Entrando na Quadra: As Melhores Marcas de Acessórios de Tênis e Seus Diferenciais


Entrando na Quadra: As Melhores Marcas de Acessórios de Tênis e Seus Diferenciais

Muita gente acha que o tênis se resume a uma boa raquete e um tênis no pé que não escorregue. Se você pensa assim, você já está começando o jogo com uma quebra de saque contra. O tênis é um esporte de detalhes, de ajustes finos, onde a confiança no seu equipamento é tão crucial quanto a sua direita na paralela. Você pode ter a raquete do Alcaraz, mas se o seu grip estiver escorregando na hora de um break point, de nada adiantou.

Como seu professor aqui, vou te dizer algo que muito tenista só aprende depois de perder muito jogo: os acessórios são a extensão do seu corpo e da sua estratégia. Eles não são “extras”. Eles são parte do seu arsenal. Um antivibrador pode mudar a sensação do golpe, a corda define 90% do que a bola faz depois que sai da sua raquete, e a sua raqueteira é o seu vestiário móvel. Não dar atenção a isso é o mesmo que tentar jogar um slice com a empunhadura de smash. Simplesmente não funciona.

Neste bate-papo, não vamos apenas listar produtos. Vamos dissecar o porquê de cada marca ter seu lugar ao sol. Vamos entender o que separa a Wilson da Babolat, ou por que a Head investe tanto em tecnologia de grips. Você precisa saber o que cada gigante oferece para poder escolher o que complementa o seu estilo de jogo, seja você um paredão do fundo de quadra ou um maluco da rede. Prepare seu kit, porque a aula vai começar.

Wilson: A Tradição que Vence Jogos

Quando você pensa em tênis, você pensa em Wilson. É quase automático. Essa gigante americana não está no topo há décadas por acaso. Ela construiu um império baseado em consistência e tradição. A Wilson entende o tenista clássico, mas também sabe se adaptar. Seus acessórios carregam um peso, uma confiança. É a marca que você vê nas mãos de lendas como Sampras e Federer, e isso não é marketing barato; é resultado.

A filosofia da Wilson em acessórios é “se funciona, não mexa muito”. Eles focam na qualidade de material e na sensação pura. Enquanto outras marcas buscam a última tecnologia mirabolante, a Wilson aposta no que o jogador sente na mão. Eles sabem que, num 5-5 no terceiro set, você não quer uma surpresa tecnológica; você quer a segurança de que seu overgrip vai absorver o suor e sua corda vai responder como você treinou.

É uma marca que transmite seriedade. Os designs costumam ser mais sóbrios, elegantes e focados na funcionalidade. Eles não estão tentando ganhar o jogo no visual, mas sim na performance e na durabilidade. Jogar com acessórios Wilson é carregar um pedaço da história do esporte, e isso, mentalmente, já te coloca um passo à frente.

O Ponto de Contato: O Legado do Pro Overgrip

Se existe um acessório que define a Wilson, é o Pro Overgrip branco. Você já viu. Aquele grip fino, elástico, que parece grudar na mão. Esse é o benchmark da indústria. É o overgrip que todos os outros tentam copiar. O segredo dele? A sensação. Ele não é o mais durável do mercado, vamos ser honestos. Ele suja rápido e perde a “cola” (o tack) depois de alguns jogos intensos. Mas, naqueles jogos, a sensação é perfeita.

O Pro Overgrip oferece uma combinação ideal de absorção e aderência. Ele é fino o suficiente para não alterar drasticamente a espessura do cabo (o que mudaria sua empunhadura), mas é robusto o bastante para lidar com a transpiração. Jogadores profissionais trocam isso a cada treino, às vezes até durante a partida. Para nós, meros mortais, ele dura o suficiente para justificar sua fama. É o padrão-ouro porque dá ao jogador exatamente o que ele precisa: controle tátil.

A escolha do Pro Overgrip por tantos jogadores de ponta (Federer usou isso por toda a carreira) criou um legado. O tenista amador vê e quer replicar. Mas a réplica funciona. Ao segurar a raquete com ele, você sente uma conexão imediata. Você sabe que, mesmo no ponto mais suado do jogo, a raquete não vai girar na sua mão num saque importante. E essa confiança, meu amigo, ganha partidas.

Protegendo o Arsenal: As Raqueteiras Wilson

Uma raqueteira da Wilson é quase um uniforme. Você as reconhece de longe. Elas geralmente seguem as linhas das raquetes principais (Pro Staff, Blade, Clash, Ultra). O diferencial da Wilson aqui é a robustez e a seriedade do design. Eles foram pioneiros em tecnologias como o “Thermoguard”, aquele compartimento forrado de material térmico prateado. Isso não é frescura. Isso protege suas cordas das variações extremas de temperatura. Deixar suas raquetes num carro quente sem isso é pedir para estourar corda ou perder tensão.

A organização interna das bolsas Wilson é pensada para o jogador competitivo. Bolsos para calçados com ventilação (para não contaminar o resto do material), compartimentos para roupas secas e molhadas, e bolsos menores forrados de feltro para celular e chaves. Elas são feitas para durar. O zíper é forte, o material externo é grosso e resistente a rasgos. Elas são, literalmente, a “mala de ferramentas” do tenista.

O design, especialmente nas linhas Pro Staff (o preto clássico e elegante) e Blade (o verde e preto), é discreto. A Wilson sabe que o jogador que a escolhe não quer gritar “olhe para mim”; ele quer que seu jogo fale mais alto. A bolsa é um reflexo disso: profissional, organizada e pronta para qualquer batalha em quadra.

Potência e Controle: O Universo das Cordas (e a Luxilon)

Aqui as coisas ficam interessantes. A Wilson tem suas próprias cordas, como a NXT (um multifilamento excelente para conforto) e a Sensation. Elas são ótimas, especialmente para quem busca aliviar o braço. Mas a verdadeira força da Wilson no mundo das cordas vem de sua parceria estratégica e aquisição: a Luxilon. A Luxilon é a Wilson nesse aspecto. Falar de corda Wilson no circuito profissional é falar de Luxilon.

A Luxilon foi a marca que mudou o jogo com os co-polímeros (monofilamentos). O modelo “Alu Power” (aquela corda prateada) é, simplesmente, a corda mais usada no circuito profissional. O que ela oferece? Uma combinação brutal de controle, spin e durabilidade. Ela permite que jogadores como Djokovic batam na bola com força total, sabendo que a corda vai gerar o efeito necessário para a bola cair dentro. Ela “morde” a bola de um jeito que as cordas antigas não faziam.

Para o jogador amador, a Luxilon pode ser dura se você não tiver a técnica ou a velocidade de braço corretas. Mas a Wilson (Luxilon) também oferece opções mais macias, como a “Element”. O ponto é: a Wilson domina o mercado de cordas de performance. Ela dá aos jogadores a ferramenta para aplicar potência bruta sem perder o controle da bola. É o motor do jogo moderno.

Babolat: A Vanguarda Francesa do Spin e Sensação

Se a Wilson é a tradição, a Babolat é a revolução. Essa marca francesa tem o tênis em seu DNA de uma forma única: eles inventaram a corda de tênis lá em 1875. Por mais de um século, eles foram apenas uma marca de cordas. Quando decidiram fazer raquetes (e depois acessórios), eles não vieram para ser mais um. Eles vieram para mudar o jogo. E mudaram.

A filosofia da Babolat é o spin. Tudo o que eles fazem, dos antivibradores às raqueteiras, parece ser desenhado com o jogo moderno de fundo de quadra em mente. Pense em Rafael Nadal. Ele é a personificação da marca. Energia, rotação, intensidade. Os acessórios da Babolat são vibrantes, muitas vezes com cores chamativas (o amarelo e preto é icônico) e um design agressivo.

Eles não têm medo de inovar. A Babolat introduziu a primeira raquete “inteligente” (a Play) e está sempre buscando novos materiais para suas cordas. Seus acessórios seguem essa linha. Eles querem que você sinta a bola e, ao mesmo tempo, que você consiga gerar o máximo de efeito possível. É a marca do jogador que gosta de ditar o ponto com topspin.

O Som do Silêncio: Antivibradores e Sensação

Pode parecer um item pequeno, mas a Babolat leva antivibradores (ou dampeners) a sério. Enquanto muitas marcas oferecem o “arroz com feijão”, a Babolat inovou com o “Custom Damp”. É um antivibrador que permite ao jogador ajustar o nível de absorção. Você pode usar a peça inteira para máxima absorção de vibração ou tirar a parte central para uma sensação um pouco mais “crua”, ouvindo mais o som da batida.

O icônico antivibrador da logo da Babolat (as duas linhas) é visto em inúmeras raquetes. Por que eles focam nisso? Porque o jogo moderno, jogado com cordas de poliéster (como veremos a seguir), é mais rígido. Ele transfere mais vibração para o braço. Um bom antivibrador não melhora seu jogo tecnicamente, mas melhora sua sensação e conforto. Ele filtra as vibrações ruins, deixando você sentir apenas o impacto limpo.

Para a Babolat, a sensação é tudo. O antivibrador é o primeiro filtro entre o impacto da bola e sua mão. Eles querem que esse filtro seja perfeito. Eles querem que você ouça aquele “pop” seco da batida, sem o “ping” metálico irritante de uma raquete vibrando. É um detalhe, mas o tênis é feito de detalhes.

A Corda Amarela: A Revolução do RPM Blast

Se a Luxilon Alu Power foi a primeira revolução do poliéster, a Babolat RPM Blast foi a segunda. Aquela corda preta, octogonal (oito lados), usada por Nadal, mudou o que entendíamos por spin. O “RPM” significa “Rotações Por Minuto”. O nome já diz tudo. A Babolat desenhou essa corda com uma forma específica e um revestimento de silicone para permitir que ela “agarre” a bola e deslize de volta ao lugar (snapback), gerando um nível de spin absurdo.

A RPM Blast não é para qualquer um. Ela é uma corda firme, que exige que você bata forte e com velocidade de braço para fazê-la funcionar. Se você joga “empurrando” a bola, ela vai parecer um pedaço de arame. Mas se você acelera o braço, ela te devolve um topspin que faz a bola pular como um chute de mula na quadra do adversário. Ela definiu o estilo de jogo da última década.

Além da RPM, a Babolat tem a corda que a antecedeu, a Pro Hurricane (também focada em spin), e a Xcel, um dos melhores e mais confortáveis multifilamentos do mercado, para quem precisa proteger o cotovelo. A Babolat entende de cordas como ninguém, afinal, foi onde tudo começou para eles.

Design e Função: As Raqueteiras Focadas em Performance

As raqueteiras da Babolat são imediatamente reconhecíveis. Elas são ousadas. A linha “Pure Aero” (do Nadal) é amarela e preta; a “Pure Drive” (de muitos outros profissionais) é azul. Elas são desenhadas para parecerem rápidas, aerodinâmicas. Mas não é só aparência. A Babolat inovou com compartimentos rígidos e moldados nas laterais. Isso protege suas raquetes não só da temperatura (elas também têm o isolamento térmico), mas de impactos físicos.

A Babolat foi uma das primeiras a pensar na raqueteira além do transporte. Elas têm visores transparentes para você ver suas raquetes, compartimentos que se dobram e se adaptam. A “Pure Aero” tem até um sistema que permite que a bolsa “fique de pé” em alguns modelos. Eles pensam no jogador de torneio, que passa o dia no clube. A bolsa precisa ser um armário funcional.

Elas também inovaram com materiais leves. Apesar de robustas, as bolsas da Babolat costumam ser mais leves que as concorrentes de mesmo tamanho. Isso faz diferença quando você está carregando três raquetes, um par de tênis, garrafas de água e roupas extras nas costas. É a combinação francesa de estilo agressivo com funcionalidade inteligente.

Head: Engenharia Austríaca para o Jogo Moderno

Se a Wilson é a tradição e a Babolat é o spin, a Head é a engenharia. A marca austríaca respira tecnologia. Eles são conhecidos por suas inovações em materiais (como o Graphene) em suas raquetes, e essa filosofia transborda para seus acessórios. A Head busca otimizar cada peça do seu equipamento com um toque de ciência. É a marca de jogadores como Djokovic e Zverev, tenistas que usam cada grama de tecnologia a seu favor.

A Head não tem medo de experimentar. Seus designs são limpos, modernos, quase futuristas às vezes. Eles gostam de linhas retas, materiais diferentes e soluções práticas. A Head quer que você sinta que está usando algo que foi testado em laboratório para te dar a melhor performance. Eles são menos sobre “história” e mais sobre “futuro”.

Para a Head, o conforto e a personalização são chave. Eles sabem que o jogo moderno exige muito do corpo, e seus acessórios (especialmente os grips) são desenhados para mitigar o desgaste. É uma abordagem metódica, quase cirúrgica, para equipar um tenista.

Conforto na Mão: A Tecnologia dos Grips Hydrosorb

A Wilson tem o Pro Overgrip, mas a Head domina o mercado de cushion grips (o grip que vem na raquete) e tem uma linha excelente de overgrips. O diferencial da Head é a tecnologia focada no conforto e na absorção de umidade. O nome “Hydrosorb” já entrega: eles são obcecados em como lidar com o suor e manter o conforto.

Os grips da Head, como o Hydrosorb Pro, usam sistemas de dupla camada e perfurações para aumentar a ventilação e a absorção, sem deixar o grip “encharcado”. Eles também têm uma sensação mais “acolchoada” do que os concorrentes. Para o jogador que sente muito impacto no braço ou que tem problemas com calos, os grips da Head são uma bênção. Eles fornecem uma base mais macia para a sua pegada.

Eles também oferecem o “Xtreme Soft”, um overgrip que compete diretamente com o da Wilson, mas com uma proposta diferente. Ele é extremamente fino, mas tem uma textura quase de camurça, que muitos jogadores preferem sobre a sensação “colante” (tacky) do Pro Overgrip. É uma questão de preferência, e a Head oferece a alternativa perfeita.

Organização de Profissional: As Bolsas Head

As raqueteiras da Head são um exercício de organização e engenharia. Assim como a Wilson, elas seguem as linhas das raquetes (Radical, Prestige, Speed, Gravity). O que a Head faz de diferente é a estrutura. Muitas de suas bolsas têm divisórias internas ajustáveis, presas com velcro, permitindo que você personalize o compartimento principal. Você pode separar tênis, roupas e equipamentos exatamente como quiser.

A tecnologia CCT+ (Climate Control Technology) é a versão deles do isolamento térmico, e é igualmente essencial. Mas o design da Head se destaca. A linha Gravity, por exemplo, tem um visual urbano, moderno, que nem parece uma bolsa de tênis. A linha Tour Team é sobre funcionalidade máxima, com compartimentos que se abrem de maneiras diferentes para facilitar o acesso.

Eles também são muito bons em criar “mochilas de tênis” que são realmente funcionais. Bolsas que você pode usar para ir ao clube e depois para a faculdade ou trabalho, sem parecer que está carregando um trambolho. É a engenharia austríaca aplicada à logística do tenista.

O Detalhe Final: Dampeners e Proteção

A Head também tem uma linha forte de pequenos acessórios. Seus antivibradores são muito populares. O modelo “Pro Damp”, usado por Zverev, e o “Smartsorb” são exemplos de como eles aplicam design. O Smartsorb tem uma construção de elastômero que, segundo eles, filtra vibrações específicas de alta frequência, que são as mais nocivas, deixando passar as de baixa frequência (a “sensação” da bola).

Eles também prestam muita atenção às fitas de proteção (protection tape) para a cabeça da raquete. Jogadores que dão muito slice ou que jogam muito no saibro raspam a cabeça da raquete constantemente. As fitas da Head são leves, mas extremamente resistentes, protegendo o aro sem adicionar muito peso ou desbalancear a raquete.

É esse nível de detalhe que define a Head. Eles pensam em cada aspecto do jogo. Eles não querem apenas vender a raquete; eles querem garantir que cada acessório que você usa está otimizado para funcionar com ela.

Comparativo das Gigantes: Wilson vs. Babolat vs. Head em Acessórios

Para colocar as coisas em perspectiva, vamos “colocar na balança” os pontos fortes de cada uma dessas três potências. Nenhuma é objetivamente “melhor” em tudo. A sua escolha vai depender do que você valoriza: tradição e sensação (Wilson), spin e agressividade (Babolat), ou tecnologia e conforto (Head).

Cada marca domina um território específico. Se você me perguntar qual o melhor overgrip “puro” para sensação, 9 em 10 professores vão dizer o Wilson Pro Overgrip. Se você perguntar qual a melhor corda para spin, a RPM Blast da Babolat estará na conversa principal. Se você perguntar qual o cushion grip (o de baixo) mais confortável, a linha Hydrosorb da Head vai aparecer.

O importante é entender essa tabela não como uma competição de quem ganha, mas como um guia de especialidades. Você não precisa ser “fiel” a uma marca só. Muitos profissionais usam uma raquete Wilson, com uma corda Babolat e um antivibrador Head. O segredo é misturar e combinar o que funciona para o seu jogo.

Tabela Comparativa de Foco em Acessórios

CaracterísticaWilsonBabolatHead
Principal FocoSensação, Tradição, ConsistênciaSpin, Potência, Inovação AgressivaTecnologia, Conforto, Engenharia
Acessório ÍconePro Overgrip (branco)Corda RPM Blast (preta)Grips Hydrosorb (conforto)
Grips/OvergripsFoco em “Tack” (aderência colante). O padrão do mercado (Pro Overgrip).Bons grips, mas o foco maior é em cordas.Foco em absorção de suor e conforto (acolchoado).
CordasDomínio via Luxilon (Alu Power). Foco em controle e durabilidade.Especialista histórica. Foco total em spin (RPM Blast, Pro Hurricane).Foco em controle e conforto (Linha Hawk e multifilamentos).
Raqueteiras (Bags)Design clássico, robusto. Foco em durabilidade e proteção térmica (Thermoguard).Design agressivo, moderno. Foco em leveza e compartimentos estruturados.Design tecnológico, funcional. Foco em organização interna (divisórias CCT+).
AntivibradoresSimples e funcionais (o “W”).Inovadores, com opções de customização (Custom Damp).Tecnológicos, com filtragem de vibração específica (Smartsorb).

Além do Pódio: Marcas que Estão Ganhando o Set

Você seria um tenista limitado se achasse que o mundo gira apenas em torno de Wilson, Babolat e Head. Essas três dominam o mercado de massa e o patrocínio profissional, é verdade. Mas existem outras marcas fazendo um trabalho espetacular, muitas vezes se especializando em um nicho e fazendo-o melhor do que ninguém. Sair da “bolha” pode revelar equipamentos fantásticos.

Ignorar essas marcas é como só treinar o forehand e esquecer do resto do jogo. Marcas como Yonex e Tecnifibre não são “pequenas”; elas são gigantes em seus próprios direitos, com legiões de fãs leais e produtos de qualidade indiscutível. E os especialistas de nicho, como Solinco e Tourna, estão empurrando a tecnologia de cordas e grips para novos limites.

Vamos dar uma olhada nesses “desafiantes” que já ganharam seu espaço na quadra. Preste atenção, pois às vezes a solução para aquele problema no seu jogo não está nas prateleiras mais óbvias, mas sim com os especialistas que estão correndo por fora.

Yonex: A Precisão Japonesa nos Detalhes

A Yonex é uma força que precisa ser reconhecida. Famosa por suas raquetes de formato isométrico (quadrado), que criam um sweet spot maior, a marca japonesa aplica a mesma filosofia de precisão e qualidade em seus acessórios. Eles não fazem nada “mais ou menos”. Se a Yonex coloca um produto no mercado, você pode ter certeza que a qualidade de fabricação é impecável.

O grande destaque da Yonex em acessórios é o overgrip Super Grap. Para muitos jogadores, este é o único grip que pode competir de igual para igual com o Pro Overgrip da Wilson. Ele tem uma sensação de “cola” fantástica, talvez até mais duradoura que o da Wilson, e vem em uma variedade enorme de cores. É uma escolha de culto para muitos jogadores que experimentam e nunca mais voltam atrás.

Suas cordas, como a Poly Tour Pro (usada por muitos profissionais que não são patrocinados por eles, o que diz muito), são conhecidas por uma sensação mais macia e controlada. As raqueteiras da Yonex também são de alta qualidade, muitas vezes com designs únicos e uma construção que dura uma eternidade. A Yonex não é uma alternativa; é uma escolha de primeira linha.

Tecnifibre: A Excelência Francesa em Cordas

A Tecnifibre é outra marca francesa com foco intenso em performance. Se a Babolat é a rainha do spin, a Tecnifibre é a mestre do controle e da sensação, especialmente em cordas. Eles são obcecados por tecnologia de cordas e, por muito tempo, foram a marca oficial de cordas e encordoadores do torneio de Roland Garros. Isso já mostra o nível de confiança que o circuito tem neles.

Seu legado está nos multifilamentos. Cordas como a X-One Biphase e a NRG2 são consideradas as que mais se aproximam da sensação da “tripa natural”, oferecendo conforto e potência incomparáveis. Para quem sofre com o cotovelo (o famoso tennis elbow), usar uma corda Tecnifibre é, muitas vezes, a solução. Elas absorvem o choque de forma espetacular.

Recentemente, eles entraram forte no mercado de poliéster com as cordas Black Code e, especialmente, a Razor Code (usada por Iga Swiatek). São cordas que oferecem controle cirúrgico. Seus acessórios, como grips e bolsas, seguem a mesma linha: elegantes, funcionais e com um toque de design francês “limpo”.

Solinco e Tourna: Os Especialistas de Nicho

Agora vamos ao nível expert. Solinco e Tourna são marcas que você talvez não veja em propagandas na TV, mas você definitivamente as vê nas raquetes dos jogadores de faculdade (NCAA) e nos challengers. A Solinco se especializou em cordas de poliéster de alta performance, e a Hyper-G (aquela corda verde-limão) se tornou um fenômeno. Ela oferece um spin massivo com uma sensação mais macia que a RPM Blast.

A Tourna, por outro lado, é a dona do grip original. O Tourna Grip (aquele azul-claro) é o oposto do Pro Overgrip. Ele não é “colante” (tacky); ele é “seco” (dry). É feito para jogadores que suam muito. Quanto mais você sua, melhor ele parece funcionar. É o grip que Sampras usava. Ele não dura nada, esfarela rápido, mas enquanto está na raquete, para quem precisa de absorção máxima, ele é imbatível.

Essas marcas provam que há espaço para inovação focada. Elas não tentam fazer tudo. Elas tentam fazer uma coisa (cordas ou grips) melhor do que qualquer outra pessoa. E, muitas vezes, elas conseguem.

Montando seu “Saco de Raquetes”: Como Escolher seus Acessórios

Certo, agora que você conhece os “jogadores” (as marcas), como você monta o seu time titular? A escolha de acessórios é profundamente pessoal. Não adianta eu te dizer para usar o Wilson Pro Overgrip se você mora em um lugar muito úmido e suas mãos suam como uma fonte. Talvez o Tourna Grip seja sua salvação. Não adianta usar uma corda RPM Blast se você tem 50 anos e joga tênis de forma recreativa, priorizando o conforto.

O processo de seleção é de tentativa e erro, mas um erro informado. Você precisa primeiro entender qual é o seu objetivo. Você está buscando mais spin? Seu problema é o suor? Você sente dor no cotovelo? A raqueteira está pequena para seus treinos? Cada pergunta tem uma resposta em uma marca ou produto diferente.

Seu “saco de raquetes” (sua raqueteira) deve ser seu kit de sobrevivência. Ele precisa ter o que você precisa para se adaptar a qualquer condição de jogo. Isso significa ter overgrips extras, talvez um antivibrador reserva, e a certeza de que suas raquetes estão protegidas. Vamos detalhar os três pontos de contato principais.

O Grip e Overgrip: Sua Assinatura no Jogo

O grip é seu único ponto de contato direto com a raquete. Ele tem que ser perfeito para você. Comece com o cushion grip (o de baixo). Se ele estiver gasto, troque. Se você o achar muito fino ou muito duro, troque por um Head (conforto) ou um de couro (sensação máxima). A maioria dos jogadores joga com um overgrip por cima. Aqui está a decisão:

Você quer “cola” (tack)? Sua mão fica seca? Vá de Wilson Pro Overgrip ou Yonex Super Grap. Você vai ter uma aderência firme, quase grudenta. A raquete vira parte da sua mão.

Você sua muito? A aderência “colante” vira um sabão na sua mão? Você precisa de absorção. Vá de Tourna Grip (o azul). Ele é seco ao toque e vai absorver a umidade, permitindo que você mantenha a fricção.

Experimente. Compre um de cada. Um overgrip custa pouco e pode mudar completamente a confiança no seu golpe. Não seja fiel a uma marca; seja fiel ao que funciona.

Antivibradores: Filtrando o Impacto

Aqui temos uma polêmica. Metade da quadra acha que é essencial, a outra metade acha que é placebo. A verdade? O antivibrador (dampener) não muda a física da sua raquete. Ele não vai te dar mais potência nem mais controle. O que ele faz é mudar a sensação e o som do impacto. Ele absorve as vibrações de alta frequência do leito de cordas.

Para que serve isso? Conforto. Se você não gosta daquele som “ping” metálico e estridente que algumas raquetes (especialmente com cordas de poliéster) fazem, um antivibrador resolve. Ele dá um som mais “mudo”, “sólido”, “pop”. Para muitos jogadores, esse som se traduz em confiança.

Se você decidir usar um, a escolha é simples. Quer o mínimo? Use o da Wilson ou um simples “elástico”. Quer ajustar a sensação? Pegue o Custom Damp da Babolat. Quer algo mais tecnológico? O Smartsorb da Head. Ou não use nenhum, como Federer fazia. A escolha é puramente sensorial.

A Raqueteira Ideal: O Vestiário Portátil

Sua raqueteira diz muito sobre você. Você é o jogador que chega com uma mochila, ou o que chega com uma bolsa para 12 raquetes? A regra de ouro é: compre uma bolsa um tamanho maior do que você acha que precisa. Você sempre acaba carregando mais coisas: toalha, garrafa de água extra, um rolo de esparadrapo, protetor solar, boné.

A proteção térmica (Thermoguard, CCT+) é obrigatória se você leva seu jogo a sério e usa cordas de poliéster. A variação de temperatura (deixar no carro) destrói a tensão da corda. Você precisa de um compartimento térmico para suas raquetes principais.

Wilson oferece durabilidade clássica. Babolat oferece design leve e estruturado. Head oferece organização interna superior. Pense em como você se locomove. Você vai de carro? Uma bolsa maior (Tour) é ótima. Você vai de transporte público ou bicicleta? Uma mochila de tênis (Backpack) é muito mais prática. Sua bolsa é seu escritório; mantenha-a organizada.

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