As 5 Melhores raquetes de beach tennis para mulheres

E aí, tudo pronto para a aula de hoje? Vamos largar um pouco a quadra e falar de equipamento. Muita aluna chega para mim perguntando: “Professor, qual a melhor raquete de beach tennis para mulher?”. Parece uma pergunta simples, mas a resposta é complexa, muito mais do que apenas escolher a raquete rosa ou a mais leve da loja. Achar a raquete certa é como encontrar o timing perfeito para um smash. Se você erra a mão no equipamento, todo o seu jogo fica desequilibrado.

Muitas jogadoras, principalmente as que estão começando, acabam pegando a raquete do marido, do namorado ou a mais barata que encontram, e aí o jogo não flui. O braço dói, a bola não anda, o controle parece impossível. Isso acontece porque a raquete precisa ser uma extensão do seu braço. Ela precisa conversar com a sua força, com a sua velocidade de swing e com o seu estilo de jogo. Uma raquete errada pode atrasar sua evolução em meses.

Hoje, vamos dissecar esse assunto. Não vou apenas te dar uma lista de compras, vou te ensinar a ler uma raquete. Vamos analisar o que realmente importa para o jogo feminino, que geralmente é mais focado em cadência, controle e agilidade na rede do que na pura força bruta. Vamos olhar as cinco raquetes que eu mais recomendo para minhas alunas no momento e entender o porquê de cada uma. Prepara o bloco de notas, que a aula vai ser intensa.

O que “Raquete Feminina” Realmente Significa na Areia

Primeiro de tudo, vamos quebrar um mito. Não existe uma “raquete feminina” oficial. Não é como se as fábricas fizessem uma para homens e outra para mulheres. O que existe são características que, estatisticamente, se adaptam melhor ao biotipo e ao estilo de jogo mais comum das mulheres: agilidade, menos força bruta (comparado aos homens) e mais foco em controle e defesa.

Quando uma aluna me pede uma raquete “feminina”, ela está, sem saber, pedindo uma raquete que não vá destruir o ombro dela. Ela quer algo que permita trocar bolas por horas sem fadiga, que facilite a defesa rápida lá na rede e que ajude a colocar a bola onde ela quer. É menos sobre potência explosiva e mais sobre potência eficiente.

O mercado percebeu isso. Hoje, as marcas investem pesado em tecnologias que oferecem conforto e manuseabilidade, sem sacrificar totalmente a potência. Estamos falando de materiais mais leves, balanços diferentes e tratamentos de superfície que ajudam no efeito. Ignorar isso é como tentar jogar um slice com a empunhadura de forehand: simplesmente não funciona direito.

O Jogo do Equilíbrio: Peso e Balanço

Vamos começar pelo básico do básico: o peso. No beach tennis, o peso da raquete é sentido em cada voleio. Raquetes “pesadas” (acima de 340g) geram muita potência, sim, mas exigem muito do braço. Para a maioria das mulheres, uma raquete muito pesada vai causar fadiga rápida e, pior, pode levar a lesões como a epicondilite (o famoso “tennis elbow”). Elas são difíceis de “mexer” rápido na rede.

O ideal para a maioria das jogadoras é ficar na faixa dos 320g a 335g. Essa faixa oferece o melhor dos dois mundos. Você ainda tem massa suficiente para soltar o braço no saque e no smash, mas a raquete é leve o bastante para ser ágil nas defesas e nos voleios rápidos. Você consegue “armar” o golpe mais rápido, o que é crucial no beach tennis, onde tudo acontece muito perto.

Junto com o peso, vem o balanço (ou equilíbrio). Onde está o peso dessa raquete? Se o peso está mais na cabeça (balanço alto), ela gera mais potência, mas fica “pesada” na mão. Se o peso está mais no cabo (balanço baixo ou “cabeça leve”), ela fica muito mais manobrável, parecendo mais leve do que realmente é. Para mulheres, eu geralmente recomendo raquetes com balanço equilibrado (no meio) ou levemente voltado para o cabo, priorizando a velocidade da reação na rede.

A Escolha do Material: Conforto vs. Potência (Carbono vs. Fibra de Vidro)

Aqui a conversa fica técnica, mas é fundamental. A “casca” da sua raquete, a superfície, é feita geralmente de três coisas: Fibra de Vidro (Fiberglass), Carbono 3K, Carbono 12K ou Carbono 18K. Esqueça os números por um segundo e pense assim: Fibra de Vidro é um material mais macio e elástico. Carbono é um material mais duro e rígido.

Uma raquete de Fibra de Vidro vai ser mais “macia” de bater. Ela absorve mais o impacto e “joga” a bola para você. Isso é ótimo para iniciantes e para quem busca conforto máximo. A bola “funda” na raquete e sai com velocidade, mesmo sem você fazer muita força. A desvantagem? Você perde um pouco de controle e precisão nos golpes mais potentes.

Já o Carbono (3K, 12K, etc.) é o oposto. Ele é rígido. A bola bate e sai rápido, “seca”. Isso dá um controle absurdo. Você sente exatamente onde a bola pegou e consegue direcionar o golpe com precisão cirúrgica. O Carbono 12K, por exemplo, é muito rígido e potente, mas exige que você gere a força. Se você não tiver um swing rápido e uma boa técnica, a bola simplesmente não anda. Para jogadoras avançadas que gostam de “sentir” a bola, o carbono é o caminho.

O Tratamento da Face: Controlando o “Spin”

Você já deve ter visto aquelas raquetes com a superfície áspera, parecendo uma lixa. Isso é o “tratamento”. Antigamente, os jogadores passavam areia com cola na raquete para dar mais efeito (o spin). Hoje, as fábricas já fazem isso com texturas, pinturas em relevo ou jatos de areia especiais. Esse tratamento não é frescura, ele é uma arma.

Essa aspereza “agarra” a bola por uma fração de segundo a mais no impacto. O resultado? Você consegue gerar muito mais efeito topspin (para a bola cair dentro da quadra) ou slice (para “fatiar” a bola e dificultar a devolução do adversário). Para o jogo feminino, onde a variação de golpes é tão importante quanto a força, ter um bom tratamento na raquete faz uma diferença enorme.

Ele ajuda muito no saque, permitindo que você “desenhe” a trajetória da bola, e também nos drops (as curtinhas). Uma raquete sem tratamento tende a soltar a bola mais “plana”, o que limita seu arsenal de golpes. Se você quer evoluir daquela jogadora que só “passa a bola” para uma jogadora que constrói o ponto, invista em uma raquete com um bom tratamento de superfície.

A Aula Prática: O Top 5 para Elas

Entendido a teoria? Ótimo. Agora vamos ver como isso se aplica na prática. Eu separei cinco modelos que tenho visto muito nas quadras e que minhas alunas têm aprovado. Note que eu classifiquei pelo estilo de jogo que elas favorecem, porque a “melhor” é sempre aquela que se encaixa no seu jogo. Vamos analisar o “Top 5” do professor.

É importante notar que os modelos mudam rápido, as marcas lançam versões novas todo ano (2024, 2025…). Não se apegue tanto ao nome exato do ano, mas sim às características que fazem dela uma boa escolha. Eu procurei selecionar raquetes que cobrem desde a iniciante até a avançada, focando no que conversamos: peso, balanço e material adequados para o jogo feminino.

Lembre-se: se possível, teste a raquete antes de comprar. Muitas lojas e clubes oferecem raquetes de teste. O que é perfeito para sua amiga pode não ser para você. A sensação na mão, o “som” da batida, tudo isso é muito pessoal. Mas essa lista é o ponto de partida perfeito para você saber o que procurar.

A Escolha de Potência: Shark Predator Pro 2024/2025

Se você é uma jogadora que já tem uma boa técnica, gosta de definir o ponto e quer uma “arma” na mão, a linha Predator da Shark é uma referência. O modelo Pro 2024 (ou o mais recente 2025) é feito em Carbono 12K. Isso significa que ela é bem rígida. A batida é “seca” e a potência de definição é enorme. Se você pegar firme no smash, a bola vai cair como uma pedra.

Shark Predator Pro 2024/2025
Shark Predator Pro 2024/2025

O peso dela fica na casa dos 330g (+/- 10g), o que eu considero o limite superior ideal para mulheres, mas seu balanço é equilibrado. Ela não “cai” para a cabeça, o que ajuda a não cansar tanto o braço. O tratamento de superfície dela também é muito bom, ajudando a colocar peso e efeito nos saques e golpes de fundo.

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Porém, ela não é uma raquete para quem está começando. Por ser de Carbono 12K e ter um núcleo de EVA mais firme (EVA Soft Pro), ela não “solta” a bola sozinha. Ela exige que você faça o movimento correto e tenha um bom swing. Se você tem um braço mais lento ou está aprendendo os fundamentos, vai sentir a bola “travar” e pode até sentir desconforto no cotovelo. É uma raquete para quem joga para frente e gosta de atacar.

A Escolha de Controle e Conforto: Sexy Butterfly III (ou similar)

A marca Sexy (agora rebatizada) sempre foi famosa por um motivo: as raquetes são incrivelmente confortáveis e focadas no público feminino, não só no design, mas nas especificações. O modelo Butterfly III (ou modelos equivalentes atuais, como os da Kona) é um exemplo clássico de raquete de controle. Ela geralmente é feita com materiais mais macios, como Carbono 3K ou até uma mistura com Fibra de Vidro.

Sexy Butterfly III
Sexy Butterfly III

O grande trunfo aqui é o núcleo de EVA “Soft” ou “Extra Soft”. Isso faz com que a raquete absorva muito o impacto. A sensação é de estar batendo com um travesseiro. A bola entra na raquete e é cuspida de volta com conforto. Isso é excelente para quem tem dores no cotovelo ou no ombro e para quem passa horas jogando torneios.

A manuseabilidade é o ponto forte. Com peso geralmente mais baixo (320-330g) e balanço equilibrado ou voltado para o cabo, ela é muito rápida na rede. Você consegue reagir e defender bolas difíceis com facilidade. A desvantagem é a potência final. Você não vai ter aquele smash fulminante. É uma raquete para quem joga com inteligência, usando o controle e a variação para ganhar o ponto, e não a força bruta.

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A Escolha Intermediária (Custo-Benefício): Adidas BT 3.0 (ou Adipower)

A Adidas entrou com força no beach tennis e acertou a mão em vários modelos. A linha BT 3.0 ou as versões da linha Adipower (como a Light) são excelentes opções de custo-benefício para a jogadora intermediária. Elas oferecem um pacote completo de tecnologias de marcas de ponta, mas com um preço geralmente mais acessível que as raquetes “boutique”.

Adidas BT 3.0
Adidas BT 3.0

O que eu gosto nesses modelos é o equilíbrio. Elas costumam usar Fibra de Vidro ou Carbono de baixa densidade (como o 3K) na face, combinado com um EVA Soft. Isso cria uma raquete muito “amigável”. Ela tem uma saída de bola ótima (não precisa fazer força), tem um sweet spot (área de batida ideal) bem generoso, perdoando os golpes fora do centro.

Elas também costumam ter um peso muito bom para mulheres, variando de 320g a 335g. São raquetes que te ajudam a evoluir. Elas têm controle suficiente para você começar a direcionar melhor seus golpes e potência suficiente para quando você soltar o braço. É a raquete perfeita para sair do nível iniciante e começar a competir em categorias intermediárias.

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A Escolha para Iniciantes (Manuseio): Shark Cyclone / Ultra

Voltando para a Shark, os modelos de entrada como a Cyclone ou a Ultra são fantásticos para quem está começando. O motivo é simples: elas são feitas 100% em Fibra de Vidro (Fiberglass). Lembra da nossa aula sobre materiais? A Fibra de Vidro é macia, elástica e confortável. Ela ajuda a “soltar” a bola, o que é tudo que a iniciante precisa.

Shark Cyclone / Ultra
Shark Cyclone / Ultra

Quando você está começando, seu movimento ainda é curto, você não tem a aceleração de braço de uma jogadora avançada. Se você pegar uma raquete de carbono, a bola não vai passar da rede. A Cyclone “abraça” a bola e a devolve com velocidade. Isso te dá confiança. Além disso, ela absorve toda a vibração, protegendo seu braço enquanto você aprende os golpes.

Elas são leves (abaixo de 330g) e geralmente têm um balanço equilibrado, facilitando muito o manuseio. O preço também é um grande atrativo. Não faz sentido gastar uma fortuna em uma raquete de Carbono 18K se você ainda está aprendendo a sacar. Comece com uma raquete como a Cyclone, desenvolva seus golpes, e só então pense em um upgrade.

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A Escolha de Design e Performance: Mormaii Beats / Vitoria Marchesini

Não podemos negar que o design é importante. O beach tennis é um esporte de estilo, e as mulheres, especialmente, gostam de um equipamento bonito. A Mormaii acertou em cheio com a linha Beats e, mais recentemente, com as raquetes assinadas por atletas, como a Vitoria Marchesini. Elas são, francamente, lindas. Mas não são só um rostinho bonito.

 Mormaii Beats
Mormaii Beats

Essas raquetes conseguem unir performance e estética. O modelo Vitoria Marchesini 2024/2025, por exemplo, é uma raquete de Carbono 12K, voltada para performance. É uma raquete firme, de potência, para a jogadora que gosta de atacar, mas com um design que se destaca na areia. A linha Beats, por outro lado, costuma ser mais intermediária, muitas vezes usando Carbono 3K.

O legal dessas linhas é que elas são pensadas para o público feminino desde o início. O peso é controlado (raramente passam de 330g), o balanço é otimizado para agilidade e o grip já vem pensado para uma mão talvez um pouco menor. É a prova de que você não precisa escolher entre uma raquete bonita e uma raquete boa. Você pode ter os dois.

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O “Swing” Certo: Como seu Estilo de Jogo Define a Raquete

Agora que você conhece a teoria e viu alguns modelos, precisamos falar sobre a peça mais importante desse quebra-cabeça: você. Não adianta eu te recomendar a raquete do campeão mundial se você tem um estilo de jogo totalmente diferente. A raquete é uma ferramenta, e você precisa escolher a ferramenta certa para o seu trabalho na quadra.

Você é aquela jogadora que fica mais no fundo, preparando o ponto, esperando a bola subir para o smash? Ou você é a “paredão” da rede, que bloqueia tudo e define o ponto com voleios rápidos? Ou você é a jogadora híbrida, que faz um pouco de tudo? Sua resposta para isso vai te direcionar para um caminho completamente diferente na escolha do material.

Entender seu estilo predominante é o primeiro passo para filtrar as dezenas de opções no mercado. Uma jogadora de defesa precisa de uma raquete rápida (leve), enquanto uma jogadora de ataque pode se beneficiar de uma raquete com mais peso na cabeça (potência). Vamos analisar esses perfis.

Você é uma Jogadora de Fundo de Quadra (Potência)

A jogadora de fundo de quadra é a base do time. É ela quem faz o trabalho pesado, quem troca bolas longas, quem prepara o ataque e quem solta o braço no smash quando a bola sobe. Se esse é seu perfil, você precisa de uma raquete que te dê “peso” de bola. Sua prioridade é a potência e a estabilidade.

Para esse estilo, raquetes um pouco mais pesadas (330g a 340g) e com balanço equilibrado ou levemente na cabeça são interessantes. Elas ajudam a gerar potência sem que você precise “matar” o braço em todo golpe. O material aqui é crucial: o Carbono (12K ou até mais rígido) é seu amigo. A rigidez do carbono transfere 100% da força do seu swing para a bola.

O núcleo da raquete (o EVA) pode ser um pouco mais firme (Médio ou Soft Pro). Isso te dará mais controle sobre essa potência toda. Raquetes muito macias (de Fibra de Vidro) vão te dar a sensação de que a bola “morre” no smash ou que você perde o controle da direção quando bate forte. Você precisa de uma ferramenta sólida, que aguente o impacto e direcione a bola com agressividade.

Você é uma Jogadora de Rede (Defesa e Voleio Rápido)

Se você é a jogadora que adora ficar na rede, bloqueando, reagindo rápido e fechando os ângulos, sua necessidade é o oposto da jogadora de fundo. Sua prioridade número um é manuseabilidade. A raquete precisa ser uma extensão da sua mão, tem que ser rápida. O tempo de reação na rede é medido em milissegundos.

Você deve procurar raquetes mais leves (abaixo de 330g) e, o mais importante, com balanço baixo (peso no cabo). Uma raquete com peso na cabeça vai te atrasar nos bloqueios e voleios. Você vai sentir a raquete “pesada” para armar, e a bola vai passar. A leveza te permite mexer a raquete com velocidade de um lado para o outro.

Materiais mais macios, como Carbono 3K ou Fibra de Vidro, são muito bem-vindos aqui. Eles te dão mais “toque” e sensibilidade, o que é ótimo para os voleios curtos e defesas precisas. O EVA Soft também ajuda, absorvendo o impacto dos smashes adversários e te dando tempo de devolver a bola com controle, em vez de apenas rebatê-la para fora.

A “Misturadora”: Adaptando a Raquete ao Jogo Híbrido

A maioria das jogadoras amadoras se encaixa aqui. Você não é nem 100% ataque, nem 100% defesa. Você joga na direita e na esquerda, saca, voleia e dá smash. Você precisa de uma raquete que faça tudo “nota 7”. Ela não precisa ser a melhor em potência, nem a melhor em controle, mas precisa ser boa em ambos. Esse é o perfil da jogadora “híbrida” ou all-around.

Para você, o caminho é o equilíbrio. Procure raquetes na faixa de peso intermediária (325g a 335g) e com balanço equilibrado. Esse é o segredo. O balanço no meio da raquete te dá potência suficiente do fundo de quadra, mas não compromete totalmente sua agilidade na rede.

O material ideal para esse perfil é o Carbono 3K ou o que as marcas chamam de “Carbon-Glass” (uma mistura de carbono e fibra de vidro). O Carbono 3K oferece uma ótima sensação, com controle e boa potência, sem ser duro ou desconfortável como o 12K. Combinado com um EVA Soft, você tem a raquete perfeita: ela solta a bola quando você precisa, mas te dá firmeza quando você ataca.

Evitando o “Tennis Elbow” (Epicondilite) no Beach Tennis

Vamos fazer uma pausa para falar de saúde. Esse é um assunto sério que eu vejo toda semana nas quadras. Alunas (e alunos) com aquela faixa de compressão no cotovelo, reclamando de dor. O “Tennis Elbow”, ou epicondilite lateral, é uma inflamação dos tendões do antebraço causada por esforço repetitivo. E no beach tennis, a culpa muitas vezes cai na raquete errada.

O beach tennis é menos agressivo para o cotovelo do que o tênis de quadra, pois o impacto é menor e não há o kick das cordas. Mesmo assim, a vibração existe. Se sua raquete não absorve bem o impacto, toda essa vibração é transferida para o seu braço. Repita isso centenas de vezes por jogo, e a lesão aparece.

Escolher uma raquete pensando no conforto não é frescura, é inteligência. É o que vai te manter jogando por anos sem dor. Vários fatores na raquete influenciam isso, mas o principal é o núcleo (o EVA), o material da face e, claro, a sua técnica. Vamos detalhar como evitar que sua raquete se torne sua inimiga.

O Papel do EVA (Soft vs. Hard) na Absorção de Impacto

O “recheio” da sua raquete é feito de espuma EVA. A densidade dessa espuma é o fator número um na absorção de impacto. Pense no EVA “Hard” (Duro) como uma parede de tijolos e no EVA “Soft” (Macio) como um colchão. Se você jogar uma bola na parede, ela volta rápido e com muita vibração. Se jogar no colchão, ele absorve o impacto e devolve a bola mais devagar.

Para quem tem ou quer evitar o “Tennis Elbow”, raquetes com EVA Soft ou Extra Soft são obrigatórias. Elas funcionam como um amortecedor. A bola afunda na raquete, a espuma absorve a vibração do impacto, e só depois ela expele a bola. Você perde um pouco de potência “seca”, mas ganha um conforto incomparável.

Raquetes de Fibra de Vidro quase sempre são combinadas com EVA Soft, tornando-as as campeãs do conforto. Raquetes de Carbono avançadas às vezes usam EVA mais firme (Soft Pro ou Médio) para aumentar o controle, mas isso as torna mais “exigentes” para o braço. Se a dor no cotovelo é uma realidade para você, fuja de raquetes muito duras.

A Importância do Overgrip Correto

Isso é algo que 90% dos jogadores amadores ignoram. A espessura do cabo (do grip) é fundamental para a saúde do seu cotovelo. Se o cabo da sua raquete for muito fino para sua mão, o que você faz instintivamente? Você aperta a raquete com muito mais força do que o necessário para que ela não gire na sua mão.

Esse aperto constante gera uma tensão enorme nos músculos do antebraço, que são exatamente os músculos que inflamam na epicondilite. A solução é simples: use overgrips. O overgrip é aquela fita fina que você enrola por cima do grip original. Se você acha que está apertando muito a raquete, experimente adicionar um ou dois overgrips para deixar o cabo mais grosso.

A regra geral é que deve haver um pequeno espaço (cerca de um dedo) entre a ponta dos seus dedos e a “almofada” da sua mão quando você segura a raquete. O cabo não pode ser nem tão fino que você precise “esmagá-lo”, nem tão grosso que você perca a sensibilidade e a mobilidade do punho. Ajustar o grip é o “investimento” mais barato e eficiente na prevenção de lesões.

Técnica x Equipamento: Onde a Raquete Errada Causa Lesão

Eu preciso ser honesto com você como seu professor: às vezes, a culpa não é só da raquete. Na maioria das vezes, a lesão é uma combinação de equipamento inadequado com técnica ruim. O erro mais comum que vejo é o “soco” ou o ” tapa” na bola, usando apenas a força do antebraço e do punho, em vez de usar o corpo.

Quando você bate na bola com o cotovelo “travado” ou usando apenas o braço, todo o impacto volta para o cotovelo. A técnica correta do beach tennis (e do tênis) envolve usar o ombro, a rotação do tronco e a transferência de peso do corpo. O braço é apenas o “chicote” que finaliza o movimento. Uma raquete muito pesada para você vai te forçar a usar a técnica errada, porque você não aguenta fazer o swing completo.

É um ciclo vicioso: a raquete pesada te cansa, você começa a bater “curto” e “socando” a bola, esse movimento errado sobrecarrega seu cotovelo, e a raquete (que já é inadequada) não absorve essa vibração. A solução? Faça aulas. Ajuste sua técnica. E escolha uma raquete (mais leve, com EVA Soft) que permita que você execute o movimento correto sem fadiga.

Comparativo Rápido: Colocando as Gigantes Lado a Lado

Para fechar nossa aula, vamos colocar três dos perfis de raquete que discutimos lado a lado. Vamos pegar “A Escolha de Potência” (Shark Predator), “A Escolha de Controle” (Sexy Butterfly/Kona) e “A Escolha Custo-Benefício” (Adidas BT 3.0). Isso vai te ajudar a visualizar as diferenças de forma clara.

Lembre-se, não há “vencedora” aqui. A melhor é aquela que preenche os requisitos do seu jogo. Olhe para essa tabela e pense: “Onde eu me encaixo? O que eu estou buscando hoje? Potência para definir? Conforto para jogar o dia todo? Ou um pouco de tudo para evoluir?”.

O equipamento certo não vai te transformar em uma profissional da noite para o dia. Mas o equipamento errado com certeza vai te impedir de chegar lá. Analise, teste e escolha com sabedoria. Seu jogo e seu cotovelo agradecem.

Tabela Comparativa de Perfis de Raquete

CaracterísticaPerfil Potência (Ex: Shark Predator 12K)Perfil Controle (Ex: Sexy Butterfly / Kona)Perfil Híbrido (Ex: Adidas BT 3.0)
Material da FaceCarbono 12K (ou 18K)Carbono 3K ou Fibra de VidroFibra de Vidro ou Carbono 3K
Núcleo (EVA)Firme (EVA Soft Pro / Médio)Macio (EVA Soft / Extra Soft)Macio (EVA Soft)
Sensação da BatidaSeca, dura, precisaMacia, “elástica”, confortávelEquilibrada, bom “toque”
Potência10/10 (Exige força do jogador)6/10 (Boa saída de bola, mas limita o smash)8/10 (Ótima saída de bola)
Controle9/10 (Muito preciso se bater certo)10/10 (Fácil de direcionar)8/10 (Bom controle e generoso)
Conforto (Braço)Baixo (Pode cansar/lesionar)Alto (Excelente absorção de impacto)Alto (Muito confortável)
Ideal ParaJogadora avançada, agressiva, de fundoJogadora defensiva, de rede, com doresJogadora iniciante a intermediária, all-around

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