Fala, tenista. Se você chegou até aqui, é provável que esteja sentindo que seu jogo estagnou ou que falta aquele “algo a mais” para definir o ponto no smash. Acredite em mim quando digo que vejo isso acontecer na quadra todos os dias. O aluno tem uma técnica decente, faz o movimento correto, mas a bola simplesmente não anda. A culpa muitas vezes não é do seu braço ou da sua preparação física, mas sim de uma ferramenta que não está trabalhando a seu favor.
Entender a engenharia por trás da sua raquete é o que separa os jogadores recreativos daqueles que entram em quadra para competir de verdade. No Beach Tennis, onde a bola é mais murcha e absorve muito impacto, a raquete precisa fazer grande parte do trabalho pesado por você. Se você usa um equipamento que não gera inércia suficiente, você acaba compensando com o ombro e é aí que as lesões aparecem e a potência desaparece.
Vamos mergulhar fundo na mecânica do equipamento. Quero que você saia desta leitura não apenas sabendo qual raquete comprar, mas entendendo como transformar seu equipamento atual em uma máquina de soltar braço. Esqueça o marketing das marcas por um minuto e vamos falar de física aplicada à quadra de areia.
A Física da Potência: Entendendo a Relação entre Peso e Velocidade
Você precisa compreender uma equação básica que rege todos os nossos golpes no tênis e no beach tennis. A força que você imprime na bola é resultado da massa da raquete multiplicada pela aceleração que você consegue gerar. Muitos jogadores cometem o erro clássico de achar que apenas uma raquete leve vai fazê-los jogar melhor porque conseguem movê-la rápido. O problema é que, se a massa for muito baixa, a bola vence a raquete no momento do impacto, e sua raquete “treme” ou recua, dissipando toda a energia que deveria ir para a bola.
O conceito de massa versus aceleração no seu golpe é fundamental. Uma raquete mais pesada, digamos, acima de 340g ou 350g, carrega mais energia cinética quando está em movimento. Pense nela como um caminhão em velocidade versus uma moto na mesma velocidade. Se ambos baterem em um obstáculo, o caminhão causará muito mais impacto. Quando você consegue acelerar uma raquete mais pesada, a transferência de energia para a bola é brutalmente maior, resultando naquela bola pesada que seu adversário tem dificuldade de bloquear.
Por que raquetes leves demais podem matar sua bola? É simples. Se você usa uma raquete de 300g ou 310g, você precisa ter um braço extremamente rápido, como um chicote, para gerar a mesma potência que um jogador com uma raquete de 340g gera com um movimento mais suave. Raquetes muito leves (conhecidas como “light”) são ótimas para manuseio na defesa e para quem tem problemas sérios de articulação, mas elas exigem que você gere 100% da força. Em trocas de bola rápidas, a raquete leve perde estabilidade e a bola morre na rede ou sai curta.
Encontrando o seu limite de “peso gerenciável” é o grande segredo. Você deve jogar com a raquete mais pesada que conseguir manusear sem perder a técnica ao longo de um set inteiro. Se você pega uma raquete de 350g e faz dois smashes incríveis, mas no terceiro game seu ombro está queimando e você começa a atrasar o golpe, ela é pesada demais para você. O peso ideal é aquele que te dá estabilidade no bloqueio e massa no ataque, mas permite que você reaja rápido em uma disputa de rede à queima-roupa.
O Balanço da Raquete: O Verdadeiro Motor do Seu Smash
O peso total da raquete é apenas metade da história. Onde esse peso está distribuído é o que realmente define a personalidade da raquete. Chamamos isso de balanço ou equilíbrio. Imagine segurar um martelo pelo cabo e depois segurá-lo pela cabeça de metal. O peso total do martelo não mudou, mas a sensação e a capacidade de gerar força mudaram drasticamente. No Beach Tennis, essa distribuição é medida em centímetros a partir do cabo em direção à cabeça., ao escolher sua raquete de beach tenis
Head Heavy, ou peso na cabeça, é a alavanca que multiplica sua força. Raquetes com balanço alto (geralmente acima de 26cm ou 27cm) concentram a massa longe da sua mão. Isso cria um efeito de alavanca poderoso. Quando você arma o smash e deixa a cabeça da raquete cair atrás das costas, a gravidade ajuda a acelerar o movimento de descida e, na subida para o contato, essa massa na ponta age como o martelo, esmagando a bola. Se seu objetivo é potência pura, você precisa de um balanço deslocado para a cabeça.
O perigo do balanço alto para a defesa e o cotovelo é real. Tudo tem um preço. Uma raquete que tem muito peso na ponta é mais difícil de frear e mudar de direção. Se você está na rede e o adversário chuta uma bola forte no seu corpo, trazer essa raquete pesada na ponta para a posição de defesa é lento. Além disso, se você não acertar o “sweet spot” (o ponto doce da batida) perfeitamente, a alavanca que gera potência também gera um torque maior no seu punho e cotovelo, podendo causar epicondilite.
Como identificar o ponto de equilíbrio ideal para seu biotipo? Faça um teste simples. Coloque a raquete apoiada no dedo indicador, no “coração” dela (a parte entre o cabo e a face), até ela ficar equilibrada. Se ela pender para a cabeça, é focada em potência. Se pender para o cabo, é controle. Jogadores altos e com braços longos geralmente lidam melhor com raquetes de balanço alto, pois já possuem alavancas naturais maiores. Se você é mais baixo ou tem um jogo baseado em reflexos rápidos e curtos, um balanço médio (balanced) vai te servir melhor, permitindo potência sem sacrificar a defesa.
Swingweight: A Sensação de Peso que Define o Jogo
Você já pegou a raquete de um amigo que pesava os mesmos 330g que a sua, mas parecia um tijolo na mão? Isso acontece por causa do Swingweight, ou peso em movimento. Enquanto o peso estático é o que a balança mostra, o Swingweight é a resistência que a raquete oferece ao ser rotacionada durante o golpe. É essa métrica invisível que determina se você vai conseguir chegar a tempo na bola ou se vai atrasar o contato.
A diferença crucial entre peso estático e peso em movimento reside na distribuição de massa. Uma raquete pode ser leve na balança, mas se todo o peso estiver na ponta extrema da cabeça, o Swingweight será altíssimo. Para maximizar a potência, buscamos um Swingweight alto, pois isso significa que a raquete atravessa o ar com muita autoridade. No entanto, o limite é a sua capacidade física. Um Swingweight alto exige uma preparação antecipada do golpe. Se você prepara o golpe em cima da hora, não conseguirá acelerar a massa a tempo.
Como a aerodinâmica e os furos alteram a percepção de peso é um fator técnico fascinante. Raquetes com mais furos ou furos maiores furam o ar com mais facilidade, reduzindo a resistência aerodinâmica. Isso faz com que uma raquete pesada pareça mais leve e rápida. Já raquetes com poucos furos (comuns em modelos de potência máxima) encontram mais resistência do ar. Isso aumenta a estabilidade e a pancada na bola, mas exige mais do seu físico. Se você quer potência mas sente o braço lento, procure raquetes com furações distribuídas que ajudem na aerodinâmica.
Testes práticos para sentir o Swingweight antes de comprar são essenciais. Não balance a raquete apenas para frente e para trás na loja. Faça o movimento do “play” (o saque por baixo) e do smash, focando na sensação de “freio” no final do movimento. Tente parar a raquete bruscamente no ar. Se você sentir que a raquete continua te puxando para frente com muita força, o Swingweight é alto. Se ela para instantaneamente, é baixo. Para potência, você quer sentir um leve “puxão” da raquete, indicando que ela tem inércia para transferir à bola.
Personalização Avançada: Ajuste Fino para Potência Máxima
Muitos alunos compram a raquete e a usam exatamente como saiu da fábrica (“stock”). Isso é um desperdício. A raquete de fábrica é apenas uma base para você construir o equipamento perfeito. Os profissionais raramente usam a raquete sem modificações. Pequenos ajustes de gramas em locais específicos podem transformar uma raquete de controle em uma arma de ataque.
O uso estratégico de fitas de chumbo e protetores de cabeça é a forma mais barata e eficiente de ganhar potência. Adicionar apenas 2 ou 3 gramas de fita de chumbo (ou tungstênio) na posição de 12 horas (topo da cabeça da raquete) desloca o balanço para cima e aumenta drasticamente o Swingweight. É como colocar um martelo maior na sua mão. Comece com pouco peso. A física é implacável: um pequeno peso na ponta tem um efeito enorme na alavanca. Use também o protetor de cabeça; além de proteger contra o chão, ele adiciona peso na região mais crítica para potência.
A influência do grip e overgrip no contrapeso da raquete é uma via de mão dupla. Se você adicionou peso na cabeça e sentiu que a raquete ficou “impossível” de manusear, você pode adicionar peso no cabo para reequilibrar. Colocar um grip de couro ou dois overgrips adiciona peso na mão, o que deixa a raquete mais “Head Light” (balanço no cabo) em termos relativos, mas aumenta o peso total. Isso dá estabilidade sem fazer a raquete parecer tão pesada na ponta. É o ajuste fino para quem quer uma raquete pesada (estável) mas ágil.
O tratamento da raquete e sua influência no peso final e atrito não pode ser ignorado. Quando mandamos fazer um tratamento profissional com areia e resina, estamos adicionando peso à face. Dependendo da granulometria (grossa, média ou fina) e da quantidade de resina, você pode adicionar de 5g a 15g na cabeça da raquete. Isso altera totalmente o balanço. Se você busca potência e spin (efeito), um tratamento bem feito agarra a bola e transfere mais energia, mas você deve descontar esse peso extra na hora de escolher a raquete crua. Se sua meta é chegar a 340g finais, compre uma raquete de 325g sabendo que o tratamento vai subir o peso.
Sinais de que sua Raquete está Sabotando seu Jogo
É vital reconhecer quando o equipamento está jogando contra você. Muitas vezes o jogador acha que está numa fase ruim, quando na verdade está lutando contra a física. O corpo fala, e o resultado da bola também. Se você ignora esses sinais, você limita sua evolução técnica e flerta com o afastamento das quadras por lesão.
Dor no cotovelo e ombro: O aviso vermelho do equipamento errado. Se você sente pontadas no cotovelo (epicondilite) ou cansaço extremo no ombro após 30 minutos de jogo, pare e avalie. Isso geralmente acontece por dois extremos: ou a raquete é muito pesada e você está atrasando o golpe, forçando as articulações para frear o movimento, ou a raquete é leve demais e você está absorvendo toda a vibração da bola. Para potência sem dor, busque uma raquete com sistema de absorção de vibração eficiente e um balanço que você consiga controlar.
Atraso no golpe: Quando a raquete chega depois da bola. Você vê a bola, seu cérebro comanda o smash, mas você acerta a bola “mordida” ou na parte inferior da raquete? Isso é sinal clássico de Swingweight excessivo para o seu nível de força atual. No Beach Tennis, a bola volta muito rápido. Se sua raquete demora para sair da posição de espera e chegar no ponto de contato, você perde o timing. Potência sem timing é inútil. É preferível reduzir um pouco o peso e acertar a bola sempre no centro (sweet spot) do que ter um martelo pesado e acertar de quina.
Falta de profundidade: Quando você faz força e a bola não anda. Esse é o cenário oposto. Você sente que está fazendo um esforço hercúleo, grunhindo a cada golpe, mas a bola cai no meio da quadra adversária, fácil para o contra-ataque. Isso indica falta de massa na raquete. Sua energia está sendo dissipada. Você precisa de mais peso ou de um balanço mais voltado para a cabeça para que a raquete ajude a empurrar a bola para o fundo da quadra sem que você precise “esbagaçar” o ombro a cada ponto.
Comparativo de Configurações de Raquete
Aqui está um quadro para você visualizar como diferentes configurações se comportam em quadra, comparando o foco em potência com outras abordagens.
| Característica | Raquete Focada em Potência | Raquete Focada em Controle | Raquete Híbrida (Balanced) |
| Peso Médio | 340g – 360g | 300g – 320g | 325g – 335g |
| Balanço | Alto (Cabeça / 27cm+) | Baixo (Cabo / <25cm) | Médio (Central / 25-26cm) |
| Ponto Forte | Smash, Saque, Golpes de Fundo | Defesa, Drop Shot, Reflexo | Versatilidade em toda quadra |
| Exigência Física | Alta (Requer braço forte) | Baixa (Fácil manuseio) | Média (Adaptação rápida) |
| Sensação | “Martelada” firme | “Chicote” rápido | Estabilidade consistente |
| Ideal Para | Jogador Agressivo / Definidor | Jogador de Rede / Defensivo | Jogador de Construção |

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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