As 5 Melhores raquetes de beach tennis para homens

Opa, chega mais. Senta aí. Vamos falar sério sobre o que você está carregando para a quadra. Recebo muito aluno aqui, principalmente homem, com o braço doendo, ou com o smash “quadrado”, sem entender o porquê. Nove em cada dez vezes, o problema não é (só) o seu golpe, é a ferramenta. Você não tenta apertar um parafuso com um martelo, certo? No beach tennis, a lógica é a mesma. A raquete é uma extensão do seu braço. Se você é um jogador que busca potência, que gosta de definir o ponto lá de trás ou fechar a rede com agressividade, você precisa de uma arma que acompanhe esse ritmo.

Muitas raquetes no mercado são feitas para “todos”, o que significa que elas não são ótimas para “ninguém” especificamente. Para o jogo masculino, que geralmente envolve mais força bruta e uma necessidade maior de controle direcional para dominar essa força, a escolha é crucial. Estamos falando de materiais mais rígidos, balanços específicos e tratamentos de superfície que fazem a bola girar como se tivesse vida própria. Não adianta ter o motor de uma Ferrari (seu braço) no chassi de um carro popular (uma raquete inadequada).

Hoje, vamos dissecar o que realmente importa na hora de escolher sua próxima “arma” e analisar cinco modelos que eu, como seu professor, coloco a mão no fogo. Vamos esquecer o marketing bonito e focar na física, na sensação e no resultado prático lá na areia. Preste atenção, porque entender isso vai mudar seu jogo da água para o vinho.

Antes de Sacar: O que Define uma Raquete “Masculina” de Alta Performance

Antes de você sair gastando o dinheiro que economizou para o torneio, precisamos alinhar o vocabulário. Não existe oficialmente uma raquete “masculina” ou “feminina”, mas o mercado e a física do jogo nos levam a certas conclusões. Jogadores masculinos, especialmente em níveis avançados, tendem a gerar mais velocidade de braço. O que você precisa é de uma raquete que converta essa velocidade em potência controlada. Se a raquete for mole demais, você perde potência (como bater com um travesseiro). Se for dura demais e você não tiver o braço calibrado, a bola vai para o vizinho e seu cotovelo vai para o fisioterapeuta.

O equilíbrio é a palavra-chave. Você precisa de rigidez para que a bola “exploda” na raquete, mas também de um mínimo de absorção para não sentir que está batendo com uma tábua de madeira. É um balé delicado entre o material do núcleo (o EVA), o material da face (o carbono) e o peso total. Uma raquete de alta performance para um jogo agressivo geralmente é mais pesada, tem o balanço voltado para a cabeça e uma face mais rígida. Isso é o oposto do que um iniciante precisa, que seria uma raquete leve, macia e com balanço no cabo, para facilitar o manuseio.

Portanto, quando falo em raquetes para homens, estou me referindo a jogadores que já passaram da fase do “só quero passar a bola” e entraram na fase do “quero definir o ponto”. São ferramentas que exigem mais do seu físico e da sua técnica, mas que devolvem essa exigência com uma performance que raquetes de entrada ou intermediárias simplesmente não conseguem entregar. Se você está nesse nível, continue lendo.

O Jogo de Potência: Carbono 3k, 12k ou 18k?

Preste atenção aqui, que essa é a “alma” da sua raquete. Quando você vê “3k”, “12k” ou “18k”, estamos falando da quantidade de filamentos de carbono por trama no revestimento da face. Pense nisso como a contagem de fios de um lençol. Menos “K” (como 3K) significa menos filamentos, o que torna a trama mais grossa e, paradoxalmente, mais rígida e seca. Mais “K” (como 12K ou 18K) significa mais filamentos, uma trama mais fina, mais flexível e que “abraça” mais a bola. É o contrário do que muito vendedor desinformado vai te dizer.

Então, qual a sua escolha? Se você é um canhão humano, um jogador que já tem força de sobra e bate na bola como se não houvesse amanhã, uma raquete de Carbono 3K pode ser sua melhor amiga. Ela é dura, seca, e a bola sai como um tiro. A resposta é imediata. Você vai sentir a bola no braço, mas o controle direcional e a potência bruta são incomparáveis. É a escolha de muitos profissionais que gostam desse “feedback” instantâneo.

Por outro lado, se você é um jogador forte, mas que gosta de sentir a bola “afundar” um pouco mais na raquete antes de soltá-la, o Carbono 12K ou 18K é o seu caminho. O 12K é o ponto de equilíbrio perfeito para muitos. Ele é mais flexível que o 3K, o que gera o chamado “efeito mola” (ou chicote). Você sente que a raquete “joga” junto com você, especialmente em golpes de fundo de quadra. O 18K leva isso ao extremo, sendo ainda mais macio, favorecendo quem gosta de um jogo com mais sensibilidade e conforto, sem abrir mão da estrutura de carbono.

O Balanço é Tudo: Onde o Peso da Raquete te Ajuda

Vamos falar de física básica. O balanço (balance) é simplesmente o ponto de equilíbrio da sua raquete. Existem três tipos: balanço alto (na cabeça), balanço equilibrado (no meio) e balanço baixo (no cabo). Para o jogo agressivo que estamos discutindo, o balanço na cabeça ou ligeiramente acima do meio (head-heavy) é o que você procura. Pense em um martelo: você não bate o prego segurando perto da cabeça de metal, você segura no cabo para gerar alavanca. O peso na ponta da raquete faz exatamente isso.

Uma raquete com balanço na cabeça multiplica a força do seu braço no smash e no saque. Você sentirá que a raquete “cai” em direção à bola com mais autoridade. Isso é excelente para quem joga na esquerda (para destros) e precisa definir os pontos com golpes por cima da cabeça. A raquete faz parte do trabalho pesado para você. No entanto, existe um preço a pagar por essa potência. Raquetes com balanço alto são, por definição, menos manuseáveis.

O “preço” é pago nas trocas rápidas na rede e na defesa. Você precisa ter um braço forte e reflexos rápidos para mover uma raquete “cabeçuda” a tempo de bloquear um smash ou fazer uma defesa ágil. Se o seu jogo é mais cadenciado, ou se você sente o pulso no fim do dia, talvez um balanço mais equilibrado (central) seja melhor, mesmo que sacrifique um pouco daquela potência “gratuita” no smash.

O “Grit”: Entendendo o Tratamento da Superfície para Efeito

Você já viu aqueles jogadores que sacam e a bola parece que “mergulha” no final? Ou que dão um slice que faz a bola parar morta na areia? Isso não é mágica, é física, e o tratamento da superfície da raquete é o grande responsável. O “grit” (aspereza) é uma textura, parecida com uma lixa fina, aplicada na face da raquete. A função dela é uma só: agarrar a bola por uma fração de segundo a mais e gerar rotação (spin).

Para o jogo masculino, onde o saque com efeito (slice ou topspin) é uma arma tática para tirar o oponente da quadra, uma superfície áspera é fundamental. Ela permite que você “raspe” a bola no saque, fazendo-a desviar do oponente. Nos golpes de fundo, ela ajuda a criar o topspin necessário para que aquele seu golpe mais forte passe alto da rede, mas “caia” dentro da quadra. Sem o tratamento, a bola tende a sair mais “plana” (flat), o que exige uma mira perfeita.

Existem diferentes tipos de tratamento. Alguns são aplicados como uma película (parece areia), outros são feitos no próprio molde da raquete (relevos 3D). Os tratamentos de “areia” tendem a ser mais agressivos no início, mas desgastam com o tempo. Os tratamentos em relevo duram mais, mas podem não “agarrar” tanto quanto a areia. A escolha aqui é pessoal, mas para um jogo agressivo, algum tipo de tratamento é quase obrigatório.

O Top 5 do Professor: Análise Tática das Armas

Muito bem, agora que você já sabe a teoria, vamos para a prática. Separei cinco raquetes que estão dominando as quadras profissionais e amadoras de alto nível. Cada uma tem uma personalidade diferente. Pense nelas como ferramentas diferentes para trabalhos diferentes. Nenhuma é “a melhor” em tudo, mas uma delas com certeza será a “melhor para você”.

Analise o que eu vou dizer não só pelo material, mas pela sensação que ela deve te passar. O beach tennis é um jogo de toque, de feeling. Você precisa confiar na sua raquete. Se você pegar a raquete e sentir que ela é uma continuação natural do seu braço, você achou o seu par. Se ela parecer estranha, pesada demais ou leve demais, não adianta insistir só porque o profissional “tal” usa.

Vamos quebrar o jogo de cada uma delas. Vou falar sobre a potência, o controle, o conforto e para qual estilo de jogo eu recomendo cada modelo. Preste atenção nas nuances, pois são elas que decidem um match point.

1. Total PRO Carbono 12k Sunset (A Artilharia Pesada)

Se você me perguntar qual raquete define “potência”, essa é a resposta. A Total Pro 12k virou uma febre por um motivo simples: ela solta o braço. O carbono 12K, combinado com um EVA Black (que é um pouco mais rígido), cria uma plataforma de lançamento. A bola explode. É uma raquete feita para quem gosta de definir o ponto com uma ou duas pancadas. O smash com essa raquete é algo para ser estudado.

Total PRO Carbono 12k Sunset
Total PRO Carbono 12k Sunset

O ponto doce (a área ideal de batida) dela é bem generoso, o que ajuda mesmo em dias que a técnica não está 100%. O balanço dela é equilibrado para levemente na cabeça, o que ajuda a “empurrar” a bola no fundo de quadra. Você vai sentir que seus lobs ganham profundidade sem você precisar fazer força extra. A superfície dela também tem um tratamento áspero muito eficaz, o que ajuda a colocar efeito e controlar toda essa potência.

Onde ela “pede” de você? No controle fino. Por ser uma raquete tão potente, se você não tiver uma mão calibrada, as curtinhas (drops) podem flutuar um pouco, e a bola pode “andar” mais do que o esperado na defesa. Ela é uma ferramenta de ataque. Eu recomendo para o jogador de esquerda que é o “canhão” da dupla, aquele que assume a responsabilidade de finalizar os pontos.

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2. Shark Predator 2025 (A Agressividade Controlada)

A Shark é uma marca que respira beach tennis, e a linha Predator é o carro-chefe deles. Esse modelo é a definição de uma raquete “all-around” profissional. Ela não é a mais potente de todas, nem a com mais controle, mas ela faz tudo em um nível 9/10. É a escolha do jogador inteligente, que sabe a hora de atacar e a hora de defender.

Shark Predator 2025
Shark Predator 2025

Feita geralmente em Carbono 3K, ela tem uma batida mais seca e direta, como falamos antes. Você sente a bola. Isso é fantástico para a defesa e para o voleio. Você sabe exatamente onde a bola bateu e consegue direcioná-la com precisão. Onde ela surpreende é na potência. Mesmo sendo 3K (mais rígida), o projeto da raquete (shape e EVA interno) consegue gerar uma velocidade muito alta na bola.

Eu costumo dizer que a Predator é a raquete do jogador de direita (o “construtor”) que também gosta de definir. Ela é rápida de manusear na rede, excelente para bloqueios e curtinhas, mas não te deixa na mão quando você precisa soltar o braço lá do fundo. É uma raquete que exige um pouco mais de técnica do que a Total Pro, mas que devolve com muito mais controle tático.

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3. Mormaii Kevlar Pro XXII (A Muralha Defensiva)

Aqui temos algo diferente. A Mormaii usou Kevlar na composição, o mesmo material de coletes à prova de bala. O que isso significa no jogo? Durabilidade e, principalmente, absorção de impacto. Essa raquete é uma “muralha”. É a raquete mais confortável desta lista, sem dúvida. Se você tem histórico de “tennis elbow” (dor no cotovelo) ou simplesmente quer proteger o braço, olhe para esta.

Mormaii Kevlar Pro XXII
Mormaii Kevlar Pro XXII

A batida dela é macia, quase um “soco de luva de boxe”. Ela absorve o impacto do smash do adversário e devolve a bola com controle. O Kevlar, misturado ao carbono, dá uma sensação única de firmeza. Ela não vibra. Para o jogador de direita que tem a missão de defender tudo, preparar o ponto e errar o mínimo possível, essa raquete é um achado. Você vai sentir uma confiança absurda nos bloqueios.

O “problema” do Kevlar é que ele “amortece” a bola. Ela não é uma raquete de potência explosiva. Você vai precisar usar mais o seu corpo e a sua técnica para gerar velocidade no smash. Ela não vai te dar pontos de graça no ataque. É uma raquete para jogadores pacientes, estrategistas e que vencem o jogo no cansaço do adversário.

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4. Drop Shot Premium 4.0 (A Precisão Cirúrgica)

A Drop Shot é uma marca espanhola que vem do Padel, e eles sabem o que fazem. A linha Premium é sinônimo de tecnologia. Esta raquete é para o jogador “chato”, no bom sentido. Aquele que coloca a bola a um centímetro da linha, que dá curtinhas que morrem na rede e que faz o adversário correr o tempo todo. A palavra aqui é precisão.

Drop Shot Premium 4.0
Drop Shot Premium 4.0

O diferencial dela é a combinação de materiais. Ela usa o Carbono 24K (ainda mais flexível) com tecnologias internas (como o Cork Grip, cortiça no cabo) que eliminam vibração e aumentam o ponto doce. A sensação é de controle absoluto. Você mira na “moeda” e a raquete te ajuda a acertar. É uma raquete fantástica para quem joga na direita e tem um vasto repertório de golpes.

Assim como a Mormaii, ela não é um canhão. A potência dela é gerada através do “efeito chicote” do carbono 24K, e não de uma batida seca. Você precisa “acompanhar” o golpe, deixar a raquete trabalhar. Se você tentar só “bater” na bola, ela não vai andar. Mas se você tiver a técnica refinada, vai conseguir ângulos que nenhuma outra raquete proporciona.

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5. Adidas Metalbone Team H14 (A Versatilidade Moderna)

A Adidas entrou forte no beach tennis trazendo a tecnologia do Padel. A linha Metalbone é famosa pela “Weight & Balance System”, onde você pode adicionar ou remover pesos na cabeça da raquete, customizando o balanço. Esse modelo “Team” é uma versão mais acessível, mas que carrega o DNA da linha: versatilidade.

Adidas Metalbone Team H14
Adidas Metalbone Team H14

É uma raquete com um “shape” (formato) mais moderno, com o coração desenhado para máxima aerodinâmica. Ela é rápida, leve de sentir, mas com uma estrutura rígida (geralmente Fibra de Vidro reforçada com Carbono, ou Carbono 6k) que entrega uma potência muito honesta. Ela se encaixa bem para o jogador intermediário-avançado que ainda está descobrindo seu estilo de jogo.

O grande trunfo dela é a facilidade. É uma raquete fácil de jogar. Você pega e em cinco minutos já está adaptado. O ponto doce é amplo e o balanço é muito equilibrado. Ela não vai ser a melhor em potência (como a Total Pro) nem a melhor em controle (como a Drop Shot), mas ela te permite sacar forte, defender bem e volear com agilidade. É a “canivete suíço” da lista.

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Raquete na Mão: Comparativo Direto no “Ponto a Ponto”

Sei que foi muita informação. Às vezes, colocar lado a lado ajuda a visualizar melhor. Pense que estamos na loja, e eu coloquei as cinco raquetes no balcão para você comparar. A “Nota de Potência” é o quão fácil ela gera velocidade. O “Controle” é a precisão em golpes finos. O “Conforto” é o nível de vibração e absorção de impacto no braço.

Lembre-se, notas altas em potência geralmente significam notas mais baixas em controle, e vice-versa. O “santo graal” é achar o equilíbrio que funciona para o seu jogo. Não adianta nada uma raquete 10/10 em potência se você não acerta a bola dentro da quadra. A melhor raquete é aquela que te faz errar menos e acertar mais.

Aqui está o quadro comparativo. Use isso como um guia tático para sua decisão final.

ModeloMaterial PrincipalBalanço (Tendência)Dureza (Batida)Foco Principal
Total PRO 12k SunsetCarbono 12KEquilibrado / CabeçaMédia-RígidaPotência Explosiva
Shark Predator 2025Carbono 3KEquilibradoRígida / SecaAgressividade + Controle
Mormaii Kevlar Pro XXIIKevlar + CarbonoEquilibrado / CaboMaciaConforto e Defesa
Drop Shot Premium 4.0Carbono 24KEquilibradoMédia-MaciaPrecisão e Efeito
Adidas Metalbone TeamCarbono / Fibra VidroEquilibradoMédiaVersatilidade (All-Around)

Além do Carbono: Ajustando sua Raquete para o Próximo Nível

Ótimo, você escolheu sua raquete. Acha que acabou? Nem pensar. Comprar uma raquete profissional e usá-la “pura”, saída da loja, é como comprar um carro de corrida e não ajustar o banco. A raquete é só metade do caminho. A verdadeira personalização, o “fit” fino que vai deixá-la perfeita para sua mão e seu estilo, está nos detalhes.

Muitos alunos ignoram isso. Eles gastam uma fortuna na raquete e colocam qualquer overgrip, ou deixam o peso original mesmo sentindo o braço cansar. Não seja esse cara. Um profissional não joga com a raquete “stock” (de fábrica). Ele ajusta cada grama. Você também deveria, mesmo em nível amador.

Vamos falar sobre três coisas simples que você pode fazer hoje para transformar uma “ótima” raquete em uma raquete “perfeita”: o grip, o peso e a proteção.

A Fina Arte do Overgrip: Mais que Apenas Secar o Suor

O overgrip é o ponto de contato mais importante que você tem com a raquete. Ele é sua “impressão digital” no jogo. Um overgrip errado pode arruinar sua performance. Se for fino demais, você vai apertar a mão com muita força para a raquete não escapar, gerando tensão no antebraço e perdendo sensibilidade. Se for grosso demais, você perde a noção das arestas do cabo, o que dificulta a troca de empunhaduras (do saque para o voleio, por exemplo).

Existem overgrips “tacky” (pegajosos), que grudam na mão, ótimos para quem soa muito. Existem os “dry” (secos), que funcionam como uma toalha. E existem os “cushioned” (acolchoados), que aumentam o conforto. Você precisa testar. A regra de ouro é: troque o overgrip antes que ele fique liso. Quando você perde a aderência, você perde o jogo.

Além disso, o overgrip muda o balanço da raquete. Parece pouco, mas 5 gramas de overgrip no cabo trazem o ponto de equilíbrio levemente para baixo, tornando a raquete mais manuseável. Se você comprou uma raquete potente (com balanço na cabeça) e está sentindo ela “cabeçuda” demais, adicionar um overgrip mais pesado (ou dois) pode ser a solução rápida e barata.

Peso na Cabeça vs. Peso no Cabo: Customizando o Balanço

Se o overgrip não for suficiente, podemos falar de customização de peso “de verdade”. Sabe aquelas fitas de chumbo (lead tape) que você vê os profissionais de tênis usando? Elas existem para nós também. Adicionar peso é uma ciência. Onde você coloca o peso muda completamente a característica da raquete.

Se você gosta da sua raquete, mas sente que falta “peso na bola” (o famoso “punch”), adicionar alguns gramas de fita de chumbo na cabeça da raquete (nas posições de 10h e 2h, por exemplo) vai aumentar a potência drasticamente. A raquete vai ficar mais estável e vai “empurrar” mais a bola. O custo? Você vai perder velocidade de manuseio.

Por outro lado, se você ama o controle da sua raquete, mas acha que ela está vibrando muito ou que o ponto doce é pequeno, adicionar peso no cabo (embaixo do overgrip) é a solução. Isso não aumenta a potência final, mas torna a raquete muito mais estável no impacto e mais rápida de manusear na rede. É um ajuste fino, para quem já tem sensibilidade.

Protetores de Cabeça: Salvando seu Investimento

Isso aqui não é nem tático, é conselho de amigo. Você acabou de gastar um bom dinheiro em uma raquete de carbono. A primeira coisa que você vai fazer é raspar a cabeça dela na areia ou bater (sem querer) na raquete do seu parceiro na rede. Acontece. A fibra de carbono é forte para o impacto da bola, mas frágil para raspadas. Uma lasca na borda pode comprometer a estrutura inteira.

Use um protetor de cabeça. Simples assim. É uma fita adesiva, geralmente transparente ou preta, que você cola na borda superior. Ela vai adicionar alguns gramas de peso na cabeça (o que, como vimos, pode até ser bom para a potência), mas vai salvar sua raquete de danos estruturais. É o seguro mais barato que você pode ter.

Não usar protetor em uma raquete de carbono é como andar de moto sem capacete. Você pode fazer, mas o risco não compensa. Proteja seu investimento para que ele dure e você possa se preocupar apenas em evoluir seu jogo, não em comprar uma raquete nova a cada seis meses.

O Erro Clássico do Aluno: Evitando a Compra Errada

Agora, o puxão de orelha. Eu vejo isso todo santo dia na quadra. Alunos que mal acertam o saque e chegam com a raquete mais cara e mais dura do mercado, geralmente a mesma que o número 1 do mundo usa. O resultado? O braço começa a doer, a bola não passa da rede, e a frustração toma conta. O problema não é a raquete, é a escolha.

O mercado de raquetes é feito para vender sonhos. Eles te mostram o profissional soltando o braço, e você acha que comprando aquela raquete, seu smash será igual. Deixa eu te contar um segredo: não vai. Aquele profissional treina 8 horas por dia desde os 10 anos de idade. Ele faz aquela raquete funcionar. Você, que joga duas vezes por semana, precisa de uma raquete que te ajude, e não que te atrapalhe.

Seu ego é o pior conselheiro na hora de comprar equipamento. Você precisa ser brutalmente honesto sobre o seu nível de jogo.

“Comprei a Raquete do Profissional”: Por que Isso Pode te Machucar

Raquetes de nível profissional (como a Shark 3K ou a Total Pro) são feitas para jogadores com técnica e físico de profissional. Elas são rígidas. Elas não “perdoam” erros. Se você bater fora do ponto doce, a raquete vibra e a bola morre. Se você não tiver a aceleração de braço correta, a bola não anda. Pior: toda essa rigidez e vibração vão direto para o seu braço.

É aí que nasce o “tennis elbow” (ou beach tennis elbow). É uma inflamação no tendão causada pelo esforço repetitivo e pelo impacto constante. Uma raquete muito dura e pesada para o seu nível é a receita perfeita para essa lesão. Você vai gastar o triplo do valor da raquete em sessões de fisioterapia. Não faz sentido.

Seja humilde. Se você está começando ou é um jogador intermediário, procure raquetes de Fibra de Vidro (Fiberglass) ou Carbono 3K com EVA Soft (macio). Elas são mais flexíveis, “soltam” a bola com mais facilidade (mesmo com menos força) e, o mais importante, protegem seu braço. Deixe as raquetes “Pro” para quando seu jogo pedir por elas.

O Mito do “Quanto Mais Cara, Melhor”

Outro erro clássico. O preço da raquete está ligado ao material e à tecnologia, não ao quanto ela vai te fazer jogar melhor. Uma raquete de Carbono 24K com Kevlar e tratamento de superfície triplo é cara porque esses materiais são caros. Mas, como vimos, uma raquete 24K (como a Drop Shot) é macia e exige uma técnica específica. Ela não é “melhor” que uma raquete de Fibra de Vidro de preço médio; ela é diferente.

Não caia na armadilha de pensar que uma raquete de 3 mil reais vai te dar um saque melhor que uma de 800. O que melhora o saque é treino, técnica e consistência. A raquete é o ajuste fino. Invista seu dinheiro primeiro em aulas. Entenda o seu jogo. Depois, compre a ferramenta certa para o seu jogo.

Muitas vezes, uma raquete intermediária, com balanço equilibrado e um bom núcleo de EVA, é muito mais eficiente para 90% dos jogadores amadores do que a última novidade tecnológica que o seu ídolo está usando (e sendo pago para usar).

Escutando o Cotovelo: Quando sua Raquete Pede Socorro

Seu corpo fala com você. Se depois de um jogo de duas horas, seu cotovelo está “cantando”, ou seu pulso está dolorido, ou seu ombro parece pesado, não ignore. Isso é um sinal amarelo. Pode ser sua técnica? Sim. Pode ser falta de aquecimento? Também. Mas é muito provável que sua raquete esteja contribuindo para o problema.

Uma raquete com balanço muito alto (cabeçuda) força demais o ombro no saque. Uma raquete muito dura (3K) vibra muito e ataca o cotovelo. Um grip (cabo) muito fino faz você apertar demais a mão e sobrecarrega o antebraço. A dor é o seu corpo pedindo socorro.

Se isso acontecer, a primeira atitude é parar e reavaliar. Tente jogar com a raquete de um amigo, uma mais leve, mais macia. Veja se a dor diminui. Às vezes, a solução para o seu jogo evoluir não é uma raquete mais “forte”, e sim uma raquete mais “inteligente” e confortável, que te mantenha saudável e te permita ficar mais horas na quadra treinando.

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