Como cuidar e prolongar a vida útil da sua raquete

 Como cuidar e prolongar a vida útil da sua raquete

Fala, tenista. Vamos bater um papo reto. Você gasta uma fortuna naquela raquete nova, a mesma do seu ídolo, esperando que ela resolva seu backhand na paralela. Nos primeiros meses, é só alegria. Mas, com o tempo, você sente que ela não responde mais igual. Aquele pop no saque sumiu. A bola parece “morrer” nas cordas. A culpa, muitas vezes, não é da raquete. É de como você a trata fora da quadra.

Sua raquete é uma ferramenta de precisão. Ela é feita de compostos avançados como grafite, carbono e outras fibras, todas meticulosamente trançadas para oferecer potência e controle. Esses materiais, no entanto, são sensíveis. Eles não gostam de abuso. Cuidar da sua raquete não é frescura; é garantir que o investimento que você fez continue dando retorno em forma de winners.

Neste guia, vamos dissecar tudo o que você precisa fazer para que sua parceira de jogo dure o máximo possível, mantendo o feel e a performance que você sentiu no primeiro dia. Vamos esquecer os mitos e focar no que realmente funciona, direto ao ponto.

O Vilão Invisível: Por que o Armazenamento Define a Durabilidade

O jogo acaba, você guarda a raquete e vai para casa. O que acontece entre um jogo e outro é, talvez, o fator mais crítico para a vida útil do seu equipamento. A maioria dos jogadores destrói suas raquetes lentamente, sem nem perceber, muito antes de qualquer impacto na quadra. O armazenamento inadequado é o inimigo número um do grafite.

O Pesadelo do Porta-Malas: Calor Extremo e Seus Efeitos

O erro mais clássico, mais comum e mais destrutivo: deixar a raquete no porta-malas do carro. Pense no seu carro estacionado sob o sol. A temperatura interna dispara, ultrapassando facilmente os 60°C ou 70°C. Para os materiais compostos da sua raquete, isso é uma sessão de tortura. O calor excessivo amolece as resinas que unem as fibras de grafite. Isso compromete a integridade estrutural do frame (o quadro). A raquete começa a perder rigidez.

Essa perda de rigidez não é algo que você vê. É algo que você sente. A raquete fica “mole”, perde potência e a resposta da bola fica inconsistente. O calor também é fatal para as cordas. Ele acelera drasticamente a perda de tensão. Você pode ter encordoado na segunda-feira, mas após dois dias no porta-malas, a tensão já caiu como se você tivesse jogado por duas semanas. Esse calor deforma permanentemente o material, e não há como reverter isso.

A regra é simples: sua raquete vai aonde você vai. Se está quente demais para você ficar no carro, está quente demais para ela. Leve-a para dentro de casa, para o escritório, para qualquer lugar com temperatura controlada. O mesmo vale para o frio extremo, embora seja menos comum em muitas regiões. O frio intenso pode tornar os materiais mais quebradiços, aumentando o risco de microfissuras no impacto com a bola.

A Diferença de uma Raqueteira Térmica

Você já deve ter visto os profissionais entrando em quadra com aquelas raqueteiras gigantes. Elas não são apenas para carregar muitas raquetes. Muitas delas possuem compartimentos térmicos, geralmente forrados com um material prateado reflexivo. Isso não é um truque de marketing. Essa tecnologia, chamada CCT (Climate Control Technology) por algumas marcas, funciona como uma barreira contra mudanças bruscas de temperatura.

Esse forro térmico protege o equipamento tanto do calor quanto do frio. Ele não vai manter a raquete gelada se você deixá-la no sol o dia todo, mas vai retardar significativamente o aquecimento. Se você precisa deixar a raqueteira no carro por um curto período, ou se o clube não tem um local climatizado, o compartimento térmico é a melhor defesa. Ele mantém a tensão das cordas mais estável e protege o frame.

Investir em uma raqueteira com proteção térmica é uma das melhores decisões para quem leva o esporte a sério. Pense nela como uma apólice de seguro para o seu investimento. Se você joga torneios ou passa longos dias no clube, essa proteção se torna ainda mais vital. Ela garante que a raquete que você usa no primeiro game tenha a mesma resposta daquela que você pega para fechar o terceiro set.

Umidade e o Descanso Correto Pós-Jogo

O segundo inimigo silencioso é a umidade. Você termina um jogo pesado. Você suou muito. Seu overgrip está ensopado. Você joga a raquete dentro da raqueteira fechada e a esquece lá até o próximo jogo, dias depois. Esse é um erro grave. A umidade do suor é corrosiva e cria um ambiente perfeito para a proliferação de fungos e bactérias.

Esse ambiente úmido ataca primeiro o seu grip. O cushion grip (o grip original, de couro ou sintético) que fica embaixo do overgrip começa a apodrecer. Ele fica endurecido, perde a capacidade de absorção de impacto e pode até esfarelar. Isso afeta diretamente a sua pegada e a sensação da raquete na mão. O mau cheiro é apenas um sintoma do problema maior.

O procedimento correto é simples. Ao chegar em casa, tire a raquete da raqueteira. Se o overgrip estiver muito molhado, troque-o. Se estiver apenas úmido, deixe a raquete fora da bolsa, em pé ou deitada em um local seco e arejado, longe do sol direto. Deixe a raquete “respirar”. Isso seca o grip e evita a deterioração. Nunca guarde uma raquete molhada ou úmida em um local fechado.


A Rotina Pós-Quadra: Limpeza que Salva o Material

Cuidar da raquete exige uma rotina simples, mas consistente. Você não precisa gastar horas, mas alguns minutos após cada jogo fazem uma diferença enorme. O suor, a poeira do saibro e a sujeira geral da quadra são abrasivos e podem danificar os componentes da sua raquete ao longo do tempo.

Limpando o Frame (Quadro)

O frame da raquete acumula poeira, suor e, principalmente, pedacinhos de saibro. Manter o quadro limpo não é apenas estética. O saibro, em particular, é muito abrasivo. Quando ele entra nos grommets (os protetores plásticos por onde passam as cordas), ele age como uma lixa, desgastando as cordas e o próprio plástico.

A limpeza é fácil. Pegue um pano levemente úmido, apenas com água. Passe por todo o frame, removendo o suor e a poeira. Se jogou no saibro, preste atenção extra à cabeça da raquete e aos grommets. Você pode usar uma escova de dentes velha e seca para tirar gentilmente o saibro acumulado nos vãos. Não use força para não danificar o plástico.

Essa limpeza rápida remove os resíduos antes que eles possam causar danos. Além disso, ao limpar o frame, você tem a chance de inspecioná-lo. Você pode notar pequenas rachaduras ou “paint chips” (lascas de tinta) que podem indicar um problema estrutural começando. Uma inspeção visual regular permite que você pegue problemas no início.

O Cuidado Essencial com o Grip e Overgrip

O grip é sua conexão direta com a raquete. Um grip sujo, escorregadio ou desgastado prejudica seu jogo. Você aperta a raquete com mais força para compensar a falta de aderência, o que gera tensão desnecessária no braço e pode levar a lesões como o tennis elbow. O cuidado com o grip é, portanto, uma questão de performance e saúde.

O suor é o principal culpado. Ele contém sais e óleos que saturam o material do overgrip. Como mencionado antes, sempre deixe o grip secar ao ar livre. Se você sua muito, troque o overgrip com frequência. Não existe regra fixa, mas no momento em que ele perde a “pega” ou começa a escorregar, ele precisa ser trocado. Jogar com overgrip velho é economizar centavos e arriscar lesões e erros bobos.

O cushion grip (o grip de baixo) também precisa de atenção. Quando você troca o overgrip, aproveite para passar um pano levemente úmido no cushion grip para remover o excesso de sal do suor que possa ter passado. Se o cushion grip ficar achatado, duro ou começar a esfarelar, é hora de trocá-lo também. Muitos jogadores negligenciam isso, mas um cushion grip novo restaura a absorção de impacto original da raquete.

O que NUNCA usar na sua raquete

A intenção de limpar pode, às vezes, levar a danos piores. Raquetes são sensíveis a produtos químicos. A regra de ouro é: na dúvida, use apenas água em um pano levemente úmido. Nunca use solventes, álcool, alvejantes ou qualquer tipo de produto de limpeza abrasivo. Esses químicos podem reagir com a pintura, enfraquecer o verniz e até comprometer as resinas do grafite.

Evite também jatos de água. Lavar a raquete em uma torneira ou com mangueira é uma péssima ideia. A água pode entrar por baixo do cushion grip e infiltrar no cabo, que muitas vezes tem componentes de espuma ou madeira. Essa umidade interna não seca facilmente e pode levar ao apodrecimento do cabo de dentro para fora, comprometendo o equilíbrio e a estrutura da raquete.

O mesmo vale para as cordas. Não passe produtos químicos nas cordas. A limpeza delas deve ser feita a seco, com um pano para tirar a poeira ou o saibro. A simplicidade é a chave. Um pano úmido para o frame, secagem ao ar livre para o grip e uma troca regular de overgrip são 90% do trabalho de limpeza necessário.


O Coração da Raquete: O Encordoamento

Você pode ter a melhor raquete do mundo, mas se as cordas estiverem “mortas”, seu jogo vai sofrer. As cordas são o motor da raquete. Elas que geram a potência, o controle e o spin. No entanto, elas são o componente que perde performance mais rápido. Entender o encordoamento é crucial para a saúde da raquete e do seu braço.

A Perda de Tensão: O Inimigo Silencioso do Seu Jogo

Desde o momento em que o encordoador dá o último nó, suas cordas começam a perder tensão. É um processo natural chamado “fluência” (creep). Uma corda recém-colocada com 50 libras pode perder de 10% a 15% da tensão nas primeiras 24 horas, sem nem mesmo você bater na bola. Depois, a perda continua a cada jogo.

Por que isso importa? A tensão é o que dá controle. Menos tensão resulta em mais potência (efeito estilingue), mas menos controle. A bola “voa” mais. Você começa a errar bolas longas que antes entravam. Para compensar, você instintivamente encurta o movimento, freia o braço, o que é péssimo para a sua técnica e pode sobrecarregar seu ombro e cotovelo. Jogar com cordas mortas, sem tensão, força você a fazer mais esforço para controlar a bola.

Além da performance, a tensão baixa constante pode ser ruim para o frame. A raquete é projetada para suportar uma pressão equilibrada das cordas. Quando a tensão cai muito, ou se uma corda arrebenta e você demora para trocá-la, a distribuição de força fica desigual. Em casos extremos, isso pode levar a microfissuras ou até deformar o formato da cabeça da raquete.

A Regra de Ouro: Quando Trocar as Cordas

A pergunta mais comum é: “Com que frequência devo trocar as cordas?”. A resposta clássica é: troque o número de vezes por ano que você joga por semana. Se você joga 3 vezes por semana, deve encordoar 3 vezes por ano (a cada 4 meses). Essa é uma boa regra básica para jogadores recreativos que não quebram cordas.

No entanto, se você joga com mais intensidade ou usa cordas de poliéster (as famosas “co-poly”), essa regra não se aplica. Cordas de poliéster são fantásticas para spin e durabilidade (não quebram fácil), mas elas perdem tensão muito mais rápido que as de tripa sintética ou natural. Um poliéster pode ficar “morto” (perder toda a elasticidade e resposta) em 10 a 20 horas de jogo. Continuar jogando com um poliéster morto é uma receita para lesões no braço, pois ele se torna extremamente rígido e transfere todo o impacto para você.

O sinal mais claro para a troca é quando o feel da raquete muda. As cordas parecem “duras” ou “moles” demais, o som do impacto fica diferente (um “ploc” mudo em vez de um “ping” nítido), ou você perde o controle. A melhor regra é: troque as cordas antes que elas quebrem. Esperar a corda arrebentar significa que você passou horas jogando com um equipamento abaixo do ideal.

Tipos de Corda e o Impacto na Longevidade

A escolha da corda afeta diretamente a durabilidade. Cordas de Tripa Sintética (Synthetic Gut) ou Multifilamentos são mais macias, mais confortáveis e mantêm a tensão melhor. No entanto, elas quebram mais facilmente, especialmente para jogadores que batem com muito topspin. Elas são ótimas para a saúde do braço e mantêm a performance da raquete estável por mais tempo, mas exigem trocas mais frequentes devido à quebra.

Cordas de Poliéster (Co-Poly) são o oposto. Elas são muito duráveis e dificilmente quebram. São excelentes para gerar spin porque são mais rígidas e “agarram” a bola. O problema é a manutenção da tensão. Elas perdem tensão rapidamente. Um jogador que usa poliéster precisa trocar as cordas não porque elas quebram, mas porque elas “morrem” e perdem a jogabilidade. Usar um poliéster morto é como bater na bola com um pedaço de arame farpado.

Muitos jogadores optam por Híbridos, misturando os dois tipos (geralmente poliéster nas cordas principais para spin e tripa sintética/multifilamento nas cruzadas para conforto). Isso pode ser um bom equilíbrio. O importante é entender que a corda é um consumível. Economizar na troca de cordas é sabotar o seu jogo e a performance da sua raquete.


A Sua Conexão: Grips, Overgrips e a Pegada Certa

Falamos muito do frame e das cordas, mas a sua única conexão física com tudo isso é o cabo. Se a sua pegada não for segura, nada mais funciona. Um grip inadequado afeta o controle, a potência e, o mais importante, a sua saúde.

A Diferença Vital entre Cushion Grip e Overgrip

Muitos jogadores iniciantes confundem os dois. O Cushion Grip (ou grip original) é a camada base, mais grossa e acolchoada, que vem de fábrica na raquete. Ele pode ser de couro (mais firme, melhor feel das arestas) ou sintético (mais macio, maior absorção). Sua função principal é dar o tamanho da empunhadura e absorver o impacto inicial da vibração.

O Overgrip é a fita fina e aderente que você enrola por cima do cushion grip. Sua função é dar “pega” (aderência) e absorver o suor. Quase todos os jogadores de nível intermediário para cima usam overgrip. Ele é feito para ser trocado com frequência. Ele protege o cushion grip original, que é mais caro e difícil de trocar.

O erro comum é usar vários overgrips, um em cima do outro, para engrossar o cabo. Isso é péssimo. Você perde totalmente a sensação das arestas (o formato octogonal do cabo), o que prejudica sua orientação para os golpes (você não sabe se está em eastern, semi-western, etc.). Além disso, a raquete fica mais pesada na cabeça (muda o balanço) e o excesso de material macio deixa a pegada “esponjosa” e instável. Se o cabo está fino, troque o cushion grip por um mais espesso ou use um sleeve (luva) apropriado.

Sinais de Desgaste: Quando a Troca é Inadiável

A troca do overgrip não tem regra de horas. Ela é baseada na sensação. O primeiro sinal é a perda de aderência. Se a raquete começar a girar na sua mão durante um saque ou um smash, está na hora. Se você precisa apertar a mão com força para a raquete não escapar, está na hora. Aderência é segurança.

Outros sinais são visuais. O overgrip fica liso, brilhante ou visivelmente sujo e encardido. Em alguns casos, ele começa a rasgar ou esfarelar. Não tente prolongar a vida dele. Um overgrip custa muito pouco perto do benefício que ele traz. Trocar o overgrip regularmente é o cuidado mais barato e mais impactante que você pode ter.

Para o cushion grip, os sinais são diferentes. Você sentirá que o cabo está mais “duro”. O acolchoamento original se achatou com o tempo e não absorve mais o impacto. Outro sinal é quando, mesmo com um overgrip novo, você sente as arestas do cabo de forma desconfortável, ou se o material por baixo começa a esfarelar. A troca do cushion grip a cada seis meses ou um ano pode revitalizar completamente a sensação da sua raquete.

Tabela Comparativa de Overgrips

A escolha do overgrip é muito pessoal. Alguns preferem uma sensação “pegajosa” (tacky), enquanto outros preferem uma sensação mais seca (dry), especialmente quem sua muito nas mãos. Aqui está uma comparação simples dos tipos mais comuns para ajudar você a encontrar o seu.

Tipo de OvergripSensação PrincipalIdeal ParaExemplo Popular
Pegajoso (Tacky)Grudento, alta aderência.Jogadores que gostam de uma conexão firme, que “cola” na mão. Climas amenos.Wilson Pro Overgrip
Seco (Dry)Toque de camurça, absorvente.Jogadores que suam muito (hiperidrose). Climas quentes e úmidos.Tourna Grip Original
Equilibrado/TexturizadoLevemente pegajoso com textura.Quem busca um meio-termo entre aderência e absorção de suor.Yonex Super Grap

Blindagem em Quadra: Protegendo o Frame e os Grommets

Os cuidados fora da quadra são vitais, mas o que acontece durante o jogo também define a vida útil da raquete. Impactos, raspões e o desgaste natural de jogar precisam ser gerenciados. A estrutura da raquete é forte para bater na bola, mas muito frágil para outros tipos de abuso.

O Papel dos Grommets na Saúde da Raquete

Os grommets (ou bumper guard) são as tiras de plástico que ficam na cabeça da raquete, por onde as cordas passam. Eles têm duas funções vitais. Primeiro, a parte de cima (o bumper) protege o frame de grafite contra o atrito direto com o chão, especialmente em slices baixos ou voleios. Segundo, os “tubos” por onde as cordas passam evitam que a corda, sob alta tensão, corte o grafite.

É essencial inspecionar seus grommets regularmente. Procure por rachaduras, pedaços faltando ou desgaste excessivo. Se o plástico estiver tão gasto que a corda começa a roçar no chão, o risco de quebra prematura da corda aumenta. Pior: se um grommet quebrar onde a corda entra no frame, a corda sob tensão pode começar a “serrar” o grafite, criando um ponto de fraqueza que pode levar à quebra do quadro.

Se os grommets estiverem muito gastos, eles precisam ser trocados. É um serviço que qualquer bom encordoador pode fazer. É muito mais barato trocar o conjunto de grommets do que comprar uma raquete nova porque o frame rachou. Preste atenção especial a eles se você joga muito no saibro, pois o atrito é maior.

Protetores de Cabeça (Head Tape): Um Investimento Mínimo

Uma forma fácil e barata de prolongar a vida dos grommets e da cabeça da raquete é usar uma fita protetora (head tape). É uma fita adesiva, geralmente de um material mais grosso e resistente, que você cola sobre o bumper guard original. Ela age como uma camada de sacrifício.

Essa fita vai absorver a maior parte dos arranhões e raspões do contato com a quadra. Em vez de desgastar o plástico original da raquete, você desgasta a fita. Quando ela estiver muito detonada, você simplesmente a arranca e cola uma nova. Isso mantém a cabeça da raquete e os grommets em estado de novos por muito mais tempo.

Não há desvantagem em usar essa fita. O peso que ela adiciona é mínimo e localizado na ponta da cabeça, o que pode até ajudar um pouco na potência do saque para alguns jogadores. É um acessório simples que protege ativamente a parte mais vulnerável da raquete durante o jogo.

A Prática que Destrói Raquetes: Impactos e Fúria

Isso deveria ser óbvio, mas precisa ser dito. Raquetes de tênis são feitas para uma única coisa: bater em bolas de tênis. Elas não foram feitas para bater no poste da rede, na cadeira do juiz, na grade ou, o mais comum, no chão em um ataque de raiva após errar um forehand fácil.

O grafite é um material rígido, mas quebradiço. Um impacto forte contra uma superfície dura pode não quebrar a raquete imediatamente, mas quase certamente criará microfissuras internas no frame. Você pode não ver nada por fora, exceto um arranhão. Mas por dentro, a estrutura está comprometida. A raquete perde rigidez, desenvolve “pontos mortos” (áreas que não respondem bem) e, eventualmente, vai quebrar em um golpe normal semanas depois.

O mesmo vale para bater a raquete no tênis para tirar o saibro. A vibração constante desse impacto pode soltar o butt cap (a tampa do cabo) ou danificar as fibras. Use a mão ou bata levemente na rede. Trate sua raquete com respeito. Controlar seu temperamento não só melhora seu jogo mental, como também salva seu bolso.


Mitos e Verdades sobre a “Aposentadoria” da Raquete

Eventualmente, toda raquete chega ao fim de sua vida útil, mesmo com todos os cuidados. Mas existe muita desinformação sobre quando e por que uma raquete “morre”. Entender a fadiga do material ajuda você a saber quando é realmente hora de trocar.

“Grafite cansa”? Entendendo a Fadiga do Material

Sim, o grafite “cansa”. Este é um termo popular para o que os engenheiros chamam de “fadiga de material”. Pense em um clipe de papel: se você dobrá-lo para frente e para trás muitas vezes, ele eventualmente quebra. O frame da sua raquete faz algo parecido, em microescala. A cada impacto com a bola, o quadro flexiona e retorna à sua posição original.

Ao longo de centenas de horas de jogo e milhares de impactos, essa flexão repetida começa a quebrar as resinas e enfraquecer as fibras de grafite. A raquete perde sua rigidez original. Ela fica mais flexível do que foi projetada para ser. Isso resulta em uma perda significativa de potência e controle. A bola simplesmente não “anda” mais, e a sensação no braço piora.

Esse processo é inevitável e acelerado por fatores como tensão alta nas cordas, batidas fora do sweet spot (centro da raquete) e, claro, os impactos acidentais. Um jogador profissional pode sentir essa fadiga em poucos meses. Um jogador amador que joga duas vezes por semana pode levar de dois a cinco anos para sentir uma degradação significativa, assumindo que a raquete não sofreu nenhum trauma.

Raquetes “Mortas” (Dead Spots): Elas Existem?

Sim, e elas são um sintoma direto da fadiga do material ou de um dano estrutural. Um “ponto morto” (dead spot) é uma área na raquete, geralmente fora do centro, que responde com uma vibração horrível e zero potência. A bola bate ali e simplesmente “morre”, sem retornar energia.

Isso geralmente acontece por dois motivos. O primeiro é a fadiga geral do frame, como descrito acima. A estrutura não é mais uniforme em sua rigidez. O segundo, e mais comum, é um dano localizado. Uma pequena rachadura interna, causada por um impacto ou até mesmo por um encordoamento mal feito, pode criar um ponto onde as fibras de grafite não estão mais conectadas corretamente.

Quando você começa a notar dead spots que não existiam antes, é um sinal forte de que a raquete está no fim de sua vida. Não há como consertar isso. É a estrutura interna que falhou. Você pode continuar jogando, mas a performance será inconsistente e a vibração extra pode ser prejudicial ao seu braço.

O Momento Certo de Dizer Adeus

Não existe uma data de validade carimbada na raquete. A “aposentadoria” dela depende da frequência de jogo, do estilo do jogador e dos cuidados. O sinal mais claro é a sensação. Você conhece sua raquete. Quando ela para de responder da maneira que você está acostumado, quando a potência some e a vibração aumenta, é hora de começar a pensar em uma substituta.

Outro sinal óbvio é o dano visível. Qualquer rachadura no frame, por menor que seja, é motivo para aposentadoria imediata. Uma raquete rachada é perigosa. Ela pode quebrar completamente durante um golpe, causando um acidente. Inspecione sua raquete regularmente, especialmente nas áreas de maior estresse, como a garganta (o “coração”) e a cabeça.

Ter um par de raquetes idênticas é uma boa prática. Isso não só permite que você tenha uma reserva caso uma corda quebre, mas também permite que você compare. Se você pegar sua raquete reserva (com menos uso) e ela parecer muito melhor, mais “viva” e mais potente que a sua raquete principal, é um sinal claro de que a principal já sofreu fadiga e perdeu suas características originais.


Ajustes Finos (Customização) e Seus Riscos

Muitos jogadores gostam de customizar suas raquetes para ajustar o peso e o equilíbrio. Isso é uma prática comum, até no nível profissional. No entanto, se feita de forma incorreta, a customização pode adicionar estresse ao frame e diminuir a vida útil da raquete.

O Perigo do Excesso de Peso (Chumbo/Lead Tape)

Adicionar peso à raquete, geralmente com fitas de chumbo (lead tape), é usado para aumentar a estabilidade (menos torção em golpes fora do centro) e a potência (mais massa). Os locais comuns são nas posições de 3 e 9 horas na cabeça da raquete, ou no cabo (embaixo do grip).

O perigo está no exagero. O frame de uma raquete é projetado e testado para suportar um certo nível de estresse baseado em seu peso e equilíbrio originais. Adicionar muito peso, especialmente na cabeça, aumenta dramaticamente a força do impacto que o quadro precisa absorver. Isso acelera a fadiga do material.

Se você adicionar peso, faça-o em pequenos incrementos (1 ou 2 gramas de cada vez). Um excesso de peso pode fazer com que o frame flexione mais do que foi projetado para suportar, levando a microfissuras e a uma falha prematura. A customização deve ser sutil, buscando apenas um ajuste fino, não uma transformação completa da raquete.

Alterando o Balanço: O que Acontece com o Frame

Mudar o balanço da raquete (o ponto de equilíbrio) altera como ela se comporta e como ela absorve o impacto. Deixar uma raquete de equilíbrio neutro com a cabeça muito pesada (head heavy) coloca um estresse enorme na área da garganta (o coração da raquete) a cada golpe.

Essa mudança no ponto de flexão da raquete pode ser problemática. A engenharia da raquete levou em conta onde ela deveria flexionar. Ao forçar uma flexão em um ponto diferente devido ao peso adicionado, você pode estar sobrecarregando uma área que não foi projetada para isso. Isso é particularmente arriscado em raquetes mais leves e flexíveis.

Se você realmente precisa de uma raquete mais pesada ou com um balanço diferente, geralmente é mais seguro comprar um modelo que já venha de fábrica com essas especificações. A estrutura dessa raquete terá sido projetada desde o início para suportar essas características, garantindo uma durabilidade muito maior do que uma raquete leve “tunada” ao extremo.

Garantia: O que Anula a Proteção do Fabricante

Este é um ponto crucial. Praticamente todos os fabricantes anulam a garantia da raquete se ela for alterada. Isso inclui adicionar peso, pintar a raquete, ou mesmo trocar o cushion grip original de forma inadequada. Se você adicionar fitas de chumbo e a raquete rachar, o fabricante quase certamente alegará que o dano foi causado pela modificação.

A garantia geralmente cobre apenas defeitos de fabricação claros, como uma rachadura que aparece sem nenhum sinal de impacto ou um butt cap que se solta sozinho. A garantia não cobre quebras por impacto (bater no chão), desgaste normal (arranhões, grommets gastos) ou danos causados pelo calor (deixar no carro).

Antes de customizar sua raquete, esteja ciente de que você está assumindo a responsabilidade total por ela. O cuidado com o equipamento é a melhor garantia que você pode ter. Trate sua raquete como a ferramenta de precisão que ela é, e ela será sua parceira em quadra por muito tempo.

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