7 erros a evitar ao comprar a sua primeira raquete de ténis

E aí, campeão? Pega a garrafa de água, senta aí no banco um minuto. Vamos bater um papo sério, mas descontraído, sobre um dos momentos mais críticos da sua jornada no tênis: a escolha da sua primeira raquete.

Eu vejo isso todo santo dia na quadra. O aluno chega empolgado, saca da bolsa uma raquete novinha, linda. Dez minutos de bate-bola e eu já sei. O braço começa a doer, a bola voa para o alambrado, ou morre na rede. A culpa? Quase nunca é 100% da técnica inicial. É da ferramenta. Você comprou a raquete errada.

Comprar sua primeira raquete é como ajustar a mira de um saque. Se você mirar errado na loja, vai passar o primeiro ano inteiro de treinos fazendo dupla falta. Você vai lutar contra o equipamento, em vez de aprender o golpe. E eu quero que você evolua, que sinta o prazer de acertar aquele winner na paralela. Para isso, sua raquete precisa ser uma parceira, não uma adversária.

Vamos dissecar isso. Eu listei os 7 erros não-forçados mais comuns que vejo os iniciantes cometerem. Preste atenção, porque entender isso vai economizar seu dinheiro, evitar lesões e, o mais importante, acelerar seu jogo. Vamos entrar na quadra.


Erro 1: Escolher a Raquete pelo “Jogo Bonito” (Aparência ou Ídolo)

O primeiro impulso é o mais traiçoeiro. Você entra na loja, física ou online, e seus olhos brilham. Lá está ela. A raquete preta fosca do Federer. A amarela e roxa do Nadal. A azul vibrante daquele tenista que você viu ganhar no fim de semana. Elas são lindas. Elas parecem rápidas. Elas gritam “profissional”. E esse é exatamente o problema. Você está comprando uma pintura, não uma ferramenta de precisão ajustada para o seu nível atual.

A raquete do seu ídolo foi desenhada para o corpo do seu ídolo. Ela foi feita para um atleta que treina oito horas por dia desde os cinco anos de idade. Raquetes profissionais, como as da linha “Pro Staff” do Federer ou a “Pure Aero” do Nadal, são pesadas, exigentes e têm um sweet spot (área ideal de contato) muito menor e mais focado. Elas são feitas para controle absoluto, assumindo que o jogador já tem força e técnica para gerar potência. Para um iniciante, essa raquete é veneno. Ela vai vibrar no seu braço, parecer um pedaço de madeira e exigir um esforço físico que seu corpo ainda não está pronto para dar.

O mesmo vale para a estética pura. “Ah, professor, mas essa verde-limão combina com o meu tênis”. Eu não me importo se ela combina com seu uniforme, eu me importo se ela combina com seu swing. A indústria gasta milhões em marketing para fazer você desejar a raquete pela cor. Ignore isso. Na primeira aula, quando você não conseguir manter três bolas em quadra, a cor bonita será a última coisa em sua mente. Seu foco deve ser em especificações técnicas que ajudem a perdoar seus erros iniciais, não em algo que pareça bom na foto do Instagram.

Erro 2: O “Slice” no Orçamento (Comprar a Mais Barata de Alumínio)

Aqui temos o oposto do Erro 1, mas igualmente prejudicial. Você pensa: “Estou só começando. Não sei se vou gostar. Vou pegar a mais barata que tiver”. Você vai lá e compra aquela raquete de 150 reais, geralmente de alumínio, que vem até com uma bolinha e uma capinha frágil. Parece um bom negócio. Na verdade, é um péssimo investimento no seu próprio aprendizado. O tênis é um esporte de sensações, e essas raquetes não oferecem sensação nenhuma.

O alumínio é um material barato, mas ele vibra excessivamente. Cada golpe envia um choque desagradável direto para o seu pulso e cotovelo. Sabe aquela dorzinha chata no cotovelo, o famoso tennis elbow? Raquetes de alumínio são o caminho mais rápido para desenvolvê-lo. Elas são pesadas de um jeito ruim, desequilibradas, e a bola simplesmente “morre” nelas. Você não sente o contato, não aprende a diferenciar um golpe chapado de um slice leve. Elas são, essencialmente, brinquedos caros.

Não estou dizendo que você precisa gastar dois mil reais na sua primeira raquete. Longe disso. Mas existe um nível mínimo de qualidade. Procure raquetes de “composição” ou “grafite fundido”. Elas são o ponto de entrada ideal. São raquetes que usam materiais modernos (como grafite, titânio ou fibra de vidro) que absorvem melhor o impacto, oferecem mais potência com menos esforço e dão um feedback muito melhor para o seu braço. Você vai gastar um pouco mais, mas vai comprar uma ferramenta que permite a evolução, e não uma âncora que te impede de sair do lugar.

Erro 3: Errar o “Grip” (O Tamanho da Empunhadura)

Este é um erro técnico, silencioso e absolutamente destrutivo. O grip é o cabo da raquete, a parte onde você segura. Ele vem em vários tamanhos, geralmente medidos na Europa (L0, L1, L2, L3, L4, L5) ou nos EUA (4, 4 1/8, 4 1/4, 4 3/8, 4 1/2). Comprar o tamanho errado é o equivalente a tentar correr uma maratona com um tênis dois números menor. Você até consegue começar, mas a lesão é certa.

Se o grip for muito pequeno para sua mão, você terá que apertar a raquete com força excessiva para impedi-la de girar no momento do impacto. Essa tensão constante sobe pelo seu antebraço e é a receita número um para dores no pulso e epicondilite (o tennis elbow). Seu forehand nunca terá firmeza, pois a raquete vai “dançar” na sua mão no contato com a bola. Você perderá controle e potência simplesmente porque sua mão não consegue estabilizar a ferramenta.

Por outro lado, um grip muito grande é igualmente ruim. Ele impede o movimento natural do seu pulso. O tênis moderno depende da “lagarta” (a capacidade de relaxar e acelerar o pulso) para gerar topspin e potência no saque. Com um cabo grosso demais, sua mão fica “travada”. Você não consegue fazer a pronação correta no saque, nem o whip (chicote) no forehand. A regra geral? Segure a raquete. Deve haver espaço para o seu dedo indicador da outra mão deslizar entre a ponta dos seus dedos e a base da palma da mão. Na dúvida, erre para o menor. É fácil engrossar um grip com um overgrip, mas é quase impossível afinar um grip que veio grosso de fábrica.

Erro 4: Ignorar o “Sweet Spot” (O Tamanho da Cabeça)

Quando você está começando, seu timing ainda está em desenvolvimento. Você vai acertar a bola fora do centro da raquete. Muitas vezes. Isso é normal, faz parte do jogo. O “Sweet Spot” é a área no centro das cordas que fornece a melhor resposta, potência e conforto. O seu objetivo como iniciante é ter a maior margem de erro possível. E essa margem é ditada pelo tamanho da cabeça da raquete.

O erro aqui é comprar raquetes com cabeça pequena, as chamadas Midsize (geralmente abaixo de 98 polegadas quadradas). Elas são raquetes de controle puro. Elas exigem que você acerte a bola perfeitamente no centro, sempre. Se você errar por um centímetro, a bola não anda, a raquete vibra e seu golpe falha. São ferramentas cirúrgicas para jogadores avançados que já têm o timing de um relógio suíço.

Para você, que está começando, o ideal é uma cabeça Oversize (acima de 105 polegadas quadradas) ou, no mínimo, uma Midplus (entre 100 e 104 polegadas). Uma cabeça maior oferece duas vantagens cruciais: um sweet spot gigantesco, que perdoa golpes fora do centro, e mais potência “gratuita”. A física é simples: uma área de cordas maior age mais como um trampolim. Você não precisará fazer tanta força para a bola passar da rede e ir fundo na quadra do adversário. Isso permite que você relaxe e se concentre na técnica do golpe, em vez de fazer força bruta.

Erro 5: Desprezar o Peso (Achar que Leve é Sempre Melhor)

A lógica do iniciante é: “Sou fraco, meu braço cansa. Preciso da raquete mais leve possível”. Isso parece fazer sentido, mas no tênis, o peso é seu amigo, desde que esteja no lugar certo. Uma raquete que é leve demais (abaixo de 270g, por exemplo) é instável. Ela não tem massa suficiente para absorver o impacto da bola. Imagine tentar parar um carro em movimento dando um soco. Agora imagine fazer isso com uma luva de boxe pesada. A luva (massa) absorve o choque. A raquete leve faz o seu braço absorver todo o choque.

Raquetes muito leves vibram muito. Elas são ótimas no swing de “aquecimento” na loja, parecem um brinquedo fácil de mover. Mas quando uma bola de verdade, vinda de um saque ou um forehand mais forte do outro lado, atinge suas cordas, a raquete vai torcer na sua mão. Você perderá todo o controle. Além disso, a falta de massa significa que você tem que gerar 100% da potência. Você terá que balançar mais rápido e com mais força, o que ironicamente cansa mais o braço e aumenta o risco de lesão.

O ideal para um iniciante adulto (homem ou mulher) é buscar raquetes na faixa de 275g a 300g (sem corda). Esse peso oferece um equilíbrio fantástico. É leve o suficiente para manusear com facilidade enquanto você aprende os movimentos, mas tem massa suficiente para ser estável no impacto, absorver a vibração e ajudar a gerar potência. Não tenha medo de uma raquete com 290g. Ela vai fazer mais pelo seu braço do que uma de 250g.

Erro 6: Não Entender o Equilíbrio (O “Approach” da Raquete)

Peso e equilíbrio são coisas diferentes. Você pode ter duas raquetes com exatamente 300g, mas uma pode parecer muito mais pesada que a outra. A culpa é do equilíbrio (balance), ou seja, onde o peso está distribuído. Temos três categorias: Head Heavy (Peso na Cabeça), Head Light (Peso no Cabo) e Even Balance (Equilibrada). O iniciante que ignora isso está comprando uma personalidade de raquete sem saber qual é.

Raquetes Head Heavy (peso na cabeça) são comuns em raquetes leves. Elas usam o peso na ponta para ajudar a gerar potência e estabilidade. Para quem está começando e tem um swing (movimento do golpe) mais curto ou lento, elas são excelentes. Elas ajudam a “empurrar” a bola por você. O risco é que elas podem cansar o pulso se forem pesadas demais no geral.

Raquetes Head Light (peso no cabo) são a escolha clássica dos jogadores avançados e de quem gosta de saque-e-voleio. O peso está na sua mão, o que torna a cabeça da raquete muito rápida e manobrável. É ótimo para reflexos rápidos na rede e para acelerar o swing e gerar spin. O problema? Elas exigem que você tenha a técnica e a velocidade de braço para gerar potência. Para um iniciante, uma raquete assim pode parecer “morta”, sem força. Você vai bater e a bola não vai andar.

Para o seu primeiro ano, uma raquete Even Balance (equilibrada) ou levemente Head Heavy costuma ser a aposta mais segura. Elas oferecem o melhor dos dois mundos: potência suficiente para ajudar seu jogo de fundo de quadra, mas sem sacrificar totalmente a manobrabilidade que você precisa para aprender os voleios., ao escolher uma boa raquete de tênis para iniciantes

Erro 7: Comprar “No Escuro” (Não Fazer o Test-Drive/Demo)

Este é o erro final, o match point perdido. Você leu tudo, pesquisou, entendeu o peso, o equilíbrio, o tamanho da cabeça. Você acha que encontrou a raquete perfeita no papel. E então você clica em “comprar” sem nunca ter batido uma bola com ela. Você não compraria um carro sem fazer um test-drive. Não compre uma raquete. O tênis é um jogo de sensações. O que funciona para seu amigo pode não funcionar para você.

A “sensação” (o feel) é subjetiva. Algumas raquetes parecem “macias” e confortáveis; outras parecem “crisp” (secas) e rígidas. Algumas parecem absorver a bola; outras parecem repeli-la. Você só descobre qual sensação agrada seu braço e seu estilo de jogo batendo na bola. Muitas lojas especializadas (as pro shops) oferecem programas de “demo” ou “test-drive”. Você paga uma pequena taxa (que geralmente é abatida se você comprar a raquete) e leva 2 ou 3 modelos diferentes para a quadra.

Leve as raquetes para a sua aula. Peça para eu ver. Bata forehands, backhands, saques e voleios. Sinta qual delas parece uma extensão do seu braço. Qual delas te dá mais confiança? Qual delas faz a bola ir onde você está mirando com mais frequência? Qual delas é mais confortável após 30 minutos de jogo? Ignorar o teste é jogar roleta russa com seu investimento e, pior, com seu desenvolvimento no esporte.


O “Plano de Jogo” para Acertar na Escolha

Ok, professor, entendi o que não fazer. Mas então, como eu faço o approach certo para comprar? Você precisa de um plano de jogo. Não adianta só se defender dos erros; você precisa atacar a escolha da maneira correta. Isso envolve autoconhecimento, entender os componentes da raquete e saber quem ouvir.

Vamos quebrar isso em três partes táticas cruciais. Se você dominar esses três H3s, sua chance de acertar um winner na escolha da raquete aumenta em 90%.

Definindo seu “Game Style” de Iniciante

Eu sei o que você está pensando: “Professor, eu não tenho game style, eu mal consigo passar a bola da rede!”. Calma, campeão. Quando falamos de “estilo de jogo” para um iniciante, não estamos falando se você vai ser o Nadal (defensivo com topspin) ou o Federer (agressivo e all-court). Estamos falando sobre suas características físicas básicas e seu conforto inicial na quadra. Isso é fundamental para decidir se você precisa de uma raquete que te dê potência ou uma que te dê controle.

Você é um atleta? Você já pratica outros esportes, é forte e tem boa coordenação? Se sim, você provavelmente vai desenvolver um swing (movimento do golpe) rápido. Você não vai precisar de uma raquete que gere potência “grátis”. Você vai precisar de uma raquete que te dê controle, para domar a força que você já tem. Nesse caso, uma raquete com cabeça 100, peso de 290-300g e um perfil (aro) mais fino seria um bom ponto de partida.

Agora, seja honesto. Você é mais sedentário? Seu movimento é naturalmente mais curto, mais parecido com um “empurrão” do que com uma “chicotada”? Você sente que falta força no braço? Não há vergonha nenhuma nisso. A maioria começa assim. Nesse caso, você precisa de ajuda da tecnologia. Você precisa de uma raquete de potência. Busque cabeças maiores (105-110), peso mais leve (275-285g) e um equilíbrio voltado para a cabeça (Head Heavy). Essa raquete fará o trabalho pesado por você, permitindo que a bola vá funda enquanto você aprende a forma correta do golpe.

O Encordoamento: A Alma do “Golpe”

Aqui está um segredo que pouca gente te conta: a raquete é o corpo, mas o encordoamento é a alma. Você pode ter a raquete perfeita e estragar tudo com a corda errada ou a tensão errada. Muitos iniciantes cometem o erro de comprar uma raquete e nunca mais trocar a corda, ou usar a corda “de fábrica”, que geralmente é de baixa qualidade e colocada com uma tensão genérica para agradar a todos (e acaba não agradando ninguém).

Existem basicamente dois universos de cordas: multifilamentos e monofilamentos (poliéster). Esqueça o poliéster por enquanto. Essas são cordas rígidas, feitas para controle e spin, usadas por jogadores avançados que quebram cordas toda semana. Para você, elas são um caminho direto para a lesão no cotovelo. Você precisa de conforto e potência. Sua escolha deve ser um bom multifilamento ou, no mínimo, uma tripa sintética (synthetic gut) de qualidade. Elas são mais macias, absorvem melhor o impacto e agem como um trampolim, dando mais velocidade à bola com menos esforço.

E a tensão? A regra é simples: tensão alta = mais controle, menos potência. Tensão baixa = mais potência, menos controle (e mais conforto). Como iniciante, você quer potência e conforto. Peça para encordoar com uma tensão baixa ou média-baixa. Algo entre 48 e 52 libras é um ótimo ponto de partida. A corda vai “agarrar” a bola e cuspi-la para frente. Lembre-se: a corda perde a tensão com o tempo, mesmo que você não jogue. Troque o encordoamento pelo menos duas vezes por ano, mesmo que ele não quebre.

Onde Buscar o “Conselho Certo” (Professores vs. Vendedores)

Você está cercado de informações. Seu amigo que joga há um ano vai te dar uma dica. O vendedor da loja grande de esportes vai te dar outra. O fórum na internet vai dizer o oposto. Filtrar o “ruído” é essencial. O vendedor da loja, muitas vezes, quer bater a meta do mês. Ele vai te empurrar a raquete que está com maior margem de lucro ou a que está encalhada no estoque. Ele não te viu jogar. Ele não sabe se seu backhand é de uma ou duas mãos.

Seu amigo que joga há um ano está, provavelmente, tão confuso quanto você. Ele vai recomendar a raquete que ele usa, que pode ser totalmente inadequada para você. Ele ainda está na fase de descoberta e pode, sem querer, te passar os mesmos vícios ou erros que ele cometeu.

Onde está o conselho de ouro? Comigo. Com o seu professor de tênis. Eu estou na quadra com você. Eu vejo sua mecânica. Eu sei se você tem um swing curto ou longo. Eu sei se seu pulso é rígido ou solto. Eu sei qual é sua dificuldade principal. O professor é a única pessoa qualificada para te dar um diagnóstico preciso e recomendar 2 ou 3 modelos que realmente vão funcionar para o seu jogo atual e futuro. Converse comigo antes de comprar. Pegue as raquetes de demo e traga para a aula. Essa é a única maneira de garantir que a teoria (especificações) encontra a prática (seu golpe).


Comparando as “Armas” Iniciais

Para fechar nosso bate-papo, vamos organizar o arsenal. Como você viu, não existe “a melhor raquete de iniciante”. Existe a raquete certa para o tipo de iniciante que você é. As marcas (Wilson, Head, Babolat, Yonex, etc.) todas têm ótimos modelos em três categorias principais que você precisa entender.

Eu chamo essas categorias de “Controle”, “Potência” e “Transição”. Elas são definidas pela combinação de peso, tamanho da cabeça, equilíbrio e rigidez do aro. Vamos ver o que cada uma faz na prática, lá na quadra.

A Raquete de Controle (Foco no “Placement”)

Este é um terreno um pouco mais avançado, mas alguns iniciantes atléticos se encaixam aqui. São raquetes que não te dão potência. Elas assumem que você já tem força e velocidade de braço. O que elas oferecem em troca é uma sensação incrível, precisão e a capacidade de colocar a bola exatamente onde você quer (o placement). São raquetes que te recompensam pela boa técnica.

Elas geralmente têm cabeças menores (98 a 100 polegadas), são mais pesadas (300g ou mais) e mais flexíveis (baixa rigidez). O equilíbrio é no cabo (Head Light). Se você pegar uma raquete dessas e tiver um swing curto, a bola não vai passar da rede. Você vai sentir que está jogando com uma frigideira.

Para 90% dos iniciantes, eu digo: fiquem longe daqui por enquanto. Mas se você é aquele 10% que é muito forte, vem de outro esporte de raquete (como squash ou badminton) e sente que as raquetes de iniciante “normais” estão fazendo a bola voar demais, esta pode ser sua praia. É uma escolha que exige paciência, mas que paga dividendos a longo prazo se você tiver a base física para ela.

A Raquete de Potência (Foco no “Winner”)

Aqui é onde a maioria dos iniciantes deveria começar. Essas raquetes são popularmente chamadas de game improvement (melhora de jogo). Elas são desenhadas com um único objetivo: facilitar sua vida. Elas são feitas para gerar potência máxima com o mínimo de esforço do seu braço. Elas são as melhores amigas de quem tem um swing mais curto ou mais lento.

As especificações são claras: cabeça bem grande (Oversize, 105 a 115 polegadas), peso muito leve (260g a 280g) e equilíbrio totalmente na cabeça (Head Heavy). O aro (perfil) também costuma ser bem grosso, o que ajuda a criar um efeito de trampolim e aumentar a estabilidade. O sweet spot é gigante, perdoando quase todos os seus erros de timing.

O lado negativo? Elas podem parecer um pouco “ocas” ou “artificiais” para alguns. E, conforme você melhora e seu swing fica mais rápido, você vai sentir que perde o controle. A bola vai começar a sair demais no fundo. Mas tudo bem. Essa raquete foi feita para te tirar do nível zero e te levar ao nível intermediário. Quando ela ficar “fácil demais”, é sinal de que você evoluiu. E aí, sim, você troca por outra.

A Raquete de Transição (O “All-Court” do Iniciante)

Na minha opinião, esta é a categoria de ouro para a maioria dos adultos que começam a jogar tênis. Elas são o meio-termo perfeito, as raquetes all-court para quem está aprendendo. Elas misturam o melhor dos dois mundos: potência suficiente para ajudar, mas com controle suficiente para não te limitar quando você começar a soltar o braço.

Aqui você encontra as especificações mais balanceadas: cabeça Midplus (100 a 104 polegadas), peso médio-leve (280g a 300g) e equilíbrio levemente na cabeça ou neutro (Even Balance). Elas são manobráveis, confortáveis e oferecem um feel muito bom. Elas não fazem todo o trabalho por você, como as de potência, mas também não te punem, como as de controle.

Essa é a raquete que te permite aprender a gerar seu próprio topspin. Ela é estável o suficiente no voleio e te dá a confiança para tentar um saque mais agressivo. A grande vantagem é a longevidade: você pode comprar uma raquete de transição hoje e, provavelmente, jogar com ela por dois ou três anos, até seu jogo estar realmente sólido e você definir seu estilo de forma permanente.


Bate-Pronto: Comparativo de Raquetes para Iniciantes

Para você visualizar melhor, montei um quadro comparativo. Não estou focando em modelos específicos, porque eles mudam todo ano, mas sim nos tipos de raquete. Pense nisso como o seu guia de especificações na hora de ir para a loja.

CaracterísticaTipo 1: Potência (Game Improvement)Tipo 2: Transição (All-Court)Tipo 3: Controle (Para iniciantes atléticos)
Tamanho da Cabeça105 a 115 sq. in. (Oversize)100 a 104 sq. in. (Midplus)98 a 100 sq. in. (Midplus)
Peso (sem corda)260g a 280g (Leve)280g a 300g (Médio-Leve)300g+ (Pesada)
EquilíbrioHead Heavy (Peso na Cabeça)Even Balance (Equilibrada)Head Light (Peso no Cabo)
Perfil (Aro)Grosso (25mm+)Médio (23-25mm)Fino (21-23mm)
Ideal ParaSwing curto/lento; busca por potência fácil; perdão em golpes fora do centro.Swing médio; equilíbrio entre potência e controle; a aposta mais segura.Swing rápido; iniciantes fortes/atléticos; foco em sensação e precisão.
SensaçãoPotente, rígida, “trampolim”.Confortável, estável, conectada.Sólida, flexível, “cirúrgica”.

Pronto. O jogo está na sua mão agora. Escolher a primeira raquete define o tom do seu aprendizado. Não cometa esses erros não-forçados. Não compre pela cor, não economize no material errado e, pelo amor de Deus, teste a raquete antes de comprar.

Traga suas dúvidas para a quadra. Vamos encontrar a ferramenta certa, e então vamos trabalhar esses golpes até eles ficarem automáticos. Agora, levanta daí e vamos para o aquecimento. Temos muito forehand para treinar.

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