Olá, pessoal. Sente-se aí, pegue uma água, porque hoje vamos falar sobre o componente mais incompreendido e, talvez, o mais crucial do seu jogo depois da sua própria cabeça: as cordas da raquete. Muitos jogadores passam anos obcecados com o aro da raquete – o “frame” – e esquecem completamente do motor. Sim, o motor. A corda é o motor da sua raquete. Você pode ter uma Ferrari, mas se colocar o motor de um carro popular nela, você não vai ganhar corrida nenhuma.
Como seu professor aqui, cansei de ver aluno chegando com uma raquete de 4 mil reais, encordoada com um arame qualquer que o lojista colocou “de brinde”. Isso acaba com o jogo e, pior, acaba com o braço do tenista. O que vamos fazer hoje é dissecar esse universo. Vamos entender por que o Federer mistura cordas, por que o Nadal usa aquela corda amarela esquisita, e o mais importante: como você pode usar esse conhecimento para encontrar o setup perfeito para o seu forehand, e não para o do seu ídolo.
Vamos desmistificar a diferença entre potência e controle, vamos falar de materiais que parecem ter saído de um laboratório da NASA e vamos acabar com alguns mitos que só servem para fazer você gastar dinheiro à toa ou visitar o fisioterapeuta mais cedo. Prepare-se, porque depois desta conversa, você nunca mais vai olhar para o centro da sua raquete da mesma maneira. Vamos ao trabalho.
O Básico do Encordoamento: Entendendo o “DNA” da Corda
Antes de sairmos falando de poliéster, tripa e híbridos, precisamos estar na mesma página. Pense no encordoamento como a receita de um bolo. O material é um ingrediente, a tensão é o forno e a espessura é o quão fina você corta a fatia. Se você errar em um desses, o resultado desanda. O “DNA” da corda é essa combinação de fatores que interage diretamente com a bola no milissegundo do impacto.
Muitos tenistas amadores acreditam que a corda só tem duas funções: não quebrar e colocar a bola do outro lado. Isso é um erro crasso. A corda é responsável por quatro coisas fundamentais: a potência (o quanto a bola “anda”), o controle (o quanto você consegue colocar a bola onde quer), o spin (a capacidade de fazer a bola girar) e o conforto (o quanto de vibração é transferido para o seu braço).
Encontrar o equilíbrio perfeito entre esses quatro fatores é o objetivo de todo tenista, seja você um profissional do circuito ou o “rei do clube” no fim de semana. O problema é que, na física do tênis, esses elementos quase sempre trabalham uns contra os outros. Mais potência geralmente significa menos controle. Mais durabilidade geralmente significa menos conforto. É um jogo de concessões. Nosso trabalho é encontrar a concessão que mais beneficia o seu estilo de jogo.
Potência vs. Controle: O Dilema Central da Tensão
Vamos começar pelo ajuste mais simples que você pode fazer sem trocar o tipo de corda: a tensão, medida em libras ou quilos. Aqui está a regra de ouro que você precisa tatuar no seu cérebro de tenista: tensão mais baixa é igual a mais potência; tensão mais alta é igual a mais controle. É simples assim. Pense na sua corda como uma cama elástica. Se ela estiver muito esticada (tensão alta), quando você joga uma bola nela, a bola mal quica e volta para sua mão. Ela não afunda. Isso é controle. Você sente exatamente onde a bola bateu e para onde ela vai, mas a corda não te ajuda em nada a gerar velocidade.
Agora, solte um pouco essa cama elástica (tensão baixa). Quando a bola bate, ela afunda na trama de cordas. A corda “agarra” a bola, segura ela por um microssegundo a mais (o que chamamos de dwell time) e depois a expele com uma força explosiva. Isso é o “efeito estilingue” ou “efeito catapulta”. O resultado? Uma bomba do fundo da quadra. O preço que você paga é que essa “cama elástica” macia é menos previsível. Você perde um pouco daquela sensação cirúrgica de onde a bola vai.
O erro que vejo todo dia na quadra é o iniciante ou o intermediário pedindo para colocar 58 libras na raquete “porque o profissional usa”. O profissional tem um swing completo, rápido, e gera a própria potência. Ele precisa de tensão alta para domar essa potência e colocar a bola dentro da quadra. Você, com um swing mais curto ou mais lento, precisa da ajuda da corda. Usar tensão alta só vai fazer você bater mais forte, contrair mais o braço e, eventualmente, sentir aquela dor chata no cotovelo. Comece com tensões médias (50-53 libras) ou até mais baixas se usar poliéster, e ajuste a partir daí.
Espessura (Gauge): A Diferença entre “Mordida” e Durabilidade
O segundo pilar do DNA da corda é a espessura, ou “gauge”. Você vai ver isso em números: 15, 16, 17, 18. Aqui, a lógica é invertida: quanto maior o número, mais fina é a corda. A corda 17 é mais fina que a 16. A 16L (L de “light”) é uma versão um pouco mais fina da 16, ficando entre a 16 e a 17. A maioria dos jogadores usa 16 (cerca de 1.30mm) ou 17 (cerca de 1.25mm).
Cordas mais finas (gauge 17 ou 18) são fantásticas por algumas razões. Elas “mordem” mais a bola. Como são mais finas, elas conseguem se mover mais facilmente no impacto e penetrar mais na superfície da bola, especialmente em golpes com topspin. Elas também são mais elásticas e confortáveis, proporcionando mais sensação e potência, seguindo a mesma lógica da tensão. O feel, a sensação de conexão com a bola, é muito maior com cordas finas. Você sente a bola “grudar” na raquete.
O problema? Elas quebram. Rápido. Se você é um jogador que bate forte e com muito spin, uma corda fina pode não durar três sets. É aí que entram as cordas mais grossas (gauge 16 ou 15). Elas são cavalos de batalha. O diâmetro maior significa simplesmente que há mais material para resistir ao atrito e ao impacto, então a durabilidade aumenta exponencialmente. O preço que você paga é uma perda de sensibilidade. A corda grossa parece mais “morta”, mais “dura”. Ela não oferece tanto spin (porque não morde tanto a bola) e transfere um pouco mais de vibração. A escolha aqui é um balanço: você prefere trocar de corda toda semana e ter uma sensação incrível, ou quer uma corda que dure dois meses, mas pareça um pouco com uma tábua?
O Material Manda no Jogo (A prévia dos tipos)
Finalmente, chegamos ao ingrediente principal: o material. De que é feita a sua corda? Isso vai definir 90% da experiência. Antigamente, a vida era simples: ou você tinha dinheiro para Tripa Natural (feita do intestino de vaca) ou usava um Nylon básico. Hoje, o cardápio é vasto e confuso: Poliéster, Copolíester, Multifilamento, Tripa Sintética, Kevlar. Cada um tem uma arquitetura e um propósito completamente diferente.
Pense nos materiais como categorias de carros. A Tripa Natural é um Rolls-Royce: conforto absurdo, potência sem esforço, mas cara e frágil. O Poliéster é um carro de Fórmula 1: rígido, feito para performance máxima de spin e controle, mas desconfortável e não serve para ir ao supermercado (não serve para quem tem o braço fraco ou swing curto). O Multifilamento é um sedan de luxo, como um Mercedes: tenta imitar o conforto da Tripa Natural com um preço melhor e mais durabilidade. E a Tripa Sintética (Synthetic Gut) é o carro popular confiável: faz tudo razoavelmente bem, te leva do ponto A ao B e tem um preço ótimo.
A escolha do material deve ser a sua primeira decisão, e ela deve ser baseada honestamente no seu nível de jogo, no seu histórico de lesões e na frequência com que você quebra cordas. Colocar a corda errada na raquete certa é a receita para o desastre. É como tentar jogar tênis de sapato social. Você pode até conseguir, mas vai doer e o resultado não será bom.
Os Quatro Grandes: Decifrando os Materiais Principais
Vamos mergulhar de cabeça nos tipos de corda que você realmente encontra no mercado. Se você entender as quatro categorias principais, você conseguirá tomar uma decisão informada em 99% das vezes. A indústria adora criar nomes de marketing (Hyper-G, RPM Blast, NXT, Velocity), mas no final do dia, quase todas elas se encaixam em uma destas quatro famílias. Esqueça o nome bonito por um momento e foque na construção.
Cada um desses materiais foi desenhado para maximizar uma característica: conforto, spin, durabilidade ou equilíbrio. Não existe corda “ruim”, existe corda “errada para você”. O que é veneno para o braço de um tenista de 60 anos (um poliéster rígido) é a ferramenta de trabalho essencial para um jovem competidor de 18 anos que bate com topspin pesado.
Vamos analisar o que cada material faz, para quem ele serve e, o mais importante, para quem ele não serve. Preste atenção, porque entender isso pode ser a diferença entre evoluir no seu jogo e ficar parado no mesmo platô, culpando a sua raquete por bolas que vão para fora.
Tripa Natural: O “Santo Graal” do Conforto e Potência
A Tripa Natural (Natural Gut) é a lenda. É a corda original, usada há mais de um século, e até hoje é considerada por muitos puristas como a melhor corda já feita. Ela é fabricada a partir de um processo complexo usando serosa intestinal de vacas. O resultado é uma corda com uma elasticidade, retenção de tensão e absorção de choque que nenhuma fibra sintética conseguiu replicar perfeitamente. Jogar com tripa natural é uma experiência: a bola parece ficar mais tempo na raquete, a potência é gerada sem esforço e o impacto no braço é quase zero.
Se ela é tão boa, por que nem todo mundo usa? Dois motivos: preço e durabilidade. É, de longe, o material mais caro do mercado. Além disso, ela é muito sensível à umidade. Jogar na chuva ou em locais muito úmidos pode fazê-la “desmanchar” ou perder a tensão rapidamente. Embora os revestimentos modernos tenham melhorado isso, ela ainda é frágil. Ela também não é a corda mais focada em spin; ela é feita para potência e feel.
Para quem ela serve? É a corda número um para jogadores com dores crônicas no braço (tennis elbow). Se você tem dinheiro e busca o máximo de conforto e potência “grátis”, ela é imbatível. Também é a escolha de muitos profissionais em setups híbridos (como Roger Federer usou por anos), combinando-a com poliéster para obter o melhor dos dois mundos: o feel da tripa com o spin do poliéster. Se você não quebra cordas com frequência e quer mimar seu braço, experimentar tripa natural pelo menos uma vez na vida é quase uma obrigação.
Poliéster (Monofilamento): A Fábrica de Spin dos Profissionais
Bem-vindo à era moderna do tênis. O Poliéster, ou “Poly”, mudou o jogo. Se você assiste tênis profissional hoje, 90% dos jogadores usam alguma forma de poliéster. Essas cordas são o oposto da tripa natural: são monofilamentos (um único fio grosso) e são rígidas. Muito rígidas. Elas não foram feitas para gerar potência; elas foram feitas para controlar a potência que o jogador já tem, e para gerar uma quantidade absurda de spin.
O segredo do spin do poliéster não está (apenas) na textura, mas no “snap-back”. Como a corda é rígida e escorregadia, no impacto, a corda vertical principal se move para o lado e, em vez de ficar presa, ela “volta” rapidamente ao lugar original (snap-back), dando um “tapa” extra na bola e aumentando a rotação. Para que isso funcione, você precisa de uma coisa: velocidade de raquete. Você precisa de um swing longo e muito rápido. Se você tem um swing lento ou curto, o poliéster não vai fazer nada por você. Ele vai parecer uma tábua, não vai gerar spin e vai mandar todo o choque do impacto direto para o seu cotovelo.
Esta é a corda para jogadores avançados e competitivos que quebram cordas sintéticas ou multifilamentos em menos de 10-15 horas de jogo. É para quem bate forte, com muito spin, e precisa de controle e durabilidade. Se você é iniciante, intermediário, ou joga “chapado” (flat), fique longe do poliéster puro. É a receita mais rápida para uma lesão no braço.
Multifilamento: O “Quase Tripa” Sintético para o Conforto
Aqui temos a tentativa da indústria de criar uma “tripa natural sintética” a um preço acessível. E eles chegaram perto. Como o nome diz, a corda Multifilamento é composta por centenas ou milhares de microfibras, geralmente de nylon ou poliuretano, torcidas juntas e envoltas por uma camada protetora. Essa construção imita a estrutura da tripa natural e oferece muitas de suas qualidades: é macia, confortável e muito potente.
Quando você bate com um multifilamento, você sente a bola “afundar” na corda, proporcionando um ótimo feel e conforto. É uma excelente escolha para jogadores de clube de todos os níveis que não quebram cordas com frequência e que querem proteger o braço. Se você está saindo de uma lesão de cotovelo, ou quer evitar uma, o multifilamento é seu melhor amigo. A potência é fácil de acessar, o que ajuda jogadores com swings mais curtos.
Qual é o lado negativo? Durabilidade e controle. Como são feitas de muitas fibras finas, elas começam a “desfiar” com o atrito. Você verá a corda ficando “peluda” antes de quebrar, o que é um sinal de que ela está perdendo suas propriedades. Elas também não oferecem o mesmo potencial de spin e controle “cirúrgico” do poliéster. Jogadores que batem muito forte podem sentir que a bola “voa” demais, que a corda é “elástica” demais, perdendo controle. Mas para a grande maioria dos jogadores amadores, o multifilamento é uma das melhores e mais seguras escolhas.
Synthetic Gut (Tripa Sintética): O Ponto de Partida Equilibrado
Esta é, provavelmente, a corda mais comum no mundo do tênis. A “Tripa Sintética” (ou Synthetic Gut) é um nome de marketing; na verdade, é quase sempre uma corda de núcleo sólido de nylon, envolta por um ou mais filamentos externos. É a corda “padrão” que vem em muitas raquetes pré-encordoadas. E, honestamente, ela é muito boa pelo que custa.
A Tripa Sintética é a definição de equilíbrio. Ela não faz nada de forma excepcional, mas faz tudo de forma competente. Ela oferece um equilíbrio sólido entre potência, controle, conforto e durabilidade, tudo a um preço imbatível. É mais durável e oferece mais controle que um multifilamento, e é infinitamente mais confortável e potente que um poliéster (para swings lentos). Ela mantém a tensão razoavelmente bem (melhor que o poliéster, pior que a tripa natural) e oferece uma sensação nítida e clássica no golpe.
Para quem ela serve? Para quase todo mundo que está começando ou jogando recreativamente. É a corda ideal para iniciantes, intermediários e jogadores de clube que não têm necessidades específicas. Se você não sabe que corda usar, comece com uma boa Tripa Sintética com 53 libras. É um ponto de partida fantástico e barato. Seu único “defeito” é que ela não é especializada. Jogadores avançados vão querer mais spin (e vão para o poliéster) e jogadores com dores vão querer mais conforto (e vão para o multifilamento ou tripa natural).
A Arte da Mistura: O Universo das Cordas Híbridas
Agora que você entende os “Quatro Grandes”, prepare-se para complicar as coisas de um jeito bom. E se você pudesse ter o spin e a durabilidade do poliéster, mas com o conforto e o feel da tripa natural ou do multifilamento? Isso é o que chamamos de encordoamento híbrido. Você simplesmente usa dois tipos diferentes de corda na mesma raquete, uma para as cordas verticais (mains) e outra para as horizontais (crosses).
O encordoamento híbrido não é um truque de marketing; é a personalização levada ao extremo. Permite que você ajuste a sensação da sua raquete com uma precisão que uma única corda (full bed) não permite. Os profissionais fazem isso há décadas. Eles perceberam que as cordas verticais são as que mais se movem, as que mais quebram e as que mais contribuem para o spin. As cordas horizontais servem mais para “travar” as verticais e definir a sensação geral do impacto.
Isso abre um laboratório de testes infinito. Você pode misturar materiais, espessuras e até tensões diferentes entre as verticais e horizontais. É aqui que o “professor” de encordoamento realmente brilha, criando um setup sob medida para o jogo do aluno. É a sua chance de ter uma raquete que é verdadeiramente sua.
Por que Misturar? O Conceito de “Personalizar” a Raquete
A principal razão para usar um híbrido é simples: balancear as fraquezas. Vamos pegar o poliéster: ele tem spin e controle incríveis, mas é duro e desconfortável. Agora, pegue o multifilamento: é super confortável e potente, mas não tem spin e quebra fácil. Se você colocar os dois juntos, você está tentando criar um meio-termo. Você está pedindo para a corda de poliéster te dar o spin, e para a corda de multifilamento te dar o conforto e absorver o choque.
Misturar permite que você “dose” as características que deseja. Se você usa um “full bed” (cama cheia) de poliéster e seu braço começa a doer, mas você não quer perder todo o spin, qual a solução? Um híbrido. Você mantém o poliéster em uma parte da raquete e suaviza a outra metade. Isso é personalização. É você dizendo: “Eu quero 70% de controle e 30% de conforto”, ou vice-versa.
Outra razão é o custo. A Tripa Natural é muito cara. Muitos jogadores que amam a sensação da tripa, mas não querem pagar por um encordoamento completo dela, usam um híbrido. Eles colocam a tripa (mais cara) nas horizontais e um poliéster (mais barato) nas verticais. Isso corta o custo quase pela metade e ainda oferece uma sensação sensacional, muitas vezes até melhorando a durabilidade, já que o poliéster protege a tripa.
O Setup Clássico: Poliéster nas Verticais, Macia nas Horizontais
Este é o híbrido mais famoso e mais usado no mundo, popularizado por Roger Federer (embora ele usasse Tripa Natural nas horizontais, não multifilamento). A lógica é brilhante: as cordas verticais (mains) são as que definem o spin. Elas são mais longas e se movem mais. Ao colocar um poliéster liso e rígido nas verticais, você maximiza o efeito “snap-back”. A bola bate, a corda vertical desliza sobre a horizontal macia, e volta ao lugar gerando uma rotação violenta.
Enquanto isso, as cordas horizontais (crosses) definem muito da sensação e do conforto da raquete. Ao colocar uma corda macia ali (Multifilamento ou Tripa Natural), você está criando uma “cama” confortável para a bola. O impacto é suavizado, a vibração é absorvida e a potência aumenta. Você obtém o melhor dos dois mundos: o spin e o controle do poliéster nas verticais, com o conforto e a potência da corda macia nas horizontais.
Este setup é a porta de entrada perfeita para jogadores intermediários ou avançados que querem experimentar o poliéster, mas têm medo do impacto no braço. É uma forma muito mais segura e confortável de ter acesso ao spin da era moderna. Recomendo também colocar 2 libras a menos de tensão nas cordas horizontais (maciass) para tentar igualar a rigidez do conjunto.
Híbrido Reverso e Outras Combinações: Quando Usar?
Se o setup clássico é Poly/Multi, o que acontece se invertermos? O “Híbrido Reverso” significa colocar a corda macia (Multifilamento ou Tripa) nas verticais e a corda dura (Poliéster) nas horizontais. Isso é menos comum, mas tem seus fãs. A ideia aqui é priorizar o conforto e a potência acima de tudo. As cordas verticais macias criam uma cama elástica principal muito confortável. O poliéster nas horizontais entra para “firmar” essa cama, adicionar controle e aumentar muito a durabilidade.
Por que isso funciona? O poliéster, sendo mais rígido, “trava” a corda vertical macia, impedindo que ela se mova tanto e, assim, reduzindo o atrito que a faria quebrar. É um setup focado em durabilidade e conforto. Você perde um pouco do potencial de spin do “snap-back” (porque a vertical macia não desliza tão bem), mas ganha uma sensação de “bolsa” (pocketing) muito profunda e confortável, com uma durabilidade excelente.
Além desses, as combinações são infinitas. Você pode misturar dois tipos diferentes de poliéster (um texturizado nas verticais, um liso nas horizontais). Você pode misturar Tripa Sintética com Multifilamento. A regra é: não há regras, apenas testes. Cada combinação lhe dará uma sensação ligeiramente diferente. O híbrido é o playground do tenista que gosta de experimentar.
O Impacto no Desempenho: Como a Corda Muda Seus Golpes
Já estabelecemos que a corda é o motor, mas como esse motor afeta as peças individuais do seu jogo? Como ele muda seu forehand ou seu saque? A influência é total. Você pode ter a técnica perfeita de topspin, mas se estiver usando uma corda grossa de nylon com 60 libras, a bola simplesmente não vai girar. Você pode ter um saque potente, mas se a corda for macia demais, você pode ter dificuldade em controlar a direção.
A corda é a interface entre você e a bola. É o único ponto de contato. Mudar a corda é a forma mais rápida, barata e eficaz de alterar radicalmente o comportamento da sua raquete. Muitas vezes, o aluno chega para mim e diz: “Professor, preciso de uma raquete nova, esta aqui não tem controle”. E eu simplesmente mudo o encordoamento dele – aumento a tensão ou coloco um poliéster – e de repente, a raquete “velha” se torna uma arma cirúrgica.
Vamos ver como as escolhas de corda se traduzem em resultados práticos na quadra. Não é só sobre física, é sobre confiança. Quando você confia que sua corda vai gerar o spin necessário, você acelera o braço com mais confiança por cima da bola, o que, por sua vez, gera mais spin ainda. É um ciclo positivo.
O Fator Spin: Cordas Lisas vs. Cordas Texturizadas (Rugosas)
O spin é o nome do jogo no tênis moderno. É o que permite que você bata forte e ainda mantenha a bola dentro das linhas. Como a corda ajuda? De duas maneiras principais, e uma delas é um mito de marketing. A primeira, e mais importante, é o “snap-back” que já discutimos, que depende de um material liso e rígido (poliéster) e de cordas que deslizam facilmente (híbrido).
A segunda maneira é a textura. Você verá muitas cordas de poliéster vendidas como “rugosas”, “texturizadas”, “octagonais”, “hexagonais” ou “quadradas” (como a famosa RPM Blast da Babolat ou a Solinco Hyper-G). A ideia de marketing é que essas bordas afiadas “agarram” a bola e a fazem girar mais. A realidade é um pouco mais complexa. Sim, a textura ajuda, mas esse efeito dura muito pouco. Depois de algumas horas de jogo, o atrito desgasta essas bordas e a corda fica lisa como qualquer outra.
Então, elas são inúteis? Não. O que a textura realmente faz, e isso é crucial, é diminuir ainda mais o atrito entre as cordas. Uma corda octogonal desliza sobre outra corda octogonal com menos pontos de contato do que duas cordas redondas. Menos atrito significa mais “snap-back”. Portanto, a corda texturizada não gira a bola por “raspar” nela, ela gira a bola por permitir um “snap-back” ainda mais eficiente. A textura é um meio para otimizar o “snap-back”, e não o mecanismo de spin em si.
O “Feel” (Sensação): A Conexão Perdida entre Mão e Bola
“Feel” ou “sensação” é o termo mais subjetivo e mais importante no tênis. É a informação que você recebe no seu braço no momento do impacto. Uma corda com bom feel (como a Tripa Natural ou um bom Multifilamento) te diz tudo: onde a bola bateu no sweet spot, o quão forte ela veio, o quanto de efeito ela tinha. É um feedback de alta definição. Isso permite que você faça micro-ajustes nos seus golpes, especialmente em voleios delicados ou drop shots (curtinhas).
Cordas rígidas, como o Poliéster, historicamente têm um feel ruim. Elas são mais “mortas”. O feedback é abafado, como se você estivesse jogando com uma luva grossa. A bola bate e sai, mas você não tem certeza do que aconteceu. Isso é intencional; elas são feitas para controle em alta velocidade, não para toques sutis. No entanto, os poliésteres modernos (chamados de “co-poliéster”) melhoraram muito isso, adicionando aditivos para suavizar a corda e melhorar essa sensação.
Por que isso importa para você? Se o seu jogo depende de variação, de toques, de sentir a bola, você precisa de uma corda que te dê essa informação. Se você é um jogador de fundo de quadra que só bate pancada com topspin, talvez o feel não seja sua prioridade, e o controle do poliéster seja mais valioso. Mas nunca subestime a importância de “sentir” a bola. Sem feel, o tênis fica muito mais difícil.
Durabilidade e Manutenção de Tensão: O Lado Custo-Benefício
Quando falamos de durabilidade, há dois tipos. A primeira é a durabilidade de quebra: quanto tempo a corda leva para arrebentar. Aqui, o Poliéster e as cordas mais grossas (gauge 16 ou 15) são os reis. O Multifilamento e a Tripa Natural são os mais frágeis. Se você é um “quebrador” de cordas, o poliéster será seu melhor amigo financeiro.
Mas existe uma segunda durabilidade, muito mais importante, que os amadores ignoram: a manutenção de tensão. Isso define por quanto tempo a corda joga bem antes de quebrar. O Poliéster tem uma durabilidade de quebra excelente, mas uma manutenção de tensão terrível. Ele perde cerca de 10-15% da tensão nas primeiras 24 horas após o encordoamento, e continua perdendo rapidamente. Uma corda de poliéster que não quebrou depois de 20 horas de jogo está “morta”. Ela perdeu toda a elasticidade, está rígida como um arame e é um veneno para o seu braço.
Do outro lado, a Tripa Natural tem a melhor manutenção de tensão do mercado. Ela joga bem até o dia em que quebra. O Multifilamento e a Tripa Sintética ficam no meio-termo. O que isso significa? Se você usa poliéster, você precisa trocá-lo regularmente, mesmo que ele não quebre. A corda “morta” é a principal causa de tennis elbow na era moderna. Se você não quebra cordas, escolha um Multifilamento ou Tripa Sintética, que manterão a jogabilidade por mais tempo.
O Veredito do Professor: Qual Corda é Certa Para Você?
Muito bem, absorvemos muita informação. Agora vamos tirar o jaleco de laboratório e voltar para a quadra. Você é um jogador, não um cientista de materiais. Você só quer saber uma coisa: “Professor, o que eu coloco na minha raquete?”. A resposta depende de uma avaliação honesta de quem você é como jogador.
Eu divido meus alunos em três perfis principais. Quase todo tenista amador se encaixa em um deles. Encontre o seu perfil e você terá um ponto de partida excelente para sua próxima visita ao encordoador. Lembre-se, isso é um guia; o ajuste fino final sempre será feito através de testes na prática.
Não existe uma corda mágica que sirva para todos. O setup perfeito do seu parceiro de duplas pode ser péssimo para você. Esqueça o que os profissionais usam. Eles vivem em um universo diferente de velocidade de swing e de tolerância à dor (e eles não pagam pelas cordas!). Foque no que vai fazer você jogar melhor, com mais conforto e mais confiança.
O Perfil “Clubeiro” de Fim de Semana (Foco em Conforto e Custo)
Este é o jogador que joga uma ou duas vezes por semana, que adora o esporte mas não vive para ele. O swing geralmente é curto ou médio. Você não quebra cordas com frequência – talvez uma ou duas vezes por ano, ou nunca. A sua prioridade número um deve ser o conforto e o custo-benefício. O seu maior inimigo é o tennis elbow, que pode te tirar da quadra por meses.
Para você, o Poliéster é veneno. Fique longe. Sua corda ideal é um Multifilamento de boa qualidade. Ele lhe dará potência fácil (o que seu swing mais curto precisa), conforto máximo para proteger seu braço e uma sensação excelente. Marcas como a Wilson NXT, Head Velocity MLT ou Babolat Xcel são escolhas fantásticas. Você sentirá a bola “grudar” na raquete e seus voleios e slices vão melhorar.
Se o preço do Multifilamento for um problema, ou se você quiser um pouco mais de durabilidade e controle, uma Tripa Sintética (Synthetic Gut) de alta qualidade é a escolha perfeita. É barata, confiável e oferece um ótimo equilíbrio. Uma Prince Synthetic Gut Duraflex ou uma Head Synthetic Gut PPS são clássicos que nunca falham. Use uma tensão média, por volta de 52-54 libras, e apenas aproveite o jogo.
O Jogador Intermediário em Evolução (Buscando Performance)
Este é o jogador que já passou da fase inicial. Você joga 3-4 vezes por semana, faz aulas, participa de torneios internos. Seu swing está ficando mais longo e rápido. Você está começando a usar o topspin como uma arma. Você provavelmente quebra cordas a cada 1 ou 2 meses e está começando a achar que sua Tripa Sintética ou Multifilamento está “elástica” demais, fazendo a bola voar sem controle.
Você é o candidato perfeito para um Híbrido. Você está pronto para os benefícios do poliéster, mas seu braço provavelmente não está pronto para um “full bed”. Comece com o setup clássico: um Poliéster (Poly) nas verticais e um Multifilamento (Multi) nas horizontais. Escolha um poliéster mais macio para começar, como o Solinco Hyper-G Soft ou o Luxilon Element. Coloque o poliéster com 50 libras e o multifilamento com 52 libras. Você terá o spin e o controle que procura, sem sacrificar totalmente o conforto.
Outra opção, se você não quer se aventurar nos híbridos ainda, é procurar por cordas de co-poliéster “macias” (Soft Polys) ou cordas de multifilamento “orientadas para o controle”. Essas cordas tentam preencher a lacuna entre as duas categorias. Mas, na minha experiência, o híbrido é a melhor solução para este estágio de transição, pois permite que você “sinta” os dois mundos.
O “Quebrador” de Cordas (Foco em Durabilidade e Controle)
Você é o animal da quadra. Você joga quase todo dia, seu swing é longo, violento e cheio de topspin. Você vê a bola e tenta destruí-la. Seu problema é que as cordas de Tripa Sintética ou Multifilamento não duram um treino completo. Você está gastando uma fortuna com encordoamento e está frustrado porque, no meio do segundo set, a corda já perdeu a tensão e a bola está voando para o alambrado.
Você não tem escolha: você precisa de um “Full Bed” de Poliéster. Você é o jogador para quem essa corda foi inventada. Você precisa da durabilidade e do controle que só o poliéster pode oferecer. Sua velocidade de swing ativará o “snap-back” e você verá a bola cair na quadra com um spin que você nunca achou possível. Comece com cordas de poliéster testadas e aprovadas, como a Solinco Hyper-G, a Luxilon ALU Power ou a Babolat RPM Blast.
Um aviso crucial: com grande poder, vem grande responsabilidade. Use tensões baixas. Esqueça as 58 libras. Comece com 50, talvez 48. Profissionais usam tensões ainda mais baixas hoje em dia. E, pelo amor ao seu cotovelo, troque a corda antes que ela quebre. Estabeleça um limite de horas (por exemplo, 15 horas de jogo) e troque a corda, mesmo que ela pareça inteira. A corda de poliéster morta é perigosa e tira todo o seu controle.
Além da Corda: Erros Comuns e Mitos do Encordoamento
Quase terminando nossa aula. Mas antes de irmos para o vestiário, preciso destruir alguns mitos que ouço todo santo dia na quadra. Esses mitos são como vícios de técnica: são difíceis de largar e estão ativamente prejudicando o seu jogo e a sua saúde. O conhecimento sobre encordoamento evoluiu muito, mas o “senso comum” da quadra de clube parece ter parado nos anos 80.
Se você conseguir evitar essas armadilhas, você estará à frente de 90% dos jogadores recreativos. Você economizará dinheiro, evitará lesões e terá uma raquete que trabalha para você, e não contra você. O encordoamento é uma ciência, mas não precisa ser complicada se você seguir os princípios básicos.
O maior erro de todos é não pensar sobre isso. É tratar o encordoamento como um detalhe sem importância. É como um piloto de corrida que não se importa com os pneus do carro. Não seja esse jogador. Preste atenção no seu equipamento, pois ele é uma extensão do seu corpo.
O Mito da “Tensão do Profissional” (Por que 58 libras pode destruir seu braço)
Este é o erro mais clássico. O aluno lê em uma revista que Pete Sampras usava 70 libras ou que um profissional atual usa 58 libras. Então, ele vai ao encordoador e pede a mesma coisa, achando que isso lhe dará o “controle profissional”. O que ele esquece é que o profissional tem um swing que é 50% mais rápido, uma técnica impecável e uma equipe de fisioterapeutas esperando por ele no vestiário.
Usar uma tensão muito alta com um swing amador tem dois resultados desastrosos. Primeiro, a corda fica parecendo uma tábua, o sweet spot (ponto doce) da raquete diminui para o tamanho de uma moeda e você perde toda a potência. Para compensar, você tenta bater mais forte, usando a força bruta do braço em vez da técnica. Segundo, essa tensão alta, combinada com um material rígido como o poliéster, transmite uma onda de choque brutal do impacto diretamente para os tendões do seu pulso e cotovelo.
Repita comigo: tensão alta não “dá” controle. Ela exige que você gere 100% do controle e da potência. É uma ferramenta para domar a força extrema, não para criar controle do nada. A menos que você seja um jogador de nível nacional, você provavelmente se beneficiará de tensões mais baixas (abaixo de 54 libras) do que imagina.
“Minha corda nunca quebra, então está boa”: O Perigo da Corda Morta
Este é, na minha opinião, o mito mais perigoso do tênis moderno. O jogador coloca um poliéster e fica feliz da vida porque a corda dura seis meses, um ano. “Que corda boa, professor, não quebra nunca!”. Enquanto isso, eu o vejo na quadra massageando o cotovelo e reclamando que a bola não “anda” e que o controle sumiu.
Como já falamos, o poliéster perde a tensão de forma dramática. Depois de 15-20 horas de jogo, ele não é mais uma corda de tênis; é um pedaço de plástico rígido, sem elasticidade. Ele para de absorver o impacto. Todo o choque da bola vai direto para o seu braço. Além disso, ele perde o “snap-back”, então seu spin desaparece. E como ele está “frouxo” e “morto”, a bola voa sem controle.
Uma corda de poliéster morta é pior do que qualquer outra corda. Ela combina o pior de todos os mundos: é desconfortável, não tem potência e não tem controle. Se você usa poliéster, você precisa ter um cronograma de troca. A regra geral é: troque suas cordas por ano o mesmo número de vezes que você joga por semana. Joga 3 vezes por semana? Troque a corda a cada 4 meses (3 vezes por ano), no mínimo. E se for poliéster, corte esse tempo pela metade.
Esquecer de Trocar a Corda (Quando a frequência importa mais que a quebra)
Isso se aplica a todos os tipos de corda, não apenas ao poliéster. Todas as cordas, mesmo a Tripa Natural, perdem tensão com o tempo, apenas em velocidades diferentes. Uma corda de multifilamento ou tripa sintética que está na raquete há um ano está “morta”. Ela pode não ser tão perigosa quanto o poliéster morto, mas ela perdeu sua razão de ser: a elasticidade, a potência e o conforto.
O encordoamento é um investimento na sua saúde e no seu jogo. Não faz sentido gastar uma fortuna em uma raquete nova e depois economizar R$ 50,00 no encordoamento. Um encordoamento novo e fresco faz uma raquete velha parecer nova. Um encordoamento velho e morto faz uma raquete nova parecer um pedaço de pau.
Estabeleça uma rotina. Se você joga casualmente e não quebra cordas, ótimo. Mas marque no calendário: a cada 4 ou 6 meses, vá ao seu encordoador e coloque um jogo novo de cordas. Pode ser uma Tripa Sintética barata. A sensação de uma corda nova, com a tensão correta, vai renovar sua confiança no seu equipamento e no seu jogo. Não espere a corda quebrar. A quebra é um indicador de durabilidade, não de jogabilidade.
Comparativo no Vestiário: As Escolhas Populares Lado a Lado
Para fechar, vamos colocar três das cordas mais icônicas e representativas de suas categorias em um comparativo direto. Pense nisso como a minha lousa aqui no clube. Vamos analisar a Luxilon ALU Power (o rei do Poliéster), a Wilson NXT (um padrão-ouro do Multifilamento) e a Prince Synthetic Gut Duraflex (a Tripa Sintética clássica).
| Característica | Luxilon ALU Power (Poliéster) | Wilson NXT (Multifilamento) | Prince Synthetic Gut (Tripa Sintética) |
| Material Principal | Co-poliéster (Monofilamento) | Milhares de microfibras de PU | Núcleo sólido de Nylon com envoltórios |
| Principal Vantagem | Controle, Spin, Durabilidade de Quebra | Conforto, Potência, Sensação (Feel) | Custo-Benefício, Equilíbrio Geral |
| Principal Fraqueza | Desconfortável, Perda Rápida de Tensão | Baixa Durabilidade, Menos Controle | “Mestre de Nada”, Sensação básica |
| Perfil do Jogador | Avançado/Competitivo. Quebrador de corda. | Todos os níveis. Foco em conforto (dor no braço). | Iniciante/Intermediário. Jogador casual. |
| Manutenção de Tensão | Ruim. (Precisa trocar antes de quebrar) | Boa. (Joga bem até perto de quebrar) | Média. (Perde tensão gradualmente) |
| Veredito do Professor | A “Ferrari”. Use se você tem o swing (e o braço) para ela. | A “Almofada”. Mime seu braço com o melhor conforto. | O “Fusca”. Confiável, barato, faz o trabalho. |

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
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