Como montar seu kit de tênis sem gastar muito
E aí, futuro tenista! Preparado para entrar na quadra? Eu sou seu professor e parceiro nessa jornada. Muita gente acha que tênis é aquele esporte “de elite”, que você precisa vender um rim para comprar o equipamento. Deixa eu te contar um segredo: isso é lenda. Você não precisa da raquete de 3 mil reais do Alcaraz para começar a bater bola e se divertir. O mais importante no tênis é a consistência, o “jogo de pernas” (o footwork) e a vontade de aprender. O equipamento? A gente ajusta.
Meu trabalho aqui é exatamente esse: desmistificar o equipamento. Vamos montar seu kit de batalha, seu arsenal para os primeiros games, sem precisar gastar o que você não tem. O tênis é um esporte viciante, e o pior erro é gastar uma fortuna antes mesmo de saber se você prefere um forehand com topspin ou um slice mais baixinho. Vamos focar no essencial, no inteligente, no custo-benefício.
Neste guia, vou te levar passo a passo, como se estivéssemos batendo uma bola no paredão. Vamos analisar o que é crucial, o que é “perfumaria” e onde estão as armadilhas que fazem o iniciante gastar dinheiro à toa. Pegue sua água, ajuste a munhequeira (imaginária, por enquanto) e vamos definir a estratégia para esse primeiro set financeiro. O objetivo é sair com um kit completo, funcional e que caiba no bolso. Vamos ao jogo.
O Coração do Jogo: A Raquete (Onde economizar e onde não economizar)
Vamos começar pelo principal, a “arma” do tenista. A raquete é a extensão do seu braço. Escolher errado aqui pode trazer duas coisas bem chatas: frustração (a bola não anda) ou, pior, lesão (o famoso tennis elbow). O mercado é lotado de opções, cores vibrantes e tecnologias com nomes espaciais. Para quem está começando, 90% disso é marketing. Você precisa de uma raquete que ajude seu jogo, e não de uma que exija que você tenha um jogo perfeito.
A grande armadilha para o bolso é olhar a raquete que o seu ídolo usa na TV. Aquelas são ferramentas de altíssima performance, geralmente muito pesadas, rígidas e com uma área de batida (o sweet spot) pequena. Elas são feitas para atletas que treinam 8 horas por dia e têm uma técnica impecável. Para nós, meros mortais começando, essas raquetes são um “tirambaço” no pé. Elas vão cansar seu braço, vibrar muito no impacto errado e fazer você odiar o esporte.
Nosso foco será em raquetes chamadas “de transição” ou “iniciante/intermediário”. Elas têm características opostas: são mais leves, têm a cabeça maior (o aro, medido em polegadas quadradas) e soltam mais a bola. Isso significa que você fará menos força para a bola passar da rede e, mesmo que você erre o centro das cordas (o que vai acontecer muito, acredite), a raquete ainda devolve a bola com alguma decência. É a diferença entre um rally de 5 bolas e um “pimba” na rede.
Decifrando o material: Alumínio vs. Grafite Composto
Quando você for olhar as raquetes mais baratas, vai encontrar basicamente dois materiais dominando a quadra: alumínio e grafite composto (ou composite). As de alumínio são as mais baratas de todas. Elas são leves, quase indestrutíveis (você pode bater no chão que ela amassa, mas não quebra), e geralmente vêm em kits de supermercado. Elas servem para brincar na praia ou no quintal? Sim. Elas servem para aprender a jogar tênis? Aqui eu já fico com o pé atrás.
O alumínio vibra muito. Cada batida fora do centro vai parecer um choque no seu cotovelo e punho. Como você está aprendendo, você vai bater muito fora do centro. Essa vibração excessiva é a porta de entrada para inflamações e lesões. Além disso, elas são “ocas” de potência; você sente que precisa matar um leão para a bola andar, o que te incentiva a fazer o movimento errado, usando só a força do braço e não o balanço do corpo.
O ideal, mesmo com o orçamento curto, é começar sua busca nas raquetes de “grafite composto” ou “fusão”. Elas misturam grafite (que dá firmeza e absorve impacto) com alumínio ou titânio. Elas são o meio-termo perfeito. Você já sente a firmeza de uma raquete “de verdade”, a vibração é muito menor e ela já oferece alguma potência. Marcas como Wilson, Head, Babolat e Yonex têm linhas de entrada excelentes nessa categoria, que custam um pouco mais que o alumínio puro, mas entregam uma experiência de jogo infinitamente superior e mais segura.
Peso e Equilíbrio: O “feeling” certo para quem começa
Dois termos que você vai ouvir muito são “peso” e “equilíbrio”. O peso da raquete (sem corda) para um iniciante adulto deve ficar ali entre 260g e 285g. Mais leve que isso, ela vibra demais e não tem massa para empurrar a bola. Mais pesado que isso, seu braço vai pedir arrego antes do fim da primeira hora de aula. Fique nessa faixa e você terá uma raquete fácil de manusear (swing) e que não vai te destruir fisicamente.
O “equilíbrio” é onde o peso está concentrado. Uma raquete pode ter “peso na cabeça” (head heavy) ou “peso no cabo” (head light). As raquetes de iniciante, geralmente, têm o peso levemente voltado para a cabeça. Isso ajuda a gerar potência no golpe sem que você precise acelerar o braço como um louco. É um “empurrãozinho” que a raquete te dá. Não se preocupe em decorar números de equilíbrio; apenas pegue a raquete pelo meio e sinta para onde ela pende. Para começar, uma raquete “equilibrada” ou com “leve peso na cabeça” é o match point.
O feeling é tudo. Não adianta eu te dizer que a raquete X é perfeita se, na hora que você pega, o cabo (o grip) é grosso demais para sua mão ou você acha ela desajeitada. Se possível, pegue a raquete na mão. Sinta o peso. Faça o movimento do forehand no ar. Se parecer um bom começo, se ela parecer uma aliada, é um bom sinal. Confie nessa primeira impressão. O ajuste fino do feeling vem com anos de quadra, por agora, buscamos o “confortável”.
Usadas e semi-novas: O garimpo inteligente
Aqui está o “pulo do gato” para economizar de verdade. O mercado de raquetes usadas é fantástico. Muitos tenistas são “viciados em equipamento” (nós chamamos de gear addicts); eles compram a raquete do ano, usam por seis meses, enjoam e vendem pela metade do preço para comprar o modelo novo. É aqui que você entra. Você pode comprar uma raquete de grafite 100% (muito superior ao composto) pelo preço de uma de composto nova.
Procure em grupos de clubes de tênis, em sites de usados (como OLX ou Mercado Livre, mas com cuidado) ou, o melhor de todos, pergunte ao seu professor. Nós, professores, sempre sabemos de um aluno que está trocando de raquete e quer passar a antiga para frente. Ao comprar usada, olhe o aro: arranhões na tinta são normais, fazem parte do jogo. O que você não quer são trincas estruturais ou rachaduras no grafite. Se a pintura estiver gasta, mas o quadro (frame) estiver íntegro, é um ace.
Uma raquete de grafite usada, mesmo que tenha 3 ou 4 anos de idade, se bem cuidada, é um equipamento profissional. Ela vai te entregar muito mais performance, conforto e segurança contra lesões do que qualquer raquete de alumínio nova. Você só vai precisar trocar a corda (o que faria na nova de qualquer jeito) e o overgrip. É, sem dúvida, a forma mais inteligente de começar com o pé direito (e com o braço certo) no esporte, gastando muito menos.
O Tênis (Calçado): O seu “Jogo de Pernas” começa aqui
Se a raquete é o coração, o calçado são os seus pulmões e pernas. Tênis (o esporte) é sobre movimento. Você nunca bate uma bola parado. É split step, corrida lateral, ajuste curto para frente, recuperação para trás. Seu pé está sendo arrastado, freado e acelerado em todas as direções. Usar o calçado errado não só destrói o calçado, como também destrói suas articulações, especialmente joelhos e tornozelos.
Muita gente ignora isso. Pega aquele tênis de corrida, que foi feito para absorver impacto vertical (calcanhar-ponta) e ir para frente, e leva para a quadra. Em duas semanas, o tênis está com o solado todo comido nas laterais e o jogador está com dor no tornozelo. O calçado de tênis é uma ferramenta de engenharia específica: ele é mais baixo, mais estável e feito para dar suporte lateral.
Investir em um calçado específico de tênis não é luxo, é necessidade. É o item número dois da sua lista, logo depois da raquete. Você pode jogar com uma camiseta de algodão velha e um short de futebol, mas se o seu calçado estiver errado, você não vai conseguir desenvolver o footwork correto e corre um risco real de se machucar. A boa notícia é que não precisa ser o modelo mais caro; precisa ser o modelo certo.
Por que não usar o tênis de corrida? A verdade sobre o “Clay”
Vamos dissecar o problema do tênis de corrida. O solado dele é macio e alto, desenhado para amortecer sua pisada quilômetro após quilômetro em linha reta. Na quadra de tênis, você precisa “sentir” o chão para mudar de direção rápido. Aquele solado alto do tênis de corrida te deixa instável, aumentando muito a chance de você “virar o pé” (torcer o tornozelo) numa freada lateral brusca. Além disso, a lateral do tênis de corrida é de tecido leve, que rasga na primeira vez que você arrastar o pé para dar um slice.
Agora, vamos falar de solado. Você vai ver dois tipos principais: “All Court” (para todas as quadras) e “Clay” (para saibro). O solado “Clay” tem um desenho de “espinha de peixe” bem profundo. Ele é feito para “agarrar” o pó de tijolo do saibro, mas ao mesmo tempo permitir que você deslize (slide) de forma controlada. Se você só vai jogar em quadra de saibro (as quadras de terra batida), esse é o ideal.
Se você vai jogar em quadra rápida (cimento) ou em quadras variadas, procure pelo solado “All Court”. Ele também tem a espinha de peixe, mas geralmente é menos profunda e combinada com outros padrões, feita para durar mais no atrito do cimento. Usar um solado “Clay” no cimento vai fazer ele “derreter” em poucas semanas. Usar um “All Court” no saibro funciona, mas “agarra” um pouco mais do que o ideal. Na dúvida, ou para economizar, o “All Court” é mais versátil.
Amortecimento vs. Durabilidade: O equilíbrio no solado
Aqui temos o grande trade-off dos calçados de tênis. Quanto mais amortecimento e conforto, geralmente mais caro e menos durável ele é. Quanto mais durável (solados com “garantia de 6 meses” contra o desgaste, comuns lá fora), mais “duro” e pesado ele tende a ser. Para quem está começando e não joga todo dia, você não precisa do tanque de guerra. Você precisa de um equilíbrio.
Procure por modelos de entrada de marcas consagradas (Asics, Adidas, Nike, Fila, Wilson). Todas elas têm linhas que focam em amortecimento básico (geralmente em EVA ou tecnologias de entrada como o “Gel” da Asics) e boa durabilidade. O importante é que ele tenha o suporte lateral rígido. Você deve pegar o tênis e tentar torcê-lo; ele deve ser firme. A ponta (biqueira) também deve ser reforçada, pois é uma área de muito desgaste.
Não caia na tentação de comprar tênis “estilo tenista” (aqueles brancos, baixinhos, de couro) que são feitos para passear. Eles não têm amortecimento nem suporte. Você precisa de um tênis de performance, mesmo que seja o modelo de entrada. É a diferença entre jogar 1 hora e sentir dor no joelho ou jogar 2 horas e estar pronto para a próxima.
Outlet e promoções: A caça ao calçado certo
Assim como nas raquetes, ninguém precisa do modelo do ano. Calçados de tênis têm coleções novas a cada 6 meses (para acompanhar os Grand Slams). Isso significa que o modelo da “temporada passada”, que é funcionalmente idêntico ao novo, entra em promoção. Outlets de marcas esportivas e seções de “liquidação” em lojas online são seu melhor hunting ground.
Você consegue facilmente encontrar calçados excelentes, de linhas intermediárias (como o Asics Gel-Game ou o Adidas GameCourt), com 30% ou 40% de desconto, só porque a cor “nova” chegou. Ignore a cor. Ninguém ganha jogo porque o tênis combina com a camiseta. Foque na funcionalidade e no preço. Se você achar um modelo que calçou bem e está barato, considere até comprar dois pares.
Lembre-se de experimentar o calçado no fim do dia, quando seu pé está mais inchado. E sempre use com a meia que você pretende usar para jogar (geralmente uma meia de algodão mais grossa, para absorver suor). O calçado de tênis precisa ficar justo, mas sem apertar os dedos. Seu calcanhar não pode “dançar” dentro do tênis. Encontrar o calçado certo pelo preço certo é uma vitória antes mesmo de entrar em quadra.
Consumíveis: Bolas, Cordas e Grips
Agora entramos nos itens que você vai gastar sempre. São os “consumíveis” do tenista. Não adianta ter a melhor raquete e o melhor tênis se você for treinar com uma bola “murcha” ou com uma corda que “morreu” há seis meses. Esses pequenos detalhes afetam diretamente a qualidade do seu feeling e a saúde do seu braço. A boa notícia é que, sabendo comprar, o custo é bem gerenciável.
Muita gente negligencia esses três pontos. O iniciante compra um tubo de bolas e usa até a bola não pular mais e o feltro desaparecer. Ou pior, compra uma raquete de entrada e nunca troca a corda que veio de fábrica, que geralmente é de péssima qualidade, colocada só para “encher” a raquete na vitrine. E o grip? Deixa ficar liso, escorregadio, o que te obriga a apertar a raquete com mais força e, adivinha? Tennis elbow à vista.
Vamos otimizar esses gastos. O objetivo é manter seu equipamento sempre em condição “jogável” sem ter que assaltar um banco. É sobre manutenção inteligente. Uma corda nova pode fazer uma raquete velha parecer nova. Um overgrip trocado a cada 10 horas de jogo salva seu punho. E saber a hora de aposentar um tubo de bolas salva seu jogo de ficar lento e pesado.
Bolas “Championship”: O custo-benefício para o treino
Você vai ver basicamente três tipos de bola: “Premium” (ou “Pro”, como a Wilson US Open ou a Head ATP), “Championship” (como a Wilson Championship ou Head Team) e as “sem pressão” (ou de treino). As bolas Premium são fantásticas, o feltro dura mais, a pressão é perfeita… e custam caro. Elas são feitas para jogos e torneios. Se você abrir um tubo desses para uma aula, em 2 horas de drills elas já começam a perder a pressão.
A melhor escolha para o seu dia a dia, para as aulas e para as batidas de bola descompromissadas, são as bolas “Championship”. Elas são um pouco mais baratas que as Premium, a pressão inicial é ótima e o feltro é muito bom. Elas vão “morrer” (perder a pressão) um pouco mais rápido que as Premium, mas o custo-benefício é imbatível. Elas dão o feeling correto do jogo, o kick certo no saque e o peso ideal no golpe.
E as bolas sem pressão? Elas são ótimas para o professor usar no carrinho (o cesto de bolas), pois duram meses sem murchar. Mas para jogar, eu não recomendo. Elas são mais duras, “pulam” de um jeito estranho e não dão o feeling real do jogo. Fique nas Championship. Compre em “packs” (caixas com 6 ou 12 tubos) em lojas online; o preço por tubo cai bastante e você sempre terá um tubo novo na sua raqueteira.
Cordas: O motor da raquete (Poliéster vs. Multifilamento para o bolso)
A corda é o motor da sua raquete. É ela que tem contato com a bola. A corda que vem “de brinde” nas raquetes de iniciante é, invariavelmente, uma corda de nylon sintético muito simples e grossa, colocada com uma tensão (libragem) aleatória na fábrica. Ela serve para você bater as primeiras bolas, mas só. O ideal é, assim que puder (ou assim que ela arrebentar), trocá-la.
Para quem está começando e quer economizar, evite o “hype” das cordas de poliéster (as “poly”). Elas são as cordas que os profissionais usam. São duras, dão muito spin, mas “morrem” (perdem a elasticidade) muito rápido e são péssimas para o braço de quem não tem a técnica apurada. Elas são mais baratas por set, mas você teria que trocar com muito mais frequência (e pagar a mão de obra do encordoador).
A sua melhor amiga no começo chama-se “multifilamento” ou “tripa sintética” (synthetic gut). São cordas mais macias, que absorvem mais o impacto (protegendo seu braço) e soltam mais a bola (dando potência de graça). Elas duram bastante para quem está começando e não arrebenta corda toda hora. Um set de uma boa tripa sintética (como a Prince Synthetic Gut Duraflex) ou um multifilamento de entrada (como a Head Velocity MLT) tem um preço justo e vai transformar sua raquete de alumínio/composto em algo muito mais confortável e potente.
Overgrip: O acessório mais barato e mais importante
O overgrip é aquela fitinha fina que você enrola por cima do grip original (o “couro” que vem na raquete). Esse é, na minha opinião, o item de custo-benefício mais importante de todo o seu kit. Um overgrip novo te dá “tato”, aderência. Ele impede que a raquete gire na sua mão na hora de um saque ou de um voleio mais firme. Ele permite que você segure a raquete com leveza, relaxando o antebraço.
Quando o overgrip fica velho, sujo e liso, sua mão começa a escorregar. Inconscientemente, você começa a apertar o cabo da raquete com muito mais força para compensar. Essa tensão constante no antebraço é a receita número 1 para o tennis elbow. Você não quer isso. Um overgrip custa muito pouco, especialmente se você comprar em rolos (de 12 ou 30 unidades).
A regra é simples: o overgrip perdeu a “pega”? Troque. Para quem joga 2 ou 3 vezes por semana, o ideal é trocar a cada 10-15 dias. É mais barato que uma sessão de fisioterapia. Não economize aqui. É um gasto mínimo que previne uma dor de cabeça (e de cotovelo) enorme. Mantenha seu grip sempre “grudento” e seu braço agradecerá.
Vestuário: O “Uniforme” de batalha
Aqui é onde você mais pode economizar. Você não ganha de 6/0 6/0 porque sua camiseta é da mesma coleção do seu tênis. O vestuário no tênis tem duas funções principais: conforto (permitir que você se mova) e gerenciamento do suor. Todo o resto é estética. Você já tem em casa 90% do que precisa para começar.
O erro que vejo é o iniciante querer comprar o look completo antes de acertar o forehand. Não faz sentido. Pegue aquela camiseta de corrida que você tem, aquele short confortável e foque seu dinheiro na raquete, no calçado e nas bolas. O vestuário é o último item da lista de prioridades financeiras.
Dito isso, existem algumas peças que facilitam muito a vida na quadra. Não é sobre marca, é sobre função. Um bolso que caiba a bola, um tecido que não pese 10kg quando você suar, e algo para proteger seus olhos do sol. Simples assim. Vamos quebrar o que realmente importa e o que é só “para foto”.
O essencial: Shorts com bolso e camisetas leves
Para os homens, existe um item inegociável: o short precisa ter bolsos. E não é qualquer bolso; precisa ser um bolso fundo, que caiba duas bolas de tênis sem que elas caiam quando você corre para um drop shot (a “deixadinha”). Parece bobagem, mas ter que andar até a grade para pegar a segunda bola do saque quebra totalmente o seu ritmo de jogo. Verifique o bolso. Shorts de futebol ou de academia muitas vezes não têm bolsos adequados.
Para as mulheres, a logística da bola é historicamente mais complexa. As saias-shorts (as skirts) específicas de tênis já vêm com uma bermuda de compressão interna que tem um “bolso invertido”, onde você prende a bola contra a coxa. É a solução mais prática. Se não quiser investir numa saia-short, muitas tenistas usam bermudas de compressão (de corrida ou academia) por baixo de um short normal e prendem a bola ali. Funciona perfeitamente.
Quanto às camisetas, o essencial é ser leve. Pode ser aquela camiseta “brinde de corrida de rua”. Pode ser uma camiseta de time de futebol. O importante é que ela não restrinja seus movimentos, especialmente no ombro, na hora do saque. As camisetas específicas de tênis são ótimas, mas qualquer camiseta esportiva leve cumpre o papel nos primeiros meses.
Tecidos inteligentes (Dry-fit) vs. Algodão
Aqui temos uma batalha clássica: algodão contra poliéster (ou poliamida, os famosos “dry-fit”). O algodão é confortável, macio ao toque e barato. Qual o problema? O algodão absorve o suor e não solta. Em um dia quente, depois de 30 minutos de jogo, sua camiseta de algodão vai estar pesada, grudada no corpo e vai te deixar com frio em qualquer pausa.
Os tecidos sintéticos (dry-fit) fazem o oposto: eles “puxam” o suor da sua pele para a superfície do tecido, onde ele evapora rapidamente. Você fica mais seco, mais leve e mais confortável. Hoje em dia, camisetas assim não são mais itens de luxo. Qualquer loja de departamento esportiva (como Decathlon ou Centauro) vende camisetas de suas marcas próprias (como Artengo ou Oxer) com essa tecnologia por um preço muito acessível.
Vale a pena ter duas ou três camisetas “dry-fit” no seu kit. Elas são mais funcionais que o algodão para um esporte de alta intensidade como o tênis. Mas, de novo, se o orçamento apertou, comece com o algodão que você tem em casa. É melhor estar na quadra de algodão molhado do que em casa com um conjunto “dry-fit” seco.
Acessórios de proteção: Boné, viseira e munhequeira
Esses são os pequenos ajudantes que fazem uma grande diferença no conforto. Jogar contra o sol é uma das coisas mais difíceis no tênis, especialmente na hora de sacar. Você joga a bola para cima (toss) e o sol vem direto no seu olho. Um boné ou uma viseira é fundamental. Não precisa ser de marca; qualquer um que te dê sombra e, de preferência, que seja de cor clara (para não esquentar a cabeça) e de tecido leve, resolve o problema.
A munhequeira (aquela faixa de tecido atoalhado no pulso) tem duas funções. A principal não é “proteger o punho”, como muitos pensam, mas sim impedir que o suor que escorre do seu braço chegue até a sua mão e molhe o grip (lembra do grip escorregadio?). A segunda função é secar o rosto entre os pontos. É um acessório barato e muito funcional, especialmente para quem sua muito.
Por fim, meias. Não jogue com meia social fina. Você precisa de meias esportivas, de preferência com uma composição maior de algodão, para absorver o impacto e o suor. Elas ajudam a prevenir bolhas. Um bom par de meias grossas é o complemento perfeito para o seu calçado de tênis, garantindo que seu pé fique firme e protegido lá dentro.
Onde Comprar: Fugindo das “Armadilhas” de Loja (Novo H2)
Beleza, agora você sabe o que comprar. Mas onde comprar faz tanta diferença quanto. O mercado de tênis tem suas “armadilhas”. São aquelas lojas lindas, que patrocinam torneios, mas que só vendem o equipamento “top de linha” (o high-end). Você entra lá e o vendedor (que muitas vezes nunca jogou tênis) tenta te empurrar a raquete de 2 mil reais, dizendo que ela “vai resolver seu jogo”. Cuidado.
A compra inteligente exige um pouco de pesquisa. Você precisa comparar. O tênis é um esporte global, e os preços variam absurdamente de uma loja para outra, mesmo para o mesmo produto. O segredo é não ter pressa e saber onde o custo-benefício mora. Muitas vezes, ele não está na vitrine mais brilhante.
Como seu professor, meu dever é te mostrar o caminho das pedras, e isso inclui onde não pisar. Vamos mapear os terrenos: as lojas físicas especializadas, as gigantes de departamento e o universo infinito da internet. Cada uma tem seu timing e sua vantagem. Saber usar isso é o seu primeiro winner (bola vencedora) financeiro.
Lojas físicas especializadas vs. Lojas de departamento
As lojas físicas especializadas (as pro-shops, que muitas vezes ficam dentro de clubes ou academias) têm uma vantagem imbatível: o know-how. O dono geralmente é um tenista, um encordoador. Ele pode te ajudar a escolher o grip certo, pode deixar você testar uma raquete (as famosas “raquetes demo”) antes de comprar. Se você não sabe absolutamente nada, pagar um pouco mais caro pela consultoria de quem entende pode, ironicamente, te economizar dinheiro, evitando que você compre errado.
Já as grandes lojas de departamento (Decathlon, Centauro, Netshoes física) ganham na escala. Elas têm marcas próprias (como a Artengo, da Decathlon) que são projetadas especificamente para o iniciante com orçamento limitado. A qualidade dos produtos de entrada da Artengo, por exemplo, é surpreendentemente boa pelo preço. Você encontra raquetes de grafite composto, calçados “clay” e vestuário técnico por uma fração do preço das marcas “premium”.
O ideal? Faça sua pesquisa nas lojas de departamento para entender os produtos de entrada. Se puder, vá a uma loja especializada para “sentir” o peso das raquetes e experimentar os calçados. Anote os modelos. Depois, vá para o próximo passo.
O mercado online: Comparando preços e fretes
A internet é o seu campo de caça. Depois de definir 2 ou 3 modelos de raquete e 1 ou 2 modelos de calçado que você gostou, é hora de “dar um Google”. Compare os preços em todas as grandes lojas (Netshoes, Centauro, Pró Spin, Tennis Warehouse) e também em marketplaces (Mercado Livre, Amazon). Muitas vezes, a mesma raquete tem uma diferença de 200 reais de um site para outro.
Fique atento ao “Custo Brasil”: frete e impostos. Às vezes um preço parece ótimo, mas o frete invalida a promoção. Outra dica de ouro é esperar por datas comemorativas ou a “Black Friday”. O equipamento de tênis costuma entrar em boas promoções nessas épocas. Cadastre-se nas newsletters dessas lojas; elas sempre mandam cupons de desconto.
O online é imbatível para os consumíveis (bolas, cordas, grips). Comprar caixas de bola e rolos de grip pela internet quase sempre sai muito mais barato do que comprar o tubo avulso na cantina do clube. Planeje-se. Compre em volume. A economia no final do ano é significativa.
Clubes e professores: O “mercado interno” de usados
Este é o inside game, a dica que só quem está no meio dá. O melhor lugar para comprar equipamento usado, especialmente raquetes, é dentro dos clubes e academias de tênis. Como eu disse antes, tenistas trocam de equipamento compulsivamente. Muitos alunos deixam suas raquetes usadas para vender no mural do clube ou diretamente com os professores.
Fale comigo, seu professor. Diga: “Professor, estou procurando uma raquete usada, boa, na faixa de 280g. Se souber de alguém vendendo, me avise.” Nós somos os melhores intermediários. Conhecemos o histórico do equipamento (sabemos se o dono era cuidadoso ou se era um “lenhador”), conhecemos o seu jogo (e se aquela raquete serve para você) e podemos avaliar se o preço pedido é justo.
Esse “mercado interno” é baseado na confiança. Você consegue equipamentos fantásticos, que custariam uma fortuna novos, por um preço de banana. E o melhor: você ajuda outro tenista a financiar o vício dele por raquetes novas. É um game, set, match para todo mundo.
Erros Clássicos do Iniciante que Custam Caro (Novo H2)
Para fechar nosso bate-papo, eu preciso te alertar sobre os “erros não forçados” fora da quadra. São aquelas decisões que parecem fazer sentido no começo, mas que lá na frente se mostram um desperdício de dinheiro e, às vezes, de tempo. Eu vejo isso acontecer toda semana com alunos novos. Eles chegam animados, mas focados nas coisas erradas.
O tênis é um jogo de paciência. O equipamento é uma ferramenta para aprender o movimento, e não uma muleta mágica que vai fazer você jogar como o Federer. O equipamento mais caro geralmente é o mais exigente. Ele foi feito para premiar a técnica perfeita, e punir (com vibração e falta de potência) a técnica ruim. É o oposto do que você precisa agora.
Evitar esses erros clássicos vai manter seu orçamento saudável e sua motivação em alta. Vamos garantir que seu investimento seja em tênis (o esporte, a aula, o tempo de quadra) e não em equipamento parado na sua sala.
Comprar a raquete do “Ídolo” (Nadal, Federer, Djokovic)
Esse é o erro número 1, disparado. Você vê o Rafael Nadal dar aquele forehand absurdo com a Babolat Pure Aero amarela e pensa: “É essa raquete que eu preciso!”. Não, você não precisa. A raquete que o Nadal usa (a versão pro stock dele, que nem é a mesma da loja) pesa mais de 340g encordoada e tem um equilíbrio que exige uma velocidade de braço absurda. Um iniciante tentando jogar com aquilo é a receita para uma lesão grave no ombro ou cotovelo em menos de um mês.
As raquetes dos profissionais são “pranchas”: duras, pesadas e instáveis se você não bater exatamente no sweet spot e com velocidade máxima. Elas não “perdoam” erros. Você precisa do oposto: uma raquete que “perdoe”, com cabeça grande e peso leve.
Ignore o marketing. Ignore quem patrocina quem. Foque nas especificações que eu te passei: peso (260-285g), cabeça (100 polegadas quadradas ou mais) e material (grafite composto ou grafite 100% usado). Seu jogo vai evoluir muito mais rápido com uma raquete “anônima” de 400 reais que se encaixa no seu perfil do que com a “arma” do seu ídolo de 2 mil reais.
Ignorar o encordoamento (usar a corda que “veio” na raquete)
Muitas raquetes de entrada e intermediárias já vêm encordoadas “de fábrica”. É prático? Sim. É bom? Raramente. As fábricas colocam cordas de nylon (tripa sintética) muito básicas, geralmente muito grossas (para não arrebentarem fácil) e com uma tensão (libragem) muito alta, para a raquete ficar firme na vitrine.
O resultado é uma batida “morta”, sem potência e com muita vibração sendo transferida para o seu braço. A corda é 50% da sua raquete. Uma raquete mediana com uma corda boa e na tensão certa é melhor que uma raquete excelente com uma corda ruim.
Assim que você comprar sua raquete (nova ou usada), o primeiro upgrade inteligente é levá-la a um encordoador decente (seu professor pode indicar um) e pedir para ele colocar uma corda de multifilamento ou tripa sintética boa (como as que citei antes) numa tensão mais baixa (entre 50 e 54 libras, por exemplo). Você vai gastar um pouco mais, mas a diferença no conforto e na potência será da água para o vinho.
Gastar em raqueteiras térmicas antes de precisar
Você vê os profissionais entrando em quadra com aquelas raqueteiras gigantes, que parecem uma mala de viagem, com compartimentos térmicos, espaço para 12 raquetes, bolso para calçado… e você acha que precisa de uma. Você não precisa. Você tem uma raquete e, talvez, duas.
Uma raqueteira térmica serve para proteger as cordas das raquetes dos profissionais contra mudanças extremas de temperatura (o sol do Australian Open, por exemplo), que alteram a tensão das cordas. Você, jogando no seu clube, não tem essa necessidade. Uma mochila normal, ou uma raqueteira simples (tipo “mochila” de tênis, que tem um compartimento para a raquete e espaço para o resto) é mais do que suficiente.
Gaste seu dinheiro no que importa: o calçado, a raquete e as aulas. A raqueteira é o último item. Uma mochila que você já tem em casa funciona perfeitamente. Quando você tiver 3 raquetes, estiver jogando torneios e precisar levar troca de roupa, toalha e calçado, aí sim você pensa numa raqueteira maior. Até lá, economize essa grana.
Tabela Comparativa: Raquetes de Iniciante (Custo-Benefício)
Para facilitar sua visualização, aqui está um “head-to-head” (comparativo direto) de três tipos de raquete que você vai encontrar nessa busca pelo kit econômico.
| Característica | Raquete de Alumínio (Kit Básico) | Raquete de Grafite Composto (Nova) | Raquete 100% Grafite (Usada) |
| Material | Alumínio. | Fusão de Grafite e Alumínio/Titânio. | Grafite 100% ou com Basalto/Kevlar. |
| Preço Médio | Muito Baixo (Geralmente em kits). | Baixo a Médio (Linhas de entrada). | Baixo a Médio (Depende do modelo/ano). |
| Conforto (Braço) | Muito baixo. Vibra excessivamente. | Bom. Absorve bem mais o impacto. | Excelente. O melhor sistema de absorção. |
| Potência | Baixa. Exige muito esforço do jogador. | Média a Alta. Solta a bola com facilidade. | Variável, mas geralmente controlável. |
| Durabilidade | Alta (Amassa, mas não quebra fácil). | Média (Pintura lasca, mas o quadro é firme). | Alta (Se bem cuidada, dura décadas). |
| Ideal para… | Recreação leve, crianças muito pequenas. | Aulas, iniciantes e intermediários. | Iniciantes que querem “pular” etapas. |
| Veredito do Professor | Evite se puder. O barato sai caro para o cotovelo. | A escolha inteligente (Nova). O melhor custo-benefício de entrada. | O “pulo do gato”. Qualidade profissional por preço de iniciante. |
Montar seu primeiro kit de tênis é uma delícia. É o começo de uma jornada que, eu te garanto, pode durar a vida inteira. O tênis é um esporte de estratégia, físico e mental. Não deixe que o “preço de entrada” te assuste. Comprando de forma inteligente, focando no que realmente importa (raquete decente, calçado correto e consumíveis em dia), você estará pronto para o seu primeiro game sem estourar o orçamento.
Lembre-se: o melhor equipamento do mundo não compra um forehand consistente. Isso vem com treino, repetição e paixão. Invista seu maior recurso, o tempo, nas aulas e na quadra.
Nos vemos no próximo treino. Agora, vá pesquisar aquela raquete usada.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
ExperiênciaExperiência
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Desenvolvimento de liderança e Tecnologias educacionais
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