Guia de tamanhos de grip: como escolher o grip perfeito para sua mão
Fala, tenista! Tudo certo por aí? Aqui é o seu “professor” na área, e hoje vamos bater um papo reto sobre um dos detalhes mais ignorados—e mais cruciais—do nosso esporte: o tamanho do grip da sua raquete. Você pode ter a raquete mais cara da loja, a mesma do seu ídolo, mas se a empunhadura não “casar” com a sua mão, você está jogando com o freio de mão puxado. É um detalhe técnico que muito amador deixa passar, focando só no peso e no tamanho da cabeça.
Pense no grip como o aperto de mão da sua raquete. É a sua única conexão direta com ela. Se esse aperto for fraco, inseguro ou desconfortável, todo o resto do seu jogo vai sofrer. Não adianta ter um motor de Ferrari (seu braço) se os pneus (o grip) não têm aderência. Você perde controle, perde potência e, o pior, abre a porta para lesões.
Neste guia completo, vamos desmistificar tudo sobre o tamanho do grip. Vamos deixar de lado o “achismo” e entrar na parte técnica, mas de um jeito que você entenda e possa aplicar hoje mesmo. Vamos aprender a medir sua mão, a entender os números na raquete e, o mais importante, a encontrar aquela sensação de que a raquete é uma extensão natural do seu braço. Prepara o overgrip, que o treino vai começar.
🚀 Por que o Tamanho do Grip é o ‘Sweet Spot’ Secreto da Sua Raquete
Muita gente acha que o “sweet spot” é só aquela área mágica no meio das cordas. Mas eu te digo: existe um “sweet spot” no cabo. É o tamanho exato que permite que sua mão trabalhe com eficiência, relaxamento e potência. É o ajuste fino que separa um golpe “ok” de um golpe matador.
Pense no grip como um tênis (o calçado, não o esporte!). Se você calça 40 e tenta jogar com um tênis 38, você vai sofrer. Seus dedos ficarão esmagados, a circulação será ruim e você terminará com bolhas. Se usar um 42, seu pé vai “dançar” lá dentro. Você vai perder estabilidade, vai tropeçar e pode torcer o tornozelo. A raquete é igual. Um grip errado é um convite ao desastre, mesmo que pareça um detalhe pequeno.
O tamanho correto do grip é o alicerce da sua técnica. Ele influencia como você segura a raquete, a facilidade com que você troca de empunhadura (do forehand para o voleio, por exemplo) e a quantidade de força que você precisa aplicar. Quando o grip está certo, sua mão fica relaxada, mas firme. É dessa fundação que nascem os bons golpes.
O Impacto Direto na Performance e Controle
Quando o grip se encaixa perfeitamente na sua mão, a mágica acontece. O primeiro benefício direto é o controle da face da raquete. Com o tamanho correto, seus dedos e a palma da mão têm a alavanca ideal para manipular os ângulos. Você sente exatamente para onde a cabeça da raquete está apontando no momento do impacto. Isso é o que chamamos de “feel”, ou “sensação”. Você ganha precisão nos seus slices, consegue angular a bola com mais facilidade e sente o “pocketing” (quando a bola afunda nas cordas) de forma muito mais clara.
Um grip incorreto prejudica a transferência de energia. Se o grip for muito grande, sua mão não consegue “abraçar” o cabo direito. Você perde a capacidade de usar o pulso de forma eficaz, o que é vital para gerar topspin no forehand moderno ou para “chicotear” o saque. Se for muito pequeno, seus dedos podem se sobrepor ou esmagar contra a palma, e você perde estabilidade. A raquete vai girar na sua mão em golpes mais pesados ou em devoluções de saque, tirando toda a sua confiança.
O tamanho certo permite o que chamamos de “mão relaxada”. No tênis, força bruta no braço não ganha jogo; velocidade da cabeça da raquete, sim. E essa velocidade nasce de um braço relaxado, que funciona como um chicote. Um grip adequado permite que você segure a raquete com firmeza, mas sem tensão. Você consegue acelerar o golpe no momento certo, usando a cadeia cinética do seu corpo, em vez de tentar “muscular” a bola com o braço.
Prevenção de Lesões: O Vilão do ‘Tennis Elbow’
Agora, vamos falar sério. Se performance não te convenceu, vamos falar de dor. O tamanho errado do grip é um dos principais culpados pelo famoso tennis elbow (a epicondilite lateral). A conexão é direta e mecânica. Se o seu grip é muito pequeno, seus dedos precisam se fechar muito. Para evitar que a raquete gire na sua mão, você instintivamente aperta o cabo com uma força absurda. Você joga o tempo todo com o que chamamos de “death grip” (o aperto mortal).
Essa tensão constante e excessiva não fica só na mão. Ela sobe. Os músculos flexores do seu antebraço ficam sobrecarregados, trabalhando em constante contração. Essa tensão é transmitida para os tendões que se conectam ao cotovelo. Jogue assim por algumas semanas e pronto: a inflamação aparece. Aquele ponto dolorido na lateral do cotovelo começa a incomodar depois do jogo e, logo, está doendo até para segurar uma xícara de café.
Um grip muito grande também é um problema. Embora menos comum, ele também causa lesões. Com um cabo grosso demais, você não tem segurança na pegada. Sua mão não fecha corretamente. Para compensar essa falta de firmeza, você também aperta demais. Além disso, um grip grande limita a mobilidade do pulso, forçando você a compensar com movimentos estranhos do braço ou do ombro para gerar spin ou potência, o que pode levar a lesões em outras áreas. O grip correto é aquele que distribui o impacto da bola por toda a mão e antebraço, sem sobrecarregar nenhum ponto.
A Diferença entre ‘Segurar’ e ‘Estrangular’ a Raquete
Existe uma arte em segurar a raquete. Os profissionais parecem que estão segurando um “passarinho”: firme o suficiente para ele não voar, mas suave o suficiente para não machucá-lo. Isso só é possível com o tamanho de grip correto. Quando o grip está certo, você consegue manter a mão relaxada entre os pontos, ou até mesmo durante o preparo do golpe, e aplicar a pressão ideal apenas no milissegundo do impacto.
“Estrangular” a raquete é o que o amador faz. Ele segura o cabo com força total, o tempo todo. Isso acontece por dois motivos: nervosismo ou um grip mal ajustado. Quando você estrangula o cabo, você mata o seu jogo. Você perde totalmente a sensibilidade (o “feel”). A bola parece um pedaço de madeira batendo na raquete. Além disso, um braço tenso é um braço lento. Você não consegue gerar a aceleração necessária para o jogo moderno.
A cadeia cinética do tênis (a transferência de energia do chão até a bola) começa nos pés, sobe pelas pernas, gira o tronco e explode no braço, terminando na mão. Se a sua mão está tensa, “estrangulando” a raquete, você cria um bloqueio. A energia para ali. O golpe sai fraco, travado. O grip perfeito permite que sua mão seja um condutor dessa energia, não uma barreira. Ela permite que você relaxe e deixe o “flow” do golpe acontecer naturalmente.
📦 Entendendo a Nomenclatura: Decifrando os Números (L0, L1, 4 1/8…)
Entrar em uma loja de tênis pode ser confuso. Você pega uma raquete e vê “L2”. Pega outra e vê “4 1/4”. Parece código, mas é bem mais simples do que parece. Essa confusão acontece porque existem dois sistemas principais de medição de grip que coexistem no mercado: o sistema europeu e o sistema americano.
Basicamente, eles estão medindo a mesma coisa: a circunferência do cabo da raquete, lá na parte de baixo, antes daquele “bumbum” (o butt cap). A diferença é só a unidade de medida e a nomenclatura. Uma raquete “L3” e uma “4 3/8” têm, na prática, o mesmo tamanho de cabo. Saber ler isso é o primeiro passo para filtrar suas opções.
Não se preocupe em decorar tudo. O mais importante é saber qual é o seu número em ambos os sistemas. A maioria dos jogadores adultos (homens e mulheres) vai se encontrar na faixa do L1, L2 ou L3. É raro ver amadores usando L4 ou L5, a menos que tenham mãos realmente muito grandes. O L0 geralmente é reservado para juniores ou mulheres com mãos muito pequenas.
O Padrão Europeu (L0 a L5)
O padrão europeu é o mais direto e, na minha opinião, o mais fácil de entender. Ele usa uma escala simples que começa no L0 e vai até o L5. Quanto maior o número, maior a circunferência do cabo. Simples assim. Às vezes, você pode ver “G” em vez de “L” (Grip 0, Grip 1…), especialmente em marcas asiáticas, mas a lógica é a mesma.
O L0 (zero) e o L1 são os menores, geralmente indicados para crianças que estão passando para raquetes de adulto ou para mulheres com mãos bem pequenas. A medida do L1 equivale a 4 1/8 polegadas. É um bom ponto de partida para muitas jogadoras ou jovens.
A grande maioria dos tenistas amadores, homens e mulheres, vai se situar entre o L2 (4 1/4 polegadas) e o L3 (4 3/8 polegadas). O L2 é provavelmente o tamanho mais vendido no mundo para mulheres e homens com mãos de tamanho médio para pequeno. O L3 é o padrão para a maioria dos homens adultos. O L4 (4 1/2) e o L5 (4 5/8) são para jogadores com mãos grandes, tipo “pá”.
O Padrão Americano (Polegadas)
O sistema americano, usado principalmente nos Estados Unidos, mede a circunferência em polegadas. O detalhe é que todos os tamanhos de grip de adulto começam com “4 e…” polegadas. O que muda é a fração que vem depois. Você nunca verá um grip “5 polegadas” ou “3 7/8 polegadas” (esses últimos são para raquetes infantis).
A escala começa em 4 1/8 polegadas (que é o L1 europeu). O próximo tamanho é 4 1/4 (L2). Depois, 4 3/8 (L3). Segue para 4 1/2 (L4) e 4 5/8 (L5). Algumas marcas, muito raramente, podem ter um 4 (L0) ou até um 4 3/4 (L6), mas são exceções. O importante é saber a equivalência.
Por que isso importa para você no Brasil? Porque recebemos raquetes fabricadas para ambos os mercados. Você pode comprar uma raquete online que usa o padrão americano, e na loja física encontrar o padrão europeu. Se você sabe que o seu tamanho é L3, você sabe que precisa procurar por “L3” ou “4 3/8”.
Tabela de Conversão e Referência Rápida
Vamos colocar ordem na casa. Para você nunca mais se confundir, aqui está a “cola” da conversão. Pense nisso como um dicionário de grips. O que importa é a linha: L1 é igual a 4 1/8, L2 é igual a 4 1/4, e assim por diante. Essa é a medida da circunferência total do cabo.
A correspondência exata é:
- L0 = 4 polegadas
- L1 = 4 1/8 polegadas
- L2 = 4 1/4 polegadas
- L3 = 4 3/8 polegadas
- L4 = 4 1/2 polegadas
- L5 = 4 5/8 polegadas
Esses números, L2, L3, etc., geralmente estão impressos no butt cap (aquela tampa na base do cabo) ou em um adesivo perto dele. Se você está comprando uma raquete usada ou não consegue achar o número, não se preocupe. Nos próximos tópicos, vamos ensinar você a descobrir o tamanho ideal, independentemente do que está escrito na raquete.
📏 Os Dois Métodos Clássicos para Medir Sua Mão
Ok, professor, já entendi que é importante e já sei ler os números. Mas como eu sei qual é o meu número? Excelente pergunta. Você não precisa adivinhar. Existem dois métodos muito práticos e consagrados para descobrir o seu ponto de partida.
O primeiro método é o que eu chamo de “científico” ou “de laboratório”. Você só precisa da sua mão e de uma régua ou fita métrica. É um método que você faz em casa, antes de ir para a loja, e te dá um número exato para começar sua busca. É ótimo para ter uma base técnica.
O segundo método é o “prático” ou “de quadra”. Você precisa de uma raquete (ou várias) na mão. É o teste de sensação, que valida ou ajusta o que o método da régua indicou. No final das contas, é esse segundo método que vai bater o martelo, pois o tênis é feito de sensações. Vamos aprender os dois.
O Teste da Régua (O Método “Científico”)
Este é o método mais objetivo para encontrar seu tamanho. Pegue uma régua ou uma fita métrica. Abra a palma da sua mão dominante (a que você usa para jogar) e mantenha os dedos juntos, mas relaxados. Você verá algumas linhas principais na sua palma. Estamos interessados na linha horizontal mais baixa, aquela que “corta” a sua palma na base, perto do pulso. Em algumas mãos, é a linha que começa abaixo do dedão e vai em direção à lateral da mão.
Agora, alinhe o “zero” da sua régua com essa linha palmar inferior, bem no meio da palma. Estique a régua até a ponta do seu dedo anelar (o quarto dedo, onde se usa a aliança). A medida que der ali, em polegadas, é o tamanho de grip que você deve procurar.
Por exemplo, se a medida da linha da palma até a ponta do seu dedo anelar for 4 3/8 polegadas, seu tamanho de grip ideal é o 4 3/8, que corresponde ao L3. Se der 4 1/4, você é um L2. É um método muito preciso e um excelente ponto de partida. Se a medida cair entre dois tamanhos (por exemplo, algo entre L2 e L3), lembre-se da regra de ouro que veremos mais à frente: escolha o menor.
O Teste do Dedo Indicador (O Método “Prático”)
Esse é o meu teste favorito e o que mais uso com meus alunos na quadra. Ele valida se o tamanho está correto na prática. Pegue uma raquete que você acha que é do seu tamanho (baseado no teste da régua ou em um palpite). Segure-a com a sua empunhadura mais comum, geralmente a Continental (como se fosse um martelo) ou a Eastern de forehand. Segure com firmeza, mas sem esmagar.
Agora, com a sua outra mão, pegue o seu dedo indicador e tente encaixá-lo no espaço que sobrou entre a ponta dos seus dedos (especialmente o anelar) e a parte mais “gordinha” da sua palma (a almofada na base do polegar).
O encaixe perfeito é quando o seu dedo indicador entra justo nesse espaço. Ele deve tocar levemente a ponta dos seus dedos e a palma da sua mão. Não pode sobrar espaço (o dedo fica solto) e não pode faltar espaço (o dedo não entra ou entra muito espremido). Se o dedo indicador couber ali com perfeição, “calçando” o espaço, parabéns: você encontrou o seu tamanho de grip.
O que Fazer se o Teste do Dedo Falhar?
O teste do dedo indicador é ótimo porque o diagnóstico é imediato. Se você colocou o dedo indicador no espaço e sobrou muito vão, ou seja, o dedo ficou “dançando” ali sem tocar as duas extremidades (dedos e palma), significa que o grip é grande demais para você. Sua mão não está conseguindo “abraçar” o cabo por completo.
Por outro lado, se você tentou encaixar o dedo indicador e ele não entrou, ou se seus dedos já estão tocando (ou quase tocando) a palma da mão antes de você colocar o dedo ali, o diagnóstico é claro: o grip é pequeno demais. Você precisa de mais cabo para preencher sua mão.
Com base nisso, o ajuste é simples. Grip grande demais? Solte a raquete e pegue um número menor (por exemplo, saia do L3 e teste um L2). Grip pequeno demais? Pegue um número maior (saia do L3 e teste um L4). Continue testando até que o seu dedo indicador se encaixe pernoitamente naquele espaço. Esse é o seu tamanho de base.
🟡 A Regra de Ouro: Na Dúvida, Erre para Menos
Aqui está o conselho de um milhão de dólares, a dica que todo profissional e todo bom encordoador vai te dar. Depois de fazer o teste da régua e o teste do dedo, você pode ficar em dúvida. “Professor, eu medi e deu 4 5/16… isso é entre um L2 (4 1/4) e um L3 (4 3/8). O que eu faço?” A resposta é categórica: compre o L2. Na dúvida, sempre escolha o tamanho menor.
Essa é a regra de ouro do tênis. Por quê? Porque é infinitamente mais fácil, barato e eficaz aumentar o tamanho de um grip do que diminuir. Diminuir o tamanho de um grip é um pesadelo técnico, muitas vezes impossível sem danificar a raquete. Aumentar é um procedimento padrão, simples, que você faz em dois minutos.
Quase todos os jogadores profissionais, sem exceção, usam um ou mais overgrips por cima do grip original. O overgrip não serve apenas para absorver o suor; ele serve para ajustar o tamanho. Portanto, faz todo o sentido comprar a raquete um pouco menor e usar o overgrip para “calibrar” o tamanho final e a sensação que você prefere.
O Papel Fundamental do Overgrip
Vamos esclarecer uma coisa: o grip (ou replacement grip) é a base que vem de fábrica na sua raquete. O overgrip é aquele rolinho fino e barato que você enrola por cima dele. O overgrip é um item de consumo, como a corda. Ele foi feito para ser trocado regularmente. Sua função primária é dar aderência (tackiness) e absorver o suor.
A função secundária, e é aqui que ele entra na nossa regra de ouro, é aumentar o tamanho do grip. Um overgrip padrão (como o Wilson Pro Overgrip ou o Tourna Grip) adiciona cerca de 1/16 de polegada à circunferência total. Em termos de tamanho, isso é meio tamanho de grip.
Se você comprou um L2 (4 1/4), ao adicionar um overgrip, o tamanho final da sua raquete será algo muito próximo de um L2.5 (4 5/16). Fica perfeitamente posicionado entre o L2 e o L3. Se você tivesse comprado o L3, ao adicionar o mesmo overgrip (o que você vai fazer, porque todo mundo usa), o tamanho final pularia para L3.5 (4 7/16), o que provavelmente seria grande demais para você.
Por que Aumentar é Fácil (e Diminuir é um Pesadelo)
Aumentar o tamanho do grip é um arsenal de opções. A opção 1, como vimos, é adicionar um overgrip (aumenta 1/16″). A opção 2 é adicionar dois overgrips. Não é o ideal, pois o cabo começa a ficar muito arredondado e você perde a sensação dos “bevels” (as faces planas do cabo), mas é possível para um aumento rápido. A opção 3, mais profissional, é usar um heat-shrink sleeve (uma manga termo-retrátil), que veremos em detalhes mais à frente.
Agora, diminuir? Isso é o que chamamos de “cirurgia de raquete”. O cabo da raquete (o pallet) é feito de espuma de poliuretano ou grafite. Para diminuir, o técnico teria que lixar esse material. Isso é arriscado, anula a garantia, pode desequilibrar a raquete e é quase impossível de fazer de forma uniforme. Em algumas marcas, como a Head, você pode trocar o pallet inteiro, mas isso é um serviço caro e complexo. Resumindo: não dá. Você não pode encolher uma raquete L3 para virar L2.
A Tendência Profissional: Grips Menores para Mais “Mão”
Se você observar o jogo profissional hoje, verá que a maioria dos jogadores, especialmente os que batem com muito topspin, tendem a usar grips relativamente menores para o tamanho de suas mãos. Por quê? Porque um grip ligeiramente menor permite mais ação de punho. Pense no forehand moderno, o “limpador de para-brisa” (windshield wiper) que o Nadal e tantos outros usam.
Esse golpe exige uma aceleração rápida e uma rotação extrema do pulso e antebraço sobre a bola. Um grip muito grosso “trava” o pulso, limitando essa mobilidade. Um grip mais fino permite que a mão “trabalhe” mais, facilitando a geração de spin.
Além disso, um grip mais fino facilita as trocas rápidas de empunhadura. Em um ponto rápido de saque e voleio, você precisa mudar do Continental (saque) para o Eastern/Semi-Western (forehand) e de volta para o Continental (voleio) em frações de segundo. Um grip menor torna essa transição mais ágil. Você “sente” melhor as faces do cabo, o que te dá mais confiança tátil para achar a empunhadura certa sem olhar.
🛠️ Ajustes Finos e Customização Avançada do Grip
Muito bem, você já encontrou seu tamanho base. Você comprou um L2, mas sente que com um overgrip ainda está um pouquinho fino. Ou você comprou um L3 e gosta, mas queria que ele fosse um L4 exato. Aqui entramos no território dos “pro stocks”, a customização fina que os profissionais fazem e que você também pode fazer.
Ir além do básico significa entender que você pode mudar não apenas o tamanho, mas a sensação, a textura e até o formato do seu cabo. Isso é para o jogador que já passou da fase de iniciante e sabe exatamente o que quer da sua raquete. É aqui que você transforma uma raquete “boa” em sua raquete.
O arsenal de customização vai além de simplesmente empilhar overgrips. Vamos falar de soluções permanentes (ou semi-permanentes) que mudam a estrutura do seu cabo para que ele se molde perfeitamente à sua necessidade, seja para adicionar tamanho de forma limpa, seja para mudar a sensação de “macio” para “seco”.
Usando ‘Heat-Shrink Sleeves’ para Aumento Permanente
Essa é a solução profissional para quem comprou um grip menor e quer aumentá-lo de forma definitiva e limpa. O heat-shrink sleeve (ou manga termo-retrátil) é um tubo de plástico fino que você desliza sobre o cabo nú da raquete (depois de tirar o replacement grip e o overgrip, deixando só o pallet de espuma/grafite).
Uma vez posicionada, você usa um secador de cabelo potente ou um soprador térmico. O calor faz a manga encolher e se moldar perfeitamente ao cabo, como uma segunda pele. A beleza disso? Ele adiciona exatamente um tamanho de grip inteiro (1/8 de polegada). Se você tinha um L2 (4 1/4), sua raquete agora é um L3 (4 3/8). Se era L3, vira L4.
A maior vantagem do heat-shrink sleeve é que ele preserva perfeitamente o formato dos bevels (as faces planas) do cabo. Empilhar dois ou três overgrips deixa o cabo arredondado, parecendo um “tijolo”, e você perde a sensação tátil das empunhaduras. O sleeve mantém o formato octogonal original, apenas tornando-o maior. Depois de aplicá-lo, você instala o seu replacement grip (o grip base) e o overgrip por cima, como faria normalmente.
‘Replacement Grips’ vs. ‘Overgrips’: A Batalha pela Sensação
É fundamental entender a diferença. O Replacement Grip (grip de reposição, ou cushion) é a base. É o que vem na raquete. Ele é espesso, oferece o amortecimento principal e é colado no cabo. O Overgrip é a camada fina e consumível que vai por cima. Você nunca deve jogar segurando direto no replacement grip, pois ele se desgasta rapidamente, não absorve suor direito e fica escorregadio.
A escolha do seu replacement grip já influencia o tamanho final. Existem dois tipos principais: sintéticos (cushion) e de couro. Os sintéticos (como o Babolat Syntec Pro ou o Head Hydrosorb) são mais grossos, macios e confortáveis. Um replacement grip de couro (o preferido dos jogadores clássicos) é muito mais fino, duro e pesado. Ele transmite muito mais “feel” e deixa você sentir os bevels do cabo com mais clareza, mas sacrifica o conforto.
Se você tem um grip L3 com um replacement grip sintético (grosso) e troca por um replacement grip de couro (fino), seu L3 vai parecer um L2.5. O contrário também é válido. Você pode usar a espessura do seu replacement grip como uma ferramenta de ajuste fino. Se sua raquete L3 está um tiquinho grande, trocar o grip sintético de fábrica por um de couro pode ser a solução perfeita, sem precisar lixar o cabo.
O “Pallet System” e a Mudança da Forma (Ex: Head)
Aqui entramos na customização nível “Jedi”. A maioria das raquetes tem o cabo (pallet) e o frame (a cabeça) como uma peça única de grafite/espuma. O que está ali é o que você tem. No entanto, algumas marcas, notavelmente a Head, usam um sistema de pallets intercambiáveis. O “esqueleto” da raquete termina no início do cabo, e o cabo em si é uma peça de plástico/espuma separada que encaixa nesse esqueleto.
Isso significa que, em uma raquete Head compatível (como as linhas Prestige e Speed mais antigas, e algumas atuais), você pode literalmente trocar o cabo. Você pode comprar um pallet L2 e um pallet L3 e trocá-los na sua raquete. Isso é o máximo em customização de tamanho.
Mas vai além: a Head vende pallets de formatos diferentes. O pallet padrão (TK82) é o formato retangular clássico da Head. Mas você pode comprar um pallet TK82S, que tem um formato mais arredondado, imitando o shape de uma raquete Wilson. Se você ama a raquete Head, mas cresceu jogando de Wilson e sente falta daquela “pegada”, você pode trocar o pallet e ter o melhor dos dois mundos. É um serviço técnico, que um bom stringer (encordoador) pode fazer.
🏃♂️ Estilos de Jogo e a Influência do Grip
O tamanho da sua mão é o ponto de partida, mas não é a história completa. O seu estilo de jogo—o que você tenta fazer com a bola—tem um peso enorme na escolha do grip. O tamanho do cabo pode ser uma ferramenta para facilitar ou dificultar certos golpes.
Pense no seu grip não como um pedaço de borracha estático, mas como a “transmissão” do seu carro. Você tem um motor (seu corpo), mas precisa da transmissão certa para aplicar essa potência de formas diferentes. Um baselineiro que vive de topspin precisa de uma “marcha” diferente de um jogador de saque-e-voleio que vive de “feel” e estabilidade.
A relação entre o tamanho do grip e a mecânica dos golpes é íntima. Um milímetro a mais ou a menos pode destravar o seu pulso para mais spin ou travar seu voleio e dar mais estabilidade. Por isso, ao escolher seu grip, pergunte-se: “Quem eu sou na quadra? Um ‘grinder’ (ralador) de fundo de quadra ou um ‘agressor’ que sobe à rede?”
Topspin Moderno: A Vantagem do Grip Menor
O jogo moderno é dominado pelo topspin. O heavy spin (spin pesado) que vemos com Nadal, Alcaraz e Swiatek exige uma coisa acima de tudo: velocidade extrema da cabeça da raquete e uma ação de pulso violenta no impacto, o famoso “limpador de para-brisa”. O pulso precisa estar solto (o wrist lag) e então “chicotear” para cima e sobre a bola.
Um grip ligeiramente menor facilita enormemente esse movimento. Com menos circunferência, seus dedos e pulso têm maior amplitude de movimento. É mais fácil “quebrar” o pulso e acelerá-lo. Um grip muito grosso age como um bloqueio mecânico, restringindo essa rotação.
É por isso que vemos muitos profissionais de ATP e WTA usando grips que, pelas regras clássicas de medição, seriam considerados “pequenos” para suas mãos. Eles sacrificam um pouco da estabilidade de um grip maior em troca da “mão rápida” (quick hands) e da capacidade de gerar spin massivo, que é a moeda mais valaSiosa do tênis atual. Se você é um jogador que baseia seu jogo em longas trocas de fundo com muito topspin, considere testar um grip meio tamanho abaixo do que a régua mandou.
Jogo Clássico e Saque-Voleio: A Busca pela Estabilidade
Agora, vamos inverter. Se você é um jogador mais clássico, que bate a bola mais flat (plana), ou um adepto do saque-e-voleio, suas prioridades mudam. Você não precisa tanto da ação de pulso extrema, mas sim de estabilidade no impacto. Quando você sobe à rede para um voleio, você está bloqueando uma bola que vem rápida. A última coisa que você quer é que a raquete gire ou torça na sua mão.
Para esse estilo, um grip ligeiramente maior (ou no tamanho “correto” exato medido pela régua) é muitas vezes preferível. Um cabo mais cheio preenche melhor a mão, oferecendo uma plataforma mais sólida e firme. Ele desencoraja o uso excessivo do pulso no voleio (um erro clássico) e promove um movimento mais firme, usando o ombro e o braço como um bloco.
Mesmo para jogadores de fundo de quadra com golpes mais planos (pense no drive clássico, com menos spin), um grip mais substancial oferece mais feedback e estabilidade na hora de redirecionar a bola. Se o seu jogo é sobre precisão, toque e estabilidade na rede, evite a tendência de ir para um grip muito pequeno.
O Grip de Duas Mãos (Backhand) e Considerações
E o backhand de duas mãos? Ninguém fala dele, mas ele é crucial na escolha do grip. Lembre-se: no backhand de duas mãos, sua mão não-dominante (a mão de cima) está fazendo a maior parte do trabalho. Ela é o seu motor de spin e potência. E essa mão, que geralmente é menor que a dominante, também precisa se sentir confortável no cabo.
Um grip que é muito grande para a sua mão dominante será enorme para a sua mão não-dominante. Isso pode ser um problema sério. A mão de cima terá dificuldade em fechar, em rotacionar e em conseguir a alavanca correta. Você perderá potência e spin no seu golpe de duas mãos.
Este é mais um argumento fortíssimo para a “Regra de Ouro”: erre para menos. Um grip L2, que pode parecer um pouco fino para sua mão dominante (direita, para um destro), provavelmente será o tamanho perfeito para sua mão não-dominante (esquerda). Ao adicionar um overgrip, você chega a um L2.5, que se torna um excelente meio-termo, confortável para ambas as mãos e otimizado para o seu backhand de duas mãos, sem sacrificar demais o forehand.
📊 Comparando Soluções de Ajuste de Grip
Para fechar nosso guia, vamos organizar as ferramentas que você tem para customizar seu grip. Como professor, gosto de ver isso como seu “kit de ajuste”. Você tem o tamanho base (o pallet da raquete), e por cima dele, você tem três camadas principais que pode manipular: o Replacement Grip, o Overgrip e, para casos extremos, o Heat-Shrink Sleeve.
Cada um tem uma função, um custo e um impacto diferente na sensação de jogo. Entender o que cada um faz permite que você se torne o “arquiteto” do seu próprio cabo. Você não precisa mais aceitar passivamente o que veio da fábrica. Você pode ajustar o amortecimento, a aderência e o tamanho final com precisão.
Abaixo, vamos dissecar essas três soluções. Não é uma tabela física, mas sim uma análise comparativa de como cada um desses “produtos” resolve um problema diferente. Pense neles como três chaves diferentes que você pode usar para “destravar” o potencial máximo da sua empunhadura.
Overgrip (A Solução Rápida)
O overgrip é o seu melhor amigo. É o “pneu” da sua raquete: barato, fácil de trocar e com impacto imediato na performance. Sua função principal é absorção de suor e aderência (tack). Você deve trocá-lo assim que ele ficar liso ou sujo. Jogar com overgrip velho é pedir para a raquete voar da sua mão.
Em termos de tamanho, é o ajuste fino. Ele adiciona, em média, 1/16 de polegada (meio tamanho). É a ferramenta perfeita para quem está entre dois tamanhos. Ele permite que você compre um L2 e o transforme em um L2.5. Existem centenas de tipos: “tacky” (grudentos, como o Wilson Pro), “dry” (secos, como o Tourna Grip, ótimo para quem sua muito), e “perfurados” (para ventilação).
O overgrip é a camada que sua pele toca. A escolha dele é 100% pessoal e baseada na sensação. É a forma mais fácil e barata de customizar seu grip. Todo jogador, do iniciante ao profissional, deve usar um.
Replacement Grip (A Base de Tudo)
O replacement grip é a fundação. É o que vem de fábrica, colado no pallet. Ele é responsável pelo amortecimento principal e pelo shape básico do cabo. A maioria dos grips de fábrica são sintéticos, com uma camada de espuma (PU) para conforto. Eles são relativamente grossos (cerca de 1.8mm a 2.1mm).
Você só troca o replacement grip quando ele está muito desgastado, esfarelando, ou quando você quer mudar radicalmente a sensação do cabo. A troca mais comum é do sintético de fábrica por um grip de couro. O couro é mais fino (cerca de 1.5mm), mais pesado e muito mais “duro”.
Por que alguém faria isso? Para sentir os bevels (as faces) do cabo com mais clareza. O couro transmite muito mais feedback da bola. Ao trocar um sintético (grosso) por um de couro (fino), você efetivamente diminui o tamanho final do seu grip em quase meio tamanho, além de mudar o equilíbrio da raquete (adicionando peso no cabo). É um ajuste avançado.
Heat-Shrink Sleeve (O Aumento Definitivo)
Esta é a “bala de prata” da customização de tamanho. O heat-shrink sleeve (manga termo-retrátil) tem uma única função: aumentar o tamanho do grip de forma limpa, permanente e profissional. Ele é aplicado antes do replacement grip, diretamente sobre o pallet.
Ele adiciona exatamente 1/8 de polegada (um tamanho de grip inteiro). Se você tem uma raquete L2 (4 1/4) e aplica o sleeve, ela se torna uma raquete L3 (4 3/8) em sua essência. A grande vantagem sobre “empilhar” overgrips é que o sleeve é finíssimo e se molda ao calor, preservando perfeitamente o formato octogonal e os bevels do cabo.
Esta é a solução para o jogador que tem certeza absoluta que seu grip é muito pequeno. Se você comprou uma L1 por engano e precisa de uma L3, você pode aplicar dois sleeves (embora não seja o ideal, é possível) ou um sleeve e um replacement grip mais grosso. É a ferramenta definitiva para “consertar” um grip que veio pequeno demais da fábrica.
Achar o grip perfeito é uma jornada, não um destino. Comece usando os métodos de medição que ensinamos—a régua e o dedo indicador. Lembre-se da regra de ouro: na dúvida, escolha o menor. Use os overgrips para fazer o ajuste fino, para encontrar aquele L2.5 que é só seu.
Não tenha medo de experimentar. Teste um grip mais fino por um mês e veja como seu topspin reage. Teste um grip de couro e veja se você prefere a sensação “seca” nos seus voleios. O tamanho do grip não está escrito em pedra.
No final das contas, o grip perfeito é aquele que te deixa esquecer que a raquete está na sua mão. É aquele que permite que você e a raquete se tornem uma coisa só, focados apenas em um objetivo: colocar a próxima bola dentro da quadra. Agora, vá para a quadra e sinta seu equipamento. O ajuste que faltava para o seu “ace” pode estar, literalmente, na palma da sua mão.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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