A cultura do pé na areia e a sensibilidade do toque
A conexão natural com a quadra e a leitura do piso
Você já deve ter percebido que a primeira coisa que fazemos ao entrar em quadra é sentir a areia. Existe uma razão técnica para isso além do simples prazer de estar na praia ou em um clube. Seus pés são cheios de terminações nervosas que enviam informações instantâneas para o seu cérebro sobre o terreno. Quando você pisa descalço, seu corpo entende exatamente a profundidade da areia, se ela está fofa ou compactada e qual o nível de inclinação do terreno. Essa leitura sensorial é fundamental para que você ajuste seu centro de gravidade antes mesmo de a bola chegar.
Jogar descalço permite que seus dedos se espalhem completamente na aterrissagem. Esse movimento natural, chamado de “garra”, ajuda na estabilidade momentânea antes de um salto ou de uma corrida rápida para pegar uma bola curta na rede. Muitos alunos iniciantes sentem que, ao colocar qualquer barreira entre o pé e a areia, perdem essa capacidade de “agarrar” o chão. É uma sensação válida e faz parte da adaptação sensorial que todo jogador de tênis de praia passa. O toque direto oferece uma resposta proprioceptiva imediata, o que significa que você sabe onde seu corpo está no espaço sem precisar olhar para os pés.
No entanto, precisamos avaliar se essa sensibilidade “crua” é sempre benéfica. Em areias muito irregulares, o excesso de estímulo sensorial pode ser uma distração. Se você sente cada grão, cada pedra pequena ou cada desnível acentuado, seu cérebro gasta energia processando essas informações em vez de focar na leitura da trajetória da bola. O jogo descalço é a forma mais pura de praticar nosso esporte, mas você precisa entender que “puro” nem sempre significa “mais eficiente” em todas as condições de jogo.
O mito da perda de mobilidade com sapatilhas
Existe uma conversa de vestiário muito comum de que usar sapatilhas de neoprene deixa o jogador “preso” ou pesado. Vamos desmistificar isso agora mesmo com um olhar técnico. O que acontece na verdade é uma mudança na mecânica de atrito. Quando você está descalço e sua pele está suada, o atrito com a areia é um. Quando você coloca uma sapatilha, o material sintético interage de forma diferente com os grãos de areia. Nos primeiros ralis, você pode sentir que o pé não desliza tanto quanto gostaria ou que desliza até demais, dependendo da qualidade do material.
A sensação de perda de mobilidade geralmente vem do uso de equipamentos do tamanho errado ou de má qualidade. Uma sapatilha que fica “sambando” no pé realmente atrapalha. Ela cria um atraso entre o movimento do seu pé e a resposta da sapatilha na areia. Mas se você estiver usando um equipamento ajustado corretamente, a sapatilha passa a funcionar como uma segunda pele. A mobilidade não é reduzida; ela é transformada. Você ganha a capacidade de fazer paradas bruscas sem medo de ralar a planta do pé ou de torcer a pele contra uma areia muito abrasiva.
Pense nos jogadores profissionais que você vê nos torneios da ITF. Muitos usam sapatilhas não porque são obrigados, mas porque a consistência de movimento é vital. Eles não podem se dar ao luxo de hesitar em uma arrancada porque sentiram algo estranho no chão. Com a sapatilha, a superfície de contato é uniforme. Isso permite que você padronize seus movimentos de defesa e ataque. Você sabe exatamente como seu pé vai reagir ao empurrar o chão para um smash, independentemente se a areia naquele pedaço da quadra está mais fofa ou mais dura.
A tradição do esporte e a resistência ao uso de equipamentos
O tênis de praia nasceu com uma vibe descontraída, pé na areia, sol e mar. Essa origem criou uma tradição forte de liberdade. Muitos jogadores, especialmente os que vêm do futevôlei ou do vôlei de praia, trazem essa cultura de que “equipamento é frescura”. Você vai encontrar parceiros que se recusam a usar qualquer coisa nos pés por uma questão de princípio ou estilo de vida. Eles associam o jogar descalço à essência do play, à conexão com a natureza e à informalidade que o esporte carrega em seu DNA.
Essa resistência é compreensível, mas perigosa quando levada ao extremo em ambientes competitivos ou condições adversas. O esporte evoluiu. Hoje, a velocidade da bola é muito maior, os saques são mais potentes e a exigência física sobre as articulações é intensa. A tradição não pode sobrepor a fisiologia e a segurança. Manter-se purista a ponto de jogar com dores ou arriscar lesões não faz de você um jogador melhor, apenas um jogador com a carreira mais curta. É preciso separar o estilo de vida da performance atlética.
Eu gosto de incentivar meus alunos a respeitarem a história do esporte, mas a serem inteligentes sobre sua própria longevidade. Você pode amar a sensação da areia nos pés e jogar descalço naquele bate-bola de fim de tarde, com o sol se pondo e a areia fria. Mas no torneio do fim de semana, ao meio-dia, ou naquele treino intenso de movimentação, a tradição precisa dar lugar à tecnologia. O equipamento existe para servir ao seu jogo, não para mudar quem você é como atleta. Usar sapatilhas não te faz menos “raiz”, te faz um atleta preparado.
O fator climático: Quando a proteção térmica define o jogo
Enfrentando a areia escaldante em horários de pico
Você sabe exatamente do que estou falando. Aquele torneio marcado para as 13h, sol a pino, areia que parece lava vulcânica. Nessas condições, jogar descalço deixa de ser uma opção técnica e vira um teste de resistência à dor. Quando a temperatura da areia ultrapassa os 40 ou 50 graus, seu corpo entra em modo de defesa. Em vez de focar na tática do jogo, seu cérebro fica gritando para você tirar o pé do chão. Isso altera completamente sua base. Você começa a ficar na ponta dos pés, saltitando desnecessariamente, gastando uma energia vital que fará falta no terceiro set.
A sapatilha de neoprene atua como uma barreira térmica essencial nesses momentos. Ela não precisa ser grossa para ser eficiente. A simples camada de material isola a pele do calor direto. Com os pés protegidos, você consegue manter a postura base correta, com os pés plantados e joelhos flexionados, aguardando o saque adversário sem a urgência de levantar o pé porque está queimando. Isso devolve a você o controle mental da partida. Você volta a pensar na bola, não na sola do pé.
Já vi muitos jogos serem perdidos não por falta de habilidade, mas porque um dos lados não conseguia se posicionar em quadra devido ao calor. O jogador evita certas áreas da quadra onde a areia está mais fofa e quente, ou deixa de correr numa bola curta para não enterrar o pé na brasa. Com a sapatilha, a quadra inteira continua sendo sua área de jogo, independente do termômetro. É uma vantagem competitiva gigantesca em países tropicais como o nosso, onde o verão não perdoa.
O desempenho muscular em areia fria e úmida
Agora vamos para o outro extremo, que muita gente ignora. Jogar no inverno ou logo cedo, quando a areia está gelada e úmida, traz riscos diferentes. O frio causa vasoconstrição, diminuindo a circulação sanguínea nos pés. Isso reduz a sensibilidade e deixa a musculatura dos pés e tornozelos mais rígida. Um pé “congelado” perde a capacidade de amortecimento natural. A aterrissagem de um salto fica mais dura, transferindo o impacto direto para os joelhos e quadril. Você fica mais lento e mais propenso a estiramentos.
A sapatilha ajuda a manter a temperatura corporal na extremidade. O neoprene é o mesmo material usado em roupas de surf justamente por essa capacidade térmica, mesmo quando molhado. Manter os pés aquecidos garante que seus ligamentos e tendões permaneçam elásticos e responsivos. Você consegue explodir numa arrancada com muito mais segurança do que se estivesse com os dedos dormentes pelo frio. O conforto térmico no frio é tão importante para a prevenção de lesões quanto a proteção contra queimaduras no calor.
Além disso, a areia úmida e fria tende a ser mais compacta e dura. O impacto repetitivo nessa superfície sem nenhum amortecimento ou proteção pode causar desconforto ósseo, como a sesamoidite (inflamação nos ossinhos abaixo do dedão). A sapatilha oferece uma camada extra de absorção. Não é um tênis de corrida com amortecedor de gel, mas é suficiente para diminuir o choque direto da pele contra uma superfície dura e fria, permitindo que você treine por mais horas sem dor.
O impacto do desconforto térmico na sua concentração mental
O tênis de praia é um esporte de erros não forçados. Quem erra menos, ganha. E a concentração é o pilar da consistência. Se uma parte do seu processamento mental está ocupada monitorando o desconforto nos pés — seja calor extremo ou frio intenso — seu foco na bola diminui. É sutil. Talvez você atrase um milésimo de segundo no split step ou não prepare a raquete tão cedo quanto deveria. Esse pequeno atraso é a diferença entre um winner e uma bola na rede.
O desconforto físico gera irritabilidade. Você começa a reclamar das condições, do sol, do parceiro. A sapatilha elimina essa variável da equação. Ao calçar o equipamento, você resolve o problema do ambiente. Sua mente fica livre para processar o jogo tático: onde o adversário está posicionado, qual o efeito do vento na bola, qual a melhor jogada agora. Você deixa de lutar contra a quadra e começa a lutar contra o adversário.
Eu sempre digo: o equipamento deve ser invisível durante o jogo. Se você não está pensando nos seus pés, é porque tudo está funcionando bem. Jogar descalço em condições extremas torna seus pés os protagonistas do seu pensamento, o que é péssimo para sua performance. Use a sapatilha para “esquecer” que os pés existem e focar no que suas mãos e raquete precisam fazer. A tranquilidade mental de saber que você está protegido permite que você entre no estado de fluxo, onde o seu melhor tênis acontece.
Segurança física: Além da temperatura
Proteção contra objetos cortantes e detritos
Nem sempre jogamos em areias de praias paradisíacas e limpas ou em clubes com manutenção impecável. A realidade de muitas quadras públicas ou praias urbanas é a presença de sujeira misturada à areia. Cacos de vidro, pedaços de conchas afiadas, tampinhas de garrafa, gravetos pontiagudos e até espinhos de plantas locais podem estar escondidos logo abaixo da superfície. Um corte na sola do pé não só encerra seu jogo no dia, como pode te tirar das quadras por semanas até a cicatrização completa, já que é uma área de difícil recuperação por causa do peso do corpo.
Quando você joga descalço, está totalmente exposto a esses perigos invisíveis. Você pode fazer uma vistoria visual na quadra antes de começar, mas é impossível ver o que está enterrado a dois centímetros de profundidade. Durante o jogo, ao afundar o pé para dar impulso, você pode encontrar um desses objetos. A sapatilha de beach tennis possui um solado, geralmente de neoprene reforçado ou até borracha texturizada, que é impenetrável para a maioria desses pequenos detritos.
Essa proteção mecânica é um seguro barato para sua continuidade no esporte. Imagine treinar meses para um torneio e ter que desistir porque pisou num caco de vidro no aquecimento. É frustrante e evitável. Se você não conhece a procedência da areia ou sabe que o local é aberto ao público geral (onde pessoas podem ter deixado lixo), a sapatilha deixa de ser opcional e vira um item de segurança obrigatório. Não vale a pena arriscar sua integridade física pela sensação de pé na areia em locais duvidosos.
A questão da higiene em quadras públicas
Vamos falar de um assunto que pouca gente gosta, mas que é realidade: a limpeza da areia. Em quadras públicas, animais de rua podem ter acesso à caixa de areia durante a noite. Isso significa risco de contaminação biológica. Areia é um ambiente poroso que retém umidade e micro-organismos. O contato direto da pele, especialmente se você tiver qualquer pequena ferida ou arranhão, é uma porta de entrada para bactérias.
Além disso, em complexos com muitas quadras e alta rotatividade de jogadores, o suor de centenas de pessoas pinga naquela areia diariamente. Embora o sol ajude a esterilizar a superfície, as camadas inferiores permanecem úmidas. Jogar de sapatilha cria uma barreira física higiênica. Você evita o contato direto da sua pele com um substrato que pode não estar sanitariamente ideal. Ao chegar em casa, você lava a sapatilha e pronto. Seus pés ficaram protegidos o tempo todo.
Isso é ainda mais crítico para quem tem imunidade baixa ou histórico de problemas de pele. A barreira do neoprene impede que a sujeira penetre nos poros e sob as unhas, facilitando muito a sua higiene pós-jogo. Você não precisa gastar dez minutos esfregando o pé para tirar a “areia preta” encardida. É uma questão de saúde pública e pessoal que muitas vezes passa batido na empolgação do jogo, mas que um profissional precisa alertar.
Prevenção de micose e frieiras
O ambiente quente e úmido entre os dedos dos pés é o resort de férias favorito dos fungos. O famoso “pé de atleta” ou frieira é extremamente comum em quem pratica esportes de areia. A areia abrasiva faz microlesões na pele, e a umidade do suor ou da própria areia cria o ambiente perfeito para a proliferação de fungos. Se você joga descalço, a areia entra no meio dos dedos e fica lá, roçando e mantendo a umidade, muitas vezes contaminada.
Usar sapatilhas não elimina a umidade (seu pé vai suar), mas evita o contato com fungos que já estejam presentes na areia de outros jogadores. O segredo aqui é o uso correto: sapatilha durante o jogo, retirada imediata após o jogo, lavagem e secagem dos pés. A sapatilha protege contra a contaminação externa. Se você tem propensão a micoses, evitar o contato direto com a areia de uso coletivo é uma recomendação médica básica.
Outro ponto é o tratamento. Se você já está com alguma irritação ou início de micose, jogar descalço vai agravar o quadro drasticamente devido à abrasão. A sapatilha permite que você continue treinando (se o médico liberar) sem expor a área afetada a mais sujeira e atrito, protegendo a pele sensibilizada enquanto ela se recupera. É uma ferramenta que permite a continuidade dos seus treinos mesmo quando seus pés não estão 100%.
Análise biomecânica: Estabilidade e tração
Melhorando a arrancada e o sprint curto
No tênis de praia, a explosão muscular é tudo. A maioria dos pontos se decide em movimentos curtos e rápidos. Para você sair da inércia e chegar naquela “curtinha” que morreu na rede, você precisa aplicar força contra o chão. Se o pé escorrega para trás na hora que você empurra, você perde potência e tempo. Isso acontece muito quando estamos descalços em areia muito fofa e seca (“areia de açúcar”), onde o pé não encontra firmeza.
A sapatilha de beach tennis correta ajuda a compactar a areia sob o pé de forma mais eficiente. O solado distribui a força da pisada numa área ligeiramente maior e mais uniforme do que os dedos soltos. Isso gera uma plataforma de lançamento mais estável. Você aplica a força e o corpo vai para frente, sem desperdício de energia deslizando para trás. É física pura: melhor tração igual a maior aceleração.
Observe quando você tenta correr para uma bola no fundo. Aquele primeiro passo é crucial. Com a aderência do material sintético, você consegue “cravar” o pé e confiar que ele vai segurar o tranco da arrancada. Sem essa confiança na tração, você instintivamente desacelera ou dá passos menores para não escorregar, o que te deixa lento. A sapatilha te dá a confiança biomecânica para ser agressivo na movimentação.
Estabilidade lateral em defesas difíceis
A defesa de um smash ou de um saque forte muitas vezes exige que a gente se jogue para o lado. O movimento lateral na areia é perigoso para o tornozelo. Se o pé travar na areia enquanto o corpo continua o movimento, a torção acontece. Por outro lado, se o pé escorregar demais, você cai e não consegue voltar para o ponto. Precisamos de um equilíbrio fino entre aderência e deslizamento controlado.
As sapatilhas específicas para o esporte são desenhadas pensando nisso. Elas não têm travas altas como chuteiras, o que seria perigoso, mas têm textura suficiente para controlar o deslize lateral. Elas seguram o tornozelo de forma leve (especialmente as de cano médio), oferecendo um feedback sensorial extra que ajuda a evitar que você vire o pé numa mudança brusca de direção. Esse suporte, mesmo que leve, faz diferença na propriocepção.
Quando você está na rede trocando voleios rápidos, precisa fazer pequenos ajustes laterais constantes. Com a sapatilha, esses micro-ajustes são mais precisos. O pé não “samba”. Você planta a base, rebate e volta para o centro. Essa estabilidade lateral permite que você mantenha o tronco ereto e a raquete alta, pois não está preocupado em se equilibrar desesperadamente. Sua base se torna sólida como uma rocha., ao escolher sua raquete de beach tenis
O papel do neoprene na propriocepção
Muita gente acha que propriocepção (a noção da posição do corpo) só existe com o pé nu. Mas existe um conceito chamado “biofeedback tátil”. O neoprene, ao abraçar o pé com uma leve compressão, aumenta a consciência corporal daquela região. É como se a sapatilha “acordasse” os sensores de pressão ao redor de todo o pé, não apenas na planta.
Essa compressão suave ajuda o cérebro a monitorar a posição do tornozelo e do arco plantar com mais precisão. Isso é vital quando a areia está desnivelada. Você sente a pressão do tecido mudando conforme o pé se move, o que serve de alerta antecipado para corrigir a pisada antes de uma torção. É uma tecnologia passiva que trabalha a favor da sua biomecânica.
Então, não veja a sapatilha como um isolante que te deixa “cego” para o terreno. Veja como um amplificador de estabilidade. Ela filtra o ruído (pedrinhas, calor, aspereza) e entrega a informação que importa: onde está meu apoio e quanta força posso aplicar. Para um jogador que busca evolução técnica, entender como usar esse equipamento para melhorar a base é um passo importante.
Escolhendo o modelo ideal para o seu jogo
Cano alto versus cano baixo
Essa é uma dúvida clássica dos meus alunos. “Professor, qual eu compro?” A resposta depende do que você prioriza. As sapatilhas de cano baixo (tipo sapatilha de mergulho ou pilates) dão total liberdade ao tornozelo. São mais fáceis de calçar e tiram aquela sensação de ter algo preso na canela. Se você tem um tornozelo forte e móvel e busca apenas proteção térmica na sola, o cano baixo funciona bem.
Porém, o problema do cano baixo na areia é a entrada de grãos. É inevitável. A areia entra, se acumula no calcanhar e vira uma lixa. Já as sapatilhas de cano médio ou alto, que sobem um pouco acima do ossinho do tornozelo, geralmente possuem um velcro ou elástico de vedação. Isso é um divisor de águas. Manter a areia fora da sapatilha é crucial para o conforto em partidas longas.
Além da vedação, o cano mais alto oferece aquela sensação de firmeza extra que mencionei antes. Não é uma tala rígida, mas dá segurança psicológica e tátil. Para quem já teve entorses passadas, eu recomendo fortemente o modelo de cano mais alto com ajuste em velcro. A troca de um pouquinho de liberdade de movimento por um interior livre de areia e um tornozelo mais estável vale muito a pena.
Espessura do solado e sensibilidade
Nem todas as sapatilhas são iguais embaixo. Existem modelos com solado de 3mm, 5mm e até solados reforçados com kevlar ou borracha vulcanizada. Se você é do time que ama jogar descalço e só vai usar sapatilha porque o chão está pegando fogo, procure os modelos com solado mais fino (3mm) e puramente de neoprene. Eles protegem do calor, mas deixam você sentir cada contorno do terreno. É a transição mais suave.
Agora, se o seu foco é performance e proteção contra impacto em areia dura, ou se você joga em locais com muitos detritos, um solado mais robusto é necessário. Existem modelos com texturas de silicone ou borracha na planta do pé. Esses modelos tiram um pouco da sensibilidade fina, mas aumentam muito a tração e a durabilidade.
Você precisa testar. O que funciona para o seu parceiro pode ser horrível para você. Alguns jogadores sentem que o solado grosso os deixa “altos” e instáveis. Outros sentem que o solado fino rasga muito rápido. O equilíbrio ideal geralmente está nos modelos intermediários, desenvolvidos especificamente para Beach Tennis (e não adaptados do mergulho), que reforçam apenas as áreas de maior desgaste (dedão e calcanhar) e deixam o meio do pé mais flexível.
Materiais respiráveis e drenagem de água
Por fim, não compre nada que não tenha tecnologia de secagem rápida ou drenagem. O pé transpira muito durante o jogo. Se a sapatilha retiver esse suor, vira um aquário quente. A pele fica enrugada (macerada) e muito frágil, soltando a tampa de bolhas com facilidade. O bom equipamento deixa a água sair, mas não deixa a areia entrar.
Procure por termos como “neoprene perfurado” na parte superior ou tecidos como spandex na região do peito do pé. Isso permite a troca de calor. Se você for jogar na chuva, isso é ainda mais importante. Uma sapatilha encharcada pesa. Cada grama extra no pé conta depois de 40 minutos de jogo.
Cuidar do equipamento também é parte do jogo. Lavar com água doce logo após o uso e deixar secar à sombra (o sol resseca e racha o neoprene) vai fazer sua sapatilha durar temporadas inteiras. Se você larga ela molhada e cheia de areia na raqueteira, ela vai apodrecer, cheirar mal e perder a elasticidade. Trate sua sapatilha como você trata sua raquete de carbono. Ela é uma ferramenta de trabalho.
Comparativo de Opções para os Pés
Aqui está um quadro simples para te ajudar a visualizar onde você se encaixa melhor hoje:
| Característica | Sapatilha Específica de Beach Tennis | Meia Comum de Algodão/Sintética | Jogar Descalço (Pé na Areia) |
| Proteção Térmica | Alta. Isola bem do calor extremo e do frio úmido. | Baixa/Média. Molha rápido e perde o isolamento. Esquenta no sol. | Nenhuma. Exposição total a queimaduras ou dormência. |
| Estabilidade | Alta. Grip projetado para tração na areia e ajuste no tornozelo. | Péssima. A meia escorrega dentro do pé e na areia. Risco de queda. | Média/Alta. Boa garra natural, mas varia conforme o tipo de areia. |
| Custo | Investimento inicial médio/alto (R$ 80 – R$ 250). | Baixíssimo (mas estraga em um jogo). | Zero. |
| Sensibilidade | Média. Filtra o terreno, mas mantém a propriocepção. | Alta. Mas com o desconforto do tecido molhado e sujo. | Máxima. Contato direto e leitura total do piso. |
| Ideal para: | Torneios, sol forte, inverno, quadras desconhecidas, performance. | Quebra-galho de emergência (não recomendado). | Treinos leves, fim de tarde, areia limpa e temperatura amena. |
Olha, no fim das contas, a decisão é sua, mas a informação técnica está aí. Se você quer levar seu jogo para um nível mais sério e garantir que vai poder jogar amanhã sem dores ou queimaduras, ter um par de sapatilhas na raqueteira é o passo mais inteligente que você pode dar hoje. Não precisa usar sempre, mas precisa ter a opção de usar quando o ambiente exigir.
Que tal você testar um modelo de cano médio no próximo treino das 11h e me dizer se sentiu diferença na sua chegada na bola curta?

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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