Guia de Raquetes Infantis: Como escolher por idade, altura e nível (Bolas Vermelha, Laranja, Verde).
E aí, futuro campeão? Ou pai de um futuro campeão? Ótimo te ver por aqui. Hoje vamos bater um papo sério, mas descontraído, sobre um dos pontos mais importantes e, acredite, um dos que mais vejo os pais errarem: a escolha da raquete infantil. Pegue sua garrafinha de água, sente no banco da quadra, porque a aula vai começar.
Muitos acham que tênis para criança é só jogar uma raquete qualquer na mão dela e mandar rebater. Mas o tênis evoluiu, e muito. Aquele tempo de pegar uma raquete de adulto cortada ou uma de brinquedo de plástico já passou, e ainda bem. Usar o equipamento errado é como tentar correr uma maratona de botas de borracha. Você não só vai cansar rápido, como vai pegar todos os vícios errados e, pior, pode se machucar.
Aqui na academia, eu vejo todo dia: criança chegando com raquete pesada demais, cabo grosso demais, ou comprida demais. O resultado? O golpe sai todo torto, o “forehand” vira uma “colherada”, e o “backhand” nem se fala. O braço dói, a bola não passa da rede, e a frustração bate forte. Em duas semanas, a criança que estava animada já quer trocar o tênis pelo videogame. E a culpa, muitas vezes, não é da falta de talento, mas sim da ferramenta errada. É por isso que vamos dissecar esse assunto hoje, ponto a ponto, para seu filho ou filha ter a melhor experiência possível dentro das quatro linhas.
O “Mapa” do Tênis Infantil: Entendendo o Sistema Play and Stay (Bolas e Quadras)
Antes de sequer olharmos para uma raquete, precisamos entender o “terreno” onde vamos jogar. Antigamente, uma criança de 6 anos era jogada na mesma quadra que o Guga, com a mesma bola amarela dura. O resultado era óbvio: a bola passava por cima da cabeça dela. O tênis moderno usa um sistema chamado “Play and Stay” (Jogue e Fique), que é genial. Ele adapta o esporte para a criança, e não o contrário.
Esse sistema funciona como uma escada. Você não aprende a ler escrevendo um romance, certo? Você começa com as letras. No tênis, é igual. Usamos bolas mais lentas, quadras menores e redes mais baixas. Isso permite que a criança troque bolas, faça pontos e, o mais importante, se divirta desde a primeira aula. A criança aprende a tática do jogo, a movimentação e os golpes de forma natural.
O sistema é dividido por cores, que definem o tamanho da quadra, o tipo de bola e, por consequência, o tipo de raquete que vamos usar. As etapas são Vermelha, Laranja e Verde. Ignorar essas etapas é o mesmo que pular os primeiros anos da escola. Vamos entender o que cada cor significa para o desenvolvimento do nosso pequeno tenista.
A Bola Vermelha (Etapa 1): Onde tudo começa
A etapa da bola vermelha é a porta de entrada, geralmente para crianças de 5 a 8 anos. Aqui, a diversão é a regra número um. A quadra é minúscula, chamada de “mini-quadra”, com apenas 11 ou 12 metros de comprimento. A bola vermelha é a chave de tudo: ela é 75% mais lenta que a bola amarela normal. Ela é maior e bem mais macia, quase como uma bola de espuma ou de feltro muito leve.
Isso significa que, quando a bola quica, ela sobe devagar e na altura certa para a criança. Ela não precisa pular nem se esticar todo. Isso permite que o professor trabalhe a coordenação, o ponto de contato na frente do corpo e a técnica básica dos golpes sem pressa. A criança consegue trocar 5, 10, 15 bolas seguidas com o coleguinha. Ela sente o prazer de “jogar tênis” de verdade.
Se você der uma bola amarela para uma criança nessa fase, a bola vai quicar e passar por cima da cabeça dela. Ela nunca vai achar o “timing”. Com a bola vermelha, ela tem tempo de pensar, se ajeitar e executar o movimento. É aqui que construímos a fundação de um “forehand” sólido e a confiança para seguir no esporte.
A Bola Laranja (Etapa 2): A transição para o jogo real
Quando a criança já domina a mini-quadra vermelha, ela avança para a bola laranja. Isso acontece geralmente entre 8 e 10 anos. A quadra aqui já aumenta: usamos uma quadra de 18 metros, que é uma quadra normal “encurtada” na linha do saque. A rede ainda pode ser um pouco mais baixa, mas o jogo já começa a parecer muito com o tênis que vemos na TV.
A bola laranja é 50% mais lenta que a amarela. Ela ainda é mais macia, mas já tem mais pressão que a vermelha. O quique é mais vivo, exigindo que a criança comece a se movimentar mais rápido, a preparar o golpe mais cedo e a usar mais o corpo. É a fase perfeita para começar a introduzir os efeitos, como o “slice” e um leve “topspin”.
Nessa etapa, o jogo tático fica mais complexo. A criança aprende a direcionar a bola, a explorar os cantos da quadra (agora maior) e a pensar em como construir o ponto. O equipamento precisa acompanhar essa evolução. Uma raquete que era perfeita para a bola vermelha pode ficar “mole” demais para a bola laranja, que exige um pouco mais de firmeza da ferramenta.
A Bola Verde (Etapa 3): O último passo antes da bola amarela
Chegamos à etapa verde, o último degrau antes do jogo de “gente grande”. Isso é para crianças de 9 a 12 anos, dependendo muito do desenvolvimento físico e técnico. Aqui, jogamos na quadra inteira, a quadra oficial de 23,77 metros. A rede está na altura padrão. A única diferença é a bola.
A bola verde é apenas 25% mais lenta que a bola amarela. Ela tem uma pressão interna um pouco menor, o que a torna mais controlável e, principalmente, mais segura para o braço em desenvolvimento da criança. O impacto no encordoamento é menor, reduzindo o risco de lesões no punho e cotovelo, que são muito comuns quando se pula essa etapa.
É aqui que o jogo fica sério. A criança precisa de potência, controle, saques mais fortes e movimentação de fundo de quadra. Ela vai jogar “ralis” longos. Se a criança passou bem pelas etapas vermelha e laranja, ela chega aqui com uma técnica sólida. Ela não tem medo da bola, sabe se posicionar e entende o jogo. Ela está pronta para, em breve, fazer a transição final para a bola amarela padrão.
O Ponto Crucial: O Tamanho da Raquete (Altura vs. Idade)
Agora que entendemos o mapa das bolas e quadras, vamos focar na ferramenta. A regra número um na escolha da raquete infantil não é a marca, não é a cor, nem se o Federer usa. A regra número um é o comprimento. Uma raquete muito comprida para uma criança é um desastre técnico. Ela força a criança a bater na bola atrasada e com o braço dobrado, criando vícios que levam anos para corrigir.
A idade é um guia inicial, mas o que manda mesmo é a altura da criança. Temos crianças de 8 anos com altura de 10, e vice-versa. Por isso, esqueça a “idade” que vem escrita na raquete e foque na altura do seu filho. Uma raquete longa demais é pesada, difícil de manobrar e desalinha todo o centro de gravidade do golpe.
O comprimento das raquetes infantis é medido em polegadas, indo de 19″ (para os bem pequenos) até 26″. A raquete de adulto padrão tem 27″. Esse pulo da 26″ para a 27″ é um dos momentos mais críticos, mas vamos focar primeiro em acertar as medidas infantis. Uma raquete do tamanho certo permite que a criança acelere o braço, encontre o “sweet spot” (o ponto doce da raquete) e desenvolva uma técnica limpa e fluida.
O “Teste do Chão”: A técnica infalível do professor
Esqueceu a tabela de medidas em casa? Sem problemas. Existe um teste prático que eu uso o tempo todo e que não falha. É o “teste do chão” ou “teste da bengala”. Peça para a criança ficar em pé, bem reta, com o tênis que ela usa para jogar. Coloque a raquete ao lado do corpo dela, com a cabeça da raquete apoiada no chão e o cabo apontando para cima.
Agora, peça para ela esticar o braço ao longo do corpo, relaxado, e tentar encostar a palma da mão no “butt cap” (aquela tampinha no final do cabo da raquete). Se a criança consegue apoiar a palma da mão confortavelmente na tampa, esse é o tamanho ideal. Se ela tiver que se dobrar para alcançar, a raquete é curta. Se a mão dela ficar muito acima da tampa, ou se ela tiver que dobrar o cotovelo, a raquete é longa demais.
Esse teste é matador porque ele leva em conta a altura da criança e a proporção dos braços dela. É uma forma rápida e visual de garantir que a raquete será uma extensão natural do corpo dela, e não um trambolho que ela terá que arrastar pela quadra. Faça esse teste na loja antes de comprar, é a minha dica de ouro.
A Tabela de Medidas (Polegadas vs. Altura)
O “teste do chão” é ótimo, mas se você está comprando online ou quer ter uma referência sólida, a tabela de medidas é sua melhor amiga. Lembre-se, isso é um guia, mas é um guia muito preciso. A altura da criança é a coluna principal que você deve olhar, e a idade é apenas um suporte.
- Até 100 cm (ou 1 metro): Raquete de 19 polegadas. (Geralmente 2-4 anos)
- 101 cm a 112 cm: Raquete de 21 polegadas. (Geralmente 4-6 anos)
- 113 cm a 125 cm: Raquete de 23 polegadas. (Geralmente 6-8 anos)
- 126 cm a 140 cm: Raquete de 25 polegadas. (Geralmente 8-10 anos)
- 141 cm a 155 cm: Raquete de 26 polegadas. (Geralmente 10-12 anos)
Note que as raquetes de 26 polegadas já são muito parecidas com as de adulto, muitas vezes feitas de grafite e com tecnologias embarcadas. Acima de 155 cm, a criança geralmente já tem força e altura para migrar para uma raquete de adulto (27 polegadas), mas começamos com os modelos mais leves de adulto, chamados de “Lite” ou com peso abaixo de 280g.
Não tenha pressa. Se seu filho está com 124 cm, não pule para a 25″. Mantenha a 23″ até ele crescer mais um pouco. O controle que ele ganha com a raquete do tamanho certo é muito mais valioso do que a “potência” de uma raquete maior, que ele nem consegue manusear direito.
O erro clássico: Comprar uma raquete “para durar”
Presta atenção agora, porque este é o erro que mais vejo e o que mais me dá dor de cabeça como professor. O pai ou a mãe chega na loja, vê que o filho de 7 anos tem 120 cm (ideal seria a 23″), mas pensa: “Ah, vou levar a 25″ porque essa dura mais, senão ano que vem tenho que comprar outra”. Por favor, não faça isso.
Comprar uma raquete “para durar” é a melhor forma de sabotar o desenvolvimento do seu filho. Uma raquete duas polegadas maior é exponencialmente mais pesada e mais difícil de balançar. A criança vai bater na bola atrasada, vai usar o punho de forma errada para compensar o peso, e vai desenvolver uma técnica de “empurrar” a bola, em vez de “bater” na bola.
Pense na raquete infantil como um tênis. Você não compra um tênis três números maior para seu filho usar na educação física, certo? Ele vai tropeçar, vai torcer o pé. A raquete é a mesma coisa. É um item de performance e segurança. É melhor ter três raquetes do tamanho certo ao longo de três anos, do que uma raquete errada que destrói a técnica da criança e pode até causar uma lesão no pulso.
Além do Tamanho: O Material e a Empunhadura (Nível de Jogo)
Acertamos o comprimento? Perfeito, 50% do trabalho está feito. Mas não é só isso. Agora precisamos olhar para o “recheio” da raquete. O material de que ela é feita e a grossura do cabo (a empunhadura, ou “grip”) são fundamentais e estão diretamente ligados ao nível de jogo da criança.
Para os iniciantes, queremos raquetes que “perdoem” os erros. Para os mais avançados, que já estão na bola verde e competindo, precisamos de algo que ofereça mais performance. Aqui, o material entra em cena. A maioria das raquetes pequenas (19″ a 23″) são de alumínio, e isso é ótimo. Elas são leves, baratas e resistentes.
À medida que a criança evolui, o alumínio começa a “vibrar” muito e não oferece a firmeza necessária. É aí que entramos nos compostos de grafite ou no grafite puro, que absorvem melhor o impacto e dão mais potência e controle. Mas, tão importante quanto o material da estrutura, é o tamanho do cabo que a criança vai segurar.
Alumínio vs. Grafite: A escolha do iniciante ao competidor
Vamos simplificar essa disputa. As raquetes de Alumínio são as ideais para a primeira infância do tênis (etapas Vermelha e Laranja inicial). Elas são leves, o que permite que a criança manuseie sem cansar o braço. Elas têm uma cabeça de raquete bem grande, aumentando o “sweet spot” e facilitando o acerto na bola. O objetivo aqui não é potência, é acertar a bola e se divertir.
Conforme a criança cresce (indo para a 25″ e 26″) e o nível de jogo sobe (Bola Laranja avançada e Bola Verde), o alumínio fica para trás. A bola do adversário vem mais rápida, e o alumínio vibra muito com o impacto, causando desconforto e perda de controle. É hora de procurar raquetes de Composto de Grafite ou 100% Grafite.
O grafite é o material das raquetes de adulto. Ele é mais rígido, transfere melhor a energia para a bola (mais potência) e absorve muito melhor a vibração (mais conforto e prevenção de lesões). As raquetes de 26 polegadas “júnior” de alta performance são, na prática, versões menores das raquetes dos profissionais, feitas de grafite. Se o seu filho está competindo na etapa verde, ele precisa de uma raquete de grafite.
O “Teste do Dedo”: Acertando a grossura do cabo (Grip)
Acertamos o comprimento e o material. Agora, a pegada. A grossura do cabo (grip) é vital. Um cabo muito fino força a criança a apertar a raquete com muita força, causando tensão no antebraço. Um cabo muito grosso impede o movimento natural do punho e dificulta a troca de empunhaduras (como sair do “forehand” para o “backhand” ou voleio).
As raquetes infantis geralmente vêm com um tamanho de cabo padrão “júnior”, que serve para a maioria. Mas, conforme elas se aproximam das raquetes de adulto (25″ e 26″), começamos a ver variações. A melhor forma de checar é o “teste do dedo”. Peça para a criança segurar a raquete com a empunhadura que ela usa para o “forehand” (a “continental” ou “eastern”, se ela já souber).
Com a mão fechada no cabo, deve haver um espaço entre a ponta dos dedos (o dedo anelar e médio) e a “almofada” da palma da mão. Esse espaço deve ser do tamanho exato do seu dedo indicador (o seu, de adulto). Se você conseguir encaixar seu dedo indicador perfeitamente ali, o tamanho está correto. Se os dedos da criança encostam na palma, o cabo é fino demais (podemos corrigir com um “overgrip” extra). Se sobrar muito espaço, o cabo é grosso demais, e essa raquete não serve.
Peso e Balanço: Quando se preocupar com isso?
Para os bem pequenos, nas raquetes de 19″ a 23″, não se preocupe com isso. Elas são todas feitas para serem o mais leve possível, e o balanço (equilíbrio) é quase sempre voltado para a cabeça, para ajudar a gerar potência sem esforço. O foco é manuseabilidade.
A conversa sobre peso e balanço começa de verdade na transição da 25″ para a 26″ e, principalmente, para a primeira raquete de adulto (27″). O peso da raquete (sem corda) é o que dá estabilidade ao golpe. Uma raquete muito leve vibra mais e exige mais do braço. Uma muito pesada cansa e causa lesões. As raquetes de 26″ de grafite ficam ali na faixa de 240g-255g, o que é uma ótima transição.
O balanço é onde o peso está concentrado. “Cabeça pesada” (Head Heavy) ajuda a gerar potência fácil (bom para iniciantes). “Cabo pesado” (Head Light) dá mais controle e manuseio rápido (bom para jogadores avançados que voleiam e têm golpes rápidos). A maioria das raquetes infantis de performance (grafite) busca um equilíbrio (Even Balance) ou levemente voltado para a cabeça, para ser um bom “all-arounder”.
Conectando os Pontos: Qual Raquete para Qual Bola?
Vamos juntar tudo o que aprendemos. O sistema Play and Stay (bolas coloridas) e o tamanho das raquetes (em polegadas) andam de mãos dadas. Não adianta dar uma raquete de 25″ para uma criança na bola vermelha. Ela vai tropeçar na raquete na mini-quadra. Da mesma forma, uma raquete de 21″ na quadra verde é como ir para uma guerra de estilingue.
A progressão deve ser natural. A criança domina uma etapa, ela cresce fisicamente, e então ela “ganha” o direito de avançar para o próximo equipamento. É um rito de passagem. O professor é a melhor pessoa para dizer “ok, está na hora de trocar”.
Aqui está um guia prático que eu uso para meus alunos, cruzando o sistema de bolas com o tamanho da raquete, que é baseado na altura da criança. Lembre-se: a altura é o fator decisivo, a bola é a etapa técnica.
Raquetes para a Etapa Vermelha (Tamanhos 19-23)
Na etapa da bola vermelha (5-8 anos), a criança está na mini-quadra. O objetivo é coordenação e contato. A raquete precisa ser leve, fácil de manusear e ter uma cabeça grande. O material é quase sempre alumínio, e é perfeito.
Se a criança tem até 100 cm (geralmente 4-5 anos, mas às vezes até 6), a raquete é a de 19 polegadas. É quase um brinquedo, mas é a ferramenta certa para ela aprender a balançar e se divertir sem se machucar.
Se a criança tem entre 101 cm e 125 cm (geralmente 6-8 anos), ela vai usar raquetes de 21 ou 23 polegadas. A 23″ é a mais comum na fase final da bola vermelha. Ela dá o alcance necessário para cobrir a mini-quadra, mas ainda é leve o suficiente para a criança focar na técnica e não na força.
Raquetes para a Etapa Laranja (Tamanhos 23-25)
Quando pulamos para a bola laranja (8-10 anos), a quadra aumenta (18 metros) e a bola fica mais rápida. A raquete precisa de um pouco mais de “corpo”. Aqui, as raquetes de 23″ e 25″ são as rainhas.
Se a criança está na altura dos 113 cm a 125 cm, ela provavelmente vai usar a 23 polegadas na transição. É uma raquete muito versátil, que serve tanto para o fim da etapa vermelha quanto para o começo da laranja.
O padrão da bola laranja, no entanto, é a raquete de 25 polegadas. Ela é desenhada para crianças entre 126 cm e 140 cm. Aqui já começamos a ver opções de composto de grafite. A 25″ oferece a potência e estabilidade necessárias para lidar com o quique mais rápido da bola laranja e o tamanho maior da quadra.
Raquetes para a Etapa Verde (Tamanhos 25-26)
Na etapa verde (9-12 anos), estamos na quadra inteira. A bola é 25% mais lenta, mas ainda é um jogo rápido e físico. A raquete de 25″ é usada no começo dessa fase, mas a raquete definitiva da etapa verde é a de 26 polegadas.
A raquete de 26 polegadas é para crianças de 141 cm a 155 cm. Este é o último passo antes da raquete de adulto. Quase todas as boas raquetes 26″ são feitas de 100% Grafite. Elas são réplicas júnior das linhas famosas (Pure Drive, Aero, Speed, Blade, etc.). Elas são feitas para performance.
Uma criança jogando a etapa verde com uma raquete de alumínio de 25″ estará em enorme desvantagem. A bola dela não vai “andar”, e o braço vai sofrer com a vibração. A raquete de 26″ de grafite é a ferramenta correta para desenvolver potência, efeitos e aguentar o ritmo do jogo na quadra inteira.
Sinais de que é Hora de Trocar: A Evolução em Quadra
“Professor, como eu sei que está na hora de trocar a raquete do meu filho?”. Essa é outra pergunta clássica. A resposta mais simples é: quando o professor mandar. Nós, treinadores, estamos de olho nisso o tempo todo. Vemos a técnica, o crescimento da criança e a relação dela com o equipamento.
Mas existem sinais claros que você, como pai ou mãe, pode observar da arquibancada. A troca de raquete não é só uma despesa, é um investimento na evolução do jogador. Uma troca na hora errada (cedo demais) é tão ruim quanto uma troca tarde demais.
Lembre-se da regra do “teste do chão”. Se seu filho cresceu 10 cm nas férias e a raquete que ele usava agora bate na metade da canela dele, não precisa nem pensar. É hora de trocar. Mas além do óbvio, existem sinais técnicos que observamos em quadra.
O “Braço de T-Rex”: Quando a raquete fica curta
O primeiro sinal é o que eu chamo de “Braço de T-Rex”. A criança cresceu, mas a raquete continua a mesma (curta). Para compensar a falta de comprimento, a criança começa a se dobrar inteira para pegar as bolas baixas e dobra excessivamente o cotovelo nos golpes de fundo, quase colando o braço no corpo.
Você vai notar que a criança parece estar jogando “espremida”. Ela não consegue esticar o braço para ter um golpe fluido e amplo. Ela perde o alcance. Bolas que ela chegava com facilidade no ano passado, agora ela tem que dar dois passos a mais.
Quando a raquete é curta demais, o “sweet spot” fica muito perto da mão. A criança perde toda a alavanca que o comprimento da raquete deveria dar. O golpe sai fraco, sem potência, e a técnica fica toda comprometida. Viu a criança encolhendo o braço para bater? Pode ser o sinal de que a raquete ficou pequena.
A bola não anda: Quando o material limita a potência
Esse sinal é mais comum na transição da etapa laranja para a verde, ou quando a criança começa a competir. Ela está usando uma raquete de alumínio de 25″ e o jogo dela evoluiu. A técnica está boa, ela bate forte, mas a bola simplesmente não “anda”. Parece que ela faz uma força enorme e a bola morre no meio da quadra do adversário.
Isso acontece porque o alumínio tem um limite. Ele é flexível demais e “absorve” a energia do golpe, em vez de transferi-la para a bola. O material vibra e a bola sai “murcha”. A criança tenta bater cada vez mais forte para compensar, e é aí que ela destrói a técnica e corre o risco de se machucar.
Quando você vê seu filho com uma biomecânica boa, acelerando o braço, mas a bola não tem peso, é quase certeza que o material da raquete está segurando a evolução dele. É a hora de fazer o upgrade para uma raquete de grafite (seja 25″ ou 26″, dependendo da altura) que vai recompensar a técnica que ele desenvolveu.
Dor ou desconforto: O alerta vermelho para troca imediata
Este é o sinal mais grave e exige ação imediata. Se a criança, depois de jogar, reclama consistentemente de dor no punho, no cotovelo ou no ombro, pare tudo. Tênis não é para doer. Dor é um sinal de que algo está muito errado, e 90% das vezes em crianças, o culpado é o equipamento.
Uma raquete pode causar dor por vários motivos: muito pesada para a força da criança, cabo (grip) muito grosso ou muito fino, ou um material (como alumínio) que vibra demais para a potência que ela está colocando. Uma raquete muito longa também força o punho em ângulos estranhos.
Não ignore uma reclamação de dor. Não é “frescura”. É o corpo dela avisando que a ferramenta está sobrecarregando as articulações. Suspenda o uso da raquete, converse com o professor imediatamente e, se necessário, consulte um fisioterapeuta. Na maioria dos casos, apenas ajustar o equipamento (peso, tamanho do cabo ou material) resolve o problema instantaneamente.
Comparando as Ferramentas: As Escolhas Populares no Mercado
Beleza, professor, entendi tudo. Mas agora chego na loja (física ou online) e vejo 50 modelos diferentes. Babolat, Wilson, Head, Yonex… todas têm linhas infantis. Como eu escolho?
O mercado infantil evoluiu muito. Hoje, as marcas grandes oferecem raquetes que são verdadeiras versões em miniatura das raquetes dos profissionais, o que é ótimo para o marketing (a criança quer a raquete do Alcaraz ou da Iga), mas também para a tecnologia.
Minha dica é: nas fases iniciais (19″ a 23″, alumínio), a marca importa menos. Foque no tamanho correto e no peso. Elas são muito similares. A coisa muda de figura nas 25″ e 26″, onde o grafite entra. Aí sim, vale a pena olhar as especificações.
A Escolha do Professor: O que eu busco em uma raquete júnior
Quando um pai me pede para recomendar uma raquete para um aluno que está na etapa verde (26 polegadas, grafite), eu olho três coisas além do tamanho óbvio. Primeiro, o peso. Eu prefiro raquetes que fiquem na faixa de 250g (com corda). Mais leve que isso, vibra muito. Mais pesado, cansa.
Segundo, o padrão de cordas. A maioria vem com 16×19, o que é ótimo, pois ajuda a gerar “spin” (efeito) e potência. Evito padrões muito fechados (como 18×20) para crianças, pois deixam o golpe muito “duro” e exigem muita força.
Terceiro, o material. Tem que ser 100% grafite. Existem muitas raquetes de 26″ de “composto” ou “fusion” que são alumínio com um pouco de grafite. Elas são mais baratas, mas não entregam a performance e o conforto que um jogador em evolução precisa. Vale a pena o investimento extra no grafite puro.
Tabela Comparativa: Raquetes de Alumínio vs. Composto vs. Grafite Júnior
Para ficar bem claro, montei uma tabela rápida para você comparar os três tipos de materiais que você vai encontrar nas raquetes júnior (principalmente nas de 25″ e 26″).
| Característica | Raquete de Alumínio | Raquete de Composto (Grafite/Alumínio) | Raquete 100% Grafite (Júnior) |
| Nível de Jogo | Iniciante (Bola Vermelha/Laranja) | Transição (Bola Laranja/Verde) | Avançado / Competitivo (Bola Verde) |
| Sensação | Flexível e vibra muito com impacto | Um pouco mais firme que o alumínio | Sólida, estável e confortável |
| Potência | Baixa (foco em controle e leveza) | Média (um “upgrade” do alumínio) | Alta (melhor transferência de energia) |
| Conforto (Braço) | Baixo (vibra muito) | Médio (absorve alguma vibração) | Alto (melhor absorção de impacto) |
| Preço | Baixo | Médio | Alto |
| Ideal para | Crianças aprendendo os movimentos básicos | Crianças que jogam regularmente, mas sem competir | Crianças que treinam e competem na etapa verde |
A última dica: Deixe a criança escolher a cor!
Depois de você, o adulto responsável, filtrar todas as opções, acertar o tamanho (pelo teste do chão), definir o material (alumínio ou grafite) e checar o cabo (teste do dedo)… sobrou mais de uma opção?
Agora sim, é a hora de deixar a criança participar. Se você tem duas ou três raquetes que tecnicamente são perfeitas para ela, deixe que ela escolha a cor. Deixe ela pegar a raquete do ídolo dela. Esse fator psicológico é importantíssimo. A criança precisa “amar” a raquete dela.
Ela precisa sentir orgulho de abrir a raqueteira e pegar aquela ferramenta azul, ou amarela, ou a rosa. Isso cria uma conexão emocional com o esporte. Ela vai querer cuidar da raquete, vai querer ir para a aula para usar a raquete “nova” dela. No fim do dia, nosso objetivo é que ela se apaixone pelo tênis. Acertar no equipamento é o primeiro passo para garantir que essa paixão tenha tudo para florescer.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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