Top 5 Raquetes de Tênis para Adolescentes
Escolher a raquete certa agora define os próximos anos do seu jogo. Não é só pegar a raquete do Nadal ou do Djokovic e ir para a quadra. Estamos falando de competição adolescente. Você precisa de uma ferramenta que te dê confiança para soltar o braço, mas que não te machuque. Precisamos de grafite de alta qualidade, peso certo e equilíbrio perfeito para o seu estilo de jogo.
Eu separei as 5 melhores raquetes que vejo hoje no circuito júnior competitivo. São raquetes que ajudam a desenvolver o jogo moderno: agressivo, com muito spin e rápido. Vamos analisar cada uma delas, sem enrolação, direto ao ponto, como se estivéssemos treinando na quadra. Preste atenção nos detalhes, porque é aqui que você ganha ou perde uma vantagem antes mesmo de entrar em quadra.
A Transição Crítica: Saindo da Raquete Júnior para a de Performance
Antes de olharmos os modelos, entenda o momento que você está vivendo. Essa troca não é só de tamanho, é de conceito. Você está saindo de uma raquete que “ajuda” a bola a passar a rede para uma raquete que “exige” que você gere a potência. É a diferença entre jogar tênis e competir no tênis. O equipamento de performance é mais rígido, mais pesado e tem um sweet spot (ponto doce) mais definido. Se você bater certo, a bola sai como um tiro. Se bater errado, a raquete te avisa na hora, vibrando ou mandando a bola na lona.
Essa transição é onde muitos juniores se perdem. Eles pegam uma raquete pesada demais, achando que vão bater como o Federer, e acabam com uma lesão no pulso ou no cotovelo (o famoso tennis elbow). O segredo é encontrar o equilíbrio. Uma raquete que seja pesada o suficiente para ser estável contra bolas rápidas, mas leve o suficiente para você acelerar o swing no final do terceiro set.
O que vamos analisar aqui são raquetes de 26 polegadas de performance (feitas 100% de grafite, como as de adulto) e raquetes de adulto (27 polegadas) leves, que são ideais para essa próxima etapa. Esqueça as raquetes de alumínio ou fusão de materiais que você vê em loja de departamento. Para competição, o material precisa ser grafite, ponto final. É ele que dá a firmeza, a resposta e o controle que seu jogo exige.
O dilema do peso: Por que 26 polegadas ainda importa?
Muitos garotos querem pular direto da raquete 25 para a 27 (adulta) padrão, geralmente com 300 gramas. Isso é um erro grave. Uma raquete de 26 polegadas de performance, como a Pro Staff 26 que veremos, fica ali na casa das 250 ou 260 gramas. Isso é o ideal para o jogador júnior que ainda está em fase de crescimento muscular. Você precisa de peso para ter estabilidade, sim, mas precisa ainda mais de velocidade na cabeça da raquete para gerar spin. Se a raquete for pesada demais, seu swing fica lento e seu jogo fica chapado.
A raquete de 26 polegadas de grafite é a ponte perfeita. Ela tem o comprimento um pouco menor, o que a torna mais fácil de manusear na rede e de preparar o golpe rapidamente. Pense nela como a ferramenta de ajuste fino. Ela te força a usar a técnica correta, a fazer a rotação de tronco completa, porque ela não tem o peso de uma raquete adulta para “roubar” na potência. Você aprende a bater, e não a empurrar.
O momento de usar uma 26 de performance é quando você já tem os golpes definidos, está competindo regularmente, mas seu corpo ainda não está totalmente formado. Usar essa raquete por seis meses ou um ano pode solidificar sua técnica de uma forma que pular direto para a adulta jamais faria. Ela protege seu braço enquanto você ganha força.
Quando saltar para a raquete adulta (27 polegadas)?
O sinal de que você está pronto para a raquete de 27 polegadas (tamanho adulto) não é sua idade, é sua força física e sua técnica. Quando você pega a sua raquete de 26 polegadas e sente que ela está “leve demais”, que ela vibra muito quando você bloqueia um saque forte, é o sinal. Quando você sente que pode acelerar mais, mas a raquete parece “sumir” na sua mão, é a hora. Geralmente, isso acontece quando o adolescente já tem uma estrutura física mais sólida e um swing longo e rápido.
O salto deve ser gradual. Você não sai de 250 gramas para 315 gramas. Você procura uma raquete adulta “light” (leve) ou “MP” (Mid-Plus). As raquetes que vamos analisar, como a Pure Aero, a Blade e a Speed, têm versões excelentes na faixa das 285 a 300 gramas. Esse é o ponto ideal para o competidor júnior avançado. Elas oferecem a estabilidade da raquete adulta sem o peso excessivo que trava o movimento.
A vantagem da raquete de 27 polegadas é a alavanca. Esse centímetro a mais faz uma diferença enorme no saque, dando mais altura e potência. Na linha de base, ela oferece mais alcance. Se você já tem força para manuseá-la, a raquete adulta te dá mais “massa” para colocar atrás da bola, resultando em golpes mais pesados, que empurram o adversário para trás.
O material é tudo: Grafite vs. Alumínio (e por que competição exige Grafite)
Vamos ser diretos: raquete de alumínio é para recreação. Ponto. Se você está treinando para competir, você precisa de uma raquete 100% grafite (ou compostos avançados de grafite, como carbono). O alumínio é barato e durável, mas é péssimo para o tênis de performance. Ele vibra excessivamente, o que é um veneno para o seu braço, causando lesões. Além disso, ele é muito flexível e “oco” na sensação. A bola bate e o material absorve toda a energia, a bola não anda.
O grafite é o oposto. Ele é rígido, leve e transfere energia de forma incrivelmente eficiente. Quando você bate na bola com uma raquete de grafite, o material deforma minimamente e devolve quase toda a energia do impacto para a bola. É isso que chamamos de “potência”. Além disso, o grafite transmite muito melhor o feeling (a sensação) da bola. Você sabe exatamente onde no sweet spot você acertou.
As raquetes de competição usam diferentes tramas e tecnologias de grafite para criar sensações distintas. Algumas são mais rígidas (para potência), outras mais flexíveis (para controle). Mas a base é sempre o grafite. Se a raquete diz “fusão”, “composite” ou “alumínio”, ela não serve para o nível de jogo que estamos buscando. Você está treinando para ser um atleta, precisa da ferramenta de um atleta.
Review 1: Babolat Pure Aero (A Máquina de Spin)
A Babolat Pure Aero é, sem dúvida, a raquete mais popular no circuito júnior. É a raquete do Nadal, e agora do Alcaraz, e ela cumpre o que promete: spin. Se o seu jogo é baseado em topspin, em bolas altas e pesadas que pulam no ombro do adversário, esta é a sua ferramenta. Ela é uma máquina de colocar efeito na bola. A versão “normal” tem 300 gramas, o que é excelente para um júnior forte, mas as versões “Lite” ou “Team” (mais leves) também são opções fantásticas para a transição.

O aro dela é grosso (aerodinâmico) e ela é bem rígida. Isso significa duas coisas: potência alta e um sweet spot generoso. Ela é o que chamamos de “user-friendly” (fácil de usar). Mesmo que você não acerte perfeitamente no centro, a raquete ainda solta a bola com velocidade. Ela é feita para o jogo moderno, de fundo de quadra, onde você dita o ponto com o seu forehand.
Porém, ela não é para todo mundo. Por ser tão rígida e focada em potência, jogadores que buscam um controle mais fino, que gostam de slices (golpes cortados) e voleios precisos, podem sentir a bola “flutuando” um pouco. Ela exige que você bata sempre com swing rápido e de baixo para cima. Se você tentar bater chapado (reto), a bola vai para a lona.

Análise de Jogo: Potência e Topspin na linha de base
Na linha de base, a Pure Aero é um monstro. O design do aro, chamado Aeromodular, foi feito para cortar o ar. Você sente que consegue acelerar a raquete muito rápido, e essa velocidade de swing se traduz diretamente em rotação (spin). A bola sai da sua raquete com uma trajetória alta sobre a rede, mas cai de forma abrupta dentro da quadra. É o pesadelo para o adversário, que é forçado a bater a bola sempre acima do ombro.
A tecnologia FSI Spin (Frame String Interaction) usa grommets (os protetores por onde passam as cordas) com formatos diferentes nas partes superior e inferior da cabeça. Isso permite que as cordas se movam mais durante o impacto, “agarrando” a bola por uma fração de segundo a mais. É essa “mordida” que gera o topspin absurdo. Você vai descobrir ângulos na quadra que não achava possíveis.
No saque, ela também brilha. O peso concentrado mais na cabeça ajuda a gerar potência no saque chapado, mas é no saque kick (com efeito) que ela se destaca. A bola pula alta e tira o adversário da quadra, abrindo espaço para você atacar o segundo golpe. É uma raquete para quem gosta de ser agressivo e ditar os pontos.
Sensação e Manuseio: O feedback da tecnologia FSI Spin
A sensação da Pure Aero é única. Ela é rígida, então você sente uma resposta muito “crocante” e direta. Não é uma raquete que absorve o impacto; ela o repele. Jogadores que gostam de feeling macio, como o de uma raquete clássica, podem estranhar. Você sente a bola explodir nas cordas. O sistema Woofer, integrado aos grommets, ajuda a ampliar o sweet spot, tornando-a mais tolerante a erros.
O manuseio dela é excelente para quem tem um swing moderno. O equilíbrio dela (peso levemente voltado para a cabeça, ou head heavy) ajuda a “puxar” a raquete através da zona de impacto. Para preparar o forehand rapidamente, ela é ágil. Na rede, ela não é a raquete mais rápida do mundo. Por ser rígida e potente, os voleios de toque exigem mão firme. Ela é melhor para voleios de bloqueio ou definitivos.
A vibração é um ponto de atenção. Por ser tão rígida, se você usar uma corda de monofilamento (poliéster) muito dura e com tensão alta, o impacto no braço pode ser significativo. Para um júnior, é crucial combinar a Pure Aero com uma corda mais macia ou uma tensão mais baixa para proteger o cotovelo.
Para qual tipo de jogador júnior ela serve?
A Pure Aero é para o adolescente que joga como um “touro”. O agressive baseliner (jogador de fundo de quadra agressivo). Se o seu jogo é construir o ponto com forehands pesados, abrir a quadra com ângulos de topspin e terminar o ponto com força, não procure mais. Se você idolatra o Nadal ou o Alcaraz e modela seu jogo neles, essa é a escolha óbvia.
Ela é perfeita para o júnior que já tem uma boa base técnica, mas quer adicionar uma camada extra de “peso” à sua bola. Ela ajuda a corrigir bolas que ficariam na rede, dando mais margem de segurança sobre a rede. Se você é um jogador que gosta de contra-atacar, ela também funciona bem, usando a potência do adversário contra ele.
Se você é um jogador que depende de toque, slices e subidas à rede (estilo serve-and-volley), esta raquete provavelmente vai te atrapalhar. Ela não foi feita para sutilezas. Ela foi feita para dominar.
Review 2: Wilson Blade 98 (O Bisturi de Precisão)
Se a Pure Aero é um martelo, a Wilson Blade 98 é um bisturi. Esta é a raquete para o jogador que valoriza o feeling e o controle acima de tudo. É uma das raquetes mais populares no circuito profissional, usada por jogadores que têm um jogo mais clássico e técnico, como Tsitsipas ou, no passado, Raonic. A Blade é o oposto da Pure Aero: ela é flexível, tem o aro fino e é focada em conectar o jogador à bola.
A versão 16×19 (padrão de cordas) oferece um ótimo equilíbrio entre controle e acesso ao spin. A cabeça de 98 polegadas quadradas exige mais do jogador. O sweet spot é menor e menos tolerante que o da Pure Aero. Você precisa bater limpo na bola para extrair o melhor dela. Se você acertar, a sensação é incomparável. Você sente que pode colocar a bola em qualquer centímetro da quadra.

Para um júnior, a Blade é uma raquete “professora”. Ela não te dá potência de graça. Você precisa gerar sua própria velocidade de swing. Ela te força a ter uma técnica apurada, a usar o corpo todo no golpe. Mas, se você já tem essa técnica, ela recompensa com uma precisão cirúrgica.
Análise de Jogo: Controle e feeling nos voleios
Na linha de base, a Blade exige trabalho. Ela não vai te salvar se você estiver atrasado para a bola. Você precisa estar bem posicionado e acelerar o braço. Onde ela se destaca é na capacidade de mudar a direção da bola. Como ela é muito estável e flexível, você sente a bola “afundar” nas cordas (o que chamamos de dwell time), permitindo direcionar o golpe com extrema precisão. O backhand de uma mão, em particular, parece feito para esta raquete.
O slice com a Blade é uma arma. A raquete corta o ar facilmente e o aro fino permite que você entre por baixo da bola, gerando um slice rápido, baixo e venenoso. Ela é fantástica para quebrar o ritmo do adversário. O controle que ela oferece te dá confiança para mirar nas linhas.
Na rede, a Blade é uma rainha. O feeling que ela proporciona é o que todo voleador procura. Você sente a bola perfeitamente, permitindo executar voleios curtos, angulados ou profundos com total controle. Para o júnior que gosta de jogar duplas ou que está desenvolvendo um jogo de saque-e-voleio, a Blade é uma ferramenta excepcional.
Sensação e Manuseio: A tecnologia FortyFive e a flexibilidade
A sensação é o ponto forte da Blade. As versões recentes (V8 e V9) usam a tecnologia FortyFive, que é uma trama de carbono especial que aumenta a flexibilidade lateral da raquete, mas mantém a rigidez vertical. Em termos de quadra, isso significa que a raquete é confortável no braço, absorvendo o impacto, mas sem perder a potência e a estabilidade. É o melhor dos dois mundos.
Ela é uma raquete que parece uma extensão do braço. O equilíbrio dela é mais voltado para o cabo (head light), o que a torna muito manobrável, apesar do seu peso (a versão padrão tem 305g). Você sente que pode preparar o golpe rapidamente, seja numa devolução de saque ou num reflexo no voleio.

Para o braço, ela é muito mais amigável que a Pure Aero. A flexibilidade dela absorve grande parte da vibração. Para o júnior que sente desconforto no cotovelo ou no ombro, a Blade é uma escolha muito mais segura, permitindo longas horas de treino sem dor.
Para qual tipo de jogador júnior ela serve?
A Blade 98 é para o jogador técnico. O “artista” da quadra. É para o adolescente que não depende só de força bruta, mas que gosta de construir o ponto com variação. Se você é um jogador all-court (joga bem em todas as partes da quadra), que usa slices, sobe à rede e gosta de bater chapado ou com topspin moderado, a Blade vai se encaixar perfeitamente.
Ela é ideal para o júnior que já tem um swing longo e fluido, que gera a própria potência. Se você é um jogador que ainda tem o swing curto ou que depende da raquete para gerar velocidade, a Blade vai parecer “morta” na sua mão, e a bola não vai andar.
Resumindo: se você quer sentir a bola e controlar o ponto com precisão, escolha a Blade. Se você quer explodir a bola com spin, fique com a Aero.
Review 3: Head Speed MP (A Versatilidade Pura)
Se você está na dúvida entre a potência da Aero e o controle da Blade, a Head Speed MP provavelmente é a sua resposta. Esta é a raquete usada por Novak Djokovic (embora a dele seja muito customizada) e Jannik Sinner. A Speed MP é a definição de uma raquete all-court moderna. Ela faz tudo muito bem. Não é a mais potente, não é a mais controlável, mas é fantástica em ambos.
Com 300 gramas (sem corda) e cabeça 100, ela tem o equilíbrio perfeito para o jogador júnior avançado. Ela é rápida, estável e tem um sweet spot muito generoso. A grande sacada da Speed é a tecnologia Auxetic, que proporciona uma sensação de impacto inacreditável. Você sente a raquete flexionar no momento certo, dando conforto, mas respondendo com velocidade.

Ela é uma raquete que se adapta ao seu jogo. Se você quiser jogar agressivo do fundo, ela responde. Se precisar defender e usar slices, ela responde. Para o adolescente que ainda está descobrindo seu estilo de jogo principal, a Speed é uma escolha segura e de altíssimo desempenho.
Análise de Jogo: O equilíbrio perfeito entre potência e controle
A Speed MP permite que você jogue solto. No fundo de quadra, ela tem potência suficiente para ditar pontos, mas o padrão de cordas 16×19 oferece spin mais do que suficiente para manter a bola em quadra. Ela não gera o spin “pesado” da Pure Aero, mas permite que você bata com mais penetração, uma bola mais rápida e reta. O backhand de duas mãos, em particular, parece muito natural com esta raquete, permitindo acelerar na cruzada ou inverter na paralela com confiança.
Ela não te força a jogar de um jeito específico. Em um dia que você está confiante, você pode bater winners de qualquer lugar. Em um dia que você está mais defensivo, ela é estável o suficiente para bloquear os golpes do adversário e usar slices para se manter no ponto. Ela é a raquete mais versátil do mercado.
No saque, ela é sólida. Não é o canhão da Aero, nem a precisão cirúrgica da Blade, mas é consistente. Você consegue variar bem entre o saque chapado, o slice e o kick, sem precisar fazer ajustes drásticos no seu movimento.
Sensação e Manuseio: A tecnologia Auxetic e o “sweet spot”
A tecnologia Auxetic mudou o jogo para a Head. É uma construção interna no grafite que reage ao impacto. Quanto mais forte você bate, mais a raquete “enrijece” para te dar resposta. Em toques suaves, como um drop shot (curtinha), ela parece macia. Essa sensação adaptativa é o que a torna tão confortável e confiável. Você sente exatamente o que a bola está fazendo.
O manuseio dela é talvez o ponto mais forte. Ela é muito rápida no ar. A sensação de peso é perfeitamente distribuída. Isso a torna excelente em devoluções de saque, onde você precisa de uma reação rápida. Na rede, ela é mais rápida que a Aero e mais potente que a Blade. É um meio-termo ideal para voleios de bloqueio e voleios de definição.
Ela também é muito boa para o braço. A sensação é macia, absorvendo vibrações indesejadas sem perder o feedback da bola. Para um júnior que treina cinco vezes por semana, essa proteção contra lesões é fundamental.
Para qual tipo de jogador júnior ela serve?
A Head Speed MP é para o jogador all-court completo. É para o adolescente que está desenvolvendo todas as armas: um forehand sólido, um backhand confiável, bons voleios e um saque variado. Se você não se encaixa nem no molde do “spinnador” louco (Aero) nem no “controlador” clássico (Blade), a Speed é para você.
É a raquete perfeita para o júnior que joga um tênis rápido, moderno, que gosta de trocar bolas do fundo, mas que também sabe a hora de subir à rede para fechar o ponto. Pense no estilo do Sinner: limpo, agressivo, mas controlado.

Se você não tem certeza de qual é seu estilo dominante, ou se seu estilo é justamente a versatilidade, a Speed MP é a escolha mais inteligente. Ela não vai te deixar na mão em nenhuma situação de jogo.
Review 4: Yonex VCore 100 (A Vantagem Isométrica)
A Yonex chegou para ficar. Por muito tempo, foi uma marca de nicho, mas hoje é uma potência no circuito. A linha VCore é a resposta da Yonex à Pure Aero. Ela é uma raquete focada em spin e potência, mas com um feeling muito particular da marca. É a raquete de jogadores como Denis Shapovalov e Elena Rybakina. A VCore 100 (cabeça 100) é a versão mais acessível e potente da linha.
A grande diferença da Yonex é o formato da cabeça: Isométrico. A cabeça é levemente “quadrada” no topo. Isso parece estranho, mas funciona. O formato isométrico aumenta a área do sweet spot em comparação com uma raquete oval tradicional. Na prática, você tem mais área útil para bater na bola, especialmente em golpes batidos mais perto do topo do aro (comum em swings de topspin).
Ela é uma raquete rígida, como a Aero, mas muitos jogadores relatam que a sensação de impacto da Yonex é mais macia e confortável. Ela usa um material chamado VDM (Vibration Dampening Mesh) no cabo, que filtra muito bem as vibrações ruins.

Análise de Jogo: Spin agressivo e saque potente
A VCore 100 é outra máquina de spin. Ela compete diretamente com a Pure Aero. O aro também é aerodinâmico, permitindo que você acelere o swing com facilidade. A bola sai da raquete com uma trajetória muito alta e agressiva. O diferencial dela é que, além do spin, ela parece ter um controle direcional um pouco melhor que o da Aero. Você sente que pode “laçar” a bola e colocá-la em ângulos difíceis.
Onde a VCore 100 realmente impressiona é no saque. A combinação da cabeça isométrica (que perdoa mais) e a velocidade do aro resulta em saques muito potentes. Você sente que pode soltar o braço no saque chapado sem medo da bola ir para fora. O saque kick também é muito eficiente, pulando alto e para o lado.
No fundo de quadra, ela é pura agressão. Ela te convida a bater forte na bola em todas as oportunidades. Se você gosta de ditar os pontos e fazer o adversário correr, a VCore é uma arma poderosa.
Sensação e Manuseio: O formato da cabeça e a absorção de vibração
O feeling isométrico é algo que você precisa se acostumar. Nos primeiros minutos, pode parecer diferente, mas a maioria dos jogadores se adapta rapidamente e passa a amar. A sensação é de um sweet spot enorme. Você sente que, mesmo que pegue um pouco fora do centro, a raquete ainda entrega uma bola sólida. Isso dá muita confiança para o júnior que está sob pressão.
Apesar de rígida, a sensação no impacto é surpreendentemente confortável. A Yonex investe muito em tecnologia de absorção de vibração. Você sente a bola explodir, mas sem aquele “choque” duro que algumas raquetes de potência transmitem ao braço. Isso é uma vantagem enorme para o adolescente em crescimento, reduzindo o risco de lesões.
O manuseio é rápido. Ela é fácil de movimentar na preparação dos golpes e ágil na rede. O equilíbrio dela permite uma aceleração fácil, o que é a chave para o spin que ela promete.
Para qual tipo de jogador júnior ela serve?
A VCore 100 é para o mesmo jogador que se interessa pela Pure Aero, mas que talvez busque uma sensação um pouco mais confortável e um sweet spot mais generoso. É para o agressive baseliner moderno, que vive de forehands com spin e saques potentes.
Se você já experimentou a Pure Aero e a achou muito “dura” ou “travada”, a VCore 100 é a alternativa perfeita. Ela entrega a mesma performance de spin e potência, mas com uma sensação de conforto superior.

É uma ótima escolha para o júnior que quer dominar os pontos do fundo de quadra e busca uma raquete que perdoe os pequenos erros de contato, mantendo a bola pesada e agressiva.
Review 5: Wilson Pro Staff 26 v14 (A Ponte para o Profissional)
Aqui temos a exceção da lista. As outras quatro são raquetes adultas leves (27 polegadas), ideais para a transição final. Esta, a Pro Staff 26 v14, é uma raquete júnior de 26 polegadas, mas é uma raquete de performance. Ela não é de alumínio, ela é 100% grafite, feita com a mesma qualidade e tecnologia da raquete adulta do Roger Federer (embora com especificações adaptadas).
Esta raquete é a ferramenta de transição definitiva. Ela pesa cerca de 255g (encordoada), o que é o peso perfeito para um júnior de 10 a 13 anos que é forte, compete, mas ainda não tem massa corporal para segurar uma raquete de 300g. Ela ensina o jogador a jogar tênis da maneira certa.

Ela é uma raquete de controle. Aro fino, flexível, com um feeling clássico. Ela não dá potência de graça. Ela exige que o jogador tenha um swing completo, que use as pernas e a rotação do tronco. É a raquete “professora” por excelência, e é por isso que a coloco neste top 5 de competição.
Análise de Jogo: A raquete júnior de performance real
Jogar com a Pro Staff 26 é como dirigir um carro de câmbio manual pela primeira vez. Você precisa aprender a usá-la. A bola não vai andar se você só empurrar. Mas, quando você aprende a acelerar e bater limpo, a precisão é absurda. Ela permite ao júnior desenvolver slices, drop shots e voleios de toque que raquetes de alumínio jamais permitiriam.
O padrão de cordas 16×19 dá um bom acesso ao spin, mas ela brilha mesmo nos golpes chapados e nos drives controlados. Ela te dá uma confiança enorme para mirar nas linhas. Ela é estável para o seu peso, permitindo que o júnior comece a lidar com bolas mais rápidas sem que a raquete “torça” na mão.
O desenvolvimento do saque com esta raquete é muito saudável. Como ela é leve e mais curta, o júnior pode focar 100% na técnica e no movimento fluido, em vez de tentar “forçar” a potência com uma raquete pesada demais.
Sensação e Manuseio: Peso ideal para transição (250-260g)
A sensação da Pro Staff 26 é pura. É uma raquete flexível, que absorve o impacto e te dá um feedback tátil incrível. O jogador aprende a “sentir” a bola nas cordas. Isso é crucial para desenvolver a “mão” (o toque) no tênis. O peso dela, na casa dos 250g, é ideal para o desenvolvimento muscular. Não sobrecarrega o ombro nem o cotovelo.
O manuseio é a sua maior vantagem. Por ser 26 polegadas e ter equilíbrio voltado para o cabo (head light), ela é incrivelmente rápida. O júnior consegue preparar o golpe com antecedência, ajustar a empunhadura rapidamente para um voleio e ter reflexos rápidos na rede.

É uma raquete que constrói um jogador. Ela não oferece atalhos. Ela exige técnica, e é por isso que é tão boa para a fase de competição juvenil.
Para qual tipo de jogador júnior ela serve?
Esta raquete é para o júnior sério. O jogador que está treinando pesado, focado em técnica, e que tem entre 10 e 13 anos (dependendo da altura e força). É para o adolescente que ainda não está fisicamente pronto para uma raquete adulta de 27 polegadas, mas que precisa de uma ferramenta de grafite de alta performance.
Se o seu técnico está focado em construir seu jogo com uma base técnica sólida (trabalho de pés, swing completo, variação de golpes), esta é a raquete ideal para essa fase.
Quando esta raquete ficar leve demais, o salto para uma Blade 98 ou uma Speed MP será muito mais natural, pois o jogador já terá aprendido a gerar sua própria potência, em vez de depender da raquete para isso.
O Confronto Direto: Comparando as Gigantes
Para simplificar, vamos colocar as três principais raquetes de transição adulta (Aero, Blade e Speed) lado a lado. Elas representam os três caminhos principais: Spin, Controle e Versatilidade.
| Característica | Babolat Pure Aero | Wilson Blade 98 (16×19) | Head Speed MP |
| Estilo de Jogo | Spin e Potência | Controle e Feeling | Versatilidade (All-Court) |
| Ideal Para | Agressive Baseliner | Jogador Técnico / All-Court | Jogador Completo / Versátil |
| Tamanho da Cabeça | 100 sq. in. | 98 sq. in. | 100 sq. in. |
| Peso (sem corda) | 300g | 305g | 300g |
| Rigidez (aprox.) | Alta (Rígida) | Baixa (Flexível) | Média (Confortável) |
| Ponto Forte | Topspin pesado e potência | Precisão cirúrgica e toque | Equilíbrio perfeito e manuseio |
| Ponto Fraco | Pode faltar controle fino | Exige que o jogador gere potência | Não é “a melhor” em nada |
| Sensação | “Crocante” e potente | Macia e conectada | “Limpa” e adaptativa |
A Importância do Encordoamento na Raquete de Competição Júnior
Tudo bem, você escolheu a raquete. Agora, preste atenção: a raquete é 50% da equação. Os outros 50% são as cordas. Você pode pegar a melhor raquete do mundo, colocar a corda errada, e ela vai parecer um pedaço de pau. Para o júnior em competição, isso é ainda mais crítico por causa do risco de lesão. Não adianta nada ter uma raquete de R$ 2.000 e economizar R$ 50 na corda.
Muitos juniores veem os profissionais usando cordas de monofilamento de poliéster (como a RPM Blast ou a Luxilon) e querem copiar. O poliéster oferece um controle e spin incríveis, mas é uma corda muito dura. Ela é feita para adultos com musculatura completa, que batem com velocidade extrema e trocam de corda a cada 9 games. O braço de um adolescente nem sempre está pronto para esse nível de rigidez.
A escolha da corda e da tensão (libragem) é o ajuste fino do seu equipamento. É onde você personaliza a raquete para o seu braço. Uma corda errada pode arruinar uma raquete boa.
Híbrido vs. Monofilamento: O que o braço do adolescente aguenta?
Para a maioria dos adolescentes em transição, eu não recomendo usar um monofilamento (poliéster) puro. O risco de lesão no cotovelo e no ombro é muito alto. Essas cordas perdem a tensão muito rápido e, quando “morrem”, transmitem um choque violento para o braço. O ideal para o júnior que precisa de performance, mas também de proteção, é o encordoamento híbrido.
O encordoamento híbrido é o que o Federer usava. Você coloca uma corda de poliéster (para controle e spin) nas cordas principais (verticais) e uma corda macia, como multifilamento ou tripa natural, nas cordas cruzadas (horizontais). Isso te dá o melhor dos dois mundos: a “mordida” do poliéster e o conforto e a potência do multifilamento. O braço agradece.
Se você realmente precisa usar um monofilamento puro, escolha um que seja conhecido por ser mais macio (como o Yonex Poly Tour Pro ou o Head Lynx) e use uma tensão (libragem) baixa.
Tensão (Libragem): O ajuste fino para potência ou controle
Aqui está a regra de ouro: tensão mais alta = mais controle (e menos potência). Tensão mais baixa = mais potência (e menos controle). Isso acontece por causa do “efeito estilingue”. Com a tensão baixa, a corda afunda mais quando a bola bate, e depois a expele com mais força. Com a tensão alta, a corda quase não se mexe, dando uma resposta mais firme e previsível (controle).
Muitos juniores acham que precisam de tensão alta, como 58 ou 60 libras. Isso é um erro. Com as raquetes e cordas modernas, quase ninguém joga com tensões tão altas. Para um júnior usando um híbrido ou um monofilamento macio, eu recomendo começar na faixa das 48 a 52 libras. Isso vai te dar potência, spin e, o mais importante, conforto.
Você precisa testar. Comece com 50 libras. Se sentir a bola “voando” muito (saindo), aumente para 52. Se sentir que está fazendo muita força e a bola não anda (ou o braço doer), baixe para 48. Encontrar sua tensão ideal leva tempo.
A troca de cordas: Quando a corda “morre”?
Isso é muito importante. As cordas não precisam arrebentar para estarem ruins. O monofilamento, em particular, “morre”. Ele perde a elasticidade, a capacidade de voltar ao lugar. A raquete começa a parecer “morta”, sem potência, e a vibrar muito. Você perde o controle e força mais o braço para a bola andar.
A regra geral para quem compete é trocar de cordas tantas vezes por ano quanto você joga por semana. Se você joga 4 vezes por semana, deve trocar de corda pelo menos 4 vezes por ano. Mas, se você usa poliéster e treina forte, a realidade é outra. Você deveria trocar de corda a cada 15 ou 20 horas de jogo, no máximo.
Nunca entre em um torneio importante com uma corda velha. A corda é o motor da sua raquete. Mantenha o motor regulado.
Erros Comuns ao Escolher a Raquete de Transição
Para fechar nosso papo, quero te alertar sobre as armadilhas. Vejo isso todo dia na quadra. Alunos que gastam um dinheirão no equipamento errado e acabam frustrados ou machucados. Evite esses três erros a todo custo. São erros que podem atrasar sua evolução em meses, ou até anos.
O maior problema é a vaidade. Escolher a raquete porque ela é bonita, ou porque seu ídolo usa, é o caminho mais rápido para o fracasso. A raquete é uma ferramenta. Ela tem que servir para o seu jogo, não para o jogo do Djokovic.
O segundo erro é achar que “mais pesado” é sempre “melhor”. O tênis moderno é sobre velocidade de swing. Uma raquete pesada demais vai te deixar lento, atrasado nos golpes e vai destruir seu ombro.
O erro de comprar uma raquete muito pesada (O “ego-lifting” do tênis)
Isso é o que eu chamo de “ego-lifting” do tênis. O júnior vê os profissionais jogando com raquetes de 340 gramas e acha que precisa de uma igual para bater forte. O que ele não sabe é que o profissional tem 15 anos de preparação física e uma equipe de fisioterapeutas. O seu corpo, em fase de crescimento, não aguenta esse tranco.
Uma raquete pesada demais (acima de 310g para a maioria dos juniores) vai sabotar sua técnica. Você vai começar a usar o braço para “empurrar” a bola, em vez de usar a rotação do corpo para “bater”. Seu swing ficará curto, seu follow-through (a terminação do golpe) será incompleto. Você vai perder spin, potência e controle.
Comece com raquetes na faixa de 285g a 300g (se for adulta) ou 250g (se for 26 polegadas). É muito mais fácil adicionar peso a uma raquete leve (com fitas de chumbo) do que tirar peso de uma raquete pesada. Seja humilde e respeite seu desenvolvimento físico.
Ignorar o tamanho do grip (empunhadura)
Este é um erro técnico grave. O grip é o tamanho do cabo. Eles geralmente vão de L1 (mais fino) a L5 (mais grosso). A maioria dos adolescentes usa L2 ou L3. Usar um grip errado é desastroso. Se o grip for muito pequeno, você terá que apertar a raquete com muita força para ela não girar na sua mão. Isso causa tensão no antebraço e é a receita número um para o tennis elbow (lesão no cotovelo).
Se o grip for muito grande, você perde mobilidade no pulso. Fica difícil fazer a pronação correta no saque, gerar topspin ou executar voleios rápidos. Você perde o feeling da raquete.
Para saber seu tamanho, segure a raquete com sua empunhadura normal de forehand (semi-western, provavelmente). Deve haver um espaço entre a ponta do seu dedo anelar e a base da sua palma, mais ou menos da grossura de um dedo indicador. Na dúvida, é sempre melhor comprar o grip um número menor. É fácil engrossar um grip (com um overgrip extra), mas é quase impossível afinar um grip grande.
Escolher pelo jogador profissional, não pelo seu próprio jogo
Não seja esse cara. Não compre a Wilson Blade 98 porque o Tsitsipas é estiloso, se o seu jogo é ficar 3 metros atrás da linha de base dando balão de topspin. Você vai odiar a raquete. A Blade não foi feita para isso. Não compre a Pure Aero do Nadal se o seu jogo é baseado em slices e subidas à rede. Você não vai conseguir controlar a bola.
Seja honesto sobre o seu jogo. Você é um jogador agressivo de fundo? (Aero ou VCore). Você é um jogador técnico que gosta de controle e variação? (Blade). Você é um jogador versátil que faz um pouco de tudo? (Speed).
Escolha a raquete que amplifica seus pontos fortes e ajuda a corrigir seus pontos fracos. A raquete é sua parceira na quadra. Escolha uma parceira que te ajude a vencer, não uma que só seja bonita.

Wallison Felipe Soares
Renato Fernandes, CRN9/ 22289, é um nutricionista apaixonado por transmitir conteúdo sobre saúde e nutrição para as pessoas.
Formado pelo grupo UNIEDUK, iniciou sua jornada como professor de tenis há mais de 20 anos.
ExperiênciaExperiência
Professor tênis – Professor tênis Professor tênis Instituto Próxima Geração. IPG · Tempo integral – Instituto Próxima Geração. IPG · Tempo integralmar de 2024 – o momento · 1 ano 2 meses De mar de 2024 até o momento · 1 ano 2 meses Monte Mor, São Paulo, Brasil · Presencial Monte Mor, São Paulo, Brasil · Presencial
Desenvolvimento de liderança e Tecnologias educacionais
Instrutor de tênis Instrutor de tênis Instrutor de tênis Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude Louveira · Meio período Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude Louveira · Meio período fev de 2017 – o momento · 8 anos 3 meses De fev de 2017 até o momento · 8 anos 3 meses Louveira, São Paulo, Brazil