Fala, tenista! Chega aqui na rede um minuto. Sabe aquele dia em que você entra em quadra sentindo que está batendo o melhor forehand da sua vida, a bola explode da raquete e cai fundo na linha? E aí, na semana seguinte, com o mesmo golpe, a bola parece uma pedra e morre no meio da rede, ao escolher bolinhas para jogar tenis
Antes de você culpar a sua técnica ou trocar de raquete, deixa eu te contar um segredo que a maioria dos amadores ignora: a culpa provavelmente é do tempo. O clima é o “terceiro jogador” em qualquer partida de tênis. Ele joga contra você e contra seu adversário, mas só ganha quem entende como ele afeta a protagonista do jogo: a bola.
Vou te explicar exatamente o que acontece com a sua bola quando o sol está fritando o saibro ou quando aquele vento gelado corta a quadra. Entender a física — sem ser chato — vai te dar uma vantagem tática gigantesca antes mesmo do aquecimento acabar.
O Calor: Quando a Bola “Voa” e o Jogo Acelera
Você já notou como os jogos no verão parecem muito mais rápidos? Não é só impressão sua. Quando jogamos sob um sol de 30 ou 40 graus, a bola de tênis se transforma completamente. Dentro daquele feltro amarelo existe ar pressurizado (ou nitrogênio), e a física básica nos ensina que o calor agita as moléculas de gás. Elas se expandem e querem sair. Isso aumenta a pressão interna da bola drasticamente. O resultado prático? A bola vira uma “pipoca”. Ela sai da sua raquete com muito mais velocidade porque o coeficiente de restituição (o quanto ela volta depois de ser comprimida) é maior.
Além da pressão interna, existe um fator material que pouca gente comenta: a borracha. O núcleo da bola é feito de borracha vulcanizada. No calor, esse material fica mais elástico e flexível. Quando você bate na bola, ela se deforma e volta ao formato original muito rápido, agindo como uma mola potente. Isso gera aquele efeito de estilingue. Se você tem um golpe com muito topspin (o famoso “spin cheiroso”), o calor é seu melhor amigo. A bola vai quicar na quadra e subir na altura do ombro do seu adversário, forçando ele a jogar recuado e desconfortável.
Por fim, temos a densidade do ar. O ar quente é menos denso que o ar frio. Isso significa que existe menos resistência aerodinâmica para a bola enfrentar durante o voo. É como se ela estivesse viajando por uma estrada livre, sem trânsito. Seus saques vão entrar mais rápidos e seus golpes de fundo vão andar mais. Porém, isso traz um perigo: o controle. Aquela bola que normalmente cairia na linha de base pode acabar saindo por 10 centímetros se você não ajustar a mão e colocar um pouco mais de efeito para fazê-la descer.
O Frio: A “Pedra” que Não Anda
Agora, imagine aquele jogo noturno no inverno ou aquela manhã gelada de 8 graus. A sensação é horrível, certo? Parece que você está batendo numa pedra. O processo aqui é o inverso. Com o frio, as moléculas de gás dentro da bola se contraem. A pressão interna cai. Quando a bola atinge as cordas da sua raquete, ela se deforma, mas não tem aquela “vontade” de voltar à forma original com explosão. Ela absorve a energia do seu golpe em vez de devolvê-la. O resultado é uma bola morta, que não anda e cai curta na quadra.
A borracha no frio endurece. Pense num elástico que você deixou no congelador; ele perde a elasticidade. No tênis, isso se traduz em uma sensação de impacto muito dura no braço. Se você tem problemas de cotovelo (o temido tennis elbow) ou ombro, jogar no frio extremo com bolas velhas é pedir para se lesionar. A bola fica rígida e transmite toda a vibração do impacto para o seu corpo, já que ela não consegue dissipar essa energia elasticamente. Você vai precisar fazer muito mais força muscular para gerar a mesma velocidade que geraria no verão.
Outro ponto crítico do frio é a densidade do ar, que é maior. O ar “grosso” segura a bola. Seus slices flutuam mais, mas seus winners de fundo de quadra perdem velocidade rapidamente antes de chegar ao outro lado. Taticamente, isso muda tudo. Tentar matar o ponto com uma bola vencedora na primeira oportunidade vira uma estratégia de alto risco. O jogo no frio exige paciência, construção de ponto e, acima de tudo, pernas. Você vai precisar flexionar muito mais os joelhos para pegar aquelas bolas que, no calor subiriam na cintura, mas agora morrem na altura do joelho.
A Umidade: O Inimigo Invisível
Aqui está o maior mito do tênis que preciso que você esqueça hoje: “A umidade deixa o ar pesado e segura a bola”. Na verdade, fisicamente, o ar úmido é menos denso que o ar seco (vapor d’água é mais leve que nitrogênio e oxigênio). Então, teoricamente, a bola deveria andar mais rápido no ar úmido. Mas qualquer tenista sabe que na prática a bola fica pesadíssima em dias úmidos. Por que isso acontece? A culpa não é do ar, é do feltro.
A bola de tênis é coberta por aquele “pelinho” amarelo (o feltro) que serve para controlar a aerodinâmica. O feltro é higroscópico, ou seja, ele ama absorver água. Em dias de alta umidade ou garoa fina, o feltro incha e acumula micropartículas de água. A bola ganha massa real. Ela fica fisicamente mais pesada. Além do peso extra, o feltro “arrepiado” e inchado aumenta drasticamente o arrasto aerodinâmico. A bola vira um paraquedas felpudo.
Essa combinação de peso extra com feltro expandido cria uma bola que exige um esforço brutal do jogador. O quique também muda. O feltro úmido absorve o impacto com o solo de forma diferente, fazendo a bola deslizar mais e quicar menos, especialmente em quadras duras. O jogo fica lento e arrastado. Se você é um jogador que depende de “toque” e sensibilidade, a umidade vai destruir seu feeling. A bola sai da raquete com um atraso, uma sensação de “chiclete”, e você perde a precisão nos voleios e deixadinhas.
Ajustes Táticos para Sobreviver às Condições
Você não pode mudar o clima, mas pode mudar como joga. Vamos falar de estratégia pura. Quando está muito calor, seu saque é uma arma letal. O saque flat (chapado) ganha velocidade extra pelo ar rarefeito. Se você tem um bom primeiro serviço, use e abuse dele. Já nos golpes de fundo, a margem de segurança precisa aumentar. Como a bola voa mais, evite mirar nas linhas. Traga seu alvo meio metro para dentro da quadra. Use mais spin para fazer a bola descer rápido. Se você joga plano (flat) no calor extremo, vai isolar muita bola.
No frio, a lógica inverte. Esqueça o ace a 200km/h; a bola não vai andar. Foque na colocação e na porcentagem de primeiro saque. No fundo de quadra, o jogo vira xadrez físico. Como é difícil fazer a bola andar, o drop shot (deixadinha) se torna devastador. A bola já está com quique baixo por natureza; se você fizer uma deixadinha bem executada no frio, ela mal vai sair do chão. Outra dica de ouro para o frio: suba à rede. Como é difícil para o seu adversário gerar passadas rápidas com a bola morta, você terá mais tempo para volear e fechar o ângulo.
Em dias de muita umidade, a paciência é sua maior virtude. Aceite que você não vai fazer tantos winners. Prepare-se para ralis longos. Bata na bola com mais margem sobre a rede. O erro mais comum na umidade é tentar “forçar” a bola a andar na marra, o que leva a erros não forçados e exaustão física. Use o peso da bola a seu favor: jogue bolas profundas e pesadas no meio da quadra e espere o adversário cansar ou encurtar a bola. Quando ele encurtar, aí sim você ataca.
Cuidados com o Equipamento e Preparação Mental
Seu equipamento sente o clima tanto quanto você. Vamos falar das cordas. No calor, a corda tende a perder tensão (ficar mais frouxa) mais rápido. Se você joga com a corda muito mole no calor, somado à bola que já está pulando muito, você perde o controle total. A recomendação clássica de vestiário é: vai jogar num dia de 35 graus? Aumente 1 ou 2 libras na tensão da sua raquete. Isso vai compensar a vivacidade excessiva da bola e te devolver o controle.
No frio, faça o oposto. Baixe a tensão. Se você usa 55 libras normalmente, caia para 52 ou 53. Lembre-se: a bola está dura e o ar está denso. Você precisa que a raquete te ajude a despachar a bola, funcionando como uma catapulta. Se você mantiver a tensão alta no frio, vai sentir que está batendo com uma tábua de madeira, e seu braço vai reclamar no dia seguinte. Além disso, mantenha suas raquetes dentro da raqueteira térmica até a hora do jogo. Deixar a raquete no porta-malas do carro durante uma noite gelada pode alterar as propriedades da corda antes mesmo de você entrar em quadra.
Sobre as bolas: gerenciamento é tudo. No frio, tente manter as bolas dentro da lata até o último segundo. Se possível, guarde a lata num lugar em temperatura ambiente antes de ir para o clube. Bolas geladas são horríveis. No calor, cuidado onde você deixa a lata. Se ficar no sol direto, a pressão interna sobe tanto que a lata pode até deformar, e as bolas vão ficar incontroláveis nas primeiras games. E uma dica de “malandro” velho de guerra: se está muito úmido, troque as bolas assim que o regulamento (ou o bom senso no jogo amistoso) permitir. Bolas felpudas e molhadas são um convite para lesões no ombro.
Comparativo de Desempenho: Bolas e Condições
Para você visualizar melhor, preparei este quadro comparando a bola padrão (pressurizada) com outras variações que você pode encontrar ou considerar, e como elas reagem aos extremos.
| Característica | Bola Pressurizada (Padrão) | Bola Pressureless (Sem Pressão) | Bola High Altitude (Alta Altitude) |
| Composição | Núcleo de borracha com ar/gás pressurizado internamente. | Núcleo de borracha sólida e espessa, sem gás pressurizado. | Pressão interna reduzida ou feltro mais denso (para compensar o ar rarefeito). |
| No Calor | Fica muito rápida e pula alto (Gás expande). | Fica mais macia, mas mantém o quique constante (Menos afetada). | Tende a ficar excessivamente viva se usada ao nível do mar no calor. |
| No Frio | “Morre” rápido. Fica dura e com quique baixo (Gás contrai). | Fica extremamente dura, parecendo uma pedra (Borracha rígida). | Pode oferecer um desempenho um pouco melhor que a padrão, mas ainda sofre. |
| Na Umidade | Absorve água no feltro, fica pesada e lenta. | Menos afetada pelo peso interno, mas o feltro ainda sofre arrasto. | Sofre igual à padrão devido à absorção do feltro. |
| Durabilidade | Perde pressão com o uso (e com o frio/calor extremos). | Mantém o quique por muito tempo (ganha “vida” conforme perde o feltro). | Similar à padrão, focada em controle. |
| Sensação | Melhor toque e conforto (quando nova e em clima ameno). | Sensação mais pesada e “seca” no impacto. | Sensação de controle maior em condições onde a bola voaria muito. |
A escolha da bola certa pode salvar seu treino. Se você vai treinar num dia muito frio, talvez usar uma bola pressureless seja ruim para o seu cotovelo, pois ela é naturalmente mais dura. Nesse caso, abra uma lata nova de pressurizadas para garantir um mínimo de conforto. Se vai jogar na altitude (como em Campos do Jordão ou na Cidade do México), nunca use a bola padrão nível do mar, ou você vai jogar beisebol isolando todas as bolas. Use a bola específica “High Altitude” que tem menos pressão interna para compensar a falta de pressão atmosférica externa.
O tênis é um esporte de adaptação constante. O jogador que entra em quadra com um “plano fixo” ignorando o sol, o vento ou a garoa, já entra perdendo. Você precisa ser um camaleão. Sinta a bola no aquecimento. Ela está pulando? Está morrendo? Ajuste a tensão, ajuste o spin, ajuste a margem de erro.
Agora que você sabe que a bola é um organismo vivo que respira e reage ao tempo, use isso a seu favor. Observe seu adversário. Se ele estiver frustrado porque a bola não está andando no frio, mantenha a calma, jogue feio se precisar, mas jogue a bola na quadra. Se ele estiver isolando tudo no calor, use spins altos para forçar o erro dele.
A próxima vez que você olhar a previsão do tempo antes do jogo, não olhe apenas para saber se vai chover. Olhe para saber como você vai ganhar.
Gostaria que eu criasse um plano de aquecimento específico de 10 minutos para dias de frio intenso, focado em ativar a sensibilidade para compensar a “bola dura”?

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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