E aí, campeão. Pega sua água, senta aí no banco um minuto. Acabamos o treino, mas agora vamos falar de algo tão importante quanto o seu top-spin: a sua ferramenta de trabalho. Você gasta uma grana em uma raquete nova, sente aquele ‘pop’ gostoso nas primeiras batidas, mas depois de seis meses, parece que a mágica acabou. A raquete está ‘morta’, o controle sumiu e a culpa, claro, é do equipamento. Certo? Errado. A culpa é de como você trata ela.
Eu vejo isso todo dia na quadra. Aluno chega com uma raquete de ponta, uma Babolat Pure Aero novinha, e guarda ela molhada de suor dentro da capa, joga no porta-malas e esquece lá. Isso é como comprar um carro de corrida e usar para levar entulho. Uma raquete de tênis moderna é uma peça de engenharia de precisão. Grafite, carbono, tungstênio. Materiais que reagem ao ambiente. Se você não cuidar dela, você não está jogando com 100% do que ela pode oferecer.
Vamos mudar esse jogo. Quero que você entenda a sua raquete como uma extensão do seu braço. E para ela funcionar, ela precisa de manutenção. Não é nada complicado, não precisa ser um ‘encordoador pro’, mas são hábitos. São cinco coisas principais, e mais algumas que ninguém te conta, que vão fazer essa raquete durar o dobro e, mais importante, performar como no dia em que você a comprou. Vamos acertar esse ‘timing’ da manutenção.
1. O Ponto de Contato: A Importância Vital do Grip e Overgrip
Vamos começar pelo básico, pelo seu aperto. O grip é literalmente onde você e a raquete se conectam. Se essa conexão estiver ruim, escorregadia, ou desconfortável, todo o seu jogo desmorona. Você aperta demais a mão, gera tensão desnecessária no antebraço (oi, ‘tennis elbow’), e perde sensibilidade no ‘touch’, naquele voleio curto. Manter o grip e o overgrip em dia é a manutenção mais barata e de maior impacto que existe no seu jogo.
Muitos jogadores negligenciam isso. Eles se acostumam com aquele overgrip preto, gasto, que já foi branco um dia. O problema é que um grip gasto perde sua capacidade de absorção de suor e de vibração. A raquete começa a girar na sua mão em um saque mais forte ou em um voleio de bloqueio. Você perde a confiança na batida porque seu cérebro fica, subconscientemente, com medo da raquete escapar.
Pense no overgrip como os pneus do seu carro de Fórmula 1. Você pode ter o melhor motor (sua força) e o melhor chassi (sua raquete), mas se os pneus estiverem carecas (grip gasto), você vai rodar na primeira curva. Não é apenas uma questão de conforto, é uma manutenção de performance. Você precisa de aderência máxima para relaxar o braço e deixar a física da raquete fazer o trabalho.
Quando trocar o overgrip: Sinais de desgaste
O primeiro sinal é visual, mas nem sempre é o mais confiável. Um overgrip branco fica sujo rápido, mas pode reter a aderência por um tempo. O sinal real é tátil. Passe o dedo sobre o grip agora. Você sente ele ‘grudento’ (tacky) ou ‘aveludado’, como deveria? Ou ele está liso, brilhante, quase plastificado? Se estiver liso, a aderência já era. A capacidade dele de segurar sua mão acabou.
Outro sinal claro é a perda de relevo e espessura. Muitos overgrips têm microperfurações ou um padrão leve para ajudar na pegada. Quando você joga, sua mão compacta esse material. Se o grip parece ‘amassado’, fino demais, ele perdeu totalmente a capacidade de absorção de impacto. Você vai sentir mais vibração subindo pelo braço, o que é péssimo para as articulações e aumenta o risco de lesão.
O cheiro. Sim, o cheiro. Não estou brincando. O overgrip absorve todo o seu suor, óleo da pele e as bactérias da sua mão. Se você guarda a raquete em local úmido logo após o jogo, ele mofa. Se o seu grip tem um cheiro azedo ou forte, ele está saturado. Não é só nojento, é um sinal claro de que o material está degradado e não vai mais absorver o suor da sua mão na hora que você mais precisar, no 5 a 5 do terceiro set.
Grip vs. Overgrip: Entendendo a diferença
Vejo muito aluno iniciante e até intermediário confundindo isso. O ‘grip’ (ou cushion grip) é a base. É aquela camada grossa, geralmente de couro sintético ou poliuretano, que vem de fábrica na raquete, direto no cabo de grafite. Ele é o responsável pelo amortecimento principal e por dar o tamanho (espessura L2, L3, L4) da sua empunhadura. Você nunca tira o grip original para jogar, a não ser que vá substituí-lo por outro grip, o que é um processo mais raro e complexo.
O ‘overgrip’ (sobre-grip) é o que o nome diz: ele vai POR CIMA do grip original. Ele é fino, mais barato e feito para ser descartável. Ele tem duas funções principais: proteger o grip original (que é caro e difícil de trocar) e dar a sensação de ‘tack’ (pegada) e absorção de suor que você precisa. É o overgrip que você troca regularmente, a cada 5 ou 10 horas de jogo, dependendo do quanto você sua.
Existe uma exceção. Alguns jogadores mais antigos, ou que buscam o máximo de ‘feeling’ da raquete, como o Pete Sampras fazia, usam apenas o grip original, ou trocam o grip de fábrica por um de couro natural. O couro dá uma sensação muito mais ‘seca’ e direta dos chanfros (as ‘quinas’ do cabo) da raquete. É ótimo para sensibilidade, mas péssimo para absorção de suor e conforto. Para 99% dos jogadores amadores, a combinação grip de fábrica mais overgrip é o ‘forehand’ vencedor.
Review e Comparativo: Overgrips populares no teste
Já que estamos falando do ponto de contato, vamos analisar o que o mercado oferece. Você já deve ter visto na TV aquele overgrip azul claro que muitos profissionais, especialmente os americanos, usam. É o Tourna Grip. Ele não é um overgrip ‘tacky’ (pegajoso) como a maioria que você vê por aí. Ele é um grip de ‘absorção’. Quando está seco, ele parece estranho, quase como uma lixa fina de papel.
A mágica do Tourna Grip acontece quando você começa a suar. Quanto mais úmido ele fica, melhor é a aderência. Por isso é o favorito de quem sua muito nas mãos ou joga em locais quentes e úmidos. O ‘feeling’ dele é único, muito seco e direto. A desvantagem? A durabilidade é baixíssima. Em dois ou três jogos intensos, ele começa a esfarelar e precisa ser trocado.
Vamos comparar ele com dois outros gigantes do mercado, o Wilson Pro Overgrip (o branco clássico, favorito de lendas como Federer) e o Yonex Super Grap (popular pela variedade de cores e muito usado no circuito). Eles são o oposto do Tourna. São ‘tacky’, ou seja, pegajosos. Eles grudam na sua mão, o que dá uma sensação de segurança imediata. São ótimos no frio ou para quem não sua tanto. O problema é que, quando eles ficam muito molhados de suor, eles viram um sabão, ficam extremamente escorregadios.
Comparativo de Overgrips
| Característica | Tourna Grip (Original) | Wilson Pro Overgrip | Yonex Super Grap |
| Tipo de Sensação | Seco (Absorvente) | Pegajoso (Tacky) | Pegajoso (Tacky) |
| Performance no Suor | Excelente (Melhora com suor) | Ruim (Escorrega muito) | Ruim (Escorrega) |
| Durabilidade | Baixa (Esfarela rápido) | Média para Alta | Alta |
| Conforto (Amortecimento) | Baixo (Muito fino) | Médio | Médio para Alto |
| Ideal para | Jogadores que suam muito / Clima úmido | Jogadores que buscam ‘tack’ / Clima seco | Jogadores que buscam ‘tack’ e durabilidade |
2. O Motor da Raquete: Respeite seu Encordoamento
Agora vamos para a alma da raquete: as cordas. Você pode ter a raquete do Alcaraz, mas se ela estiver com a corda errada, ou pior, com uma corda ‘morta’, você está jogando com um pedaço de pau. O encordoamento é o que gera a potência, o ‘spin’ (efeito) e o controle. É o motor. E, como todo motor, ele perde a performance muito antes de quebrar e parar de funcionar.
O maior erro que vejo é o aluno que diz: “Professor, não preciso encordoar, minha corda nunca quebra”. Isso é um desastre para o braço e para o jogo. A corda, seja ela de tripa sintética (multifilamento) ou co-polímero (monofilamento), começa a perder tensão (elasticidade) no segundo em que sai da máquina de encordoar. Só de ficar parada na raqueteira, ela perde tensão.
Jogar com corda morta, sem tensão, obriga você a fazer mais força para a bola andar. Você força o ombro, o cotovelo. A bola não ‘pega’ o spin, ela sai flutuando, passando da linha de base. E você não entende por quê. A manutenção das cordas não é esperar elas quebrarem; é trocá-las para manter o nível do seu jogo e, principalmente, a saúde do seu braço.
A perda de tensão: O inimigo silencioso
A tensão é a ‘vida’ da corda. Quando nova, a corda age como um elástico potente. Ela deforma quando a bola bate e volta rapidamente ao lugar, jogando a bola para fora. Isso é o ‘efeito estilingue’ que gera potência e absorve o impacto. Com o tempo e o uso, esse elástico vai ficando frouxo. Ele perde a capacidade de voltar ao lugar com a mesma velocidade.
Essa perda de tensão é chamada de ‘morte’ da corda. A raquete fica com uma sensação ‘pastosa’, o ‘sweet spot’ (ponto doce) diminui e a vibração aumenta drasticamente. Toda aquela vibração que a corda elástica deveria absorver, agora está indo direto para o seu punho, cotovelo e ombro. Jogar com corda morta é o caminho mais rápido para uma lesão crônica.
O pior é que essa perda é gradual. Você não percebe de um dia para o outro. Você vai se adaptando, colocando mais força no braço para compensar a potência que a corda não gera mais. Você acha que ‘desaprendeu’ a jogar, mas na verdade, sua ferramenta está descalibrada. É um inimigo silencioso que sabota seu jogo por dentro.
Frequência de troca: A regra do “número de vezes por ano”
Existe uma regra de ouro no tênis amador que ajuda a ter um norte. Você deve trocar suas cordas por ano o mesmo número de vezes que você joga por semana. Joga duas vezes por semana? Você deveria encordoar sua raquete no mínimo duas vezes por ano, mesmo que ela não quebre. Joga quatro vezes por semana? Quatro trocas por ano.
Essa regra é um ponto de partida, não uma lei absoluta. Se você joga com cordas de co-polímero (as ‘poliéster’, mais duras, focadas em spin), a história é outra. Essas cordas são fantásticas para controle e efeito, mas morrem muito rápido. Elas podem perder 30% da tensão nas primeiras 4 horas de jogo. Para quem usa ‘co-poly’, a regra é trocar a cada 15 ou 20 horas de quadra, independente de quebrar.
Para jogadores mais avançados, a troca é ainda mais frequente. Um profissional troca a cada jogo, ou até mesmo durante o jogo, pois eles sentem a mínima variação de tensão. Você não precisa disso, mas não pode esperar seis meses. Se você sentir a bola ‘flutuando’ ou seu braço doendo, não espere. Vá encordoar. É um investimento na sua saúde.
O material da corda importa (Tripla vs. Co-poli)
A sua manutenção depende diretamente do que está instalado na raquete. Se você usa um multifilamento (que imita a tripa natural), a sensação é de conforto e potência. Essas cordas ‘seguram’ a tensão por mais tempo, mas elas ‘desfiam’ (fray). O sinal de troca aqui é visual: quando as fibras começam a aparecer, é hora de trocar, pois ela está perto de estourar.
Já o co-polímero (co-poly), a corda preferida de 90% do circuito profissional hoje, é o oposto. Ela é dura, dá muito spin e controle. O problema é que ela não avisa que vai morrer. Ela não desfia. Ela simplesmente perde a elasticidade. Um co-poly morto é um arame. É duro, transfere toda a vibração e é um veneno para o braço do amador.
Por isso, se você não é um jogador avançado que quebra corda toda semana, pense duas vezes antes de usar o mesmo co-poly do Nadal. Talvez um híbrido (misturando as duas) ou um multifilamento de qualidade seja melhor para seu braço e seu jogo. E lembre-se: um co-poly deve ser trocado rápido, mesmo sem quebrar, para evitar que você visite um ortopedista.
3. O Inimigo Nº 1: Temperatura e Armazenamento
Aqui é onde eu vejo o maior ‘crime’ contra o equipamento. Você termina o jogo, cansado, e joga a raqueteira no porta-malas do carro. Você vai trabalhar, o carro fica no sol o dia todo. Quando você volta, o interior do carro está um forno. Você acaba de cozinhar sua raquete e destruir suas cordas.
O grafite e o carbono, materiais principais do ‘frame’ (a estrutura da raquete), são resistentes, mas eles não gostam de calor extremo. O calor amolece a estrutura em nível microscópico. Fazer isso repetidamente pode comprometer a integridade estrutural da raquete, deixando ela mais ‘mole’ e propensa a quebrar em um impacto.
Mas o dano principal e imediato é nas cordas. O calor acelera a perda de tensão de forma absurda. Uma corda que duraria 20 horas de jogo, se for deixada no calor, pode perder toda sua elasticidade em dois dias, sem nem entrar em quadra. Você vai pegar a raquete para o próximo jogo e ela estará morta, com a tensão totalmente diferente da que você colocou.
O porta-malas: O cemitério de raquetes
Eu chamo o porta-malas de cemitério de raquetes. É o pior lugar do mundo para o seu equipamento. Além do calor extremo que pode atingir mais de 60 graus Celsius em um dia quente, ele também sofre com o frio extremo no inverno. Essa variação de temperatura (calor-frio-calor-frio) estressa os materiais da raquete e das cordas.
O porta-malas também é úmido. Se você joga e guarda o overgrip suado, as roupas molhadas, tudo isso cria um ambiente perfeito para mofo e degradação. O couro (ou couro sintético) do seu grip original vai ressecar e rachar com o calor, e mofar com a umidade. É um desastre completo.
Sua raquete deve ser tratada como um eletrônico sensível, como um laptop. Você não deixaria seu notebook no porta-malas no sol, deixaria? Pois é. A raquete deve ir com você, para dentro de casa ou do escritório, em um local com temperatura ambiente. Esse é o hábito mais simples e que mais economiza dinheiro em cordas e raquetes.
Umidade e o efeito no encordoamento
O calor é o vilão óbvio, mas a umidade é a vilã silenciosa. A umidade afeta diferentes cordas de formas diferentes. As cordas de tripa natural (as mais caras e sensíveis) são higroscópicas, ou seja, elas absorvem a umidade do ar. Se você jogar na chuva ou guardar em lugar úmido, elas incham, perdem tensão e apodrecem.
Os multifilamentos sintéticos também sofrem com a umidade, embora menos. As fibras internas podem absorver água, o que ‘amolece’ a corda e muda completamente a sensação da batida. O co-polímero é mais resistente à água, mas a umidade acelera a degradação do overgrip, como já falamos.
O ideal é: jogou na chuva ou em dia muito úmido? Chegue em casa, tire a raquete da bolsa, passe um pano seco nela e no grip, e deixe ela ‘respirar’ em um local seco antes de guardar. Nunca guarde uma raquete molhada. Isso é pedir para ter problemas.
A solução: Bolsas térmicas (CCT)
Você já viu aquelas raqueteiras gigantes que os profissionais carregam? Notou que muitas delas têm um compartimento que parece forrado com papel alumínio? Aquilo não é para manter sua bebida gelada. Aquilo é a tecnologia CCT (Climate Control Technology) ou ThermoGuard. É um revestimento térmico.
Esse compartimento cria uma barreira contra as temperaturas externas. Ele não é uma geladeira, ele não vai resfriar sua raquete. O objetivo é evitar as mudanças bruscas de temperatura. Se você precisar deixar a bolsa no carro por uma hora, a raquete dentro desse compartimento estará protegida do pico de calor ou de frio.
Se você leva o tênis a sério e investiu em uma raquete boa e em cordas caras, o próximo investimento deve ser uma raqueteira com proteção térmica. Ela paga o investimento ao salvar seus encordoamentos. Você gasta um pouco mais na bolsa, mas economiza muito em trocas de corda desnecessárias causadas pelo calor.
4. Protegendo o “Esqueleto”: O Frame e os Grommets
A estrutura da raquete, o ‘frame’, é o esqueleto do seu jogo. Ele é feito para aguentar milhares de impactos da bola, mas não foi feito para aguentar impactos com o chão, com o poste da rede ou com a raquete do seu parceiro de duplas. Cada batida dessas é um trauma para o grafite.
O problema não é só estético, aquele ‘ralado’ na pintura. O problema são as microfissuras. Batidas fortes podem criar rachaduras minúsculas na estrutura de carbono que você nem vê. Essas fissuras, com o tempo e a vibração normal do jogo, vão crescendo, até que um dia, em um saque ou um smash, a raquete quebra.
Você precisa ter cuidado. Evite bater a raquete. Parece óbvio, mas na hora da raiva ou daquele drop shot impossível, a gente esquece. Controle sua frustração. E na dupla, comunique-se. Um “minha!” alto evita que duas raquetes de 2 mil reais se encontrem no meio da quadra.
O papel do Bumper Guard (Grommet)
No topo da cabeça da raquete, existe uma peça de plástico grossa. É o ‘bumper guard’, ou protetor de cabeça. Ele é uma peça de sacrifício. A função dele é se desgastar no lugar da sua raquete. Quando você raspa a raquete no chão para pegar uma bola baixa (um slice defensivo), é ele quem leva a pancada.
Esse bumper guard também é onde ficam os ‘grommets’, os canais por onde a corda passa. Se o bumper guard quebra, o grafite do frame fica exposto. Na próxima raspada, você está lixando o carbono direto no chão. Além disso, se o grommet quebra, a corda fica em contato direto com a quina do frame, e ela vai estourar muito mais rápido.
A boa notícia é que o bumper guard e os grommets são substituíveis. Em uma boa loja de encordoamento, eles podem trocar esse conjunto. Se você notar que o seu bumper está muito gasto, rachado ou faltando pedaços, troque. É uma manutenção barata que protege o investimento principal: o frame da raquete.
Impactos e microfissuras: O que procurar
Você precisa inspecionar sua raquete. Pelo menos uma vez por mês, pegue a raquete e faça uma vistoria visual e tátil. Tire o antivibrador, olhe de perto. Procure por rachaduras na pintura. Às vezes, uma rachadura na pintura é só cosmética, mas às vezes ela acompanha uma fissura no grafite.
Passe o dedo sobre o frame. Você sente alguma coisa ‘fofa’ ou afundada? Isso é um sinal de delaminação, onde as camadas de carbono estão se separando. Isso é o fim da vida útil da raquete. Preste atenção especial na área do ‘coração’ (o “Y” da raquete) e na cabeça, nas posições de 3 e 9 horas, onde o estresse é maior.
Outro teste é o teste do som. Bata levemente o cabo da raquete na palma da sua mão. Você deve ouvir um som ‘sólido’, um “plink”. Se você ouvir um barulho ‘chocho’, ‘rachado’ ou um chocalho (que pode ser um pedaço de grafite solto lá dentro), é sinal de problema. Uma raquete comprometida muda o som e a sensação.
Limpeza: Mais que estética, é diagnóstico
Limpar a raquete não é só para ela ficar bonita na bolsa. É um ato de manutenção e diagnóstico. Depois de jogar no saibro, por exemplo, o pó da quadra entra em todos os lugares, inclusive nos grommets e no grip. Esse pó é abrasivo e acelera o desgaste.
Use um pano úmido (não molhado) com um pouco de sabão neutro. Limpe o frame. Ao limpar, você é obrigado a olhar de perto. É nesse momento que você vai achar aquela pequena rachadura que não tinha visto. É quando você vai notar que o grommet está quebrando.
Não esqueça de limpar o cabo. Passe o pano úmido no overgrip para tirar o excesso de suor e sal, o que pode aumentar a vida útil dele em um ou dois jogos. E seque bem antes de guardar. Uma raquete limpa é uma raquete que você inspecionou, e inspecionar é o primeiro passo para prevenir danos maiores.
5. Customização e Balanço: Mexendo no “Peso” da Raquete
Aqui entramos em um território mais avançado, mas que faz parte da manutenção. A “manutenção” do seu jogo. Às vezes, a raquete que você comprou de fábrica não está 100% alinhada com o que você precisa. Ela pode estar leve demais, ou o balanço (distribuição do peso) pode estar errado. Aí entra a customização.
Customizar uma raquete significa adicionar peso estrategicamente. Usamos fitas de chumbo (lead tape) ou tiras de silicone no cabo para alterar o peso total, o balanço (head-heavy ou head-light) e o ‘swingweight’ (a sensação de peso durante o movimento). Isso é manutenção de performance.
Um jogador pode adicionar peso na cabeça para ter mais potência no saque, ou no cabo para deixar a raquete mais ‘manuseável’ (head-light) para os voleios. É um ajuste fino que pode transformar uma raquete ‘boa’ na sua raquete ‘perfeita’. Mas isso exige conhecimento.
O que são ‘Lead Tapes’ e como afetam o jogo
‘Lead tape’ é exatamente o que o nome diz: fita adesiva com chumbo. Ela vem em rolos e você corta pequenos pedaços. A localização onde você coloca essa fita muda tudo. Se você colocar peso nas posições de 3 e 9 horas da cabeça, você aumenta a estabilidade da raquete contra torção. Ela fica mais ‘sólida’ em batidas fora do centro.
Se você colocar peso no topo da cabeça (12 horas), você aumenta drasticamente a potência do golpe, pois joga o balanço para a cabeça. Isso é bom para o saque e para o fundo de quadra, mas pode deixar a raquete lenta na rede e cansar seu braço. Se você adicionar peso no cabo (dentro do ‘butt cap’), você aumenta o peso total, mas deixa a raquete mais ‘head-light’ (cabo pesado), o que é ótimo para voleios e para quem tem ‘tennis elbow’.
O ‘lead tape’ é uma ferramenta poderosa. Mas é manutenção avançada. Você precisa testar. Coloque um pouco, jogue. Coloque em outro lugar, jogue de novo. É um processo de tentativa e erro até achar o ‘setup’ ideal para o seu biotipo e seu estilo de jogo.
Balanço (Cabeça vs. Cabo) e a manutenção do equilíbrio
Toda raquete tem um ponto de equilíbrio. ‘Head-light’ (HL) significa que o peso está mais para o cabo (como as raquetes do Federer). ‘Head-heavy’ (HH) significa que o peso está mais na cabeça (como muitas Babolats). ‘Even balance’ (EB) é o equilíbrio no meio. Esse balanço é o ‘DNA’ da raquete.
Com o tempo, esse balanço pode mudar. Se você troca o grip original por um de couro, você muda o balanço, deixando-a mais HL. Se você coloca muitos overgrips, um em cima do outro (um erro, aliás), você muda o balanço. A manutenção aqui é saber qual é o balanço original da sua raquete e tentar mantê-lo, ou alterá-lo de propósito.
Por exemplo, se sua raquete é HL e você gosta disso, mas precisa de mais peso, você tem que adicionar peso na cabeça E no cabo proporcionalmente, para manter o ponto de equilíbrio. Mexer no balanço sem saber o que está fazendo pode destruir a sensação da raquete e até causar lesões, pois muda toda a biomecânica do seu golpe.
O perigo de alterar o DNA da raquete
E aqui vai o meu aviso de professor. Cuidado. Não saia colocando chumbo na raquete só porque você viu o Djokovic fazendo isso. A customização mal feita é a pior coisa que você pode fazer. Você pode pegar uma raquete de 300 gramas e fazê-la parecer pesar 350, só que de forma desequilibrada, o que é um veneno para o cotovelo.
Se você sentir que sua raquete está vibrando muito, ou que falta potência, a primeira coisa a checar é a corda. 90% das vezes, o problema está na corda morta, não no peso da raquete. Resolva o básico primeiro: grip novo, corda nova. Se, e somente se, depois disso, você ainda sentir que algo falta, aí sim comece a pensar em customização.
E se for fazer, faça com calma. Adicione 1 ou 2 gramas de cada vez. É um ajuste fino. Colocar 10 gramas de chumbo na cabeça de uma raquete de uma vez é como tentar fazer um ‘drop shot’ com a força de um ‘forehand’. O resultado é um desastre. Respeite o equipamento.
6. A Raqueteira: Sua Ferramenta Merece uma Armadura
Vamos falar da bolsa. A raqueteira. Muitos alunos gastam uma fortuna na raquete e depois compram qualquer bolsa de 50 reais, ou pior, usam aquela capinha fina que veio de brinde. Isso é um erro grave. A raqueteira não é um acessório de moda, é o sistema de proteção da sua raquete.
Uma raquete moderna é sensível. Como já falamos, ela odeia calor, umidade e impacto. A raqueteira é a primeira linha de defesa contra tudo isso. Ela não é só para carregar a raquete, ela é para isolar a raquete do mundo exterior. É a armadura da sua ferramenta.
Investir em uma boa raqueteira é, na verdade, economizar dinheiro. Uma boa bolsa vai proteger sua raquete de pancadas no transporte, vai proteger suas cordas da perda de tensão pelo calor e vai manter seu equipamento organizado. É parte essencial do kit de manutenção.
O mito da “bolsa é tudo igual”
“Ah, professor, mas bolsa é tudo igual, é só um lugar para guardar a raquete”. Não, não é. Uma capa simples, dessas que cobrem só a cabeça, não protege de nada. Ela não protege do calor e não protege de impacto. Se você jogar a bolsa no banco de trás e ela cair no chão do carro, o frame pode bater na quina do trilho do banco. Adeus, raquete.
Uma raqueteira de verdade, mesmo as mais simples, tem acolchoamento. As paredes são grossas para absorver pequenos impactos. Elas têm compartimentos separados para que as raquetes não batam uma na outra, arranhando a pintura e o bumper guard.
E as raqueteiras melhores, como já citei, têm compartimentos térmicos. Essa é a maior diferença. A diferença entre uma bolsa comum e uma bolsa com CCT é a diferença entre trocar a corda a cada 15 horas de jogo ou a cada 10 horas. O custo da bolsa se paga na economia de encordoamentos.
Organização interna: Evitando atrito e danos
Uma boa raqueteira é projetada para o tenista. Ela tem um compartimento separado para o calçado, geralmente ventilado, para que o pó do saibro e o suor não entrem em contato com seus grips. Ela tem bolsos para acessórios: cordas extras, overgrips, tesoura, antivibrador.
Manter essa organização é crucial. Você nunca deve guardar sua raquete no mesmo compartimento que suas chaves, seu celular ou uma garrafa de água. A chave vai arranhar o frame. A garrafa de água pode vazar e molhar seus grips, inutilizando-os.
O atrito entre duas raquetes soltas dentro de uma bolsa genérica também é um problema. Elas ficam batendo uma na outra no transporte. A pintura lasca, os grommets podem trincar. A raqueteira com divisórias internas mantém cada ferramenta no seu lugar, segura e pronta para o uso.
O investimento em proteção térmica (Vale a pena?)
Eu digo e repito: sim, vale cada centavo. A tecnologia ThermoGuard ou CCT é a melhor amiga da sua corda. Ela usa um material isolante para refletir o calor e manter a temperatura interna da bolsa estável por mais tempo.
Pense no cenário: você joga um torneio. São três jogos no dia. Você encordoou a raquete com 50 libras. No primeiro jogo, ela está perfeita. Mas você deixa a bolsa no sol entre os jogos. Quando você pega a raquete para a semifinal, o calor já roubou 5 libras de tensão da sua corda. A raquete está diferente. Seu ‘timing’ vai embora.
A proteção térmica evita exatamente isso. Ela garante que a raquete que você pega para o terceiro set esteja com a mesma sensação da raquete do primeiro ‘game’. Para quem leva o jogo a sério, isso não é um luxo, é uma necessidade. Protege seu investimento em cordas e dá consistência ao seu jogo., ao escolher uma boa raquete de tênis para iniciantes
7. A “Vistoria” Pós-Jogo: O Hábito que Salva Equipamento
O jogo acabou. Você está cansado, suado, e só quer ir para casa. Mas os 5 minutos depois que você sai da quadra são cruciais para a manutenção do seu equipamento. Criar um ritual pós-jogo é o que separa um jogador cuidadoso de um jogador que vive trocando de raquete.
Isso é um hábito. Assim como você alonga depois do jogo (ou deveria), você precisa fazer o “check-up” da sua ferramenta. Não é nada complexo, é uma vistoria rápida que pode identificar um problema pequeno antes que ele se torne um problema grande e caro.
Não jogue a raquete na bolsa e esqueça dela. Pegue ela na mão. Olhe para ela. Veja o que o jogo fez com ela. Esse é o momento de diagnosticar o desgaste e preparar ela para o próximo treino.
O que olhar assim que sair da quadra
Primeira coisa: o frame. Passe o olho rapidamente na cabeça da raquete. Você deu alguma pancada forte no chão? Veja se o bumper guard está no lugar, se não há nenhuma rachadura óbvia na pintura, especialmente no topo da raquete, onde os impactos com o chão são mais comuns.
Segunda coisa: as cordas. Olhe para o ‘sweet spot’. As cordas estão no lugar? Elas estão ‘correndo’ demais? Se você usa co-poly, veja se as cordas estão ‘cavando’ umas nas outras (o ‘notching’). Se as cordas estão travadas e não voltam ao lugar, elas perderam a elasticidade e estão mortas, mesmo que não tenham quebrado.
Terceira coisa: o antivibrador. Ele ainda está lá? Parece bobo, mas perder um antivibrador a cada dois jogos é caro e chato. Verifique se ele está firme. É uma verificação de 10 segundos que salva seu equipamento.
Secando o grip antes de guardar
Esse é o passo mais importante do ritual pós-jogo. Seu overgrip está molhado de suor. Se você guardar a raquete imediatamente, especialmente em uma bolsa fechada e sem ventilação, você está criando uma colônia de bactérias. O grip vai mofar, vai feder e vai se degradar muito mais rápido.
Tenha uma toalha pequena ou um pano seco separado na sua bolsa só para isso. Assim que sair da quadra, seque o cabo. Passe o pano vigorosamente no overgrip para tirar o excesso de umidade. Isso vai dobrar a vida útil do seu overgrip, mantendo a aderência por mais tempo.
Se você suou muito, o ideal é tirar a raquete da bolsa assim que chegar em casa. Deixe ela ‘respirando’ por uma hora em um local arejado (longe do sol, claro) antes de guardá-la permanentemente. Um grip seco é um grip que dura mais e te dá mais segurança no próximo jogo.
O check-up das cordas: Procurando o “fray”
Se você joga com multifilamento ou tripa sintética, a vistoria das cordas é diferente do co-poly. Você não vai procurar por ‘notching’ (o ‘cavar’), você vai procurar por ‘fraying’ (o ‘desfiar’). As cordas multifilamento são feitas de centenas de pequenas fibras. Com o impacto, as fibras externas se rompem.
Olhe de perto para o ‘sweet spot’. Você vê as cordas começando a ficar ‘peludas’? Isso é o ‘fraying’. É um sinal de que a corda está chegando ao fim de sua vida útil e está prestes a arrebentar. Isso é bom. Significa que você tem um aviso.
Se o ‘fraying’ está muito avançado, talvez seja hora de encordoar, mesmo que não tenha quebrado. Não espere ela quebrar no meio do seu jogo mais importante. Ver isso no check-up pós-jogo te dá tempo para se planejar, levar a raquete para encordoar e tê-la pronta para o próximo treino, sem surpresas.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
ExperiênciaExperiência
Professor tênis – Professor tênis Professor tênis Instituto Próxima Geração. IPG · Tempo integral – Instituto Próxima Geração. IPG · Tempo integralmar de 2024 – o momento · 1 ano 2 meses De mar de 2024 até o momento · 1 ano 2 meses Monte Mor, São Paulo, Brasil · Presencial Monte Mor, São Paulo, Brasil · Presencial
Desenvolvimento de liderança e Tecnologias educacionais
Instrutor de tênis Instrutor de tênis Instrutor de tênis Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude Louveira · Meio período Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude Louveira · Meio período fev de 2017 – o momento · 8 anos 3 meses De fev de 2017 até o momento · 8 anos 3 meses Louveira, São Paulo, Brazil