E aí, futuro campeão. Pega a garrafa d’água, senta aí no banco que a aula de hoje é teórica, mas talvez seja a mais importante que você vai ter neste primeiro ano. Você chegou na loja, olhou aquela parede com 50 raquetes diferentes e seu cérebro deu um nó, certo? Eu sei como é. Todas parecem iguais, mas não são. E a primeira pergunta que o vendedor faz, ou que você se faz, é: “Qual o peso?” Você vê uma de 270 gramas e outra de 340 gramas e pensa: “Qual a diferença de 70 gramas?” No tênis, 70 gramas é a diferença entre um golpe fluido e uma lesão no cotovelo.
Muitos alunos chegam para mim com raquetes novinhas, caras, geralmente a do Nadal ou do Djokovic, e em duas semanas estão reclamando de dor no punho. O problema? Eles escolheram a ferramenta errada para o trabalho. Eles tentaram construir uma casa usando uma marreta de demolição quando precisavam de um martelo leve. O peso da raquete não é só um número; é o fator que define como você vai aprender o movimento, quanta potência você vai gerar e, o mais importante, se você vai continuar jogando ou vai parar por causa de dor.
Então, sim, o peso importa. E importa muito. Neste guia, vamos dissecar esse assunto como se estivéssemos analisando um match de cinco sets. Vamos quebrar o mito de que “mais pesado é melhor” e garantir que você saia daqui sabendo exatamente qual equipamento vai te ajudar a evoluir seu forehand, e não a destruir seu braço. Prepara o bloco de notas, que a aula vai começar.
O ABC do Peso: O que é Peso Estático e por que ele é o seu primeiro “match point”?
Vamos começar pelo básico do básico, o “arroz com feijão”. Quando falamos em “peso” da raquete, 99% das vezes estamos nos referindo ao Peso Estático (sem corda, ou “unstrung weight”). É literalmente o número que aparece se você colocar a raquete nua em uma balança de cozinha. Esse é o seu primeiro filtro. É o que vai definir a categoria geral da raquete: leve, média ou pesada. Para você, que está começando a dominar a empunhadura, acertar o timing da bola e entender como seu corpo gira, esse número é fundamental.
Pense no peso estático como a “categoria de peso” no boxe. Um peso-pena não luta contra um peso-pesado. Se você é um iniciante, seu braço ainda não tem a musculatura específica do tênis desenvolvida. Seus tendões e articulações não estão acostumados ao impacto repetitivo de acertar a bola. Pegar uma raquete pesada (acima de 300g, por exemplo) é pedir para ter problemas. O peso estático dita o quão “massiva” é a ferramenta que você precisa acelerar do zero até o ponto de impacto.
No início da sua jornada, queremos facilitar o aprendizado do movimento correto. Um golpe de tênis não é feito só com o braço; ele usa a cadeia cinética inteira: pernas, quadril, tronco e, por último, o braço. Uma raquete mais leve (vamos falar de números exatos daqui a pouco) permite que você manuseie a ferramenta com mais facilidade, focando na técnica do golpe, na preparação (o backswing) e na terminação. Se a raquete for pesada demais, seu cérebro vai instintivamente encurtar o movimento e usar mais o punho para “dar um tapa” na bola, criando vícios técnicos que são um pesadelo para corrigir depois.
A Trindade do Tênis: Potência, Controle e Manuseio
No tênis, tudo é uma troca. Você não ganha potência sem perder um pouco de controle. Você não ganha manuseio sem perder um pouco de estabilidade. O peso da sua raquete é o gerente principal dessas trocas. Ele influencia diretamente os três pilares de qualquer raquete: quanta força ela gera (Potência), quão fácil é colocar a bola onde você quer (Controle) e a velocidade com que você consegue mover a raquete (Manuseio). Como iniciante, sua prioridade é o manuseio e a potência “fácil”.
Raquetes Leves (Abaixo de 285g): Aceleração fácil, mas cuidado com a vibração
Essa é a sua zona de conforto inicial, campeão. Raquetes leves (geralmente entre 260g e 285g) são definidas pelo alto manuseio. Elas são fáceis de acelerar. Quando você precisa preparar o golpe rapidamente porque a bola veio mais rápido do que você esperava, uma raquete leve ajuda. Ela permite que você aprenda a gerar velocidade na cabeça da raquete (o famoso racquet head speed), que é o segredo para gerar spin (efeito) e potência no futuro. Para o saque, ela tira muito estresse do ombro, permitindo que você foque no movimento de arremesso.
O lado negativo? Física básica. Uma raquete leve tem menos massa. Quando uma bola pesada (vinda de um adversário mais forte) bate nela, a raquete tende a vibrar mais e a torcer no impacto (baixa estabilidade torsional). Você vai sentir essa vibração direto no seu braço. Além disso, ela tem menos “inércia” ou plow through. Isso significa que a raquete não faz o trabalho pesado por você; ela não “atravessa” a bola com tanta facilidade, exigindo que você gere toda a potência através da velocidade do seu swing (movimento).
Para quem está começando, essa troca vale a pena. A facilidade de manuseio supera a falta de estabilidade, simplesmente porque, no início, você não está enfrentando bolas pesadas. Você está focado em fazer seu próprio golpe funcionar. A potência dessas raquetes geralmente vem de outras características (como o equilíbrio, que veremos a seguir), e não da massa. Elas são projetadas para dar potência “grátis” para quem ainda tem um swing curto ou lento.
Raquetes Médias (285g – 300g): O ponto de equilíbrio para quem evolui
Aqui é onde a maioria dos jogadores amadores “mora”. Essa faixa de peso é fantástica e representa o próximo passo lógico. Quando você já tem seus golpes básicos consistentes, já não fura tanto a bola e começa a querer mais “firmeza” no contato, uma raquete de peso médio é o caminho. Elas oferecem um equilíbrio quase perfeito entre a potência “fácil” das leves e o controle/estabilidade das pesadas. Elas ainda são fáceis de manusear, mas já oferecem muito mais estabilidade no impacto.
Uma raquete de 290g ou 300g não vai torcer tanto na sua mão quando você tentar bloquear um saque mais forte ou quando bater um voleio na rede. Ela tem massa suficiente para ajudar a bola a andar, dando uma sensação de solidez que as raquetes muito leves não têm. É a chamada raquete de “transição”. Muitos jogadores, mesmo de nível intermediário-avançado, nunca passam dessa faixa de peso, pois ela oferece a versatilidade necessária para jogar do fundo de quadra e também subir à rede.
Para você, iniciante, eu não recomendaria começar direto com 300g, a menos que você seja um atleta muito forte e com boa coordenação. Mas, depois de 6 meses a 1 ano de aulas, quando seu swing estiver mais longo e rápido, e você começar a sentir que sua raquete leve está “vibrando” demais ou que falta “peso na bola”, migrar para essa faixa será uma revelação. Você sentirá que pode bater mais forte sem perder o controle.
Raquetes Pesadas (Acima de 300g): A “marreta” dos profissionais (e por que você deve evitá-la)
Agora entramos no território dos profissionais e jogadores avançados. Raquetes de 305g, 315g, 340g (como a do Federer)… por que eles usam isso? Por duas razões: estabilidade e controle. Uma raquete pesada é como um tanque de guerra; ela absorve o impacto de qualquer bola como se não fosse nada. Quando o Djokovic devolve um saque de 220 km/h, ele precisa de massa na raquete para que ela não seja “empurrada” pela bola. Esse peso gera um plow through (inércia) absurdo, o que significa que a raquete atravessa a bola e redireciona o peso do adversário com facilidade.
Além da estabilidade, o peso ajuda no controle. Isso parece contraintuitivo, mas pense comigo: como essas raquetes são muito pesadas, elas são difíceis de acelerar. Isso força o jogador a usar um swing muito longo, fluido e tecnicamente perfeito para gerar velocidade. Elas não te dão potência “grátis”; você tem que gerar a potência. Em troca, a raquete te dá controle máximo e uma sensação de impacto pura, pois a massa extra absorve toda a vibração ruim.
Por que você, iniciante, deve fugir disso? Porque você ainda não tem o swing longo e perfeito. Você não tem o timing de profissional. Você vai se atrasar para bater todas as bolas. Para tentar compensar o atraso, você vai usar o punho, e aí vem a lesão. Seu braço vai ficar exausto em 20 minutos de bate-bola. É a ferramenta errada. Deixe as marretas para os demolidores profissionais.
Mais que Peso: O “Balanço” (Equilíbrio) é o verdadeiro técnico
Ok, agora que você entendeu o peso estático, preciso te contar um segredo: o peso sozinho não conta a história toda. Tão importante quanto quanto a raquete pesa é onde esse peso está localizado. Isso se chama Balanço ou Equilíbrio. Uma raquete pode ter 300g e parecer leve, e outra pode ter 300g e parecer uma marreta. A culpa é do equilíbrio. O equilíbrio nos diz se a raquete é “Head Heavy” (peso na cabeça), “Head Light” (peso no cabo) ou “Even Balance” (equilibrada).
“Head Heavy” (Peso na Cabeça): O motor da potência para o iniciante
Anote isso: a maioria das raquetes leves para iniciantes é Head Heavy (HH), ou seja, o peso está concentrado mais na cabeça da raquete. Por quê? É um truque de engenharia para te dar potência “grátis”. Lembra que eu disse que raquetes leves não têm massa para gerar plow through? Os engenheiros compensam isso colocando o peso que existe lá na ponta, onde a bola bate. Isso cria um efeito de alavanca, um “martelo”.
Quando você faz o swing com uma raquete HH, a cabeça “puxa” seu braço, ajudando a acelerar e a gerar mais velocidade no impacto. Isso é ótimo para quem tem um swing mais curto ou lento, que é o caso de 99% dos iniciantes. Você não precisa fazer muita força para a bola andar. O ponto negativo é que elas são menos manuseáveis na rede (para voleios rápidos) e podem cansar mais o braço a longo prazo, justamente por esse peso na ponta. Mas, para aprender os golpes de fundo, elas são excelentes.
Resumindo, uma raquete leve (270g) com equilíbrio na cabeça (Head Heavy) vai parecer mais pesada e potente do que ela realmente é. Ela te ajuda a colocar a bola no fundo da quadra sem ter que bater com toda a sua força, permitindo que você foque em acertar o sweet spot (ponto doce) e passar a bola por cima da rede com consistência.
“Head Light” (Peso no Cabo): O bisturi do controle (para quem já sabe o que faz)
Agora vamos inverter o jogo. Quase todas as raquetes pesadas dos profissionais (acima de 300g) são Head Light (HL), ou “peso no cabo”. Por quê? Porque esses jogadores não precisam de potência “grátis” da raquete. Eles geram a própria potência com a velocidade absurda do swing deles. O que eles precisam é de manuseio e controle. Ao colocar o peso perto da mão (no cabo), a cabeça da raquete fica muito mais leve e rápida.
Isso permite que eles façam ajustes de última hora no swing, que preparem o golpe muito rápido e, principalmente, que tenham velocidade máxima na rede para volear. É como segurar um bisturi; o controle está todo na sua mão. Uma raquete Head Light é feita para quem tem técnica apurada e aceleração de braço de elite. A estabilidade vem do peso estático (massa) total, e o manuseio vem do equilíbrio no cabo.
Para você, uma raquete Head Light (mesmo que seja leve no peso total) pode parecer “morta”. Você vai bater na bola e sentir que ela não anda, que falta “punch”. Isso acontece porque a raquete espera que você forneça toda a aceleração. Se você não tem o swing rápido e longo para isso, a bola vai morrer na rede.
Equilíbrio Neutro (Even Balance): O melhor dos dois mundos?
Como o nome diz, o equilíbrio neutro (EB) ou “Even Balance” é o meio-termo. O peso é distribuído igualmente pela raquete. Essas raquetes tentam pegar o melhor dos dois mundos: um pouco da potência das HH e um pouco do manuseio das HL. Elas são a definição de “versatilidade”. Geralmente, as raquetes de peso médio (285g-300g) que mencionei antes caem nessa categoria.
Elas são estáveis o suficiente no fundo da quadra, mas não são tão lentas na rede. Elas oferecem uma boa mistura de potência e controle. Para um iniciante, uma raquete leve (270-280g) com equilíbrio neutro ou levemente Head Heavy é geralmente o ponto ideal. Ela te dá a ajuda necessária no começo, mas não te limita tanto quanto uma raquete extremamente Head Heavy quando você começar a evoluir e a acelerar mais o braço.
O equilíbrio é medido em “pontos” (pts) Head Light ou Head Heavy. Você verá especificações como “4 pts HL” ou “1 pts HH”. Não se preocupe muito com os números exatos agora. O importante é você pegar a raquete na mão e sentir: “O peso está mais na ponta ou mais na minha mão?” O vendedor ou eu, seu professor, podemos te ajudar a identificar isso.
O Erro Clássico: Por que “pegar a raquete do Nadal” vai destruir seu cotovelo
Eu preciso dedicar uma seção inteira a isso, porque eu vejo esse erro toda semana. O aluno assiste a um Grand Slam, vê o Nadal bater aquele forehand absurdo e pensa: “É essa! Vou comprar a Babolat Pure Aero dele”. O que ele não sabe é que a raquete que o Nadal usa (que é pintada para parecer a da loja) é uma versão customizada, pesadíssima, com equilíbrio específico para ele, feita para aguentar o swing mais violento do circuito. Você, iniciante, pegando essa raquete, é uma receita para o desastre., ao escolher uma boa raquete de tênis para iniciantes
Entendendo o “Tennis Elbow” (Epicondilite Lateral) e a vibração
O “Tennis Elbow” (cotovelo de tenista) é a lesão mais famosa do nosso esporte. É uma inflamação dos tendões na parte externa do cotovelo. E sabe como ela aparece? De duas formas principais para o iniciante: 1) Uma raquete muito leve e rígida que vibra demais no impacto, e 2) Uma raquete muito pesada que seu braço não aguenta. No primeiro caso, a vibração excessiva de bater fora do sweet spot (o que iniciantes fazem o tempo todo) viaja da raquete direto para o seu antebraço, inflamando os tendões.
No segundo caso, o da “raquete do Nadal”, o problema é a sobrecarga muscular. A raquete é tão pesada que, para conseguir movê-la a tempo de bater na bola, você contrai excessivamente os músculos do antebraço e do punho. Você está usando músculos pequenos para fazer o trabalho de músculos grandes. Após centenas de repetições, esses tendões gritam por socorro. O peso da raquete tem que ser compatível com a sua força atual.
O tênis é um esporte de repetição. Você vai bater milhares de bolas. Se a ferramenta estiver errada, o estresse acumulado vai te tirar da quadra. Uma raquete adequada ao seu nível vai absorver a vibração de forma correta e ter um peso que seus músculos consigam manusear sem tensão excessiva.
O mito da força: “Preciso de peso para a bola andar”
Esse é o maior mito de todos. O aluno pensa: “Minha bola não anda, não passa da rede. Preciso de uma raquete mais pesada para ajudar.” Errado. A sua bola não anda porque sua técnica está errada. Você provavelmente está batendo na bola só com o braço, com o swing curto, sem usar a rotação do quadril e do tronco. A potência no tênis vem da aceleração da cabeça da raquete, e essa aceleração vem da transferência de peso do seu corpo (a cadeia cinética).
Uma raquete mais pesada vai, na verdade, piorar seu problema. Como ela é difícil de mover, ela vai te forçar a encurtar ainda mais o movimento e a usar menos o corpo, dependendo só de um “empurrão” com o braço. O que você precisa é do oposto: uma raquete mais leve (como as de 270g-285g) que te permita fazer o swing completo, longo e relaxado, aprendendo a usar o corpo para gerar potência.
A potência vem da técnica, não da massa da raquete (pelo menos não no seu nível). Seu foco número 1 é aprender o movimento. O peso da raquete deve ser um facilitador desse aprendizado, não uma âncora que te impede de mover o braço corretamente.
A armadilha da evolução rápida: Quando trocar de peso (e quando esperar)
Eu entendo a ansiedade. Você faz duas aulas, já acerta alguns forehands na cruzada e pensa: “Pronto, não sou mais iniciante. Preciso de uma raquete de intermediário.” Calma, campeão. A transição de peso deve ser gradual e justificada. Trocar de raquete cedo demais é um erro clássico que pode travar sua evolução. Se você pegar uma raquete mais pesada antes da sua técnica estar sólida, você vai compensar as falhas técnicas com a força bruta, e seus golpes vão desmoronar.
Quando é a hora certa de pensar em mais peso? Quando você já tem seus golpes de fundo (forehand e backhand) consistentes, com o swing longo. O principal sinal é quando você começa a jogar com pessoas que batem mais forte, e você sente que a sua raquete leve está “torcendo” na sua mão no bloqueio, ou que falta estabilidade. Você vai sentir que, mesmo batendo certo, a bola está “flutuando” um pouco, sem “peso”.
Quando esse dia chegar, você não vai pular de 270g para 310g. Você vai fazer um upgrade para a faixa dos 285g-300g. Essa transição suave permite que seu braço se acostume com a nova massa sem perder a técnica que você demorou tanto para construir. Paciência é uma virtude no tênis; isso vale para o jogo e para o equipamento.
O “Swingweight”: O peso que você sente no golpe
Se você achou que Peso Estático e Balanço eram complicados, prepare-se para o nível avançado: o Swingweight (Peso Dinâmico). Esse é o conceito que os profissionais realmente usam, mas que é fundamental para você entender. O Swingweight não é o peso da raquete na balança; é o peso que a raquete parece ter quando você está fazendo o movimento do golpe (o swing). É uma medida de quão difícil é girar a raquete em torno do seu punho.
O que é o peso dinâmico (Swingweight) e por que ele é diferente do peso da balança
Pense assim: um martelo de 1kg com um cabo curto é fácil de balançar. Um martelo de 1kg com um cabo de 1 metro de comprimento é muito difícil de balançar. Ambos têm o mesmo peso estático (1kg), mas o swingweight do martelo de cabo longo é infinitamente maior. No tênis, é a mesma coisa. O Swingweight é determinado pelo peso total e pela distribuição desse peso (o balanço).
Uma raquete que é Head Heavy (peso na cabeça) terá um swingweight muito maior do que uma raquete de mesmo peso estático, mas que é Head Light (peso no cabo). É por isso que uma raquete de iniciante de 280g (Head Heavy) pode parecer tão pesada no golpe quanto uma raquete de intermediário de 300g (Even Balance). O Swingweight é o que define a potência “real” da raquete e o esforço que seu braço precisa fazer.
Para iniciantes, queremos um swingweight baixo ou moderado. Isso significa que a raquete é fácil de acelerar, fácil de manobrar e não exige um esforço sobre-humano do seu braço. Raquetes com swingweight muito alto são as que causam lesões em quem não tem a técnica e o físico preparados.
Como um Swingweight baixo ajuda seu “learning curve” (curva de aprendizado)
Sua curva de aprendizado no tênis depende de repetição. Você precisa bater centenas de bolas para seu cérebro e músculos entenderem o timing e o movimento. Se a raquete tem um swingweight alto (é difícil de acelerar), você vai se cansar muito rápido. Sua técnica vai piorar à medida que o cansaço aumenta, e você vai começar a bater atrasado, usando o punho. Você não vai conseguir ter uma sessão de treino produtiva.
Uma raquete com swingweight baixo (geralmente as leves e/ou Head Light) é o oposto. Ela é fácil de manusear. Você pode bater bola por uma hora e seu braço ainda estará bem. Isso permite que você complete o volume de repetições necessário para solidificar a memória muscular do golpe correto. Você foca na técnica, não em “sobreviver” ao peso da raquete.
É uma troca: raquetes com swingweight baixo são menos estáveis. Mas, como já dissemos, no começo, o manuseio e a facilidade de aprendizado são muito mais importantes que a estabilidade contra bolas pesadas (que você ainda não está enfrentando).
A relação entre Swingweight, estabilidade e o “sweet spot”
Aqui está a conexão final. O swingweight está diretamente ligado à estabilidade da raquete no impacto. Raquetes com swingweight alto (as pesadas dos profissionais) são incrivelmente estáveis. Quando a bola bate fora do sweet spot (o centro das cordas), a raquete quase não torce. Ela é sólida como uma rocha. Isso dá ao jogador avançado muita confiança para bater forte, sabendo que a raquete vai absorver o impacto.
Raquetes de swingweight baixo (as de iniciante) são o oposto. Elas são muito menos estáveis. Quando você bate fora do sweet spot (o que acontece muito no começo), você sente a raquete vibrar e torcer. Isso é ruim para o conforto, mas tem um lado bom: é um feedback instantâneo. Você sabe que bateu errado. Isso te força, inconscientemente, a tentar acertar o centro das cordas.
Então, aceite a vibração inicial. Use uma raquete com swingweight mais baixo, que te permita aprender o movimento. Quando seus golpes estiverem consistentes e você começar a acertar o sweet spot com frequência, aí sim você estará pronto para uma raquete com swingweight maior, buscando mais estabilidade e “peso de bola”.
Comparativo na Prática: As 3 Faixas de Peso para Iniciantes
Vamos colocar tudo isso em uma linguagem direta, um “plano de jogo” para você visualizar as opções. Eu sei que foi muita informação, então ver lado a lado ajuda a consolidar. Quando você for à loja, você vai se deparar basicamente com essas três categorias de equipamento, pensando no seu futuro como jogador.
Pense nessas categorias não como “ruim”, “médio” e “bom”, mas como “passo 1”, “passo 2” e “passo 3”. Você, como iniciante, deve focar 100% no “Passo 1”. É a ferramenta desenhada especificamente para os desafios que você está enfrentando agora: aprender a coordenar o corpo, acertar a bola consistentemente e não se machucar.
Abaixo está uma tabela comparando as três faixas de peso principais. Eu chamei a “Leve” de “Aceleradora de Aprendizado”, que é o que você precisa. A “Média” é a “Plataforma Versátil”, seu provável segundo passo. E a “Pesada” é a “Ferramenta de Precisão”, o nível profissional.
| Característica | Aceleradora de Aprendizado (Leve) | Plataforma Versátil (Média) | Ferramenta de Precisão (Pesada) |
| Peso Estático | 260g – 285g | 286g – 300g | 301g+ |
| Equilíbrio Comum | Head Heavy (Peso na Cabeça) ou Neutro | Neutro ou Levemente Head Light | Head Light (Peso no Cabo) |
| Swingweight | Baixo a Médio | Médio | Alto a Muito Alto |
| Potência | Alta (potência “fácil” da raquete) | Média (equilíbrio) | Baixa (jogador gera a potência) |
| Controle | Baixo a Médio | Médio a Alto | Muito Alto |
| Manuseio | Muito Alto | Alto | Baixo a Médio |
| Estabilidade | Baixa (vibra mais) | Média | Muito Alta (absorve tudo) |
| Perfil do Jogador | Iniciantes (foco em aprender o swing) | Intermediários (golpes formados) | Avançados / Profissionais |
O Veredito do Professor: Qual o “game plan” para sua primeira raquete?
Muito bem, você sobreviveu à aula teórica. Agora vamos ao que interessa: o que você vai fazer com essa informação? Meu conselho para 9 em cada 10 alunos iniciantes é o mesmo: comece leve. Procure uma raquete na faixa de 270g a 285g. Esse é o sweet spot (agora no sentido de “ponto ideal”) para o aprendizado. É leve o suficiente para você manusear com facilidade e aprender a técnica correta, mas não tão leve a ponto de vibrar como uma britadeira.
Verifique o equilíbrio. A maioria das raquetes nessa faixa de peso será ou com equilíbrio Neutro (Even Balance) ou levemente Head Heavy (peso na cabeça). Ambas são ótimas opções. A Head Heavy vai te dar mais potência no começo, ajudando a bola a passar da rede. A Neutra será um pouco mais manuseável e uma transição mais fácil para sua próxima raquete. Pegue as duas na mão, faça o movimento do swing no ar e veja qual delas parece mais natural.
Esqueça a raquete do seu ídolo. Esqueça o marketing. Esqueça o cara da academia que disse que você precisa de uma raquete de 300g para a bola “andar”. Seu único objetivo nos próximos seis meses é construir uma base técnica sólida. Você precisa de uma ferramenta que te ajude a repetir o movimento correto milhares de vezes sem te cansar e sem te machucar. O peso certo é o seu maior aliado nessa jornada. Escolha com sabedoria, foque no treino e, quando você estiver pronto, nós conversaremos sobre o upgrade.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
ExperiênciaExperiência
Professor tênis – Professor tênis Professor tênis Instituto Próxima Geração. IPG · Tempo integral – Instituto Próxima Geração. IPG · Tempo integralmar de 2024 – o momento · 1 ano 2 meses De mar de 2024 até o momento · 1 ano 2 meses Monte Mor, São Paulo, Brasil · Presencial Monte Mor, São Paulo, Brasil · Presencial
Desenvolvimento de liderança e Tecnologias educacionais
Instrutor de tênis Instrutor de tênis Instrutor de tênis Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude Louveira · Meio período Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude Louveira · Meio período fev de 2017 – o momento · 8 anos 3 meses De fev de 2017 até o momento · 8 anos 3 meses Louveira, São Paulo, Brazil