E aí, campeão. Chega mais perto da rede que hoje o papo é sério, mas fora das quatro linhas. Você gasta horas aperfeiçoando aquele topspin de direita, ajusta a tensão das cordas a cada torneio e compra a raquete que o número 1 do mundo usa. Mas aí eu olho para os seus pés e vejo que você está deslizando na quadra com o equipamento errado. Acredite em mim, o tênis não começa na raquete, ele começa no chão.
Eu vejo isso acontecer o tempo todo aqui no clube. O aluno chega com um calçado super leve, feito para velocistas, mas o jogo dele é ficar plantado na linha de fundo trocando bola pesada por três horas. O resultado? Tornozelo virando, sola gastando em duas semanas e dores no joelho. O seu tênis é a sua fundação. Se a fundação não combina com a casa que você está construindo, a estrutura racha, ao escolher sapatos masculinos para jogar tenis
Vamos entender de uma vez por todas como o seu DNA de tenista define o que você deve colocar nos pés. Não é sobre marca ou cor bonita, é sobre biomecânica e estratégia. Se você joga como o Nadal, não pode usar o sapato do Federer, e vice-versa. Prepare-se, porque essa aula teórica vai salvar seu jogo prático.
Diga-me Como Você Joga e Eu Direi O Que Calçar
O “Grinder” de Fundo de Quadra (Estilo Agressivo de Base)
Se você é aquele jogador que monta acampamento na linha de base e se recusa a errar, preste atenção. Seu jogo é lateral. Você corre de um lado para o outro, parando bruscamente para bater uma direita invertida e depois explodindo para recuperar uma bola na esquerda. Para esse estilo de jogo, a palavra de ordem é estabilidade. Você não precisa de uma sapatilha de balé; você precisa de um tanque de guerra. O tênis para o baseliner possui tecnologias nas laterais do cabedal, chamadas de “garras” ou suportes rígidos, que impedem que seu pé deslize para fora da base da sola quando você freia com violência. Sem isso, você perde tempo na recuperação e corre um risco enorme de torção.
Além da estabilidade, a durabilidade é a sua melhor amiga. Jogadores de fundo de quadra são os maiores pesadelos das solas de borracha. Como você passa 90% do tempo esfregando o tênis lateralmente contra o piso abrasivo da quadra rápida ou deslizando no saibro, a sola precisa ser densa. Procure modelos que ofereçam garantia de solado ou que usem compostos de borracha de alta abrasão. Se você escolher um tênis minimalista focado apenas em velocidade, vai abrir um buraco na sola antes de terminar a temporada de torneios do clube. É dinheiro jogado fora e desempenho comprometido.
Por último, não podemos esquecer do amortecimento robusto. Diferente do jogador de rede que busca pontos curtos, você gosta de ralis longos. Isso significa centenas de pequenos saltos e aterrissagens duras a cada set. O seu calçado precisa ter uma entressola capaz de absorver essa punição contínua para que suas articulações não paguem o preço. Tênis para baseliners costumam ser um pouco mais pesados, mas esse peso extra é, na verdade, massa muscular de proteção. É o preço que se paga para ter conforto e segurança enquanto você mói o adversário pelo cansaço.
O Especialista em Saque e Voleio (Attacker/Net Rusher)
Agora, se o seu negócio é matar o ponto rápido, subir à rede e pressionar, a história muda completamente. O jogador de ataque vertical, aquele que faz o saque-e-voleio, precisa de velocidade pura. O seu movimento predominante é para frente. Você saca e explode em direção à rede. Para isso, você não pode ter “tijolos” nos pés. Você precisa de um calçado leve, aerodinâmico, que facilite o primeiro passo explosivo. Cada milissegundo conta quando você está tentando interceptar uma passada na rede. Um tênis leve faz você sentir que está flutuando, permitindo ajustes finos de posicionamento num piscar de olhos.
Outro detalhe técnico crucial para o seu estilo é a proteção na biqueira, o famoso toe cap. Observe o saque de um profissional agressivo: o pé de trás geralmente arrasta no chão durante o movimento do serviço. Se você é um sacador nato, a ponta do seu tênis sofre um atrito brutal a cada game de serviço. Tênis projetados para atacantes possuem um reforço extra nessa região interna e frontal. Se você usar um tênis de corrida ou um modelo genérico, vai rasgar o tecido do dedão em pouquíssimo tempo. Esse reforço precisa ser resistente, mas não pode comprometer a flexibilidade do calçado.
Falando em flexibilidade, ela é vital para o seu split step. Quando você está subindo à rede e o adversário vai bater na bola, você precisa dar aquele pequeno salto de leitura. O tênis precisa dobrar facilmente na região dos metatarsos (a base dos dedos) para que você fique na ponta dos pés, pronto para atacar uma bola baixa ou saltar para um smash. Um solado muito rígido, que é bom para o jogador de fundo, pode fazer você se sentir “travado” na hora de volear. Você precisa de sensibilidade, precisa sentir o chão para reagir rápido. É como dirigir um carro esportivo: você quer sentir a pista, não ficar isolado dela.
A Biomecânica Oculta do Seu Jogo
Muitos alunos meus esquecem que o pé tem um formato e um comportamento único. Não adianta comprar o tênis mais caro se ele não conversa com a sua pisada. Precisamos falar sobre pronação (pisada para dentro) e supinação (pisada para fora). Se você tem o pé chato e prona muito, e ainda por cima joga de fundo de quadra, a força que você exerce na borda interna do tênis é gigantesca. Nesse caso, você precisa de um calçado com suporte de arco rígido e tecnologias de controle de movimento. Já se você tem o arco alto (supinador), seu pé é naturalmente mais rígido e absorve menos impacto, exigindo um tênis com amortecimento extra macio para compensar a falta de absorção natural do seu corpo.
Outro ponto técnico que poucos observam é o “drop” do tênis, que é a diferença de altura entre o calcanhar e a ponta do pé. Um drop mais alto coloca você numa posição de prontidão, jogando seu peso levemente para frente. Isso é excelente para quem tem problemas no tendão de Aquiles ou panturrilha, pois alivia a tensão nessas áreas. Já um tênis mais plano (drop baixo) oferece uma sensação de estabilidade maior, pois você se sente mais “conectado” ao chão, o que é preferido por jogadores que deslizam muito em quadras de saibro e precisam confiar que o tornozelo não vai virar no meio do deslize.
E não podemos ignorar o sistema de bloqueio do calcanhar, o heel lock. Sabe aquela sensação horrível de sair do tênis quando você corre para pegar uma bola curta? Isso destrói sua confiança. Um bom tênis de performance tem uma estrutura rígida no contraforte (a parte de trás) e um acolchoamento interno que “morde” o seu calcanhar, mantendo-o no lugar. Se o seu pé sambar dentro do calçado, você perde energia a cada passo. A energia que deveria ir para a bola é desperdiçada tentando equilibrar seu corpo. O ajuste deve ser como uma luva: firme, mas sem cortar a circulação.
Erros Fatais na Escolha do Equipamento
Eu canso de ver gente perdendo unha do pé à toa. O erro número um é comprar o tênis do tamanho exato do pé casual. Escute o que eu digo: no tênis, o pé incha e se espalha. Durante uma partida intensa, o fluxo sanguíneo nos pés aumenta, e as frenagens bruscas empurram seu pé para a frente do calçado. Se não houver espaço, seus dedos vão bater na frente dura do tênis repetidamente. O resultado é a famosa “unha preta” de tenista. A regra de ouro é: deve sobrar a largura de um polegar entre o seu dedo mais longo e o bico do tênis. Parece grande na loja, mas na quadra, no terceiro set, você vai me agradecer.
Outro erro clássico é a ansiedade de estrear o tênis novo em dia de jogo importante. O tênis de performance, especialmente os de estabilidade para baseliners, são rígidos. Eles precisam de um período de “amaciamento” ou break-in. Se você tirar um par de sapatilhas robustas da caixa e for jogar duas horas valendo o ranking, vai terminar com bolhas e dores no arco do pé. Use o tênis novo em casa, caminhe com ele, faça um treino leve de paredão. Dê tempo para os materiais cederem e se moldarem ao formato do seu pé. O equipamento tem que ser uma extensão do seu corpo, não um corpo estranho lutando contra você.
Por fim, pare de negligenciar as meias. Você gasta uma fortuna no tênis e usa uma meia fina de algodão comum? Isso é um crime. A meia é a interface entre a pele e o calçado. Meias de algodão encharcam de suor, aumentam o atrito e causam bolhas. Você precisa de meias sintéticas específicas para tênis, com reforço nas áreas de impacto e zonas de ventilação. Uma meia grossa também ajuda a preencher espaços vazios no tênis, melhorando o ajuste final. O conjunto “meia técnica + tênis correto” é o que garante que você não vai pensar nos pés durante o tie-break.
Comparativo de Arsenal
Para facilitar sua vida, montei esse quadro comparativo. Pense nisso como escolher sua arma para a batalha:
| Característica | Tênis de Estabilidade (Fundo de Quadra) | Tênis de Velocidade (Saque/Rede) | Tênis Híbrido (“All-Court”) |
| Foco Principal | Suporte lateral e durabilidade máxima. | Leveza, flexibilidade e arranque. | Equilíbrio entre suporte e peso. |
| Peso | Mais pesado (>400g geralmente). | Super leve (<350g geralmente). | Médio (~370g). |
| Estrutura | Rígida, difícil de torcer com as mãos. | Flexível, dobra fácil na frente. | Estrutura média, haste no meio do pé. |
| Durabilidade | Alta (sola grossa e cabedal reforçado). | Média/Baixa (foco em materiais finos). | Boa durabilidade. |
| Perfil de Jogador | Nadal, Djokovic (estilo parede). | Federer (fases ofensivas), Kyrgios. | Jogadores de clube versáteis. |
| Exemplos Reais | Adidas Barricade, Asics Gel Resolution. | Nike Vapor, Asics Solution Speed. | Asics Court FF, Wilson Rush Pro. |
Agora você tem o conhecimento. Não subestime o poder de uma boa escolha. Quando seus pés estão confortáveis e seguros, sua mente fica livre para focar no que importa: a tática, o swing e a vitória.
Gostaria que eu analisasse o modelo específico de tênis que você está usando agora para te dizer se ele realmente combina com o seu estilo de jogo?

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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