Olha só para essa quadra. Você vê apenas linhas brancas e um saibro laranja. Eu vejo o melhor laboratório de longevidade que existe no mundo. Vamos conversar sério hoje sobre o seu jogo. Muita gente pendura a raquete quando a idade chega. Eles acham que o corpo não aguenta mais o tranco. Grande erro. É justamente agora que você precisa entrar em quadra com mais frequência. O tênis não é apenas um esporte para jovens que correm como loucos na linha de base. O tênis é um xadrez em movimento e você tem a vantagem da experiência.
Quero que você entenda o que acontece com o seu corpo quando você acerta aquele forehand na cruzada. Não estamos falando apenas de queimar calorias ou suar a camisa. Estamos falando de manter sua máquina funcionando em alto nível. Tenho alunos com mais de setenta anos que dão aula de tática em garotos de vinte. Eles não correm mais rápido. Eles correm melhor. Eles pensam antes. Eles usam a física a favor deles. É disso que vamos falar hoje. Quero te mostrar como transformar o tênis na sua fonte da juventude.
Preparei uma análise técnica completa para você. Vamos mergulhar na fisiologia, na tática e no equipamento. Vou te explicar porque aquele estudo famoso de Copenhague colocou o tênis no topo da lista de esportes que prolongam a vida. Não é coincidência. Existe uma ciência por trás de cada voleio e de cada saque. Pegue sua raquete, beba um gole de água e preste atenção. A aula teórica de hoje vai mudar a forma como você encara cada game daqui para frente.
O Jogo da Vida: Por que o Tênis é o Seu Melhor Parceiro Após os 60
O Ace da Longevidade Física
Você precisa entender que o tênis é um esporte de intervalos. Diferente de uma corrida monótona na esteira, aqui você tem picos de explosão seguidos de breves descansos. Isso é ouro para o seu coração. Chamamos isso de treino intervalado de alta intensidade natural. Você dá um pique para pegar uma bola curta. Seu coração dispara. Depois você caminha para pegar a toalha. Seu coração desacelera. Esse bombeamento elástico mantém suas artérias flexíveis. É como levar seu sistema cardiovascular para a academia. Você não está apenas mantendo o coração batendo. Você está treinando ele para ser eficiente sob demanda.
O Coração de Atleta e o Treino Intervalado
O ritmo do jogo simula situações reais de estresse físico que você encontra no dia a dia. Quando você joga tênis regularmente depois dos 60, você ensina seu corpo a recuperar o fôlego mais rápido. Note como nos primeiros games você pode se sentir ofegante. Mas depois do segundo set, se você estiver treinado, a respiração estabiliza. Isso é condicionamento aeróbico e anaeróbico trabalhando juntos. Poucos esportes oferecem esse mix tão perfeito. O tênis exige que o sangue chegue rápido aos músculos das pernas para a arrancada e ao cérebro para a decisão tática, para raquetes de tenis para jogadores idosos
Essa dinâmica protege você contra hipertensão e doenças coronarianas de uma forma muito específica. O fluxo sanguíneo turbulento durante os pontos ajuda a limpar as paredes das artérias. É uma mecânica de fluidos básica aplicada à sua saúde. Você não precisa correr como o Nadal. Você precisa manter a constância do movimento. O simples ato de se manter em movimento, na ponta dos pés, esperando o saque adversário, já mantém sua frequência cardíaca na zona de queima de gordura e fortalecimento cardíaco.
Não subestime o poder da recuperação entre os pontos. É ali que a mágica acontece. O tênis te ensina a baixar a frequência cardíaca conscientemente. Você respira fundo antes de sacar. Esse controle respiratório tem impacto direto na sua pressão arterial em repouso fora da quadra. Você leva essa calma fisiológica para casa. Seu coração aprende a não entrar em pânico com pequenos esforços. Ele se torna um motor V8. Potente e durável.
A Densidade Óssea e a Resposta ao Impacto
Muitos médicos recomendam natação para idosos. Eu adoro natação, mas ela tem um defeito. Ela não tem impacto. Para os seus ossos, o impacto é o sinal para ficar mais forte. O tênis é um esporte de impacto moderado. Cada vez que você pisa firme para apoiar um backhand, você envia uma onda de choque pelo seu esqueleto. O corpo interpreta isso como um comando: “precisamos de ossos mais densos aqui”. É a Lei de Wolff na prática. O osso se adapta à carga que recebe.
A osteoporose é um fantasma silencioso depois dos 60. O tênis é o caça-fantasmas. O movimento de rotação do tronco no saque fortalece a coluna vertebral. As arrancadas e paradas bruscas fortalecem o fêmur e o quadril. São justamente as áreas mais críticas para fraturas nessa idade. Você está construindo uma armadura interna jogando tênis. Meus alunos seniores raramente sofrem fraturas bobas em casa porque a estrutura óssea deles é compacta e resistente.
É importante dosar a superfície. O saibro é seu melhor amigo aqui. Ele permite o deslizamento e reduz o impacto excessivo nas articulações, mas mantém o estímulo ósseo necessário. Jogar na quadra dura exige mais cuidado, mas ainda é benéfico se você tiver o calçado certo. O segredo é a regularidade. O estímulo precisa ser constante para o corpo manter a densidade óssea alta. Jogue duas a três vezes por semana e seus exames de densitometria vão surpreender seu médico.
Manutenção do Equilíbrio e Prevenção de Quedas
O tênis é um esporte tridimensional. Você corre para frente, para trás, para os lados e ainda precisa pular para um smash. Isso exige um sistema vestibular afiado. O equilíbrio não é algo que você tem e pronto. É algo que você treina. Depois dos 60, o sistema de equilíbrio natural tende a declinar. O tênis freia esse declínio. Você é obrigado a ajustar seu centro de gravidade a cada bola que o adversário manda.
Pense na biomecânica de um voleio. Você precisa se projetar à frente, bloquear a bola e não cair sobre a rede. Isso ativa os músculos estabilizadores do core e dos tornozelos. São esses microajustes que previnem quedas no banheiro ou na rua. O tenista sênior tem uma propriocepção muito acima da média. Ele sabe onde o pé está sem precisar olhar para o chão. Essa consciência corporal é o maior seguro de vida que você pode ter.
Além disso, temos a coordenação olho-mão. Você precisa rastrear um objeto pequeno vindo a 100km/h, se mover até ele e impactar no ponto doce da raquete. Isso mantém seus reflexos aguçados. Se você tropeçar na rua, seu reflexo treinado no tênis vai te fazer reagir rápido para recuperar o equilíbrio ou colocar as mãos para proteger o rosto. O tênis te deixa alerta. Você deixa de ser um passageiro do seu corpo e volta a ser o piloto.
O Jogo Mental e a Ginástica Cerebral
Você acha que o xadrez é o melhor exercício para a mente. Eu digo que o tênis é melhor. No xadrez, você tem todo o tempo do mundo para pensar. No tênis, você tem frações de segundo. O jogo mental depois dos 60 é fundamental para manter a lucidez e afastar doenças neurodegenerativas. A quadra é um ambiente de resolução de problemas em tempo real. O vento muda. O sol atrapalha. O adversário muda a tática. Seu cérebro não descansa um segundo sequer.
A Tomada de Decisão em Milissegundos
Imagine a cena. A bola vem alta no seu backhand. Em menos de um segundo, seu cérebro precisa calcular a trajetória, a velocidade e o efeito da bola. Simultaneamente, ele analisa a posição do adversário. Ele checa onde está a linha de fundo. Ele decide se você vai dar um slice defensivo ou tentar um winner na paralela. E então ele envia ordens complexas para centenas de músculos executarem o movimento. Isso é um processamento de dados massivo.
Manter esse circuito neural ativo é a melhor prevenção contra o declínio cognitivo. Você está forçando seus neurônios a conversarem rápido. Com a idade, a velocidade de processamento tende a cair. O tênis luta contra isso. Você precisa antecipar a jogada. Essa antecipação é pura atividade cerebral no lobo frontal. Você está prevendo o futuro imediato com base em dados visuais. É um treino cognitivo de elite disfarçado de lazer.
E não se trata apenas de reagir. Trata-se de enganar. Quando você prepara um drop shot (aquela deixadinha curta), você está usando criatividade e astúcia. Você precisa esconder sua intenção até o último momento. Esse jogo de gato e rato mantém a mente jovial. Você se sente esperto. Você se sente vivo. A satisfação de vencer um ponto pela inteligência e não pela força libera dopamina e serotonina, neurotransmissores essenciais para a saúde mental.
Neuroplasticidade e a Aprendizagem de Novos Golpes
Nunca acredite naquele ditado de que cachorro velho não aprende truque novo. No tênis, você deve estar sempre aprendendo. Talvez seu saque chapado não funcione mais tão bem por causa do ombro. Ótimo. Vamos aprender um saque com slice, focado na colocação. O processo de aprender uma nova técnica cria novas sinapses no seu cérebro. Isso é neuroplasticidade pura. Seu cérebro se reconfigura para absorver a nova habilidade motora.
Eu desafio meus alunos seniores a mudar a empunhadura ou tentar uma tática diferente a cada mês. Esse desconforto do aprendizado é o que mantém o cérebro saudável. Se você faz sempre a mesma coisa, o cérebro entra no piloto automático e atrofia. O tênis oferece um repertório infinito de golpes e situações. Aprender a jogar duplas, por exemplo, exige uma leitura de jogo totalmente nova em comparação ao jogo de simples.
Além da técnica, você precisa aprender a ler o adversário. Cada oponente novo é um quebra-cabeça a ser resolvido. Um bate mais plano, outro usa muito top spin. Adaptar seu jogo ao estilo dele exige flexibilidade mental. Pessoas rígidas mentalmente sofrem na quadra e na vida. O tênis te ensina a ser adaptável. Se o plano A não funciona, você precisa ter o plano B engatilhado. Essa agilidade mental se traduz em uma vida cotidiana mais resoluta e menos estressante.
Gestão Emocional entre os Pontos
O tênis é um esporte solitário, mesmo quando jogado em duplas. A batalha interna é feroz. Você erra um smash fácil. A frustração vem quente. Como você lida com isso? Jogadores seniores têm a oportunidade de exercitar o controle emocional a cada erro. Você tem 20 segundos entre os pontos para se perdoar, resetar e focar no próximo. Essa habilidade de “virar a página” é vital para a saúde emocional.
O estresse crônico envelhece. O estresse agudo do jogo, seguido de relaxamento, rejuvenesce. Aprender a não se cobrar excessivamente por um erro não forçado é uma lição de sabedoria. Eu vejo alunos que chegam na quadra tensos com problemas familiares ou financeiros. Depois de uma hora batendo bola, focados apenas na esfera amarela, eles saem renovados. É uma meditação ativa. Você não consegue pensar nos boletos quando tem uma bola vindo a 80km/h na sua direção.
Aprender a perder e a ganhar com dignidade também faz parte. O tênis ensina humildade constante. Um dia você joga como o Federer, no outro parece que nunca pegou numa raquete. Aceitar essa variação sem perder o humor é um sinal de inteligência emocional. Rir de um erro bizarro (“furar” a bola) libera a tensão. O ambiente da quadra deve ser um santuário onde você pode ser imperfeito e ainda assim se divertir.
A Rede Social e a Vida no Clube
Vamos falar sobre o que acontece fora das quatro linhas. O isolamento social é um dos maiores inimigos da longevidade. Somos animais sociais. Precisamos de tribo. O clube de tênis ou a academia são tribos fantásticas. Você encontra pessoas com o mesmo interesse, a mesma paixão. Não importa se você é médico, engenheiro ou aposentado. Na quadra, todos são tenistas. As hierarquias sociais desaparecem e dão lugar à camaradagem do esporte.
O Poder das Duplas e a Comunicação
Jogar duplas é a modalidade reina depois dos 60. E não é só porque cansa menos fisicamente. É porque exige comunicação constante. “Minha!”, “Sua!”, “Fica no fundo!”. Você precisa sincronizar com seu parceiro. Essa interação social intensa cria laços fortes. Você aprende a confiar no outro e a cobrir as falhas do outro. É um exercício de empatia e trabalho em equipe.
Muitas amizades profundas começam numa parceria de duplas. Você compartilha a vitória e divide a derrota. Vocês criam estratégias juntos, cochichando atrás da mão para o adversário não ler os lábios. Essa cumplicidade é rara na vida adulta. Ter alguém esperando por você na quadra é um motivo poderoso para sair da cama e não ficar no sofá vendo televisão. O compromisso com o parceiro te mantém disciplinado.
A dinâmica social das duplas também envolve lidar com personalidades diferentes. Às vezes seu parceiro é ranzinza. Às vezes é otimista demais. Navegar por essas relações humanas mantém suas habilidades sociais afiadas. Você aprende a motivar seu parceiro quando ele está jogando mal, em vez de criticar. Esse suporte mútuo é terapêutico. Sentir-se útil e necessário para o time eleva a autoestima e combate a depressão.
O Terceiro Tempo e o Pertencimento
O jogo não acaba no match point. O “terceiro tempo” é sagrado. Aquele suco, café ou cerveja depois da partida é onde a vida acontece. Discutir os lances do jogo, reclamar daquela bola que foi fora por um milímetro, rir das jogadas desastradas. Esse momento de resenha é fundamental para a saúde mental. Você se sente parte de algo. O sentimento de pertencimento é um pilar da longevidade nas “Zonas Azuis” (lugares onde as pessoas vivem mais).
Nos clubes de tênis, você acaba conhecendo a família dos outros jogadores, participa de churrascos, torneios internos e viagens. Sua rede de apoio se expande. Se você tiver um problema pessoal, é provável que encontre apoio nesse grupo. O tênis cria uma rotina social. Toda terça e quinta às 19h você tem um encontro marcado com seus amigos. Essa estrutura de tempo organiza sua semana e dá sentido aos dias.
Não subestime o valor de ver gente nova. O tênis é um esporte intergeracional. Muitas vezes você vai jogar com alguém vinte anos mais jovem ou mais velho. Essa troca de experiências é riquíssima. Você se mantém atualizado, ouve gírias novas, entende como o mundo está mudando. Isso evita que você se torne aquele idoso ranzinza que acha que tudo antigamente era melhor. O tênis te mantém conectado com o presente.
Motivação Competitiva na Medida Certa
A competição dá um tempero na vida. Ter um torneiozinho de fim de semana para disputar cria um objetivo. Você treina com mais foco. Você cuida melhor da alimentação na véspera. Essa “tensão boa” da competição faz você se sentir vivo e relevante. Não estamos falando de ganhar Wimbledon. Estamos falando de ganhar do João da quadra 3. A vitória tem o mesmo sabor doce, acredite em mim.
A adrenalina da competição, quando bem dosada, é benéfica. Ela ativa seu sistema de alerta. Sentir aquele friozinho na barriga antes do jogo é sinal de que você se importa, de que você tem paixão. Pessoas sem paixão envelhecem mais rápido. A vontade de melhorar, de subir no ranking do clube, de ganhar aquela medalha de “campeão da categoria C”, tudo isso move você para frente.
Mas lembre-se: a competição nessa fase deve ser saudável. O objetivo principal é a diversão e a saúde. Se a competição começar a gerar estresse ruim ou inimizades, é hora de recalibrar. O bom tenista sênior sabe que o verdadeiro adversário é o sedentarismo e o tempo, não o cara do outro lado da rede. O oponente é apenas um colaborador que está te ajudando a fazer um ótimo exercício.
O Setup Perfeito: Equipamento para o Tenista Master
Agora, professor falando: esqueça a raquete que você usava há 20 anos. A tecnologia mudou e você deve usar isso a seu favor. Jogar com o equipamento errado depois dos 60 é pedir para ter uma epicondilite (o famoso cotovelo de tenista) ou dores no ombro. Você não precisa provar nada para ninguém usando uma raquete pesada de profissional. Você precisa de conforto e potência fácil.
A Tecnologia das Raquetes Oversize e Leves
Você deve procurar raquetes com a cabeça maior (oversize). Estamos falando de 105 a 115 polegadas quadradas. Por que? Porque isso aumenta o “sweet spot” (o ponto doce da batida). Se você pegar a bola um pouco fora do centro, a raquete perdoa e a bola ainda passa. Isso reduz a vibração que vai para o seu braço. Menos vibração significa articulações mais felizes.
O peso também é crucial. Busque raquetes entre 255g e 280g. Uma raquete leve permite que você manuseie o equipamento com mais velocidade sem cansar o ombro. Você consegue chegar naquela bola atrasada e ainda assim fazer o movimento completo. Raquetes pesadas vão deixar seu braço lento e aumentar o risco de lesão no manguito rotador. Deixe as raquetes de 300g para a garotada que tem cartilagem nova.
Além disso, observe a rigidez. Raquetes muito rígidas passam muita potência, mas também muito choque. Busque um equilíbrio. Hoje existem tecnologias com materiais que absorvem o impacto no cabo da raquete. Invista nisso. Seu corpo vale mais do que a economia de comprar uma raquete usada antiga e dura. O equipamento deve ser uma extensão do seu braço, não um peso morto.
A Importância da Tensão e do Tipo de Corda
Aqui é onde a maioria erra feio. Você compra uma raquete ótima e coloca uma corda de poliéster dura igual arame, com 60 libras de tensão. Isso é assassinato para o cotovelo de um sênior. O poliéster é para profissionais que quebram corda todo dia e precisam de controle absurdo. Você precisa de conforto e potência.
Use cordas de multifilamento ou, se o orçamento permitir, tripa natural. Elas são macias. Elas seguram a bola e a impulsionam como um estilingue. É o que chamamos de “potência grátis”. Você faz menos força e a bola anda mais. E o mais importante: elas absorvem a vibração nociva. É como ter amortecedores de luxo no seu carro.
Sobre a tensão (libragem): baixe isso aí. Se você usava 55 libras, tente 50 ou 48. Menos tensão faz a corda trabalhar mais por você. A cama de cordas afunda mais e ejeta a bola com facilidade. Muitos alunos meus relatam que as dores no braço sumiram apenas baixando 5 libras na tensão e trocando para um multifilamento de boa qualidade. Não tenha medo de a bola escapar um pouco no começo. O conforto compensa.
Calçados e a Estabilidade do Tornozelo
Não entre em quadra com tênis de corrida. Jamais. Tênis de corrida são feitos para ir para frente. Tênis de tênis (court shoes) são feitos para movimentos laterais. Eles possuem reforços na lateral para evitar que seu pé vire quando você freia bruscamente. Usar tênis de running é a receita certa para uma torção de tornozelo.
Depois dos 60, a camada de gordura na sola do pé (o coxim adiposo) diminui. Você perde o amortecimento natural. Por isso, seu calçado precisa ter um sistema de amortecimento excelente, tanto no calcanhar quanto na frente do pé. Busque modelos que prometem “conforto máximo” ou “estabilidade”. O solado também deve ser adequado ao piso. Solado para saibro (clay) tem ranhuras profundas para dar tração. Solado para quadra rápida é mais liso e durável.
Troque seus tênis com frequência. Mesmo que a sola pareça nova, a espuma do amortecimento perde a eficácia depois de uns 6 meses de uso regular. Seus joelhos e sua coluna lombar vão agradecer. Pense no tênis como um equipamento de proteção individual (EPI). É o item mais importante para prevenir lesões de longo prazo nas articulações de carga.
Ajustes Táticos para Vencer com Inteligência
Você não tem mais 20 anos, então não jogue como se tivesse. O “tênis de velho” (e digo isso com todo respeito e carinho) é um tênis inteligente, chato para o adversário e eficiente. Você deve jogar xadrez, não rugby. A força física declina, mas a malícia tática deve aumentar. Vamos adaptar seu jogo para economizar energia e frustrar o oponente.
A Arte de Encurtar os Pontos
Esqueça aquelas trocas de 30 bolas no fundo de quadra. Isso é para quem tem pulmão de maratonista. Sua meta é definir o ponto em 4 ou 5 toques. Saque bem, receba bem e busque a definição ou o erro do adversário. Use e abuse das bolas anguladas para tirar o adversário da zona de conforto e abrir a quadra.
Seja agressivo na devolução de saque. Não fique apenas passando a bola. Tente colocar a bola profunda, no pé do adversário, para que ele tenha dificuldade em responder. Quanto mais você pressionar o tempo do adversário, mais ele vai errar. E erro dele é ponto seu sem esforço físico. Jogue com a estatística.
Aprenda a usar o “approach” (bola de aproximação). Bateu uma bola boa? Suba para a rede. Não precisa colar na rede, fique no meio do caminho se preferir, mas pressione visualmente. Só de ver você avançando, o adversário tenta fazer uma passada difícil e erra. Encurtar o ponto significa preservar seu corpo para o próximo set. Seja econômico nos movimentos, mas letal nas intenções.
O Slice como Arma Defensiva e Ofensiva
O slice (aquele corte na bola que faz ela girar para trás) é o melhor amigo do tenista sênior. Primeiro, porque ele exige menos esforço físico do que um top spin agressivo. Você usa a força do adversário contra ele. Segundo, porque a bola quica baixo. O jogador mais velho detesta dobrar o joelho para pegar bola baixa. Se você manda slices baixinhos, você cansa as pernas do seu oponente.
Use o slice para mudar o ritmo. Se o jogo está muito rápido, dê um slice lento e flutuante. Isso quebra o “timing” do batedor forte. Ele vai ter que gerar toda a força sozinho e a chance de errar aumenta. O slice também é ótimo para defesa. Quando você está correndo para uma bola longe, o slice te dá tempo para voltar para o meio da quadra enquanto a bola flutua no ar.
Treine seu backhand com slice até ele ficar rasante. É um golpe elegante e devastador no nível amador e sênior. Além disso, o movimento é mais natural anatomicamente e força menos o ombro do que um backhand de duas mãos batido com força bruta. É eficiência biomecânica pura.
Posicionamento de Rede e Cobertura de Quadra
Nas duplas, a rede é quem manda. Quem domina a rede, ganha o jogo. Mas você não precisa ter o reflexo de um gato para ser bom na rede. Você precisa de posicionamento. Se a bola está na direita, você e seu parceiro se movem para a direita como se estivessem amarrados por uma corda. Feche os ângulos.
Não fique plantado no meio do quadrado de saque. Dê um passo à frente quando seu parceiro for bater na bola. Isso intimida. Aprenda o voleio de bloqueio. Você não precisa bater forte na rede. Só coloque a raquete firme e direcione a bola para o espaço vazio. A força da bola que vem do adversário faz o trabalho para você.
Cobertura de quadra inteligente significa não correr atrás de bola perdida. Se o adversário meteu um winner na linha, bata palmas. “Boa bola”. Não se mate correndo numa bola impossível. Guarde sua energia para as bolas que você tem 60% ou mais de chance de ganhar. Gerenciar seu “tanque de gasolina” durante a partida é essencial para chegar inteiro no tie-break decisivo.
Comparativo: Tênis vs. Outras Atividades Populares
Para te ajudar a visualizar onde o tênis se encaixa no seu mix de saúde, montei esse quadro comparando com a caminhada e a natação/hidroginástica, que são muito comuns na nossa faixa etária.
| Característica | Tênis | Caminhada | Natação/Hidro |
| Estímulo Ósseo | Alto (Impacto ajuda na densidade óssea) | Médio/Baixo (Impacto leve e repetitivo) | Nulo (Sem impacto, não fortalece o osso) |
| Desafio Mental | Altíssimo (Estratégia, reflexo, contagem) | Baixo (Permite divagação mental) | Baixo (Foco na respiração e repetição) |
| Interação Social | Alta (Interação constante, duplas, clube) | Média (Se feita em grupo, mas conversa pouco) | Baixa (Cabeça na água, difícil conversar) |
| Tipo de Cardio | Intervalado (Picos de alta intensidade) | Contínuo (Intensidade constante e moderada) | Contínuo (Resistência moderada) |
| Diversão/Lúdico | Dinâmico (Cada ponto é diferente) | Monótono (Cenário muda pouco) | Repetitivo (Vai e volta na raia) |
Observe como o tênis preenche lacunas que os outros não preenchem, especialmente na parte mental e óssea. O ideal? Combine eles. Nade para soltar a musculatura e jogue tênis para fortalecer e se divertir.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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