E aí, campeão. Tudo certo? Pega a garrafa d’água, senta aí no banco um minuto. Você acabou de testar a Pure Aero e veio com aquela pergunta que eu ouço toda semana: “Professor, essa raquete é o segredo? É ela que vai me dar o spin do Nadal?”
Vamos conversar sobre isso. É uma pergunta muito boa, e a resposta é mais interessante do que um simples “sim” ou “não”. A Babolat fez um trabalho de marketing incrível ligando essa raquete (e essa cor amarela chamativa) ao maior “spinnner” (jogador que bate com muito spin) da história. Mas como seu técnico, meu trabalho é separar o marketing da realidade da quadra.
A verdade é que nenhuma raquete faz milagre. O segredo para mais rotação nunca está só na raquete. O segredo está, antes de tudo, no seu corpo. Está na sua técnica, na velocidade da sua mão, na forma como você “limpa o para-brisa” no final do golpe. Dito isso, algumas ferramentas são melhores que outras para certos trabalhos. Você não tenta apertar um parafuso com um martelo, certo? A Pure Aero é uma ferramenta desenhada especificamente para maximizar o spin que o seu corpo já sabe (ou está aprendendo a) gerar.
O Básico: O que é “Spin” e Quem Realmente o Produz?
Antes de falarmos da ferramenta, vamos falar do trabalho a ser feito. Muita gente fala “bater com spin” como se fosse uma coisa só, mas não é. O spin é a rotação que colocamos na bola. Essa rotação muda drasticamente a trajetória dela no ar e, mais importante, como ela quica na quadra do adversário. Entender isso é o primeiro passo para dominar o jogo moderno.
Quando você vê um profissional batendo aquela bola que parece que vai sair um metro fora, mas “mergulha” e cai dentro da linha de base, isso é o topspin. É o efeito que faz o tênis de hoje ser tão físico e tão baseado no fundo da quadra. Sem ele, a potência que os jogadores usam hoje mandaria 90% das bolas na grade.
O spin é o que dá controle à potência. Ele é a sua margem de segurança. Quanto mais spin você coloca, mais alto você pode passar a bola por cima da rede e ainda assim fazê-la cair dentro da quadra. É física pura. E quem faz isso? Você. Seu corpo. Sua técnica.
Definindo o Topspin: A física da “bola pesada”
Vamos para a “sala de aula” rapidinho. O topspin é a rotação para frente. Quando você bate na bola, sua raquete se move de baixo para cima, “escovando” as costas da bola. Isso faz a bola girar para frente, na mesma direção do movimento dela. No ar, essa rotação briga com o ar (um efeito chamado Efeito Magnus) e cria uma zona de alta pressão em cima da bola e baixa pressão embaixo. O resultado? A bola é empurrada para baixo.
É por isso que o Nadal consegue bater tão forte e tão alto. A bola dele “mergulha” no final. E o quique? O quique é o que chamamos de “bola pesada”. Quando a bola com topspin bate no chão, a rotação para frente faz ela “agarrar” o piso e pular para frente e para cima, acelerando em direção ao peito do adversário. É um quique alto, venenoso, que empurra o outro jogador para trás da linha de base.
Gerar esse efeito exige um swing vertical. Você não pode bater “chapado” (reto) e esperar topspin. Você precisa entrar “por baixo” da bola, acelerar a cabeça da raquete e terminar o movimento lá em cima, por cima do ombro. É um movimento que exige energia, coordenação e, principalmente, aceleração da cabeça da raquete no momento do impacto.
O Slice não é só defesa: A rotação para trás
Agora, vamos falar do outro lado da moeda: o backspin, ou como gostamos de chamar, o slice. Se o topspin é uma rotação para frente, o slice é uma rotação para trás. Em vez de entrar de baixo para cima, você entra na bola de cima para baixo, como se estivesse “fatiando” ela. A bola gira para trás durante o voo.
O que isso faz? O Efeito Magnus age ao contrário. Ele cria uma sustentação, fazendo a bola “flutuar” um pouco mais e viajar de forma mais reta e baixa. E o quique? É o oposto do topspin. Quando a bola com slice bate no chão, a rotação para trás freia a bola. Ela quica baixo, “morre” na quadra, e às vezes até “derrapa” ou muda de direção, especialmente na grama ou no saibro.
Muitos jogadores pensam no slice só como um golpe defensivo, para ganhar tempo quando estão fora de posição. Mas ele é uma arma tática incrível. Você pode usar o slice para quebrar o ritmo de um batedor de fundo, para trazer o oponente para a rede com um drop shot (que é um slice extremo) ou para dar uma “machadada” na devolução de saque. É um golpe de toque, de controle.
A Verdade Nua e Crua: Seu braço é o motor, a raquete é a transmissão
Aqui está o ponto principal desta conversa, aluno. Preste atenção. O spin é gerado 90% pela sua técnica. É a velocidade que você consegue gerar na cabeça da raquete (o famoso “snap” do pulso) e o ângulo de ataque (o quão vertical é seu swing) que ditam a quantidade de rotação (RPMs – Rotações Por Minuto) que você coloca na bola.
Se você tem um swing curto, travado, e bate na bola de forma “chapada”, com uma empunhadura Continental (aquela de sacar), você pode jogar com a Pure Aero, com a raquete do Nadal customizada, e a bola não vai girar. Você vai apenas mandar uma bola rápida e sem controle para a lona. A raquete não “cria” spin do nada. Ela não tem um motorzinho dentro.
O que raquetes como a Pure Aero fazem é potencializar o spin. Elas são desenhadas para tornar mais fácil para você gerar essa velocidade de swing. Elas são desenhadas para “morder” a bola um pouco mais no impacto, permitindo que as cordas façam seu trabalho. Pense na raquete como uma transmissão de um carro de corrida. O seu braço é o motor. Um motor potente com uma transmissão ruim (uma raquete inadequada) desperdiça energia. Um motor potente com uma transmissão de alta performance (a Pure Aero) transfere cada cavalo de potência para o asfalto (ou, no caso, para a bola).
Desenhada para Girar: A Anatomia de uma Raquete de Spin (Como a Pure Aero)
Agora que entendemos quem faz o spin (você), vamos entender como a ferramenta (a Pure Aero) ajuda. A Babolat não chama essa linha de “Aero” à toa. O foco principal do design dela, desde a primeira versão (a AeroPro Drive, que o Nadal usou por anos), é a aerodinâmica. Eles querem que essa raquete corte o ar com o mínimo de resistência possível.
Quando você pega uma Pure Aero e uma raquete mais “clássica”, de perfil fino (como uma Pro Staff), e apenas balança as duas no ar, você sente a diferença. A Pure Aero parece mais rápida, mais leve no swing, mesmo que o peso estático (os 300g) seja o mesmo. Isso não é mágica, é engenharia.
Essa velocidade extra de swing que o design permite se traduz diretamente em mais potencial de spin. Lembre-se: velocidade da cabeça da raquete é o ingrediente número um para a rotação. Ao reduzir o arrasto do ar, a Babolat permite que você acelere a raquete mais facilmente no momento crucial do impacto, conseguindo aquela “escovada” mais rápida e mais viciosa.
Aerodinâmica é Rei: Como o design do aro (AeroModular) acelera seu swing
Olhe bem para o “coração” da raquete, aquela parte em V acima do cabo. Você vai notar que ela não é arredondada ou quadrada. Ela tem ângulos, quase como uma forma hexagonal. Agora olhe para o aro (a cabeça da raquete). Ele também é desenhado com um perfil específico. A Babolat chama isso de tecnologia “AeroModular”.
Esse design é o resultado de testes em túnel de vento, muito parecido com o que fazem com carros de Fórmula 1 ou bicicletas de contra-relógio. O objetivo é fazer o ar fluir ao redor da raquete da forma mais eficiente possível durante o seu swing, que é um movimento complexo, e não apenas um movimento reto.
Para o jogador de fundo de quadra moderno, que bate com empunhaduras Semi-Western ou Western, o swing é muito vertical (o “limpa para-brisa”). O design da Pure Aero é otimizado para esse tipo de swing. Ela corta o ar mais rápido justamente nesse movimento de baixo para cima, incentivando e recompensando a técnica correta de topspin. Você sente que a raquete “quer” acelerar para cima.
O “Snapback”: A mágica do padrão de cordas 16×19 e os grommets FSI
Se a aerodinâmica é a primeira parte da equação do spin, o “snapback” é a segunda. E essa é talvez a parte mais importante. “Snapback” é o termo que usamos para o movimento da corda durante o impacto. Quando a bola acerta as cordas, elas se movem. Em uma raquete de spin, as cordas principais (as verticais) são desenhadas para deslizar lateralmente e depois voltar violentamente para o lugar.
Olhe para o padrão de cordas. É um 16×19. Isso é considerado um padrão “aberto”. Tem menos cordas cruzadas do que um padrão “fechado” (como 18×20). Menos cordas significam mais espaço entre elas. Esse espaço permite duas coisas: primeiro, a bola “afunda” mais no encordoamento, aumentando o tempo de contato (dwell time). Segundo, e mais crucial, dá às cordas principais espaço para se moverem.
A Babolat melhorou isso com o que eles chamam de “FSI Spin” (Frame String Interaction). Se você olhar os “grommets” (os buraquinhos por onde a corda passa) em algumas partes da raquete, eles são mais largos, com formato de diamante. Isso permite que as cordas se movam ainda mais. No impacto com a bola, as cordas verticais deslizam para o lado e, quando a bola está saindo, elas “estalam” (snap back) de volta ao lugar, dando um “peteleco” extra na bola, gerando ainda mais rotação.
Rigidez e Potência: Por que raquetes de spin “soltam” mais a bola
Pegue a raquete e tente torcer o aro. É difícil, certo? A Pure Aero é uma raquete bem “rígida” (alto RA). Diferente de raquetes flexíveis, que “dobram” no impacto e absorvem a energia (dando mais controle e “feel”), uma raquete rígida não dobra. Ela transfere quase toda a energia do seu swing (e do impacto da bola) de volta para a bola. O resultado? Potência. Muita potência.
Essa potência é uma faca de dois gumes. Para o spin, ela é ótima. Como a raquete “solta” a bola muito rápido (é uma “cama elástica” potente), você não precisa fazer tanta força para gerar velocidade. Você pode se concentrar em fazer um swing rápido e vertical para o spin, e a raquete cuida de dar profundidade à bola. É o que chamamos de “potência fácil” ou “free power”.
O lado negativo é que essa rigidez pode ser desconfortável para o braço se sua técnica não for boa, ou se você bater fora do “sweetspot” (ponto doce). Além disso, essa potência toda precisa do spin para ser controlada. Se você bater chapado com uma Pure Aero, a bola vai para a lua. A raquete é desenhada com a premissa de que você vai bater com spin para fazer a bola cair. Ela força você a usar o efeito.
Em Quadra: Como a Pure Aero Traduz Tecnologia em Golpes?
Tudo isso que falamos – aerodinâmica, snapback, potência – soa muito bem no papel. Mas e na quadra? Como isso muda o seu jogo quando você está 0-30 no saque do adversário? A resposta é: depende do golpe. A Pure Aero é uma raquete especialista. Ela é fenomenal em algumas áreas e… digamos… “apenas competente” em outras.
Onde ela brilha é óbvio: do fundo da quadra. Qualquer golpe onde você tenha tempo de preparar e acelerar o braço de baixo para cima será recompensado. O “sweetspot” (ponto doce) dela é generoso, localizado um pouco mais para a parte de cima da cabeça, exatamente onde os jogadores modernos de topspin tendem a fazer contato.
Quando você acerta em cheio, a sensação é viciante. A bola sai da raquete com uma mistura de velocidade e rotação que é difícil de conseguir com outros modelos. Você sente que pode mirar mais alto sobre a rede, com mais margem, e a bola ainda assim vai “cair” com peso e profundidade, incomodando quem está do outro lado.
Fundo de Quadra: O paraíso dos “spinners” e a margem de segurança
O forehand é o carro-chefe. Se você é um jogador que baseia seu jogo em construir o ponto com o forehand, usando o spin para abrir a quadra ou empurrar o adversário para trás, essa raquete parece um membro extra do seu corpo. Ela te dá uma confiança enorme para “soltar o braço”. Sabe aquela bola curta que pinga no meio da quadra? Com a Pure Aero, seus olhos vão brilhar. Você pode atacar essa bola com tudo, aplicando spin máximo, e a bola vai pular no ombro do seu oponente.
O backhand de duas mãos também se beneficia muito da estabilidade e do potencial de spin. Você consegue angular a bola com mais facilidade e manter a profundidade mesmo em trocas mais pesadas. Já no backhand de uma mão, ela ainda é boa, mas alguns jogadores podem sentir a rigidez um pouco demais, preferindo raquetes mais flexíveis para mais “toque”.
A grande vantagem que você vai sentir é a “margem”. Você vai começar a perceber que não precisa mais mirar tão perto das linhas ou tão rente à rede. Você pode mirar um metro acima da rede e a bola vai cair. Isso diminui seus erros não forçados drasticamente. E no tênis, quem erra menos, ganha mais.
O Saque “Kick”: Como ela facilita “expulsar” o oponente da quadra
Agora vamos falar do saque. No primeiro saque, o “chapado”, ela é potente. A rigidez e a aerodinâmica ajudam a gerar velocidade. Mas onde ela realmente muda o jogo é no segundo saque. O saque “kick” (com topspin ou sidespin) fica absolutamente venenoso.
Lembra da física do topspin? O movimento do saque kick é o mais vertical de todos os golpes no tênis. Você joga a bola um pouco para trás da cabeça e “escova” ela de baixo para cima, com violência. A Pure Aero, otimizada para esse movimento, acelera no ar como nenhuma outra. O resultado é um segundo saque que não é apenas para “colocar a bola em jogo”.
O seu saque kick vai pular alto, muito alto. Se o seu adversário for destro, o kick no lado da “vantagem” vai tirar ele da quadra, abrindo um espaço enorme para você atacar no golpe seguinte. A confiança que essa raquete dá no segundo serviço é algo notável. Você para de ter medo de errar o segundo saque e começa a usá-lo como uma arma tática.
Voleios e Defesa: Onde a especialização em spin cobra seu preço
Tudo bem, professor, mas e na rede? E nos slices? Aqui é onde a especialização dela cobra um preço. Não me entenda mal, ela não é ruim na rede. Sendo uma raquete rígida, ela é muito estável. Em voleios de bloqueio, onde você só coloca a raquete na frente, ela é sólida. Mas ela não tem o “toque” (feel) de uma raquete de controle.
Por ter um perfil grosso e ser muito potente, sentir os voleios mais curtos, os “drop-voleios” ou voleios angulados, exige mais habilidade. A bola tende a “pular” da raquete muito rápido. Você precisa ter a mão muito firme e calibrada. Não é uma raquete que te ajuda a “amortecer” a bola.
A mesma coisa vale para o slice defensivo. Ela até gera um bom slice, mas a sensação não é “amanteigada”. É um slice mais seco, mais rápido. Em situações de defesa, onde você está esticado e precisa de toque para levantar um lob ou dar um slice curto, ela pode parecer um pouco “bruta” demais. Ela foi feita para atacar com spin, não para defender com toque.
A Garagem das “Máquinas de Spin”: Comparativo de Mercado
Você não achou que a Babolat estava sozinha nessa festa, achou? O sucesso da Pure Aero criou uma categoria inteira de raquetes: as “máquinas de spin”. Outras marcas viram o que Nadal e a Babolat fizeram e correram para criar suas próprias concorrentes. E vou te dizer, algumas delas são muito, muito boas.
As principais concorrentes diretas da Pure Aero (que geralmente fica na faixa de 300g, cabeça 100) são a linha Yonex VCore e a linha Head Extreme. Todas elas compartilham o mesmo DNA: perfil de aro mais grosso, padrão de cordas aberto (16×19), foco em aerodinâmica e uma plataforma rígida para potência e spin.
A escolha entre elas é muito pessoal. É como escolher entre um carro da BMW, um da Mercedes ou um da Audi. Todos são excelentes, mas cada um tem uma “sensação” diferente. A única forma de saber é testando. Mas como seu técnico, eu posso te dar o “scouting report” (a análise) de cada uma delas.
Babolat Pure Aero vs. Yonex VCore
A Yonex VCore é a grande rival. A sensação dela é um pouco diferente. A Yonex é famosa por sua cabeça de formato “isométrico” (um pouco mais quadrada no topo). Isso, segundo eles, aumenta o sweetspot em relação às cabeças ovais tradicionais. Em quadra, a VCore é conhecida por ter um “feel” um pouco mais macio, mais “flexível” que a Pure Aero.
Enquanto a Pure Aero é pura potência bruta e spin, a VCore te dá quase o mesmo nível de spin, mas com um pouco mais de controle e conforto. Ela parece “segurar” a bola nas cordas por um milissegundo a mais. Se você testou a Pure Aero e achou ela um pouco “dura” ou “seca” demais para o seu braço, a VCore 100 é a primeira raquete que eu colocaria na sua mão para testar.
Muitos jogadores que buscam spin, mas que também gostam de variar o jogo e precisam de um pouco mais de toque, acabam migrando para a VCore. Ela é uma máquina de spin um pouco mais “civilizada”, digamos assim. A Pure Aero é o “muscle car” americano, a VCore é o esportivo japonês de alta tecnologia.
Babolat Pure Aero vs. Head Extreme
A linha Extreme da Head é a outra grande competidora. Historicamente, ela era conhecida por ser a mais potente (e talvez a mais rígida) do grupo. A Head foca muito na sua tecnologia “Auxetic” para dar uma sensação de impacto mais conectada, e o design do aro também é otimizado para spin, com “Spin Grommets” que permitem mais movimento das cordas.
Em comparação direta, a Head Extreme (especialmente a versão MP) muitas vezes parece “soltar” mais a bola até do que a Aero. É uma verdadeira catapulta. O potencial de spin é massivo, talvez no mesmo nível da Babolat, mas a sensação é diferente. Alguns acham a Head mais “abafada” (dampened) no impacto, enquanto a Pure Aero é mais “crisp” (seca, direta).
Se a Pure Aero é a raquete do Nadal, a Extreme é a do Matteo Berrettini (embora ele use um modelo antigo pintado). Isso te dá uma ideia do estilo de jogo: pancada e spin. Para jogadores que querem o máximo de potência e spin e não se preocupam tanto com o toque refinado, a Extreme é uma escolha fantástica.
Tabela Comparativa (Aero, VCore, Extreme)
Vamos colocar lado a lado as versões “padrão” de 300g, que são as mais populares:
| Característica | Babolat Pure Aero (100) | Yonex VCore 100 | Head Extreme MP |
| Peso (sem corda) | 300g | 300g | 300g |
| Tamanho da Cabeça | 100 sq. in. | 100 sq. in. (Isométrica) | 100 sq. in. |
| Padrão de Cordas | 16×19 | 16×19 | 16×19 |
| Potencial de Spin | Extremo | Extremo | Extremo |
| Nível de Potência | Alto | Médio-Alto | Muito Alto |
| Conforto (Rigidez) | Rígida (sensação “crisp”) | Média-Rígida (sensação “flex”) | Rígida (sensação “abafada”) |
| Ponto Forte | Velocidade do swing (Aero) | Conforto e Sweetspot (Isométrico) | Potência Bruta |
| Ideal Para | O “Aero” é rápido e potente | O “VCore” é mais macio e controlado | O “Extreme” é uma catapulta de spin |
(Novo) Ajuste Fino: Maximizando o Spin Além da Raquete
Certo, você escolheu sua arma. Você está com a Pure Aero na mão. O trabalho acabou? De jeito nenhum. Agora começa o “ajuste fino”. Comprar uma raquete de spin e não pensar nas cordas e na empunhadura é como comprar uma Ferrari e colocar pneu de bicicleta nela. Você não vai usar 10% do potencial dela.
A raquete é uma plataforma. O que realmente faz a “mágica” do snapback acontecer é a interação da raquete com as cordas. E o que permite que seu braço crie o swing vertical é a sua empunhadura. Vamos ajustar essa máquina para você.
Muitos jogadores gastam uma fortuna na raquete e depois economizam nas cordas, ou pedem para encordoar com “qualquer coisa” ou “a tensão de fábrica”. Isso é um erro grave. A corda e a tensão são tão importantes quanto a raquete, especialmente em um modelo focado em spin como este.
O Papel das Cordas: Por que Poliéster (Co-Poly) é o parceiro ideal
Se você olhar para os profissionais que usam a Pure Aero (Nadal, Alcaraz), o que eles têm em comum? Eles usam cordas de poliéster (ou “co-poly”). Essas cordas são mais rígidas e têm uma característica única: elas são “lisas” e de baixa fricção. Isso parece o oposto do que você quer para “morder” a bola, certo?
Errado. Lembre-se do “snapback”. As cordas de poliéster deslizam umas sobre as outras com extrema facilidade. Quando você bate, a corda principal (vertical) desliza sobre a transversal (horizontal), e por ser “dura” e ter “memória”, ela volta para o lugar com uma velocidade absurda. É esse movimento de “estilingue” da corda de poliéster que gera a maior parte do spin mecânico.
Nunca, jamais, coloque uma corda de tripa sintética (synthetic gut) ou multifilamento macia em uma Pure Aero e espere o spin máximo. Essas cordas “grudam” umas nas outras e não deslizam. Elas são confortáveis, mas “matam” o snapback. A Pure Aero foi desenhada para ser usada com poliéster. A própria Babolat vende o RPM Blast (corda preta do Nadal) exatamente para isso.
Tensão da Corda: O equilíbrio entre controle e “mordida” na bola
Tudo bem, professor, poliéster. Mas qual tensão? 50 libras? 55? 60? Aqui está a regra: em raquetes de spin, tensões mais baixas (dentro do razoável) geralmente geram mais spin e potência. Antigamente, achava-se que tensão alta dava mais controle. Mas com cordas de poliéster, o controle vem do spin.
Uma tensão mais baixa (vamos dizer, 48-52 libras) permite que a bola afunde mais no encordoamento. Isso aumenta o tempo de contato e permite que as cordas se movam mais, maximizando o snapback. Você ganha uma “cama elástica” mais potente e que “morde” mais a bola.
Se você colocar uma tensão muito alta (58 libras, por exemplo) em uma corda de poliéster em uma raquete já rígida como a Pure Aero, você vai transformar sua raquete em uma “tábua”. Vai ficar desconfortável, vai perder potência e, ironicamente, vai perder spin, porque as cordas não vão conseguir se mover. Comece com uma tensão média-baixa (tipo 50) e ajuste a partir daí.
A Empunhadura Certa: Como o Semi-Western e o Western abrem as portas do spin
Finalmente, a peça mais importante: sua mão. Você não vai conseguir gerar topspin com uma empunhadura Continental (a de sacar ou volear). É fisicamente impossível “escovar” a bola de baixo para cima com essa pegada. Você precisa “fechar” a mão, ou seja, girar sua mão mais para baixo do cabo.
A empunhadura mínima para o jogo de spin moderno é a Semi-Western. É a mais popular. Nela, o “calo” da sua mão (a base do dedo indicador) fica na face número 4 do cabo (contando a face de cima como 1). Essa pegada coloca a face da raquete naturalmente um pouco fechada (apontando para o chão), o que te força a entrar por baixo da bola e subir.
Jogadores extremos (como o Nadal antigamente) usam a Full Western (face 5). Isso é extremo. Ela é ótima para gerar spin em bolas altas, mas muito difícil para bater bolas baixas ou chapadas. Minha recomendação para você? Comece e domine a Semi-Western. Ela é a chave que destrava o movimento de “limpa para-brisa” que a Pure Aero tanto ama.
(Novo) É Para Você? O Perfil do Jogador da Linha Aero
Passamos pela física, pela engenharia, pelos concorrentes e pelo ajuste fino. Agora, a pergunta de um milhão de dólares: essa raquete é para você? Porque, como seu técnico, eu preciso ser honesto. Ela não é para todo mundo. E se ela não for para você, ela vai mais atrapalhar do que ajudar.
A linha Aero é feita para um estilo de jogo muito específico. Ela foi desenhada para o tenista moderno, que joga predominantemente do fundo da quadra, que usa o spin como arma principal (não apenas como recurso) e que tem um swing rápido e completo. Ela recompensa o atleta.
Se você é um jogador de “toque”, que gosta de subir à rede, usar slices, e “sentir” a bola (um jogador de “all-court” clássico), a Pure Aero vai parecer uma ferramenta bruta. Você provavelmente seria mais feliz com uma raquete mais flexível e com mais controle, como uma Pure Strike, uma Blade ou uma Pro Staff.
O Jogador Intermediário/Avançado: Quem mais se beneficia?
Essa raquete brilha nas mãos de jogadores intermediários que já têm a técnica de spin consolidada e querem mais “veneno”, ou de jogadores avançados que têm a força física para controlar a potência dela. Um iniciante? Eu não recomendo.
Por que não para iniciantes? Porque ela é muito potente. Um iniciante ainda está aprendendo a controlar o próprio corpo e o swing. Dar uma Pure Aero para ele é pedir para ele mandar todas as bolas na grade do fundo. Além disso, a rigidez dela pode ser muito prejudicial para um braço que ainda não tem a técnica correta, aumentando o risco de lesões (como o “tennis elbow”).
Você precisa ter um swing rápido para usar essa raquete. Se o seu swing é mais curto, mais lento, você não vai gerar o spin necessário para controlar a potência dela. Ela é para quem “solta o braço” sem medo.
O Fator “Braço”: Lidando com a rigidez e o conforto
Vamos falar sobre o elefante na sala: conforto. A Pure Aero não é conhecida por ser uma raquete confortável. Ela é rígida. Isso é parte do que a faz potente e estável. Nas versões mais novas, a Babolat incluiu tecnologias de amortecimento (como o “NF²-Tech” com linho) para filtrar as vibrações ruins, e ela melhorou muito.
Mas ela ainda é rígida. Se você tem histórico de dor no cotovelo, no pulso ou no ombro, você precisa ter cuidado. Usar essa raquete com uma corda de poliéster dura e uma tensão alta é a receita para uma lesão.
Se você quer usá-la, mas tem um braço sensível, a solução é: usar uma corda de poliéster mais macia (um co-poly “soft”) e usar tensões bem baixas (abaixo de 50 libras). Isso vai ajudar a absorver parte do impacto. Mas, sinceramente, talvez seja melhor olhar uma raquete concorrente mais macia, como a VCore, ou uma raquete de conforto, como a Wilson Clash.
O Veredito do Professor: O segredo está na combinação, não no equipamento
Então, voltando à sua pergunta original: o segredo para mais rotação está na raquete? A resposta final é não. O segredo está na combinação.
O segredo é a sua técnica (swing vertical) + sua empunhadura (Semi-Western) + a corda certa (poliéster em baixa tensão) + a raquete certa (uma plataforma aerodinâmica e rígida como a Pure Aero).
A Pure Aero não vai te dar spin. Mas se você fizer a sua parte – treinar seu footwork, acelerar sua mão, usar a empunhadura correta – ela vai pegar o seu esforço e vai multiplicá-lo. Ela é uma amplificadora. Ela vai pegar o seu topspin “bom” e transformá-lo em um topspin “pesado”, que faz o adversário sofrer.
Portanto, não compre essa raquete achando que ela é um atalho. Compre ela como um investimento no seu jogo de spin, sabendo que ela vai exigir que você treine a técnica correta para extrair o melhor dela.
E aí, entendeu? Agora vamos voltar para a quadra. Quero ver você tentar aquele saque kick com ela.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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