Fala, tenista! Tudo bem com você? Puxe uma cadeira aqui na beira da quadra e vamos conversar um pouco antes do treino. Hoje eu não quero falar só sobre forehand ou backhand, mas sobre algo que define a alma do nosso esporte: a conexão entre a jogadora e sua raquete. Você já parou para pensar por que aquela raquete específica está na mão daquela campeã?
No circuito profissional da WTA, a raquete não é apenas um pedaço de grafite; ela é a extensão do braço e da mente da atleta. Quando vemos mulheres incríveis superando limites, virando jogos impossíveis e inspirando milhões, há sempre uma ferramenta técnica ali dando o suporte necessário. É essa “química” que eu quero que você entenda hoje, para que você também possa olhar para o seu equipamento com outros olhos.
Vou te apresentar dez das tenistas mais inspiradoras da atualidade. Vamos analisar não só o que elas conquistaram, mas como o equipamento delas — as raquetes — se encaixa perfeitamente em seus estilos de jogo. Prepare-se para uma aula técnica, mas descontraída, sobre o melhor do tênis feminino mundial. Vamos nessa?
As 10 Tenistas Mais Inspiradoras da WTA e Suas Armas em Quadra: Uma Aula sobre Estilo e Equipamento
A Elite da Consistência e Foco Mental
Quando falamos de inspiração no topo do ranking, é impossível não começar com Iga Świątek. A polonesa redefiniu o que significa foco mental e intensidade física no tênis moderno. O que mais me impressiona nela não é apenas a quantidade de títulos, mas a forma como ela se move. Ela desliza em quadra dura como se estivesse no saibro. Para acompanhar esse jogo de pernas insano e um forehand com um topspin que beira o masculino (em termos de rotação por minuto), Iga utiliza uma raquete da Tecnifibre, especificamente a linha Tempo 298 Iga (baseada na T-Fight 300).
Essa raquete é interessante porque é uma moldura que oferece controle, mas permite que a cabeça da raquete acelere muito rápido. Iga precisa dessa velocidade para gerar aquele spin “pesado” que empurra a adversária para trás. Se a raquete fosse muito pesada ou “morta”, ela não conseguiria chicotear a bola daquele jeito no final do movimento. É a ferramenta perfeita para quem joga com intensidade máxima em cada ponto.
Logo atrás, temos a força da natureza chamada Aryna Sabalenka. Se Iga é a precisão, Sabalenka é a potência bruta. A história dela é inspiradora porque ela teve que “domar” seu próprio jogo. Lembra das duplas faltas? Ela superou isso com trabalho mental e técnico. A raquete dela é a clássica Wilson Blade 98. Você pode pensar: “Mas professor, a Blade não é uma raquete de controle?”. Exatamente!
Aryna gera tanta força natural com o corpo que ela não precisa de uma raquete que lhe dê potência extra (como uma Pure Drive). Ela precisa de uma raquete que segure a bola na quadra. A Blade, com sua trama de cordas mais fechada (18×20), oferece essa resposta controlada, permitindo que ela solte o braço sem medo da bola parar na tela de fundo. É o equilíbrio perfeito: braço de fogo, raquete de gelo.
Fechando esse trio de gigantes, temos Elena Rybakina. A calma que essa mulher transmite em quadra é algo a ser estudado. Ela raramente demonstra emoção, mas seu jogo fala alto, especialmente o saque. Rybakina joga com a Yonex VCORE 100. A Yonex é famosa pelo formato isométrico da cabeça (aquele formato meio quadrado), que aumenta o sweet spot (ponto doce) da batida.
Para uma jogadora alta como ela, que gosta de encurtar os pontos com winners rápidos, a VCORE ajuda a gerar velocidade e spin sem exigir um esforço descomunal do braço. A raquete “anda” muito. Isso permite que Rybakina mantenha aquela postura elegante e fluida durante três sets, pois o equipamento está fazendo uma boa parte do trabalho pesado na geração de energia.
A Revolução da Nova Geração
Não podemos falar de inspiração sem citar Coco Gauff. Eu vejo muitos alunos jovens querendo copiar o estilo dela, e com razão. Coco explodiu na cena mundial aos 15 anos e amadureceu diante dos nossos olhos, culminando no título do US Open. O jogo dela é baseado em um atletismo surreal; ela chega em bolas que 99% do circuito daria como perdidas. A arma escolhida por ela é a Head Boom MP.
A Head Boom é uma raquete relativamente nova no mercado, desenhada para oferecer uma sensação “explosiva” (daí o nome). Ela tem um formato de cabeça que favorece o manuseio rápido na rede e potência do fundo de quadra. Para Coco, que tem um backhand sólido como uma rocha e está sempre buscando transição para o ataque, essa raquete oferece a versatilidade necessária. Ela perdoa batidas fora do centro quando Coco está defendendo em velocidade máxima e entrega potência quando ela decide atacar, ao escolher uma raquete para mulheres
Outra figura que transcende o esporte é Naomi Osaka. Mesmo com pausas na carreira e a maternidade, o retorno dela é um dos capítulos mais inspiradores do tênis recente. Naomi trouxe à tona a discussão sobre saúde mental, algo que nós, professores, valorizamos muito hoje em dia. Em quadra, ela é uma das maiores “hitters” (batedoras) que já vi. Sua raquete é a Yonex EZONE 98.
A EZONE é frequentemente comparada à Babolat Pure Drive, mas com um toque mais “macio” característico da marca japonesa. Para Naomi, que bate na bola chapado e com extrema violência, a EZONE 98 oferece a estabilidade necessária para não torcer na mão no impacto. É uma raquete de “power player”. Ela premia quem tem coragem de bater na bola na subida, complementando perfeitamente o estilo agressivo de Osaka de ditar o ponto desde a primeira bola.
E quem roubou nossos corações recentemente foi a italiana Jasmine Paolini. Com uma estatura considerada baixa para os padrões atuais do tênis de força, ela provou que garra, velocidade e inteligência tática valem ouro. Chegar a finais de Grand Slam em superfícies diferentes no mesmo ano é um feito gigante. Paolini usa a Yonex VCORE 100, assim como Rybakina, mas por motivos diferentes.
No caso da Jasmine, ela precisa de toda a ajuda possível para gerar profundidade e spin para empurrar as jogadoras altas para trás. A VCORE 100 é uma “máquina de spin”. Ela ajuda a italiana a colocar aquela bola alta e funda, com muito efeito, que incomoda a zona de conforto das adversárias. É um exemplo clássico de como o equipamento pode ajudar a nivelar as diferenças físicas em quadra.
Criatividade, Resiliência e o “Toque Brasileiro”
Agora, vamos falar de talento puro com Ons Jabeur. A tunisiana, chamada carinhosamente de “Ministra da Felicidade”, joga um tênis que parece ter saído de outra época, cheio de slices, drop shots (curtinhas) e variações. Ela inspira por ser a primeira mulher árabe a alcançar tal nível de destaque. Sua raquete é a lendária Wilson Pro Staff 97.
A Pro Staff é uma raquete exigente. Ela tem um sweet spot menor e exige que você tenha uma técnica apurada, sempre batendo no centro. Por que Ons usa isso? Pelo “feeling”. Nenhuma raquete oferece tanta sensibilidade para o toque de bola quanto essa linha. Para alguém que vive de inventar jogadas e precisa sentir a bolinha nas cordas para executar uma curtinha milimétrica, a Pro Staff é insubstituível. Ela sacrifica a potência fácil em troca de controle absoluto.
E claro, não poderia faltar nossa guerreira Beatriz Haddad Maia. A Bia é o maior exemplo de resiliência que eu passo para meus alunos. Depois de lesões, suspensões e quedas no ranking, ela voltou para o top 10 jogando o melhor tênis da vida dela. A Bia é canhota, alta e joga com muita intensidade. Sua raquete é a Babolat Pure Aero.
A Pure Aero (famosa por ser a raquete do Nadal) é projetada para o spin aerodinâmico. Como a Bia é canhota, o saque dela com efeito (slice ou quique) aberto na vantagem é uma arma letal. A Pure Aero maximiza esse efeito, fazendo a bola “explodir” da quadra. Além disso, a raquete dá a potência necessária para ela aguentar trocas de bola longas, que é uma característica marcante da garra brasileira em quadra: a gente não desiste de nenhum ponto.
Falando em eficiência, temos a americana Jessica Pegula. Ela é, talvez, a jogadora mais “limpa” tecnicamente do circuito. Seus golpes são compactos, ela joga muito baixo e plano, quase sem topspin. Pegula usa a Yonex EZONE 98. A consistência dela é assustadora, e ela raramente tem dias ruins.
A EZONE funciona para ela porque é uma raquete estável. Como a Pegula joga bloqueando e contra-atacando a força das adversárias, ela precisa de uma raquete que não trema no impacto. A EZONE absorve a pancada da adversária e devolve com juros, permitindo que a Jessica use a força da outra jogadora contra ela mesma. É o equipamento perfeito para um “tênis percentual” de alto nível.
Para fechar nossa lista de inspirações, trago Leylah Fernandez. A canadense, que também tem sangue latino, foi vice-campeã do US Open encantando o mundo com sua garra, mesmo sendo fisicamente menor que as rivais. Ela joga colada na linha de base, pegando a bola muito cedo (no “pulo”). Leylah também utiliza a Babolat Pure Aero.
Diferente da Bia, que usa a raquete para peso de bola, Leylah usa a aerodinâmica da Pure Aero para acelerar a cabeça da raquete muito rápido em espaços curtos. Como ela joga antecipado, ela tem menos tempo para preparar o golpe. A raquete precisa ser ágil. A Pure Aero permite que ela faça esses swings rápidos e gere ângulos impossíveis, tirando as adversárias da quadra com geometria pura.
O Segredo que Ninguém te Conta: A Customização Profissional
Agora, meu aluno, preciso te contar um segredo de bastidor. Se você for à loja e comprar a raquete igualzinha à da Iga ou da Sabalenka, você não estará jogando com a mesma raquete delas. Isso mesmo! O que existe no nível profissional é um mundo fascinante de customização. A raquete que você vê na TV é, na maioria das vezes, um ponto de partida que foi drasticamente alterado para atender às necessidades específicas daquela atleta.
O Mito do “Paint Job”
Muitas vezes, o que vemos na mão da jogadora é o que chamamos de “Paint Job” (pintura). As marcas de raquete precisam vender os modelos novos, certo? Então, quando lança a “Versão 2025” de uma raquete, eles pintam a raquete da atleta profissional com as cores novas. Mas, por baixo da tinta, a atleta pode estar usando um molde de 5 ou 10 anos atrás.
Isso acontece porque tenistas são criaturas de hábito e extremamente sensíveis. Mudar a raquete pode destruir a confiança de um jogador. Então, elas mantêm a estrutura antiga que conhecem e confiam, mas com a “roupa” nova do patrocinador. Não se sinta enganado por isso; entenda que no alto rendimento, a confiança no equipamento vale mais do que a tecnologia mais recente do catálogo.
Peso, Balanço e Lead Tape
Outra coisa que diferencia a raquete profissional da sua é o peso. Se você pegar a raquete da Sabalenka na mão, provavelmente vai achá-la pesada demais. As profissionais adicionam fitas de chumbo (lead tape) em pontos estratégicos do aro (geralmente nas posições de 3 e 9 horas do relógio, ou no topo, às 12 horas) e silicone dentro do cabo.
Isso serve para aumentar o swingweight (o peso da raquete em movimento). Uma raquete mais pesada é mais estável. Quando elas recebem um saque a 190 km/h, se a raquete for leve como as de loja (285g ou 300g), ela vai tremer e girar na mão. Com mais peso (muitas vezes chegando a 330g ou mais), a raquete vence a bola, proporcionando uma batida sólida e pesada. É física pura: massa x aceleração = força.
A Arte do Encordoamento
Por fim, o motor da raquete: as cordas. Você ficaria chocado com a variedade de tensões usadas na WTA. Enquanto amadores tendem a usar tensões médias (50-55 libras), muitas profissionais variam absurdamente. Algumas usam tensões baixíssimas (perto de 40 libras) para ganhar potência fácil e conforto, enquanto outras usam tensões altas para controle total.
Além disso, muitas usam o que chamamos de “híbrido”: uma corda de tripa natural (que custa uma fortuna, mas é macia e potente) nas verticais e uma corda de poliéster (dura e focada em spin) nas horizontais. Essa combinação busca o melhor dos dois mundos. O encordoamento é trocado a cada jogo (ou a cada 7 ou 9 games), pois as cordas perdem a elasticidade muito rápido naquele nível de batida.
Como Escolher Sua Raquete Inspirada nas Lendas
Depois de toda essa conversa, você deve estar pensando: “Professor, qual raquete eu compro então?”. Essa é a pergunta de um milhão de dólares. O maior erro que vejo em quadra é o aluno comprar a raquete da Iga Swiatek ou da Serena Williams achando que vai jogar igual a elas, sem ter o preparo físico ou técnico para “pilotar” aquela máquina.
Autoanálise Honesta: Você não bate como a Iga
Isso não é uma crítica, é realidade! Eu também não bato como elas. As profissionais treinam 6 horas por dia, têm uma musculatura específica e um tempo de bola perfeito. Uma raquete como a Wilson Pro Staff (da Ons Jabeur) ou a Blade (da Sabalenka) exige que você gere sua própria potência e acerte sempre no centro.
Se você está começando ou é um jogador intermediário de clube, usar uma raquete dessas pode te causar frustração e até lesões, como o famoso “tennis elbow”. Você precisa de uma raquete que te ajude, não uma que te puna quando você atrasa o golpe. Seja honesto com seu nível. Se você tem um swing curto e lento, procure raquetes que “despeçam” mais a bola. Se tem um swing longo e rápido, aí sim pode buscar raquetes de controle.
A Trindade: Controle, Potência e Conforto
Ao escolher uma raquete, imagine um triângulo com três pontas: Controle, Potência e Conforto. É quase impossível ter o máximo dos três na mesma raquete.
- Raquetes de Potência (ex: Pure Drive, EZONE): Geralmente são mais rígidas, com aro mais grosso. A bola sai rápido, mas você tem menos sensibilidade.
- Raquetes de Controle (ex: Blade, Prestige, Pro Staff): Aro fino, flexível. Você sente a bola, coloca onde quer, mas tem que fazer força.
- Raquetes de Conforto (ex: Wilson Clash): Focam em não machucar o braço, absorvendo vibração, mas às vezes a sensação de batida é meio “abafada”.
Você precisa decidir onde quer o compromisso. Se seu braço dói, priorize conforto. Se sua bola sai muito longa, priorize controle.
O Test-Drive: Nunca compre no escuro
Minha regra de ouro para você: nunca compre uma raquete sem testar. As especificações no papel (peso, balanço, rigidez) são apenas números. A “mágica” acontece na sensação. Muitas lojas especializadas e academias oferecem raquetes de teste (demos).
Pegue a raquete, bata uns 15 minutos. Sinta o peso no saque (é o golpe onde o peso mais cansa o ombro). Veja se você consegue manusear a raquete na rede num voleio rápido. Sinta se a raquete vibra muito quando você bate fora do centro. O equipamento certo é aquele que, depois de 20 minutos batendo bola, você nem percebe que está segurando ele; ele vira parte de você.
Comparativo de Gigantes: A Batalha das Raquetes “Versáteis”
Para te ajudar a visualizar, montei um quadro comparando a raquete mais citada no circuito (a Wilson Blade 98) com duas concorrentes diretas que você vê muito nos clubes e na TV.
| Característica | Wilson Blade 98 (v9) | Head Speed MP (2024) | Babolat Pure Strike 98 |
| Perfil de Jogadora | Agressiva, busca feeling e controle. (Ex: Sabalenka) | Versátil, joga na linha de base e sobe à rede. (Ex: Coco Gauff usa a Boom, mas a Speed é similar em versatilidade) | Atacante de fundo que gosta de bater seco e rápido. |
| Sensação (Feel) | “Manteiga”. Flexível e conectada à bola. | Rápida e aerodinâmica. Sente-se “leve” no ar. | Rígida e nítida. Resposta imediata e crocante. |
| Controle vs. Potência | 70% Controle / 30% Potência | 50% Controle / 50% Potência | 60% Controle / 40% Potência |
| Dificuldade de Uso | Alta. Exige técnica apurada. | Média. Mais amigável para amadores. | Média/Alta. Exige precisão no impacto. |
| Ponto Forte | Precisão direcional e estabilidade. | Manuseio rápido e versatilidade em todos os golpes. | Estabilidade e potência controlada (híbrida). |
Espero que essa nossa conversa tenha aberto sua mente sobre o universo das raquetes da WTA. É fascinante ver como cada jogadora encontra a peça perfeita para completar seu quebra-cabeça tático.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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