5 Lesões de Tênis Mais Comuns em Mulheres e Como Preveni-las

E aí, futura campeã! Que bom ver você em quadra hoje. Antes de começarmos a bater bola e trabalhar aquele topspin de direita, precisamos ter uma conversa séria, de treinador para atleta. Eu vejo você evoluindo, batendo mais forte e se movimentando melhor, mas o segredo para chegar ao nível avançado não é apenas bater winners; é manter o corpo saudável para jogar amanhã, semana que vem e daqui a dez anos. O circuito feminino tem suas particularidades, e a anatomia da mulher exige cuidados específicos que muitas vezes são ignorados até que a dor apareça.

Hoje, vamos deixar a raquete de lado por alguns minutos para entender a máquina que comanda o jogo: o seu corpo. No tênis moderno, a velocidade da bola aumentou, as quadras duras são impiedosas e a exigência física é brutal. Para as mulheres, certas lesões aparecem com mais frequência devido a fatores biomecânicos e hormonais. Quero que você entenda o “porquê” de cada dor, para que nunca precise ficar meses parada fazendo fisioterapia em vez de estar aqui, fechando o set. Vamos mergulhar fundo nisso, como se estivéssemos analisando o vídeo do seu saque em câmera lenta.

5 Lesões de Tênis Mais Comuns em Mulheres e Como Preveni-las

O Cotovelo de Tenista: Quando a Técnica Encontra a Sobrecarga

A biomecânica do backhand atrasado

Você já sentiu aquela fisgada na parte externa do cotovelo quando atrasa o ponto de contato no backhand? Isso é o clássico Tennis Elbow, ou epicondilite lateral. Para muitas jogadoras, o problema começa quando o timing da batida sai de sintonia. Se você acerta a bola “atrasada”, ou seja, quando ela já passou da linha do seu quadril, o seu punho e o antebraço são forçados a fazer um trabalho de compensação brutal para trazer a raquete para frente. Em vez de usar a rotação do tronco e a força das pernas, você acaba isolando os pequenos músculos extensores do antebraço, que não foram feitos para absorver o impacto de uma bola vindo a 80 km/h.

Essa sobrecarga é cumulativa. Imagine que cada vez que você atrasa o golpe, cria-se uma microlesão nos tendões que se prendem ao osso do cotovelo. No início, parece apenas um cansaço muscular, mas com a repetição — e sabemos que no tênis a repetição é a alma do negócio —, o tecido inflama e degenera. A correção técnica aqui é vital: precisamos focar no seu split step e na preparação antecipada. Se você chegar cedo na bola, conseguirá transferir o peso do corpo para a frente, usando a cadeia cinética correta e poupando o cotovelo dessa vibração nociva.

Além do atraso, a rigidez no movimento é uma vilã silenciosa. Muitas alunas tentam “guiar” a bola com o braço esticado e tenso, travando o cotovelo no momento do impacto. O tênis exige fluidez. O braço deve funcionar como um chicote, relaxado, permitindo que a energia flua do chão, passe pelo quadril e chegue à raquete. Quando você tenciona o braço antes do impacto, o choque da bola não tem para onde dissipar e fica todo retido na articulação. Aprender a soltar o ar no momento da batida ajuda a relaxar essa musculatura e prevenir essa tensão desnecessária.

O impacto da empunhadura e do tamanho do grip

Outro fator que vejo derrubar muitas jogadoras é o equipamento, especificamente o tamanho do cabo da raquete, o grip. Se o cabo for muito fino para a sua mão, você instintivamente apertará a raquete com muito mais força para que ela não gire no impacto. Essa força de preensão contínua mantém os músculos do antebraço em tensão máxima durante todo o ponto. É como tentar correr uma maratona com os músculos da panturrilha contraídos o tempo todo; eventualmente, eles vão falhar.

Por outro lado, um cabo grosso demais também é problemático, pois impede que você feche a mão adequadamente, dificultando a manobra da raquete e o uso do punho para gerar spin. O teste ideal é simples: segure a raquete com sua empunhadura de forehand. Deve haver um espaço de aproximadamente um dedo indicador entre a ponta dos seus dedos e a base do polegar. Se não houver espaço, está fino; se sobrar muito, está grosso. Ajustar isso é barato — muitas vezes um overgrip resolve — e pode salvar seu cotovelo de meses de dor.

A tensão das cordas também joga nesse time. Muitas mulheres tentam usar a mesma tensão que os profissionais da TV, algo acima de 55 ou 60 libras, com cordas de poliéster rígidas. Se você não tem o braço do Nadal, isso é um convite para a lesão. Cordas muito duras transmitem toda a vibração do impacto direto para o seu tendão. Baixar a tensão ou misturar cordas (híbridas) aumenta o “efeito trampolim”, fazendo a bola andar mais com menos esforço do seu braço. Lembre-se: o equipamento deve trabalhar para você, não contra você.

Exercícios de fortalecimento preventivo

Não basta apenas corrigir a técnica; precisamos blindar seu antebraço. O fortalecimento dos extensores é negligenciado na academia, onde focamos muito em bíceps e tríceps. Um exercício simples e obrigatório para você fazer em casa envolve um elástico ou um pequeno peso. Apoie o antebraço em uma mesa, com a mão para fora, e faça o movimento de levantar a mão (extensão de punho) lentamente, segurando a descida. É na fase excêntrica — a descida — que o tendão ganha mais resistência à carga.

Outra ferramenta fantástica é o FlexBar, aquela barra de borracha flexível. Fazer o movimento de torção com ela, conhecido como “Tyler Twist”, tem comprovação clínica na redução de dores de epicondilite. Incluir isso na sua rotina de aquecimento ou pós-treino, três vezes por semana, cria uma reserva de força. Quando você pegar aquela bola malbatida ou atrasada num tie-break tenso, seu músculo terá estrutura para aguentar o tranco sem estourar.

Além da força, a flexibilidade é a chave. Alongar os extensores e flexores do punho antes e depois do jogo deve ser tão automático quanto amarrar o tênis. Estique o braço à frente, palma para baixo, e puxe os dedos em direção ao seu corpo. Sinta o alongamento na parte de cima do antebraço. Manter esses músculos flexíveis impede que eles fiquem encurtados, o que aumentaria a tração no osso durante os golpes. O tênis é um esporte de chicotada, e um chicote precisa ser flexível para funcionar bem.

O Complexo do Ombro: A Síndrome do Impacto e o Saque

A mecânica do saque e a fase de armação

O saque é o golpe mais complexo do tênis e o que mais exige do ombro. Nas mulheres, vemos frequentemente problemas no manguito rotador devido a uma mecânica de lançamento de bola (o toss) baixa. Se você lança a bola baixo demais, é obrigada a apressar o movimento e bater na bola quando o braço ainda não está totalmente estendido. Isso causa um “pinçamento” nas estruturas do ombro, conhecido como síndrome do impacto. O ideal é bater na bola no ponto mais alto possível, com o braço esticado, o que abre espaço na articulação.

Outro erro comum é a falta de rotação de tronco. Muitas jogadoras tentam gerar força apenas com o braço, girando o ombro violentamente sem o suporte das pernas e do quadril. O saque começa nos pés. Se você não dobrar os joelhos e não girar o tronco para trás na preparação, seu ombro terá que fazer todo o trabalho pesado sozinho. É uma conta que não fecha: um músculo pequeno (o ombro) tentando gerar a potência que deveria vir dos grandes grupos musculares (pernas e costas).

A posição do cotovelo na fase de “troféu” também é crítica. Se o seu cotovelo cai muito baixo durante a preparação, abaixo da linha do ombro, você coloca uma tensão enorme nos ligamentos anteriores quando acelera a raquete para cima. Mantenha o cotovelo alinhado ou levemente acima da linha do ombro na preparação. Isso cria uma alavanca biomecânica eficiente e protege a cápsula articular. Vamos filmar seu saque hoje e verificar exatamente onde está esse cotovelo.

Desequilíbrio muscular: Rotatores internos vs. externos

No tênis, passamos o tempo todo fazendo rotação interna do ombro — no saque, no forehand cheio de topspin. Isso torna os músculos peitorais e rotatores internos muito fortes e curtos. Em contrapartida, os músculos das costas e os rotatores externos (que freiam o braço) ficam fracos e alongados. Esse desequilíbrio puxa a cabeça do úmero para frente, saindo do centro da articulação, o que gera atrito e dor na parte da frente do ombro.

Para prevenir isso, o seu treino de academia não pode ser igual ao de um fisiculturista. Você precisa focar obsessivamente nos rotatores externos. Exercícios com elásticos, fazendo o movimento de abrir o braço para fora (rotação externa) com o cotovelo colado no corpo, são essenciais. Isso realinha o ombro e garante que, quando você acelerar o braço a 100 km/h no saque, haja força suficiente na parte de trás para desacelerar esse braço com segurança.

A postura fora da quadra também influencia. Se você passa o dia no computador com os ombros caídos para frente, já entra em quadra com a mecânica comprometida. Exercícios de remada e fortalecimento dos romboides (entre as escápulas) ajudam a “abrir” o peito e colocar o ombro na posição neutra. Um ombro bem posicionado é um ombro forte e livre de lesões. Lembre-se: a força de aceleração é importante, mas a força de desaceleração é o que previne a lesão.

A fase de desaceleração e o follow-through

Muitas lesões de ombro acontecem não quando você bate na bola, mas depois que a bola já saiu da raquete. É a fase de desaceleração. Se você tem um movimento curto e tenta “parar” o braço logo após o impacto, o choque volta todo para o ombro. O movimento deve ser longo e fluido. No saque, sua raquete deve terminar do lado esquerdo do corpo (para destras), próxima ao bolso, permitindo que a energia se dissipe em um arco longo.

Observe as profissionais: depois de um smash ou saque forte, o braço continua o movimento até quase bater nas costas ou na perna oposta. Isso é técnica de proteção. Se você trava o braço no ar, os pequenos músculos do manguito rotador sofrem um “puxão” violento tentando frear a inércia da raquete. Deixe o braço “ir”, deixe o movimento fluir até o fim.

A tensão muscular excessiva durante o jogo também prejudica essa fase. Jogar com os ombros encolhidos, perto das orelhas, é um sinal de tensão que trava a escápula. A escápula precisa deslizar livremente pelas costelas para acompanhar o movimento do braço. Se ela está travada pela tensão, o ombro sofre o impacto. Durante os treinos, lembre-se de expirar e relaxar os ombros entre os pontos. Postura relaxada é sinônimo de movimento eficiente.

Joelhos e a Estabilidade da Base: O Perigo do Valgo Dinâmico

O Ângulo Q e a pressão no LCA

Aqui entra uma questão anatômica crucial para nós mulheres. O quadril feminino tende a ser um pouco mais largo para a gestação, o que aumenta o chamado “Ângulo Q” — o ângulo entre o quadril e o joelho. Isso faz com que, naturalmente, os joelhos tenham uma tendência maior a cair para dentro (valgo) quando você aterra de um salto ou muda de direção bruscamente. Esse movimento coloca uma tensão extra no Ligamento Cruzado Anterior (LCA), tornando as mulheres estatisticamente mais propensas a lesões de joelho do que os homens.

No tênis, onde fazemos centenas de mudanças de direção laterais e diagonais, controlar esse valgo é questão de sobrevivência. Se, ao bater um forehand aberto, seu joelho da perna de apoio “colapsar” para dentro, você está torcendo o ligamento. A correção vem da consciência corporal e do fortalecimento. Você precisa aprender a manter o joelho sempre alinhado com a ponta do pé, nunca deixando ele cair para a linha média do corpo.

Isso é treinável. Trabalhamos isso com exercícios de aterrissagem na frente do espelho. Você salta e aterra, focando em manter o joelho estável, sem deixá-lo sambar. Em quadra, quando você faz o split step, seus joelhos devem estar flexionados e apontando para a frente ou levemente para fora, ativando os glúteos. Essa base sólida protege seus ligamentos e, de quebra, te dá mais potência de arranque para chegar naquelas bolas curtas.

Fortalecimento do glúteo médio

O segredo para proteger o joelho não está no joelho, mas no quadril. O glúteo médio é o principal estabilizador lateral do quadril. Se ele está fraco, ele não consegue segurar o fêmur, e o joelho cai para dentro. Para tenistas mulheres, o fortalecimento de glúteo médio é mais importante que fazer milhares de agachamentos pesados. Exercícios como a “ostra” (abertura lateral deitada), passadas laterais com elástico nos tornozelos (monster walk) e elevação pélvica unipodal são obrigatórios.

Quando o glúteo está “acordado” e forte, ele funciona como uma âncora que mantém sua perna alinhada. Durante uma partida longa, quando o cansaço bate, é o glúteo que para de trabalhar primeiro, e é aí que o joelho fica vulnerável no terceiro set. Por isso, a resistência muscular dessa região é fundamental. O treino físico fora da quadra deve focar nessa resistência para que sua técnica de pernas se mantenha impecável até o último ponto.

Além de proteger, o glúteo é a fonte de potência. A força para um saque explosivo ou um forehand de definição nasce na extensão do quadril. Fortalecer essa região é um “dois em um”: você previne a lesão mais temida do esporte e ainda ganha mais peso na sua bola. É o melhor investimento de tempo que você pode fazer na academia.

Condromalácia patelar e quadras duras

A superfície onde jogamos também influencia. As quadras duras (lisonda) geram muito impacto de retorno a cada passo. Isso pode levar ao desgaste da cartilagem atrás da patela, a famosa condromalácia patelar, que causa aquela dor chata na frente do joelho ao subir escadas ou agachar. O impacto repetitivo, somado a um quadríceps que pode estar desequilibrado (mais forte na parte externa do que na interna), puxa a patela para fora do trilho, lixando a cartilagem.

Para prevenir isso, além do fortalecimento, precisamos olhar para o seu calçado. Tênis gastos perdem a capacidade de absorção de impacto. Se você joga três vezes por semana em quadra dura, seu calçado deve ser trocado a cada seis meses, mesmo que a sola pareça nova por fora. O amortecimento interno “morre” antes da borracha externa. Palmilhas de silicone ou personalizadas também podem ajudar a distribuir melhor a pressão.

Outra dica de ouro é alternar superfícies se possível. Treinar um pouco no saibro ajuda muito a poupar as articulações, pois o deslizamento do saibro dissipa parte da força de frenagem que, na quadra dura, vai direto para o joelho. Aprender a deslizar, mesmo em quadras duras (técnica avançada que vemos as profissionais usarem hoje), também é uma forma de reduzir o impacto “seco”, mas exige muita força e técnica apurada para não travar o pé.

Tornozelos e a Base de Apoio: Evitando a Entorse

Entorses por inversão na linha de base

A entorse de tornozelo é a lesão aguda número um no tênis. Geralmente acontece na movimentação lateral, quando você corre para defender uma bola e trava o pé para mudar de direção. Se o pé vira para fora (inversão), os ligamentos laterais esticam ou rompem. Isso é muito comum quando a jogadora está cansada e para de fazer os pequenos passos de ajuste, tentando chegar na bola com passadas muito longas e desengonçadas.

A prevenção começa com o footwork. Passos curtos e rápidos permitem ajustes finos. Se você chega na bola com a base muito aberta e o peso mal distribuído, o risco de virar o pé aumenta exponencialmente. Treinar a movimentação de “sombra” (sem bola), focando nas frenagens e retomadas, ensina seu cérebro e seus músculos a posicionarem o pé corretamente no chão antes de aplicar força.

O uso de estabilizadores ou “tornozeleiras” preventivas é um debate antigo. Se você já teve uma entorse, usar uma proteção semi-rígida durante o jogo é altamente recomendado para evitar a recidiva, pois os ligamentos ficam frouxos. Porém, não dependa apenas delas. O verdadeiro “seguro” do seu tornozelo é a musculatura da panturrilha e os fibulares (músculos na lateral da perna) fortes e reativos.

Calçados inadequados para a superfície

Vejo muitas iniciantes entrando em quadra com tênis de corrida (running). Isso é um perigo imenso! O tênis de corrida é feito para ir para a frente, tem o solado alto e macio, o que aumenta a instabilidade lateral. No tênis de campo, precisamos de um calçado baixo, com base larga e reforço lateral para aguentar as “sfreadas”. Usar tênis de running na quadra é pedir para torcer o pé.

O solado também varia. Em quadras de saibro, precisamos do solado “espinha de peixe” (zigue-zague) para dar tração mas permitir o deslize controlado. Na quadra dura, o solado deve ser mais resistente e com pontos de giro. Usar o solado errado pode fazer você travar o pé quando deveria deslizar, ou escorregar quando deveria travar. Verifique sempre se o seu equipamento condiz com o terreno onde estamos pisando.

Além do tipo, o ajuste é vital. O pé não pode “dançar” dentro do tênis. Amarre os cadarços até o último furo (aquele extra que quase ninguém usa) para travar o calcanhar no fundo do calçado. Isso cria uma unidade sólida entre seu pé e o tênis, melhorando a resposta aos movimentos rápidos e a segurança nas paradas bruscas.

Propriocepção: O sexto sentido do corpo

Propriocepção é a capacidade do seu corpo saber onde ele está no espaço. Depois de uma lesão, ou por falta de treino, perdemos essa sensibilidade no tornozelo. Recuperar isso é simples e pode ser feito enquanto você escova os dentes. Ficar em um pé só (apoio unipodal) já é um treino. Para avançar, tente fechar os olhos enquanto se equilibra em um pé. Isso força os ligamentos e músculos a trabalharem dobrado para te manter estável.

No aquecimento, usamos o disco de equilíbrio ou o “bosu” (aquela meia bola azul). Fazer agachamentos ou simular voleios em cima de uma superfície instável “acorda” os receptores nervosos do tornozelo. Quando você for para a quadra e pisar em um buraco ou travar o pé de mau jeito, um tornozelo com boa propriocepção vai reagir em milissegundos para corrigir a posição e evitar a torção, enquanto um tornozelo “dormindo” vai ceder e lesionar.

Inclua 5 minutos de exercícios de equilíbrio na sua rotina diária. É um hábito pequeno que cria tornozelos de aço. Lembre-se que a base de todo o seu jogo são seus pés. Se eles não estiverem firmes, sua confiança para correr atrás daquela bola impossível desaparece.

Punho e a Busca pelo Topspin: Cuidados com a Tendinite

A tendinite no lado ulnar e o movimento de “chicotada”

O tênis moderno ama o topspin — aquele efeito que faz a bola girar para frente e cair rápido na quadra. Para gerar isso, muitas jogadoras fazem um movimento exagerado de “limpador de para-brisa” com o punho no final do golpe. Se feito incorretamente, ou com um punho fraco, isso gera uma compressão no lado ulnar (o lado do dedo mindinho) do punho. É uma dor aguda que aparece ao girar a maçaneta ou dar um aperto de mão.

A lesão do complexo da fibrocartilagem triangular (TFCC) é comum aqui. Ela acontece quando tentamos gerar potência apenas com a “munhecada”, sem o suporte do braço e do tronco. O punho deve ser o transmissor final da força, não o gerador primário. Se você sente que está forçando o punho para fazer a bola girar, precisamos corrigir sua mecânica. O spin deve vir da velocidade da cabeça da raquete gerada pela rotação do ombro e antebraço em bloco, mantendo o punho relativamente estável no momento do impacto, ao escolher uma raquete para mulheres

Para aliviar essa área, evite fazer movimentos bruscos de desvio ulnar (dobrar o punho em direção ao mindinho) sob carga. No backhand de duas mãos, a mão não dominante (a esquerda para destras) ajuda muito a estabilizar o movimento e tirar a sobrecarga do punho direito. Use essa mão esquerda para “empurrar” a raquete, dividindo o esforço.

O problema do grip Western extremo

Empunhaduras muito fechadas, como a Full Western (onde a palma da mão fica quase embaixo do cabo), facilitam bater bolas altas, mas são assassinas para o punho. Elas colocam a articulação em uma posição de torção extrema e exigem muita força para sustentar a raquete. Para mulheres, que geralmente têm menos força de preensão que homens, essa empunhadura pode ser insustentável a longo prazo e levar a lesões crônicas nos tendões.

Se você está sentindo dores constantes no punho, pode ser hora de reconsiderar sua empunhadura e tentar migrar para uma Semi-Western ou Eastern. Isso coloca o punho em uma posição mais anatômica e alinhada com o antebraço no ponto de contato. Mudar o grip é difícil, eu sei, parece que você desaprende a jogar por umas semanas, mas vale a pena pela longevidade do seu braço.

Além da empunhadura, a grossura do cabo volta a ser tema. Um cabo muito fino obriga você a fechar demais o punho, aumentando o risco de tendinite de De Quervain (na base do polegar). Verifique se seu equipamento não está sabotando sua anatomia. Às vezes, apenas aumentar um pouco o grip alivia a tensão nos tendões do polegar e do punho instantaneamente.

A importância da cadeia cinética no punho

Repito sempre: o punho é o elo final da corrente. Se as pernas não empurram, se o quadril não gira e se o ombro não avança, sobra para o punho tentar salvar o golpe e gerar velocidade. A maioria das lesões de punho em mulheres é resultado de “compensação”. Você compensa a falta de perna com a mão.

Trabalhe a força do seu core (abdômen e lombar). Um tronco forte transfere a energia das pernas para os braços de forma eficiente. Quando você bate na bola sentindo que a força veio do chão, seu punho fica leve, apenas direcionando a raquete. Quando você bate sentindo o punho rígido e dolorido, é sinal de que a corrente de energia quebrou em algum lugar antes (provavelmente você parou as pernas).

Exercícios de fortalecimento de punho, como enrolar um peso amarrado em um cabo de vassoura (o “rolinho”), são ótimos para ganhar resistência local. Mas o foco principal deve ser sempre: pernas ativas, punho relaxado. Essa é a mantra do tênis sem dor.

O Papel da Biomecânica Feminina: Entendendo Seu Corpo

Hipermobilidade e estabilidade articular

Mulheres frequentemente têm maior flexibilidade natural que homens devido a hormônios como o estrogênio e a relaxina. Isso é ótimo para a amplitude de movimento, mas pode ser um risco se não houver força para controlar essa amplitude. A hipermobilidade, ou ser “dupla articulação”, significa que seus ligamentos são mais frouxos. No tênis, onde as forças são violentas, se os ligamentos não seguram, os músculos precisam trabalhar dobrado para estabilizar as juntas.

Se você é muito flexível, seu foco no treino físico não deve ser alongamento passivo excessivo, mas sim estabilidade e força. Você precisa ensinar seus músculos a “frearem” o movimento antes que a articulação chegue no limite perigoso. Pilates é excelente para isso, pois trabalha o controle motor fino e a estabilidade do centro do corpo.

Tenha cuidado redobrado nos dias pré-menstruais. As alterações hormonais podem aumentar ligeiramente a frouxidão ligamentar e alterar a propriocepção, aumentando sutilmente o risco de lesões. Nesses dias, foque ainda mais no aquecimento e talvez reduza um pouco a intensidade dos treinos de explosão máxima. Escute seu corpo; ele fala com você o tempo todo.

Centro de gravidade e equilíbrio dinâmico

A boa notícia é que as mulheres têm um centro de gravidade mais baixo que os homens (devido ao quadril), o que naturalmente favorece o equilíbrio. Use isso a seu favor! Fique baixa. Jogar com os joelhos flexionados não só ativa as pernas como abaixa ainda mais seu centro de massa, tornando você uma rocha difícil de derrubar e mais ágil nas mudanças de direção.

Muitas lesões acontecem quando a jogadora levanta o corpo durante o ponto, perdendo essa vantagem natural. Mantenha a postura atlética. O equilíbrio dinâmico — a capacidade de se manter estável enquanto se move — é sua maior arma de defesa. Treinos de agilidade com escadinha no chão ajudam a melhorar essa base e a manter o centro de gravidade sob controle mesmo em alta velocidade.

Diferenças na massa muscular e potência

Biologicamente, mulheres têm menos massa muscular absoluta na parte superior do corpo em comparação aos homens. Isso significa que tentar “bracejar” a bola (usar só a força do braço) é muito mais perigoso para nós. A técnica feminina deve ser, obrigatoriamente, baseada na técnica perfeita e no uso do corpo todo.

Você não pode se dar ao luxo de ter uma técnica “suja” ou ineficiente, pois não tem a massa muscular bruta no ombro para compensar o erro sem se machucar. Por isso, insistimos tanto na rotação de tronco e no uso das pernas. Sua potência vem da fluidez e da soma de forças, não da força bruta isolada. Jogar bonito, no tênis feminino, é sinônimo de jogar saudável.

O Equipamento como Escudo: Comparativo de Cordas

Para finalizar nossa “clínica” de hoje, vamos falar sobre o motor da sua raquete: as cordas. A escolha errada aqui é a causa número 1 de Tennis Elbow. Muitas jogadoras usam o que vem na raquete ou o que o vendedor indicou, sem saber o impacto disso no braço.

Vamos comparar as três principais famílias de cordas. O objetivo aqui é você entender qual protege mais seu braço.

CaracterísticaTripa Natural (O “Ouro”)Multifilamento (Tripa Sintética Premium)Poliéster (Co-Poly / Arame)
ConfortoExtremo. Absorve quase toda a vibração ruim. É como bater numa nuvem.Alto. Tenta imitar a tripa natural. Muito macio e amigável ao braço.Baixo. É rígido. Transmite muita vibração para o cotovelo e ombro.
PotênciaAlta. A bola sai da raquete sem você fazer força (“efeito elástico”).Média/Alta. Gera boa potência com pouco esforço.Baixa. É uma corda “morta”. Você precisa bater com força total para a bola andar.
Controle/SpinBom, mas pode soltar demais a bola se a tensão for baixa.Bom. Equilibra bem potência e controle.Excelente. A rigidez permite “agarrar” a bola e gerar muito topspin.
DurabilidadeBaixa/Média. Teme umidade e quebra fácil se mal cuidada.Média. Desfia com o tempo antes de quebrar.Alta. Muito difícil de quebrar (mas perde a elasticidade rápido).
Risco de LesãoMínimo. É a melhor escolha para quem tem dor ou quer prevenir.Baixo. Excelente custo-benefício para proteção.Alto. Recomendado apenas para jogadoras avançadas com técnica perfeita e sem dores.

Se você não é uma jogadora profissional que quebra corda a cada treino, fique longe do poliéster puro, ou use-o com tensão muito baixa (40-45 lbs). Para a maioria das minhas alunas que querem prevenir lesões, eu recomendo um bom Multifilamento. Ele protege seu cotovelo, dá potência fácil e não custa uma fortuna como a Tripa Natural.

Gostaria que analisássemos juntos o seu equipamento atual (raquete e tensão das cordas) na próxima aula para garantir que ele não está contribuindo silenciosamente para futuras lesões?

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