As lesões mais comuns em jogadores intermédios (e como a raquete pode ajudar).

Belo follow-up. Esta é, provavelmente, a pergunta mais importante que um jogador intermédio pode fazer. É exatamente nesta fase que o jogo fica sério, a intensidade aumenta, e o corpo começa a passar a fatura da “lua de mel” do iniciante.

O jogador intermédio está num ponto perigoso: já tem força suficiente para bater na bola, mas muitas vezes a técnica ainda não está 100% polida para aguentar essa força. Além disso, é a fase em que o jogador começa a querer “mais” – mais spin, mais potência no serviço – e é aí que as lesões aparecem.

E sim, a raquete não é apenas uma ferramenta para bater na bola; ela é o seu principal escudo. Uma raquete errada nesta fase não só trava a sua evolução como acelera (e muito) o caminho até ao fisioterapeuta.

Vamos analisar o “trio da dor” do jogador intermédio e como o seu equipamento pode ser o seu melhor aliado ou o seu pior inimigo.

O “Muro” do Jogador Intermédio: Porquê Agora?

Antes de tudo, porque é que é o jogador intermédio que mais se lesiona? Simples:

  1. Aumento de Frequência: Você está a jogar mais. Em vez de uma vez por semana, joga duas ou três. O corpo não teve tempo de se adaptar.
  2. Procura de Potência: O seu swing já é completo, e agora você quer bater “forte”. Começa a usar a força do braço em vez da cadeia cinética (corpo todo).
  3. Técnicas Novas: Você está a tentar o kick serve, a adicionar mais topspin (o “limpa-para-brisas”), a ser mais agressivo. São movimentos que exigem mais do ombro e do pulso.
  4. Equipamento Desajustado: Este é o ponto crucial. Muitos jogadores nesta fase cometem um de dois erros: ou continuam com a raquete de iniciante (leve demais, vibra muito) ou saltam para a raquete do “ídolo” (pesada demais, rígida demais).

Lesão #1: O Clássico “Tennis Elbow” (Epicondilite Lateral)

Esta é a lesão número um, de longe. É aquela dor chata na parte de fora do cotovelo. Você sente-a ao pegar numa chávena de café ou ao abrir uma porta.

Porque acontece (nesta fase): O jogador intermédio começa a bater mais tarde (atrás do corpo) e tenta compensar com um “estalido” do pulso. Mais importante, é aqui que muitos descobrem as cordas de poliéster (as que os profissionais usam) e colocam-nas numa raquete já de si rígida. É a receita para o desastre. O choque do impacto não é absorvido e vai todo para os tendões do cotovelo. para raquetes de tenis para jogadores intermediários

Como a Raquete Ajuda (A Culpa é da Rigidez):

  1. Rigidez (RA): Este é o fator mais importante. Raquetes têm um índice de rigidez (RA). Raquetes muito rígidas (RA acima de 68-70) dão muita potência, mas transferem todo o impacto para o seu braço. Um jogador intermédio com historial de dor deve procurar raquetes flexíveis (RA abaixo de 65). Elas absorvem o choque.
  2. As Cordas (O Verdadeiro Vilão): Esqueça o poliéster puro. É o pior que pode fazer ao seu braço nesta fase. O poliéster é duro, morre rápido e vibra. Você precisa de cordas macias: um multifilamento ou um synthetic gut (tripa sintética). Se quiser mesmo um pouco mais de spin, use um híbrido (poliéster nas verticais, multifilamento nas horizontais) e baixe a tensão (libragem).
  3. Peso: Uma raquete leve demais (como a de iniciante, 270g) é instável. Ela vibra quando a bola bate fora do sweet spot. Uma raquete com um pouco mais de peso (290g – 305g) é mais estável e, paradoxalmente, mais confortável, porque é a própria massa da raquete que absorve o impacto, não o seu braço.

Lesão #2: O Ombro (O Manguito Paga o Preço do Serviço)

A segunda queixa mais comum. A dor aparece quando você tenta sacar “com tudo” ou quando vai buscar um forehand alto. É uma dor na articulação, que piora com o movimento acima da cabeça.

Porque acontece: O jogador intermédio quer “partir a bola” no serviço. Em vez de usar as pernas, a rotação do tronco e relaxar o braço (o tal “movimento de arremesso”), ele “múscula” a bola. Contrai o ombro e bate só com a força do braço. O manguito rotador, um grupo de pequenos músculos estabilizadores, não aguenta essa carga.

Como a Raquete Ajuda (O Perigo do “Swingweight”):

  1. Peso Total e Swingweight (SW): Mais importante que o peso parado (estático) é o swingweight – o quão pesada a raquete parece ao ser movimentada. Raquetes com muito peso na cabeça (Head Heavy) ou um swingweight muito alto (acima de 325) são “martelos”. Tentar acelerar um martelo acima da cabeça centenas de vezes por jogo destrói o ombro.
  2. Equilíbrio: O jogador intermédio deve procurar raquetes com equilíbrio neutro (Even Balance) ou, idealmente, com peso no cabo (Head Light – HL). Uma raquete HL é muito mais fácil de manobrar. Ela permite acelerar a mão rapidamente no serviço sem sobrecarregar a articulação do ombro. Você “sente” a cabeça da raquete a acelerar, em vez de “empurrar” o peso.

Lesão #3: O Pulso (A Tentativa de “Chicote”)

A dor no pulso (tendinites) vem da tentativa de criar spin da forma errada. Acontece muito no forehand.

Porque acontece: O jogador vê os profissionais a fazerem o “lag and snap” (o pulso fica para trás e depois dispara, como um chicote) e tenta imitar. Só que, sem a rotação de tronco e a aceleração de braço perfeitas, o jogador acaba por “dobrar” o pulso ativamente no momento do impacto. Está a forçar o spin com os pequenos tendões do pulso, em vez de deixar a física do swing criá-lo.

Como a Raquete Ajuda (O Fator “Grip” e Equilíbrio):

  1. Tamanho do Grip: Se o seu grip for demasiado pequeno, você vai apertar a raquete com uma força desgraçada para ela não rodar na sua mão. Essa tensão constante sobe do antebraço para o pulso e cotovelo. Se for grande demais, você perde a sensibilidade e tenta compensar com movimentos bruscos de pulso. O grip correto é fundamental.
  2. Equilíbrio (outra vez): Raquetes com peso na cabeça (Head Heavy) colocam uma pressão enorme no pulso, especialmente em volleys e devoluções de serviço. O peso “puxa” o seu pulso para trás. Uma raquete Head Light (peso no cabo) tira toda essa pressão. O pulso fica livre e relaxado.
  3. Padrão de Cordas: Um padrão de cordas mais aberto (como 16×19) “agarra” melhor a bola e ajuda a gerar spin mais facilmente, sem que você precise de “forçar” o movimento com o pulso.

O Veredito do Professor: A Raquete é a Sua Armadura

Para o jogador intermédio, a raquete deixa de ser um pedaço de grafite e passa a ser uma armadura. Você precisa de uma aliada, não de uma arma que também ataca você.

O seu investimento deve ir para o conforto e a estabilidade. Procure raquetes com RA baixo (flexíveis), um peso que lhe dê estabilidade (290g-305g é o sweet spot), e um equilíbrio Head Light (peso no cabo).

E, pelo amor de Deus, fuja das cordas de poliéster puras. Use um multifilamento ou um híbrido com baixa tensão. O seu cotovelo, ombro e pulso vão agradecer-lhe, e você vai poder continuar a evoluir em vez de ficar parado a pôr gelo.

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