A Chave da Longevidade em Quadra: Aquecimento Estratégico para o Tenista Veterano

Fala, meu amigo tenista. Que bom ter você aqui para essa conversa. Se você está lendo isso, provavelmente já percebeu que o corpo não responde mais aos primeiros minutos de jogo como fazia aos vinte anos. E está tudo bem. O tênis é um esporte para a vida toda, mas a estratégia precisa mudar conforme a gente acumula experiência e quilometragem nas articulações. Eu vejo isso todos os dias na quadra: o jogador experiente chega, tira a raquete da bolsa e já quer sacar o primeiro serviço a 150 km/h. O resultado? Um primeiro set terrível ou, pior, uma lesão que o tira de combate por meses.

Nós vamos mudar essa mentalidade hoje. Eu quero que você encare o aquecimento não como uma “obrigação chata”, mas como o game zero da sua partida. É aqui que você ganha a vantagem competitiva sobre aquele adversário que acha que aquecer é só bater bola no quadrado. Vamos explorar juntos como preparar sua máquina para funcionar em alta performance, protegendo seus joelhos, ombros e coluna.

Esqueça aquela corridinha sem graça em volta da quadra. Vamos falar de ciência aplicada ao tênis, de biomecânica e de como você pode entrar no primeiro game suando, solto e pronto para quebrar o saque do adversário. Prepare-se, pois vamos mergulhar fundo no que realmente funciona para quem quer jogar em alto nível depois dos 50, 60 ou 70 anos.

A Chave da Longevidade em Quadra: Aquecimento Estratégico para o Tenista Veterano


A Nova Fisiologia do Seu Jogo

Por que o corpo sênior exige um “Start” diferente?

Você precisa entender o que acontece lá dentro das suas articulações antes mesmo de pisar no saibro ou na quadra dura. Com o passar dos anos, nossos tecidos perdem um pouco daquela elasticidade natural, quase como uma borracha que ficou muito tempo na gaveta. O líquido sinovial, que é o óleo do nosso motor articular, demora mais para circular e lubrificar as engrenagens. Se você força um movimento brusco, como um arranque para uma bola curta ou um saque kick, sem essa lubrificação prévia, o atrito é brutal. É exatamente aí que nascem as microlesões que viram dores crônicas.

Além da lubrificação, temos a questão da temperatura interna e da viscosidade muscular. Um músculo frio em um corpo mais velho é mais rígido e propenso a rupturas, especialmente o famoso “tennis leg”, aquele estiramento na panturrilha que assombra os veteranos. Quando você aquece da forma correta, você literalmente muda o estado físico dos seus tecidos, transformando-os de algo rígido e quebradiço para algo flexível e resiliente. É pura física: calor gera movimento.

Eu sempre digo aos meus alunos que o aquecimento é o momento de avisar ao seu sistema nervoso que a guerra vai começar. Não é apenas sangue e músculo; é conexão neural. Seus reflexos, sua coordenação olho-mão e seu tempo de reação dependem de um sistema nervoso “acordado”. Entrar frio significa que você vai demorar três ou quatro games apenas para calibrar a distância da bola. E em um set curto, isso pode custar a partida inteira.

O Mito do “Bater Bola no Quadrado”

Existe uma cultura muito forte nos clubes de que aquecer é simplesmente ficar trocando bolas no quadrado de saque por cinco minutos. Isso é um erro técnico grave. Bater bola no quadrado é um aquecimento técnico, serve para calibrar o golpe, mas não prepara o seu físico para a demanda do esporte. Quando você está ali, parado, dando toquinhos na bola, sua frequência cardíaca mal sobe e suas articulações não estão sendo exigidas nas amplitudes que o jogo real vai pedir.

O problema maior é que esse hábito cria uma falsa sensação de segurança. Você sente que “já tocou na bola”, então acha que está pronto. Mas aí vem a primeira bola funda no seu backhand, você precisa girar o tronco rapidamente e sente aquela fisgada na lombar. O aquecimento com raquete deve ser a última parte da sua rotina, não a primeira. O corpo precisa estar pronto para receber o impacto da raquete, e não usar a raquete para acordar o corpo.

Pense no aquecimento como a construção de uma casa. O bate-bola é o telhado. Se você colocar o telhado antes de fazer a fundação (mobilidade) e as paredes (ativação muscular), a casa vai cair na primeira ventania. No nosso caso, a “ventania” é aquele adversário que gosta de te fazer correr de um lado para o outro. Vamos construir essa base sólida antes de pegar na raquete.

A Importância da Temperatura Corporal e Fluxo Sanguíneo

Você já notou como seus golpes fluem muito melhor no segundo set? Isso não é coincidência. É porque, a essa altura, sua temperatura central subiu, seus vasos sanguíneos dilataram e o oxigênio está chegando com facilidade aos músculos. O nosso objetivo com o aquecimento ideal é simular esse estado de “segundo set” antes mesmo de o árbitro dizer “play”.

Para o jogador sênior, isso é ainda mais crítico porque a nossa circulação periférica tende a ser menos eficiente. Precisamos forçar esse sangue a ir para as extremidades, para os dedos que seguram a raquete e para os pés que precisam explodir no chão. Um bom aquecimento eleva sua temperatura corporal a ponto de você começar a transpirar levemente. Esse suor é o sinal verde do seu corpo dizendo: “Ok, o sistema de refrigeração ligou porque a máquina está quente e pronta”.

Não tenha medo de gastar energia antes do jogo. Um dos maiores medos dos meus alunos veteranos é “cansar no aquecimento”. Eu garanto a você: o que cansa é jogar tenso, com a musculatura travada, fazendo o dobro de força para gerar metade da potência. Um corpo aquecido é mais eficiente economicamente. Você vai gastar menos energia durante o jogo se fizer um aquecimento vigoroso de 10 a 15 minutos antes.


Dinâmico versus Estático: A Regra de Ouro

O Perigo do Alongamento Estático Pré-Jogo

Eu ainda vejo isso acontecer em todos os torneios seniors e me dá arrepios. O jogador chega, coloca a perna em cima da rede e fica lá, estático, forçando a parte posterior da coxa por trinta segundos. Pare com isso agora mesmo. A ciência do esporte já nos mostrou há anos que o alongamento estático (ficar parado esticando) antes da atividade explosiva diminui a sua potência e pode até desestabilizar a articulação.

Imagine que seu músculo é um elástico novo. Se você estica ele ao máximo e segura por muito tempo, ele perde aquela capacidade de voltar rápido, ele fica frouxo. No tênis, precisamos de reatividade, precisamos que o músculo funcione como uma mola. Ao fazer alongamento estático antes do jogo, você está “adormecendo” o reflexo de estiramento do músculo, justamente o mecanismo que protege você de lesões quando faz um movimento brusco.

Deixe o alongamento estático para o pós-jogo, quando você já está no banho ou em casa relaxando. Lá sim, ele tem a função de relaxar a fibra muscular e ganhar flexibilidade a longo prazo. Antes do jogo, o foco é mobilidade. Mobilidade é ser capaz de alcançar uma amplitude de movimento com controle e força, não apenas puxar o braço passivamente.

A Magia do Aquecimento Dinâmico

O aquecimento dinâmico é o oposto do estático. Ele envolve movimento contínuo. Nós queremos levar as articulações através de sua amplitude total de movimento, mas de forma rítmica e controlada. Pense em movimentos como girar os braços, fazer passadas largas, rotacionar o tronco. O objetivo é lubrificar a articulação através do movimento, bombear sangue e ativar a musculatura sem relaxá-la excessivamente.

Para o tenista idoso, o aquecimento dinâmico é um “remédio” para a rigidez matinal. Ele “engana” o corpo, simulando os movimentos do tênis sem a carga do impacto da bola. Por exemplo, em vez de segurar o braço cruzado no peito, você vai abrir e fechar os braços como se fosse dar um abraço gigante, repetidamente. Isso solta a musculatura peitoral e das costas, preparando para o movimento de armação do drive e do revés.

A chave aqui é a progressão. Começamos com movimentos pequenos e lentos e vamos aumentando a amplitude e a velocidade conforme o corpo responde. Nunca force um movimento dinâmico se sentir dor. O movimento deve ser fluido. Se sentir uma “trava”, diminua a amplitude e trabalhe ali na borda do desconforto até soltar. É uma negociação com seu corpo, não uma imposição.

Ativação do Sistema Nervoso Central

O tênis é um esporte de decisões rápidas. Em frações de segundo, você precisa ler a bola, ajustar os pés, preparar a raquete e golpear. O aquecimento dinâmico serve para “ligar os disjuntores” do seu cérebro. Movimentos cruzados, como tocar a mão direita no pé esquerdo enquanto caminha, forçam os dois hemisférios do cérebro a se comunicarem. Isso é ouro para a coordenação.

Exercícios de agilidade com os pés, como o “skipping” baixo (corridinha parada levantando pouco o joelho) com rapidez, mandam sinais elétricos de alta frequência para as pernas. Você está dizendo para suas fibras de contração rápida: “Acordem, vamos precisar de vocês agora”. Sem isso, você entra em quadra lento, pesado, com a sensação de que a bola está sempre mais rápida do que você.

Eu gosto de incluir um pouco de desafio cognitivo no aquecimento. Por exemplo, enquanto faz deslocamentos laterais, peça para seu parceiro jogar uma bola com a mão para você pegar. Isso já conecta a visão com o movimento corporal. Você deixa de ser um robô fazendo exercícios e vira um atleta focado na tarefa.


Membros Inferiores: A Base da Sua Potência

Soltando os Quadris para Rotação Eficiente

Você sabia que a falta de potência no saque e nos golpes de fundo muitas vezes não vem do braço, mas de um quadril travado? Especialmente para nós, que passamos muito tempo sentados, o quadril tende a ficar rígido. Se o quadril não gira, a lombar paga a conta. E dor lombar é a aposentadoria precoce do tenista. Precisamos soltar essa região para gerar torque sem sacrificar a coluna.

Um exercício essencial é a “rotação de tronco em pé”. Com os pés plantados na largura dos ombros, gire o tronco para a esquerda e para a direita, deixando o pé de trás girar na ponta (o famoso pivô). Deixe os braços soltos, batendo levemente nas laterais do corpo. Isso imita a mecânica do forehand e do backhand. Faça isso por pelo menos um minuto, sentindo a cintura soltar.

Outro movimento crucial é o “balanço de perna”. Apoie-se na rede ou na grade e balance uma perna para frente e para trás, como um pêndulo, tentando aumentar a altura a cada balanço, mas sem forçar a coluna. Depois, balance a perna lateralmente, cruzando na frente do corpo. Isso abre os adutores e prepara a virilha, uma região que sofre muito nas arrancadas laterais.

Joelhos e Tornozelos: Os Amortecedores

Seus joelhos são os heróis silenciosos do jogo. Eles absorvem o impacto de cada aterrissagem no saque e cada freada brusca. Para protegê-los, precisamos ativar os músculos que os estabilizam, principalmente o quadríceps e os glúteos. O “mini-agachamento” é fantástico aqui. Não precisa descer até o chão. Faça agachamentos curtos, rápidos e rítmicos, focando em manter a coluna reta e o peso nos calcanhares.

Para os tornozelos, que são a base de tudo, recomendo a “caminhada na ponta dos pés” e a “caminhada nos calcanhares”. Ande até a linha de saque na ponta dos pés (ativa panturrilha) e volte apoiado apenas nos calcanhares (ativa a canela/tibial anterior). Isso fortalece a musculatura ao redor do tornozelo, prevenindo torções quando você pisar de mal jeito naquele saibro irregular.

Lembre-se: joelho estável depende de quadril forte e tornozelo móvel. É uma cadeia cinética. Se um elo falha, o outro sobrecarrega. Dedique tempo a esses agachamentos parciais e rotações de tornozelo. Você vai sentir que, ao correr, seus pés estarão mais “espertos” e leves, prontos para mudar de direção sem medo.

A Panturrilha e o Pesadelo do “Tennis Leg”

Eu já vi muitos amigos saírem de quadra carregados porque sentiram uma pedrada na panturrilha. O “tennis leg” é a ruptura parcial do músculo gastrocnêmio, e é super comum acima dos 40 anos. A prevenção número um é o aquecimento específico dessa área. Não negligencie isso jamais.

Faça elevações de panturrilha (ficar na ponta do pé) de forma dinâmica. Suba rápido e desça controlado. Faça umas 20 repetições com os dois pés, e se estiver se sentindo bem, faça 10 em cada pé individualmente, apoiando-se na rede. Isso bombeia sangue diretamente para o músculo que mais trabalha na propulsão do saque e na corrida.

Outro exercício ótimo é o “step simulado”. Use o degrau da quadra ou simplesmente simule o movimento no chão, alternando os pés rapidamente como se estivesse subindo uma escada correndo. Isso traz elasticidade para o tendão de Aquiles e prepara a panturrilha para a explosão do “split step” (aquele saltito que fazemos antes de o adversário bater na bola).


Blindagem dos Membros Superiores

Manguito Rotador: O Motor do Saque

O ombro é a articulação mais móvel e instável do corpo. No tênis, ele é castigado pelo movimento repetitivo do saque e do smash. Se você não aquecer o manguito rotador (os músculos internos que seguram o ombro no lugar), você está pedindo por uma tendinite. Esse aquecimento é obrigatório, não opcional.

Você pode usar a própria raquete ou, idealmente, um elástico leve. Prenda o cotovelo na cintura (imagine que tem uma toalha presa entre o braço e o corpo) e faça movimentos de abrir o braço para fora (rotação externa) e fechar para a barriga (rotação interna). Se não tiver elástico, faça isometria: empurre a mão contra um poste da quadra ou contra a outra mão. Sinta o “fundo” do ombro queimar levemente.

Outro movimento excelente são os “círculos de braço”. Comece com círculos pequenos e vá aumentando até fazer círculos gigantes, para frente e para trás. Isso lubrifica a cápsula articular. Lembre-se: o saque exige que o braço vá muito atrás e muito em cima. Se o ombro estiver frio, o impacto da raquete na bola vai ser absorvido pelos tendões, e não pelos músculos.

Cotovelos e a Prevenção do Tennis Elbow

O temido “Tennis Elbow” (epicondilite lateral) é o pesadelo de quem joga com muito braço e pouco corpo. Embora a técnica correta seja a melhor prevenção, o aquecimento ajuda muito. O segredo é aquecer os extensores do antebraço e do punho.

Estenda o braço à frente, feche o punho e faça rotações com o punho para os dois lados. Depois, abra e feche a mão com força e velocidade, esticando bem os dedos e fechando bem o punho. Faça isso umas 50 vezes até sentir o antebraço esquentar. Isso prepara os tendões que se inserem no cotovelo para suportar a vibração da raquete.

Muitos veteranos usam daquelas faixas de compressão no cotovelo. Elas ajudam, mas não substituem o aquecimento. O músculo aquecido absorve choque; o músculo frio transmite o choque para o tendão. Faça também o movimento de “acelerar a moto” com os braços estendidos. É simples, discreto e salva seus cotovelos.

Punhos Firmes para Voleios Precisos

No jogo de duplas, muito comum entre nós veteranos, o voleio é fundamental. E um bom voleio exige um punho firme, mas flexível. Se o punho estiver “mole”, a raquete gira na mão quando a bola bate fora do centro. Se estiver rígido demais e frio, você lesiona.

Entrelace os dedos das mãos e faça o movimento de “onda” com os punhos, soltando bem as articulações. Depois, com a raquete na mão, faça movimentos de infinito (um 8 deitado) no ar, usando apenas o punho para desenhar. Isso dá sensibilidade e mobilidade.

Lembre-se que o grip (a forma como você segura a raquete) exige força isométrica constante. Aquecer os dedos apertando uma bolinha de tênis velha ou uma daquelas bolinhas de stress enquanto vai para a quadra é uma dica de ouro. Mãos quentes têm mais tato, e mais tato significa voleios e curtinhas muito mais precisas.


Movimentação Específica em Quadra

O Trote com Raquete e Mudança de Direção

Agora que já soltamos as articulações, vamos para a movimentação real. Pegue sua raquete. Comece trotando da linha de fundo até a rede e volte de costas. O trote de costas é vital porque usamos muito esse movimento para se ajustar a um smash ou a uma bola funda. Cuidado para não tropeçar; levante bem os pés.

Depois, faça o “shuffle” lateral (passada lateral). Vá de lado olhando para a rede, sem cruzar os pés, batendo um calcanhar próximo ao outro. Vá até a rede e volte. O tênis é 70% movimentação lateral. Se você só corre para frente no aquecimento, não está aquecendo para o tênis.

Incorpore o “Carioca” (passada cruzada lateral). Cruze a perna direita pela frente da esquerda, depois por trás. Isso solta o quadril em movimento e melhora a agilidade dos pés. Faça isso na linha de fundo, indo de um corredor de duplas ao outro. Sinta o ritmo, sinta os pés leves. Você está ensinando seus pés a dançarem na quadra.

Shadow Tennis: Visualizando os Golpes

O “Shadow Tennis” ou “Sombra” é fazer os movimentos dos golpes sem a bola. É aqui que você conecta a técnica com o físico. Posicione-se na linha de base e faça de conta que está jogando um ponto intenso. Faça um forehand, recupere o centro com passos laterais, faça um backhand, corra para frente para um voleio imaginário e volte para um smash.

Faça isso com intensidade real. Expire o ar (“fsss”) na hora do contato imaginário. Visualize a bola entrando na quadra. Isso ajuda a calibrar o “timing” do seu swing. Faça pelo menos 20 “sombras” completas. Observe se seus pés estão se movendo corretamente para ajustar a distância.

Eu vejo profissionais fazendo isso no vestiário o tempo todo. Eles estão ensaiando a coreografia perfeita. Para nós, além do ensaio mental, serve para garantir que, quando a primeira bola real vier, o corpo já saiba exatamente qual caminho muscular percorrer, evitando movimentos desajeitados que causam lesões.

Trabalho de Pés: O Split Step no Aquecimento

O “Split Step” é aquele pequeno salto que fazemos no momento em que o adversário bate na bola. É o gatilho da nossa movimentação. Muitos veteranos param de fazer isso por preguiça ou cansaço, e é aí que chegam atrasados na bola. Vamos reativar esse hábito no aquecimento.

Na linha de fundo, faça uma sequência de: corridinha no lugar -> Split Step -> Arranque explosivo de dois passos para a direita -> Volte. Repita para a esquerda. O foco é a aterrissagem do split step: suave, com os joelhos flexionados e peso na ponta dos pés, pronto para explodir para qualquer lado.

Treinar isso isoladamente no aquecimento relembra o cérebro de fazer isso durante o jogo. Se você faz 10 split steps bem feitos no aquecimento, a chance de você fazer automaticamente no primeiro game aumenta drasticamente. E chegar meio segundo antes na bola é a diferença entre um winner e um erro não forçado.


O Jogo Mental Começa Antes da Primeira Bola

Foco e Visualização da Tática

Você já entrou em quadra pensando nos boletos, no trânsito ou na discussão em casa? Se sim, você já começou perdendo por 2 a 0. O aquecimento também é mental. Enquanto você faz os movimentos rotacionais ou o trote leve, comece a limpar a mente. Traga sua atenção para o “aqui e agora”.

Visualize suas melhores jogadas. Lembre-se daquela passada cruzada perfeita que você deu semana passada. Imagine onde você vai sacar contra esse adversário específico. “Vou sacar aberto no backhand dele porque ele devolve curto”. Construa o roteiro do jogo na sua cabeça. Isso diminui a ansiedade e aumenta a confiança.

O tênis é um esporte solitário, mesmo em duplas. A conversa interna é constante. Use o tempo de aquecimento para tornar essa conversa positiva. Em vez de pensar “espero não jogar mal hoje”, pense “estou preparado, aquecido e vou me divertir lutando por cada ponto”. A postura mental muda a postura corporal, para raquetes de tenis para jogadores idosos

Controle da Respiração para Gerenciar a Ansiedade

A respiração é o controle remoto do seu sistema nervoso. Se você está ofegante e com a respiração curta antes do jogo, seu corpo entende que está em perigo e libera cortisol e adrenalina descontrolada, o que deixa você tenso e rígido.

Durante o alongamento dinâmico, pratique a respiração diafragmática. Inspire fundo pelo nariz contando até 4, segure por 2 segundos e solte pela boca contando até 6. Isso acalma o batimento cardíaco e oxigena o cérebro. Use a respiração para ritmar seus movimentos de aquecimento.

Quando o jogo começar e a pressão aumentar no 30-40 ou num tie-break, você vai recorrer a essa mesma respiração que treinou no aquecimento para voltar ao eixo. É uma ferramenta poderosa que está sempre com você, mas que precisa ser treinada fora das situações de estresse para funcionar na hora H.

Estabelecendo a Rotina de Pré-Jogo

Os grandes campeões são criaturas de hábitos. O Nadal tem as garrafas, o Djoko tem o alongamento. Crie a sua rotina sagrada. Pode ser: chegar 20 minutos antes, colocar os overgrips com calma, fazer a sequência de elásticos, fazer a movimentação de sombra e só então entrar em quadra.

Ter uma rotina fixa diz ao seu corpo: “É hora de performance”. Isso elimina a incerteza. Se você chega correndo, troca de roupa no carro e entra direto, seu corpo está em estado de caos. A rotina traz ordem. E o tênis premia a ordem e a consistência.

Não precisa ser nada complexo. Pode ser apenas uma sequência de 3 músicas que você ouve enquanto se alonga. O importante é a repetição. Com o tempo, apenas ao iniciar essa rotina, seu corpo já vai começar a liberar as endorfinas necessárias para jogar bem, como um reflexo condicionado.


Ferramentas e Acessórios para Potencializar

O Uso de Elásticos de Resistência

Se tem um investimento que vale cada centavo para o tenista sênior, é um kit de elásticos (therabands). Eles são leves, cabem na bolsa da raquete e salvam ombros. Prenda o elástico na grade da quadra e faça exercícios de rotação externa e interna para o manguito, e puxadas para as costas (remada).

O elástico oferece uma resistência progressiva que o peso livre (halter) não dá. Ele é gentil com a articulação no início do movimento e desafiador no final. Além disso, você pode simular o movimento exato do forehand e do backhand com resistência, ativando o “core” (abdômen e lombar) de forma específica.

Use elásticos de tensão leve a média para aquecimento. O objetivo não é hipertrofia (ganhar músculo), é ativação. 15 a 20 repetições rápidas e leves são melhores do que 5 pesadas. Sinta o músculo acordar, não fadigar.

Rolinhos de Liberação Miofascial

Sabe aquele rolinho de espuma (foam roller)? Tenha um pequeno na bolsa ou no carro. Antes de entrar em quadra, passar o rolinho nas panturrilhas, na banda iliotibial (lateral da coxa) e nas costas ajuda a soltar a fáscia, o tecido que envolve o músculo.

A fáscia tende a ficar “grudada” e rígida com a idade. A automassagem com o rolo hidrata esse tecido, permitindo que o músculo deslize melhor. É um pouco dolorido? Às vezes sim, mas é uma “dor boa” que libera tensão. Pense nisso como escovar os dentes dos seus músculos.

Se não tiver o rolo, uma bolinha de tênis serve para pontos específicos. Pise na bolinha com o pé descalço e role a planta do pé. Isso solta a fáscia plantar e melhora toda a cadeia posterior da perna até a coluna. É um alívio imediato.

Bolas de Baixa Pressão para Início Suave

Aqui vai um segredo de treinador: comece o bate-bola com bolas de baixa pressão (aquelas bolas laranjas ou verdes de criança/beach tennis) se possível, ou use bolas bem usadas e macias nos primeiros 5 minutos.

Bolas novas e duras transmitem muito choque para o braço frio. Começar com uma bola mais lenta e macia permite que você faça o swing completo com confiança, sem medo de jogar a bola na tela. Isso ajuda a encontrar o tempo da bola e o centro da raquete (sweet spot) mais facilmente.

Depois de 5 minutos batendo com controle e sentindo a bola, aí sim troque para as bolas novas do jogo. Você vai sentir que está batendo muito mais limpo. É um pequeno ajuste logístico que faz uma diferença enorme na confiança e no conforto do braço.


Comparando as Abordagens

Vamos colocar preto no branco por que a rotina que discutimos aqui é superior ao que a maioria faz.

RecursoRotina Dinâmica Completa (Recomendada)Só Bater Bola (O “Clássico”)Alongamento Estático (O Antigo)
Foco PrincipalMobilidade articular, temperatura corporal e ativação neural.Ajuste técnico do golpe (olho-mão).Flexibilidade passiva.
Risco de LesãoBaixíssimo. Prepara o corpo para o impacto real.Alto. Músculos frios sofrem com arranques súbitos.Médio/Alto. Pode desestabilizar articulações antes da força.
Performance no 1º GameAlta. Você entra “ligado” e suando.Baixa. Leva uns 3 ou 4 games para soltar.Lenta. O músculo fica “bobo” e menos explosivo.
Impacto nas ArticulaçõesLubrifica e protege através do movimento.Choque direto nas articulações frias.Não gera lubrificação significativa.
Tempo Necessário10 a 15 minutos.5 minutos.10 minutos.
Sensação Pós-JogoMenos dores e recuperação mais rápida.Dores comuns em joelhos e costas.Sensação de peso ou lentidão inicial.

É isso, meu amigo. O tênis é um esporte maravilhoso que nos desafia física e mentalmente. Não deixe que a falta de preparação roube de você o prazer de jogar bem e sem dor. A idade é apenas um número na súmula, desde que você trate seu corpo com o respeito e a estratégia que ele merece.

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