Conforto em Foco: Wilson Clash vs. Head Boom (Qual a melhor para o braço?)

E aí, campeão. Vamos bater um papo sério sobre o seu braço. Vejo você na quadra três dias por semana, se esforçando, correndo atrás de tudo, mas também vejo aquela “esticada” no cotovelo depois de um forehand mais forte. Você não está sozinho nessa. A dor no braço, o famoso tennis elbow, é o fantasma que assombra o jogador amador. E 90% das vezes, a culpa não é (só) da sua técnica, mas da ferramenta que você está usando.

Hoje, o mercado está inundado de tecnologia, e duas raquetes estão na boca do povo quando o assunto é conforto: a Wilson Clash e a Head Boom. Elas prometem potência fácil e, o mais importante, uma sensação amigável ao braço. Mas qual delas realmente entrega o que promete? Qual delas vai deixar você jogar o quinto set sem precisar de gelo?

Vamos dissecar essas duas. Não vou usar termos de marketing. Vou usar a minha experiência de quadra, o que eu sinto e o que eu vejo meus alunos sentindo. Pega sua água, senta aí, porque vamos analisar ponto por ponto. Vamos definir qual é a melhor escolha para a sua saúde no tênis, olhando para o que importa: a física por trás da batida e a sensação no seu braço.

A Revolução da Flexibilidade: Wilson Clash em Foco

A Wilson Clash não foi uma evolução; foi uma disrupção. Quando ela chegou, nós, professores, ficamos céticos. Uma raquete tão flexível (com um índice de rigidez, ou RA, ridiculamente baixo) que também promete potência? Isso vai contra o que aprendemos por 30 anos. Raquetes flexíveis são para controle e sensação; raquetes rígidas são para potência. A Wilson disse: “vamos ter os dois”.

O segredo, ou pelo menos o que eles contam, está na construção do carbono. Eles criaram pontos de flexão específicos no aro. A raquete dobra de um jeito que nenhuma outra dobrava. Ela literalmente “abraça” a bola, aumentando o tempo de contato. Isso é ótimo para o spin, mas é fenomenal para o conforto.

O resultado é uma sensação muito… “abafada”. Você bate, e o choque simplesmente não chega ao seu braço. É como se a raquete tivesse um filtro. Para quem vem de raquetes rígidas (como as Pure Drive antigas), a sensação inicial é estranha. Parece que a bola “morre” na raquete, mas ela voa. É uma tecnologia que desafia a intuição, mas que salvou o braço de milhares de jogadores.

A Mágica por Trás do “Fortyfive”: O que é isso?

O marketing chama de “Fortyfive”. Na prática, é a forma como eles trançaram as fibras de carbono. Em vez de alinhar tudo na horizontal ou vertical (como a maioria), eles colocaram as fibras em um ângulo de 45 graus. Por que isso importa para você? Porque permite que a raquete se dobre de uma maneira muito específica quando você bate na bola, especialmente no movimento vertical do swing moderno.

Pense assim: raquetes tradicionais dobram para trás. A Clash dobra para trás e para cima. Esse movimento duplo é o que permite que ela seja tão flexível (dando conforto) e, ao mesmo tempo, “ejete” a bola com potência quando o swing é completo. É uma engenharia complexa que tenta resolver o paradoxo do tênis.

A sensação é que a raquete “segura” a bola por um milissegundo a mais. Esse tempo de permanência (o dwell time) é o que gera tanto conforto. O impacto é distribuído por uma fração de segundo a mais, dissipando a vibração antes que ela suba pelo seu punho, cotovelo e ombro. Não é mágica, é física aplicada de forma inteligente.

Sensação em Quadra: Como ela (realmente) se move?

Quando você pega a Clash (especialmente a 100 V2), a primeira coisa que nota é o equilíbrio. Ela tende a ter o peso mais para o cabo (Head Light), o que a torna muito rápida na mão. Você se sente ágil na rede e consegue preparar o golpe mais rápido no fundo de quadra. A manuseabilidade dela é nota 10.

O swing dela é fácil. Você não precisa “forçar” a raquete a se mover. Isso é crucial para o conforto. Muitos problemas de braço vêm de o jogador usar uma raquete pesada demais ou com peso na cabeça, exigindo muito do antebraço para acelerar. A Clash remove esse esforço. Você pode relaxar o braço e deixar a física da raquete fazer o trabalho de gerar velocidade.

No entanto, essa flexibilidade tem um “custo”. Alguns jogadores (especialmente os mais avançados, que batem muito reto e forte) podem sentir falta de “conexão” com a bola. A sensação é tão abafada que às vezes você não sabe exatamente onde a bola bateu na corda. É uma troca: você abre mão de um pouco daquela sensação “crisp” (seca, direta) em troca de um conforto supremo.

O Veredito do Braço: Por que ela é tão “macia”?

A resposta curta é o índice de rigidez (RA). A maioria das raquetes “modernas” fica na faixa de 65 a 70+ RA. A Wilson Clash 100 opera abaixo de 60, às vezes perto de 55. Isso é uma diferença brutal. É a diferença entre bater em uma parede de tijolos e bater em um travesseiro firme. A estrutura da raquete absorve a maior parte do impacto.

Essa maciez é uma bênção para quem tem dores crônicas. O shock de uma batida fora do centro, que normalmente faria seu cotovelo tremer, é quase imperceptível na Clash. Ela perdoa seus erros de tempo de bola. Se você está um pouco atrasado no golpe ou bate com a bola muito perto do corpo, a Clash ainda te dá uma bola “jogável” sem punir seu braço.

Se o seu problema é tennis elbow (dor na parte externa do cotovelo) ou golfer’s elbow (dor interna), a Clash é, sem dúvida, a primeira raquete que eu coloco na mão de um aluno para testar. Ela permite que o jogador continue treinando e melhorando a técnica, enquanto o braço se recupera, porque ela simplesmente para de agredir a articulação a cada golpe.

A Explosão “Auxetic”: Head Boom em Foco

Do outro lado, temos a Head. A Head sempre foi conhecida por raquetes mais “secas”, com uma sensação mais direta (pense na linha Radical ou Prestige). Com a linha Boom, eles tentaram entrar no território das “raquetes de potência fáceis e confortáveis”, um espaço que a Wilson Clash e a Babolat Pure Drive dominavam.

A resposta da Head foi a tecnologia “Auxetic”. É uma palavra chique para uma estrutura de material (geralmente no coração ou no cabo da raquete) que reage de forma diferente à pressão. Materiais normais, quando esticados, ficam mais finos. Materiais auxéticos, quando esticados, ficam mais grossos.

O que isso significa no tênis? Significa que no momento do impacto (uma pressão rápida), a estrutura se “firma” e se expande ligeiramente, otimizando a resposta da raquete. A promessa é uma sensação melhor, mais “conectada”, sem a vibração ruim das raquetes rígidas. A Boom não é “mole” como a Clash; ela é “inteligente” na resposta ao impacto.

Entendendo a Resposta “Auxetic” da Head

Vamos simplificar essa engenharia. Imagine uma rede de pesca. Se você puxa as pontas, o meio dela fica fino. Agora imagine uma estrutura de colmeia especial. Se você puxa as pontas, o meio dela se expande. Isso é Auxetic. A Head colocou isso no “coração” (Yoke) da raquete.

Quando a bola bate nas cordas, a força é transferida para o aro. A estrutura Auxetic reage a essa força instantânea, ajustando a rigidez. O resultado é uma sensação muito sólida e estável, mesmo sendo uma raquete relativamente leve. Ela não “torce” tanto na sua mão em golpes descentralizados, o que é uma causa comum de estresse no punho.

Diferente da Clash, que filtra quase tudo, a Boom filtra apenas as vibrações “ruins”. Ela ainda deixa você sentir a bola. Você sabe se bateu limpo ou se “mascou” a batida. Para jogadores que acham a Clash “morta” ou “anestesiada”, a Boom oferece um meio-termo muito interessante: conforto com feedback.

A “Boom” é Confortável ou Apenas Potente?

Aqui está o pulo do gato. A Boom é, antes de tudo, uma raquete de potência. O nome não é por acaso. A bola “explode” das cordas. Ela tem um perfil de aro mais grosso (semelhante à Pure Drive) e um índice de rigidez (RA) mais alto que o da Clash. Estamos falando de algo na casa dos 64-68 RA, dependendo do modelo.

Isso a torna, por definição, menos confortável que a Clash. Não há como uma raquete de 65 RA ser tão macia quanto uma de 55 RA. A física é clara. Mais rigidez significa mais potência bruta e mais transferência de choque para o braço. A tecnologia Auxetic ajuda a mitigar esse choque, mas não o elimina como a flexibilidade extrema da Clash faz.

Portanto, a Boom é confortável para uma raquete de potência. Se você está vindo de uma raquete muito rígida e antiga (70+ RA), a Boom será um alívio. Ela é potente, mas controlada, e a tecnologia Auxetic realmente limpa a sensação. Mas se sua prioridade número um é a saúde do braço, e você está comparando diretamente com a Clash, a Boom é a opção mais firme das duas.

Comparando a Boom MP, Team e Pro (Diferenças de conforto)

A linha Boom não é uma coisa só. O modelo “MP” (Midplus) é o carro-chefe, o mais equilibrado. É o que a maioria dos jogadores de clube vai usar. Tem 100 polegadas de cabeça, cerca de 295g, e é a mistura de potência e spin. É aqui que você sente a tecnologia Auxetic trabalhando bem.

A “Boom Team” é mais leve (cerca de 275g). Raquetes mais leves são mais fáceis de manusear, mas tendem a ser menos estáveis e piores para o braço, pois têm menos massa para absorver o impacto. A bola “empurra” a raquete, e seu braço tem que fazer o trabalho. Cuidado com raquetes muito leves se você já tem dor.

A “Boom Pro” é mais pesada (310g) e tem um padrão de cordas mais fechado (18×20). Mais peso é bom para o conforto (mais massa para absorver choque), mas o padrão de cordas fechado a torna mais firme e voltada para o controle. Ela é menos amigável ao braço que a MP. Para a maioria dos jogadores amadores que buscam conforto, a Boom MP é o ponto ideal dentro da linha Boom.

O Confronto Direto: Clash vs. Boom no Fundo de Quadra

Agora vamos para a prática. Você está na linha de base, trocando bolas. Aqui é onde 90% do jogo acontece e onde seu braço mais sofre. Como elas se comparam golpe a golpe?

A sensação do swing é diferente. A Clash (mais leve no cabo) parece uma extensão do seu braço, fácil de acelerar para gerar spin. A Boom (equilíbrio mais uniforme) parece uma ferramenta mais sólida, pronta para “esmagar” a bola.

A trajetória da bola também muda. A Clash naturalmente gera uma bola mais alta, com mais arco (devido ao tempo de contato e flexibilidade). A Boom gera uma bola mais penetrante, mais reta. Você precisa decidir que tipo de jogador você é: o que ganha ponto na consistência e altura, ou o que ganha na velocidade e penetração.

Batendo o Forehand: Quem dá mais spin “fácil”?

O spin vem da aceleração da cabeça da raquete e do padrão de cordas. Ambas (Clash 100 e Boom MP) têm um padrão 16×19, ideal para spin. A Clash, por ser tão flexível e “segurar” a bola, permite que você “raspe” a bola com muita facilidade. O topspin com a Clash é quase automático; a bola sobe e cai de forma impressionante.

A Head Boom também gera muito spin, mas de um jeito diferente. Como ela é mais rígida, a bola sai mais rápido. O spin é mais “pesado”, mais penetrante. Você sente que está “amassando” a bola contra as cordas. É um spin que machuca o adversário.

No final, o “spin fácil” (aquele que você gera sem fazer força, só com o movimento) é o da Clash. O spin agressivo (aquele que você usa para definir o ponto) é mais evidente na Boom. Para o braço, o spin da Clash é mais saudável, pois você não precisa contrair o antebraço com tanta força para fazer a bola girar.

O Backhand: Estabilidade contra Sensação

No backhand, especialmente o de duas mãos, a estabilidade é fundamental. Aqui, a Head Boom muitas vezes leva uma ligeira vantagem. A estrutura Auxetic e a rigidez geral da raquete fazem com que ela se sinta muito “sólida” no impacto. Você pode bloquear o golpe do seu oponente e a raquete não vai torcer na sua mão.

A Wilson Clash V1 (a primeira versão) sofria um pouco aqui. Ela era tão flexível que, contra bolas pesadas, ela podia parecer um pouco “instável”. A V2 melhorou muito isso, adicionando um pouco mais de estabilidade no topo do aro. Mesmo assim, a sensação da Boom é de uma solidez mais tradicional.

Para o backhand de uma mão, a flexibilidade da Clash é uma delícia. Ela permite um slice fácil e profundo, e o topspin sai com fluidez. A Boom exige uma técnica mais apurada no slice (porque a bola sai mais rápido da corda), mas recompensa com uma bola mais cortante e baixa.

Batidas Fora do Centro: Onde o “perdão” importa mais

Aqui é onde o jogo do conforto é ganho ou perdido. Ninguém acerta o sweet spot (ponto doce) o tempo todo. Quando você bate na ponta, ou perto do aro, é aí que a vibração dispara.

A Wilson Clash é a rainha do perdão. A tecnologia Fortyfive e a baixa rigidez fazem com que o sweet spot pareça ter o tamanho da cabeça inteira. Você pode bater mal, e a raquete ainda entrega uma bola decente e, o mais importante, nenhuma vibração nojenta no seu braço. É a melhor raquete do mercado para golpes descentralizados, ponto final.

A Head Boom, graças ao Auxetic, também é muito boa nisso. Ela é muito mais tolerante do que as Head tradicionais. Você não leva aquele “choque” seco de uma Radical quando erra o centro. Dito isso, ela ainda é mais rígida que a Clash. Se você errar muito o centro, você vai sentir. Ela perdoa, mas a Clash esquece que você errou. Para o braço, o nível de perdão da Clash é incomparável.

Perto da Rede e no Saque: Quem Domina o Jogo Rápido?

Vamos subir para a rede. No vôlei, você precisa de duas coisas: manuseabilidade (para reagir rápido) e estabilidade (para bloquear a bola).

Aqui, a leveza e o equilíbrio da Clash a tornam muito rápida. Você se sente como um profissional na rede, pegando reflexos que não achava que tinha. A sensação macia também ajuda nos drop volleys (voleios curtos), pois a bola “gruda” na raquete.

A Boom, por ser mais firme, oferece voleios mais “crocantes”. É um punch mais definitivo. Você bloqueia e a bola vai. Não tem muita “arte”, é mais eficiência. Ambas são boas na rede, mas de formas diferentes. A Clash é sobre toque; a Boom é sobre solidez.

Voleios: A Sensibilidade da Clash contra a Firmeza da Boom

O toque é subjetivo. O que a Clash oferece é um “toque abafado”. Você sente a bola afundando nas cordas, o que lhe dá confiança para direcionar voleios angulados ou curtos. É uma sensação de controle através da maciez.

A Head Boom oferece um “toque conectado”. Você sente o impacto da bola, limpo e direto. Isso permite que você seja muito preciso em voleios firmes e profundos. Você sabe exatamente o que a bola fez. A tecnologia Auxetic faz um trabalho fantástico de filtrar o ruim e deixar o bom.

Para o conforto no voleio (que raramente é um problema, pois o swing é curto), ambas são ótimas. A escolha aqui é sobre preferência: você gosta de “pegar” a bola (Clash) ou de “bater” na bola (Boom)?

O Saque “Chapado” e o “Kick”: Potência x Colocação

No saque, a história se inverte um pouco. A potência “fácil” da Head Boom realmente brilha aqui. A rigidez da raquete transfere mais energia para a bola. O saque chapado (o flat serve) com a Boom é uma arma. Você sente a explosão.

A Clash, por ser flexível, “rouba” um pouco dessa potência máxima. Você não vai ter o saque mais rápido do seu clube com uma Clash. Onde ela brilha é no kick serve (saque com spin) e no slice serve (saque com efeito lateral). Aquele tempo extra de contato com a bola permite que você aplique muito, mas muito efeito.

Para o braço, o saque é um movimento de alto estresse. A potência “fácil” da Boom é tentadora, mas a falta de vibração da Clash é mais segura a longo prazo. Se você já sente o ombro ou o cotovelo depois de um dia de saque, a Clash vai aliviar essa pressão.

Slices e Deixadinhas: O “toque” importa

Em golpes de baixa velocidade, como o slice de backhand ou a deixadinha (drop shot), a Clash é uma ferramenta cirúrgica. A flexibilidade extrema permite que a bola fique nas cordas por tempo suficiente para você “esculpir” o golpe. Os slices saem baixos e profundos, e as deixadinhas morrem perto da rede.

A Head Boom exige uma mão mais firme. Como a raquete é mais potente, é fácil a deixadinha “flutuar” ou o slice subir demais. Você precisa de uma técnica mais refinada para executar esses golpes de toque.

Novamente, é a troca: a Clash é mais tolerante e focada na sensação de controle, enquanto a Boom é focada na potência e na resposta direta.

Além das Raquetes: O Ajuste Fino para Salvar seu Braço

Aluno, preste atenção. Isso é importante. Você pode comprar a Wilson Clash 100, a raquete mais confortável do planeta, e ainda assim ter dor no braço. Por quê? Porque a raquete é apenas metade da equação. A outra metade é o que você coloca nela e como você a segura.

Muitos jogadores gastam uma fortuna na raquete e depois colocam a corda mais barata que o encordoador tem, ou pior, pedem a “corda que o Federer usa” (que é dura como arame) na tensão máxima “para durar”. Isso é suicídio para o cotovelo.

Se você está investindo em uma raquete de conforto como a Clash ou a Boom, você precisa completar o “pacote de conforto”. Isso significa escolher a corda certa, a tensão certa e o grip certo. Não negligencie isso.

A Verdade sobre as Cordas: O Motor da Raquete

A corda é o motor. Raquetes de conforto (flexíveis) geralmente pedem cordas que ajudam na potência, como um multifilamento ou um co-poly (poliéster) macio. Raquetes de potência (rígidas), como a Boom, pedem cordas que ajudam no controle e no spin (como os co-poly).

Se você tem dor no braço, a regra número um é: fique longe de cordas de poliéster rígidas. Elas são feitas para profissionais que arrebentam cordas a cada 5 horas de jogo. Elas morrem rápido e transferem uma vibração terrível para o braço.

Para a Clash ou a Boom, se o seu foco é conforto, use um multifilamento de alta qualidade (como Tecnifibre X-One ou Wilson NXT) ou uma tripa natural. Se você precisa do spin do poliéster, use um co-poly macio (como Solinco Hyper-G Soft ou Yonex Poly Tour Pro) em uma configuração híbrida (poliéster nas verticais, multi nas horizontais).

Tensão: O Erro Clássico de Quem Sente Dor

Tensão alta = mais controle, menos potência, muito menos conforto. Tensão baixa = mais potência, menos controle, muito mais conforto.

Vejo alunos chegando com 58, 60 libras de tensão. Isso é desnecessário. A tecnologia moderna das raquetes permite que você jogue com tensões muito mais baixas. Para uma raquete como a Clash ou a Boom (que já têm potência), você pode começar com 50 libras. Se você usa um multifilamento, talvez 52-54. Se usa poliéster, nunca passe de 50.

Se você está com dor, faça um favor ao seu braço: baixe a tensão. Comece com 48 libras. A bola pode voar um pouco no começo, mas seu cotovelo vai agradecer. A raquete vai absorver mais impacto, e a corda vai funcionar como um trampolim mais macio.

O Papel do Grip (e Overgrip) no Impacto

Isso é algo que ninguém olha. Se o grip (a empunhadura) da sua raquete for muito pequeno, você tem que “apertar” a raquete com força para ela não girar na sua mão. Esse aperto constante é o que causa o tennis elbow. É pura tensão no antebraço.

A regra é: você deve conseguir, ao segurar a raquete, quase encostar a ponta do dedo médio na “almofada” do polegar. Se seus dedos se sobrepõem, o grip é muito pequeno. Se sobrar muito espaço, é muito grande (o que também é ruim).

Use overgrips de qualidade e troque-os com frequência. Um overgrip gasto e liso faz você apertar mais a raquete. Um overgrip macio e com boa aderência (como os da Wilson Pro Comfort ou Tourna) permite que você relaxe a mão. Relaxar a mão é o primeiro passo para curar o braço.

Tabela Comparativa e Concorrentes Diretos

A Clash e a Boom não estão sozinhas nessa briga. O mercado de “potência fácil e confortável” é o mais lucrativo. A Babolat Pure Drive foi a rainha disso por anos (embora não seja famosa pelo conforto). E a Yonex tem uma das raquetes mais subestimadas e fantásticas do mercado.

Colocar a Clash e a Boom lado a lado com outros concorrentes nos ajuda a ter uma visão melhor de onde elas se encaixam no espectro. A verdade é que não existe “a melhor raquete”. Existe a melhor raquete para você.

Vamos analisar os números. Lembre-se: RA (Rigidez) é o indicador mais importante para o conforto. Quanto menor o RA, mais macia a raquete.

Tabela de Batalha: Clash vs. Boom vs. Rivais

Aqui está um resumo rápido das especificações (modelos de 100 pol² / ~300g):

CaracterísticaWilson Clash 100 V2Head Boom MPYonex EZONE 100
Peso (sem corda)295g295g300g
Rigidez (RA)~57 (Muito Baixa)~64 (Média)~67 (Média-Alta)
Tecnologia PrincipalFortyfive (Flexibilidade)Auxetic (Sensação)Isometric (Sweet Spot)
Foco PrincipalConforto e SpinPotência e SensaçãoPotência e Conforto (Eq.)
SensaçãoAbafada, macia, flexívelSólida, “crisp”, conectadaPotente, mas macia
Melhor para o Braço?Sim (A melhor)Boa (Para uma raquete de potência)Boa (Surpreendente)

O Concorrente “Esquecido”: Yonex EZONE

Preste muita atenção nesta raquete. A Yonex EZONE 100 é uma competidora direta da Head Boom e da Babolat Pure Drive. Ela é uma raquete de potência (RA na casa dos 67), mas a Yonex faz algo de especial com sua tecnologia “Isometric” (cabeça de formato mais quadrado) e o “Vibration Dampening Mesh” (material de amortecimento no cabo).

O resultado é uma raquete que é potente como a Boom, mas que soa e se sente muito mais confortável do que seu índice de rigidez sugere. Ela é menos “seca” que a Boom e menos “morta” que a Clash. É um meio-termo fantástico.

Para muitos jogadores que acham a Clash muito “mole” e a Boom um pouco “dura”, a EZONE 100 é o ponto de equilíbrio perfeito. Ela oferece potência, spin e um nível de conforto que desafia sua rigidez. Eu sempre faço meus alunos testarem a EZONE antes de decidirem entre a Clash e a Boom.

O Padrão Ouro: E a Pro Staff?

Às vezes os alunos me perguntam: “E a raquete do Federer, a Pro Staff?”. A Pro Staff é o oposto de tudo o que estamos discutindo. É uma raquete pesada, exigente, com baixa potência e um sweet spot pequeno. É uma raquete que exige técnica perfeita.

Ela é confortável? Sim, de um jeito diferente. O peso dela (massa) absorve muito impacto, e ela é flexível. Mas ela é péssima para o braço de um jogador amador, porque para gerar potência com ela, você precisa fazer toda a força. O jogador amador acaba “forçando” o braço, tentando fazer o que a raquete não foi desenhada para fazer.

Fique longe de raquetes de “jogador profissional” até que sua técnica e seu físico estejam prontos. A Clash e a Boom são feitas para nós, meros mortais, que queremos nos divertir na quadra sem precisar de fisioterapia na segunda-feira.

O Veredito do Professor: Qual Raquete Eu Coloco na Sua Mão?

Muito bem, você ouviu tudo. Analisamos a tecnologia, o fundo de quadra, a rede e os concorrentes. Agora, a pergunta de um milhão de dólares: Wilson Clash ou Head Boom para o seu braço?

A resposta depende de uma pergunta que você precisa me responder: Qual é a sua prioridade absoluta?

Se você me disser: “Professor, meu cotovelo está me matando. Eu não aguento mais jogar com dor. Eu só quero continuar jogando tênis, não importa o resto.” Nesse caso, a escolha é fácil. Eu te entrego a Wilson Clash 100. Não há raquete no mercado que proteja mais o seu braço. Ela é o padrão-ouro do conforto. Você vai sacrificar um pouco de potência máxima e sensação “pura”, mas vai ganhar longevidade no esporte.

Mas, se você me disser: “Professor, eu tenho um leve desconforto, mas o que eu quero mesmo é mais potência. Eu quero uma bola que ‘ande’ mais, que machuque meu adversário. Eu gosto de sentir a bola na corda.” Nesse caso, eu te entrego a Head Boom MP. Ela é uma raquete de potência moderna que, graças ao Auxetic, faz um ótimo trabalho de gerenciamento de vibração. Ela não é tão confortável quanto a Clash, mas é muito mais confortável que as raquetes rígidas de antigamente e vai dar a “explosão” que você procura.

O jogo de tênis é longo. Não adianta ter a raquete mais potente do mundo se ela te deixa no sofá com dor. A melhor raquete é aquela que te mantém na quadra. A Clash é a apólice de seguro para o seu braço. A Boom é a performance otimizada com bons freios ABS. Teste as duas, mas se a dor é o seu principal problema, comece pela Clash.

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