Como Escolher a Raquete de Tênis Ideal para Crianças

Como Escolher a Raquete de Tênis Ideal para Crianças

E aí, tudo certo? Senta aí, pega uma água. Vamos bater um papo sério sobre o futuro do seu pequeno tenista. Você chegou aqui querendo saber como escolher a raquete certa para ele, e eu vou te dizer: essa é a decisão mais importante que você vai tomar nos primeiros anos dele na quadra. Mais importante que a roupa, mais importante que o tênis.

Eu sou treinador há anos e já perdi a conta de quantas crianças chegam aqui com a raquete errada. Pais bem-intencionados compram a raquete mais cara, ou a mais bonita, ou a do ídolo (quantas Nadals e Federers eu já vi…). Mas no tênis infantil, o equipamento errado não só atrapalha o jogo; ele pode estragar a técnica para sempre.

Vamos quebrar isso, ponto a ponto. Pense nisso não como um review, mas como o primeiro plano de jogo que estou montando para você e seu filho. Vamos acertar esse ‘approach’ juntos.

Por que a raquete certa é o primeiro ‘ace’ da carreira?

Muita gente acha que no começo, “qualquer coisa serve”. Isso é um erro de ‘approach’ clássico. A raquete não é só um brinquedo colorido; ela é a ferramenta que ensina o cérebro da criança a calcular distância, força e ângulo. Se a ferramenta estiver descalibrada, o cálculo mental dela já nasce errado. Você está, literalmente, ensinando o ‘swing’ errado desde o primeiro dia.

Pense comigo: tênis é um esporte de repetição. Milhares de ‘forehands’, milhares de ‘backhands’. Se a raquete é muito pesada, a criança vai compensar. Ela vai usar o ombro de um jeito estranho, vai dobrar o punho de forma incorreta, vai fazer um ‘swing’ curto só para conseguir levantar o equipamento. Você está, sem querer, gravando um ‘bug’ no sistema dela.

E o pior? A diversão acaba rápido. Se a bola não anda, se o braço dói, se ele não consegue acertar um ‘voleio’ simples, a criança não vai culpar o alumínio. Ela vai achar que “tênis é muito difícil” ou “eu não sirvo para isso”. A raquete certa é o que transforma o esforço em resultado. É o que faz a bola passar da rede e dá aquela sensação boa, o ‘sweet spot’ da motivação.

Evitando o ‘match point’ da lesão

A primeira coisa que eu olho quando um aluno novo chega com equipamento próprio é o peso e o comprimento. Criança não tem a musculatura de ‘core’, ombro e antebraço desenvolvida como um adulto. Se a raquete pesa demais, o impacto da bola não é absorvido pelo corpo todo; ele é absorvido pelo ponto mais fraco. Geralmente, o punho ou o cotovelo. É assim que nasce o ‘tennis elbow’ (epicondilite lateral) antes mesmo dos 12 anos.

Isso não é exagero. Uma raquete muito longa, por exemplo, força a criança a bater na bola sempre atrasada ou muito na frente, desajustando o ponto de impacto ideal. Ela força uma rotação de ombro que não é natural. O ‘timing’ dela fica todo quebrado. Ela está aprendendo a jogar tênis em modo de ‘sobrevivência’, apenas tentando evitar que a raquete escape da mão, em vez de aprender a acelerar e usar a rotação do tronco.

O material também conta muito. As raquetes mais baratas, de alumínio puro, vibram como um diapasão. Essa vibração sobe direto pelo braço. Para um adulto, é desconfortável. Para uma criança, que está com os ossos e tendões em plena formação, é um convite à inflamação crônica. A ferramenta certa protege o jogador em desenvolvimento. A ferramenta errada o desgasta antes mesmo da partida começar.

O ‘swing’ certo começa cedo

O tênis moderno é sobre ‘lag and snap’. É sobre relaxar o braço, deixar a raquete ‘cair’ (o ‘lag’) e depois acelerar o punho e o antebraço em direção à bola (o ‘snap’). Você não consegue ensinar isso para uma criança que está segurando um equipamento pesado demais. Ela vai fazer o movimento contrário: vai enrijecer o braço todo, como se estivesse batendo na bola com um pedaço de pau.

Quando a raquete tem o peso e o equilíbrio corretos para a idade, a própria física ajuda. A criança consegue sentir a cabeça da raquete se movendo. Ela aprende a usar a gravidade a seu favor. O movimento fica fluido, longo, parecido com o ‘topspin’ que vemos na TV. Se a raquete é leve demais, ela não sente nada; se é pesada demais, ela não consegue controlar. O ‘feeling’ é tudo no tênis, e o ‘feeling’ começa na mão.

Pense na raquete infantil como as rodinhas de uma bicicleta. Elas não estão lá para sempre. Elas estão lá para ensinar o equilíbrio e a mecânica correta sem o medo de cair. A raquete de alumínio leve, curta, é a ‘rodinha’ do tênis. Ela permite que a criança foque no movimento, na posição das pernas e em acertar a bola na frente do corpo, sem se preocupar em ‘levantar peso’.

Mantendo a bola em jogo: motivação

Qual é o objetivo número um do tênis infantil? Ganhar de Wimbledon? Não. É fazer a criança querer voltar para a aula seguinte. Tênis é um esporte brutalmente difícil. Você erra muito mais do que acerta, especialmente no começo. A motivação é o combustível que mantém o motor funcionando. A raquete errada é água nesse combustível.

Imagine o cenário: seu filho tenta sacar. A raquete é pesada. Ele não consegue levantar ela acima da cabeça direito. O saque sai fraco, sempre na rede. Ele tenta um ‘forehand’. A raquete é longa. Ele bate no chão antes de bater na bola. Ele tenta um ‘backhand’. O cabo é grosso. A raquete gira na mão dele. Depois de 30 minutos, ele está frustrado, cansado e quer ir para casa jogar videogame.

Agora, o cenário com a raquete certa: ela é leve. Ele consegue fazer o movimento do saque completo. A bola passa! Ele vai para o ‘forehand’. A raquete é curta. O ‘swing’ é limpo. A bola voa alto, com uma parábola bonita. A cabeça da raquete tem um ‘sweet spot’ (área de contato ideal) gigante. Mesmo que ele pegue meio ‘fora do centro’, a bola ainda vai. Ele está se divertindo. Ele está acertando. Ele é o Nadal. É disso que estamos falando.

Decifrando o ‘size chart’: O tamanho (polegadas) vs. Altura

Ok, professor, entendi. Mas como eu sei o tamanho? Você vai ouvir falar de idade, mas esqueça a idade. No tênis, tudo é baseado na altura. Temos crianças de 8 anos com tamanho de 10, e crianças de 10 com tamanho de 8. A idade é só uma referência. O que manda é a distância da mão do seu filho até o chão.

As raquetes infantis são medidas em polegadas de comprimento, diferente das de adulto (que são medidas pela área da cabeça). Elas geralmente começam em 19 polegadas (para os bem pequenos) e vão até 26 polegadas. Depois disso, já é o salto para a raquete de adulto (que têm 27 polegadas ou mais).

A regra é simples: quanto menor a criança, menor a raquete. Isso garante que ela consiga acelerar a cabeça da raquete e acertar a bola confortavelmente na frente do corpo. Se a raquete for longa demais, ela vai bater na bola atrasada, perto do corpo, desenvolvendo um ‘lobby’ (bola alta e lenta) em vez de um ‘drive’ (bola funda e rápida).

O teste do ‘drop’ (o método prático)

Essa é a forma mais fácil e visual de saber o tamanho certo. Leve seu filho até a loja. Peça para ele ficar em pé, bem reto. Coloque a raquete que você acha que é do tamanho dele na mão dele, segurando pelo cabo (o ‘grip’).

Agora, peça para ele relaxar o braço ao lado do corpo, deixando a raquete apontar para o chão. A ponta da cabeça da raquete (o ‘tip’) deve ficar próxima do chão, mas sem encostar. O ideal é que fique ali, flutuando alguns centímetros acima do calcanhar ou do tornozelo.

Se a raquete arrastar no chão, ela é muito longa. Seu filho vai bater no chão toda vez que tentar um ‘groundstroke’ (golpe de fundo). Se a raquete ficar muito alta, lá pela canela, ela é muito curta. Ele vai ter que se curvar demais para pegar as bolas baixas. É um teste simples, à prova de falhas, que qualquer um pode fazer.

A tabela de referência: 19 a 26 polegadas

Se você está comprando online e não pode fazer o teste do ‘drop’, a altura é seu guia. Os fabricantes usam tabelas muito parecidas. Vou simplificar para você. Tire a medida do seu filho (descalço, de preferência) e compare:

  • Altura abaixo de 100cm: Raquete de 19 polegadas. (Geralmente 2-4 anos)
  • Altura entre 100cm e 112cm: Raquete de 21 polegadas. (Geralmente 4-6 anos)
  • Altura entre 113cm e 125cm: Raquete de 23 polegadas. (Geralmente 6-8 anos)
  • Altura entre 126cm e 140cm: Raquete de 25 polegadas. (Geralmente 8-10 anos)
  • Altura entre 141cm e 150cm: Raquete de 26 polegadas. (Geralmente 10-12 anos)

Use isso como seu ‘norte’. Na dúvida entre dois tamanhos? Por exemplo, seu filho tem 125cm, exatamente na divisa. Minha recomendação de treinador: se ele é mais forte e coordenado, pegue a maior (25″). Se ele ainda está desenvolvendo a coordenação ou é mais franzino, fique com a menor (23″) por mais alguns meses. É melhor uma raquete um pouco curta do que uma raquete pesada e longa demais.

Quando o tamanho 26 já parece ‘curto’

A raquete de 26 polegadas é a ‘ponte’. Ela é a última parada antes do mundo adulto. Elas geralmente já são feitas com materiais melhores, muitas vezes uma mistura de grafite e alumínio, imitando as raquetes dos profissionais. Elas são feitas para crianças que já estão jogando torneios, que têm o ‘swing’ formado e precisam de mais potência e ‘feel’.

Quando seu filho passa dos 150cm (ou 1,50m), ele provavelmente está pronto para uma raquete de adulto de 27 polegadas. Mas aqui está o ‘pulo do gato’: não compre uma raquete de adulto padrão. Você precisa procurar por raquetes de adulto “Light” (leves). Elas têm o comprimento padrão (27″), mas o peso é muito menor, geralmente abaixo de 280 gramas.

Dar o salto de uma 26″ de 250g para uma 27″ de 300g (como a maioria das raquetes de performance) é um choque para o braço. A transição tem que ser suave. Procure por modelos ‘LITE’, ‘TEAM’ ou ‘S’ das linhas principais. Isso garante que a técnica dele não seja comprometida pelo aumento repentino de peso, evitando o ‘match point’ da lesão que falamos lá atrás.

O ‘peso’ da raquete: leveza não é tudo

Quando falamos de peso, o material é o rei. Nas raquetes infantis, você basicamente encontrará duas categorias: Alumínio e Grafite (ou uma mistura chamada ‘composto’ ou ‘fusion’). A diferença entre eles é gritante, não só no preço, mas na sensação de jogo.

O peso ideal permite que a criança gere velocidade na cabeça da raquete. Se for leve demais, ela terá que fazer 100% da força. Se for pesada demais, ela não conseguirá acelerar o braço. O material dita o peso e, mais importante, como a raquete reage ao impacto da bola.

Uma raquete de alumínio vibra muito e devolve pouca energia para a bola. Uma raquete de grafite absorve o impacto (protegendo o braço) e devolve mais energia (a bola ‘anda’ mais). A escolha aqui depende totalmente do estágio em que o seu pequeno jogador está.

Alumínio: O ‘approach’ para iniciantes

Quase todas as raquetes de 19 a 23 polegadas (e muitas de 25) são feitas de alumínio. E está tudo bem. Elas são leves, baratas e praticamente indestrutíveis (o que é ótimo, porque criança bate a raquete no chão, na grade, no poste… faz parte). O alumínio é perfeito para a fase de descoberta.

Nesse estágio inicial, a criança está aprendendo a coordenação olho-mão. O objetivo não é bater um ‘winner’ de ‘forehand’. O objetivo é acertar a bola. O alumínio oferece o peso baixo necessário para que ela consiga manusear a raquete com facilidade, sem cansar o braço depois de 10 minutos.

Não se preocupe com ‘tecnologia’ aqui. O mais importante é o tamanho (comprimento) e a leveza. O alumínio cumpre essa função. É a ferramenta certa para quem está jogando com bola vermelha (espuma) ou bola laranja (baixa pressão), onde o jogo é mais lento e focado na troca de bola.

Grafite/Composto: Mais ‘feel’ para quem evolui

Quando seu filho passa para a raquete 25″ ou 26″, e você percebe que ele está levando o esporte a sério, é hora de pensar em grafite. As raquetes ‘júnior’ de grafite (ou composto de grafite/alumínio) são mini-versões das raquetes de adulto. Elas mudam o jogo.

O grafite faz duas coisas: absorve vibração e gera potência. A sensação no braço é muito mais ‘limpa’, mais sólida. A criança começa a ter ‘feedback’ da bola. Ela sente a diferença entre bater no ‘sweet spot’ e bater na ‘armação’. Isso é o ‘feeling’, e é essencial para um jogador avançar.

Essas raquetes são mais caras, sem dúvida. Mas se o seu filho já está jogando com a bola verde ou começando na bola amarela padrão, ele precisa dessa tecnologia. O alumínio não vai dar a ele a estabilidade necessária para controlar os golpes contra bolas mais rápidas. O grafite é o que permite o ‘topspin’ e o controle de direção.

O equilíbrio (cabeça pesada vs. cabo pesado)

Isso é um pouco mais avançado, mas é bom você saber. Onde o peso da raquete está distribuído (o ‘equilíbrio’) muda tudo. Nas raquetes infantis, a maioria é ‘Head Heavy’ (peso na cabeça).

Isso é feito de propósito. Ter mais peso na cabeça ajuda a criança a gerar potência, mesmo com um ‘swing’ curto e lento. A própria cabeça da raquete ‘empurra’ a bola. Isso é ótimo para iniciantes absolutos, pois facilita o jogo e aumenta a motivação (lembra? A bola anda!).

À medida que a criança cresce (lá pelas 26″ ou raquetes de adulto leves), você pode começar a procurar raquetes com equilíbrio mais ‘neutro’ ou até ‘Head Light’ (peso no cabo). Raquetes com peso no cabo são muito mais manobráveis. Elas permitem que o jogador acelere a mão mais rápido, o que é a base do ‘swing’ moderno (o ‘efeito chicote’). Mas isso é para o jogador que já desenvolveu a força para gerar a própria potência.

O ‘grip’: A conexão direta com o ‘forehand’

Aqui está um detalhe que 90% dos pais ignoram: o tamanho do cabo (o ‘grip’). Você pode ter a raquete com tamanho e peso perfeitos, mas se o ‘grip’ for grosso demais ou fino demais, todo o ‘swing’ estará comprometido. O ‘grip’ é a única parte do equipamento que você realmente ‘veste’.

Um cabo muito grosso impede que a criança use o punho. Ela não consegue ‘fechar’ a mão com firmeza. A raquete gira no impacto, especialmente em voleios ou ‘slices’. Ela perde totalmente o controle e a sensibilidade. Além disso, ela tem que apertar a raquete com muito mais força, o que gera tensão no antebraço e pode levar a lesões.

Um cabo muito fino também é ruim. A mão ‘fecha’ demais, e os dedos podem encostar na palma. Isso também gera tensão excessiva, pois o jogador tenta compensar a falta de estabilidade apertando com mais força. Encontrar o tamanho certo do ‘grip’ é fundamental para permitir um ‘swing’ relaxado e eficaz.

O que é o ‘L0’ e ‘L1’ infantil?

No mundo adulto, os grips são medidos em L1, L2, L3, L4, L5. Nas raquetes infantis, os fabricantes simplificam. A maioria das raquetes de 19″ a 25″ vêm com um tamanho padrão infantil, que seria algo como um ‘L0’ ou ‘L00’. É um cabo bem fino, feito para mãos pequenas.

Quando você chega nas raquetes de 26 polegadas, ou nas primeiras raquetes de adulto (aquelas ‘LITE’), você começa a encontrar os tamanhos L1 ou L2. O L1 ainda é bem fino, geralmente adequado para a maioria dos pré-adolescentes ou mulheres com mãos menores.

Não presuma que seu filho precisa de um ‘grip’ maior só porque está crescendo. A tendência moderna é usar ‘grips’ o mais fino possível (sem exagerar), pois isso aumenta a mobilidade do punho, facilitando a geração de ‘topspin’. Sempre comece com o mais fino (L1) e, se necessário, aumente ligeiramente com um ‘overgrip’.

O teste do dedo indicador

Como saber se o ‘grip’ está certo? Existe um teste fácil, assim como o teste do ‘drop’ para o comprimento. Peça para seu filho segurar a raquete confortavelmente, como ele seguraria para dar um ‘forehand’ (a empunhadura ‘eastern’ ou ‘semi-western’ é ideal, mas qualquer pegada firme serve).

Olhe para a mão dele. Deve haver um pequeno espaço entre a ponta do dedo anelar (o vizinho do mindinho) e a base da palma da mão (aquela ‘almofada’ de gordura abaixo do polegar). Esse espaço deve ser do tamanho, mais ou menos, da largura do seu dedo indicador.

Se os dedos dele estão encostando na palma, o ‘grip’ é muito fino. Se o espaço é muito grande (maior que o seu dedo indicador), o ‘grip’ é muito grosso. É simples. Isso garante que ele tenha espaço suficiente para ‘apertar’ a bola no impacto, mas firmeza suficiente para a raquete não girar.

Cuidado com o ‘overgrip’ excessivo

O ‘overgrip’ é aquela fita fina que colocamos por cima do ‘grip’ original (o ‘cushion grip’) para absorver suor e melhorar a pegada. Todo jogador usa. Mas nos infantis, temos que ter cuidado. Muitos pais colocam ‘overgrips’ grossos ou múltiplos ‘overgrips’ para “engrossar” um cabo.

Isso é perigoso. Cada ‘overgrip’ aumenta o tamanho do cabo em cerca de meio tamanho (por exemplo, um L1 vira quase um L1.5). Se você colocar dois, você muda totalmente a geometria do cabo. Além disso, ‘overgrips’ adicionam peso à raquete, e pior, adicionam peso no cabo, mudando o equilíbrio da raquete (deixando-a mais ‘Head Light’).

Use sempre ‘overgrips’ finos (os ‘pro’ overgrips) e troque com frequência. Um ‘overgrip’ gasto fica liso e força a criança a apertar a raquete com mais força, criando tensão. É melhor ter um ‘grip’ no tamanho certo, com um ‘overgrip’ fino e novo, do que tentar ‘consertar’ um ‘grip’ errado com camadas e camadas de fita.

Comparativo de Batalha: As ‘Big 3’ para Crianças

Vamos ser práticos. Você vai entrar na loja (física ou online) e vai dar de cara com as gigantes: Wilson, Babolat e Head. Todas elas fazem linhas infantis excelentes, geralmente batizadas com os nomes dos seus maiores astros (Nadal, Federer, Djokovic, Gauff) ou de linhas famosas (Pure Drive, Blade, Speed).

A verdade? Nas fases iniciais (alumínio 19″ a 23″), a diferença é quase toda cosmética. É a pintura. A Babolat ‘Nadal Jr’ 23″ e a Wilson ‘Federer’ 23″ são, na prática, muito parecidas. Aqui, deixe seu filho escolher a cor que ele mais gosta. Sério. Se ele amar a raquete, ele vai querer jogar mais. A motivação, lembra?

A coisa muda de figura nas raquetes de 25″ e 26″, onde o grafite/composto entra na jogada. Aí sim, as características das raquetes ‘mãe’ começam a aparecer. A Babolat Pure Drive Jr 26″ será uma máquina de potência. A Wilson Blade Jr 26″ (se existir) será focada em controle e ‘feeling’. A Head Speed Jr 26″ será um misto de velocidade e estabilidade.

Tabela Comparativa (Modelos Júnior Populares)

Vamos colocar três das raquetes de 25 polegadas mais comuns lado a lado. Note como elas são parecidas em especificações, mas miram em sensações ligeiramente diferentes.

CaracterísticaWilson US Open 25Babolat Nadal Jr 25Head Speed 25 (Comp)
MaterialAlumínio (AirLite Alloy)AlumínioComposto (Grafite/Alumínio)
Peso (sem corda)Aprox. 220gAprox. 240gAprox. 240g
EquilíbrioPeso na Cabeça (Potência)Peso na Cabeça (Potência)Peso na Cabeça (Potência/Controle)
Foco PrincipalDurabilidade, ‘All-around’Potência, EstabilidadeTransição (Grafite), Conforto
Ideal paraIniciantes, Aulas em grupoCrianças que gostam de bater forteCrianças evoluindo (saindo do alumínio)

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A linha ‘Nadal Jr’ (Babolat): Potência pura

A Babolat fez um trabalho genial ao associar o Nadal aos seus modelos infantis. A linha ‘Nadal Junior’ (ou as ‘Pure Aero’ Jr) são, geralmente, um pouco mais pesadas e estáveis que as concorrentes de alumínio. Elas são feitas para dar ‘punch’ na bola.

Se o seu filho é aquele que gosta de bater ‘forte’ em tudo, que tem um ‘swing’ naturalmente mais rápido, a linha júnior da Babolat pode ser uma ótima pedida. O peso extra (mesmo que sejam 20g) ajuda na estabilidade quando ele começa a jogar com bolas mais rápidas (laranja ou verde).

Elas dão aquela sensação de ‘massa’ atrás da bola. O ‘feedback’ é sólido. A desvantagem é que, por serem de alumínio e focadas em potência, elas podem ser um pouco mais ‘duras’ para o braço, mas a construção da Babolat costuma ser excelente para mitigar vibrações.

A linha ‘Wilson US Open’: O clássico ‘all-around’

A Wilson domina o mercado de iniciantes com suas linhas ‘US Open’ e ‘Federer’. Elas são as raquetes ‘pau para toda obra’ do tênis infantil. São leves, duráveis e têm um ‘sweet spot’ bem generoso. A tecnologia ‘AirLite Alloy’ da Wilson torna o alumínio leve, mas resistente.

Eu costumo recomendar essa linha para pais que não têm certeza se a criança vai ‘pegar firme’ no esporte. É uma raquete que não tem erro. Ela é fácil de manusear, gera potência suficiente para o iniciante se divertir e tem um preço muito competitivo.

Não é a raquete com mais ‘feeling’ ou tecnologia, mas ela cumpre perfeitamente o papel de ‘primeira raquete’. Ela permite que a criança desenvolva o ‘swing’ sem ser penalizada pelo peso ou pelo equilíbrio. É uma escolha segura e confiável para a fase de descoberta.

Além da ‘pintura’: Cordas e Tensão para os pequenos

Aqui é onde separamos os amadores dos jogadores sérios. Ninguém fala sobre cordas para raquetes infantis. A maioria das raquetes (99%) já vem encordoada de fábrica. E para as raquetes de alumínio (19″ a 25″), essa corda de fábrica é tudo o que você precisa.

Não gaste dinheiro trocando a corda de uma raquete de alumínio. A corda que vem nela é geralmente um ‘nylon’ sintético grosso, feito para durar (já que criança não quebra corda). A tensão é média-baixa, para ajudar a ‘soltar’ a bola. Deixe como está.

O jogo só muda quando você compra uma raquete de 26″ de grafite, ou uma raquete de adulto ‘Light’ de 27″. Essas, muitas vezes, vêm sem corda, ou com uma corda básica. Aqui sim, a escolha da corda e da tensão vai fazer uma diferença brutal no braço do seu filho.

Cordas ‘multifilamento’: O ‘conforto’ para o braço

Esqueça o ‘poliéster’ (as cordas ‘duras’ que os profissionais usam para controle e ‘spin’). O braço de uma criança não aguenta o poliéster. A regra número um para encordoar uma raquete júnior de performance é: conforto.

Você deve procurar por cordas de ‘multifilamento’. Elas são feitas de centenas de pequenas fibras trançadas, exatamente como um tendão. Elas são macias, absorvem o impacto e a vibração de forma espetacular e geram muita potência (a bola ‘pula’ da raquete).

Marcas como Wilson (NXT) ou Head (Velocity MLT) têm opções fantásticas. Elas são mais caras que o nylon básico e arrebentam mais rápido? Sim. Mas elas são o seguro de saúde do cotovelo do seu filho. É um investimento obrigatório para quem está treinando sério.

Tensão baixa: O ‘trampolim’ para a bola

Outro erro comum: colocar tensão alta. Os pais ouvem que “Federer usa 58 libras” e querem colocar o mesmo. Tensão alta significa mais controle, mas exige que o jogador faça 100% da força. O ‘sweet spot’ diminui e a raquete fica parecendo uma ‘tábua’.

Para crianças, queremos o oposto. Use tensão baixa. Para uma raquete júnior de 26″ ou 27″ leve, comece com algo entre 40 e 48 libras, no máximo. A tensão baixa aumenta o ‘efeito trampolim’ da corda. A bola afunda mais na trama e é cuspida com mais velocidade, exigindo menos esforço físico.

Isso ajuda em duas frentes: protege o braço (menos impacto) e aumenta a potência (mais diversão). A criança consegue mandar a bola para o fundo da quadra sem ter que ‘matar’ a bola. Ela pode focar na técnica e no ‘swing’ relaxado, que é o que queremos.

Quando (e por que) encordoar uma raquete infantil?

Como eu disse, raquetes de alumínio não precisam ser reencordoadas, a menos que a corda arrebente (o que é raro). Já as raquetes de performance (grafite) precisam de manutenção. As cordas ‘perdem a vida’ (elasticidade) muito antes de arrebentarem.

Uma corda de multifilamento ‘morta’ fica dura e perde o ‘efeito trampolim’. A regra geral é: você deve trocar a corda no mínimo tantas vezes por ano quanto você joga por semana. Seu filho joga 3 vezes por semana? Troque a corda pelo menos 3 vezes por ano.

Se ele joga muito (competição, treinos diários), você vai perceber que a corda vai arrebentar antes disso. Isso é um bom sinal! Significa que ele está acelerando a raquete e gerando ‘topspin’. Mas fique atento: se a corda está lá há 6 meses, mesmo parecendo nova, ela já perdeu suas propriedades. Troque-a para proteger o braço do seu jogador.

O ‘timing’ da troca: Quando dar o ‘upgrade’ na raquete

A última lição de hoje. A raquete infantil não é para sempre. A criança cresce, o jogo evolui. Saber a hora de ‘subir de nível’ no equipamento é tão importante quanto escolher a primeira raquete. Fazer a troca cedo demais ou tarde demais pode sabotar o desenvolvimento.

O erro mais comum é a ‘ansiedade dos pais’. O pai vê o filho do amigo com uma raquete de grafite de 26″ e quer comprar uma igual, mesmo que seu filho ainda tenha altura para uma 23″. Isso é um ‘lobby’ curto no meio da quadra: um erro fácil. Você está dando peso e comprimento que a criança não consegue controlar.

O oposto também é ruim. Manter a criança com uma raquete de alumínio de 25″ quando ela já tem 1,50m e bate forte na bola. A raquete vai vibrar, vai parecer uma ‘pena’ na mão dela, e ela não terá estabilidade nenhuma para controlar os golpes. O equipamento fica ‘fraco’ para o jogo dela.

Sinais de que a raquete ficou ‘pequena’

O primeiro sinal é o teste do ‘drop’. Se o seu filho segura a raquete ao lado do corpo e ela fica lá em cima, na altura da canela, ela está curta. Ele está tendo que se abaixar demais para bater na bola, comprometendo a postura e o ‘swing’.

Outro sinal é o ponto de impacto. Se ele está constantemente batendo na bola muito na frente do corpo, quase ‘catando’ a bola no ar, pode ser que a raquete esteja curta demais. Ele está compensando a falta de alcance.

Observe também os golpes ‘fora do centro’. Se a criança já tem um bom ‘timing’, mas a bola ‘morre’ quando ele pega um pouco fora do ‘sweet spot’, pode ser culpa da raquete. Uma raquete de alumínio 23″ não tem estabilidade. Uma 25″ ou 26″ de composto/grafite oferece uma plataforma muito mais sólida para o jogo que está evoluindo.

O salto para o grafite júnior

O salto da 25″ de alumínio para a 26″ de grafite (ou composto) é, talvez, a transição mais importante. É aqui que o tênis deixa de ser ‘recreação’ e vira ‘esporte’. A raquete de 26″ de grafite é uma arma de verdade. Ela exige mais do jogador.

O ‘timing’ certo para isso é quando a criança tem altura (acima de 1,40m) e já domina os fundamentos do ‘swing’ (consegue fazer o movimento completo, usa o tronco). Ela precisa de força mínima para manusear o peso extra do grafite.

Quando ela faz essa transição, a mágica acontece. A bola dela começa a ‘andar’ mais. O ‘spin’ que ela tenta aplicar começa a funcionar. O som do impacto muda. Fica mais sólido. É um ‘upgrade’ que o jogador sente imediatamente, e a confiança dele vai lá para cima.

O erro de pular etapas

Eu preciso terminar com isso. Não pule etapas. Não vá da 23″ para a 26″. Não vá da 25″ de alumínio direto para uma raquete de adulto de 300g. O tênis é uma construção. Cada tamanho de raquete é um ‘tijolo’ que ensina uma coisa.

A 19″ ensina o contato. A 21″ ensina o ‘swing’ curto. A 23″ ensina o movimento das pernas (se posicionar). A 25″ ensina a usar o tronco. A 26″ ensina a gerar potência e ‘spin’. A 27″ ‘Light’ ensina a lidar com o peso de adulto. Pular um desses tijolos deixa um buraco na fundação do jogo do seu filho.

Confie no processo. Confie no treinador. E, acima de tudo, escolha a raquete para o jogador que seu filho é hoje, não para o jogador que você quer que ele seja amanhã. O equipamento certo, no ‘timing’ certo, é o que vai levá-lo até lá.

Bom, acho que cobrimos tudo. Foi um ‘bate-papo’ longo, mas agora você não é mais um pai olhando raquetes coloridas. Você é um especialista em equipamento júnior. Você está pronto para fazer a escolha certa.

Agora vai lá e acerta nesse ‘game’.

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