Guia de manutenção: quando trocar o grip e o overgrip da raquete
E aí, tenista! Tudo certo na linha de base? Aqui é o seu professor falando. Hoje vamos bater um papo sério, mas descontraído, sobre um dos equipamentos mais subestimados e, ironicamente, um dos mais importantes para o seu jogo: o grip e o overgrip. Muita gente gasta uma fortuna em raquetes de última geração, cordas que parecem vir da NASA, mas esquece do básico. Esquecem do único ponto de contato entre você e sua “arma”.
Pense comigo: de que adianta ter um canhão no braço se, na hora de acelerar aquele forehand na paralela, a raquete gira na sua mão? De que serve um slice venenoso se você perde o feel da bola porque o cabo está duro como pedra? A manutenção do seu cabo não é frescura. É performance. É prevenção de lesão. É a diferença entre um winner e uma bola na rede no match point.
Neste guia completo, vamos dissecar esse assunto. Vamos parar de tratar o grip como um acessório cosmético e começar a tratá-lo como o pneu de um carro de Fórmula 1. Você pode ter o melhor motor do mundo, mas se o pneu estiver careca, você não sai do lugar. Vamos entender a diferença real entre os dois componentes, os sinais exatos de que seu equipamento está pedindo socorro e os riscos que você corre ao ignorar esses sinais. Pega sua garrafa d’água, senta aí, porque a aula vai começar.
A Diferença Crucial: O “Coração” (Grip) vs. a “Pele” (Overgrip)
Antes de sacar a tesoura e começar a trocar qualquer coisa, precisamos estar na mesma página. Muita gente usa os termos “grip” e “overgrip” como se fossem a mesma coisa. No tênis, eles são tão diferentes quanto um saque e um voleio. Confundir os dois pode levar a escolhas erradas, gastos desnecessários e até a um cabo desconfortável que vai arruinar sua batida.
Imagine que o cabo da sua raquete (aquela parte de grafite ou fibra de carbono) é o osso. O Cushion Grip é o músculo e a pele. O Overgrip é a roupa. Você não anda por aí só com os músculos à mostra, mas também não coloca a roupa direto no osso. Cada um tem sua função, sua hora de brilhar e, o mais importante, sua hora de ser aposentado.
Entender essa dinâmica é o primeiro passo para ter controle total da sua empunhadura. Um Cushion Grip fornece a base de conforto e absorção de choque, enquanto o Overgrip oferece a aderência (o “tack”) e a absorção de suor. Um cuida do longo prazo, o outro cuida do jogo de hoje. Vamos detalhar o que cada um faz no seu jogo.
Entendendo o Cushion Grip (O Grip Original)
O Cushion Grip, ou simplesmente “grip”, é a base grossa e acolchoada que vem instalada de fábrica na sua raquete. Quando você compra uma raquete nova, é ele que você está segurando. Ele é o verdadeiro “coração” do seu cabo. A função principal dele não é dar aderência, embora ele tenha alguma quando novo, mas sim fornecer conforto e absorção de vibração. É ele quem filtra o impacto bruto da bolinha batendo nas cordas, poupando seu braço, pulso e cotovelo.
Pense nele como o sistema de amortecimento da sua raquete. Ele geralmente é feito de poliuretano, às vezes com camadas de EVA ou gel. Com o tempo, esse material sofre. Ele não só fica sujo, mas começa a perder sua propriedade mais importante: a capacidade de “respirar” e amortecer. Ele fica compactado. Ele literalmente endurece, e o que era um amortecedor macio vira uma barra de metal dura.
A maioria dos jogadores amadores comete o erro de nunca, jamais, trocar esse Cushion Grip. Eles vão colocando camadas e camadas de overgrip por cima, ano após ano, e o cushion original lá embaixo fica fossilizado. Se você joga só com o cushion (sem overgrip), ele vai se desgastar muito mais rápido, perdendo a textura e começando a esfarelar. A troca dele é mais rara, mas absolutamente essencial para a saúde do seu braço.
O Papel do Overgrip: Mais que Estética
Agora vamos falar da “pele”. O overgrip é aquela fita fina e, geralmente, colorida que você aplica por cima do Cushion Grip. Ele é o seu ponto de contato direto. Ele foi projetado para ser uma camada de sacrifício. A função principal do overgrip é dupla: fornecer aderência (o “tackiness” ou “grude”) e absorver o suor. Ele é o responsável por manter a raquete firme na sua mão, seja no primeiro saque do jogo ou no tie-break do terceiro set debaixo de um sol de rachar.
Diferente do Cushion Grip, o overgrip não foi feito para durar. Ele é um consumível, como a bola de tênis. Ele perde suas propriedades muito rapidamente. Aquele “grude” delicioso que ele tem quando sai do pacote desaparece. Os poros que absorvem o suor ficam saturados de óleo da pele, sujeira da quadra e, claro, muito suor. Ele rapidamente deixa de absorver e passa a ser uma superfície escorregadia.
Por ser fino, ele também altera minimamente o feel da raquete. Jogadores profissionais, por exemplo, trocam o overgrip a cada troca de bolas, ou às vezes a cada set. Eles precisam daquela aderência perfeita para confiar 100% no golpe. Para nós, mortais, a frequência é menor, mas o princípio é o mesmo: o overgrip é o que te dá a confiança para soltar o braço sem medo da raquete escapar.
Por que você NÃO deve jogar só com o Cushion Grip
Aqui está uma dica de professor que vejo muitos alunos ignorarem: não jogue apenas com o Cushion Grip original. Eu sei, parece tentador. “Ah, mas eu gosto da sensação dele novo”. O problema é que o Cushion Grip não foi feito para aguentar o atrito direto da sua mão e o volume de suor de um jogo pesado. Ele vai se desgastar em uma velocidade assustadora. Aquela textura macia vai virar um plástico liso e ressecado em poucas semanas.
Quando você destrói o Cushion Grip original, o prejuízo é maior. Primeiro, porque ele é muito mais caro de substituir do que um overgrip. Um pacote de três overgrips muitas vezes custa menos da metade de um único Cushion Grip de reposição. Segundo, porque trocá-lo é um processo mais chato. O cushion original tem uma cola forte na parte de baixo, e removê-lo exige paciência para tirar todos os resíduos de cola do cabo antes de aplicar o novo.
O overgrip funciona como uma película de celular. Ele protege a “tela” (o Cushion Grip), que é cara, e é barato de substituir quando fica arranhado ou sujo. Usar um overgrip prolonga a vida útil da base da sua raquete, garante que você sempre tenha a melhor aderência disponível (já que pode trocá-lo frequentemente) e, a longo prazo, economiza seu dinheiro.
O Overgrip: Seu Primeiro Ponto de Contato (Quando Trocar)
Vamos ao que interessa. O overgrip é o seu melhor amigo na quadra, e você precisa saber quando esse amigo já deu o que tinha que dar. Ignorar a troca do overgrip é a receita mais rápida para perder o controle dos seus golpes. Você começa a apertar a raquete com mais força do que o necessário para compensar a falta de aderência, e adivinha o que acontece? Tensão no antebraço (forearm), cansaço e, eventualmente, dor.
A troca do overgrip não tem data marcada no calendário. Ela não é “uma vez por mês”. Ela depende de três fatores principais: quanto você joga, quanto você sua e o tipo de quadra (sim, o saibro suja o overgrip mais rápido que a quadra rápida). Um jogador que treina cinco vezes por semana e sua muito pode precisar trocar o overgrip toda semana. Um jogador de fim de semana que mal transpira pode usar o mesmo por dois meses.
O segredo não está no calendário, mas nos sinais que a raquete te dá. Você precisa desenvolver a sensibilidade para “ouvir” o seu equipamento. Existem sinais visuais óbvios e, mais importante, sinais táteis. A partir do momento em que você pensa “hum, acho que meu grip está meio liso”, já passou da hora de trocar. A troca deve ser preventiva, não reativa.
Sinais Visuais: A Prova do Crime (O teste do overgrip branco)
O primeiro sinal é o mais óbvio: a aparência. O overgrip começa a ficar nojento, simples assim. Ele fica encardido, escurecido nas áreas onde você mais segura, geralmente na base da mão e onde o polegar se apoia. Você começará a ver o acúmulo de sujeira e óleo. Em casos extremos, o overgrip começa a descascar ou até a rasgar em pequenos pontos, revelando o Cushion Grip por baixo.
Aqui vai uma dica de ouro que dou para meus alunos: se você tem dificuldade em saber quando trocar, use overgrip branco. O branco é o “dedo-duro” da manutenção. Ele não esconde nada. Qualquer sujeira, qualquer desgaste, qualquer mancha de suor fica imediatamente evidente. Um overgrip preto ou escuro pode parecer novo por meses, mesmo estando completamente saturado e sem aderência nenhuma.
Quando seu overgrip branco parecer mais um cinza encardido, é um sinal claro de que ele está saturado. Além da cor, procure por áreas onde a textura mudou. Onde antes era ligeiramente emborrachado, agora está liso, brilhante e “plastificado”. Esse brilho é o suor e o óleo que secaram e selaram os poros do material. É a prova do crime: ele não absorve mais nada.
Sinais Táteis: Quando a Mão “Dança”
Este é o sinal mais importante de todos, pois afeta diretamente seu jogo. É a sensação. Você conhece aquela sensação de um overgrip novo? Ele parece “colar” na sua mão. Você sente que pode segurar a raquete com leveza, com os dedos relaxados, e ainda assim acelerar o braço com tudo, que ela não vai escapar. Você tem total confiança. O sinal tátil de que a troca é necessária é a perda total dessa sensação.
O overgrip gasto fica liso, escorregadio e, em alguns casos, até meio “gosmento” quando você começa a suar. Você percebe que, para executar um backhand ou um saque, sua mão precisa apertar o cabo com muito mais força. A raquete começa a “dançar” na sua mão durante o ponto. Talvez ela gire levemente no impacto de um voleio mais pesado ou de uma devolução de saque potente.
Esse aperto extra é veneno para o seu braço. O tênis moderno exige um braço relaxado, o famoso “braço solto”. Se você está tensionando sua mão e antebraço apenas para segurar a raquete, você perde fluidez, perde potência (o “efeito chicote”) e sobrecarrega seus tendões. O primeiro match point que você perder porque a raquete girou na sua mão será o dia em que você nunca mais vai esquecer de trocar o overgrip.
A Regra de Ouro da Frequência (Horas de quadra vs. Tempo)
Se você ainda precisa de uma “regra de bolso” para começar, aqui vai a mais famosa no mundo do tênis: troque seu overgrip tantas vezes por mês quanto você joga por semana. Parece complicado? É simples. Você joga duas vezes por semana? Então, tente trocá-lo duas vezes por mês (a cada 15 dias). Você joga quatro vezes por semana? Troque-o quatro vezes por mês (toda semana).
Essa regra é um bom ponto de partida, mas ela não leva em conta o fator suor. Se você é um jogador que sua muito, essa regra não vale. Você provavelmente terá que dobrar essa frequência. Uma diretriz melhor é pensar em horas de quadra. A maioria dos overgrips de qualidade foi projetada para durar entre 8 e 15 horas de jogo intenso. Se você joga 2 horas por dia, 4 vezes por semana, são 8 horas. Seu overgrip provavelmente não passará de uma semana.
Não tente economizar no overgrip. É o consumível mais barato do tênis e o que tem o maior impacto na sua confiança e saúde. Um overgrip novo custa muito menos do que uma sessão de fisioterapia para tratar uma tennis elbow (cotovelo de tenista) causada por tensão excessiva. Trate seu overgrip como um profissional: use-o, abuse-o e descarte-o assim que ele parar de fazer seu trabalho 100%.
O Cushion Grip: A Base de Tudo (Quando Trocar)
Agora vamos falar do “amortecedor” da raquete, o Cushion Grip. Aquele que veio de fábrica. Esse é o grande negligenciado. Como ele fica escondido debaixo do overgrip, a maioria dos jogadores esquece que ele existe. Eles só lembram dele quando compram uma raquete nova. Mas o Cushion Grip também tem uma vida útil. E quando ele “morre”, o conforto do seu jogo morre com ele.
A troca do Cushion Grip é muito menos frequente. Para um jogador amador que usa overgrip regularmente, o cushion pode durar um, dois, talvez até três anos. Mas isso depende muito. Se você é um jogador que sua demais, o suor inevitavelmente vai penetrar o overgrip e começar a degradar o Cushion Grip por baixo. Ele vai ficar ressecado e quebradiço.
Diferente do overgrip, onde o sinal é a perda de aderência, no Cushion Grip o sinal é a perda de conforto e absorção. O material de poliuretano e espuma dele é feito de milhões de pequenas bolhas de ar. Com os milhares de impactos e a pressão constante da sua mão, essas bolhas estouram e o material se compacta. Ele perde a capacidade de “voltar” ao formato original, e seu amortecimento desaparece.
O Sinal da Compactação: Quando o “Sofá” vira “Pedra”
O sinal mais claro de que seu Cushion Grip precisa ser trocado é a sensação de dureza. Sabe quando você aperta o cabo da sua raquete e ele parece macio, confortável, quase como um “sofá” para sua mão? Um Cushion Grip saudável tem essa propriedade. Quando ele está gasto, essa sensação desaparece completamente. Ao apertar o cabo, você sentirá que está segurando diretamente o blank (o grafite) da raquete.
O cabo fica duro, anguloso e desconfortável. Você sentirá muito mais as vibrações do impacto da bola. Aquele slice que sai “quadrado” ou aquela bola pega fora do sweet spot vão enviar um choque direto para o seu cotovelo. A raquete parecerá mais “seca”, mais “dura”. O que antes era um sofá confortável virou um banco de pedra.
Faça o teste: pegue sua raquete e aperte o cabo com força. Agora, vá a uma loja e aperte o cabo de uma raquete idêntica, nova. A diferença de maciez será gritante. Se sua raquete parece ter perdido todo o conforto e você sente que está segurando um pedaço de madeira, é hora de dar ao seu braço um presente e trocar esse Cushion Grip compactado.
Desgaste Físico: Esfarelando e Rasgando
Se você demorar muito para identificar a compactação, o Cushion Grip vai começar a dar sinais físicos de falha. Ao remover o overgrip antigo para colocar um novo, inspecione a base. Um Cushion Grip velho e ressecado começará a “esfarelar”. Você passará a unha e pequenos pedaços de material sintético se soltarão. Ele pode parecer seco, quase “queimado” pelo suor e pelo tempo.
Em estágios ainda mais avançados, ele pode literalmente rasgar. O material perde toda a sua elasticidade e se parte, expondo a cola por baixo ou, pior, o próprio cabo de grafite. Se isso acontecer, você perdeu completamente a função de amortecimento naquela área. Isso também pode criar “caroços” ou áreas irregulares debaixo do seu overgrip novo, tornando a pegada inconsistente e muito desconfortável.
Não espere chegar a esse ponto. A inspeção visual a cada troca de overgrip é fundamental. Se você notar que o cushion está ressecado, com micro-rachaduras ou perdendo pedaços, agende a troca. É um trabalho um pouco mais demorado, mas que renova completamente a sensação da sua raquete.
A Troca “Obrigatória” ao Comprar Raquete Usada
Aqui vai uma dica de saúde pública do tênis: comprou uma raquete usada? Troque o Cushion Grip imediatamente. Não pense duas vezes. Você não tem ideia de há quanto tempo aquele grip está ali. Você não sabe o quanto o dono anterior suava, ou se ele jogava com ou sem overgrip. Na maioria das vezes, o Cushion Grip estará compactado, duro e, francamente, nojento.
Pense no Cushion Grip como a escova de dentes da raquete. É um item de higiene pessoal. Ele acumula suor, bactérias e pele morta ao longo dos anos. Começar seu relacionamento com uma raquete nova (para você) usando o grip suado de outra pessoa não é o ideal. Além da questão higiênica, você garante que terá a melhor absorção de impacto possível desde o primeiro dia.
Ao comprar uma raquete usada, já inclua no orçamento o valor de um novo Cushion Grip e um overgrip de sua preferência. Remova tudo, limpe bem o cabo de grafite (às vezes é preciso usar um pouco de álcool para tirar a cola velha) e aplique o grip novo. Sua raquete parecerá zero quilômetro, e seu braço agradecerá.
O Lado Negro da Negligência: Riscos de um Grip Vencido
Tudo bem, professor, já entendi. Mas qual o problema real de jogar com um grip velho? É só desconfortável? Infelizmente, não. A negligência com o cabo da sua raquete é uma das principais causas de problemas crônicos que vejo em quadra. É o tipo de problema silencioso que vai se acumulando até estourar, geralmente na forma de uma lesão que te tira das quadras por semanas.
O corpo humano é uma máquina de compensação. Quando uma parte do sistema falha (no caso, a aderência), outra parte tenta compensar o trabalho. Se sua mão não consegue segurar a raquete com firmeza usando a fricção do overgrip, ela vai tentar segurar usando a força bruta dos seus músculos. Você vai apertar o cabo como se sua vida dependesse disso.
Esse aperto constante e desnecessário é o “lado negro” da negligência. Ele não afeta só sua mão. Ele cria uma onda de tensão que sobe pelo seu pulso, trava seu antebraço e coloca uma pressão absurda nos tendões que se conectam ao seu cotovelo. O nome disso? Epicondilite lateral, a famosa Tennis Elbow. E ela é uma das lesões mais chatas e persistentes do nosso esporte.
A Tensão Desnecessária: O “Forearm” em Perigo
Seu antebraço (forearm) não foi feito para ficar contraído o tempo todo durante o jogo. Para gerar o “efeito chicote” (o lag and snap) que cria potência e topspin, seu pulso e antebraço precisam estar relaxados. Quando o overgrip está gasto e escorregadio, você faz exatamente o oposto: você trava o pulso e contrai o antebraço para estabilizar a raquete no impacto.
Essa tensão constante é um desastre. Ela limita sua amplitude de movimento, reduzindo drasticamente a potência dos seus golpes. Você começa a “empurrar” a bola em vez de “bater” nela. Mais importante, essa contração muscular constante sobrecarrega os músculos extensores do punho. A inflamação gerada por esse esforço repetitivo é a causa direta da Tennis Elbow.
Muitos jogadores culpam a raquete, a corda ou a técnica pela dor no cotovelo. E, sim, esses fatores influenciam. Mas, muitas vezes, a solução é muito mais simples e barata: um overgrip novo. Um overgrip que permita que você relaxe a mão e solte o braço é a melhor ferramenta de prevenção de lesões que existe.
Bolhas, Calos e a Perda do “Feel”
A tensão excessiva não é o único problema. Um grip gasto (tanto o cushion quanto o over) causa problemas diretos na sua pele. Um overgrip liso e saturado aumenta a fricção. Em vez de a mão ficar “colada”, ela começa a deslizar e raspar no cabo a cada golpe. O resultado? Bolhas dolorosas que te impedem de jogar. E se você insistir, essas bolhas viram calos grossos e desconfortáveis.
Além disso, um Cushion Grip compactado e duro rouba o “feel” do seu jogo. “Feel” ou “sensibilidade” é a capacidade de sentir a bola na raquete, de saber exatamente onde ela bateu e como ela saiu. É essencial para golpes de toque, como drop shots (curtinhas), slices e voleios. Quando o grip está duro, a vibração excessiva mascara essa sensibilidade.
Você perde a conexão fina com a raquete. Aquele voleio que era para ser suave sai duro. Aquela curtinha que era para morrer na rede acaba flutuando. Você perde a confiança nos seus golpes de toque porque a raquete não está te dando o feedback correto. Um Cushion Grip saudável filtra as vibrações ruins, mas deixa passar as informações boas da bola.
Impacto no Jogo: Compensando a Falta de Aderência
No final das contas, o maior risco é para o seu desempenho. O tênis é um jogo de margens pequenas. Um milissegundo de atraso, um grau de diferença no ângulo da raquete. Quando você não confia na sua empunhadura, seu jogo inteiro desmorona. Você começa a fazer compensações técnicas, muitas vezes inconscientes, para evitar que a raquete gire.
Você pode começar a encurtar o swing no saque, com medo de que a raquete escape no topo do movimento. Você pode deixar de fazer o follow-through (a terminação) completa no seu forehand, terminando o golpe de forma “travada” para manter o controle. Você pode bater slices com menos agressividade ou evitar voleios mais potentes.
Basicamente, você deixa de jogar o seu melhor tênis. Você joga com o “freio de mão puxado”, preocupado com seu equipamento em vez de focado na tática e na bola. Nenhum jogador pode atingir seu potencial máximo se estiver lutando contra a própria raquete. A manutenção do grip é sobre liberar você para jogar sem medo.
Tacky vs. Dry: Qual Overgrip é o Seu Jogo?
Agora que você está convencido da importância de trocar o overgrip, vamos entrar em um dos debates mais clássicos do vestiário: qual tipo usar? Você entra na loja e vê uma parede deles. Tem o branco, o azul, o preto, o perfurado, o super fino. Basicamente, eles se dividem em duas grandes famílias: Tacky (Pegajoso) e Dry (Seco/Absorvente).
A escolha entre eles não é sobre qual é “melhor”, mas sobre qual é “melhor para você”. E a resposta depende quase 100% de uma coisa: o quanto você sua. Um jogador com mãos naturalmente secas terá uma experiência terrível com um grip feito para quem sua muito, e vice-versa. Escolher o tipo errado é tão ruim quanto usar um grip velho.
Vamos analisar as características de cada um para você identificar seu perfil. Lembre-se, você pode ter que experimentar algumas marcas e modelos diferentes dentro de cada categoria até achar o seu “par perfeito”. Mas entender a diferença fundamental entre Tacky e Dry é o primeiro passo para encontrar a aderência ideal para o seu jogo.
O “Grude” (Tacky): Para Mãos Secas e Controle
O overgrip Tacky é o mais popular no mercado. É aquele que, ao sair do pacote, tem uma sensação “pegajosa”, quase como se tivesse uma leve camada de cola. Marcas famosas como o Wilson Pro Overgrip e o Yonex Super Grap são os reis dessa categoria. Eles são projetados para “grudar” na sua pele, oferecendo uma sensação de segurança e controle extremos.
Esse tipo de grip é ideal para jogadores que suam pouco ou moderadamente. A sensação de “grude” permite que você segure a raquete com extrema leveza, maximizando o feel e o relaxamento do braço. Você sente que a raquete é uma extensão da sua mão. Eles também tendem a ser um pouco mais finos, o que ajuda a sentir melhor as arestas (os bevels) do cabo, facilitando as mudanças rápidas de empunhadura (de forehand para backhand, por exemplo).
O problema do Tacky aparece quando entra muito suor na equação. Esse “grude” reage mal com excesso de umidade. Ele se transforma em uma superfície lisa e escorregadia, quase como um sabonete molhado. Se você é um jogador que encharca o grip em 15 minutos de jogo, o Tacky provavelmente não é para você, pois ele perderá a eficácia muito rápido.
O “Secante” (Dry/Absorbent): Para Mãos “Molhadas”
Do outro lado, temos os overgrips Dry ou Absorventes. O exemplo mais clássico e famoso é o Tourna Grip, aquele azul claro que você vê vários profissionais usando. A sensação dele ao sair do pacote é completamente diferente. Ele não é pegajoso. Pelo contrário, ele parece seco, quase como uma camurça ou um tecido fino. A primeira impressão pode ser estranha para quem está acostumado com o Tacky.
A mágica do grip Dry acontece quando você começa a suar. Ele foi projetado para absorver a umidade. Quanto mais você sua, melhor ele parece ficar (até um certo limite, claro). Ele funciona como uma toalha, “puxando” o suor da sua mão e mantendo a superfície seca e com boa fricção. Ele não “cola” na mão, ele “seca” a mão.
Esse tipo é a salvação para jogadores com transpiração intensa, ou para quem joga em locais muito quentes e úmidos. A desvantagem dos grips absorventes é a durabilidade. Como eles funcionam absorvendo suor e óleo, eles tendem a saturar e se desgastar mais rápido que os Tackys. Eles também costumam ser um pouco mais “ásperos” e podem causar mais calos em mãos sensíveis.
Tabela Comparativa: O Duelo dos Overgrips
Para facilitar sua decisão, aqui está um quadro comparativo direto. Não estou recomendando marcas específicas, mas sim os tipos de overgrip e seus exemplos mais clássicos.
| Característica | Overgrips TACKY (Pegajosos) | Overgrips DRY (Absorventes) |
| Sensação Principal | Pegajoso, “grudento”, emborrachado. | Seco, tecido, tipo camurça. |
| Ideal Para | Mãos secas ou com pouco suor. Clima ameno. | Mãos com suor intenso. Clima quente e úmido. |
| Ponto Forte | Alto “feel” e controle. Permite segurar com leveza. | Excelente absorção de suor. Aderência aumenta com umidade. |
| Ponto Fraco | Fica extremamente escorregadio quando muito molhado. | Menor durabilidade. Pode ser áspero para a pele. |
| Exemplos Clássicos | Wilson Pro Overgrip, Yonex Super Grap, Babolat VS Grip. | Tourna Grip, Volkl V-Dry. |
Mitos e Verdades da Manutenção
Para fechar nossa aula, vamos derrubar alguns mitos que escuto na quadra há anos. O mundo da manutenção de raquetes é cheio de “dicas” que passam de jogador para jogador e, muitas vezes, mais atrapalham do que ajudam. Separar o que é fato do que é lenda é crucial para você cuidar bem do seu equipamento sem gastar dinheiro à toa ou prejudicar seu jogo.
Muitos desses mitos nascem de uma tentativa de economizar, o que é compreensível. O tênis é um esporte caro. Mas, como já vimos, economizar no grip ou no overgrip geralmente custa caro lá na frente, seja em performance ou em lesões. Vamos esclarecer de vez o que funciona e o que é pura conversa de vestiário.
Reuni aqui as três dúvidas mais comuns que meus alunos trazem. Desde tentar dar uma “reciclada” no overgrip até o medo de alterar o tamanho do cabo. Vamos usar a lógica e a experiência de quadra para responder a cada uma delas, para que você saia daqui como um verdadeiro especialista no assunto.
“Posso virar o overgrip para usar dos dois lados?”
Esse é um clássico! A lenda diz que quando um lado do overgrip fica gasto, basta desenrolá-lo e enrolá-lo ao contrário para ter um grip “novo”. A resposta curta é: não faça isso. A resposta longa é: depende, mas provavelmente não vale a pena. Alguns overgrips muito específicos, como o Tourna Grip original (o azul), não têm cola no verso e têm uma textura similar dos dois lados, então tecnicamente você poderia.
No entanto, a vasta maioria dos overgrips (especialmente os Tackys) não foi feita para isso. O lado de dentro é liso, não tem textura e não tem aderência nenhuma. Além disso, o lado de dentro é o que ficou em contato direto com o Cushion Grip e acumulou a umidade que passou pela camada de cima. Ele provavelmente estará ainda mais saturado e sujo.
Mesmo no caso do Tourna, o lado que estava para dentro absorveu suor e sujeira. Ao virá-lo, você está apenas usando um lado ligeiramente menos gasto, mas ainda assim sujo e com a estrutura do material já comprometida. O ganho é mínimo e a sensação nunca será a de um grip novo. Dado o baixo custo de um overgrip, essa é uma economia que não compensa a performance perdida.
“Overgrip grosso engrossa muito o cabo?”
Essa é uma preocupação válida. O tamanho da empunhadura (o grip size) é fundamental. Um cabo muito fino faz você apertar demais a mão. Um cabo muito grosso impede o movimento correto do pulso. A dúvida é: se eu colocar um overgrip, não estarei mudando meu tamanho de cabo? Sim, você estará. Mas é para isso que o overgrip serve.
Um overgrip padrão adiciona cerca de meio tamanho de empunhadura. Por exemplo, se você tem um cabo L3 (4 3/8) e coloca um overgrip, ele ficará com uma sensação próxima a um L3,5. É por isso que muitos jogadores profissionais compram raquetes com um tamanho de cabo menor do que o ideal (um L2 ou L3) e adicionam um ou até dois overgrips para chegar no tamanho exato que gostam.
Existem overgrips de diferentes espessuras. Os padrões têm cerca de 0.55mm a 0.60mm. Se você está muito preocupado com isso, procure por overgrips “ultra finos” (como o Babolat VS Grip), que têm cerca de 0.40mm e alteram minimamente a grossura. Mas, regra geral, o overgrip é parte do cálculo do tamanho final do cabo. Não tenha medo dele por causa disso.
“Usar só o grip original economiza dinheiro?”
Esse é o mito mais perigoso, e já falamos sobre ele. A lógica parece fazer sentido: “Se eu não comprar overgrip, estou economizando o dinheiro do overgrip“. O problema é que isso é uma economia de curto prazo que gera um gasto muito maior no longo prazo. O Cushion Grip original que vem na raquete é caro. Um Cushion Grip de reposição de boa qualidade pode custar o equivalente a 3 ou 4 pacotes de overgrip.
Ao jogar diretamente no Cushion Grip, você está destruindo um componente caro. Ele vai se desgastar, ressecar e esfarelar muito mais rápido. Em poucos meses, seu cabo estará horrível, sem conforto e sem aderência. Você então será forçado a fazer a troca cara do Cushion Grip.
Se você tivesse usado overgrips desde o começo, você teria gasto menos (já que overgrips são baratos) e seu Cushion Grip original estaria protegido, durando anos a fio. Usar overgrip não é um gasto extra, é um investimento na manutenção do componente mais caro (o cushion) e na qualidade do seu jogo. É a decisão mais inteligente, tanto financeiramente quanto para sua performance.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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