Fala, campeão! Tudo certo nesse forehand aí?
Hoje a gente vai dar uma pausa nas correções de grip e no ponto de contato da bola para falar de algo que, sinceramente, a maioria dos meus alunos negligencia até torcer o pé ou sentir aquela dor no joelho pós-treino. Vamos falar sobre o que está nos seus pés.
Você já parou para olhar com calma o que os caras do Top 10 da ATP estão calçando? Não estou falando de olhar só para comprar igual porque é bonito. Estou falando de entender por que o Sinner usa aquele modelo específico ou por que o Djokovic é tão obsessivo com a Asics, ao escolher sapatos masculinos para jogar tenis
No tênis moderno, meu amigo, o jogo ficou rápido demais. A bola está pesada, os caras batem a 150 km/h de fundo de quadra. Se você não tiver uma base sólida — e por base eu digo literalmente a borracha entre você e o chão —, você não chega na bola. Ou chega desequilibrado.
Então, puxa uma cadeira aqui no banco da quadra, toma um gole de água e vamos analisar o que as lendas atuais estão usando e, o mais importante, o que isso ensina para o nosso jogo de clube no fim de semana.
O Grande Duelo: Nike e a Explosão de Velocidade
Se você ligar a TV em qualquer final de Grand Slam hoje, há uma chance enorme de ver aquele “swoosh” (o logo da Nike) correndo de um lado para o outro. Atualmente, garotos prodígio como Carlos Alcaraz e Jannik Sinner são os grandes estandartes da marca. Mas não é só marketing, tem muita engenharia envolvida ali para suportar a violência com que esses garotos se movem.
A Linha Zoom Vapor: Leveza para quem voa em quadra
Vamos falar da série NikeCourt Air Zoom Vapor. Essa linha é lendária. Ela vem desde a época do Roger Federer. O conceito aqui é simples: velocidade pura. Jogadores como o Alcaraz não correm, eles sprintam. A cada ponto, é um tiro de 100 metros rasos com barreiras.
O modelo que domina o Top 10 nessa categoria (geralmente o Vapor Pro 2 ou o Vapor 11) é construído para ser “perto do chão”. O que isso significa para você? Significa que a sola não é super alta. Você sente a quadra. Isso te dá uma resposta tátil imediata. Quando você planta o pé para mudar de direção, o tênis responde na hora. Não tem aquela sensação de “gelatina” embaixo do pé.
Para você, meu aluno, se o seu jogo é baseado em chegar em todas as bolas, em ser rápido e agressivo na rede, esse tipo de sapatilha é o ideal. Ela tira o peso extra. É como tirar sacos de areia dos tornozelos.
Estabilidade em Troca de Direção: O segredo do footwork moderno
Agora, preste atenção nisso aqui. Você viu o Sinner jogando no Australian Open? Viu como ele abre as pernas quase num espacate (o open stance) para bater o backhand e recuperar o centro da quadra em um milissegundo? Isso exige uma estabilidade lateral absurda.
As sapatilhas da Nike focadas nesses jogadores possuem uma “parede” lateral reforçada. No tênis, a gente raramente corre só para frente como na corrida de rua. A gente corre para o lado, freia bruscamente e volta. Se o tênis não tiver essa contenção lateral, seu pé “sambaria” dentro do calçado. O resultado? Torção de tornozelo ou bolhas horríveis.
Os modelos usados pelo Top 10 têm sistemas de amarração que travam o pé no lugar. É como um cinto de segurança. Você pode frear a 200km/h que seu pé não vai deslizar para fora da base da sola. Isso te dá confiança. E no tênis, confiança no footwork é 50% do caminho para bater bem na bola.
Durabilidade vs. Performance: O dilema dos profissionais
Aqui vai um “segredo sujo” do circuito profissional que você precisa saber para não se frustrar. Sabe aquela sapatilha linda do Alcaraz? Ele troca de par a cada duas ou três partidas. Às vezes, a cada partida. Por quê? Porque sapatilhas focadas em performance extrema, como as Vapors, costumam sacrificar um pouco a durabilidade em nome da leveza.
Borracha pesa. Reforço de couro pesa. Para deixar o tênis leve, eles usam malhas (mesh) e borrachas mais finas. Para um profissional que recebe o material de graça, ótimo. Para nós, que pagamos caro no equipamento, é algo a se considerar.
Não estou dizendo que elas vão rasgar em uma semana, mas se você joga em quadra dura (hard court) três vezes por semana, uma sapatilha de “velocidade” vai gastar a sola muito mais rápido do que uma sapatilha de “estabilidade/durabilidade”. É o preço que se paga para se sentir leve como uma pena.
A Engenharia Japonesa da Asics: O Padrão Ouro de Novak Djokovic
Se a Nike é o carro de Fórmula 1 leve e rápido, a Asics se posicionou como o tanque de guerra tecnológico. E quem é o garoto-propaganda disso? Ninguém menos que o maior de todos os tempos em estatísticas, Novak Djokovic. A relação dele com a Asics é tão profunda que ele ajudou a desenvolver o modelo dele.
Court FF 3 Novak: A sapatilha híbrida perfeita?
Djokovic usa o Asics Court FF 3 Novak. E deixe-me te dizer, como professor, esse é um dos sapatos mais impressionantes que já vi. Ele tenta fazer o impossível: ser estável como uma rocha e ágil como um gato.
A grande sacada desse modelo é o solado dividido. Se você olhar a sola, ela tem partes separadas que permitem maior flexibilidade, mas a estrutura em volta do calcanhar é rígida. Isso permite que o Djokovic faça aqueles deslizes insanos em quadra dura (o hard court sliding) sem destruir os joelhos.
Para você, meu aluno, usar um tênis desse nível oferece uma proteção articular superior. Ele absorve o impacto de uma forma que poucos conseguem. Se você já tem uma dorzinha na lombar ou no joelho, eu sempre recomendo olhar para a Asics com carinho. É engenharia japonesa focada em biomecânica.
Gel-Resolution: A âncora para o tenista de fundo de quadra
Enquanto o Djokovic usa o Court FF, muitos outros profissionais (e uma legião de amadores) juram fidelidade ao Gel-Resolution (atualmente no modelo 9). Esse é o “tanque”. É a sapatilha mais vendida em muitos clubes por um motivo: ela não te deixa na mão.
Jogadores como Alex de Minaur (embora ele varie modelos, a base de seu jogo pede isso) precisam de algo que aguente o tranco. O Resolution é focado em estabilidade lateral máxima. É quase impossível virar o pé usando um desses bem amarrado.
A desvantagem? Ele é um pouco mais pesado e “duro” no começo. Você precisa “quebrar” o tênis (amaciá-lo) por uns dias. Mas depois que ele molda no seu pé, você se sente indestrutível. Para quem joga muito no fundo de quadra trocando 50 bolas, esse suporte extra poupa suas pernas de uma fadiga desnecessária.
A Ciência do Deslize: Como deslizar no piso duro sem torcer o tornozelo
Você já tentou deslizar na quadra dura e seu tênis travou no chão, quase te jogando de cara na rede? Isso acontece porque a borracha e o padrão da sola não foram feitos para isso.
Os modelos top de linha da Asics usados no circuito têm uma composição de borracha muito específica. Ela agarra quando você precisa de tração para arrancar, mas “solta” um pouco quando você entra no ângulo de freio extremo, permitindo o deslize controlado.
Isso é tecnologia de ponta. Não tente deslizar com seu tênis de corrida normal ou com uma sapatilha velha de solado gasto. O tombo é certo. Os pros conseguem fazer isso porque têm a técnica física, claro, mas o equipamento permite que o movimento aconteça. É a união perfeita entre o atleta e a ferramenta.
As “Underdogs” de Elite: Adidas, Lacoste e Yonex
O mundo não é só Nike e Asics, embora pareça às vezes. Temos outras gigantes vestindo o Top 10 com tecnologias que valem muito a pena conhecer. Às vezes, o formato do seu pé não bate com as marcas líderes, e é aí que essas opções brilham.
Adidas Ubersonic e Barricade: A volta dos clássicos com Zverev
A Adidas tem uma história rica. Quem não lembra dos Barricade antigos que duravam uma eternidade? Hoje, Alexander Zverev e Stefanos Tsitsipas são os rostos principais.
Zverev geralmente opta pela linha Ubersonic. Pense nela como a resposta da Adidas ao Vapor da Nike. É super leve, tem um design tipo “meia” (bootie construction) que abraça o pé sem precisar de uma língua grossa atrapalhando. É uma sapatilha para quem gosta de se sentir ágil.
Já o Barricade voltou renovado. Ele tinha fama de ser pesado e desconfortável (mas indestrutível). A nova versão manteve a estabilidade lendária, mas melhorou muito o conforto. A Adidas usa um sistema de torção no meio do pé que é excelente para quem tem arco do pé alto e precisa de suporte. Se você gosta de sentir o pé “preso” e seguro, a Adidas tem formas que costumam ser um pouco mais largas que a Nike, o que é um alívio para muitos brasileiros.
A Revolução da Lacoste com Medvedev: Estabilidade para gigantes
Daniil Medvedev é um caso curioso. Ele joga de um jeito todo “desengonçado” (no bom sentido, ele é um gênio tático), e por muito tempo usou Nike. Mas a Lacoste, que sempre foi vista mais como roupa de estilo do que performance, investiu pesado e criou o AG-LT23 Ultra.
Não é apenas uma sapatilha bonita com um crocodilo do lado. É uma peça de tecnologia séria. Medvedev precisa de estabilidade extrema porque ele cobre a quadra com passadas muito largas e muda de direção de forma abrupta. O tênis da Lacoste foca muito na estabilidade do calcanhar e no retorno de energia.
Eu testei um par desses recentemente e me surpreendi. Eles conseguiram misturar o estilo clássico com uma performance de quadra dura muito respeitável. Se você quer sair do óbvio e ter um visual diferenciado no clube, sem perder em performance, é uma escolha sólida.
Yonex: A precisão suíça (nos pés de Casper Ruud) e o conforto subestimado
A Yonex é japonesa (sim, igual a Asics), mas tem essa aura de precisão cirúrgica. Casper Ruud e Hubert Hurkacz confiam na marca. A Yonex tem uma tecnologia chamada Power Cushion.
Vou te falar como se eu estivesse te contando um segredo: O amortecimento da Yonex é, na minha opinião, o melhor para evitar fadiga. Eles fazem aquele teste do ovo cru caindo na espuma e não quebrando, lembra? Na prática, isso significa que seus joelhos agradecem após 3 sets disputados.
O modelo Eclipsion (usado pelo Ruud) é focado em estabilidade e suporte. O que eu gosto na Yonex é o formato da caixa dos dedos (toebox). Ela tende a ser um pouco mais anatômica, não espremendo tanto os dedos como algumas marcas ocidentais. Se você sofre com unhas roxas ou bolhas nos dedinhos, dê uma chance para a Yonex.
Trazendo para a Sua Realidade: Como Escolher a Sua “Arma”
Ok, já falamos dos deuses do Olimpo do tênis. Mas e você? Você, que joga terça e quinta à noite e o torneio da barragem no sábado? Não adianta comprar o tênis do Sinner se o seu pé é chato e o dele é cavado, ou se você joga no saibro e o modelo é para quadra rápida.
Identificando sua “Identidade de Quadra”: Você é um corredor ou um “batedor”?
Seja honesto comigo agora. Qual é o seu estilo de jogo?
- O Corredor: Você não desiste de nenhuma bola. Corre de um lado para o outro, chega em curtinhas, dá lob e volta correndo.
- Sua escolha: Você precisa de leveza. Vá de Nike Vapor Pro, Adidas Ubersonic ou Asics Solution Speed. Você quer sentir que está descalço, mas com proteção.
- O Batedor (Baselijner Sólido): Você gosta de ficar plantado no fundo, batendo forte, usando a força do chão. Você não corre tanto para a frente, mas se move muito lateralmente.
- Sua escolha: Você precisa de estabilidade. Vá de Asics Gel-Resolution, Adidas Barricade ou Yonex Eclipsion. Você precisa de uma base firme para transferir potência para a bola.
Não compre uma sapatilha de velocidade se você é um jogador pesado que precisa de amortecimento e suporte. Vai durar pouco e seu pé vai doer.
O Mito do Conforto Imediato: Amaciando o calçado como um profissional
Você vai na loja, coloca o tênis e pensa: “Hum, está meio apertado aqui do lado”. Cuidado. Tênis de performance deve ser justo. Se estiver folgado na loja, vai ficar sambando na quadra depois de duas semanas.
Porém, existe uma diferença entre justo e machucando. O teste de ouro é o calcanhar. O calcanhar sai quando você anda? Se sair, esqueça. O tênis tem que travar seu calcanhar.
E outra dica de coach: nunca estreie um tênis novo em dia de jogo importante. Os profissionais usam os treinos para amaciar o calçado. A espuma precisa moldar, a cola precisa ceder um pouco. Use o tênis novo para caminhar em casa, depois num treino leve de paredão, e só depois vá para o jogo valendo o refrigerante.
Clay vs. Hard Court: Por que você não deve usar a sola errada
Eu vejo isso todo dia e me dá arrepios. Aluno chegando com sapatilha de solado liso (All Court ou Hard Court) para jogar no saibro molhado. É pedir para se lesionar na virilha.
- Saibro (Clay): A sola tem que ser “Espinha de Peixe” (aquele zigue-zague completo e profundo). Isso serve para a terra entrar e sair, dando tração.
- Quadra Rápida (Hard Court): A sola tem padrões mistos e borracha mais resistente.
Se você usar o tênis de saibro na quadra dura, vai gastar a sola em um mês. Se usar o de quadra dura no saibro, vai patinar igual quiabo. Se você joga nos dois pisos e a grana está curta para ter dois pares, compre um All Court, mas saiba que ele é um “pato”: nada, anda e voa, mas não faz nada disso perfeitamente.
Quadro Comparativo: O Duelo das Titãs
Para facilitar sua vida, montei esse quadro comparando três dos modelos mais vistos no topo do ranking.
| Característica | Nike Air Zoom Vapor Pro 2 | Asics Court FF 3 (Novak) | Adidas Adizero Ubersonic 4 |
| Principal Usuário | Carlos Alcaraz / Taylor Fritz | Novak Djokovic | Alexander Zverev |
| Ponto Forte | Velocidade explosiva e leveza | Estabilidade híbrida e deslize | Rapidez e ajuste tipo “meia” |
| Sensação | Pé no chão (Low to ground) | Robusto e seguro | Leve e flexível |
| Durabilidade | Média (foco em performance) | Alta (construção reforçada) | Média/Alta |
| Ideal para | Jogadores ágeis e agressivos | Quem quer proteção total e deslize | Quem busca conforto e agilidade |
| Preço Médio | Alto | Muito Alto (Premium) | Médio/Alto |
O Próximo Passo para o Seu Jogo
Então, é isso! Agora você já sabe que não existe “a melhor sapatilha do mundo”, existe a melhor sapatilha para o seu pé e para o seu estilo de jogo, inspirada no que os melhores do mundo usam.
O que eu quero que você faça agora é o seguinte: Vá até seu armário, pegue sua sapatilha atual e olhe a sola. Se ela estiver “careca” em algum ponto, ou se o calcanhar estiver torto para dentro ou para fora, está na hora de trocar. Seu joelho não tem peça de reposição, meu amigo.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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