E aí! Legal te ver de volta. Vejo que você já entendeu o ‘dicionário’ do tênis. Mas agora você quer que os golpes ‘falem’ em quadra, que eles tenham intenção, que eles saiam do nível “só passo a bola” para o nível “eu mando no ponto”. E para fazer essa transição, você não precisa de um parceiro todo dia. Na verdade, eu vou te apresentar o melhor parceiro de treinos que existe: o paredão.
O paredão é o professor silencioso. Ele nunca se cansa, ele devolve todas as bolas, nunca reclama do seu erro e está disponível 24 horas por dia. Muita gente acha que paredão é coisa de iniciante. Engano fatal. O paredão é onde o profissional afia a faca. Para você, ele é a sua academia particular. Por quê? Porque ele te força a uma coisa que jogar com outro iniciante não força: velocidade de reação. A bola volta rápido.
O paredão acelera seu aprendizado. Ele não te dá tempo para ficar admirando seu golpe bonito. Bateu? A bola já está voltando. Você é forçado a encurtar sua preparação e a melhorar seu trabalho de pernas (footwork). Se você quer pular do iniciante para o intermediário, você precisa dominar a consistência e o tempo. E o paredão é o mestre disso. Pega a raquete, vamos para a parede. para raquetes de tenis para jogadores intermediários
1. O ‘Metrônomo’: A Forja da Consistência
O primeiro exercício é o alicerce de tudo. É o ‘Metrônomo’. Você vai ficar a uma distância confortável do paredão, uns 5 ou 6 metros (perto da linha de fundo, se houver marcação). O seu único objetivo aqui não é força, é ritmo. Quero que você bata 20 bolas seguidas só de forehand. A bola pinga no chão, você bate na parede, ela volta, pinga no chão, você bate de novo.
O segredo aqui é o footwork e a preparação. A bola volta rápido, lembra? Você não tem tempo de ficar admirando o golpe ou fazer aquele swing (movimento) longo, igual ao do Alcaraz na TV. Bateu? Já faz o split step (aquele saltinho de prontidão) e imediatamente prepara a raquete de novo, levando ela para trás. O paredão te força a ter uma preparação curta e eficiente. Se você “armar” o golpe muito tarde, a bola já passou por você.
Foque na altura. Mire num ponto na parede que faça a bola quicar confortavelmente na sua cintura. Depois que fizer 20 forehands (ou quando errar), faça 20 backhands. O objetivo é sentir a bola no centro da raquete, é criar memória muscular. Você está calibrando o golpe. Parece simples? Tente fazer 50 bolas seguidas sem errar. Você vai ver o quanto sua mente precisa estar focada. O intermediário é consistente.
2. O ‘Limpa-Trilho’: A Transição Forehand-Backhand
Ok, você já aqueceu o forehand e o backhand separados. Agora vamos juntar os dois. Este é o ‘Limpa-Trilho’, e é aqui que o iniciante começa a “quebrar”. A regra é simples: você tem que alternar. Uma de forehand, uma de backhand. Uma de forehand, uma de backhand. Sem parar.
Aqui é onde o jogo de pernas é testado de verdade. O iniciante não consegue se recuperar a tempo. Bater a bola parado é fácil; se preparar para a próxima bola, que vem no outro lado, é que é difícil. O paredão, ao devolver a bola rápido e geralmente no meio, te obriga a usar o seu footwork de recuperação. Você bate o forehand, e imediatamente tem que “dançar” para o lado (ou para trás) para abrir espaço para o backhand.
Não tente bater cruzado no paredão no começo, você vai se complicar. Bata reto. A bola volta reta. O seu trabalho é sair da frente da bola. A maioria dos iniciantes fica ‘plantado’ no meio e tenta bater a bola ‘em cima’ do corpo, seja de forehand ou backhand. Isso não funciona. Bateu, recupera pro meio, split step, gira os ombros pro backhand, bate, recupera pro meio. É uma dança. Isso simula 90% de uma troca de bolas real no fundo de quadra.
3. Mãos Rápidas: A Escola de Voleio
Agora vamos para a rede. Literalmente. Você vai se aproximar muito do paredão, ficar a uns 2 ou 3 metros de distância. Você vai começar o exercício jogando a bola com a mão contra a parede e vai começar a volear. Sem deixar a bola quicar no chão. O objetivo é alternar: voleio de forehand, voleio de backhand.
Isso é puro reflexo. A bola volta em menos de um segundo. Aqui, você vai aprender na marra a lição número 1 do voleio: não se bate no voleio. Você ‘bloqueia’. O movimento é curtíssimo. Pense ‘soco’, não ‘swing’. A cabeça da raquete tem que estar sempre alta, na sua frente. Se você abaixar a raquete depois de volear, já era. Você não terá tempo de levantar ela de novo.
O paredão vai expor todos os seus vícios. Se seu pulso for ‘mole’, a bola vai espirrar para todo lado. Mantenha o pulso firme, como se estivesse com uma tala. Dobre os joelhos, fique na ponta dos pés. O paredão é o melhor professor de voleio do mundo, porque ele não te dá tempo para pensar no erro. Você é forçado a reagir. Tente contar quantos voleios seguidos você consegue. 10 é bom. 20 é ótimo. 50? Você está virando um jogador de rede.
4. A ‘Mira Laser’: Controle de Altura e Profundidade
Vamos voltar para o fundo da quadra. Agora vamos adicionar um alvo, vamos adicionar intenção. Pegue uma fita crepe (ou giz, ou use uma linha que já exista na parede) e marque uma linha horizontal a mais ou menos 1 metro do chão. Essa é a altura da rede. Este exercício tem duas fases. Fase 1: você só pode bater a bola acima dessa fita.
Por que acima? Porque é isso que dá profundidade ao seu golpe na quadra real. O maior erro do iniciante é bater para baixo, na rede, ou bater reto e a bola quicar no meio da quadra do adversário (uma bola “morta”). Bater acima da fita no paredão simula uma bola que passa com margem de segurança sobre a rede real e quica fundo, lá perto da linha de base do adversário. Isso é crucial. Use o seu topspin aqui. Bata “escovando” a bola, para ela subir e depois “cair” no paredão.
Fase 2: agora o oposto. Tente bater abaixo da fita, mas com menos força, como se fosse um slice (fatiada) ou uma bola curta. O objetivo é fazer a bola “morrer” assim que volta para você, quicando duas vezes antes de você pegar. Isso simula um drop shot (deixadinha) ou uma bola curta que força o adversário a vir para a rede. Este exercício tira você do piloto automático. Você deixa de ser um rebatedor e vira um jogador que pensa o ponto.
5. O ‘Golpe +1’: Simulando Saque e Devolução
Este é o mais avançado, porque simula uma situação real de ponto. O paredão não te ajuda a sacar, obviamente. Então vamos simular a devolução e o golpe seguinte. Fique perto do paredão (uns 3-4 metros), de costas para ele. Jogue a bola por cima do seu ombro contra a parede, como se fosse um toss (lançamento). Gire rápido e, quando a bola voltar, devolva essa bola como se fosse um saque potente.
Mas o exercício não acaba aí. A bola que você ‘devolveu’ vai voltar do paredão. Essa segunda bola (a bola depois da devolução) é a que define o jogador intermediário. É o seu ‘Golpe +1’. Você devolveu o saque, a bola voltou… o que você faz agora? Você ataca? Você se defende? Você está treinando a transição da devolução (que é defensiva) para o ponto (que pode ser ofensivo).
Uma variação disso é simular o seu próprio saque. Fique na sua posição de saque (se tiver espaço). Faça o movimento do saque sem bola, e imediatamente peça para alguém (ou você mesmo com a mão) jogar uma bola rápida que simule a devolução do adversário. Você, que ‘acabou de sacar’ e está recuperando o equilíbrio, tem que reagir a essa bola. O paredão te força a estar pronto para a primeira bola depois do seu saque. É o que os profissionais mais treinam.
Viu só? O paredão não é chato. Ele é um laboratório. É onde você condensa 5 horas de treino “bate-bola” em 1 hora de foco total. O paredão não mente. Se você estiver com a preparação atrasada, ele vai te mostrar. Se seu footwork estiver preguiçoso, ele vai te mostrar.
Pegue esses 5 exercícios e faça deles sua rotina. Um dia você foca 20 minutos no ‘Metrônomo’ (consistência), no outro você foca 20 minutos nos ‘Voleios’ (reflexo). Agora, chega de papo. Vai lá ‘conversar’ com a parede e me mostra o que aprendeu na próxima aula.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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