E aí, tudo certo? Vamos bater um papo sério sobre o equipamento que você mais negligencia, mas que é, sem dúvida, o mais importante para o seu jogo: as cordas.
Eu vejo isso todo dia. O aluno chega com aquela raquete novinha, linda, a mesma do profissional favorito, mas não faz a menor ideia do que está amarrado nela. Você gasta muito dinheiro no chassi, mas esquece do motor. A corda é o motor da sua raquete. É a única parte do seu equipamento que realmente toca a bola. É ela quem dita o conforto, a potência, o controle e, principalmente, o spin.
Escolher a corda certa pode transformar seu jogo de forma imediata. Não é exagero. Você pode destravar mais potência, colocar um spin que não achava que tinha, ou finalmente jogar sem aquela dor chata no cotovelo. Meu objetivo aqui é simples: vamos dissecar esse universo. Quero que você saia daqui entendendo exatamente o que cada tipo de corda faz. Você vai parar de escolher pela cor ou pelo que seu colega usa. Você vai começar a escolher o que funciona para o seu swing.
O Duelo Principal: Entendendo a Construção (Mono vs. Multi)
Antes de falarmos sobre materiais como “poliéster” ou “tripa”, você precisa entender a arquitetura da corda. No tênis moderno, tudo se resume a dois grandes times: Monofilamento e Multifilamento. A forma como a corda é construída muda absolutamente tudo. Ela define a rigidez, a elasticidade, o conforto e como ela “morde” a bola.
Monofilamento é exatamente o que o nome diz: um filamento único. É um bloco sólido de material, como se fosse um fio de nylon de pesca, mas muito mais tecnológico. Pense nele como um arame sólido. Por ser um bloco único, ele tende a ser mais firme, mais rígido e menos elástico. Essa construção é focada em durabilidade e controle, e é a favorita dos jogadores que batem forte e precisam que a bola “obedeça”.
Multifilamento é o exato oposto. Imagine pegar centenas, às vezes milhares, de microfilamentos e torcê-los juntos, como uma corda de navio ou um cabo de aço. Esses milhares de fios fininhos são geralmente envoltos em uma camada de poliuretano (PU) ou resina para manter tudo unido. O resultado é uma corda muito mais macia, mais elástica e que absorve melhor o impacto. É uma construção focada em conforto e potência.
Monofilamento (Poliéster/Co-Poliéster): O motor do Spin
Vamos direto ao ponto: o poliéster, ou “poly”, dominou o circuito profissional nas últimas duas décadas. Quase todo jogador de alto nível hoje usa alguma variação de poliéster. O motivo é simples: controle e spin. Por ser uma corda rígida (monofilamento), ela não estica tanto no impacto. Isso significa que você pode fazer o swing completo, aquele movimento rápido de “limpador de para-brisa” por cima da bola, sem medo dela voar para o alambrado. Ela permite que você gere a potência, e ela segura a bola na quadra.
O spin vem de um fenômeno que chamamos de “snapback”. A corda de poliéster é naturalmente lisa e escorregadia. Quando a bola acerta a trama, as cordas principais (verticais) se movem para o lado. Como o poliéster é rígido e liso, ele “volta” para o lugar original com uma velocidade incrível, antes mesmo da bola sair da raquete. Esse “estalo” de volta (o snapback) morde a bola e a arremessa para cima, criando um topspin absurdo. É física pura trabalhando a seu favor.
Mas calma lá, tenista. O poliéster não é para todo mundo. Ele é extremamente exigente. Por ser rígido, ele transmite muito mais vibração para o seu braço. Se você não tem um swing rápido e completo, a corda não vai trabalhar para você; ela vai parecer uma tábua, dura e sem potência. Além disso, ela “morre” muito rápido. Ela não arrebenta, mas perde a elasticidade e o snapback em poucas horas de jogo. Jogar com poliéster morto é a receita certa para uma lesão no cotovelo, o famoso “tennis elbow”.
Multifilamento (Tripa Sintética): O abraço no braço
Agora vamos para o outro lado da quadra. O multifilamento é a corda do conforto. Se o poliéster é um arame, o multifilamento é um feixe de algodão tecnológico. Lembra da construção? Milhares de fibras unidas. Quando a bola bate nessa corda, essas fibras se movem e absorvem o choque. A sensação é de uma batida macia, amanteigada. A bola “afunda” na corda, o que chamamos de “pocketing”.
Essa elasticidade e absorção de choque tornam o multifilamento a melhor escolha para jogadores que sofrem com dores no braço, cotovelo ou ombro. Ele filtra as vibrações ruins antes que elas cheguem ao seu corpo. Além disso, por ser tão elástica, ela funciona como um estilingue. Ela devolve mais energia para a bola, gerando potência fácil. Se você tem um swing mais curto ou mais lento e precisa de uma ajuda para a bola andar, o multifilamento é seu melhor amigo.
O lado negativo? Durabilidade e spin. Como são muitas fibras pequenas, elas começam a desfiar com o atrito. Você vai ver a corda ficando “cabeluda” antes de arrebentar. Para jogadores que batem com muito topspin, ela arrebenta rápido demais. E por ser macia e ter mais atrito (não é lisa como o poly), ela não tem o mesmo “snapback”. Ela gera spin, claro, mas não se compara ao potencial de rotação de um bom poliéster. É uma corda de “feel” e potência, não de spin agressivo.
Tripa Natural: O Padrão Ouro do “Feel”
Aqui estamos no território sagrado. A tripa natural (natural gut) é a rainha das cordas. É feita, sim, de intestinos de vaca (serosa bovina). É um processo complexo e caro, e é por isso que ela custa uma fortuna. Mas por que alguém usaria isso? Porque, até hoje, nenhum material sintético conseguiu replicar perfeitamente suas propriedades. A tripa natural oferece a melhor combinação de potência, conforto e “sensação” (feel) que existe.
Ela é incrivelmente elástica, mais até que o multifilamento, o que gera uma potência absurda. Ao mesmo tempo, ela é extremamente macia, absorvendo o impacto como nenhuma outra. Mas sua mágica está na manutenção da tensão. Diferente do poliéster que morre rápido, a tripa natural segura a tensão (a calibragem) por meses. Ela joga bem até o dia em que arrebenta. É a corda mais confortável e potente que o dinheiro pode comprar.
Os contras são óbvios. O primeiro é o preço, que é proibitivo para a maioria dos jogadores amadores. O segundo é a sensibilidade à umidade. Se você jogar na chuva ou deixar a raquete no porta-malas em um dia úmido, ela pode estragar, ficar “borrachenta” e perder suas propriedades. Ela também não é a corda mais durável para quem bate pesado. É por isso que muitos profissionais a usam em setups híbridos, que vamos ver mais para frente.
O “Swing” Perfeito: Decifrando as Características do Jogo
Beleza, agora você sabe a diferença entre um monofilamento rígido e um multifilamento macio. Mas como isso se traduz na prática, no seu forehand? Quando você escolhe uma corda, você está sempre fazendo trocas. Não existe a corda perfeita que dá tudo ao mesmo tempo. Você precisa decidir o que é mais importante para o seu jogo.
Você não pode ter 100% de controle e 100% de potência ao mesmo tempo. Essas duas coisas são opostas na física das cordas. Entender essa balança é o primeiro passo para escolher certo. Você precisa ser honesto sobre o que falta no seu golpe. Você erra porque a bola não anda, ou porque ela anda demais?
Ajustar seu equipamento para o que você precisa é o segredo. Se você é um jogador que já tem força de sobra, mas manda a bola na tela, você precisa de controle. Se você sente que faz um esforço enorme e a bola “morre” no T, você precisa de potência. Vamos quebrar essa balança.
Potência vs. Controle (A eterna balança)
Aqui está a regra de ouro: cordas mais macias e elásticas geram mais potência. Cordas mais firmes e rígidas geram mais controle. Pense em um estilingue. Um multifilamento ou uma tripa natural são como um elástico macio. A bola afunda na corda, o elástico estica e depois dispara a bola com muita velocidade. Isso é o que chamamos de “efeito catapulta”. Você ganha potência “de graça” da corda.
O poliéster (monofilamento) é o oposto. Ele é um elástico duro. A bola bate e sai rápido, mas a corda não estica tanto. Ela não te dá potência. Isso parece ruim, mas é ótimo para quem já tem potência. Se o seu swing é muito rápido, você não quer que a corda adicione mais velocidade. Você quer que a corda “segure” a bola, permitindo que você bata com tudo e, ainda assim, a bola caia dentro das linhas. Isso é controle.
Portanto, a escolha é direta. Se você precisa de ajuda para a bola andar, busque cordas macias (multifilamento, tripa sintética). Se você tem um swing longo e rápido e quer precisão para acertar a linha, você precisa de uma corda firme (poliéster). Não adianta usar a corda do Nadal se seu swing é curto; você só vai machucar o braço e não vai passar a bola da rede.
Conforto vs. Durabilidade (A troca inevitável)
Essa é outra troca clássica. Geralmente, as cordas mais confortáveis são as menos duráveis. E as mais duráveis são as menos confortáveis. Pense no multifilamento: ele é feito de milhares de fibras finas. Elas são ótimas para absorver o impacto (conforto), mas o atrito do jogo faz com que essas fibras se cortem. Elas vão desfiando até arrebentar.
O poliéster, por outro lado, é um bloco único de plástico. Ele é feito para durar. Você pode bater na bola o dia inteiro, e ele vai demorar muito para arrebentar. É uma corda muito durável. Só que essa rigidez toda tem um preço: conforto. Todo o impacto que o multifilamento absorvia, o poliéster joga direto para o seu braço. É uma corda dura, que vibra mais.
Aqui, a escolha depende do seu histórico. Você arrebenta corda toda semana? Você provavelmente precisa de um poliéster para salvar seu bolso. Você sente o cotovelo reclamar depois de uma hora de jogo? Fuja do poliéster e abrace o multifilamento. A prioridade número um deve ser sempre jogar sem dor. Não adianta a corda durar seis meses se você ficar seis meses parado por causa de uma lesão.
O “Grip” da bola: Como a corda gera o “Topspin”
O topspin mudou o tênis. Ele permite que você bata forte e, ao mesmo tempo, faça a bola “mergulhar” dentro da quadra. E a corda é a principal ferramenta para isso. Antigamente, achava-se que cordas “ásperas” (texturizadas) davam mais spin. Hoje, sabemos que o fator principal é o “snapback”, que eu já expliquei. É a capacidade da corda deslizar e voltar ao lugar rapidamente.
O poliéster é o rei do snapback. Por ser liso e rígido, ele se move e volta ao lugar como um raio. Cordas texturizadas ou com formatos diferentes (quadradas, octogonais) tentam “morder” a bola, mas o efeito principal ainda vem do movimento das cordas. O multifilamento e a tripa natural, por serem mais macios e terem mais atrito entre si, não deslizam tão bem. Elas geram spin, mas não no nível de um poliéster.
Portanto, se o seu jogo é moderno, baseado em bolas pesadas e com muito topspin, o poliéster é quase uma escolha obrigatória. Ele foi desenhado para isso. Se você tem um jogo mais clássico, com golpes mais planos (flat) ou com slice, o “feel” de um multifilamento ou tripa natural pode ser mais vantajoso, pois eles te dão mais toque e sensibilidade para esses golpes.
A Variável Crítica: O Jogo da Tensão (Libras)
Você escolheu o material (poly, multi) e a espessura. Agora vem a parte mais importante do encordoamento: a tensão. A tensão é a “calibragem” da sua raquete, medida em libras (ou quilos). É o quanto o encordoador vai esticar a corda na máquina. E isso, meu amigo, muda tudo. Você pode ter a mesma corda em duas raquetes iguais, mas com tensões diferentes, elas vão parecer duas raquetes completamente opostas.
A maioria das raquetes vem com uma faixa de tensão recomendada (por exemplo, 50-60 libras). Essa é uma área segura para começar. Mas o que acontece se você coloca mais tensão? E se coloca menos? Aqui não tem certo ou errado, tem apenas consequências. Ajustar a tensão é o ajuste fino do seu jogo.
Muitos jogadores amadores copiam a tensão dos profissionais (que usam tensões altas) e acabam com uma raquete que parece uma tábua, sem potência nenhuma. Outros pedem tensões muito baixas e perdem totalmente o controle da bola. O segredo é encontrar o ponto de equilíbrio para o seu swing e para a sua corda.
Tensões Altas: Para quem busca precisão cirúrgica
Quando você coloca uma tensão alta (por exemplo, 58 libras), você está esticando mais a corda. Ela fica mais firme, mais “dura”. Uma corda mais firme estica menos no impacto. Lembra do nosso estilingue? Um elástico bem esticado (tensão alta) não tem muito mais para onde ir. Ele não vai gerar o efeito catapulta.
O resultado é: menos potência. A bola sai menos da sua raquete. Isso é ótimo para quem? Para o jogador que bate muito forte e precisa de controle. A tensão alta “acalma” a raquete, dá uma sensação de batida mais sólida e direta. Você sente que pode mirar na linha e a bola vai obedecer. O “sweet spot” (ponto doce) diminui, mas a precisão nos golpes fortes aumenta.
O lado negativo é o conforto. Tensão alta mais corda dura (como poliéster) é uma combinação perigosa para o braço. A raquete fica muito rígida e transmite toda a vibração do impacto. Por isso, hoje em dia, mesmo os profissionais estão usando tensões mais baixas do que usavam há 10 anos.
Tensões Baixas: Soltando o braço e gerando potência
Agora, vamos fazer o oposto. Você pede uma tensão baixa (por exemplo, 48 libras). A corda fica mais solta, mais elástica. O que acontece no impacto? A bola afunda na raquete. A corda estica como um trampolim e depois dispara a bola. É o efeito catapulta em ação.
O resultado é: mais potência. Você ganha velocidade de bola “de graça”. Além disso, a cama de cordas fica muito mais macia, absorvendo melhor o impacto. Isso significa muito mais conforto para o braço. Tensões baixas também aumentam o “sweet spot”, tornando a raquete mais “amigável” e perdoando mais os golpes fora do centro.
O contraponto é o controle. Com a bola saindo tão rápido da raquete, fica mais difícil controlar a direção, especialmente em swings rápidos. A bola pode “voar” sem controle. É por isso que tensões baixas funcionam melhor com cordas de controle (poliéster). Você usa o poliéster para ter o controle, e a tensão baixa para devolver o conforto e a potência que o poliéster tira. É o melhor dos dois mundos.
A perda de tensão: O inimigo silencioso
Aqui está o maior erro que vejo na quadra. O aluno coloca uma corda e joga com ela por seis meses. Ele diz: “Professor, mas ela não arrebentou!”. Não importa. A corda “morre” muito antes de arrebentar. Todas as cordas perdem tensão (elasticidade) a partir do momento em que saem da máquina. O poliéster é o pior de todos: ele pode perder 20% da tensão só nas primeiras 24 horas.
O que acontece quando a corda perde tensão? O poliéster, quando “morre”, fica rígido e sem vida. Ele perde o snapback (adeus, spin!) e se transforma numa tábua que destrói seu cotovelo. O multifilamento fica “borrachento”, elástico demais, e você perde totalmente o controle da bola. Você começa a errar golpes que não errava, e a culpa não é sua, é da corda morta.
Regra geral: você deve trocar suas cordas no mínimo o mesmo número de vezes por ano do que você joga por semana. Joga 3 vezes por semana? Troque a corda a cada 4 meses (3 vezes por ano), mesmo que não arrebente. Se você usa poliéster, esse tempo cai pela metade. Não jogue com corda morta. É o pior desserviço que você pode fazer ao seu tênis.
Mapeando seu Jogo: Qual corda se encaixa no seu Nível?
Agora que você é um especialista em materiais, construção e tensão, vamos juntar tudo. A corda ideal para você depende 100% do seu nível e do seu estilo de jogo. Usar a corda errada pode atrasar sua evolução ou, pior, te machucar. Vamos ver o que faz sentido para cada fase do tenista.
A escolha precisa ser honesta. Não adianta você ser um iniciante e querer usar o setup do Alcaraz. O equipamento dele é ajustado para um atleta profissional que treina 8 horas por dia e tem um swing que quebra a barreira do som. O seu equipamento tem que ser ajustado para você.
O objetivo é sempre o mesmo: maximizar o que você faz bem e ajudar no que você tem dificuldade. Se você está começando, sua dificuldade é técnica e falta de potência. Se você é avançado, sua dificuldade é controle e consistência. A corda acompanha essa jornada.
O Iniciante: Foco no Conforto e aprendizado
Se você está começando a jogar, sua prioridade absoluta é conforto e potência fácil. Seu swing ainda está em desenvolvimento, provavelmente é mais curto e você ainda não gera velocidade de braço. Você precisa de uma raquete que “perdoe” seus erros e ajude a bola a passar da rede sem que você precise fazer força excessiva.
Fuja do poliéster. Repito: fuja do poliéster. Ele vai parecer uma tábua, não vai soltar a bola e vai detonar seu braço, que ainda não está acostumado ao impacto. A melhor escolha para o iniciante é um Multifilamento macio ou uma boa Tripa Sintética (que é um multifilamento mais simples ou um nylon de núcleo sólido).
Essas cordas vão te dar potência fácil (efeito catapulta) e, o mais importante, vão absorver o impacto, protegendo seu cotovelo e ombro. Nessa fase, a durabilidade não é um problema, pois você não bate forte o suficiente para arrebentar cordas. Use uma tensão média, algo em torno de 52-54 libras, para ter um bom equilíbrio.
O Jogador Intermediário: Buscando performance e durabilidade
Aqui as coisas ficam interessantes. O jogador intermediário já tem os golpes formados. Você já tem um swing mais completo, começa a usar o topspin e bate mais forte. É aqui que os multifilamentos começam a arrebentar rápido demais. Você começa a buscar mais controle, porque a potência que você gera já faz a bola voar.
É a hora de começar a experimentar. Se você não tem dor no braço e arrebenta cordas rápido, você pode fazer sua primeira experiência com um Co-Poliéster (uma versão mais macia do poliéster). Mas comece com tensões baixas (48-50 libras) para manter o conforto. Se você ainda prioriza o “feel” e o conforto, mas quer mais durabilidade, pode usar um multifilamento mais “firme” ou mais grosso (gauge 16/1.30mm).
Outra opção fantástica para o intermediário é o Híbrido. Você pode colocar uma corda de poliéster nas verticais (para spin e durabilidade) e um multifilamento nas horizontais (para conforto e potência). É uma ótima transição, pegando o melhor de cada mundo.
O Avançado/Competidor: Ajuste fino para controle e spin
O jogador avançado ou competidor vive de controle e spin. Você tem um swing longo, rápido e agressivo. Você gera sua própria potência e não precisa de ajuda da corda. O que você precisa é que a corda te dê confiança para bater com 100% de velocidade e saber que a bola vai cair dentro.
Aqui, o Poliéster (Monofilamento) é rei. Você vai usar o poliéster para ter o controle máximo e o snapback para gerar um topspin pesado. Jogadores avançados são “ratos de laboratório”: eles testam dezenas de cordas e tensões. Eles usam tensões baixas (45-50 libras) no poliéster para ganhar um pouco de conforto e potência, sem perder o controle que o material oferece.
O jogador avançado também é quem mais se beneficia do Híbrido com Tripa Natural. O setup clássico do Federer por muitos anos foi Tripa Natural nas verticais (para feel e potência) e Poliéster nas horizontais (para controle e spin). É a combinação mais cara, mas que oferece a melhor performance possível para quem sabe o que está fazendo.
O Fenômeno dos Híbridos: Misturando o melhor dos dois mundos
Você já me ouviu falar deles, e eles são uma das soluções mais inteligentes do tênis moderno. O encordoamento híbrido é simplesmente usar dois tipos diferentes de corda na mesma raquete. Geralmente, uma para as cordas principais (verticais) e outra para as transversais (horizontais). Por que fazer isso? Para “customizar” a sensação da sua raquete.
As cordas principais (verticais) dominam as características do encordoamento. Elas são mais longas e se movem mais, sendo responsáveis pela maior parte do “feel”, do spin (snapback) e da potência. As cordas horizontais servem para travar a trama, ditar a firmeza e ajustar o controle. Sabendo disso, você pode criar combinações para otimizar seu jogo.
Essa prática se popularizou com o Roger Federer, mas hoje é usada por milhões de jogadores amadores que buscam um ponto de equilíbrio que uma corda única não oferece. É a solução perfeita para quem acha o poliéster puro muito duro, e o multifilamento puro muito “mole” ou pouco durável.
O “Híbrido Clássico”: Durabilidade e Conforto
Essa é a combinação mais famosa e usada no mundo. Você coloca um Poliéster nas cordas principais (verticais) e um Multifilamento (ou Tripa Natural) nas horizontais (transversais). O que você ganha com isso? O poliéster nas verticais vai te dar a durabilidade (elas são as que mais arrebentam) e o potencial de spin (snapback).
O multifilamento nas horizontais entra para “amaciar” a cama de cordas. Ele absorve a vibração, aumenta o conforto e adiciona um pouco de potência (efeito catapulta) que o poliéster puro não teria. É a combinação perfeita para o jogador intermediário/avançado que quer os benefícios do poliéster (spin, controle) sem destruir o braço.
Você economiza dinheiro (tripa natural ou multi só em metade da raquete) e salva seu cotovelo. É uma situação de ganha-ganha para quem bate forte mas ainda preza pelo conforto.
O “Híbrido Invertido”: Maximizando o “Feel”
Essa é uma opção menos comum, mas muito eficaz para jogadores que amam a sensação da tripa natural, mas acham que ela pura é muito potente ou estoura rápido. Aqui, você inverte: Tripa Natural (ou Multifilamento) nas verticais e Poliéster nas horizontais.
Como as verticais dominam o “feel”, você terá aquela sensação amanteigada e a potência elástica da tripa natural. O poliéster entra nas horizontais para “travar” a cama de cordas, adicionando muito controle e aumentando drasticamente o spin, pois o poliéster (horizontal) desliza contra a tripa (vertical) de forma muito eficiente.
Esse setup (o preferido do Federer por muito tempo) é o “setup de luxo”. Ele oferece o máximo de conforto e potência da tripa, combinado com o controle e spin do poliéster. O custo é alto, mas a performance é incomparável para quem busca sensibilidade no toque.
Vale a pena para você?
Na minha opinião, sim. Para 90% dos jogadores intermediários que hoje usam poliéster puro (full poly), um híbrido seria muito melhor. A maioria dos amadores não tem a velocidade de swing necessária para ativar um poliéster puro e acaba jogando com uma “tábua” que machuca o braço.
Começar com um híbrido é a transição mais inteligente. Você mantém o spin e o controle do poliéster, mas ganha o conforto e a potência do multifilamento. Você vai sentir a bola “afundar” mais na raquete, vai ganhar velocidade de bola e, principalmente, vai proteger seu corpo.
Peça ao seu encordoador para testar. Coloque um poliéster que você gosta nas verticais e um multifilamento básico nas horizontais, com 2 libras a mais de tensão no multi (ele estica mais). Seu braço vai agradecer.
Mitos e Verdades: O que (realmente) importa na hora da troca?
O mundo das cordas é cheio de “lendas” de vestiário. Tem muita informação errada que passa de jogador para jogador e acaba prejudicando sua escolha. Como seu professor, minha missão é acabar com isso. Vamos direto aos fatos, separando o que é mito do que é verdade absoluta.
Essas regras de bolso muitas vezes são simplificações que não se aplicam a você. “Corda fina é para mulher” ou “corda grossa é para quem bate forte” são generalizações perigosas. Vamos usar a ciência a nosso favor.
Entender esses pontos vai te economizar dinheiro, evitar lesões e, o mais importante, vai fazer você parar de culpar o equipamento por erros que, talvez, sejam da sua escolha de corda.
Mito: “Só troco a corda quando ela arrebenta”
Esse é o maior e mais perigoso mito do tênis. Como eu já disse antes, a corda “morre” muito antes de arrebentar. Ela perde a tensão e, com ela, todas as suas propriedades benéficas. Um poliéster morto (sem elasticidade) é um pedaço de plástico rígido que transfere 100% do impacto para o seu braço. É a causa número um de tennis elbow em jogadores amadores.
Um multifilamento morto fica borrachudo e elástico demais. Você perde totalmente o controle da bola. Você começa a ajustar seu swing para compensar a corda morta, estragando sua técnica. Você acha que “perdeu o timing” do golpe, quando na verdade seu equipamento não responde mais da mesma forma.
A regra é clara: troque suas cordas o mesmo número de vezes por ano que você joga por semana. Se joga 2x por semana, troque a cada 6 meses (2x por ano). Se usa poliéster, corte esse tempo pela metade. Não espere arrebentar. Trate a troca de cordas como a troca de óleo do seu carro.
Verdade: “Cordas mais finas (Gauge alto) dão mais sensação”
Isso é 100% verdade. A espessura da corda é chamada de “gauge”. Quanto maior o número do gauge, mais fina é a corda (Gauge 17 é mais fino que Gauge 16). Cordas mais finas são mais elásticas e “mordem” melhor a bola.
Pense em tentar cortar um tomate. Você usa uma faca fina ou uma faca grossa? A faca fina (corda fina) penetra melhor. Uma corda mais fina se deforma mais no impacto, ela “agarra” a bola e te dá mais sensibilidade (feel) e potencial de spin. Ela também é mais potente, pois estica mais (efeito catapulta).
O lado negativo óbvio é a durabilidade. Uma corda fina arrebenta muito mais rápido que uma corda grossa. Por isso, se você não tem problemas em arrebentar cordas, opte sempre pela versão mais fina (gauge 17 ou 18) da corda que você escolheu. A melhora na sensação de jogo é imediata.
Mito: “Usar a mesma corda do Federer vai me fazer jogar igual”
Esse mito me dá dor de cabeça. O equipamento profissional é uma ferramenta de trabalho afinada para o swing deles. O Roger Federer usava um híbrido de Tripa Natural com Poliéster. O Nadal usa um Poliéster específico (RPM Blast) com tensão altíssima. Isso funciona para eles.
Se um jogador amador com swing médio tenta usar o setup do Nadal, ele vai ter zero potência, zero conforto e uma lesão no cotovelo em duas semanas. A corda não vai trabalhar para ele. O equipamento profissional é feito para jogadores que geram uma velocidade de swing absurda e precisam de controle máximo.
Pare de copiar o profissional. Seja honesto com seu próprio jogo. Você precisa de ajuda com potência? Precisa de conforto? Use a corda do Federer ou do Nadal apenas se você for o Federer ou o Nadal. Para o resto de nós, a escolha deve ser baseada no nosso nível, estilo e, principalmente, na saúde do nosso braço.
Comparativo Rápido: O “Jogo Curto” dos Materiais
Para facilitar sua vida, preparei um quadro rápido. Pense nisso como uma “cola” para sua próxima ida à loja de tênis. Aqui comparamos os três principais tipos de corda (Poliéster, Multifilamento e Tripa Natural) nas características que mais importam.
| Característica | Poliéster (Monofilamento) | Multifilamento (Sintético) | Tripa Natural |
| Material Principal | Plástico (Poliéster) | Fibras (Nylon, PU) | Serosa Bovina (Animal) |
| Potência | Baixa (Exige seu swing) | Alta (Efeito catapulta) | Muito Alta |
| Controle | Muito Alto | Médio/Baixo | Médio/Alto |
| Potencial de Spin | Muito Alto (Snapback) | Médio/Baixo | Médio |
| Conforto (Braço) | Muito Baixo (Rígido) | Alto (Amortece) | Muito Alto (Mais macia) |
| Durabilidade | Alta (Resistente) | Baixa (Desfia) | Baixa/Média |
| Manutenção da Tensão | Péssima (Morre rápido) | Boa | Excelente (A melhor) |
| Preço | Baixo/Médio | Médio | Muito Alto |
| Ideal Para | Jogador avançado (Spin) | Iniciante/Intermediário (Conforto) | Todos (Performance/Custo) |
O Veredito: Encontrando seu “Match Point”
Ufa, bastante informação. Mas agora você tem o mapa. Você sabe que a corda é o motor da sua raquete. Você sabe a diferença entre a rigidez de um monofilamento e a maciez de um multifilamento. Você entendeu que tensão alta significa controle, e tensão baixa significa potência e conforto.
Não existe “a melhor corda do mundo”. Existe a melhor corda para você. O processo é de descoberta. Não tenha medo de testar. Na sua próxima troca, mude alguma coisa. Se você usa poliéster, peça duas libras a menos. Se você usa multifilamento, tente um híbrido. Anote o que você sentiu.
Converse com seu encordoador. Ele é seu melhor amigo nessa jornada. Explique seu jogo, diga se sente dor, diga o que busca. Um bom profissional vai saber te guiar. Pare de jogar com corda morta. Pare de escolher pela cor. Seu tênis vai evoluir de uma forma que você não imagina quando você finalmente acertar o motor da sua raquete.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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