E aí, campeão. Pega sua raquete, pega a garrafa d’água e senta aqui um minuto. Vamos falar de um detalhe que 90% dos jogadores amadores ignora, mas que, no nível profissional, define quem ganha e quem perde o ponto antes mesmo da bola começar. Estamos falando do grip. Não, não da empunhadura (Western, Eastern…), mas da pega. Do cabo. Daquele pedaço de material que você segura.
Você talvez esteja pensando: “Professor, mas é só um cabo. Eu me preocupo com a tensão das cordas, com o peso da raquete”. E eu te digo: você está começando errado. O grip é a sua conexão com a raquete. É o seu feedback. Se a conexão está frouxa, seu sinal sai truncado. Se está apertada demais, você perde o timing.
Escolher o tamanho certo da pega não é “frescura” de profissional. É o fundamento básico para evitar lesões e para permitir que o seu braço faça o que eu te ensino a fazer: relaxar e acelerar. Uma raquete com o grip errado é como tentar correr uma maratona com um sapato dois números menor. Você pode até tentar, mas vai acabar machucado e frustrado. Vamos dissecar isso de uma vez por todas.
O Ponto de Partida: Por Que o Grip Certo Muda o Jogo
Muitos alunos chegam para mim com raquetes novas, caríssimas, e a primeira coisa que eu olho é a mão do jogador segurando o cabo. Na maioria das vezes, está errado. E o maior problema é que um grip inadequado sabota seu jogo de forma silenciosa. Você começa a compensar. E no tênis, “compensar” é só um jeito bonito de dizer “criar um vício” ou “abrir a porta para uma lesão”.
A física do controle e potência
Pense na raquete como uma alavanca. O seu braço fornece a força, e o cabo é onde você aplica essa força. Se o cabo é muito fino para sua mão, seus dedos se sobrepõem demais. Você precisa apertar com muito mais força do que o necessário apenas para impedir que a raquete gire na sua mão num golpe fora do centro. Esse aperto excessivo trava o seu pulso. E adivinha? A potência moderna no tênis vem da aceleração da cabeça da raquete, que depende de um pulso solto e relaxado. Ao apertar demais, você transforma um golpe que deveria ser um chicote (fluido) em um golpe de porrete (duro).
Por outro lado, um grip muito grosso também é um desastre. Ele preenche sua mão de tal forma que você não consegue “agarrar” a raquete. Você fica segurando o cabo com a palma da mão, em vez de usar os dedos para controle fino. Isso atrasa suas trocas de empunhadura. Tente mudar rapidamente de um forehand semi-western para um slice continental com um grip que parece um pedaço de madeira. É impossível. Você perde estabilidade, pois a mão não fecha corretamente, e a raquete “dança” no impacto.
O grip no tamanho exato permite o que chamamos de “pegada relaxada”. Você tem firmeza suficiente para que a raquete não gire no impacto, mas tem relaxamento suficiente para permitir que o pulso trabalhe, gerando spin e velocidade. Você ganha controle porque seus dedos têm espaço para sentir as bordas (os bevels) do cabo, e ganha potência porque seu pulso não está lutando contra uma tensão muscular desnecessária.
O inimigo silencioso: Lesões (Tennis Elbow)
Agora, vamos falar sério. O tennis elbow (epicondilite lateral) é o fantasma que assombra todo tenista. Muitos culpam a raquete (muito rígida) ou a corda (muito dura). Mas, muitas vezes, o culpado está no tamanho do seu grip. Um grip muito pequeno força uma contração muscular constante e excessiva nos músculos do antebraço. Você está, literalmente, estrangulando a raquete durante horas. Essa tensão crônica viaja pelo seu braço e inflama os tendões que se ligam ao cotovelo.
Essa contração excessiva para estabilizar um grip fino é um veneno. Você não percebe no primeiro dia. Mas depois de meses jogando três vezes por semana, seu cotovelo começa a “reclamar”. Você sente aquela dor chata ao pegar uma garrafa de café. A culpa não é do café, é daquele grip L2 que você, com sua mão tamanho L4, insiste em usar porque era a raquete do seu amigo.
Um grip muito grosso também causa problemas, embora diferentes. Como sua mão não consegue fechar direito, você força os músculos extensores do pulso de uma maneira não natural para tentar estabilizar o impacto. Isso também sobrecarrega o antebraço, embora o mecanismo seja um pouco diferente. O tamanho correto distribui o choque do impacto uniformemente pela sua mão e antebraço, usando os músculos maiores de forma eficiente, em vez de sobrecarregar os pequenos tendões estabilizadores.
Aceleração de pulso e a “mão solta”
Eu vivo falando para vocês na quadra: “Solta o braço!”, “Deixa a raquete trabalhar!”. Para gerar aquele topspin pesado, aquele que faz a bola pular e tirar o adversário da quadra, você precisa de snap. Você precisa que a cabeça da raquete acelere de baixo para cima na bola, quase como um limpador de para-brisa. Isso só acontece com um pulso relaxado.
Um grip muito fino impede isso. Você aperta tanto para a raquete não escapar que seu pulso fica rígido, “travado”. O resultado é aquele forehand “empurrado”, sem efeito, que morre no meio da quadra e vira um prato cheio para o adversário. Você perde a capacidade de gerar ângulos curtos e de fazer a bola cair dentro da quadra com velocidade.
Com o grip correto, você sente confiança. Você sabe que pode manter a mão relaxada na preparação do golpe, porque na hora do impacto, seus dedos e a palma estarão na posição perfeita para suportar a pancada sem precisar de força bruta. É essa confiança que permite o relaxamento. E o relaxamento é o segredo da velocidade. No tênis, força é tensão; velocidade é fluidez. O grip correto é a chave para essa fluidez.
Desvendando os Códigos: A Nomenclatura dos Grips (EU vs. US)
Ok, professor, entendi. O tamanho importa. Mas como eu sei qual é o meu? A primeira barreira que os jogadores encontram é a sopa de letrinhas e números. Você vai comprar uma raquete e o vendedor pergunta: “Você quer L2 ou 4 1/4?”. E você fica com aquela cara de quem não sabe se está comprando uma raquete ou um sapato.
A confusão é normal. Existem dois sistemas principais que dominam o mercado: o Europeu (letras “L”) e o Americano (polegadas). No fundo, eles medem a mesma coisa: a circunferência do cabo da raquete. Você precisa entender os dois, porque dependendo da marca ou da loja onde você comprar, você vai encontrar um ou outro.
O tamanho do grip, aliás, quase sempre está impresso na tampa do cabo (o butt cap). Procure lá. Se você não achar, é porque o dono anterior pode ter trocado o butt cap, o que é raro, ou o número se apagou. Mas 99% das raquetes de fábrica têm essa marcação.
Entendendo o sistema Europeu (L0 a L5)
O sistema europeu é o mais intuitivo e direto, na minha opinião. Ele usa uma escala que geralmente vai do L0 até o L5. É simples: quanto maior o número, maior a circunferência do cabo. Fácil de lembrar.
O L0 e o L1 são tamanhos geralmente destinados a crianças que estão na transição para raquetes de adulto ou para mulheres com mãos muito pequenas. A grande maioria dos jogadores adultos (homens e mulheres) vai se encontrar entre o L2, o L3 e o L4. O L5 é um tamanho bem grande, geralmente para homens com mãos realmente grandes, tipo jogadores de basquete.
É importante notar que “L” vem de “Level” (Nível) ou, como alguns dizem, “Ladies” (para L1 e L2) e “Large” (para L3, L4), mas isso é mito. Pense apenas como L de “Level” ou “La” (do francês). O que importa é a progressão: L0, L1, L2, L3, L4, L5. Simples assim.
Entendendo o sistema Americano (Polegadas)
O sistema americano (US) é um pouco mais chato para quem não está acostumado com o sistema imperial de medidas. Ele é expresso em polegadas, e sempre começa com “4 e alguma fração”. Por exemplo, 4 1/8, 4 1/4, 4 3/8, 4 1/2, 4 5/8.
O número “4” é a base. O que muda é a fração que vem depois. O menor tamanho comum de adulto é o 4 1/8. O maior é o 4 5/8. O que confunde os alunos é que eles não sabem se 1/4 é maior ou menor que 3/8. É matemática básica de fração, mas na hora de comprar o equipamento, ninguém quer ficar fazendo conta.
A chave é memorizar a ordem. O menor é 1/8, depois 1/4 (que é 2/8), depois 3/8, depois 1/2 (que é 4/8), e depois 5/8. Cada “passo” na escala (de 1/8 para 1/4, por exemplo) representa um aumento de 1/8 de polegada na circunferência. Parece complicado, mas é só um jeito diferente de dizer a mesma coisa que o sistema europeu.
A tabela de conversão que você deve guardar
Vamos acabar com essa confusão. A melhor coisa que você faz é mentalizar ou salvar esta tabela. Ela é a sua “pedra de roseta” para comprar raquetes em qualquer lugar do mundo. Os sistemas são paralelos.
| Tamanho Europeu (EU) | Tamanho Americano (US) | Circunferência (mm) |
| L0 | 4 | 102 mm |
| L1 | 4 1/8 | 105 mm |
| L2 | 4 1/4 | 108 mm |
| L3 | 4 3/8 | 111 mm |
| L4 | 4 1/2 | 114 mm |
| L5 | 4 5/8 | 117 mm |
Essa tabela é o seu guia. Se você mediu sua mão (vamos ver como fazer isso) e descobriu que precisa de um L3, você sabe que pode pedir um 4 3/8 polegadas. Elas são a mesma raquete.
Uma observação importante: existe uma pequena variação entre marcas. Um L3 da Wilson pode parecer ligeiramente diferente de um L3 da Head ou da Babolat. Isso acontece por causa do formato do cabo (os bevels). Alguns são mais quadrados (Head), outros mais arredondados (Wilson). Mas a medida da circunferência (a base) é para ser a mesma. A sensação pode mudar, mas o tamanho é o padrão.
Método 1 (O Clássico): A Medição com Régua na Palma da Mão
Beleza, já sabemos os códigos. Agora vamos ao trabalho manual. Como descobrir qual desses números (L2, L3, L4…) é o seu? Existem dois métodos clássicos. O primeiro é o mais “científico”, o da régua. Você pode fazer isso agora mesmo, sentado aí.
Esse método é excelente porque te dá um ponto de partida objetivo. Ele não depende de você “achar” nada. É uma medida fria. Para quem está comprando a primeira raquete ou está comprando online sem poder testar, esse é o método que eu recomendo. Você só precisa de uma régua ou fita métrica.
Vamos fazer isso juntos. Você vai usar a sua mão dominante, a mão com que você joga. Abra a palma da mão e mantenha os dedos juntos, como se fosse dar um “tchau” formal.
A preparação: Onde posicionar a régua
Olhe para a palma da sua mão. Você vai ver várias linhas. Nós estamos interessados em duas coisas: a linha do meio da sua palma e a ponta do seu dedo anelar (o vizinho do dedo mindinho).
Pegue a régua. Você vai alinhar o “zero” da régua com a linha transversal do meio da sua palma. Em geral, é a linha mais baixa que cruza sua palma horizontalmente, ou, para ser mais preciso, a segunda linha principal subindo a partir do seu pulso.
O importante é que a régua esteja paralela ao seu dedo anelar. Não meça na diagonal. É uma linha reta, do centro da palma até a ponta do dedo.
A execução: Da linha da palma ao dedo anelar
Com a régua posicionada no “zero” naquela linha central da palma, você vai medir a distância exata até a ponta do seu dedo anelar. Mantenha os dedos esticados, mas relaxados. Não estique a ponto de tensionar a mão.
Anote essa medida. Pode ser em milímetros ou polegadas, dependendo da sua régua. Se sua régua for em centímetros, multiplique por 10 para ter os milímetros (ex: 11,1 cm = 111 mm). Se for em polegadas, anote a medida exata (ex: 4 3/8 polegadas).
Esse método é o mais tradicional. Ele mede a distância que o cabo precisa ter para preencher sua mão corretamente. É simples e eficaz. Repita a medição duas ou três vezes para ter certeza de que não errou. A precisão aqui é importante, pois estamos falando de diferenças de milímetros entre um tamanho e outro.
Cruzando os dados com o tamanho ideal
Agora você tem um número. E agora? Você vai cruzar esse número com a tabela de referência. É quase a mesma tabela que vimos antes, mas agora ela faz mais sentido.
Se você mediu em polegadas (US):
- 4 polegadas (102 mm) = L0
- 4 1/8 polegadas (105 mm) = L1
- 4 1/4 polegadas (108 mm) = L2
- 4 3/8 polegadas (111 mm) = L3
- 4 1/2 polegadas (114 mm) = L4
- 4 5/8 polegadas (117 mm) = L5
Se sua medida deu, por exemplo, 110 mm (ou 11 cm). Você está muito perto do 111 mm. Você é um L3. Se deu 107 mm, você é um L2.
O que acontece se você cair exatamente no meio? Digamos, 109,5 mm. Você está entre o L2 (108) e o L3 (111). Aqui entra uma regra de ouro que vou repetir mais tarde: na dúvida, escolha o menor. Você sempre pode aumentar um grip L2 para ficar parecido com um L2.5. Você nunca vai conseguir diminuir um L3 para um L2.5 sem destruir a raquete. Mas falaremos mais sobre ajustes depois. Por enquanto, se você está no meio, incline-se para o tamanho menor.
Método 2 (O Teste Prático): O Teste do Dedo Indicador
O método da régua é ótimo, mas ele tem uma falha: ele não considera o formato da sua mão, a grossura dos seus dedos ou a sua “sensação”. Ele é 2D. O tênis é 3D. Por isso, o segundo método é o meu favorito, e é o que eu uso com meus alunos na quadra. É o “teste de sensação”, ou o teste do dedo indicador.
Para esse método, você precisa ter uma raquete em mãos. É o teste ideal para fazer na loja, antes de comprar, ou para checar se a raquete do seu amigo que você adorou serve para você. Ele valida a medição da régua.
Esse teste é rápido, intuitivo e te dá uma resposta imediata sobre o encaixe. Você não precisa de régua, só da sua outra mão.
Como segurar a raquete para o teste
Primeiro, você precisa segurar a raquete corretamente. Não é de qualquer jeito. Segure a raquete com a sua mão dominante usando a empunhadura Continental (a famosa “pegada do martelo”). É como você segura a raquete para sacar ou dar um voleio.
Por que Continental? Porque é a empunhadura mais “neutra”. Ela posiciona a base da sua mão e o seu dedo indicador de forma padronizada, permitindo que as bordas (bevels) do cabo se alinhem de forma consistente. Segure com firmeza, mas sem estrangular.
Seus nós dos dedos (juntas) devem estar alinhados. O “calcanhar” da sua mão (a parte mais carnuda abaixo do mindinho) deve estar apoiado perto da tampa do cabo (o butt cap).
O espaço exato: O que procurar
Agora que você está segurando a raquete, mantenha a pegada firme. Olhe para o espaço que se forma entre a ponta dos seus dedos (especialmente o anelar e o médio) e a parte mais “carnuda” da sua palma (a almofada da palma, perto do dedão).
Pegue o dedo indicador da sua mão não dominante (a que está livre). Tente encaixar esse dedo exatamente nesse espaço.
O que estamos procurando é um encaixe “justo”. O seu dedo indicador deve caber ali, tocando ao mesmo tempo a ponta dos seus dedos e a palma da sua mão. Ele não deve sobrar espaço, e ele não deve ficar espremido. Ele deve preencher o vão perfeitamente.
O que significa espaço a mais ou a menos
Aqui está o diagnóstico instantâneo que esse teste oferece.
Se o seu dedo indicador não couber no espaço, ou se ele entrar com muita dificuldade, espremendo seus dedos: O grip é muito pequeno para você. Seus dedos estão “fechando” demais no cabo. Você vai precisar de um tamanho maior (ex: se está testando um L2, precisa de um L3).
Se o seu dedo indicador couber com folga, ou seja, você o coloca ali e ainda sobra espaço entre ele e a ponta dos seus dedos ou a palma: O grip é muito grande para você. Sua mão não está “fechando” o suficiente no cabo. Você vai precisar de um tamanho menor (ex: se está testando um L3, precisa de um L2).
Se o seu dedo indicador entrar justo, como uma chave na fechadura, preenchendo o espaço sem forçar e sem deixar folga: Parabéns, você achou o seu tamanho. Esse é o encaixe ideal. Ele oferece o equilíbrio perfeito entre firmeza para que a raquete não gire e relaxamento para que seu pulso possa trabalhar.
A “Zona Cinzenta”: Ajustes Finos e a Dúvida Entre Dois Tamanhos
Tudo bem, professor. Eu fiz o teste da régua e deu L2.5. Eu fui na loja, testei o L2 e meu dedo indicador ficou apertado. Testei o L3 e ficou com uma leve folga. E agora? Eu estou na “zona cinzenta”.
Essa é a situação mais comum de todas. A maioria dos jogadores não se encaixa perfeitamente em um tamanho padrão de fábrica. As mãos são únicas; os grips são padronizados. É aqui que entra a arte do ajuste fino, e é onde o conhecimento realmente faz a diferença.
Aqui, você precisa tomar uma decisão estratégica que vai afetar como você personaliza sua raquete. E a regra é clara, simples e universal.
A regra de ouro: Na dúvida, escolha o menor
Vou repetir para ficar bem claro: Se você está em dúvida entre dois tamanhos, sempre, sempre, sempre escolha o tamanho menor.
Por quê? Porque aumentar um grip é fácil, barato e reversível. Diminuir um grip é um pesadelo. Um grip L2 pode facilmente se tornar um L2.5 ou quase um L3. Um grip L3 nunca poderá se tornar um L2.5.
Para diminuir um grip L3, você teria que lixar o material do cabo (o pallet), o que estraga a raquete, muda o equilíbrio dela e destrói seu valor de revenda. É um trabalho de customizador profissional que raramente vale a pena para amadores. Portanto, a regra é: comece pequeno. A base menor te dá flexibilidade.
O papel crucial do overgrip na personalização
Aqui entra o melhor amigo do tenista: o overgrip. O overgrip é aquela fita fina e emborrachada que você enrola por cima do cabo. Ele foi feito para duas coisas: absorver suor e… ajustar o tamanho.
Um overgrip padrão adiciona cerca de 1/16 de polegada à circunferência do cabo. Isso é exatamente metade de um tamanho de grip. (Lembre-se, um tamanho de grip completo, como do L2 para o L3, é um salto de 1/8 de polegada).
Então, se você comprou o L2 (4 1/4) e o achou um pouco fino, o que você faz? Você coloca um overgrip. Pronto. Você agora tem um grip L2.5 (4 5/16). Esse é o tamanho perfeito para quem estava na “zona cinzenta”. Se você precisar de um pouco mais, pode usar dois overgrips, embora eu não recomende muito porque começa a arredondar demais as bordas (os bevels), o que atrapalha a sensação tátil da empunhadura. Mas para um pequeno ajuste, um overgrip é a ferramenta perfeita.
Quando usar um heat sleeve (manga termo retrátil)
E se você precisa de um aumento permanente? Digamos que você comprou um L2, mas depois de jogar um tempo, descobriu que realmente precisa de um L3, e não quer ficar trocando dois overgrips toda semana.
Existe uma solução profissional para isso: o heat sleeve, ou manga termo retrátil. É uma “capa” de plástico que você coloca sobre o cabo (depois de tirar o grip original) e aquece com um soprador térmico. Ela encolhe e se molda ao cabo, aumentando o tamanho dele permanentemente.
Um sleeve padrão aumenta exatamente um tamanho (1/8 de polegada). Ele transforma um L2 em um L3. A vantagem é que ele mantém o formato octogonal e as bordas (bevels) do cabo, algo que usar múltiplos overgrips destrói. Depois de aplicar o sleeve, você coloca o replacement grip (o grip base) de volta, e por cima o seu overgrip de preferência. É a forma mais limpa e profissional de aumentar um tamanho de grip permanentemente.
Comparativo de Métodos: Régua vs. Teste do Dedo vs. Sensação
Para organizar as ideias, vamos colocar os métodos lado a lado. Você me perguntou sobre produtos similares, e no nosso caso, os “produtos” são os métodos de medição. Qual deles é o “melhor”? Nenhum deles é perfeito sozinho. O ideal é usar todos eles em conjunto.
O Método da Régua é o seu ponto de partida analítico. O Teste do Dedo é a sua validação prática. E a Sensação em Jogo é o teste final.
Tabela Comparativa dos Métodos de Medição de Grip
| Característica | Método da Régua (Palma) | Método do Dedo Indicador | Teste em Jogo (Sensação) |
| Objetivo | Medição objetiva e numérica da mão. | Validação do encaixe da mão no cabo. | Avaliação de conforto e performance em situação real. |
| Precisão | Alta (dá um número exato). | Média (depende do “encaixe justo”). | Baixa (subjetiva, influenciada por outros fatores). |
| Necessidade | Apenas uma régua. | Uma raquete física (na loja ou de um amigo). | Raquete, quadra, bolas e tempo de jogo. |
| Ideal para… | Compras online; primeiro ponto de partida. | Testar raquetes na loja; validar a medição. | Decisão final; ajuste fino com overgrips. |
| Pontos Fortes | Não depende de “sensação”. Universal. | Rápido, intuitivo e prático. | É o que realmente importa para o desempenho. |
| Limitações | Ignora o formato da mão e grossura dos dedos. | Requer acesso físico à raquete. | Difícil isolar a variável (pode ser a corda, o peso, etc.). |
Como você pode ver, um método alimenta o outro. Você começa com a régua em casa (descobre que é L3). Vai à loja e faz o teste do dedo no L3 (confirma que o dedo encaixa justo). Pede uma raquete de teste L3 e vai para a quadra (sente que a raquete está firme no saque e solta no forehand). Esse é o processo completo.
Não confie apenas na sensação. Muitos jogadores se acostumam com o grip errado. Eu tive um aluno que jogou 10 anos com um L4. A mão dele era claramente L3. Quando ele pegou o L3, ele disse: “Professor, parece estranho, muito fino”. Eu disse: “Confie no processo”. Duas semanas depois, ele voltou. O tennis elbow dele tinha melhorado e o saque estava andando mais. Ele estava “estranhando” o conforto, porque estava acostumado com a tensão.
O teste da régua e o teste do dedo são seus “checks” de objetividade contra o vício da sensação. Use-os.
(Novo) Além da Medida: Como o Estilo de Jogo Influencia a Escolha
Até agora, falamos de medições estáticas. Mão, régua, dedo. Mas o tênis não é estático. O seu estilo de jogo, o seu DNA na quadra, também influencia a escolha do grip, e é por isso que às vezes vemos profissionais usando tamanhos que, teoricamente, seriam “errados” para eles.
A medida da régua te coloca no “tamanho base”. Mas o seu estilo de jogo pode sugerir que você suba ou desça meio tamanho (usando um overgrip, por exemplo).
O jogo moderno (Topspin) e a preferência por grips menores
O jogo moderno é baseado em topspin. É o rally de fundo de quadra, com empunhaduras extremas (Western, Semi-Western) para gerar o máximo de rotação na bola. Pense em Nadal, Alcaraz. Eles precisam de máxima aceleração do pulso.
Para conseguir essa “chicotada” (o wrist snap), o pulso precisa estar muito solto. Muitos jogadores que usam essas empunhaduras preferem um grip ligeiramente menor do que o medido. Um grip mais fino permite que os dedos “agarrem” mais o cabo e facilita a rotação rápida do pulso por baixo da bola. Com um grip muito grosso, é difícil conseguir essa amplitude de movimento do pulso.
Se você é um jogador de topspin agressivo, um “baseliner”, pode ser que você se sinta melhor com um grip no limite inferior da sua medida. Se sua medida deu L3, talvez você prefira o L3 com um overgrip bem fino, ou até um L2 com um overgrip mais grosso, para ficar no L2.5. Isso dá mais “mão” e aceleração.
O jogo clássico (Saque-Voleio e Slices) e grips maiores
Agora, vamos pensar no jogo oposto. O jogo clássico. Saque-e-voleio, slices de backhand, golpes mais planos e diretos. Pense em Sampras ou Federer. Esses jogadores usam muitas empunhaduras Continentais e Eastern.
Para esse estilo, a estabilidade no impacto é mais importante que a aceleração extrema do pulso. No voleio, você não quer que a raquete gire na sua mão. Você precisa de uma plataforma firme. Um grip ligeiramente maior (ou no tamanho exato medido) tende a oferecer mais estabilidade. Ele preenche melhor a mão e distribui o choque do impacto por uma área maior da palma.
Se você é um jogador que gosta de ir à rede, que usa muito slice e tem um forehand mais plano (Eastern), você provavelmente vai preferir um grip no tamanho exato ou até ligeiramente maior (ex: seu tamanho é L3, você usa um L3 com um overgrip padrão). Ele vai te dar mais conforto e firmeza nos voleios e no bloqueio de saques.
A pegada (grip) que você usa (Western vs. Continental)
Vamos aprofundar isso. A sua empunhadura (grip no sentido de “pegada”, não de “cabo”) muda a forma como o cabo se encaixa na sua mão.
Um jogador de Western (aquele que segura a raquete quase na parte de baixo do cabo para o forehand) tem a mão posicionada de forma diferente de um jogador de Continental. No Western, o “calcanhar” da mão (a base) fica mais em contato com o cabo.
Jogadores que usam grips extremos (Semi-Western e Western) tendem a se beneficiar de cabos um pouco mais finos, como já falamos. Jogadores que usam grips mais conservadores (Eastern e Continental), onde a palma fica mais “paralela” ao cabo, geralmente preferem a medida exata ou um pouco maior, para preencher o espaço e dar suporte. Conheça seu jogo. A medida da régua é ciência, mas o ajuste fino do seu estilo de jogo é arte.
(Novo) Erros Comuns que Vejo na Quadra Todos os Dias
Para fechar nossa conversa, quero listar os erros que eu vejo toda santa semana na academia. São coisas que sabotam o jogo dos meus alunos antes mesmo de eles entrarem na quadra. Veja se você se identifica com algum deles, e se sim, vamos corrigir isso hoje.
O erro de “herdar” a raquete sem ajustar
Esse é o campeão. O aluno começa a jogar. O cunhado, o pai, ou um amigo que parou de jogar doa uma raquete. “Toma, essa raquete é ótima, foi do Guga!”. O aluno, feliz da vida, vai para a quadra. A raquete é um L5 (porque o cunhado era um gigante) e a mão do aluno é L2.
Ele começa a jogar. O cotovelo dói. Ele não consegue trocar a empunhadura. Ele acha que “o tênis é difícil” ou que “ele não leva jeito”. Não! O equipamento está 100% errado. Nunca, jamais, assuma que uma raquete serve para você só porque ela está disponível. Faça os testes de medição. Se a raquete herdada for muito grande, agradeça e compre uma sua. Se for um tamanho menor, ótimo! Você pode ajustá-la com overgrips ou sleeves.
O mesmo vale para “a raquete da promoção”. Às vezes a loja só tem o L4 em estoque daquele modelo que você queria. O vendedor, querendo fechar a venda, diz: “Ah, é quase a mesma coisa, você acostuma”. Não caia nessa. É melhor comprar o modelo do ano passado no tamanho certo do que o lançamento no tamanho errado.
Ignorar o desgaste do replacement grip (grip original)
Este é sutil. O aluno está com o tamanho certo, digamos L3. Ele joga há dois anos com a mesma raquete. Ele troca o overgrip (a fitinha de cima) regularmente. Está tudo certo, certo? Errado.
Embaixo do overgrip, existe o replacement grip (ou cushion grip). É aquele grip base, mais grosso, acolchoado, que vem de fábrica. Com o tempo, o suor, o calor e o impacto, esse grip base comprime. Ele amassa. Ele perde o volume. Um grip L3, depois de dois anos de uso intenso, pode facilmente ter a sensação de um L2.5 ou até menos.
O jogador começa a sentir o cabo “quadrado”, sentindo as bordas do pallet de grafite. Começa a ter que apertar mais. O cotovelo começa a doer. Ele não entende, pois “o tamanho está certo”. Você precisa trocar o replacement grip pelo menos uma vez por ano, ou assim que sentir que ele perdeu o acolchoamento. É um ajuste simples que restaura o tamanho original e o conforto da sua raquete.
Confundir Overgrip com Replacement Grip
Esse é o erro final, e é muito comum. O aluno sente o grip gasto e vai na loja. Ele compra um replacement grip (aquele grosso, acolchoado, que vem num pacote bonito) e… enrola por cima do replacement grip antigo., ao escolher uma boa raquete de tênis para iniciantes
O resultado é um desastre. Ele acabou de aumentar o grip em quase dois tamanhos. Um L3 virou um L5. A raquete fica parecendo um trator, os bevels (bordas) desaparecem, a sensação tátil morre.
Entenda a diferença: O Replacement Grip (ou grip “base”) é o que vem na raquete. Ele é grosso e dá a estrutura. O Overgrip (ou “sobre-grip”) é fino e é feito para ser enrolado por cima do replacement grip. Você nunca usa um replacement grip em cima de outro. E você, idealmente, sempre usa um overgrip (a menos que goste da sensação do grip base, o que é raro hoje em dia). O overgrip é o item descartável; o replacement grip é o item semi-permanente. Não confunda os dois, ou seu L3 cuidadosamente escolhido vai virar um L5 desconfortável.
O que eu quero que você leve desta nossa conversa é que o grip não é um acessório. Ele é parte da sua mão, é a sua interface com o jogo. Dedique o mesmo tempo que você dedica para escolher suas cordas para medir e ajustar seu grip. Use a régua, use o teste do dedo e, acima de tudo, use a regra de ouro: na dúvida, pegue o menor e ajuste com um overgrip.
Seu cotovelo agradece. Seu topspin agradece. E o seu professor, que não vai mais precisar gritar “Solta o braço!”, também agradece.
Agora, vamos bater uma bola. Quero ver essa mão relaxada.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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