Qual a importância da tensão das cordas para o jogador intermédio?

E aí, tudo certo? Ótima pergunta. Puxa uma cadeira aí, vamos falar sério sobre isso. Se na primeira raquete o foco era achar o “corpo” certo – peso, equilíbrio, cabeça – agora que você é um jogador intermediário, você descobriu a “alma” da raquete: a tensão das cordas. É aqui que o jogo de gente grande começa. É o seu primeiro grande passo para a customização fina.

Pensa comigo: como intermediário, você já não está mais só tentando devolver a bola. Você já tem golpes formados. Você já sabe o que é um topspin, um slice, um flat. Você já tem um swing (o movimento do golpe) muito mais longo e rápido do que quando começou. Certo? Agora, você quer direção. Você quer consistência. Você quer que, ao fazer aquele forehand na corrida, a bola puxe para dentro da quadra, e não voe para o alambrado. É exatamente aí que a tensão entra.

A tensão das cordas é o seu “dial” de ajuste fino. É como equalizar o som. Você pode ter a melhor guitarra do mundo (a raquete), mas se as cordas estiverem desafinadas (tensão errada), a música vai sair horrível. Para o iniciante, qualquer tensão “média” serve, porque o objetivo é só acertar a bola. Para você, o intermediário, a tensão correta é a diferença entre um dia frustrante, onde nada “entra”, e um dia de flow, onde você sente a bola “grudar” na raquete e ir exatamente para onde você mirou.


O Grande “Trade-Off”: Potência x Controle

O tênis é um jogo de física, e a tensão das cordas é o coração dessa física. Tudo, absolutamente tudo sobre tensão se resume a um eterno trade-off (uma troca): potência versus controle. Entender isso é o “pulo do gato” para você. Não existe uma tensão “mágica” que te dá os dois ao mesmo tempo. Você sempre vai sacrificar um para ganhar o outro. Sua missão como intermediário é achar o ponto de equilíbrio perfeito para o seu jogo.

Pense na tensão como a rigidez de uma cama elástica. Se ela estiver mais “frouxa” (tensão baixa), quando você pula, ela te joga lá para o alto. Se ela estiver “esticada” ao máximo (tensão alta), ela mal se move, e você quase não sai do chão. A bola de tênis reage exatamente da mesma forma. O seu trabalho é decidir o quanto de “impulso” você quer que a raquete te dê e o quanto de “firmeza” você precisa para manter o controle. para raquetes de tenis para jogadores intermediários

Para o jogador intermediário, que já está gerando mais velocidade de braço, o controle começa a ser mais importante que a potência “grátis”. Você já sabe fazer força. Agora você precisa que essa força seja direcionada. É um ajuste fino, e é por isso que vamos dissecar os dois lados dessa moeda.

Tensão Baixa: O “Efeito Estilingue”

Vamos começar com as tensões mais baixas (geralmente abaixo de 52-53 libras, dependendo da corda). Quando você usa uma tensão mais baixa, as cordas ficam mais elásticas. No impacto, elas se deformam mais, “afundando” a bola. Isso cria o que chamamos de “efeito cama elástica” ou “efeito estilingue”. A corda armazena a energia do impacto e a devolve para a bola, impulsionando-a com mais velocidade. O resultado é mais potência com menos esforço do seu braço.

Além da potência, uma tensão mais baixa oferece duas vantagens cruciais para o jogador intermediário. A primeira é o conforto. Como as cordas absorvem mais o impacto, menos vibração é transferida para o seu braço. Se você sente dores no pulso ou cotovelo (o famoso tennis elbow), baixar a tensão é a primeira receita que eu te dou. A segunda vantagem é o spin. Como a bola “afunda” mais nas cordas, a corda tem mais tempo de contato e “agarra” melhor a bola, ajudando a gerar mais rotação (topspin).

O problema? Controle. Com esse efeito estilingue todo, a bola tende a “voar” mais. Fica mais difícil ser preciso. Aquele approach na paralela pode sair por um palmo. Aquele backhand mais agressivo pode passar do fundo da quadra. É um equilíbrio delicado. Se você é um jogador que baseia seu jogo em topspin pesado, lá do fundo da quadra, e precisa de uma ajuda extra na potência, ou se você prioriza o conforto acima de tudo, explorar tensões mais baixas é o caminho.

Tensão Alta: O “Bisturi” do Controle

Agora vamos para o outro lado da quadra: tensões altas (geralmente acima de 54-55 libras). Aqui, a “cama elástica” está super esticada. Quando a bola bate, as cordas mal se movem. Elas não absorvem a bola; elas a rebatem de forma mais direta e firme. O resultado imediato é que o “efeito estilingue” desaparece. Você perde potência. A raquete parece mais “morta”, no bom sentido. Se você não fizer o swing completo e acelerar o braço, a bola não vai andar.

Mas o que você ganha em troca é o prêmio máximo: controle. Com as cordas firmes como uma tábua, você tem uma sensação de precisão cirúrgica. Você sente exatamente onde a bola bateu e para onde ela vai. É como trocar um pincel grosso por um bisturi. Para o jogador intermediário que já tem um swing rápido e agressivo, isso é o paraíso. Você pode bater na bola com 100% da sua força, confiando que a tensão alta vai “segurar” a bola dentro da quadra.

Isso é especialmente nítido nos voleios e nos slices. Com tensão alta, seus voleios saem firmes, curtos e precisos. Seus slices saem rasantes e venenosos. O feedback é instantâneo. A desvantagem é clara: exige muito do seu braço. Você tem que gerar toda a potência. E, o mais importante, é muito mais rígido para o braço. A “janela” de conforto diminui, o sweet spot parece menor e o risco de lesão aumenta se sua técnica não for limpa. É a escolha de quem bate flat (chapado) ou de quem precisa de controle máximo acima de tudo.


Calibrando sua “Mecânica”: O Encontro com a Corda Certa

Agora você entende o “o quê”. Vamos ao “como”. A tensão não trabalha sozinha. Ela é o par de dança da corda que você escolhe. Um erro clássico do intermediário é achar o número de libras certo, mas com o tipo de corda errado. É como acertar a calibragem do pneu, mas colocar um pneu de chuva para correr no sol. Não vai funcionar.

Como intermediário, você provavelmente está deixando as cordas macias (multifilamento, tripa sintética) e migrando para os poliésteres (as famosas “polys”) ou para um híbrido (poliéster misturado com outra corda). As cordas de poliéster são rígidas por natureza. Elas foram feitas para controle e spin. O jogo muda completamente aqui.

Se você está usando uma corda de poliéster (aquelas cordas mais duras, que dão muito spin), você nunca deve usar as mesmas tensões altas de uma corda macia. Um poliéster encordoado com 58 libras é uma receita para acabar com seu cotovelo em um mês. Poliésteres precisam ser encordoados com tensões mais baixas (algo entre 46 e 52 libras é o mais comum) para se tornarem jogáveis e confortáveis. A rigidez do material já te dá o controle; a tensão baixa te devolve um pouco da potência e do conforto.

Por outro lado, se você ainda joga com um multifilamento (corda macia, confortável, que dá mais potência), você pode (e talvez deva) usar tensões mais altas. Como a corda já é muito elástica, usar uma tensão de 48 libras nela vai transformar sua raquete num canhão descontrolado. Nesses casos, subir a tensão para 55-58 libras é comum, para “domar” a potência da corda e ganhar o controle que o material não te dá.

O “Plano de Voo”: Achando Seu Número Mágico

Não tem jeito, campeão. Ninguém vai te dar um número mágico. Nem eu, nem o Federer. A tensão é a descoberta mais pessoal do tênis. O que funciona para mim pode ser horrível para você. Mas eu vou te dar o método, o “plano de voo” para você achar o seu número.

Primeiro: olhe a sua raquete. Nela, está escrito o range (intervalo) de tensão recomendado pelo fabricante (ex: “50-60 lbs”). O seu ponto de partida sempre deve ser o meio exato desse intervalo. Se a raquete pede entre 50 e 60, mande encordoar com 55 libras. Use a corda que você escolheu (lembrando da diferença entre poly e multi) e vá para a quadra.

Segundo: jogue. Jogue por umas duas semanas com essa tensão. Sinta a raquete. E seja crítico: Minhas bolas estão passando do fundo da quadra sem eu fazer força? Estou sem controle? Se sim, na próxima vez, aumente 2 libras (vá para 57). Agora, o oposto: Estou sentindo meu braço doer? A bola “morre” na rede? Sinto que estou fazendo uma força absurda para a bola andar? Se sim, na próxima vez, diminua 2 libras (vá para 53).

Terceiro: repita o processo. A “regra dos 2 quilos” é a bússola do tenista. Você vai subindo ou descendo de 2 em 2 libras até achar o ponto onde você sente a combinação perfeita de potência para o seu swing, controle para seus alvos e conforto para o seu braço. E lembre-se: corda perde tensão. A raquete encordoada com 55 hoje, daqui a dois meses, estará com 50 ou menos. Por isso, jogadores intermediários devem trocar de corda regularmente (pelo menos a cada 2-3 meses), mesmo que ela não quebre, para manter a consistência da tensão.

Viu só? A tensão é o que separa o jogador que “só bate na bola” do jogador que “sabe o que está fazendo”. É o seu ajuste fino. É onde você diz para a sua raquete exatamente como ela deve se comportar.

Agora vai lá, conversa com seu encordoador, começa o teste. E não se esqueça de me contar na próxima aula como ficou essa batida. Quero ver essa bola cantando na linha!

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