O Guia Definitivo da Raquete: Ajustando o Equipamento dos 13 aos 17 Anos

Para entregar o melhor conteúdo possível, comecei realizando a pesquisa solicitada para entender o que já existe no mercado e como podemos


Você provavelmente já sentiu isso em quadra. Aquele momento em que você bate na bola com toda a técnica que treinamos, faz o movimento do forehand perfeitamente, mas a bola parece não andar ou, pior, voa direto para o alambrado. Não é necessariamente culpa do seu braço ou da sua falta de treino. Muitas vezes, o problema está na extensão da sua mão. Estamos falando da sua raquete, ao escolher uma raquete de tenis para inciantes

Nessa fase entre os 13 e os 17 anos, seu corpo muda em uma velocidade assustadora. Você estica, ganha massa muscular, perde a coordenação por um tempo e depois a recupera com muito mais força. Se o seu corpo muda, por que você acha que a mesma raquete que você usava quando tinha 11 anos vai servir agora? A escolha do equipamento certo nessa fase não é sobre luxo. É sobre não destruir sua técnica e, principalmente, proteger suas articulações.

Vamos conversar sério sobre como escolher a ferramenta certa para o seu jogo. Vou te guiar como faço com meus atletas de competição aqui no clube. Esqueça o marketing das marcas por um minuto e vamos focar na física e na biomecânica do seu jogo.

O Grande Salto: Entendendo a Transição das 26 para 27 Polegadas

A maior dúvida que recebo aqui na beira da quadra é sobre quando largar as raquetes juvenis. As raquetes “júnior” geralmente vão até o tamanho 26 polegadas. A raquete adulta padrão tem 27 polegadas. Parece pouco, certo? É apenas uma polegada de diferença. Mas no tênis, essa polegada muda completamente a alavanca, o peso de balanço (swingweight) e a distância do ponto de contato.

A regra da altura versus a regra da idade

Você não deve olhar apenas para a idade no seu documento de identidade para decidir trocar de raquete. O fator determinante aqui é a sua altura e a sua força física atual. A regra de ouro que uso com meus alunos é a altura de 1,50m. Se você ou seu filho já passou de 1,50m de altura, a raquete de 26 polegadas começa a ficar pequena demais. Ela limita o alcance no saque e obriga o jogador a encolher o braço nos golpes de fundo. No entanto, se você tem 13 anos mas ainda não esticou, manter-se na raquete 26 pode ser a salvação da sua técnica, permitindo que você manuseie o equipamento com velocidade até seu corpo estar pronto.

O perigo de pular etapas no desenvolvimento técnico

O erro mais comum que vejo é o pai comprar a raquete do Roger Federer ou do Rafael Nadal para o filho de 13 anos só porque ele cresceu um pouco. Essas raquetes pesam mais de 300 gramas sem corda. Colocar isso na mão de um adolescente em transição é pedir para ele desenvolver vícios técnicos. O peso excessivo faz com que você atrase o ponto de contato. Para compensar, você começa a usar muito o punho ou a abrir o cotovelo de forma errada. A transição deve ser suave. Não se pula de uma raquete de 240 gramas para uma de 300 gramas sem consequências desastrosas para a mecânica do golpe.

Raquetes de performance “Lite” como ponte ideal

A indústria do tênis finalmente entendeu esse problema e criou a categoria que chamamos de raquetes “Lite” ou “Ultralight”. São raquetes com o comprimento padrão de adulto (27 polegadas), feitas de grafite de alta qualidade, mas com pesos reduzidos, geralmente entre 255g e 270g. Esse é o “pulo do gato”. Você dá ao adolescente o alcance de um adulto, a tecnologia de um profissional, mas com um peso que ele consegue acelerar durante duas horas de treino intenso sem fadiga extrema. É nessa categoria que a maioria dos tenistas de 13 e 14 anos deve estar.

O Cenário aos 13 Anos: Desenvolvimento Motor e Controle

Aos 13 anos, você está saindo da categoria infantil. O jogo começa a ficar mais rápido, a bola vem com mais peso do outro lado e você precisa responder à altura. Mas lembre-se: potência sem controle não serve de nada no tênis. Nessa fase, a prioridade é consolidar a técnica do topspin e do backhand, e a raquete precisa facilitar isso, não dificultar.

O peso ideal para evitar o atraso no swing

Nessa idade, a manuseabilidade é a palavra-chave. Se a raquete for pesada, a cabeça dela “cai” durante a preparação do golpe. Você acaba batendo na bola quando ela já passou da linha do seu corpo. Para um garoto ou garota de 13 anos, busco sempre raquetes que pesem entre 255 gramas e 265 gramas (sem corda). Esse peso permite que você gere velocidade na cabeça da raquete. É a velocidade da cabeça da raquete que gera o spin, aquela rotação que faz a bola cair na quadra. Uma raquete pesada te deixa lento; uma raquete leve demais te deixa instável. Esse intervalo é o equilíbrio perfeito.

Tamanho da cabeça e a tolerância ao erro (Sweet Spot)

Outro ponto crucial é o tamanho da cabeça da raquete, medido em polegadas quadradas (sq. in.). Aos 13 anos, você não precisa de uma raquete com cabeça 90 ou 95, que exige uma precisão cirúrgica. Por outro lado, raquetes oversize (110 ou mais) podem dar potência demais e tirar seu controle. O padrão da indústria, e minha recomendação, é a cabeça 100 sq. in. Ela oferece um sweet spot (ponto doce) generoso. Isso significa que, mesmo se você não acertar a bola exatamente no centro, a raquete perdoa e a bola ainda passa para o outro lado com qualidade razoável.

A empunhadura correta para mãos em crescimento

Muitos esquecem do grip, o cabo da raquete. Aos 13 anos, as mãos estão crescendo, mas ainda não são mãos de adulto. Usar um cabo grosso demais (L3 ou L4) impede que você feche a mão corretamente, forçando o antebraço e dificultando a “quebra de munheca” necessária para o saque e o forehand. Usar um cabo fino demais faz a raquete girar na mão no impacto. A maioria dos adolescentes de 13 anos se adapta bem ao tamanho L1 (4 1/8) ou L2 (4 1/4). O teste é simples: segure a raquete e veja se sobra o espaço de um dedo mindinho entre a ponta dos seus dedos e a palma da mão.

O Cenário aos 15 Anos: Força Explosiva e Spin

Chegamos aos 15 anos. Aqui a conversa muda. A testosterona entra em jogo, a massa muscular aumenta e a agressividade em quadra dispara. Você já não quer apenas passar a bola; você quer definir o ponto, quer fazer um winner. Sua raquete precisa acompanhar essa evolução física para não parecer que você está jogando com uma pena contra uma parede de tijolos.

Aumentando o peso sem perder a manuseabilidade

Aos 15 anos, se você treina regularmente, seu braço já aguenta mais carga. A raquete de 260g começa a ficar instável quando você bloqueia um saque forte de um oponente. A bola bate na raquete e a raquete treme, perdendo controle. É hora de subir para a faixa de 280g a 295g. Esse peso extra vai te dar “massa” na bola. Quando você bater, a bola vai sair mais pesada do outro lado. Mas cuidado: essa transição deve ser feita observando se você consegue manter a velocidade do braço no final do terceiro set. Se cansar, o peso está excessivo.

Rigidez do aro e a transferência de potência

Você vai ouvir falar sobre “stiffness” ou rigidez da raquete (medida em RA). Quanto mais rígida a raquete, mais a bola “explode” ao sair dela, pois o aro não se deforma absorvendo a energia. Aos 15 anos, muitos jogadores buscam potência. Raquetes como a Pure Drive ou a Ezone têm alta rigidez. Elas ajudam a gerar aquela bola rápida. Porém, raquetes muito rígidas transferem mais vibração para o braço. Se você é um jogador que já tem muita força natural, talvez prefira uma raquete mais flexível (RA baixo) para ter mais controle e “sentir” a bola ficar mais tempo nas cordas.

O equilíbrio (balance) e a velocidade da cabeça da raquete

O peso não é tudo; onde o peso está distribuído importa mais. Raquetes para essa faixa etária costumam ter um equilíbrio “neutro” ou levemente voltado para o cabo (head light). Isso é vital. Uma raquete com muito peso na cabeça pode ser ótima para dar potência do fundo de quadra, mas é terrível para volear ou para manobras rápidas de defesa. Aos 15 anos, seu jogo está ficando completo. Você precisa subir à rede, precisa sacar com efeito. Um balanço equilibrado (geralmente em torno de 32cm ou 32.5cm) permite que você seja versátil em todas as áreas da quadra.

O Cenário aos 17 Anos: O Setup de Quase Profissional

Aos 17 anos, no tênis competitivo, você já é considerado praticamente um adulto em termos físicos e técnicos. Se você joga torneios da federação ou juvenis ITF, seu equipamento deve ser de nível profissional. Não há mais espaço para equipamentos intermediários se você busca alta performance.

Personalização e o uso de chumbo (Lead Tape)

Nessa fase, muitos dos meus alunos começam a customizar as raquetes. Compramos raquetes de 300g ou 305g e adicionamos fitas de chumbo em posições estratégicas (nas 3 e 9 horas do relógio da cabeça da raquete, por exemplo). Isso aumenta a estabilidade torsional. Sabe quando você bate a bola fora do centro e a raquete gira na mão? O chumbo ajuda a evitar isso. Aos 17 anos, você tem força para carregar uma raquete com swingweight alto. Personalizar o equipamento torna a raquete única para o seu estilo de swing.

Raquetes de controle versus raquetes de potência

Aqui a divisão de estilos fica clara. Se você é um jogador de 17 anos que joga no fundo de quadra trocando 50 bolas, com muito topspin (estilo saibrista), você provavelmente vai preferir raquetes com perfil mais aerodinâmico e voltadas para spin. Se você é um jogador de saque e voleio ou que bate muito plano na bola (estilo flat hitter), você vai precisar de raquetes de perfil mais fino (thin beam), que oferecem controle absoluto, pois você gera a potência com seu corpo, não precisa que a raquete faça isso por você.

A importância da consistência no material de grafite

A qualidade do material é inegociável. Raquetes de entrada usam compostos de grafite mais baratos. Aos 17 anos, você quebra cordas com frequência e submete o aro a tensões altíssimas. Você precisa de raquetes “Premium”, feitas com tecnologias de trançado de grafite e materiais como Graphene, Kevlar ou similares. A consistência é a chave: se você tem duas raquetes iguais, elas precisam pesar exatamente a mesma coisa e ter o mesmo balanço. Em nível competitivo aos 17 anos, essa precisão define se a bola vai na linha ou 2 centímetros fora.

A Influência Crucial do Padrão de Encordoamento e Tensão

Muita gente foca só no quadro da raquete e esquece do motor dela: as cordas. Para um adolescente, entender o padrão de cordas é tão vital quanto escolher o peso. O padrão de encordoamento é a quantidade de cordas verticais (mains) e horizontais (crosses). Isso muda a física do contato com a bola de uma maneira drástica.

Padrões abertos (16×19) para gerar efeito topspin

Se você tem entre 13 e 17 anos e joga o tênis moderno, provavelmente usa o grip Western ou Semi-Western e gosta de ver a bola pular alto. O padrão 16×19 (16 cordas em pé, 19 deitadas) é o mais recomendado. Os “quadradinhos” formados pelas cordas são maiores. Isso permite que a corda se movimente mais e dê um “chute” na bola (o efeito snapback), gerando muito spin. Além disso, solta a bola com mais facilidade, ajudando quem ainda não tem a força de um adulto formado.

Padrões fechados (18×20) para jogadores planos e controle

Já o padrão 18×20 cria uma trama muito densa. É como bater com uma tábua. A bola sai com menos potência e menos spin, mas com um controle direcional absurdo. Geralmente, não recomendo 18×20 para garotos de 13 ou 14 anos, a menos que sejam fenômenos físicos. Esse padrão exige que o jogador gere toda a força. Porém, para um garoto de 17 anos com braço forte que solta o braço sem medo, o 18×20 ajuda a manter a bola dentro da quadra.

A escolha da corda e a saúde do braço do adolescente

Aqui mora um perigo. A moda é usar cordas de poliéster (as famosas cordas duras e coloridas que os profissionais usam). Elas são ótimas para spin e durabilidade, mas são péssimas para o conforto. Para um adolescente de 13 ou 15 anos, usar uma poliéster muito dura com tensão alta é um convite para dores no cotovelo. Eu sempre recomendo começar com multifilamentos (que imitam tripa natural) ou híbridas (uma mistura das duas). Se for usar poliéster, use tensões baixas, entre 48 e 52 libras. Não tente copiar as 60 libras que o Nadal usava no passado; o braço dele é diferente do seu.

Biomecânica e Prevenção de Lesões na Adolescência

Não adianta nada ter a raquete perfeita se você estiver lesionado no fisioterapeuta. A adolescência é uma fase de “estirão”. Os ossos crescem mais rápido que os tendões e músculos, deixando o corpo propenso a lesões por tração. A raquete atua como uma extensão que pode amplificar ou mitigar esses riscos.

O “Tennis Elbow” precoce e o peso da raquete

Antigamente, Tennis Elbow (epicondilite lateral) era coisa de veterano. Hoje, vejo garotos de 14 anos com essa dor. A causa? Quase sempre equipamento errado. Uma raquete leve demais (menos de 250g para um garoto forte) vibra muito no impacto, passando o choque para o cotovelo. Uma raquete pesada demais faz o jogador atrasar o golpe e usar os músculos extensores do antebraço para “frear” a raquete, inflamando o tendão. O equilíbrio que discutimos nos tópicos anteriores não é só para jogar bem, é para jogar sem dor.

A cadeia cinética e a sobrecarga no ombro

O saque é o golpe mais violento para o ombro. Se você usa uma raquete com o peso muito deslocado para a cabeça (head heavy) aos 15 anos, o momento de inércia na hora de levantar a raquete para o troféu e acelerar coloca uma tensão enorme no manguito rotador. A biomecânica correta exige que a força venha das pernas, passe pelo tronco e chegue ao braço. Uma raquete inadequada quebra essa cadeia cinética. Você para de usar o corpo e começa a usar só o ombro para compensar o peso do equipamento. O resultado é bursite ou tendinite antes mesmo de tirar a carteira de motorista.

A vibração do aro e o impacto nas articulações em formação

Por fim, precisamos falar sobre rigidez e materiais. Raquetes de alumínio (aquelas baratas de supermercado) são as piores vilãs. Elas vibram de uma forma caótica. Para um adolescente jogando 3 ou 4 vezes por semana, o grafite é obrigatório porque ele absorve frequências nocivas. Além disso, o uso de antivibradores ajuda a tirar o som agudo do impacto, mas não resolve o problema da vibração do aro. A solução é escolher a rigidez correta. Se você tem histórico de dor no pulso ou braço, procure raquetes com índice de rigidez (RA) abaixo de 65. Elas são mais “manteiga” e protegem suas articulações em desenvolvimento.


Comparativo: Escolhendo sua Arma

Para facilitar sua vida, selecionei um modelo que considero o “padrão ouro” para a transição (especialmente na faixa dos 13-15 anos) e comparei com dois concorrentes diretos. Estamos falando de raquetes de performance, mas nas versões “Lite” ou “Team”, ideais para essa fase.

CaracterísticaBabolat Pure Drive Lite (Referência)Wilson Ultra 100L v4Head Speed MP L
Peso (sem corda)270g280g275g
Tamanho da Cabeça100 sq. in.100 sq. in.100 sq. in.
Padrão de Cordas16×1916×1916×19
Perfil (Rigidez)Alto (Potência Explosiva)Médio-Alto (Potência e Estabilidade)Médio (Controle e Sensibilidade)
Ideal ParaJogadores de 13-15 anos que buscam potência fácil e spin.Adolescentes mais fortes (15+) que querem estabilidade em trocas rápidas.Jogadores técnicos (14-16 anos) que têm swing rápido e querem controle.
SensaçãoFirme e elétrica. A bola sai muito rápido.Sólida. Parece uma raquete mais pesada do que é.Confortável. Ótima para sentir a bola e variar o jogo.

Próximo Passo

Você já entendeu a teoria, agora precisa da prática. Gostaria que eu analisasse um vídeo curto seu batendo um forehand e um backhand? Assim posso te dizer com precisão se o seu swing atual pede uma raquete mais voltada para controle ou para potência, e te dar uma recomendação personalizada antes de você investir seu dinheiro.

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