Fala, meu aluno. Chega mais perto da rede que hoje o papo é sério. Você já deve ter percebido que soltar o braço e tentar furar a areia com a bola nem sempre ganha jogo. O Beach Tennis moderno está cada vez mais rápido, mas a sabedoria de quem sabe colocar a bola onde quer é o que separa os batedores de bola dos verdadeiros jogadores. Se você quer dominar aquela bola curta, aquela que morre logo depois da rede e deixa o adversário com a cara na areia, você precisa da ferramenta certa. Não adianta ter a mão de fada se a sua raquete é uma tábua rígida feita para dar marretada.., ao escolher sua raquete de beach tenis
Vamos dissecar o que você precisa buscar na loja ou na internet. Esqueça um pouco as cores vibrantes e o marketing das marcas famosas que prometem potência infinita. O nosso jogo aqui é xadrez, não é boxe. Precisamos de precisão, toque e conforto. Uma raquete de controle funciona como uma extensão do seu sistema nervoso. Ela precisa te dar o feedback exato de onde a bola bateu e para onde ela vai. Se a raquete não te passa essa informação, sua curta vai sair alta ou vai ficar na rede. Prepare-se para entender a física por trás do equipamento que vai mudar seu nível de jogo.
Nesta aula teórica, vou te passar o mapa da mina. Vamos falar de materiais que abraçam a bola, de balanços que deixam sua mão rápida e de detalhes que a maioria dos amadores ignora. Você vai sair daqui sabendo escolher uma raquete que perdoa seus atrasos e premia sua inteligência tática. Preste atenção em cada detalhe, porque no 15 a 15, quem tem controle dita o ritmo do ponto. Vamos lá.
O Coração da Raquete e o Ponto Doce
A alma de qualquer raquete de Beach Tennis é o que está dentro dela, o núcleo. Para você que busca controle e aquela matada no peito da bola, a espuma interna é o fator determinante. Estamos falando do EVA. Se você pegar uma raquete com EVA muito duro, a bola vai bater e sair voando como se tivesse batido num muro de concreto. Para o controle, você precisa do oposto. Você precisa do EVA Soft ou Super Soft. Essa espuma mais macia funciona como um amortecedor. Quando a bola impacta, a raquete “deforma” levemente, segurando a bola por uma fração de milésimo de segundo a mais. É nesse tempo minúsculo que você consegue direcionar a bola curta com precisão.
O conceito de “Sweet Spot”, ou ponto doce, é vital aqui. Raquetes de controle tendem a ter um ponto doce mais amplo, geralmente localizado bem no centro da face. Isso significa que mesmo se você não acertar a bola exatamente no meio geométrico da raquete, o tiro ainda sai com qualidade e direção. Uma raquete de potência pura tem um ponto doce pequeno e elevado. Se você erra um centímetro com ela, a bola morre. Para quem quer jogar curtos, a confiança de saber que a raquete vai responder bem em uma área maior da face permite que você relaxe o braço. E braço relaxado é o segredo do toque suave.
A sensibilidade que a espuma macia oferece é o que chamamos de “feeling”. Imagine que você está tentando fazer um carinho na bola, não um tapa. Com um núcleo macio, você sente a vibração chegar na sua mão de forma limpa, sem aquele choque seco. Isso permite que seu cérebro ajuste a força necessária para a próxima bola instantaneamente. Jogadores de controle vivem dessa resposta tátil. Se a raquete é dura demais, você perde essa conexão sensorial e vira um robô tentando adivinhar a força. Busque sempre na descrição técnica o termo “Soft” ou “Black EVA Soft”.
Materiais da Face e a Resposta ao Toque
Agora vamos falar da pele da raquete, o material que cobre o EVA. Aqui existe muita confusão no mercado. Você vai ouvir falar de Carbono 3K, 12K, 18K, Kevlar e Fibra de Vidro. Para o nosso objetivo, que é colocar a bola na curta e ter controle absoluto, o Kevlar é rei. O Kevlar é um material que oferece uma resistência incrível, mas ele tem uma característica elástica superior ao carbono de alta densidade. Ele absorve o impacto de uma forma única. Quando você bloqueia um saque forte com uma raquete de Kevlar, ela não devolve a pancada com violência descontrolada; ela amortece e te permite contra-atacar com precisão.
Se você não encontrar Kevlar, ou se o orçamento estiver apertado, o Carbono 3K é sua segunda melhor opção. O número “K” refere-se à quantidade de filamentos de carbono por fio. Quanto maior o K (12K, 18K), mais rígida é a face. Uma face 18K é dura como vidro. A bola bate e explode para longe. Isso é ótimo para o “smash”, mas péssimo para a deixadinha. Você quer uma face que trabalhe junto com a espuma. O 3K é flexível o suficiente para oferecer controle sem deixar a raquete “morta” demais. Fuja das raquetes full 18K se o seu foco é a sensibilidade fina.
A fibra de vidro é frequentemente vista como material de iniciante, mas não se engane. Para controle, ela é excelente. Ela é o material mais elástico de todos. A “curta” sai com uma facilidade absurda porque a fibra de vidro estilinga a bola com maciez. O problema é que ela pode faltar estabilidade contra adversários muito avançados que batem muito forte. Mas se você está buscando puramente o aprendizado do toque e do controle de bola, uma raquete híbrida (carbono na estrutura e fibra de vidro na face) pode ser uma arma letal e muito subestimada. Não tenha preconceito com o material; foque no resultado que ele traz para a sua mão.
O Balanço e a Manobrabilidade na Rede
Este talvez seja o ponto onde a maioria dos meus alunos erra na compra. O balanço é a distribuição do peso ao longo da raquete. Para controle, você precisa, obrigatoriamente, de um balanço baixo ou médio. Isso é o que chamamos de “Head Light” (cabeça leve). Quando o peso está concentrado mais próximo do cabo da raquete, a ponta fica leve. E por que isso importa? Simples física e biomecânica. Uma ponta leve permite que você mova a raquete muito mais rápido em espaços curtos. Na rede, a troca de bolas é frenética. Se sua raquete tem a cabeça pesada, você vai chegar atrasado na bola.
O atraso é o inimigo número um da precisão. Se você chega atrasado, você compensa com o punho, e aí a bola sobe ou sai. Com uma raquete de balanço baixo (geralmente entre 25cm e 26cm do cabo), você consegue preparar o golpe da “curta” no último segundo. Você consegue esconder sua intenção. O adversário acha que vem uma bola funda, mas sua mão rápida muda a face da raquete e a bola morre na areia. Essa manobrabilidade é impossível com uma raquete que parece uma marreta, onde o peso te puxa para baixo.
Faça o teste na loja. Pegue a raquete e coloque o dedo indicador no coração dela, nos furos laterais, tentando equilibrá-la como uma gangorra. Se a cabeça cair rapidamente para o chão, ela é “Head Heavy”. Fuja dessa para o nosso propósito. Se ela ficar equilibrada ou o cabo pesar mais, você achou sua parceira. Lembre-se que o controle vem da capacidade de manipular a face da raquete com microajustes durante o contato. Peso no cabo te dá essa liberdade; peso na cabeça te tira a liberdade e te obriga a usar a inércia do movimento.
A Aerodinâmica e a Furação
Você já viu raquetes que parecem um queijo suíço e outras que são quase lisas. A quantidade e a disposição dos furos não são apenas estética. Para controle e manuseio, mais furos geralmente ajudam. Os furos permitem que o ar passe pela raquete, diminuindo a resistência do ar durante o movimento. Isso aumenta a velocidade do seu swing sem que você precise fazer mais força. Para executar uma “curta” perfeita, muitas vezes você precisa de um movimento rápido de preparação e uma desaceleração brusca no impacto. Menos resistência do ar facilita esse controle motor fino.
A localização dos furos também muda a rigidez. Furos espalhados por toda a face, inclusive no centro, tendem a deixar a raquete um pouco mais flexível, o que, como já aprendemos, ajuda no controle e no conforto. Raquetes com o centro sólido (sem furos no meio) são mais estáveis e potentes, mas perdem um pouco dessa sensibilidade de “agarrar” a bola. Se você quer ser o mestre dos curtos, busque modelos com furação dupla ou espalhada, que permitam que a raquete “respire” durante o golpe.
A espessura da raquete também entra nessa equação aerodinâmica. O padrão mundial é 22mm, mas ainda existem raquetes de 20mm e 21mm. As mais finas (20mm) oferecem um controle absurdo. Elas cortam o ar como uma faca. Você sente exatamente onde a bola pegou. No entanto, elas vibram mais e exigem um braço mais treinado para não machucar o cotovelo. A de 22mm é o padrão por um motivo: equilibra bem. Mas se você encontrar uma 21mm com EVA Soft, experimente. Pode ser o detalhe que faltava para você sentir a bola colada na raquete na hora do drop shot.
O Papel do Tratamento na Bola Curta
O tratamento é aquela textura lixada na superfície da raquete. Sem tratamento, a raquete é lisa e a bola escorrega. Para dar uma deixadinha que realmente trava na areia e não sobe para o adversário matar, você precisa de efeito. O “backspin” ou “slice” é o giro contrário que damos na bola. Para gerar esse giro, a raquete precisa ter aderência. Ela precisa “morder” a bola. Um tratamento arenoso de qualidade é fundamental para quem joga focado em controle e tática.
Existem tratamentos de fábrica e tratamentos feitos por profissionais (customização). Muitas vezes, o tratamento de fábrica é leve demais. Para o jogo de controle, recomendo que você busque um tratamento mais agressivo, com grãos médios. Isso vai permitir que, mesmo em um toque sutil, a bola gire muito. Quando a bola com muito backspin toca a areia, ela freia. É isso que faz a curta ser mortal. Se a raquete for lisa, a bola bate na areia e continua indo para frente, facilitando a defesa do oponente.
A manutenção desse tratamento é essencial. Com o tempo, a areia da raquete gasta e ela fica careca. Jogador de controle com raquete careca é jogador inofensivo. Observe sempre o centro da sua raquete. Se estiver liso, está na hora de mandar refazer o tratamento. Não subestime o poder do atrito. É o atrito que te permite domar a bola que vem girando forte do saque do adversário e devolvê-la mansa e curta. Sem atrito, você é apenas uma parede; com atrito, você é um artista.
A Arte do “Touch” e a Biomecânica
Agora que você tem a raquete certa na mão, precisamos falar sobre como você a usa. O equipamento não joga sozinho. O segredo da “curta” perfeita, aquele drop shot que faz a torcida suspirar, está na “mão de pantufa”. Isso significa ter uma empunhadura relaxada. Se você apertar o cabo da raquete com força, como se quisesse estrangular o grip, você tensiona seu antebraço. Tensão gera rigidez. Rigidez mata o controle. Você precisa segurar a raquete com a firmeza mínima necessária para que ela não voe da sua mão, mas leve o suficiente para sentir o peso da cabeça.
O movimento técnico da curta não é um empurrão. É um corte. Você precisa entrar com a face da raquete levemente aberta, desenhando um “U” no ar ou fazendo um movimento de cima para baixo suave. A raquete de controle que escolhemos (macia e leve) vai absorver a velocidade da bola que vem do outro lado. Sua função biomecânica é não adicionar força. É quase um movimento de “roubar” a energia da bola. Você absorve o impacto recuando milimetricamente a mão no momento do contato. É sutil, é refinado.
A leitura corporal e a antecipação são seus melhores amigos aqui. Para dar uma curta, você não pode deixar o adversário perceber. Se você arma o golpe muito cedo e fica parado, ele corre para a frente. A raquete leve te ajuda a armar o golpe como se fosse dar uma pancada funda, e no último instante, você desacelera. Essa mudança de ritmo só é possível com o equipamento equilibrado que discutimos. Treine seus olhos para ler a trajetória da bola antes dela passar a rede. Quanto mais cedo você se posicionar, mais macia será sua mão. Quem chega correndo bate forte; quem chega antes, escolhe onde coloca.
Ajustes Finos e Equipamentos Periféricos
Você comprou a raquete de Kevlar, Soft EVA, balanço baixo. Está pronto? Quase. Existem pequenos ajustes que refinam ainda mais o controle. O primeiro é o “Overgrip”. A espessura do cabo influencia diretamente na mobilidade do seu punho. Um cabo muito grosso trava o punho, o que é bom para estabilidade em bloqueios, mas ruim para a “munheca” solta necessária nas curtas. Experimente usar apenas um overgrip fino se você tem mãos menores, ou ajuste para que fique confortável, mas permita a flexão livre do pulso. A sensibilidade começa na ponta dos dedos.
Outro ponto é o protetor de cabeça. Aquele adesivo ou fita que colocamos no topo para proteger de arranhões na areia. Cuidado. Se você colocar um protetor muito pesado ou várias camadas de fita, você está adicionando peso na ponta da raquete. Lembra do balanço “Head Light”? Se você enche a cabeça de fita, você transforma sua raquete de controle em uma raquete de potência desequilibrada. Use protetores leves ou fitas específicas de baixo peso. Cada grama na ponta altera a alavanca e a velocidade da sua reação na rede.
Por fim, o mental. Jogar com uma raquete de controle exige uma mentalidade diferente. Você não vai ganhar o jogo na brutalidade. Você vai ganhar na consistência e no erro do adversário. Aceite que sua bola não vai sair a 200km/h no saque. Em compensação, você vai colocar o saque no ponto fraco do adversário com precisão cirúrgica. Confie no seu equipamento. Quando a bola vier queimando, não se desespere. Lembre-se que você tem um amortecedor na mão. Respire, visualize o local vazio da quadra e deixe a raquete trabalhar. O controle é um estado de espírito tanto quanto uma especificação técnica.
Quadro Comparativo: Escolhendo sua Arma
Para facilitar sua visualização, preparei este quadro comparando a raquete que te recomendei com outras duas comuns no mercado. Veja onde cada uma brilha.
| Característica | Raquete de Controle (A recomendada) | Raquete de Potência (A “Marreta”) | Raquete Híbrida (O “Meio Termo”) |
| Material da Face | Kevlar ou Carbono 3K | Carbono 12K ou 18K | Fibra de Vidro ou Mista |
| Núcleo (EVA) | Soft / Super Soft | Hard / Black EVA duro | Mid Soft |
| Balanço | Baixo (Perto do cabo) | Alto (Perto da cabeça) | Equilibrado (Centro) |
| Ponto Doce | Amplo (Perdoa erros) | Restrito (Exige técnica) | Médio |
| Melhor Golpe | Curtas, Lobs e Defesa | Smash e Saque Rápido | Construção de jogo |
| Sensação | Macia, absorve impacto | Seca, explosiva | Elástica, estilingue |
| Para quem é? | Jogador tático, de toque | Agressivo, definidor | Iniciante/Intermediário |
Próximo Passo
Você agora tem todo o conhecimento teórico para não ser enganado por vendedor. Minha sugestão prática para você sair daqui e evoluir: pegue sua raquete atual e verifique o balanço dela usando o teste do dedo no coração da raquete. Se ela estiver pendendo muito para a cabeça, experimente colocar dois overgrips no cabo para trazer o peso para a mão e vá para o play testar se suas curtas melhoram. Me conta depois se sentiu a diferença na “munheca”.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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