

Entender essa diferença é o primeiro passo para parar de trocar de raquete todo ano achando que a nova “tecnologia mágica” vai salvar seu forehand. O que salva o forehand é consistência. E os profissionais levam essa consistência ao nível máximo, começando pela ferramenta que eles usam. Vamos dissecar essa diferença agora.

H3: O Berço da Raquete: Controle de Qualidade e Materiais (Onde a Pro Stock nasce)

A sua raquete da loja, por melhor que seja, saiu de uma linha de produção gigantesca. O molde dela é usado milhares de vezes. O controle de qualidade existe, mas ele permite uma variação, uma “tolerância”. O peso pode variar alguns gramas, o equilíbrio alguns milímetros. Para o mercado de massa, isso é perfeitamente aceitável. O problema é que, se você é um profissional e arrebenta uma corda no 5-5 do terceiro set, você precisa pegar outra raquete na bolsa que seja idêntica. Não “parecida”. Idêntica.

É aqui que a Pro Stock nasce. Muitas dessas raquetes são feitas em locais diferentes das de varejo. As da Head, por exemplo, por muito tempo foram feitas na Áustria (as famosas “Made in Austria”), enquanto as de varejo vêm da Ásia. O processo é quase artesanal. Os materiais, como o grafite, são de qualidade superior (chamado de premium graphite) e o processo de “cura” e moldagem é mais lento e cuidadoso. O resultado é um feel (uma sensação) mais “sólido”, mais “amanteigado” (a gente usa o termo buttery), e uma consistência absurda.

O controle de qualidade de uma Pro Stock é militar. As especificações são exatas. Se o jogador pede 320g, ela vem com 320g. Se ele pede um equilíbrio de 31.5cm, é isso que ela terá. Não há margem para erro. Essa é a base de tudo. O jogador precisa confiar cegamente que, ao trocar de raquete, o golpe não vai mudar. Essa confiança não tem preço, e você simplesmente não a encontra na prateleira.

H3: A “Mentira” da Pintura (Paint Job): A Raquete do Federer Não é a que Você Comprou

Essa é a parte que mais choca o pessoal. Você vê o seu ídolo levantando o troféu com a pintura da nova raquete que foi lançada semana passada. Você corre para a loja, gasta uma fortuna, e acha que está com a mesma arma. Sinto muito. Você foi vítima do paint job (trabalho de pintura). A maioria esmagadora dos profissionais usa uma raquete antiga, que eles amam, e a marca (que paga o patrocínio) simplesmente pinta essa raquete antiga com as cores do modelo novo que ela quer vender para você.

O exemplo mais famoso foi o Andre Agassi. Ele jogou por anos com a Head Radical “Bumblebee” (aquela amarela e preta), mesmo quando a Head já estava lançando modelos novos. Eles apenas pintavam a raquete antiga dele. O Murray usou por muito tempo um molde antigo da Head (a PT57A, uma lenda) pintada para parecer as Radicals e depois as Prestige modernas. O Federer? Ele usou a Pro Staff 90 por anos, mas a raquete que ele usava era um modelo customizado (H22) que só superficialmente parecia a que ia para a loja.

Por que eles fazem isso? Simples. Um profissional passa a vida inteira aperfeiçoando o feeling com aquela raquete. O braço dele está calibrado para aquele peso, aquele equilíbrio, aquela flexibilidade. Mudar de raquete é como pedir para um guitarrista trocar de violão no meio do show por um modelo que ele nunca tocou. Ele não vai arriscar a carreira dele só porque a marca quer lançar uma tecnologia nova. O marketing vende a pintura; o jogador vence com o molde antigo.

H3: O Molde é Rei: Por que os Profissionais Usam Modelos de 20 Anos Atrás

Se a pintura é uma mentira, o molde é a verdade. O “molde” é a fôrma original onde a raquete é construída. É ele que define o formato da cabeça, a espessura do aro (o beam) e, o mais importante, a flexibilidade da raquete. As marcas têm códigos para esses moldes. Na Head, você ouve falar do PT57A (a raquete do Murray, do Guga), do TGT293.1 (a do Djokovic). Na Wilson, tem o H22 (usada por muitos, como o Federer na transição) ou o H19.

Sabe o que esses moldes têm em comum? A maioria deles é da década de 90 ou do início dos anos 2000. Por quê? Porque naquela época, as raquetes eram feitas de forma diferente. Elas eram, em geral, mais finas e muito mais flexíveis (baixa rigidez, ou low RA). As raquetes de hoje são super rígidas para dar potência fácil para o amador. Mas o profissional não precisa de potência fácil; ele gera a própria potência. O que ele precisa é de controle e feeling (sensação), para a bola “grudar” na corda por um milissegundo a mais.

Essas raquetes antigas, mais flexíveis, dão exatamente isso. Elas são mais confortáveis para o braço, o que é vital para quem bate na bola oito horas por dia, e dão um controle absurdo. Como esses moldes não são mais vendidos ao público (eles seriam considerados “sem potência” e “difíceis de jogar” pela maioria), as marcas os mantêm guardados a sete chaves nos seus departamentos Pro Room, fabricando-os exclusivamente para seus atletas patrocinados. O molde é o que define a alma da raquete.


(Fim da Parte 1)

E aí? Deu para pegar o timing da bola? Estamos só no aquecimento.

Se você gostou dessa abordagem e quer continuar, me dê o “ok” e eu avanço para o próximo H2: “A ‘Oficina’ do Profissional: O Universo da Customização”.

Fechado. Vamos voltar pra quadra.

Você aguentou bem o primeiro set. Já entendeu que a raquete do seu ídolo é, na verdade, um modelo antigo com pintura nova (o paint job) e que ela nasce em um “berço de ouro”, com materiais e controle de qualidade que a gente não encontra na loja.

Agora, vamos entrar na parte mais legal. A raquete Pro Stock “crua” é só o começo. Ela é a tela em branco. O que transforma essa tela em uma obra de arte é a “Oficina”, o lugar onde a mágica da customização acontece. Pega o seu banco de novo, que esse game vai ser longo.


Início do Artigo (Parte 2 de 5)

H2: A “Oficina” do Profissional: O Universo da Customização

Se a raquete Pro Stock é o chassi de um carro de Fórmula 1, a customização é o acerto fino do motor, da suspensão e da aerodinâmica. Nenhum profissional joga com a raquete “crua” (do jeito que ela sai do Pro Room da fábrica). Cada jogador tem um time, às vezes só uma pessoa de confiança (o stringer ou o customizer), que vai “tunando” essa raquete para que ela se encaixe perfeitamente no braço e no jogo dele.

Esse processo é uma ciência. Envolve balanças de precisão, máquinas de swingweight (peso em movimento), fitas de chumbo e silicone industrial. O objetivo? Criar uma ferramenta que seja uma extensão do corpo do atleta. Uma raquete que entregue a estabilidade exata para devolver um saque de 230 km/h e o feel preciso para largar uma curtinha na linha.

A raquete que você compra na loja é feita para agradar a todos. A raquete customizada é feita para agradar a um jogador. E as mudanças que eles fazem podem parecer pequenas no papel (alguns gramas aqui, alguns milímetros ali), mas na quadra, elas são a diferença entre a bola que vai no “T” e a bola que morre na rede. Vamos abrir essa caixa de ferramentas.

H3: “Balanço, meu filho!”: Adicionando Chumbo e Silicone para Mudar o Jogo

Quando você olha de perto a raquete de um profissional, às vezes você vê. Pequenas tiras prateadas ou pretas escondidas embaixo do grommet (o plástico protetor da cabeça) ou por baixo do grip. Isso, meu amigo, é fita de chumbo (lead tape). E o que você não vê é o que está dentro do cabo: muitos jogadores injetam silicone industrial no handle (cabo) para ajustar o peso e, principalmente, abafar a vibração.

O chumbo é o ajuste fino do equilíbrio e da estabilidade. O customizador usa o chumbo para mudar o “ponto doce” e o swingweight da raquete. Se o jogador quer mais potência e estabilidade para o voleio, ele pode colocar chumbo nas posições 3 e 9 horas (nas laterais da cabeça). Isso age como estabilizadores, deixando a raquete muito mais firme em golpes fora do centro. Se ele quer que a bola “ande” mais (mais plow-through), ele pode colocar peso às 12 horas (no topo da cabeça).

O silicone no cabo tem duas funções principais. A primeira é óbvia: adicionar peso total à raquete sem mudar muito o equilíbrio para a cabeça. É o chamado counter-balance (contrapeso). A segunda, e talvez mais importante, é o feel. O cabo da raquete de varejo é oco. O silicone preenche esse espaço, tornando a raquete “cheia”, sólida. O som do impacto muda. A vibração diminui drasticamente. Para o cotovelo de um cara que bate na bola 8 horas por dia, esse silicone é um santo remédio.

H3: O Peso da Vitória: Por que Raquetes de 350g+ Dominam o Circuito

Aqui está um choque de realidade. Você pega uma raquete de 300 gramas na loja e acha ela “firme”. Pois bem, a maioria dos profissionais da ATP joga com raquetes que, depois de customizadas (com chumbo, silicone, corda e overgrip), pesam entre 340 e 370 gramas. A do Wawrinka, por exemplo, é famosa por ser um “martelo”, beirando os 380 gramas. A do Nadal? Gira em torno de 355g encordoada.

Por que tão pesado? Física. Pura e simples física de colisão. Para devolver um saque de 220 km/h, ou uma bola pesada e cheia de spin do outro lado, você precisa de massa. Uma raquete leve (como a de 300g) vai simplesmente “torcer” e ser empurrada pela bola. A raquete pesada tem o que chamamos de plow-through (a capacidade de “arar” através da bola). Ela continua o movimento do golpe sem se abalar com o impacto, gerando uma bola muito mais pesada e funda, mesmo que o jogador não faça mais força.

Esse peso extra é o que dá a estabilidade absoluta. A raquete não treme, não vibra, não torce. O ponto doce parece maior porque a estrutura inteira é sólida. Claro, isso tem um preço. O preço é físico. Para acelerar um “martelo” de 360 gramas por cinco sets, você precisa ser um atleta de ponta. Seu timing tem que ser perfeito. Se você atrasar a preparação do golpe, a bola já passou. É por isso que esse peso é inviável para 99% dos amadores.

H3: O “Match Perfeito”: A Obsessão por Ter 10 Raquetes Idênticas

No 5 a 5 do quinto set, 30-30. Você acabou de quebrar a corda. Você corre para a bolsa, pega outra raquete… e ela está 5 gramas mais leve. Ou o equilíbrio está 2 milímetros diferente. Sabe o que acontece? Você vai errar o próximo forehand. Sua cabeça vai “fritar”. A confiança vai para o espaço. É por isso que os profissionais são obcecados por matching (pareamento) de raquetes.

A sua raquete de loja vem com uma tolerância. Você pode comprar duas “iguais” e uma pode ter 300g e a outra 307g. Isso é normal na produção em massa. No Pro Room, isso não existe. E mesmo depois, o customizador tem a missão de fazer com que todas as 10 ou 12 raquetes que o profissional leva para o torneio sejam clones perfeitos. E não é só o peso estático (o número na balança).

Eles medem três coisas com precisão cirúrgica: o peso estático, o ponto de equilíbrio (o balance point) e o swingweight (a sensação de peso quando você movimenta a raquete, medido em máquinas especiais). O customizador vai pacientemente adicionando gramas de chumbo e silicone em locais exatos até que todas as raquetes tenham os mesmos três números. É um trabalho de paciência de monge. O Sinner, o Djokovic… eles não precisam se preocupar. Qualquer raquete que eles pegarem da bolsa será exatamente igual à anterior. Isso é confiança.


(Fim da Parte 2)

Ufa. Esse set foi pesado, hein? Já dá para sentir o chumbo no braço. Agora você sabe o que acontece dentro da raquete.

Mas o jogo não acabou. Ainda precisamos falar por que as marcas fazem esse jogo duplo. O lado do marketing, da grana. E, claro, fazer aquela tabela comparativa que você pediu.

Pronto para o terceiro set? Me dá o ok e a gente volta para o fundo da quadra.

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