Olá, pessoal. Professor na área.
Vamos direto ao ponto: o tênis que seu filho usa para ir à escola ou para a aula de educação física não serve para jogar tênis. Ponto final.
Na quadra, não estamos passeando. Estamos freando, acelerando, saltando e, principalmente, nos movendo de lado. O equipamento errado não só piora o jogo; ele causa lesões. E eu já vi isso acontecer dezenas de vezes.
Recebo muitos pais perdidos, olhando para a parede de calçados sem saber a diferença entre um tênis de R$ 150 e um de R$ 400. Muitos são enganados pelo marketing ou pelo design “bonitinho”.
Meu objetivo aqui é simples: vou transformar você em um especialista. Vamos dissecar o que importa (e o que não importa) na hora de investir no equipamento mais crucial para um jovem tenista. Vamos lá.
A Base de Tudo: Por que o Tênis Certo Evita Lesões e Melhora o Jogo
Muitos focam na raquete, mas o jogo de tênis moderno é ganho com os pés. O footwork é tudo. Se a criança não confia no equipamento, ela não se move. Se ela não se move, ela não joga.
O impacto nos joelhos e tornozelos em crescimento
O corpo de uma criança está em constante desenvolvimento. As placas de crescimento nos ossos são sensíveis. O tênis é um esporte de alto impacto. Cada saque, cada split-step (o pulinho de preparação) e cada freada no baseline (linha de base) envia um choque do chão para o corpo. Um tênis com amortecimento adequado (que veremos mais à frente) não é luxo, é proteção. Ele absorve esse impacto, protegendo joelhos, tornozelos e até a coluna.
A diferença entre um tênis de corrida e um de tênis (Movimento Lateral)
Este é o erro mais grave que vejo.
- Tênis de Corrida: É feito para uma coisa: ir para frente. Ele tem muito amortecimento no calcanhar e é flexível. A lateral dele é mole.
- Tênis de Tênis: É feito para estabilidade. O movimento principal no tênis é o lateral (shuffle). O tênis precisa ter um suporte lateral robusto. Ele é “duro” nas laterais para impedir que o pé “vire” por cima da sola. Usar um tênis de corrida na quadra é a receita perfeita para uma torção de tornozelo.
Construindo confiança do baseline (linha de base) com o equipamento correto
O tênis é um jogo de confiança. Se a criança escorrega uma vez ao tentar mudar de direção, ela passará o resto do treino com medo de se mover. Um solado adequado, com a tração correta, permite que o jovem atleta “freie” em cima da bola, bata e saia para a próxima. Sem confiança no grip (aderência), não existe jogo de pés.
Decifrando o Fit (Ajuste): O Erro de Comprar “Um Número Maior”
“Professor, comprei um número maior para durar mais.”
Eu entendo a lógica dos pais. Crianças crescem rápido. Mas no tênis, essa economia é perigosa e contraproducente.
Medindo o pé da criança: O método certo (com e sem meia)
Não compre online sem medir.
- Faça no fim do dia: O pé incha e fica maior.
- Use a meia de jogo: Peça para a criança calçar a meia que ela usará para treinar (falaremos mais sobre meias).
- Pise e marque: Coloque uma folha de papel no chão, encostada na parede. Peça para a criança pisar, com o calcanhar na parede. Marque a ponta do dedão.
- Meça a distância: Meça da borda do papel até a marca. Faça isso nos dois pés (sempre há um maior) e use a maior medida.
O “espaço de respiro” ideal: Quanto deve sobrar na ponta?
O ideal não é o “dedo da mãe” atrás do calcanhar. O correto é medir na frente.
Depois de calçar e amarrar o tênis, peça para a criança ficar em pé. Deve sobrar um espaço de 1cm a 1,5cm (mais ou menos a largura de um polegar) entre o dedão e a ponta do tênis. Isso permite que o pé se expanda com o calor e não esmague os dedos nas freadas bruscas.
H3: O perigo do tênis largo: Bolhas, falta de estabilidade e tropeços
Se o tênis está grande, o pé da criança “dança” lá dentro. A cada freada, o pé desliza e bate na ponta. A cada movimento lateral, o pé desliza para os lados.
Resultado: Bolhas (pelo atrito), unhas pretas (pelas batidas) e, o pior de tudo, total falta de estabilidade. O tênis não consegue “travar” o pé. A criança vai tropeçar e o risco de lesão no tornozelo aumenta exponencialmente.
O Coração do Tênis: Entendendo o Amortecimento e a Estabilidade
Aqui é onde separamos os tênis de passeio dos tênis de performance. A tecnologia está na entressola (o que fica entre a sola e o pé) e na estrutura do calçado.
O que é EVA e GEL? (Explicando o amortecimento)
- EVA: É a espuma básica da maioria dos calçados esportivos. É leve e absorve impacto. Com o tempo e o uso, ele “achata” e perde a capacidade de amortecimento.
- GEL (ou Air, ou outras tecnologias): São compostos patenteados (o GEL da Asics é o mais famoso no tênis) inseridos em pontos estratégicos (calcanhar e frente do pé) para absorver picos de impacto. Tênis “de verdade” combinam uma boa base de EVA com essas tecnologias.
A importância do suporte lateral (Para shuffles e split-steps)
Como eu disse, o tênis é lateral. Ao fazer um shuffle (passo lateral) ou um split-step (salto de preparação), o peso do corpo é jogado para a lateral do pé. O tênis precisa ter uma “parede” externa (muitas vezes de TPU, um plástico mais rígido) que segure o pé. É o que chamamos de “chassi” ou “gaiola” de estabilidade.
Durabilidade da biqueira: Protegendo contra o arrasto no saque e forehand
Observe seu filho sacar. Se ele for destro, é provável que ele arraste a ponta do pé esquerdo no chão. Muitos também arrastam o pé de trás ao bater um forehand mais agressivo. Os fabricantes de tênis de performance sabem disso.
Eles aplicam uma camada extra de borracha (chamada de toe guard ou drag guard) que sobe pela biqueira e pela parte interna. Um tênis sem isso terá um buraco na ponta em menos de um mês.
Decifrando os Tipos de Solado (O Piso Manda no Jogo)
A sola é o pneu do carro. Você não usa um pneu de chuva no deserto. No tênis, é igual.
Solado All-Court (Multiuso): A escolha ideal para iniciantes
Como o nome diz, serve para todas as quadras. É a escolha mais segura e comum para o mercado infantil. O desenho é uma mistura de padrões, tentando oferecer um equilíbrio entre tração (para não escorregar) e capacidade de deslize (para não “prender” o pé). Para 90% das crianças que estão começando e jogam em diferentes pisos (clube, academia, condomínio), é a melhor opção.
Solado Clay (Saibro): A famosa “espinha de peixe” (Herringbone)
Se seu filho joga exclusivamente no saibro, este é o solado certo. O padrão é o herringbone, ou “espinha de peixe”.
- Por quê? As ranhuras profundas não deixam o saibro “empastar” na sola. E, o mais importante, elas são desenhadas para permitir o slide (deslize) controlado. O tenista desliza para a bola, e as ranhuras “mordem” o pó de tijolo na hora da freada.
Solado para Quadra Rápida (Dura): Foco na durabilidade e tração
Feito para o cimento ou asfalto (pisos duros). O foco aqui é duplo:
- Tração: O piso duro não perdoa. A sola precisa “grudar” no chão para mudanças de direção rápidas.
- Durabilidade: O cimento é uma lixa. Solados para quadra rápida usam compostos de borracha mais duros (como o “NDurance” da New Balance ou o “Adiwear” da Adidas) para não se desgastarem em poucas semanas.
Batalha de Gigantes: Comparando os Principais Modelos Infantis
O mercado júnior evoluiu. Hoje, as grandes marcas oferecem versões “mini” de seus tênis de alta performance. Vamos analisar os principais conceitos:
Análise: Asics Gel-Resolution vs. Babolat Jet Mach
- Asics Gel-Resolution (Ex: Gel-Resolution 9): Este é o tanque de guerra. O foco absoluto é estabilidade e durabilidade. Ele “abraça” o pé e tem o melhor suporte lateral do mercado. É ideal para a criança que joga mais no fundo de quadra e precisa de máxima segurança. É um pouco mais pesado, mas indestrutível.
- Babolat Jet Mach: O oposto do Asics. O foco aqui é leveza e velocidade. É um tênis ágil, que parece um “tênis de corrida” (no bom sentido), mas com o suporte lateral necessário. É para a criança que gosta de se sentir rápida, que sobe à rede e se mexe muito.
Análise: Nike Vapor Pro vs. Adidas Barricade Junior
- Nike (Ex: Vapor Pro, Vapor Lite): A linha Vapor foca em conforto e “sensação de quadra”. É um tênis que veste como uma meia, muito confortável e leve. A estabilidade é boa, mas o foco é o conforto e a velocidade.
- Adidas Barricade Junior: Historicamente, o Barricade é sinônimo de durabilidade e estabilidade, muito parecido com o Asics Gel-Resolution. É um tênis robusto, feito para aguentar o tranco, com excelente proteção na biqueira e um ajuste firme.
H3: (Tabela Comparativa) O Melhor para cada estilo de jogo (Agressivo, Defensivo, All-Round)
| Característica | Asics Gel-Resolution | Adidas Barricade | Babolat Jet Mach | Nike Vapor |
| Estabilidade | ⭐⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐ |
| Durabilidade | ⭐⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐ | ⭐⭐⭐ |
| Leveza/Velocidade | ⭐⭐ | ⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐ |
| Amortecimento | ⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐ |
| Ideal para: | Jogador de fundo (defensivo), que precisa de suporte. | Jogador all-round, que precisa de durabilidade. | Jogador agressivo, que se mexe muito e prioriza velocidade. | Jogador que busca conforto imediato e agilidade. |
Cadarço vs. Velcro: A Decisão Prática para Pais e Alunos
Essa dúvida é comum para os pais dos alunos mais novos.
Velcro: A velocidade no vestiário e a independência dos pequenos
Para crianças muito pequenas (4-7 anos), que ainda não sabem amarrar os sapatos, o velcro é uma bênção. Facilita para os pais, dá independência para a criança e acelera a troca no vestiário. A desvantagem é clara: o ajuste nunca é perfeito.
Cadarço: O ajuste fino e a firmeza para jogos mais intensos
A partir do momento em que a criança começa a jogar pontos, a correr mais e a levar o treino a sério, o cadarço é obrigatório. Só o cadarço permite o “ajuste fino”, apertando mais em algumas áreas (como o peito do pé) para “travar” o pé dentro do calçado. A estabilidade de um tênis de cadarço é incomparavelmente superior.
A transição: Quando abandonar o velcro e “amarrar o jogo”
Meu conselho: assim que a criança tiver coordenação motora para aprender a amarrar (geralmente por volta dos 7-8 anos), faça a transição. Mesmo que ela ainda precise de ajuda, o benefício em performance e segurança na quadra compensa o minuto extra gasto no vestiário.
Além do Tênis: O Kit que Completa o Footwork
Não adianta comprar o melhor tênis se o resto do kit estiver errado.
A importância de meias de performance (evitando algodão)
O algodão é o inimigo número 1 do pé do atleta.
Meias de algodão absorvem o suor e o mantêm em contato com a pele. O resultado é um pé molhado, que “esfrega” dentro do tênis, causando bolhas.
Invista em meias esportivas (de poliéster, poliamida ou coolmax). Elas “puxam” o suor da pele para fora da meia, mantendo o pé seco e reduzindo o atrito.
Palmilhas: Quando usar uma palmilha ortopédica?
Regra de ouro: Não mexa no que está funcionando. As palmilhas que vêm nos tênis de performance são desenhadas para eles. Nunca use uma palmilha ortopédica (para pé chato, etc.) sem a recomendação expressa de um médico ortopedista ou fisioterapeuta esportivo. Usar uma palmilha errada pode causar mais lesões do que prevenir.
Cuidados básicos: Como limpar e secar o tênis para durar mais
- NUNCA use máquina de lavar: Destrói a estrutura e o amortecimento.
- NUNCA use secadora ou deixe no sol: O calor extremo deforma o EVA, descola a sola e resseca a borracha.
- Limpeza: Tire o excesso (de saibro, por exemplo) com uma escova seca. Se precisar, use um pano úmido com sabão neutro.
- Secagem: Tire as palmilhas para secar separadamente e deixe o tênis “respirar” na sombra, em local arejado.
O Fim do Jogo: Sinais de que é Hora de Trocar o Tênis
Para crianças, a troca muitas vezes acontece pelo crescimento do pé. Mas se o pé parou de crescer por um tempo, fique atento ao desgaste do material.
O teste do solado: Quando a tração desaparece
O sinal mais óbvio. Vire o tênis. A sola, especialmente na área abaixo dos “dedões” (metatarso) e no calcanhar, está lisa? O padrão (espinha de peixe ou all-court) desapareceu? Se sim, a tração acabou. O tênis ficou perigoso e escorregadio. Hora de trocar.
Desgaste interno: Verificando o amortecimento e o suporte do calcanhar
Aperte o “contraforte” (a parte dura que segura o calcanhar). Se ele estiver mole, “quebrado” ou deformado, o suporte do tornozelo já era.
Outro teste: pressione a entressola (a espuma) com o dedo. Se ela parecer “morta”, dura e não voltar rapidamente, o amortecimento acabou. O tênis virou uma “pedra” e está devolvendo todo o impacto para o joelho da criança.
A regra dos 6 meses: O crescimento do pé vs. o desgaste do material
Em crianças, o crescimento do pé é o fator dominante. Verifique o tamanho a cada 3-4 meses. Não espere a criança reclamar de dor.
Se a criança treina pesado (3+ vezes por semana), o tênis pode se desgastar antes mesmo de ficar pequeno. Para um jovem atleta competitivo, uma regra segura é avaliar a troca a cada 6 meses, seja por desgaste ou por crescimento.
Conclusão do Professor:
Investir no tênis de tênis correto não é gasto, é investimento na saúde e na evolução do seu filho. Siga este guia, foque no Ajuste, na Estabilidade Lateral e no Solado Correto. Esqueça a cor da moda e foque na performance.
Jogo bom começa com pé firme.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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