E aí, campeão! Tudo certo? Pega sua água, senta aí um pouco. Você me perguntou semana passada sobre qual tênis (calçado) usar aqui no saibro. Vi você sofrendo para frear no último treino, quase passando direto da linha de fundo com aquele seu tênis de corrida. Vamos resolver isso.
Jogar no saibro é uma arte. É como xadrez, mas correndo. A quadra é mais lenta, a bola “senta” mais depois do quique e, o mais importante, o chão se move com você. Você não pode simplesmente usar qualquer calçado e esperar o melhor. O saibro exige respeito, e esse respeito começa pelos seus pés.
Não adianta ter a melhor raquete, a corda mais tecnológica, se você não consegue se posicionar para bater na bola. No saibro, seu “footwork” (trabalho de pés) é 70% do ponto. E para ter o footwork correto, você precisa da ferramenta certa. Um tênis errado aqui não só destrói seu jogo, como destrói seu tornozelo. Vamos analisar o que faz um bom “sapato de saibro” e quais são os melhores do mercado.
Ei, aluno! Entenda por que o saibro exige um calçado específico.
Vamos direto ao ponto: o tênis de saibro (clay court) não é uma jogada de marketing. Ele é uma peça de engenharia fundamental para esse tipo de piso. Se você tentar jogar aqui com um tênis de quadra rápida (hard court), você vai perceber duas coisas: primeiro, o solado vai encher de saibro e você vai parecer estar jogando de patins, escorregando na hora de arrancar. Segundo, se você usar um tênis de corrida, o suporte lateral é zero. Na primeira freada mais forte, seu pé vai “vazar” por cima da sola.
O saibro é uma superfície traiçoeira. Ela é composta por camadas, terminando com aquele pó fino de tijolo vermelho. Esse pó funciona como milhões de pequenas esferas. Elas permitem que você deslize (o famoso “slide”) de forma controlada para alcançar uma bola, mas também exigem um tipo de tração muito específico para você parar e mudar de direção. É um equilíbrio delicado entre aderência e deslizamento.
O calçado precisa ser um parceiro nessa dança. Ele tem que te dar confiança para frear com tudo, deslizando os últimos 50 centímetros, e imediatamente te dar “grip” (aderência) para você explodir de volta para o meio da quadra. Se o tênis errar nessa equação, você perde o ponto ou, pior, se lesiona. Por isso, a construção dele é totalmente diferente de qualquer outro calçado esportivo.
O solado: A “espinha de peixe” (Herringbone) não é enfeite.
Olhe debaixo de qualquer tênis feito para o saibro. Você vai ver esse padrão em “zigue-zague”. Chamamos isso de “espinha de peixe” (ou herringbone, em inglês). Esse é o componente mais importante. Esse design não é por acaso e nem é estético. Ele é feito para funcionar em conjunto com o pó de tijolo solto. As ranhuras são profundas e desenhadas em ângulos específicos para, ao mesmo tempo, permitir que o saibro entre e saia facilmente.
Se você usa um solado de quadra rápida, aqueles padrões de “colmeia” ou pontos de pivô, o saibro vai compactar ali dentro. Em dois minutos, seu solado vira uma placa lisa de barro vermelho. Você perde toda a tração. A espinha de peixe, por outro lado, usa o próprio saibro para criar aderência. Quando você freia, as bordas do zigue-zague “mordem” o piso. Quando você arranca, o padrão ajuda a expelir o excesso de pó, limpando o solado para o próximo passo.
Além disso, a borracha usada em solados de saibro (clay) é geralmente um pouco mais macia. Isso pode parecer contraintuitivo, já que o saibro é abrasivo, mas a borracha mais macia se molda melhor às irregularidades do piso, garantindo máximo contato com o solo. É por isso que você NUNCA deve usar seu tênis de saibro no cimento. Você vai “lixar” e destruir esse solado delicado em poucas semanas.
Suporte lateral: Preparando-se para o “slide”.
Aqui está o segundo pilar. No saibro, você não “para” de correr; você “desliza” até parar. É o famoso slide. Esse movimento, que o Guga e o Nadal fazem parecer tão fácil, coloca uma pressão absurda na parte lateral (externa) do seu tênis. Você está jogando todo o peso do seu corpo, em velocidade, contra a lateral do calçado.
Se o “cabedal” (a parte de cima do tênis) for feito apenas de malha (mesh) leve, como um tênis de corrida, seu pé vai simplesmente rasgar o tecido ou, no mínimo, passar por cima da entressola. Isso é uma receita para torcer o tornozelo. Tênis de saibro são construídos com “gaiolas” (cages) laterais, reforços de TPU (um tipo de plástico) ou materiais mais rígidos que seguram seu pé no lugar.
Quando você planta o pé para deslizar, o tênis precisa ser uma parede de contenção. Ele tem que manter seu pé firme e centrado sobre a plataforma (a entressola). É isso que dá a confiança para você buscar aquela bola aberta. Você sabe que pode forçar o limite porque o tênis vai te segurar. Sem esse suporte, seu cérebro instintivamente te freia antes, e você nunca chega na bola.
Durabilidade: Como o saibro “come” o seu tênis.
O saibro é lindo, mas é um predador de calçados. Aquele pó fino é altamente abrasivo. Ele entra em tudo: nas costuras, no tecido, entre o solado e a entressola. Com o tempo, ele age como uma lixa, desgastando o material por dentro e por fora.
O cabedal (upper) de um tênis de saibro precisa ser mais “fechado” e robusto. Muitos usam malhas sintéticas densas ou coberturas de poliuretano (PU) para impedir que o pó entre. Se entrar muito saibro, ele não só desgasta o tênis, mas também seus pés, causando bolhas pela fricção interna. Além disso, a biqueira e a parte interna (medial) são sempre super reforçadas.
Pense no seu movimento de saque, ou no “arrasto” do pé de trás durante um forehand mais agressivo. Você está raspando o tênis no chão. No saibro, esse raspar é como passar o tênis num ralador de queijo. Os modelos específicos para saibro têm uma camada extra de borracha ou material resistente (como o “Drag-On” da Nike ou “Adituff” da Adidas) exatamente nesses pontos de alto desgaste. Um tênis normal teria um buraco ali em um mês.
O “Grand Slam” dos Tênis de Saibro: Os Modelos Favoritos
Certo, agora você entendeu a teoria. Você sabe o porquê. Agora vamos ao quê. Quais são os modelos que nós, professores, recomendamos e que você vê nos pés dos profissionais em Roland Garros? O mercado é dominado por algumas “famílias” principais, cada uma focada em um estilo de jogo: estabilidade, velocidade ou um equilíbrio entre os dois.
Não existe “o melhor tênis” universal. Existe o melhor tênis para você. Você é um jogador de fundo de quadra, que joga pontos longos e precisa de máximo suporte e durabilidade? Ou você é um jogador rápido, agressivo, que sobe à rede e precisa de leveza para arrancar? Seu pé é largo ou fino? Você precisa de mais amortecimento?
Vou te apresentar os “Três Grandes” arquétipos do saibro. O “Tanque de Guerra”, focado em estabilidade absoluta. O “Foguete Leve”, para quem busca velocidade pura. E o “Rei da Estabilidade”, que tenta equilibrar tudo. Preste atenção em como eles se alinham com o seu estilo de jogo.
Asics Gel-Resolution 9 Clay (O Tanque de Guerra)
Se você quer a definição de estabilidade e durabilidade, você está olhando para o Asics Gel-Resolution 9. Esse tênis é um tanque. Ele é a escolha de muitos jogadores de base (baseliners) que dependem de movimentos laterais consistentes e precisam de um tênis que aguente o tranco de horas de treino. A tecnologia DYNAWALL, uma peça de suporte no meio do pé e lateral, é a estrela aqui. Ela funciona como um chassi, impedindo que seu pé torça.
O amortecimento é outro ponto forte. A Asics usa seu famoso sistema GEL no calcanhar e na frente. Isso é ótimo para o saibro, que já é uma superfície mais “macia” para as articulações, mas o GEL ajuda a absorver o impacto das freadas e saltos. O cabedal é robusto, muito bem protegido contra a abrasão do saibro, e o “calce” (ajuste) é firme. Ele realmente “abraça” o pé.
O único “contra” desse modelo é o peso. Por ser tão focado em suporte e durabilidade, ele não é o tênis mais leve do mercado. Você não vai se sentir um “foguete” com ele. Mas se o seu jogo não é baseado em velocidade pura, e sim em consistência, potência do fundo de quadra e segurança em cada passo, é difícil bater o Resolution 9.
Babolat Jet Mach 3 Clay (O Foguete Leve)
Agora vamos para o extremo oposto do espectro. O Babolat Jet Mach 3 é feito para uma coisa: velocidade. Quando você pega esse tênis na mão, a primeira coisa que você nota é o peso. Ele é incrivelmente leve. A Babolat conseguiu isso usando um cabedal chamado Matryx, que usa fibras de Kevlar e poliamida, criando um tecido super resistente, mas muito fino e leve.
A sensação ao usá-lo é de estar “baixo”, bem próximo do chão. Isso te dá uma resposta muito rápida nas mudanças de direção. Se você é um jogador que gosta de “comer” a linha de base, subir para a rede (fazer o approach) e correr para pegar curtinhas (drop shots), o Jet Mach 3 é seu melhor amigo. O solado (feito em parceria com a Michelin, sim, a de pneus) oferece um grip excelente para arrancadas.
Qual o preço dessa leveza? Conforto e durabilidade. Embora seja resistente para o peso que tem, ele não vai durar tanto quanto um Barricade ou um Resolution. Além disso, o amortecimento é mais “seco”, mais responsivo. Você sente mais a quadra, o que é bom para velocidade, mas pode não ser ideal se você precisa de muito amortecimento para os joelhos.
Adidas Barricade Clay (O Retorno do Rei da Estabilidade)
O Adidas Barricade é uma lenda. Por anos, foi o sinônimo de durabilidade e estabilidade no tênis. O modelo passou por umas reformulações estranhas há uns anos, mas a versão atual (Barricade 13) marca um retorno triunfal ao que fez dele famoso. Ele é o meio-termo perfeito entre o “tanque” (Asics Resolution) e o “foguete” (Babolat Jet).
A característica principal do Barricade sempre foi o “Torsion System” no meio do pé, que controla a flexão e a torção, e o chassi robusto. Ele te dá uma sensação de segurança lateral quase tão boa quanto a do Asics, mas parece um pouco mais ágil. O sistema de amarração (cadarço) assimétrico é projetado para travar o pé durante movimentos laterais extremos, e a biqueira Adituff é uma das mais resistentes do mercado contra o desgaste.
Ele é mais pesado que o Jet Mach, sem dúvida, mas mais leve que o Resolution 9. É o tênis para o “contra-atacador moderno”. Alguém que defende bem, mas que precisa de agilidade para transformar a defesa em ataque rapidamente. Se você se considera um jogador “all-around”, que joga tanto no fundo quanto sobe à rede e que é duro com seus calçados, o Barricade é uma escolha muito segura.
Nike no Saibro: Vapor Pro 2 vs. Cage 4 (Velocidade vs. Durabilidade)
Não podemos falar de tênis sem falar da Nike. No saibro, a Nike tem duas linhas principais que representam uma filosofia dividida. De um lado, você tem o Nike Court Vapor, focado em velocidade e “sensação de quadra”. Do outro, o Nike Zoom Cage, o tênis do Nadal (ou pelo menos, inspirado nele), focado em durabilidade absurda e suporte.
A escolha entre eles é uma escolha de identidade. Você quer ser o Sinner, flutuando pela quadra com o Vapor, ou quer ser o Nadal, um trator que se recusa a ceder um centímetro com o Cage? Ambos são excelentes calçados de saibro, mas servem a mestres muito diferentes.
É importante notar que os jogadores profissionais muitas vezes usam versões customizadas (chamadas “pro stock”), mas os modelos de varejo são baseados nessas duas plataformas. Vamos analisar para quem serve cada um.
Foco no Nike Court Vapor Pro 2 Clay
O Vapor é o tênis de “corrida” da Nike para o tênis. A linha Vapor sempre foi sobre leveza e um perfil baixo. O Vapor Pro 2 Clay continua essa tradição. Ele tem uma unidade Zoom Air na frente, que dá aquela sensação de “explosão” na arrancada. O ajuste é mais parecido com o de uma meia, bem justo no pé.
Jogadores que usam o Vapor amam como eles se sentem “conectados” à quadra. Não há excesso de material. É um design minimalista focado em permitir que você se mova o mais rápido possível. A estrutura lateral foi melhorada em relação às versões anteriores, mas ainda é um tênis para quem tem um footwork mais “leve”, que não depende tanto de slides brutos, mas sim de passos rápidos de ajuste.
O solado de saibro dele é ótimo, mas a durabilidade geral é o ponto fraco. O cabedal mais leve e o solado focado em performance se desgastam mais rápido. É um tênis para o jogador que valoriza a velocidade acima da longevidade do produto. Se você quer sentir o pé “livre”, o Vapor é uma sensação fantástica.
Foco no Nike Rafa Cage 4 Clay (agora Zoom Cage)
Do outro lado, temos a fortaleza. O Cage 4 (que evoluiu para o Zoom Cage) é, literalmente, uma gaiola para o seu pé. Ele foi desenhado para aguentar o jogo mais brutal do circuito: o de Rafael Nadal no saibro. O tênis é uma obra-prima de durabilidade. O cabedal é coberto por um material emborrachado (Kurim) exatamente nos locais onde o Nadal destrói seus tênis ao deslizar.
O Cage é mais alto, mais pesado e tem uma unidade Max Air gigante no calcanhar para absorver os impactos de horas de batalha. A estabilidade lateral dele é incomparável. Você pode se jogar num slide com 100% de confiança, sabendo que a estrutura vai te segurar. Ele é feito para o “grinder”, o “ralador”, o jogador que vai brigar por todas as bolas e que destrói um par de tênis normal em três semanas.
O ponto negativo é óbvio: peso e agilidade. Você se sente mais “lento” com ele. A sensação de quadra é mais filtrada. Não é um tênis para quem gosta de subidas rápidas à rede. É um tênis para quem vive e morre na linha de base, moendo o adversário.
Qual escolher para o seu jogo?
A decisão entre o Vapor e o Cage é um reflexo direto do seu jogo. Se você é um jogador leve, rápido, que gosta de variar o jogo, usar curtinhas e fazer saque-e-voleio, o Vapor Pro 2 vai complementar seu estilo. Ele é uma extensão da sua velocidade natural.
Agora, se você é um jogador fisicamente forte, que joga pontos longos, baseia seu jogo em trocas pesadas do fundo e precisa de um tênis que aguente seis meses de abuso, o Cage é a escolha. Ele te dá a plataforma de estabilidade necessária para soltar o braço sem medo de o pé escorregar.
Pense assim: o Vapor é um carro de Fórmula 1, rápido e ágil, mas frágil. O Cage é um tanque de guerra, lento para arrancar, mas indestrutível na batalha. Qual piloto é você?
Comparativo Rápido: Colocando os Gigantes Lado a Lado
Certo, falei bastante. Às vezes, ver lado a lado ajuda a clarear as coisas. Vamos colocar os três modelos principais que analisamos (o “Tanque”, o “Foguete” e o “Equilibrado”) em uma tabela. Isso vai te ajudar a visualizar onde cada um ganha e perde.
Lembre-se, “Durabilidade” aqui não é só o solado, mas também o cabedal (parte de cima) e a biqueira. “Estabilidade” é a capacidade de segurar seu pé em movimentos laterais (slides). “Velocidade” é uma combinação de peso leve e responsividade (sensação de arranque).
Não se prenda apenas ao “vencedor” de uma categoria. O Asics ganha em estabilidade, mas talvez seja estável demais para você, te deixando lento. O Babolat ganha em velocidade, mas talvez seja leve demais e você sinta falta de amortecimento. Use esta tabela como um guia para entender os perfis de cada um.
| Característica | Asics Gel-Resolution 9 Clay | Babolat Jet Mach 3 Clay | Adidas Barricade Clay |
| Arquétipo Principal | Estabilidade Absoluta (O Tanque) | Velocidade Pura (O Foguete) | Equilíbrio (O Guerreiro All-Around) |
| Peso | Alto | Muito Baixo | Médio-Alto |
| Estabilidade Lateral | ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ (Máxima) | ⭐️⭐️⭐️ (Boa) | ⭐️⭐️⭐️⭐️ (Excelente) |
| Durabilidade | ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ (Máxima) | ⭐️⭐️⭐️ (Boa) | ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ (Máxima) |
| Amortecimento | ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ (Macio/Plush) | ⭐️⭐️ (Responsivo/Seco) | ⭐️⭐️⭐️⭐️ (Firme/Responsivo) |
| Sensação de Velocidade | ⭐️⭐️ (Baixa) | ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ (Máxima) | ⭐️⭐️⭐️ (Média) |
| Ideal para… | Jogadores de fundo (baseliners) que buscam segurança e durabilidade. | Jogadores agressivos, rápidos, que sobem à rede e valorizam leveza. | Jogadores “all-court” que são duros com os calçados e precisam de estabilidade e agilidade. |
Ajustando seu jogo ao calçado (Técnica)
Ótimo. Você foi lá, experimentou e comprou seu primeiro par de tênis de saibro. Você está com o Asics Resolution 9, sentindo o pé “travado” aí dentro. Agora, não pense que o tênis faz o trabalho sozinho. Você acabou de comprar uma ferramenta de precisão. Agora você precisa aprender a usá-la.
Jogar no saibro com o equipamento certo muda seu jogo, mas exige que você mude seu jogo. Seu footwork não pode ser o mesmo da quadra rápida. Na quadra rápida, você corre, “planta” o pé, bate e pivota. Se você tentar “plantar” o pé com tudo no saibro, você vai escorregar de um jeito feio.
Você precisa reprogramar seus pés. O saibro é sobre “fluir” pela quadra, não sobre “explodir” nela. Trata-se de usar o deslizamento (slide) a seu favor, economizar energia e estar pronto para a próxima bola. O tênis correto é o que permite essa fluidez.
O “footwork” específico para o saibro.
No saibro, tudo se resume a “passos de ajuste”. Como a bola vem mais lenta e quica mais alta, você tem mais tempo. O erro do iniciante é usar esse tempo para ficar parado. Errado. Você deve usar esse tempo para dar mais passos, pequenos e rápidos, para se posicionar perfeitamente. O tênis de saibro, com o solado herringbone, te dá a tração para esses ajustes finos.
Quando você for para uma bola larga, você vai correr e, no último segundo, usar o slide para frear. Mas a recuperação é tão importante quanto. Para voltar ao meio, você não pode simplesmente “pivotar” como na quadra dura. Você precisa usar um passo cruzado (crossover step) para “empurrar” o saibro e arrancar.
Nós treinamos muito isso. Correr, deslizar, bater (muitas vezes em uma postura mais “aberta”, o open stance), e imediatamente dar o passo cruzado para voltar. O seu tênis de saibro é feito para morder o chão nessa arrancada de recuperação. Confie nele.
Aprendendo a deslizar (o “slide”) com segurança.
Vamos falar do slide. Ele parece bonito na TV, mas é uma técnica funcional. Ele permite que você mantenha o equilíbrio enquanto freia, te dando mais tempo para preparar o golpe e se recuperar. Mas tem que ser feito do jeito certo, ou você vai visitar o fisioterapeuta.
O slide controlado é feito com a perna externa (a mais distante da bola). Você entra no slide com o joelho dobrado, o corpo baixo, e o tênis “deitado” de lado, usando a borda lateral e o solado para frear. É aqui que aquele suporte lateral que falamos (do Resolution ou do Cage) entra em ação. Ele segura seu pé.
Nunca tente deslizar com a perna interna (a mais próxima da bola). Isso trava o joelho e o tornozelo. Nós treinamos isso sem bola primeiro. Correr até o “T” e praticar o slide. Correr até a lateral e praticar o slide. Você precisa sentir o ponto exato onde o solado “morde” o saibro e te para. É uma questão de confiança no equipamento.
A transição do saibro para a quadra rápida (e vice-versa).
Este é um aviso sério. O seu tênis de saibro fica NO SAIBRO. O seu tênis de quadra rápida fica NA QUADRA RÁPIDA. O erro mais perigoso que vejo é o aluno se acostumar a deslizar no saibro e tentar fazer o mesmo na quadra rápida.
Na quadra rápida (cimento ou asfalto), a borracha do solado tem 100% de aderência. Não há pó de tijolo para deslizar. Se você tentar um slide lá, o tênis vai parar instantaneamente. O seu pé vai parar, mas seu corpo (e seu joelho, e seu tornozelo) vai continuar. É assim que acontecem as piores lesões.
Da mesma forma, usar o tênis de quadra rápida aqui no saibro é inútil, como já falamos. Você não vai conseguir frear, vai encher o solado de barro e não terá o suporte lateral adequado. Tenha dois pares de tênis. É um investimento na sua saúde e no seu jogo.
Cuidando do seu “equipamento” (Manutenção)
Você fez o investimento. Comprou um calçado tecnológico. Agora, trate-o bem. Um tênis de saibro bem cuidado dura o dobro do tempo. Um tênis negligenciado morre em dois meses. E o culpado é sempre o mesmo: aquele pó vermelho.
Como eu disse, o saibro é abrasivo. Deixar o tênis sujo dentro da sua raqueteira é a pior coisa que você pode fazer. O pó vai corroendo as costuras, ressecando a cola e endurecendo o tecido. Você precisa de 5 minutos depois de cada jogo para garantir que seu investimento valeu a pena.
Não tenha preguiça. Cuidar do equipamento faz parte da disciplina de um tenista. Um tênis limpo e bem cuidado não é só estética, é performance. Um solado entupido de saibro velho e úmido não funciona.
A limpeza correta após o jogo (Tirar o pó vermelho).
Regra número um, antes mesmo de sair da quadra: bata um tênis contra o outro. Com força. Vire-os de cabeça para baixo e bata as solas. Isso vai tirar 80% do saibro compactado nas ranhuras da espinha de peixe. Se você não fizer isso, esse saibro vai secar e virar cimento.
Chegando em casa, pegue uma escova (pode ser uma escova de roupa velha, de cerdas mais duras) e, com o tênis seco, escove o solado vigorosamente. Tire tudo que ficou nas ranhuras. Depois, use um pano levemente úmido para limpar o cabedal. Tire o pó da superfície.
JAMBIS EM HIPÓTESE ALGUMA coloque o tênis na máquina de lavar. O calor e a água vão destruir a estrutura de suporte (o TPU, o DYNAWALL) e deformar a entressola. O tênis vai ficar “mole” e perder toda a estabilidade. Deixe secar na sombra, com a palmilha para fora.
Quando é a hora de trocar o tênis? (O desgaste do solado).
O seu tênis “morre” quando o solado fica liso. Aquele padrão espinha de peixe é o que te dá tração. Quando as ranhuras desaparecem, o tênis vira um patins. Você vai começar a escorregar na hora de arrancar, não só na hora de frear.
Os pontos críticos de desgaste são debaixo do “dedão” (o ponto de pivô) e no calcanhar. Passe o dedo ali. Se você não sentir mais as ranhuras profundas, se estiver liso, é hora de trocar. Não espere fazer um buraco. Um tênis “careca” é perigoso, pois a freada se torna imprevisível.
A durabilidade varia. Se você joga 2 vezes por semana, um bom tênis de saibro (como o Barricade ou Resolution) deve durar uns 6-8 meses. Um Jet Mach talvez dure 4-5. Mas se o solado estiver liso, o tênis acabou, mesmo que o cabedal pareça novo.
O erro de usar o tênis de saibro fora da quadra.
Isso aqui me dá calafrios. Vejo aluno saindo da quadra e indo para o estacionamento, para o mercado, passear com o cachorro usando o tênis de saibro. Você está cometendo um assassinato de calçado.
Como eu disse, o solado de saibro é feito de uma borracha mais macia, otimizada para “morder” o pó de tijolo. O asfalto e o cimento do estacionamento são lixas gigantes. Você vai desgastar mais o seu solado em 10 minutos de caminhada no asfalto do que em 2 horas de jogo no saibro.
Tenha um chinelo ou um tênis de passeio na sua mochila. Troque de calçado antes de sair da área da quadra. Seu tênis de saibro só pisa em duas superfícies: saibro e, no máximo, o chão do vestiário. Trate-o como uma ferramenta especialista, pois é exatamente isso que ele é.
Ufa. Acho que cobrimos tudo. O calçado certo no saibro é o seu alicerce. Ele te dá confiança para correr, deslizar e atacar. Escolha o modelo que se encaixa no seu pé e no seu estilo de jogo, aprenda a usá-lo com a técnica correta e cuide bem dele. Agora, vamos lá bater umas bolas, quero ver esse slide funcionando!

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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