E aí, tenista! Vamos direto ao ponto, porque sei que você quer melhorar seu jogo e não perder tempo com conversa fiada. Você entra na loja de esportes, olha para a parede de raquetes e vê aquela seção separada: cores pastéis, designs florais e a etiqueta “feminina”. A primeira pergunta que vem à cabeça é se existe alguma engenharia secreta ali ou se é apenas tinta rosa vendida a um preço diferente. Como seu treinador, estou aqui para te dizer que a bola de tênis não sabe quem está batendo nela. Ela reage à física: velocidade, ângulo e massa.
A ideia de que existe uma raquete intrinsecamente “feminina” é um dos debates mais antigos e mal compreendidos do nosso esporte. Muitas alunas chegam à quadra com equipamentos que não favorecem sua biomecânica simplesmente porque o vendedor sugeriu algo “mais leve e bonitinho”. O resultado? Falta de estabilidade no voleio, dor no cotovelo por excesso de vibração e uma bola que morre na rede quando você tenta acelerar. Precisamos desconstruir isso agora. O equipamento deve servir ao seu braço, à sua técnica e aos seus objetivos, não ao seu gênero.
Neste artigo, vamos mergulhar fundo na caixa de ferramentas. Vou te ensinar a olhar para as especificações técnicas – peso, balanço, rigidez e padrão de cordas – como um profissional. Vamos ignorar o marketing e focar no que faz a bola passar da rede com qualidade. Se você quer jogar sério, precisa entender que sua “arma” em quadra é uma extensão do seu corpo, e escolher a ferramenta errada é como tentar pregar um prego com uma chave de fenda: até funciona, mas vai te custar muito mais esforço e o resultado final nunca será perfeito.
A Verdade Sobre a ‘Raquete Feminina’ (Marketing ou Realidade?)
Vamos começar tirando o elefante da sala. Na grande maioria das vezes, quando você vê uma raquete rotulada como “feminina” nas prateleiras das grandes lojas de varejo, você está vendo uma estratégia de marketing, não uma necessidade fisiológica. As marcas sabem que a estética vende, e por décadas criaram linhas com pesos reduzidos e cores específicas para atrair o público feminino iniciante. No entanto, isso criou um estigma perigoso de que mulheres não conseguem ou não devem manusear raquetes com especificações padrão de performance. Isso é uma mentira que limita o potencial de muitas jogadoras talentosas.
A realidade do mercado é que as “raquetes femininas” geralmente são versões mais leves (Light ou Lite) de modelos consagrados. Elas costumam pesar entre 255g e 270g. Para uma mulher adulta saudável, atlética e que treina regularmente, esse peso pode ser insuficiente. Uma raquete muito leve não tem “massa” para aguentar o tranco de uma bola pesada vinda do outro lado. Quando você bloqueia um saque forte com uma raquete de pluma, a raquete treme, gira na sua mão e você perde o controle. A “realidade” é que o equipamento não tem gênero; ele tem especificações que se adequam a níveis de força e técnica, independentemente de quem o empunha.
É fundamental que você entenda que a raquete é um instrumento de transferência de energia. Se a indústria rotula uma raquete leve como “feminina”, ela está assumindo que todas as mulheres têm menos força física ou técnica inferior, o que é uma generalização grosseira. Tenho alunas de 14 anos que batem na bola com mais peso do que homens de 40 anos iniciantes. Portanto, a primeira lição de hoje é: ignore o rótulo “feminino” ou “masculino” na embalagem. Olhe para os números. O peso estático, o swingweight (peso em movimento) e a rigidez do aro são os únicos fatores que vão ditar se aquela raquete é boa para você ou não.
O Mito da Pintura Rosa e o “Pink Tax”
Você já deve ter notado que, às vezes, o mesmo modelo de raquete tem uma versão azul e uma versão rosa ou roxa, e a versão “feminina” custa o mesmo ou até mais, mesmo tendo menos material (já que é mais leve). Isso é o que chamamos de cosmética direcionada. O problema não é a cor – se você gosta de uma raquete rosa neon e ela tem as especificações certas, ótimo, use-a! O problema é quando a cosmética mascara uma raquete de qualidade inferior ou com tecnologias ultrapassadas, vendida como “ideal para elas”. Muitas vezes, essas raquetes “lindas” são feitas de ligas de alumínio ou compostos de grafite mais baratos, que vibram mais e prejudicam seu braço a longo prazo.
Outro ponto crucial é a percepção de fragilidade que essas pinturas trazem. O tênis é um esporte de combate. Você está em uma batalha física e mental. Empunhar uma raquete que parece um brinquedo pode, subconscientemente, afetar a forma como você ataca a bola. Quando você vê uma raquete com pintura agressiva, “tech”, que parece uma ferramenta de precisão, sua mentalidade muda. Você se sente mais apta a bater forte. As marcas estão começando a mudar isso, lançando raquetes unissex com designs modernos e limpos, mas o “gueto cor-de-rosa” ainda existe nas lojas e você precisa estar atenta para não cair nessa armadilha visual.
Por fim, não podemos ignorar que o marketing focado no gênero muitas vezes esconde a falta de inovação. Enquanto as linhas principais (as “flagships” usadas pelos pros) recebem a tecnologia de ponta para estabilidade e spin, as linhas “femininas” secundárias muitas vezes são apenas repinturas de moldes de três ou quatro anos atrás. Você merece a melhor tecnologia de absorção de impacto e retorno de energia, não importa a cor do aro. Portanto, ao escolher, compare a ficha técnica da raquete colorida com a versão “padrão” da linha. Se a tecnologia for diferente, fuja. Você não quer pagar o preço de performance por um produto puramente estético.
A Física Não Tem Gênero: Massa e Aceleração
Aqui entramos na minha parte favorita: a física pura. A segunda Lei de Newton, Força = Massa x Aceleração ($F=m \times a$), não muda se você é homem ou mulher. Para gerar uma bola pesada, que empurra sua adversária para o fundo da quadra, você precisa de massa na raquete ou de muita aceleração no braço. Se você usa uma raquete muito leve (baixa massa), você é obrigada a fazer um swing absurdamente rápido para gerar a mesma força que uma raquete mais pesada geraria com um movimento mais suave. Isso cansa. Isso desgasta. E, ironicamente, torna o jogo mais difícil para quem tem menos força física.
Muitas mulheres são aconselhadas a usar raquetes leves para “manusear melhor”. Existe uma verdade parcial nisso: você precisa conseguir mover a raquete. Mas existe um ponto de inflexão. Se a raquete é leve demais, ela perde a briga contra a bola. Imagine um caminhão batendo em um fusca. A bola é o caminhão, sua raquete é o fusca. Se sua raquete tiver mais massa (for um caminhão também), o impacto é absorvido pelo equipamento, não pelo seu pulso. Para muitas mulheres, uma raquete de 285g a 300g é na verdade mais confortável do que uma de 260g, porque a raquete faz parte do trabalho pesado de absorver o choque do impacto.
Além disso, a estabilidade torsional é vital. Quando você não acerta a bola exatamente no centro (o sweet spot), uma raquete leve tende a torcer na mão. Essa torção é transferida diretamente para os tendões do seu antebraço. Raquetes com um pouco mais de massa nos pontos 3 e 9 do relógio (as laterais da cabeça) resistem a essa torção. Portanto, a física nos diz que o ideal é usar a raquete mais pesada que você consiga manusear confortavelmente durante um jogo inteiro de três sets, sem perder a velocidade de execução. Para a maioria das mulheres adultas, esse número é bem maior do que os vendedores de loja costumam sugerir.
O Que as Profissionais Realmente Usam
Se você ainda tem dúvidas, vamos olhar para o topo da pirâmide. Você acha que a Bia Haddad, a Aryna Sabalenka ou a Iga Swiatek usam “raquetes de mulher”? De jeito nenhum. Elas usam raquetes que muitas vezes são mais pesadas e têm mais swingweight do que as raquetes vendidas para homens amadores nas lojas. A Bia, por exemplo, joga com uma raquete que, após customizada com chumbo e silicone no cabo, ultrapassa facilmente os 300g ou 310g estáticos, com um equilíbrio que favorece a potência. Elas precisam dessa massa para aguentar a velocidade da bola no circuito profissional.
É claro que elas são atletas de elite com condicionamento físico impecável. Você não precisa usar a mesma raquete chumbada da Serena Williams. Mas o princípio é o mesmo: elas buscam performance, estabilidade e controle. Nenhuma profissional joga com as raquetes superleves de cabeça gigante que são empurradas para as mulheres nos clubes. Elas usam raquetes de controle (cabeças 98 ou 100 polegadas quadradas), com perfis de aro variados. A escolha delas é baseada no estilo de jogo: a Iga usa uma raquete que gera muito spin; a Rybakina usa uma que gera mais potência reta. O gênero não entra na equação da escolha técnica.
Isso nos ensina uma lição valiosa: não subestime sua capacidade. Muitas alunas minhas começam a jogar melhor instantaneamente quando trocam suas raquetes de iniciante por modelos “unissex” de performance (como uma Yonex Ezone 100 ou uma Babolat Pure Drive padrão). A bola anda mais, o saque ganha peso e o voleio fica firme. Olhar para o circuito profissional feminino (WTA) é a prova definitiva de que o equipamento é uma questão de física e preferência pessoal, e que as mulheres podem e devem empunhar “armas” pesadas se tiverem a técnica para isso.
Anatomia e Biomecânica: Onde a Diferença Realmente Mora
Agora que quebramos os mitos, vamos falar das diferenças biológicas que realmente importam na escolha do equipamento. Embora a física do impacto seja universal, a anatomia humana tem variações. Em média, mulheres tendem a ter mãos menores e ombros estruturalmente diferentes dos homens. Isso não significa que você é mais fraca, significa que sua alavanca funciona de forma diferente. Ignorar isso é tão ruim quanto cair no marketing da raquete rosa. O ajuste fino do equipamento ao seu corpo é o que previne lesões e maximiza sua potência.
A biomecânica do golpe no tênis feminino, muitas vezes, depende mais da rotação de quadril e da aceleração contínua do que da força bruta do tronco superior e ombro, que é mais comum no tênis masculino (embora a técnica moderna esteja convergindo). Isso significa que o equipamento precisa facilitar essa fluidez. Uma raquete que é “pesada na cabeça” (head heavy) pode ser difícil de manobrar se você depende muito do pulso, mas excelente se você tem um swing longo e fluido. Entender seu corpo é o primeiro passo para escolher a raquete que vai agir como uma extensão natural do seu braço.
Nesta seção, vamos focar em três pilares anatômicos: o tamanho da mão (grip), a relação de força muscular versus técnica de alavanca, e a prevenção de lesões específicas da anatomia feminina. É aqui que a “personalização” ganha do “gênero”. Não se trata de comprar uma raquete feminina, mas de configurar uma raquete de performance para a anatomia de uma mulher. São coisas muito diferentes e é nessa nuance que você vai encontrar o seu melhor tênis.
A Questão da Empunhadura (Grip Size)
Se existe um lugar onde o gênero tende a influenciar a especificação, é no tamanho do cabo (grip). Estatisticamente, mulheres têm mãos menores. Jogar com um cabo grosso demais (L3 ou L4, que são padrões masculinos comuns) impede que você feche a mão corretamente na raquete. Isso te obriga a apertar o cabo com força excessiva para que a raquete não voe, o que gera tensão no antebraço e pode levar à famosa “tênis elbow” (epicondilite). Por outro lado, um cabo fino demais faz a raquete “dançar” na mão no momento do impacto.
O padrão de mercado para mulheres costuma ser o L2 (4 1/4 polegadas) ou L1 (4 1/8 polegadas). O L2 é o “ponto doce” para a grande maioria das brasileiras. Ele permite que você segure a raquete relaxada e use o “chicote” do pulso para gerar spin (efeito). O teste prático que fazemos em quadra é simples: segure a raquete com sua empunhadura de forehand (direita). Deve sobrar espaço suficiente para colocar o dedo mindinho da outra mão entre a ponta dos seus dedos e a base do polegar. Se sobrar muito espaço, está grosso; se os dedos tocarem a palma, está fino.
Não tenha medo de errar para menos. É muito mais fácil engrossar um cabo fino usando um overgrip (aquela fita que colocamos por cima) ou um heat sleeve (tubo termoencolhível) do que afinar um cabo grosso. Eu sempre recomendo às minhas alunas: comprem um L2. Se sentirem fino, colocamos um overgrip mais grosso e fica perfeito. O grip correto é a interface entre você e a raquete; se essa conexão estiver ruim, todo o resto da tecnologia da raquete é desperdiçado.
Força Muscular vs. Alavanca (Swingweight)
Aqui está um conceito técnico que separa os amadores dos entendidos: Swingweight. O peso que você vê escrito na raquete (ex: 300g) é o peso estático. Mas quando você faz o movimento de swing, a distribuição desse peso muda a sensação de “peso”. Uma raquete de 300g com peso no cabo parece leve. Uma de 280g com todo o peso na cabeça parece uma marreta. Para mulheres, o swingweight é a métrica de ouro. Você quer uma raquete que tenha massa suficiente para ser estável, mas que seja aerodinâmica o suficiente para você gerar velocidade sem exaurir o ombro.
Mulheres, em geral, têm uma estrutura de ombro que favorece movimentos fluidos e contínuos, em vez de movimentos bruscos e “travados” de força pura. Por isso, raquetes com um swingweight equilibrado (nem muito leve na cabeça, nem muito pesado) são ideais. Raquetes extremamente “head heavy” (peso na cabeça), comuns em modelos “femininos” de iniciantes, dão potência fácil, mas dificultam o manuseio na rede e em bolas de reação rápida. Já as muito “head light” (peso no cabo) exigem que você gere toda a potência sozinha, o que pode ser cansativo.
O segredo é o equilíbrio. Busque raquetes com balanço próximo de 32cm ou 32.5cm (para raquetes de 27 polegadas). Isso permite que você use a alavanca do braço e a rotação do tronco para acelerar a cabeça da raquete. Lembre-se: a potência no tênis moderno vem da velocidade da cabeça da raquete no momento do impacto, não da força com que você aperta o cabo. Encontrar o swingweight que permite que você acelere a raquete no final do terceiro set é a chave para vencer partidas longas.
Prevenção de Lesões: O Perigo da Leveza
Existe um mito médico de que raquetes leves protegem o braço. Como professor, vejo o oposto acontecer diariamente. Quando a raquete é leve demais (abaixo de 260g-270g), ela transmite quase toda a vibração do impacto da bola para o seu braço. A massa é o melhor amortecedor que existe. Uma raquete mais pesada “come” a vibração antes que ela chegue ao seu cotovelo. Para mulheres, que estatisticamente sofrem mais com problemas articulares e tendinites devido a diferenças hormonais e de estrutura de colágeno, a absorção de impacto é prioridade zero.
Além do peso, a rigidez do aro (medida em RA) é crucial. Muitas raquetes “femininas” baratas são feitas para dar potência fácil, e para isso os fabricantes as fazem muito rígidas (duras). Um aro duro é ótimo para a bola sair rápido, mas terrível para o seu cotovelo. O choque é seco e direto. Busque raquetes com índices de rigidez (RA) abaixo de 68 ou 67. Marcas como Wilson (linha Clash ou Blade) e Yonex (linha Percept ou Ezone) investem muito em tecnologias que permitem que o aro flexione levemente, protegendo seu braço sem perder potência.
Portanto, se você sente dores no ombro ou cotovelo após o jogo, não corra automaticamente para a raquete mais leve da loja. Pode ser que você precise justamente de uma raquete um pouco mais pesada (para estabilidade) e mais flexível (para conforto). Faça o teste: pegue uma raquete de 285g ou 300g com tecnologia de absorção de vibração e sinta a diferença. Seu corpo vai agradecer no dia seguinte, e sua longevidade no esporte vai aumentar drasticamente.
Escolhendo Pelo Nível, Não Pelo Gênero
Chegamos à parte prática. Se não vamos escolher por gênero, vamos escolher por competência e momento de aprendizado. A sua raquete deve evoluir com você. O que serve para você na primeira aula não vai te servir quando você estiver disputando campeonatos no clube. Vamos categorizar as tenistas em três níveis e definir o que buscar em cada um. Esqueça o “feminino” e pense no “nível de tênis”.
Cada estágio do aprendizado exige um tipo de ajuda do equipamento. No início, você precisa de ajuda para passar a bola da rede e mantê-la em quadra. No nível intermediário, você começa a gerar sua própria força e precisa de controle para não isolar a bola. No avançado, a raquete vira um instrumento de precisão cirúrgica. Vamos ver onde você se encaixa e o que deve buscar.
Não tenha medo de trocar de raquete conforme evolui. É um investimento na sua diversão. Nada é mais frustrante do que sentir que seu jogo estagnou porque o equipamento está limitando seus novos golpes. Vamos ver as especificações ideais para cada fase da sua jornada no tênis.
A Iniciante (Foco em Conforto e Potência Fácil)
Se você está começando agora, suas prioridades são: acertar a bola (sweet spot grande) e fazer a bola chegar ao outro lado sem esforço excessivo. Aqui, e apenas aqui, as raquetes ligeiramente mais leves fazem sentido. Estamos falando de raquetes entre 260g e 280g. Por que? Porque sua musculatura específica do tênis ainda não está formada. Você ainda está aprendendo a fazer o movimento correto e uma raquete pesada pode atrapalhar o aprendizado da técnica, fazendo você atrasar o golpe.
Nesta fase, busque uma cabeça maior, entre 100 e 105 polegadas quadradas. Isso aumenta a área de acerto. Se você bater um pouco fora do centro, a bola ainda vai para a quadra. O padrão de cordas deve ser aberto (16×19), o que ajuda a bola a sair com mais facilidade e já introduz um pouco de efeito (spin) no seu jogo. O equilíbrio pode ser levemente voltado para a cabeça para ajudar na alavanca.
Mas atenção: “leve” não significa “pena”. Evite raquetes de 230g ou 240g, a menos que você tenha alguma restrição física séria ou seja uma criança em transição. Uma raquete de 270g é um excelente ponto de partida para a mulher adulta iniciante. Ela oferece mobilidade para aprender os voleios e massa suficiente para começar a entender o impacto da bola. Modelos como a Babolat Boost Drive ou a Wilson Ultra Team são ótimas portas de entrada.
A Jogadora de Clube/Intermediária (Buscando Consistência)
Você já joga há um ou dois anos, troca bolas de fundo, arrisca voleios e o saque já entra com frequência. Bem-vinda ao nível intermediário. Aqui é onde a maioria das jogadoras “trava” por continuar usando a raquete de iniciante. Você começa a bater mais forte e a bola começa a voar para a tela. O que você faz? Encolhe o braço. Erro fatal. Você não precisa bater mais fraco; você precisa de uma raquete que te dê controle.
Nesta fase, migre para raquetes entre 280g e 300g. O tamanho da cabeça deve ficar nos 100 polegadas quadradas (o padrão ouro do tênis moderno). Esse tamanho oferece o equilíbrio perfeito entre perdão e precisão. A rigidez do aro também importa aqui; procure algo que te dê sensação (feel) da bola. Você quer sentir onde a bola tocou na corda.
É o momento de abandonar as raquetes “pré-encordoadas” de fábrica e comprar um aro de performance (ex: Babolat Pure Drive Team, Wilson Clash 100L, Yonex Ezone 100L). Note o “L”, “Team” ou “Lite” no nome – essas versões geralmente pesam 285g, que é um peso fantástico para a jogadora de clube intermediária. É leve o suficiente para manusear em um jogo de duplas rápido na rede, mas sólido o suficiente para trocar bolas de fundo com consistência, ao escolher uma raquete para mulheres
A Competidora Avançada (O Território das 300g)
Aqui a conversa muda. Você disputa torneios, tem um saque definido com spin ou slice, e seus golpes de fundo têm peso e profundidade intencional. Se você é essa jogadora, as raquetes “femininas” ou “Lite” provavelmente estão prejudicando seu jogo. A bola adversária vem pesada e sua raquete leve treme. Você precisa de estabilidade massiva.
Bem-vinda ao território das 300g (ou mais). Raquetes como a Babolat Pure Aero (300g), Wilson Blade 98 (305g) ou Head Speed MP (300g) são unissex por um motivo: são o padrão de performance. A jogadora avançada tem técnica suficiente para acelerar essa massa. O benefício é que, quando você acerta a bola, ela vai como um foguete controlado. Você consegue direcionar a bola nas linhas.
Neste nível, você também pode começar a olhar para cabeças menores, como 98 polegadas, para um controle cirúrgico. O equilíbrio tende a ser mais voltado para o cabo (head light), permitindo que você manuseie a raquete rapidamente apesar do peso maior. Não tenha medo do número “300”. Se sua técnica é boa, 300g não vão cansar seu braço; pelo contrário, a estabilidade extra vai poupar suas articulações de micro-traumas repetitivos causados por raquetes instáveis.
O Segredo da Personalização (O Pulo do Gato)
Você comprou a raquete certa, mas ela ainda não parece “mágica”. Sabe por quê? Porque a raquete que sai da fábrica é apenas um chassi, como um carro que sai da concessionária. Para transformá-la em um carro de corrida, você precisa do ajuste fino. É aqui que muitos tenistas amadores se perdem e onde você pode ganhar uma vantagem enorme sobre suas adversárias. Customização não é coisa só de profissional; é essencial para adaptar a raquete à sua realidade.
Muitas vezes, uma aluna reclama da raquete nova, mas o problema não é a raquete, é a corda velha ou a tensão errada. Ou então o cabo está escorregando. Pequenos ajustes custam pouco e mudam completamente a jogabilidade. Vamos falar sobre como “tunar” sua raquete para que ela fique perfeita para você.
Não aceite o padrão “de fábrica” como verdade absoluta. Vamos mexer nas variáveis que você controla. Cordas, peso e grip são os três botões que você pode girar para ajustar a performance do seu equipamento.
A Mágica das Cordas e Tensão
Dizem que a corda é a “alma” da raquete, e é verdade. 50% da performance vem do aro, 50% vem da corda. Muitas mulheres usam cordas de poliéster (duras, focadas em controle e durabilidade) porque “todo mundo usa” ou porque dura mais. Erro grave. O poliéster é duro e perde tensão rápido. Para a maioria das jogadoras, uma corda multifilamento (que imita tripa natural) é muito superior. Ela é macia, gera potência sem esforço e protege o braço.
Se você quer usar poliéster para ter mais spin, tente baixar a tensão. Muitos encordoam com 55 ou 58 libras. Isso transforma a raquete numa tábua. Experimente 48, 46 ou até 44 libras. Sim, tensões baixas estão na moda até entre os pros. A bola afunda mais na corda (“efeito trampolim”), ganha mais efeito e sai com mais conforto. Para mulheres buscando potência fácil sem esforço, baixar a tensão é o “hack” mais barato e eficiente que existe.
Também considere os híbridos: uma corda dura na vertical (para spin e controle) e uma macia na horizontal (para conforto e potência). Isso te dá o melhor dos dois mundos. Converse com seu encordoador. Diga: “quero mais conforto e a bola andando mais”. Ele saberá o que fazer. Não jogue com a mesma corda por seis meses. Corda morta é inimiga do seu cotovelo e do seu jogo.
Balanceamento e Customização de Peso
Lembra que falamos que talvez a raquete seja leve demais? Você não precisa comprar outra. Você pode adicionar peso. Fitas de chumbo (lead tape) ou massa de tungstênio são baratas e fáceis de aplicar. Se você sente que a raquete treme quando você voleia, coloque 2 ou 3 gramas de fita nas posições 3 e 9 horas da cabeça da raquete. Isso aumenta a estabilidade torsional sem aumentar muito o peso total.
Se você acha a raquete difícil de manobrar, pode colocar um pouco de peso dentro do cabo (alguns modelos têm uma tampa que abre, ou você usa silicone/massinha). Isso deixa a raquete mais “head light”, facilitando o manuseio. É um jogo de experimentação. Adicione pouco a pouco. Às vezes, 2 gramas no lugar certo mudam a sensação da batida de “oca” para “sólida”.
Isso é especialmente útil para mulheres que compram raquetes “Lite” (285g) e, ao evoluir, acham que precisam de uma nova de 300g. Antes de gastar R$ 1.500,00 numa nova, gaste R$ 50,00 em fita de chumbo e transforme sua raquete de 285g em uma de 295g estrategicamente equilibrada. É assim que as profissionais fazem; elas usam moldes leves e adicionam peso exatamente onde querem.
A Importância do Overgrip Certo
O overgrip não é só para absorver suor; é para tração e conforto. Para mulheres com mãos delicadas, a textura do grip faz toda a diferença. Existem overgrips “tacky” (pegajosos, como o Wilson Pro Overgrip ou Yonex Super Grap) e os “dry” (secos, tipo Tourna Grip). Se sua mão não sua muito, o pegajoso ajuda a segurar a raquete com menos força muscular, o que relaxa o braço e melhora o swing.
Além disso, o overgrip aumenta ligeiramente a espessura do cabo. Se você está entre o L1 e o L2, compre o L1 e use um overgrip mais grosso. Isso te dá o ajuste perfeito. Troque o overgrip frequentemente. Um grip gasto e escorregadio te obriga a apertar mais a raquete, gerando tensão desnecessária e bolhas.
Pense no overgrip como os pneus do carro. Não adianta ter uma Ferrari se o pneu está careca. A conexão da sua mão com a raquete tem que ser segura e confiável. Mantenha sempre um ou dois na bolsa e troque assim que perder a aderência. É um luxo barato que melhora a qualidade do seu treino instantaneamente.
O Ecossistema do Equipamento Feminino
Para fechar nossa conversa de hoje, preciso que você olhe além da raquete. O tênis é um esporte de movimento. Você não bate na bola parada; você corre, freia, ajusta e bate. Todo o seu equipamento deve funcionar em harmonia. A melhor raquete do mundo não vai te salvar se você não chegar na bola equilibrada.
O “ecossistema” envolve o tênis (calçado), as roupas (liberdade de movimento) e até o seu estado mental em relação ao equipamento. Quando você confia no que está usando, você joga mais solta. Se você tem dúvida se a raquete vai responder, você hesita. E no tênis, quem hesita, erra.
Vamos falar brevemente sobre como esses fatores externos influenciam a performance da sua raquete e como montar o kit completo para entrar em quadra sentindo-se uma profissional.
Tênis (Calçado) e Sua Relação com o Swing
Pode parecer estranho um treinador falar de sapatos num artigo sobre raquetes, mas escute: a força do seu golpe vem do chão. Você empurra o chão, a força sobe pelas pernas, passa pelo quadril, tronco, braço e chega na raquete. Se você joga com tênis de corrida (running), você não tem estabilidade lateral. Você não consegue plantar o pé com firmeza. Logo, você não gera força.
Mulheres costumam ter o centro de gravidade mais baixo e quadris mais largos, o que favorece a estabilidade, mas exige calçados que suportem essa biomecânica. Um bom tênis de quadra te dá a base sólida para que sua raquete “pesada” pareça leve. Se você escorrega, seu cérebro freia o braço para proteger o corpo, e seu golpe sai fraco.
Invista em um tênis específico para a superfície que você joga (saibro ou quadra rápida). Quando você se sente segura para correr e frear bruscamente, você chega na bola antes. Chegando antes, você prepara o golpe com calma e a raquete funciona como deve. A raquete é a ponta do iceberg; o tênis é a base submersa que sustenta tudo.
Absorção de Vibração e Conforto Articular
Já falamos sobre como a raquete pesada absorve choque, mas você pode ajudar ainda mais o sistema. O uso de dampeners (aqueles antivibradores de borracha nas cordas) muda o som da batida. Embora a ciência diga que eles não reduzem muito a vibração que vai pro braço (eles reduzem a vibração da corda, o som “ping”), o som influencia sua percepção. Um som seco e sólido (“thud”) dá sensação de controle e conforto.
Além disso, vestuário com compressão no braço (manguitos) pode ajudar a manter a musculatura aquecida e reduzir a oscilação muscular no impacto. Para mulheres que já tiveram desconforto no braço, essa combinação (raquete correta + corda macia + antivibrador + manguito) cria um sistema de proteção robusto.
Não jogue sentindo dor. O tênis deve ser prazeroso. Se dói, algo no ecossistema está errado. Pode ser a técnica, claro, mas muitas vezes é um ajuste fino no equipamento que resolve. Ouça seu corpo e ajuste as ferramentas a ele, não o contrário.
Confiança no Equipamento e o Jogo Mental
Por fim, o efeito placebo é real e poderoso. Se você ama sua raquete, você joga melhor. Se você olha para ela e acha ela linda, se sente bem segurando o cabo, sua confiança aumenta. Não compre uma raquete só porque seu técnico (eu!) disse que as especificações são perfeitas, se você odeia a cor ou o formato dela.
Você precisa ter orgulho do seu equipamento. Quando você entra em quadra para um tie-break decisivo, você tem que olhar para a raquete e pensar: “Nós vamos ganhar isso”. Se você olha e pensa: “Essa raquete é muito pesada/leve/feia”, você já começou perdendo.
Encontre o equilíbrio entre a ciência (specs corretos) e a emoção (gosto pessoal). A raquete perfeita é aquela que tem o swingweight certo para seu nível, o grip adequado para sua mão, a corda na tensão ideal e que, além de tudo isso, faz você se sentir a número 1 do mundo quando tira da raqueteira.
Comparativo: 3 Perfis de Raquetes para Mulheres
Para te ajudar a visualizar, preparei um quadro comparando três tipos de raquetes que você vai encontrar no mercado. Vamos comparar uma típica “Raquete Feminina de Entrada” (focada em marketing), uma “Raquete Intermediária de Performance” (o ponto ideal para muitas) e uma “Raquete Avançada/Pro” (o que as tops usam).
| Característica | Raquete “Feminina” (Iniciante/Lazer) | Raquete Intermediária (Performance Leve) | Raquete Avançada (Tour/Pro) |
| Exemplo de Modelo | Babolat Boost Drive / Wilson Ultra Power | Yonex Ezone 100L / Babolat Pure Drive Team | Wilson Blade 98 / Head Speed MP |
| Peso (sem corda) | 260g – 275g | 280g – 290g | 300g – 310g |
| Tamanho da Cabeça | 102 – 110 sq in (Grande) | 100 sq in (Média/Padrão) | 97 – 98 sq in (Média/Pequena) |
| Balanço | Peso na Cabeça (Head Heavy) | Equilibrado (Even) | Peso no Cabo (Head Light) |
| Foco Principal | Potência fácil e manuseio leve | Mix de Potência e Controle | Controle e Precisão Absoluta |
| Para quem é? | Quem joga 1x por semana ou está aprendendo os movimentos básicos. | Jogadoras de clube que competem, treinam e querem evoluir os golpes. | Jogadoras de torneio, com técnica sólida e swing completo. |
| Prós | Muito fácil de gerar força; perdoa erros (sweet spot enorme). | Versátil; estável contra bolas mais fortes; não cansa o braço. | “Bola pesada”; estabilidade máxima; sensação de toque refinada. |
| Contras | Instável contra bolas fortes; pouco controle; vibra mais. | Pode faltar “peso” contra adversárias muito fortes (ajustável com chumbo). | Exige técnica e físico; cansa se não tiver preparo; não perdoa erros. |
Gostaria que eu te ajudasse a montar um plano de treino específico para se acostumar com uma raquete um pouco mais pesada e melhorar sua estabilidade em quadra? Posso te passar alguns exercícios de shadow swing (movimento sem bola) para fazer em casa.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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