Você já parou para pensar que o cabo da raquete é o único ponto de contato entre o seu corpo e o equipamento durante todo o jogo. Muitos alunos chegam na quadra preocupados com a tensão da corda ou com o peso da raquete e esquecem completamente onde a mágica acontece: na sua mão. Jogar com o tamanho errado de grip não é apenas desconfortável. É perigoso. Quando o cabo está errado você força a musculatura do antebraço de uma maneira antinatural para compensar a falta de firmeza ou o excesso de volume.
A prevenção de lesões deve ser sua prioridade número um ao entrar em quadra. O famoso “Tennis Elbow” ou epicondilite lateral muitas vezes não nasce de uma técnica ruim de backhand mas sim de um equipamento mal ajustado. Se o cabo for muito fino você precisará apertar a raquete com força excessiva para que ela não gire na sua mão ao rebater uma bola pesada. Esse ato de esmagar o cabo gera uma tensão contínua nos extensores do punho que viaja direto para o seu cotovelo. É uma bomba relógio que você não quer detonar.
Além da saúde física existe a questão da performance pura e do controle de bola. Um grip correto permite que você relaxe a mão durante a fase de preparação do golpe e só aplique a força necessária no momento do impacto. Isso gera a famosa “cabeça de raquete solta” que todo treinador pede. Se você está lutando para segurar a raquete você perde a fluidez do swing. A estabilidade no impacto depende de a raquete preencher sua mão de forma anatômica permitindo que a energia da sua cadeia cinética flua sem interrupções para a bola.
A Importância Fundamental do Grip Correto
Prevenção de Lesões e o Temido Tennis Elbow
O termo médico pode parecer complicado mas a dor é bem simples de entender e infelizmente muito comum em quem ignora o equipamento. A epicondilite lateral ocorre quando os tendões que ligam os músculos do antebraço ao cotovelo ficam inflamados. Imagine que cada vez que você bate na bola com um grip muito fino sua mão faz uma força de “alicate” muito maior do que o necessário. Repita isso por mil bolas em um treino e você tem a receita perfeita para uma inflamação crônica que pode te tirar das quadras por meses.
O problema oposto também causa danos embora de forma diferente. Um cabo excessivamente grosso impede que você feche a mão adequadamente travando o movimento natural do punho. Isso força você a usar mais o ombro e o braço para gerar potência em vez de usar a alavanca do punho. O resultado é uma fadiga prematura e dores que podem subir para o ombro e pescoço. Você precisa entender que o grip funciona como um amortecedor e um estabilizador. Se ele não estiver no tamanho certo seu corpo absorve todo o choque.
Para o adolescente que está em fase de crescimento essa questão é ainda mais crítica. As placas de crescimento ósseo ainda estão ativas e os tendões estão se esticando. Colocar uma tensão extra nessas estruturas por causa de um cabo de raquete errado pode causar problemas de desenvolvimento ou dores de crescimento exacerbadas. Não é frescura de equipamento. É uma questão de biomecânica básica que protege o futuro do tenista jovem e garante que ele possa jogar por muitos anos sem dores crônicas.
Estabilidade no Impacto e Controle de Bola
Quando falamos de estabilidade estamos falando sobre a raquete não girar na sua mão quando você não acerta exatamente o centro das cordas. Todos nós sabemos que nem sempre acertamos o “sweet spot”. Se o cabo for muito fino a raquete vai rodar na sua mão em qualquer bola fora de centro. Isso faz com que a bola saia sem direção e sem peso. Você perde totalmente a confiança no seu golpe e começa a encurtar o braço com medo de errar.
O controle de bola está diretamente ligado à capacidade de manusear a raquete com sutileza. Pense em um voleio na rede ou em uma deixadinha. Esses golpes exigem “toque” e sensibilidade. Se você está segurando um tronco de árvore grosso demais você perde essa sensibilidade fina dos dedos. A raquete parece um objeto estranho e pesado na mão. Por outro lado o grip correto se torna uma extensão do seu braço permitindo microajustes na angulação da face da raquete milissegundos antes do contato.
A geração de spin também sofre com o tamanho errado. Para gerar aquele topspin pesado que faz a bola cair rápido na quadra adversária você precisa de uma ação de punho rápida e fluida. Um cabo grosso trava o punho e força você a bater mais plano. Um cabo fino demais pode fazer o punho “quebrar” muito cedo ou de forma instável. O tamanho ideal permite aquele “chicote” final que dá vida à bola e faz ela pesar na raquete do adversário.
A Relatividade do Conforto e a Confiança no Golpe
Conforto no tênis não é apenas sobre ter algo macio na mão. É sobre a ausência de pensamento consciente sobre o equipamento. Quando o grip está certo você não pensa nele. Você pensa na tática na bola no adversário. Se em algum momento do ponto você pensa “minha raquete está escorregando” ou “minha mão está doendo” você já perdeu o foco. A confiança no golpe vem de saber que a raquete vai responder exatamente como você espera.
A psicologia do esporte nos ensina que pequenas distrações se tornam grandes problemas em momentos de pressão. Imagine um break point contra você. Sua mão está suada. Se o grip não estiver perfeito a insegurança bate. Você aperta mais a raquete tensiona o braço e erra a bola na rede. O conforto físico se traduz diretamente em conforto mental. Um grip bem ajustado e com o tamanho certo dá a segurança de que você pode soltar o braço sem medo.
Cada jogador tem uma preferência pessoal que pode variar levemente dentro do padrão aceitável. Alguns jogadores profissionais preferem cabos ligeiramente menores para maximizar a ação do punho enquanto outros preferem maiores para estabilidade. Mas essas variações são mínimas e feitas por atletas com musculatura desenvolvida. Para o adolescente em desenvolvimento o conforto deve ser sinônimo de ajuste anatômico perfeito seguindo as regras de medição para construir uma base sólida.
Métodos Infalíveis de Medição
Nós técnicos gostamos de precisão mas também sabemos que nem sempre você tem uma régua no bolso quando está na loja de esportes. Por isso existem métodos práticos e métodos científicos para descobrir o tamanho do grip. O importante é não chutar. Comprar uma raquete “no olho” é o erro mais comum que vejo pais e alunos cometerem. A diferença entre um tamanho L2 e um L3 é pequena visualmente mas gigante na sensação tátil.
O método de medição deve ser feito com calma e de preferência com a ajuda de alguém. Tentar medir a própria mão sozinho pode gerar distorções na leitura. Se você é um adolescente destro sua mão direita provavelmente é um pouco mais forte e talvez ligeiramente mais larga que a esquerda devido ao uso constante. Sempre meça a mão dominante. É ela que vai segurar a base da raquete e fazer o trabalho pesado durante o jogo.
Não existe um número mágico que sirva para sempre. A mão de um adolescente muda. O que servia há seis meses pode estar pequeno hoje. Por isso recomendo refazer esses testes a cada troca de raquete ou a cada seis meses se você sentir que seu jogo está mudando ou que a raquete parece estar “sambando” na mão. Vamos aos métodos que realmente funcionam na prática do dia a dia.
O Teste Clássico do Dedo Indicador
Este é o teste mais rápido e o que mais usamos na beira da quadra. Ele exige que você já tenha uma raquete em mãos para testar. Você deve segurar a raquete com a sua mão dominante usando a empunhadura “Eastern de direita” ou a famosa “pegada de cumprimento”. Imagine que você está apertando a mão da raquete. A palma da mão deve estar no mesmo plano das cordas. Feche os dedos confortavelmente ao redor do cabo.
Agora vem o pulo do gato. Com a outra mão pegue o seu dedo indicador e tente encaixá-lo no espaço que sobrou entre a ponta do seu dedo anelar e a base do seu polegar (a parte gordinha da mão). O espaço deve ser exatamente suficiente para caber o seu dedo indicador da outra mão. Nem muito apertado nem muito folgado. Se não couber o dedo e você tiver que forçar o cabo é muito fino.
Se sobrar muito espaço e o dedo indicador ficar “dançando” lá dentro o cabo é muito grosso. Esse teste é excelente porque ele considera a anatomia única da sua mão e o volume dos seus dedos. É um teste de proporção e não de números absolutos. Ele funciona muito bem para 90% dos casos e é a primeira triagem que fazemos para saber se o aluno está com o material adequado.
A Precisão Milimétrica da Régua
Se você vai comprar uma raquete pela internet e não tem como segurá-la antes este é o método que você deve usar. Ele é baseado em geometria e anatomia. Você vai precisar de uma régua comum ou uma fita métrica rígida. Abra a sua mão dominante completamente esticando os dedos e juntando-os. Olhe para a palma da sua mão. Você vai ver duas linhas principais (as linhas da vida e do coração para quem lê a mão) que cruzam a palma horizontalmente.
Posicione a régua no meio da palma da mão alinhada com a segunda linha lateral (a linha mais baixa do dedo anelar) e meça até a ponta do dedo anelar. Essa distância entre a dobra lateral da palma e a ponta do dedo anelar é a medida exata do seu grip ideal. A medida será em milímetros ou polegadas dependendo da régua. Geralmente para adolescentes essa medida ficará entre 100mm e 110mm.
Anote esse número e compare com as tabelas de conversão das lojas. Se a sua medida der 4 1/4 polegadas você precisa de um grip L2. Se der 4 3/8 polegadas você precisa de um grip L3. Esse método elimina a subjetividade. Números não mentem. É especialmente útil para pais que querem dar uma raquete de presente e querem fazer uma surpresa sem levar o filho na loja. Basta medir a mão dele enquanto ele está distraído ou dormindo.
Erros Comuns na Hora de Medir
Um erro clássico é medir a mão errada. Como disse antes a mão dominante costuma ser ligeiramente maior. Outro erro é não considerar o overgrip. Se você é um jogador que transpira muito e gosta de usar aquele grip fininho por cima do cabo original (o overgrip) você deve comprar um cabo um pouco mais fino para compensar. O overgrip adiciona cerca de 1.5mm a 2mm na espessura final do cabo.
Muitas pessoas medem com a mão relaxada demais ou tensa demais. A mão deve estar esticada mas natural. Não force a abertura dos dedos ao máximo pois isso distorce a leitura da palma. Outro detalhe é ignorar o formato do cabo. Raquetes da Head por exemplo tendem a ter um cabo mais retangular enquanto as da Wilson e Babolat são mais arredondadas. Mesmo sendo a mesma numeração a sensação de tamanho pode parecer diferente na mão.
Não confie apenas na etiqueta da raquete se ela for usada. O material do cabo (o cushion grip original) cede com o tempo e fica mais fino à medida que é comprimido pelo uso. Uma raquete L3 muito usada pode parecer uma L2. Se for comprar usada meça a circunferência real do cabo com uma fita métrica para ter certeza de que a especificação original ainda se mantém ou se precisará trocar o grip base.
Entendendo as Numerações e Padrões
O mundo do tênis às vezes complica o que deveria ser simples. Temos dois sistemas principais de medidas convivendo nas lojas: o sistema americano em polegadas e o sistema europeu em números simples de 0 a 5. Isso causa uma confusão tremenda na cabeça de quem está começando. Você entra na loja e um vendedor fala “4 e um quarto” e o outro fala “L2”. Eles estão falando a mesma coisa.
Para um adolescente essa sopa de números é irrelevante se ele não souber o que significa na prática. O importante é saber traduzir a medida da sua mão para o código que está impresso no fundo do cabo da raquete (no butt cap). Geralmente você vai encontrar um adesivo ou uma gravação no plástico com esses números. Ignorar isso é comprar no escuro.
Vamos desmistificar essa tabela para que você nunca mais tenha dúvida na hora de escolher. Entender isso te dá autonomia. Você não vai mais depender da opinião de um vendedor que talvez só queira empurrar o estoque encalhado. Você vai saber exatamente o que sua mão precisa.
A Escala Americana vs Europeia
A escala americana mede a circunferência do cabo em polegadas. As medidas mais comuns para adultos e adolescentes variam de 4 polegadas a 4 e 5/8 polegadas. As frações progridem de 1/8 em 1/8. É um sistema preciso mas chato de decorar. Já o sistema europeu simplifica isso chamando essas medidas de L0, L1, L2, L3, L4 e L5. O “L” vem de “Level” ou tamanho simplesmente.
Aqui está a conversão direta que você deve memorizar:
O L1 equivale a 4 1/8 polegadas.
O L2 equivale a 4 1/4 polegadas.
O L3 equivale a 4 3/8 polegadas.
O L4 equivale a 4 1/2 polegadas.
Para a maioria dos adolescentes brasileiros as medidas vão girar quase sempre entre L1, L2 e L3. Tamanhos L0 são para crianças ou juniores muito novos e L4 ou L5 são para adultos com mãos realmente grandes como jogadores de basquete.
Saber essa conversão te ajuda a comprar em sites internacionais ou em lojas que usam nomenclaturas diferentes. Se você vir uma raquete “4 1/4” você já sabe automaticamente “ah essa é uma L2”. Parece bobo mas facilita muito a busca e evita que você compre o tamanho errado por falta de atenção aos detalhes da descrição do produto.
O Tamanho Ideal para a Mão Adolescente (L1, L2, L3)
Na minha experiência de quadra com centenas de alunos adolescentes o padrão é muito claro. Meninas adolescentes e meninos no início da adolescência (12-14 anos) geralmente se encaixam perfeitamente no L2 (4 1/4). Esse é o tamanho mais versátil e vendido do mercado por um motivo. Ele atende a uma gama enorme de tamanhos de mão e permite ajustes com overgrip.
Para meninos mais velhos (15-18 anos) ou com mãos maiores o L3 (4 3/8) começa a ser o padrão. É raro ver um adolescente precisando de um L4 a menos que ele seja excepcionalmente alto. Já o L1 (4 1/8) serve para aqueles que estão saindo da raquete infantil de 26 polegadas e pegando sua primeira raquete de adulto. É uma mão de transição pequena mas que já exige equipamento profissional.
Lembre-se da regra de ouro: na dúvida entre dois tamanhos escolha sempre o menor. É muito fácil engrossar um cabo fino. Você coloca um overgrip mais grosso ou um tubo térmico e resolve. Agora afinar um cabo grosso é uma cirurgia complicada na raquete. Você teria que lixar o pallet (o cabo cru) o que altera o peso e o balanço da raquete e pode estragar o equipamento. Sempre erre para menos.
A Influência das Marcas no Tamanho Real
Nem todo L3 é igual. Isso pode parecer loucura mas é a realidade da indústria. A Yonex por exemplo tem fama de ter cabos que parecem ligeiramente maiores do que a numeração indica devido ao formato mais isométrico. A Head tem um formato de cabo mais retangular (achatado) o que faz com que ele pareça menor na mão para quem segura com a empunhadura Western mas maior para quem segura na Continental.
A Babolat e a Wilson tendem a ter formatos mais arredondados e fiéis à medida padrão mas o material do “Cushion Grip” (aquela fita preta acolchoada que vem de fábrica) varia. Alguns são mais fofos e comprimem mais dando a sensação de serem menores. Outros são duros e sintéticos fazendo o cabo parecer maior. Você precisa considerar essa “pegada” da marca.
Por isso testar a raquete do amigo é tão importante. Peça emprestado uma Wilson L3 e uma Head L3. Sinta a diferença. O formato do cabo influencia como você fecha a mão. Se você gosta de sentir as arestas do cabo para saber onde está a empunhadura correta (beveled feel) um formato mais retangular pode parecer melhor mesmo que a medida seja a mesma. É uma questão de percepção tátil.
Diagnosticando o Problema em Quadra
Às vezes a teoria está linda a medida da régua bateu mas na quadra a coisa não funciona. O corpo fala e a bola fala mais alto ainda. Você precisa aprender a ler os sinais que o seu jogo está dando. Problemas de grip não aparecem apenas como dor. Eles aparecem como erros técnicos persistentes que você não consegue corrigir com aulas.
Se você está fazendo aulas há meses e o professor reclama da mesma coisa e você não consegue ajustar pode ser o equipamento. O grip errado cria vícios mecânicos. Você compensa a falta de conforto mudando a técnica. O adolescente é mestre em compensar porque tem corpo jovem e elástico mas isso cobra um preço a longo prazo.
Vamos analisar os sintomas práticos. O que acontece com a bola? O que acontece com a sua mão depois de um set? Fique atento a esses detalhes no seu próximo treino. Eles são os melhores indicadores de que talvez seja hora de visitar a loja de tênis e fazer um ajuste no seu material.
Sintomas de um Cabo Muito Grosso
O primeiro sinal é a dificuldade em manobrar a raquete no saque. Para sacar com potência e efeito você precisa fazer a “pronação” do antebraço virando o punho no topo do movimento. Um cabo grosso trava esse movimento. Seu saque sai chapado sem efeito e muitas vezes vai para a rede porque você não consegue “quebrar” o punho para fazer a bola descer.
Outro sintoma é a fadiga rápida na mão. Como você não consegue fechar os dedos completamente ao redor do cabo você tem que fazer força contínua para segurar. Isso cansa os músculos intrínsecos da mão. Você sente câimbras na palma da mão ou no dedão após 30 minutos de jogo. É o corpo gritando que não está conseguindo segurar o objeto com eficiência.
Nas trocas de bola de fundo de quadra você sente dificuldade em mudar de empunhadura rapidamente. Sabe quando você precisa sair de um forehand para um backhand rápido? Com o cabo grosso essa troca engasga. A raquete não gira suavemente na mão livre. Você acaba atrasando o golpe seguinte porque perdeu frações de segundo tentando ajustar a pegada.
Sintomas de um Cabo Muito Fino
Aqui o principal sintoma é a instabilidade. Quando você rebate uma bola descentralizada a raquete gira na sua mão como se tivesse vida própria. Você sente que precisa esmagar o cabo o tempo todo para ter firmeza. Isso gera bolhas frequentes nas mãos porque a pele fica atritando com o cabo que está sambando lá dentro. Se você tem calos excessivos ou bolhas constantes desconfie do tamanho do grip.
Outra característica é o “gancho” excessivo nos golpes. Como o cabo é fino o seu punho fica muito solto e você acaba usando o pulso demais fechando a cara da raquete muito cedo. A bola vai para a rede ou sai muito curta. Você perde a extensão do golpe. O excesso de mobilidade do punho pode parecer bom para o spin mas sem controle vira um pesadelo de consistência.
E claro a dor no cotovelo que mencionamos antes. Se você sente fisgadas na parte externa do cotovelo (tennis elbow) ou na parte interna (golfers elbow) e usa um grip fino a correlação é quase certa. A vibração da raquete não é absorvida pela massa do cabo e passa direto para a sua mão tensa que conduz tudo para o tendão inflamado.
O Teste de Rodagem da Raquete
Faça este teste simples na próxima vez que estiver em quadra. Peça para alguém jogar uma bola com a mão um pouco forte na sua direção e tente volear apenas bloqueando a bola sem fazer swing. Segure a raquete firme mas não tensa. Se ao impactar a bola a raquete girar na sua mão abrindo ou fechando a face excessivamente o grip está inadequado.
Se o cabo estiver correto a raquete deve absorver o impacto e se manter estável permitindo que você direcione a bola. Se ela tremer excessivamente ou girar é sinal de que falta preenchimento na mão (cabo fino). Se você sentir um tranco seco no ombro e a raquete não se mexer mas a bola morrer na corda pode ser cabo grosso demais impedindo a absorção natural.
Outro teste é o do suor. Jogue por 20 minutos até começar a transpirar. Se a raquete começar a voar da sua mão ou escorregar drasticamente o grip pode estar fino. Um grip do tamanho certo permite que você mantenha a tração mesmo com um pouco de suor pois a área de contato da pele com o material é maximizada de forma correta.
Personalização e Ajuste Fino
Muitos alunos acham que comprar a raquete é o fim do processo. Na verdade é só o começo. A raquete vem de fábrica com um “setup” padrão mas você precisa ajustá-la para a sua realidade. O cabo é a parte mais customizável da raquete. Você pode mudar a textura a espessura e o peso do cabo com materiais baratos e fáceis de aplicar.
Essa personalização é o que diferencia o amador descuidado do tenista que conhece seu jogo. Ajustar o grip não é vaidade é ferramenta de trabalho. Pequenas alterações de milímetros podem mudar completamente a sensação da raquete. Se você sente que o L2 está pequeno mas o L3 está grande bem-vindo ao clube. A maioria de nós vive nesse limbo e a solução está na customização.
Você vai se tornar um pequeno “alquimista” do seu equipamento. Testar diferentes overgrips fitas e materiais até achar a combinação perfeita que faz a raquete parecer uma extensão natural do seu braço. Vamos ver as ferramentas que você tem à disposição para fazer essa mágica acontecer.
A Magia do Overgrip
O overgrip é aquela fita fina colorida que enrolamos por cima do cabo original. Ele serve para três coisas: absorver suor dar aderência e engrossar levemente o cabo. Um overgrip padrão aumenta a espessura do cabo em cerca de 1/16 de polegada (ou meio tamanho). Se você tem uma raquete L2 e coloca um overgrip grosso ela vira quase uma L3.
Existem overgrips “secos” (dry) que parecem papel camurça ótimos para quem sua muito. E existem os “pegajosos” (tacky) que grudam na mão ótimos para quem tem mão seca ou quer mais firmeza. Saber escolher o tipo de overgrip ajuda a ajustar a pegada. Se o cabo está fino use um overgrip mais espesso. Se está no limite use um overgrip super fino (existem modelos de 0.4mm).
A troca do overgrip deve ser frequente. Jogar com overgrip velho sujo e liso é pedir para ter bolhas e perder o controle. Para um adolescente que joga 3 vezes por semana trocar a cada 15 dias é o ideal. É um investimento barato que mantém a qualidade do seu grip sempre alta e protege o cabo original da raquete.
A Diferença Crucial entre Cushion Grip e Overgrip
Muita gente confunde os dois. O Cushion Grip (ou Replacement Grip) é aquela fita preta grossa e acolchoada que vem colada na madeira/grafite do cabo quando você compra a raquete. Ele é a base. O Overgrip vai por cima dele. Você nunca deve colocar overgrip direto no grafite da raquete (vai ficar duro demais e vibrar muito). E raramente deve colocar um Cushion Grip por cima de outro (vai ficar gigante e redondo), ao escolher uma raquete de tenis para inciantes
Se o seu cabo está muito fino mesmo com overgrip uma solução é trocar o Cushion Grip original por um modelo mais grosso ou de couro. Grips de couro são clássicos e dão mais sensibilidade (você sente as arestas do cabo) mas são mais duros. Grips sintéticos de gel ou espuma são mais confortáveis.
Trocar o Cushion Grip é uma maneira de alterar o tamanho do cabo de forma mais permanente sem mudar a raquete. Existem Cushions finos para reduzir o tamanho e grossos para aumentar. É um ajuste mais estrutural enquanto o overgrip é um ajuste superficial e temporário. Entender essa diferença te dá mais poder de manipulação sobre o tamanho final do cabo.
Aumentando o Cabo com Luvas Térmicas
Se mesmo com overgrip o cabo continua fino a solução profissional é a luva térmica (heat shrink sleeve). É um tubo de plástico que você coloca no cabo cru (tirando o cushion grip) e aquece com um secador de cabelo ou soprador térmico. O plástico encolhe e se molda ao formato do cabo aumentando o tamanho em exatamente um nível (de L2 para L3 por exemplo).
Essa solução é definitiva e mantém o formato das arestas do cabo perfeito (o beveled feel) coisa que enrolar várias fitas não faz (pois acaba arredondando o cabo). O único contra é que adiciona peso ao cabo (cerca de 15 a 20 gramas) o que deixa a raquete mais voltada para o controle e menos potente (balanço mais voltado para o cabo).
Para adolescentes que cresceram rápido e a mão aumentou mas a raquete ainda está boa essa é a solução perfeita. Em vez de gastar R$ 1500 numa raquete nova você gasta R$ 50 num tubo térmico e ajusta o tamanho do grip para a nova mão do garoto. É uma dica de ouro que economiza dinheiro dos pais e mantém o equipamento útil por mais tempo.
A Transição Juvenil para Adulto
A adolescência é o período mais caótico para um tenista. O corpo muda a cada mês. A força aumenta a coordenação flutua e as mãos crescem. É a fase onde muitos desistem por frustração ou lesão. O equipamento precisa acompanhar esse crescimento. Não dá para jogar com a raquete que você usava aos 10 anos quando você tem 14.
Essa transição não é apenas física é técnica. O jogo fica mais rápido a bola vem mais pesada. O grip precisa suportar essa nova realidade de impacto. O adolescente começa a desenvolver seu próprio estilo de jogo e o grip influencia nisso. Um grip errado pode atrasar o desenvolvimento técnico impedindo que ele aprenda golpes avançados como o kick serve ou o backhand de uma mão com topspin.
Monitorar o tamanho da mão a cada 6 meses é tarefa do treinador e do próprio atleta. Ficar atento aos sinais de desconforto e não ter medo de mudar. Às vezes mudar de um L2 para um L3 é o detalhe que faltava para o voleio firmar ou para o saque ganhar consistência.
Acompanhando o Estirão de Crescimento
Durante o estirão o adolescente pode crescer 10 a 15 cm em um ano. As extremidades (pés e mãos) geralmente crescem primeiro. É comum ver um garoto de 13 anos com altura mediana mas com mãos enormes. Se ele continuar usando o grip L1 da raquete antiga vai desenvolver vícios. A raquete vai parecer um palito de dente na mão dele.
Nessa fase é vital checar o “Teste do Dedo” com frequência. O que era um ajuste perfeito em janeiro pode estar sobrando espaço em julho. Não espere a raquete quebrar para trocar. Se o orçamento estiver apertado use as técnicas de engrossamento (overgrips e luvas térmicas) que discutimos. O importante é manter a proporção correta entre mão e cabo.
O crescimento também traz aumento de força. Uma mão maior e mais forte consegue segurar um cabo mais grosso com facilidade. A transição para um cabo maior também ajuda a estabilizar essa nova força bruta que o adolescente está descobrindo evitando que ele use força excessiva apenas dos dedos e aprenda a usar a palma da mão e o antebraço.
Adaptação da Empunhadura (Grips Western vs Continental)
A forma como o adolescente segura a raquete influencia o tamanho ideal. Jogadores que usam empunhaduras muito viradas (Western Extreme) para gerar muito spin geralmente preferem cabos ligeiramente menores. Isso permite que eles “chicotem” o punho com mais facilidade. Já jogadores com estilo mais clássico (Eastern ou Continental) tendem a gostar de cabos mais preenchidos.
Durante a adolescência é comum os técnicos ajustarem a empunhadura dos alunos. Se o aluno está migrando de uma pegada de fundo para um jogo mais completo de rede (Continental) ele vai sentir a necessidade de um cabo que lhe dê mais feedback tátil. O cabo maior ajuda a sentir as quinas da raquete (chanfros) facilitando achar a empunhadura correta sem olhar.
Se o grip for muito fino as arestas do cabo ficam muito agudas na mão machucando e dificultando a identificação tátil de qual lado da raquete está virado. Um tamanho correto suaviza essas arestas mas mantém a definição geométrica necessária para saber se você está na pegada de saque ou de forehand apenas pelo tato.
A Relação entre Peso da Raquete e Tamanho do Cabo
Quando você aumenta o tamanho do cabo (colocando overgrip ou luva térmica) você aumenta o peso da raquete. Para um adolescente isso é um fator crucial. Adicionar 20 gramas no cabo muda o equilíbrio da raquete (balance). A raquete fica mais “leve na cabeça” (head light). Isso facilita o manuseio e o controle mas pode tirar um pouco da potência de fundo.
Para adolescentes fortes isso é ótimo. Dá mais controle. Para adolescentes mais franzinos deixar a raquete muito pesada no cabo pode atrapalhar a aceleração. É um jogo de equilíbrio. Se você precisar engrossar muito o cabo talvez seja melhor trocar de raquete por uma que já venha com o peso e o tamanho de grip corretos de fábrica para não alterar demais as especificações.
Sempre considere o conjunto: tamanho da mão + força do braço + peso da raquete. Não olhe para o grip isoladamente. Tudo no tênis é interconectado. Um grip correto em uma raquete pesada demais é inútil. Um grip correto em uma raquete leve demais pode ser instável. O ajuste fino é a chave para o desempenho máximo.
Quadro Comparativo: Soluções de Ajuste
Para facilitar sua vida aqui vai um resumo prático das opções que você tem para ajustar o cabo da sua raquete:
| Característica | Overgrip (Fita) | Cushion Grip (Base) | Luva Térmica (Tubo) |
| Função Principal | Aderência e absorção de suor | Conforto e base estrutural | Aumento definitivo de tamanho |
| Aumento de Espessura | Leve (+0.5mm a +0.7mm) | Médio (depende do modelo) | Alto (+1 tamanho inteiro / ~3mm) |
| Impacto no Peso | Baixo (+5g a +7g) | Médio (+10g a +15g) | Alto (+15g a +20g) |
| Custo | Baixo (R$ 15 – R$ 40) | Médio (R$ 60 – R$ 120) | Baixo/Médio (R$ 30 – R$ 60 + Mão de obra) |
| Durabilidade | Baixa (dias/semanas) | Alta (meses/anos) | Permanente (até remover) |
| Ideal para… | Ajuste fino e higiene diária | Trocar pegada velha ou mudar conforto | Engrossar cabo de raquete fina |
Próximo Passo
Agora que você domina a teoria que tal pegar sua raquete atual fazer o “Teste do Dedo Indicador” agora mesmo e me contar se sobrou ou faltou espaço?

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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