Bolas de Tênis: Com pressão vs. Sem pressão (Para quem serve cada uma?)
E aí, campeão! Vamos bater um papo sério aqui na beira da quadra. Você chega, abre seu armário, pega a raquete, o grip está em dia, mas e a bola? Você pega qualquer tubo amarelo que vê pela frente? Se a resposta for sim, estamos com um problema tático. A escolha da bola de tênis é tão crucial quanto a tensão das cordas ou a escolha do seu calçado. Usar a bola errada é como tentar um drop shot com a empunhadura do saque. Simplesmente não funciona.
O tema de hoje é o grande divisor de águas no carrinho de bolas: Bolas com pressão contra bolas sem pressão. Qual delas deve estar na sua raqueteira? A resposta curta é “depende do seu jogo”. Mas aqui, não estamos para respostas curtas. Estamos aqui para dissecar a alma da bolinha amarela. Preste atenção, que esta aula vale o jogo.
🎾 Entendendo a Alma da Bola: O que é “Pressão” no Tênis?
Antes de escolher sua arma, você precisa entender como ela funciona. Quando falamos de “pressão” em uma bola de tênis, não estamos falando da pressão que você sente antes de um tie-break no terceiro set. Estamos falando de física pura, de ar comprimido e de como isso define 90% da sensação do seu golpe. É a diferença entre um golpe macio e controlado e uma pancada seca que vibra até o seu cotovelo.
Muitos alunos pensam que “bola” é tudo igual. Elas são amarelas, redondas e quicam. Mas a diferença interna entre os dois tipos principais é brutal. É a diferença entre um carro de corrida de Fórmula 1, feito para performance máxima e curta duração, e um trator, feito para aguentar o trabalho pesado o dia todo sem reclamar. Entender essa engenharia interna é o primeiro passo para você parar de culpar sua raquete e começar a escolher o equipamento certo para a sua partida.
A grande confusão começa porque, visualmente, elas são quase idênticas. Mas o que acontece dentro daquela casca de borracha muda completamente a forma como a bola reage ao impacto da raquete, ao atrito com a quadra e até mesmo à resistência do ar. Uma escolha errada aqui pode sabotar seu treino de consistência ou, pior, aumentar seu risco de lesão. Vamos acabar com essa dúvida de uma vez por todas.
O “Psssss” da Lata: A Mágica da Bola Pressurizada
Sabe aquele som satisfatório quando você abre um tubo novo de bolas? O “pssssss” que anuncia um jogo novo? Isso, meu aluno, é o som da performance. As bolas pressurizadas (com pressão) têm um núcleo oco. Esse núcleo é preenchido com ar comprimido, geralmente nitrogênio, a uma pressão maior que a atmosfera externa. Elas vêm naquela lata selada justamente para manter essa pressão interna intacta até a hora do jogo.
Essa pressão interna é o que dá à bola sua “vida”. Ela faz a bola quicar alta, ser rápida no ar e ter aquela sensação de “pop” na raquete. É uma bola mais leve ao toque, que responde imediatamente ao que você faz com seu swing. Quando você acerta um topspin limpo, você sente a bola “morder” as cordas e sair girando. É a bola da glória, a bola do winner na paralela.
O problema é que, no momento em que você ouve aquele “pssss”, o cronômetro começa a correr. A pressão interna, que é maior que a externa, começa a escapar lentamente pelos poros da borracha. Mesmo que você não bata na bola, ela começa a “murchar”. Depois de uma partida longa, ou algumas horas de treino, a pressão interna se iguala à externa. A bola fica “morta”, sem quique, pesada. A mágica acaba rápido.
O Núcleo Sólido: A Maratona da Bola Sem Pressão
Agora, vamos falar da prima trabalhadora: a bola sem pressão (despressurizada). O nome engana um pouco; ela não é um vácuo. A diferença fundamental é que o seu quique não vem de ar comprimido. Ela tem um núcleo de borracha sólida, mais espesso e denso. O quique dela vem puramente da propriedade elástica dessa borracha. Pense nela como uma bola de borracha maciça, coberta de feltro.
Como ela não depende de pressão interna para quicar, ela não precisa vir em uma lata selada. Você geralmente as compra em sacos de rede ou caixas de papelão. Elas não fazem “pssss”. E o mais importante: elas não “murcham”. O quique que ela tem no primeiro dia de uso será quase o mesmo quique que ela terá seis meses depois. Ela é a definição de consistência a longo prazo.
Essa consistência, no entanto, vem com um custo na sensação. Essas bolas são, por definição, mais pesadas e mais “duras”. O impacto na raquete é mais seco, menos confortável. Ela não tem o mesmo “pop” explosivo da bola pressurizada. Para muitos jogadores, a sensação é de estar batendo em um “tijolo” amarelo. Mas, como veremos, esse “tijolo” tem seu lugar de honra na quadra.
Como a Pressão Afeta o Jogo (Quique, Velocidade e Efeito)
Na prática, como essa diferença de núcleo afeta seu forehand? Vamos lá. A bola pressurizada, quando nova, quica mais alto e é mais rápida. Ela “voa” mais. Isso exige reflexos rápidos e uma preparação mais curta. Por ser mais leve e ter mais “pop”, ela também é muito mais sensível aos efeitos. Quando você aplica topspin ou slice, a bola pressurizada agarra mais as cordas e a diferença na trajetória é muito mais acentuada.
A bola sem pressão, por outro lado, tem um quique mais baixo (comparado a uma bola pressurizada nova) e mais lento. Por ser mais pesada, ela “senta” mais na raquete, exigindo que você gere mais força para fazê-la andar. Ela parece “morrer” no impacto. Isso pode ser bom para quem está aprendendo e precisa de mais tempo para se posicionar, mas é frustrante para quem quer acelerar o jogo.
O ponto crucial é a consistência. A bola pressurizada muda drasticamente durante o jogo. A bola do primeiro game não é a mesma do décimo. A bola sem pressão é previsível. Ela quica da mesma forma hoje, amanhã e semana que vem. O problema é que o desgaste dela é o oposto: o quique dura para sempre, mas o feltro (o “pelo”) acaba. Ela fica “careca”, lisa, o que a torna ainda mais rápida e difícil de controlar, matando qualquer tentativa de spin.
🏆 O Padrão Ouro: A Bola Com Pressão (Pressurizada)
Quando você liga a TV para assistir a um Grand Slam, o que você vê? Você vê os jogadores trocando bolas novas a cada nove games. Essas são as bolas pressurizadas, o padrão ouro do tênis competitivo. Elas são a escolha de qualquer jogador que leve a competição a sério, do clube ao profissionalismo.
Essa bola é projetada para uma coisa: performance máxima. Ela oferece a sensação, a velocidade e o potencial de spin que o jogo moderno exige. O tênis de alto nível, com topspins agressivos e saques potentes, simplesmente não existiria da mesma forma sem a engenharia da bola pressurizada. Ela permite que os jogadores ditem o ritmo, encontrem ângulos e joguem com uma sutileza que a bola sem pressão não permite.
Se você está treinando para torneios, você precisa treinar com bolas pressurizadas. Seu cérebro e seu braço precisam se acostumar com a velocidade, o quique alto e a forma como ela reage ao spin. Treinar com uma bola sem pressão e depois ir para um torneio que usa pressurizada é suicídio tático. Você vai errar o timing de todos os seus golpes.
A Sensação Pro: Por que a ATP e a WTA Exigem Essa Bola
A resposta é simples: controle e consistência (de curto prazo). O jogo profissional depende de nuances. Um jogador profissional precisa saber que, quando ele aplicar um slice defensivo, a bola vai flutuar e morrer no saibro. Ele precisa saber que seu topspin vai pular alto no ombro do adversário. A bola pressurizada, por ser mais leve e responsiva ao feltro, permite esse nível de maestria.
Imagine os saques de 220 km/h que vemos hoje. Parte dessa velocidade vem da transferência de energia eficiente que uma bola pressurizada nova permite. Ela deforma e retorna ao formato original com uma explosão que uma bola de núcleo sólido não consegue replicar. É a única bola que consegue aguentar (mesmo que por pouco tempo) a física brutal do jogo profissional.
Além disso, a troca constante de bolas (a cada 7 ou 9 games) garante que essa performance seja mantida. Os profissionais nunca jogam com uma bola “morta”. Eles estão sempre jogando com o equipamento no seu pico de performance, garantindo que o jogo seja definido pela habilidade, e não pela degradação do material.
O Calcanhar de Aquiles: A Curta Vida Útil
Aqui está o grande “mas”. A bola pressurizada é uma estrela cadente. Ela brilha intensamente e morre rápido. Como professor, é doloroso ver um aluno abrir um tubo novo, jogar por duas horas, e depois guardar esse tubo na raqueteira. Na próxima semana, essas bolas estarão “mortas”. Elas perderam a pressão, o quique está baixo e a sensação de “tijolo” apareceu.
Essa curta vida útil é o maior inimigo do jogador amador. O custo-benefício é péssimo se você não joga com frequência ou se joga partidas muito longas. Uma bola pressurizada “murcha” é, na verdade, pior do que uma bola sem pressão. Ela fica pesada, não quica e força você a fazer mais esforço, aumentando o risco de lesão ao tentar “levantar” a bola da quadra.
Para manter a sensação ideal, você precisaria abrir um tubo novo a cada partida. Para a maioria dos jogadores de clube, isso é financeiramente inviável. É por isso que tantos jogadores acabam jogando com bolas “meia-vida”, em um estado de performance medíocre, o que não é ideal nem para o jogo, nem para o bolso.
O Duelo Interno: Bolas “Premium” vs. “Championship”
Achou que era simples? Mesmo dentro da categoria “pressurizada”, há uma divisão. Você verá tubos marcados como “Premium” (como as Wilson US Open, por exemplo) e outros marcados como “Championship”. A diferença está, principalmente, na qualidade do feltro. Bolas Premium usam mais lã natural no feltro. Isso faz a bola “inchar” um pouco, agarrar mais o ar e as cordas. O resultado é um jogo ligeiramente mais lento, com mais controle e potencial de spin. É a bola dos profissionais.
As bolas “Championship” (como a Wilson Championship ou a Head Championship) usam um feltro mais sintético. Esse feltro é menos felpudo e mais durável. O resultado é uma bola que joga mais rápido, “espirra” mais na quadra e é menos afetada pelo spin. Elas são mais baratas e o feltro dura mais que o da Premium, mas a sensação de controle é menor.
Para um jogador avançado que baseia seu jogo em topspin, a bola Premium é essencial. Para um batedor mais flat (plano) que joga em quadra rápida e quer uma bola que dure um pouco mais, a Championship pode ser uma boa escolha de custo-benefício. Mas ambas sofrem do mesmo problema: elas vão perder a pressão e “murchar” rapidamente.
🦾 O Cavalo de Batalha: A Bola Sem Pressão (Despressurizada)
Agora vamos falar do herói anônimo do carrinho de treino: a bola sem pressão. Ela não tem o glamour da sua prima pressurizada. Ela não está nos Grand Slams. Mas sem ela, a maioria das escolas de tênis e dos jogadores com lançadores de bola estaria falida.
Esta é a bola da durabilidade. É o cavalo de batalha. Você compra um saco com 60 delas e sabe que elas estarão lá para você, treino após treino, mês após mês. Ela foi feita para apanhar. Ela foi feita para ser batida centenas de vezes contra o paredão, para ser cuspida por uma máquina lançadora ou para ser usada em cestos de treino sem que o professor tenha que se preocupar em trocar o lote todo mês.
Ela é a ferramenta perfeita para o treino de repetição. Quando você está trabalhando um fundamento específico, como a terminação do seu forehand, você não quer se preocupar se a bola está “murcha” ou “nova”. Você quer consistência. A bola sem pressão entrega exatamente isso: um quique previsível, sempre igual, permitindo que você se concentre 100% na sua técnica.
Durabilidade Extrema: O Sonho do Lançador de Bolas
Este é o principal, e talvez o único, grande motivo para um jogador sério comprar bolas sem pressão: o lançador de bolas (a famosa “máquina”). Se você tem uma dessas, usar bolas pressurizadas é literalmente jogar dinheiro no lixo. A máquina vai “matar” um cesto de bolas pressurizadas em uma ou duas sessões.
A bola sem pressão, com seu núcleo sólido, foi feita para isso. Ela aguenta o impacto das roldanas da máquina e mantém seu quique consistente por anos. Sim, anos. O que vai acabar primeiro é o feltro. Elas vão ficar “carecas”, lisas como um ovo, mas o quique vai continuar lá. Para treinos de consistência rítmica na máquina, não há escolha melhor.
O mesmo vale para o “carrinho” do professor. Quando estou dando aula e preciso de 100 bolas para fazer um exercício de voleio, eu uso bolas sem pressão. Elas garantem que o aluno tenha uma experiência de quique consistente em todas as 100 bolas, e eu não preciso trocar meu estoque de bolas a cada duas semanas.
A Sensação de “Peso”: Como Ela Afeta Seu Braço
Aqui está o lado sombrio do cavalo de batalha. A mesma característica que dá a ela durabilidade (o núcleo sólido) também a torna uma vilã para o seu braço. Essas bolas são mais pesadas. Quando você acerta o golpe, a absorção de choque é muito menor. A vibração do impacto é transferida diretamente para a sua mão, pulso, cotovelo e ombro.
Jogar muito tempo com bolas sem pressão, especialmente se você já tem uma técnica que não é 100% limpa, é um convite para lesões como o tennis elbow (epicondilite lateral). A sensação de bater em um “tijolo” é real. Seu braço se cansa mais rápido. Se você é um jogador que já sente dores, fique longe dessas bolas para jogar partidas.
Para treinos curtos e técnicos, elas são aceitáveis. Mas se você decidir usar a máquina lançadora com bolas sem pressão, faça sessões mais curtas e preste muita atenção a qualquer sinal de dor no cotovelo ou no pulso. O preço da durabilidade, aqui, pode ser a sua saúde articular.
O Perfil Ideal: O Aluno Iniciante e o Treino Técnico
Apesar do risco para o braço, a bola sem pressão tem um lugar de ouro: o iniciante absoluto. Quando um adulto está começando a jogar, o maior desafio é o timing. A bola pressurizada nova é rápida demais, quica alto demais. O iniciante passa mais tempo correndo atrás da bola do que aprendendo o swing.
A bola sem pressão, por ser mais lenta e ter um quique mais baixo, dá ao iniciante aquele milissegundo extra para se preparar. Ela “espera” por ele. Isso ajuda a construir a confiança e a focar no movimento correto do golpe, em vez de apenas tentar sobreviver ao ponto. Ela funciona quase como uma bola de transição (tipo a bola verde do Play and Stay), mas com o tamanho oficial.
Elas também são ótimas para o paredão. Você quer bater 300 forehands na parede? Use uma bola sem pressão. Ela vai voltar para você de forma consistente e não vai “murchar” no meio do seu treino. É a bola ideal para quem joga casualmente, uma vez por mês, e não quer abrir um tubo novo toda vez.
🎯 Decidindo o Jogo: O Veredito do Professor
Então, chegamos ao match point. Qual bola você coloca na sua mochila? Como seu professor, eu não vou te dar uma resposta única. Vou te dar um plano de jogo baseado no seu perfil. Pare de comprar bolas “na promoção” e comece a comprar a bola certa para o seu jogo.
A escolha da bola é uma decisão tática. Você está otimizando para performance em competição? Ou está otimizando para durabilidade em treino? Ou está otimizando para aprendizado? São três cenários completamente diferentes que exigem três bolas diferentes. Não existe “a melhor bola”, existe a bola certa para a missão certa.
Vamos simplificar. Eu vou te dizer exatamente o que comprar com base no que você faz na quadra. Pegue o seu cenário e siga a receita. Seu tênis (e seu cotovelo) vão agradecer.
Se Você Joga Torneios (Nível Intermediário/Avançado)
A resposta aqui é fácil e não há negociação: Bola Pressurizada Premium. Sempre. Você deve treinar exatamente com a bola que você vai usar na competição. Seu jogo depende de timing fino, de sentir o spin e de prever o quique. Usar qualquer outra coisa no treino é sabotagem.
Sim, é caro. Sim, você vai ter que abrir um tubo novo para o seu jogo de treino mais sério da semana. Mas é o preço da performance. Guarde os tubos que você usou uma vez para treinos de saque ou para um aquecimento leve. Mas para jogos-pontos, para o match play, use bolas novas.
Se o orçamento está apertado, a bola “Championship” é sua segunda opção. Ela ainda é pressurizada e vai te dar 80% da sensação de jogo, com um custo ligeiramente menor e um feltro que dura um pouco mais. Mas nunca, jamais, apareça em um torneio tendo treinado apenas com bolas sem pressão.
Se Você Bate um Paredão ou Usa Lançador
Aqui, a escolha é o oposto exato: Bola Sem Pressão (Despressurizada). É a única escolha lógica e financeiramente sã. Você precisa de centenas de bolas que tenham um quique consistente e que durem para sempre. É exatamente para isso que elas foram inventadas.
Comprar bolas pressurizadas para uma máquina lançadora é como comprar um carro de Fórmula 1 para entregar pizza. É um desperdício total de performance e dinheiro. Aceite a sensação de “tijolo” da bola sem pressão. Ela não está lá para ser confortável; ela está lá para ser uma ferramenta de repetição.
Apenas um aviso: como elas são mais pesadas, preste atenção ao seu braço. Se você usa a máquina todo dia, misture com alguns treinos de bola “viva” (pressurizada) para não desacostumar seu braço do impacto real do jogo e para dar um descanso às suas articulações.
Se Você Está Começando (ou Joga 1x por Mês)
Se você é um iniciante ou um jogador ultra-casual que só quer se divertir e acertar algumas bolas no fim de semana, a Bola Sem Pressão é uma excelente escolha. Ela vai te dar mais tempo para reagir, o quique será previsível e você não vai gastar dinheiro abrindo um tubo novo para jogar por 40 minutos.
A bola sem pressão perdoa seus atrasos na preparação. Ela torna o jogo mais lento e facilita a troca de bolas, o que é mais divertido para quem está começando. É um investimento inicial (um saco de bolas) que dura muito tempo.
Para o iniciante que está fazendo aulas, seu professor provavelmente usará uma mistura. Ele usará as bolas sem pressão do carrinho para exercícios de técnica e, à medida que você melhora, ele vai começar a introduzir bolas pressurizadas (talvez “mortas” ou “meia-vida” no início) para você se acostumar com a velocidade e o quique do “jogo real”.
📈 Tabela Comparativa: O Head-to-Head das Bolas
Para facilitar sua visualização, preparei um “scout” técnico. Veja esta tabela como a análise tática do seu adversário.
| Característica | Bola Pressurizada (Premium) | Bola Pressurizada (Championship) | Bola Sem Pressão (Despressurizada) |
| Núcleo | Oco, com ar pressurizado | Oco, com ar pressurizado | Sólido (Borracha densa) |
| Sensação (Feel) | Macia, “viva”, com muito “pop” | Média, rápida, um pouco mais dura | Pesada, “dura”, sensação de “tijolo” |
| Quique (Bounce) | Alto e vivo (quando nova) | Alto e rápido (quando nova) | Consistente, mas mais baixo (que uma bola nova) |
| Durabilidade (Pressão) | Muito Baixa (Murcha em 1-3 jogos) | Baixa (Murcha em 2-4 jogos) | Eterna (O quique não depende da pressão) |
| Durabilidade (Feltro) | Média (Feltro de lã natural) | Alta (Feltro sintético durável) | Baixa (Fica “careca” rápido) |
| Potencial de Spin | Excelente (Agarra muito as cordas) | Bom (Agarra menos que a Premium) | Fraco (Especialmente quando fica “careca”) |
| Ideal Para | Competição, Jogadores Avançados | Treino sério, Jogadores Intermediários | Lançadores de bola, Iniciantes, Paredão |
| Risco para o Braço | Baixo (quando nova); Alto (quando “morta”) | Baixo (quando nova); Alto (quando “morta”) | Alto (Devido ao peso e dureza) |
O Lado B do Jogo: O Feltro e a Superfície
Muitos alunos ficam tão focados na pressão que esquecem do segundo componente mais importante: o feltro. O “pelo” da bola não é decoração. É ele que controla a aerodinâmica, a velocidade e, o mais importante, o spin. A interação do feltro com as cordas e com a quadra é o que define o tênis moderno.
Um feltro de boa qualidade, geralmente com mais lã (como nas bolas Premium), “incha” durante o jogo. Isso cria mais arrasto aerodinâmico, tornando a bola ligeiramente mais lenta, mas permitindo que as cordas “agarrem” a bola com mais eficiência para gerar topspin e slice. Um feltro ruim, ou gasto, torna a bola lisa, rápida e incontrolável.
Portanto, quando você escolhe uma bola, você está fazendo duas escolhas: o núcleo (pressão) e o feltro. Uma bola pressurizada Premium combina o melhor dos dois mundos para performance. Uma bola sem pressão combina um núcleo durável com um feltro que, infelizmente, se desgasta rapidamente, criando uma experiência de jogo que se degrada com o tempo (embora de uma maneira diferente da pressurizada).
O “Pelo” da Bola: Mais Importante que a Pressão?
Aqui está uma provocação de professor: para o jogador avançado, o desgaste do feltro é quase tão perceptível quanto a perda de pressão. Você já jogou com uma bola pressurizada que ainda quicava bem, mas estava “careca”? Ela se torna um pesadelo. A bola não “sente” o spin, ela desliza nas cordas e “espirra” na quadra sem controle.
O feltro é o que dá controle. É o que permite que você bata forte e mantenha a bola dentro da quadra, graças ao topspin. Quando a pressão cai, a bola fica “morta” e baixa. Quando o feltro se vai, a bola fica “viva” demais e rápida demais, voando para fora da quadra.
Nas bolas sem pressão, o problema é quase exclusivamente o feltro. O quique se mantém, mas depois de algumas horas de uso intenso, o feltro se achata e desaparece. A bola se transforma em uma rocha amarela e lisa, que é terrível para jogar e péssima para o seu braço. A “morte” da bola sem pressão não é o quique, é o feltro.
Regular Duty vs. Extra Duty: A Batalha do Saibro vs. Quadra Rápida
Para complicar um pouco mais o seu jogo, olhe de perto o tubo da próxima vez. Você pode ver as palavras “Extra Duty” ou “Regular Duty”. Isso se refere ao feltro, e está diretamente ligado ao tipo de quadra onde você joga. Não é frescura, é engenharia.
“Extra Duty” (ou “Dureza Extra”) é para quadras rápidas (cimento, asfalto). O feltro é mais espesso e contém mais lã e nylon para resistir à abrasão brutal da superfície dura. Se você usar uma bola “Regular Duty” na quadra rápida, o feltro vai desaparecer em três games.
“Regular Duty” (ou “Serviço Regular”) é para quadras de saibro ou grama (embora grama seja outra história). O feltro é mais fino. Por quê? Porque o saibro não desgasta o feltro, ele o suja e o deixa pesado. Um feltro “Extra Duty” no saibro absorveria muita umidade e pó de tijolo, ficando pesado e lento. O “Regular Duty” é feito para não “inchar” tanto. Usar a bola errada na superfície errada afeta drasticamente o jogo.
O Desgaste “Careca”: Quando a Bola Sem Pressão Morre
Como falamos, a bola sem pressão não “murcha”. Ela “fica careca”. Este é o seu ciclo de vida. No início, ela é pesada, lenta e o feltro é bom. Após muito uso (especialmente em máquina ou quadra rápida), o feltro se vai. O núcleo de borracha sólido ainda quica, mas agora a bola é lisa.
Uma bola “careca” e sem pressão é um objeto perigoso. Ela é rápida, imprevisível e não aceita nenhum efeito. Ela desliza no ar e quica de forma estranha. Para o professor, essa é a hora de aposentar a bola. Ela não serve mais para treino técnico, pois não replica em nada as condições de jogo.
Para o dono da máquina, é aqui que começa o dilema. As bolas ainda quicam, mas o jogo fica horrível. A minha recomendação? Quando o feltro das suas bolas sem pressão estiver visivelmente gasto, é hora de trocar o lote. A durabilidade do quique é infinita, mas a durabilidade do feltro (e da jogabilidade) não é.
Mitos e Verdades: O Que Ninguém te Conta no Vestiário
Para fechar nossa aula, vamos derrubar alguns mitos que eu ouço todo dia no clube. O vestiário é ótimo para fofoca, mas péssimo para conselhos técnicos. Vamos usar a ciência a nosso favor e acabar com as “dicas” erradas.
Existem muitas ideias erradas sobre bolas de tênis, especialmente sobre como economizar dinheiro ou sobre lesões. A maioria dessas ideias vem da falta de entendimento sobre a diferença fundamental entre o núcleo pressurizado e o núcleo sólido. Entender isso é a chave para não cair em truques.
Vamos analisar três dos mitos mais comuns. Preste atenção, pois isso pode salvar seu dinheiro e, mais importante, seu cotovelo. Não seja o aluno que repete a coisa errada.
“Pressurizador Salva Bola Velha?” – O Mito da Ressurreição
Você já deve ter visto aqueles tubos especiais ou tampas que “re-pressurizam” suas bolas. Vamos ser claros: um pressurizador não ressuscita uma bola “morta”. Ele não é uma máquina do tempo. A física não permite isso. Uma bola que já perdeu sua pressão interna não vai magicamente recuperá-la.
O que esses dispositivos fazem é manter a pressão. Funciona assim: você abre um tubo novo de bolas pressurizadas, joga, e imediatamente após o jogo, coloca as bolas no pressurizador. O dispositivo cria um ambiente de alta pressão fora da bola, igualando a pressão interna. Isso desacelera o vazamento. Ele faz sua bola nova durar, talvez, 3 ou 4 jogos em vez de 1 ou 2.
Portanto, ele é um conservador, não um ressuscitador. Se sua bola já está “murcha”, colocá-la em um pressurizador é como tentar encher um pneu furado. Não vai funcionar. É uma ferramenta útil para o jogador competitivo que quer extrair o máximo de um tubo caro, mas não faz milagres.
“Bola de Tênis Causa Tennis Elbow?” – A Relação com o Peso
Esse não é bem um mito, mas uma meia-verdade. A bola, sozinha, não causa tennis elbow. O que causa a lesão é uma combinação de técnica ruim, equipamento inadequado (tensão de corda errada, raquete muito rígida) e, sim, o tipo de bola.
A bola sem pressão (o “tijolo”) é uma grande contribuinte. Por ser mais pesada e dura, ela transmite uma onda de choque muito maior para o seu braço a cada impacto. Se você está treinando com uma máquina cheia dessas bolas, você está aplicando centenas desses “micro-traumas” ao seu cotovelo em uma única sessão.
Da mesma forma, uma bola pressurizada “morta” também é perigosa. Como ela não quica, você instintivamente tenta “levantá-la” usando mais o pulso ou batendo com mais força, o que sobrecarrega os músculos do antebraço. A bola ideal para a saúde do seu braço é uma bola pressurizada nova. Ela é leve, macia e absorve melhor o impacto.
“Toda Bola Amarela é Igual?” – A Diferença das Marcas
Este é o erro do iniciante. Pegar qualquer tubo amarelo na loja. Meu aluno, isso é um erro grave. A diferença de sensação entre uma Wilson US Open, uma Head Tour e uma Babolat Team é enorme. Cada marca tem sua própria “receita” de borracha e feltro.
Algumas marcas produzem bolas que são notoriamente mais rápidas. Outras fazem bolas mais “pesadas” e melhores para o controle. A durabilidade do feltro varia absurdamente. Você vai descobrir que seu topspin funciona melhor com uma marca, enquanto seu saque “anda” mais com outra.
A única forma de saber é testando. Não se prenda a uma marca só porque é a mais barata. Compre tubos diferentes. Sinta qual delas se encaixa no seu estilo de jogo e na sua quadra preferida. Quando você encontra a bola que “conversa” com a sua raquete, seu nível de confiança no golpe aumenta dez vezes.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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