E aí, tenista. Ótima pergunta. Você está sentindo, então? Aquele comichão, aquela desconfiança de que você e sua primeira raquete já não têm o mesmo “casamento” do início. Você olha para ela e pensa: “Será que o problema sou eu ou é você?”. Como seu professor, eu adoro quando um aluno chega nesse ponto. Significa que você está evoluindo.
Sua primeira raquete, aquela de cabeça grande (Oversize), leve e com o peso na ponta, foi sua “chuteira de rodinhas”. Ela foi desenhada para te ajudar a se equilibrar, para fazer a bola passar da rede mesmo quando sua técnica era um desastre. Ela foi feita para te perdoar, para te dar potência de graça e para fazer você se apaixonar pelo jogo. Mas agora, o jogo mudou. Você mudou.
Você não é mais o mesmo jogador que errava o timing de todas as bolas. Você já tem um swing, já tem intenção nos seus golpes. E essa raquete, que era sua melhor amiga, pode estar se tornando sua maior âncora. Ela está te segurando. Então, vamos fazer um check-up no seu jogo. Se você marcar “sim” para a maioria desses 7 sinais, está oficialmente na hora de marcar um “teste” com raquetes novas.
1. Suas bolas estão “voando” demais (e não é de propósito)
Este é o sinal número um. O mais clássico. Lembra do “efeito trampolim” que falamos? A cabeça grande da sua raquete de iniciante foi feita para isso. Você mal encostava na bola e ela ia longe. Era ótimo. Agora, é péssimo. Você desenvolveu seu swing. Seu movimento (o groundstroke) ficou mais longo, mais rápido e mais fluido. Você aprendeu a usar o corpo, a girar o tronco e a acelerar o braço. Você está gerando sua própria potência.
O problema é que agora você tem duas fontes de potência: a sua (que é a correta) e a da raquete (que é a artificial). Quando você soma as duas, o resultado é um desastre de controle. Você se prepara, faz o movimento perfeito, bate na bola com a intenção de acertar o fundo da quadra e… a bola voa. Ela vai direto para o muro do fundo, um metro, dois metros para fora da linha. Você sente que a bola “flutua” demais, que não “cai” na quadra.
Isso acontece porque o efeito trampolim da raquete Oversize está anulando seu controle. A raquete está te “traindo”. Você tenta bater com mais spin (efeito) para fazer a bola descer, mas a cama elástica da raquete a joga para frente antes que você consiga “raspar” a bola para cima. Se você se vê constantemente pedindo desculpas porque sua bola foi longe demais, não é (só) culpa sua. É o seu equipamento gritando que não aguenta mais a sua força.
2. Você sente que a raquete “torce” na sua mão
Este sinal é mais sutil, mas é crucial. Você está no meio de um ponto, seu oponente bate uma bola um pouco mais forte. Você se posiciona, bate, mas no momento do impacto, você sente a raquete vibrar ou até “girar” levemente na sua mão. A bola sai fraca, uma “morta” no meio da quadra, sem direção. Isso acontece muito em voleios também. A bola vem e, ao invés de um bloqueio sólido, a raquete parece “mole”.
Isso se chama estabilidade torsional. Ou, no seu caso, a falta dela. Sua raquete de iniciante é leve (provavelmente abaixo de 285g). Esse peso leve foi ótimo para você aprender a manuseá-la sem cansar o braço. O problema é que, no tênis, física é tudo. Um objeto leve é facilmente movido por um objeto pesado vindo em alta velocidade (a bola). A raquete não tem “massa” suficiente para aguentar o tranco, para raquetes de tenis para jogadores intermediários
Uma raquete intermediária (com cerca de 300g) traz uma estabilidade que você nunca sentiu. Ela não torce. Ela tem o que chamamos de plow through – a capacidade de “atravessar” a bola. Quando você bate em uma bola pesada, a raquete se mantém firme, sólida como uma rocha. Isso te dá um controle e uma confiança que a sua raquete leve simplesmente não pode oferecer. Se você sente que sua raquete é “frouxa” no impacto, é hora de adicionar mais massa ao seu jogo.
3. Você está procurando “mordida” na bola (e só encontra “empurrão”)
Você evoluiu. Você não quer mais só “passar a bola” para o outro lado. Você quer que a bola faça uma curva. Você quer acertar um topspin que faça a bola pular e jogar seu oponente para trás. Você tenta “raspar” a bola, fazendo aquele movimento de “limpador de para-brisa” que eu te ensinei. Mas, não importa o que você faça, a bola sai reta, “plana” (flat), sem vida. Você sente que está “empurrando” a bola, e não “batendo” com efeito.
Raquetes de iniciante, com suas cabeças muito grandes e padrões de corda mais fechados (proporcionalmente), não são feitas para gerar spin. Elas são feitas para dar potência em golpes planos. Para gerar spin de verdade, você precisa de duas coisas: velocidade de cabeça de raquete e um padrão de cordas que “morda” a bola. A sua raquete leve e com peso na cabeça é difícil de acelerar rápido para gerar esse spin (ela é feita para um swing lento).
Uma raquete intermediária (especialmente com padrão 16×19) é desenhada para isso. O equilíbrio dela permite que você “quebre o pulso” mais rápido na bola, gerando uma aceleração brutal da cabeça da raquete. As cordas (com mais espaço entre elas) “agarram” a bola, a deformam e a expelem com uma rotação violenta. Se você está faminto por spin e sua raquete atual só te dá golpes “morta-lenta”, é um sinal claro de que você precisa de uma nova ferramenta.
4. O seu braço está “pedindo” por mais peso (mesmo que você não saiba)
Essa parece estranha, eu sei. “Professor, você sempre disse que raquete leve era boa para o meu braço!”. Sim, no começo. Agora, a história pode ser outra. Você acaba de jogar e sente o cotovelo dolorido? O pulso cansado? Você pode pensar que é o “esforço” do jogo, mas muitas vezes é a sua raquete leve vibrando como uma guitarra desafinada.
Como eu disse, a raquete leve não aguenta o impacto. Quando você bate fora do ponto doce (e todo mundo bate), a raquete vibra muito. E adivinha quem absorve toda essa vibração ruim? Seu pulso, seu cotovelo e seu ombro. A raquete leve está transferindo todo o “choque” do impacto para o seu braço. Ela não tem massa suficiente para absorver essa energia.
Uma raquete um pouco mais pesada (intermediária) é, ironicamente, muitas vezes mais confortável e melhor para o seu braço. O peso extra da raquete absorve o impacto. É a raquete que “briga” com a bola, e não o seu braço. A sensação é de um golpe “sólido”, “cheio”, “macio”. Se você anda sentindo mais dores e vibrações do que o normal, não pense em comprar uma raquete mais leve; pense em comprar uma raquete melhor e um pouco mais pesada.
5. Você não consegue “mirar” seus golpes
Seu jogo evoluiu para um ponto onde você tem “intenção”. Você não quer apenas acertar a quadra; você quer acertar o backhand do seu oponente. Você quer dar aquela “passada” na paralela. Você mira, se posiciona, executa… e a bola vai no meio da quadra. De novo. Você sente que não tem “precisão”. Você aponta o bisturi e a raquete responde com um martelo.
Esse é o trade-off (a troca) da cabeça Oversize. Ela te dá uma área de batida gigante, mas isso vem ao custo da sensibilidade e da precisão. Como o ponto doce é enorme, a bola sai com a mesma velocidade de quase qualquer lugar das cordas. Isso é bom para o iniciante, mas ruim para o jogador intermediário que precisa de feedback. Você precisa “sentir” onde a bola bateu para poder ajustar o próximo golpe.
Uma raquete intermediária, com a cabeça Midplus (100 polegadas), é a resposta. Ela tem um ponto doce generoso, mas é muito mais “nítida”. Você sente a bola na corda. Você sente a diferença entre bater no centro e bater um centímetro ao lado. Essa “conexão” com a bola é o que chamamos de feel (sensibilidade). É isso que permite que você direcione seus golpes. Se você está cansado de jogar “sinuca” e quer começar a jogar “xadrez”, você precisa de uma raquete com mais feel.
6. Seus golpes “curtos” (voleios e slices) são um desastre
No fundo da quadra, você até se vira. Mas assim que você é forçado a ir para a rede, o pânico se instala. Você tenta um voleio e a bola parece sair de um estilingue, voando para o fundo. Ou, pior, a bola vem rápida e sua raquete “desmonta” na mão. Você tenta dar um slice (aquele golpe “fatiado”, por baixo da bola) para se defender, e a bola sobe, flutuando, virando um presente para o seu oponente.
Raquetes de iniciante são péssimas para o jogo de rede e para golpes de toque (touch). O equilíbrio com peso na cabeça (head-heavy) que te ajuda no fundo da quadra, te atrapalha mortalmente na rede. A raquete fica “boba”, “pesada na ponta”, lenta para manusear. Você não consegue reagir a tempo para os voleios de reflexo. E a cabeça grande e potente torna impossível dar um voleio curto ou um slice com veneno.
Uma raquete intermediária, com equilíbrio mais próximo do cabo (head light) ou equilibrada, é uma arma na rede. Ela é rápida na mão, ágil, precisa. Você sente que pode “colocar” o voleio onde quiser. E ela tem a estabilidade e o feel necessários para “cortar” a bola em um slice que morre no chão do adversário, e não uma bola que “senta” e pede para ser atacada. Se o seu jogo de rede não existe, grandes chances de a culpa ser do seu equipamento.
7. Você simplesmente sente que está “brigando” com a raquete
Este é o sinal final. É o mais intuitivo, mas é o mais real. Você vai para a quadra, eu te passo um exercício novo. Talvez para gerar mais spin no saque, ou para fazer uma “curta” (drop shot). Você tenta uma, duas, dez vezes. Você entende a técnica na sua cabeça. Você vê seu corpo fazendo o movimento. Mas a raquete simplesmente não “responde”. A bola não faz o que você quer.
Você começa a lutar contra o seu próprio equipamento. Você tenta “segurar” o braço porque sabe que a bola vai voar. Você tenta “forçar” um efeito que a raquete não gera. Você evita ir à rede porque sabe que seu voleio vai falhar. A raquete, que era sua aliada, se tornou um limite. Ela é o teto do seu crescimento.
Quando você chega nesse ponto, quando você sente que a raquete está te freando, a confiança acabou. O tênis é um jogo de confiança. Você precisa confiar 100% no seu equipamento, saber que ele vai responder exatamente como você espera. Quando essa confiança quebra, é o fim da linha. É o universo do tênis te dizendo: “Parabéns, você se formou. Agora vá buscar um equipamento à altura do seu novo jogo”.
Se você leu até aqui e balançou a cabeça em concordância para três ou mais desses sinais, não há mais dúvida. Você está pronto. É um ótimo “problema” para se ter. Significa que todo aquele esforço, todo aquele suor, valeu a pena. Você evoluiu.
Mas, calma. Não saia comprando a primeira raquete de 300g que você ver. O próximo passo é testar. Pegue duas ou três raquetes “demo” (de teste) na faixa das 100 polegadas e 300 gramas. Bata com elas. Sinta a diferença. Vai parecer estranho no começo, mas depois de vinte minutos… você vai sentir. A solidez, o controle, o spin. E você nunca mais vai olhar para a sua velha raquete de iniciante da mesma forma. A formatura te espera.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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